Porque hoje é sábado, mulheres lendo (Vol. 3)

Neste blog de sete leitores, já tivemos dois PHES de mulheres lendo.

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Este e este.

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Não somos monotemáticos, mas temos o vício da provocação.

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E, em comentários lidos por aí, alguns leitores de mentes simples

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sugeriram que uma mulher lendo não ficaria mais bonita,

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antes ficaria mais culta, preparada, pronta para a luta.

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(Como se uma coisa evitasse a outra, como se a mulher mais cultivada não fosse a mais atraente).

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E, se Werther morreu por ver Carlota, dando pão com manteiga às criancinhas,

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se achou-a assim tão mais bela…

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Que problema haveria em achar mais bonita uma mulher quando lê? Continuar lendo

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Tradutora de Svetlana Aleksiévitch, Sonia Branco vira ‘sócia’ da bielorrussa

Sonia Branco e Svetlana Aleksiêvitch: "Nosso livro"

Sonia Branco e Svetlana Aleksiévitch: “Nosso livro”

Encontro entre autora e tradutora durante a Flip rendeu agradecimentos e dedicatória especial. Escolhida para verter obras da bielorrussa, Sonia Branco relata experiência de noites debruçadas sobre obras “densas e envolventes”.

Da Gazeta Russa

A Nobel de Literatura Svetlana Aleksiévitch, que esteve na recente edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), é uma escritora de muitas vozes. E, se uma delas fala português, isso se deve a Sonia Branco. No evento, além de terem a oportunidade de trocar algumas palavras, o encontro rendeu uma “parceria” inesperada: em sua dedicatória, a bielorrussa agradece pelo que chama de “agora nosso livro”.

“Foi uma emoção muito grande. Jamais imaginaria que isso fosse acontecer”, conta Sonia. A voz brasileira da Nobel de Literatura, aliás, também é uma mulher de muitas faces.

Com nome de heroína de Dostoiévski – aliás, uma paixão de ambas –, Sonia Branco não para por aí. É professora de Língua e Literatura da Universidade Federal do Rio de Janeiro, doutora e mestra em Teoria Literária, tradutora com vasta experiência, e um dos maiores nomes em estudos eslavos do Brasil.

O contato com Svetlana aconteceu por acaso. Após o anúncio de que a bielorrussa seria a Nobel de Literatura de 2015, iniciou-se uma corrida para lançar seus livros no Brasil. E isso passava pela escolha de tradutores para sua obra – densa, humana, mas contemporânea e de fácil acesso.

Logo, Sonia Branco foi contatada e, durante alguns meses, abriu mão de finais de semana, noites e feriados para dar corpo à versão brasileira de “Vozes de Tchernóbil”, um dos livros mais importantes de Svetlana Aleksiévitch. A obra sobre a catástrofe nuclear foi uma das três escolhidas para apresentar a bielorrussa ao Brasil, juntamente com “A Guerra não tem rosto de mulher” e “Tempo de segunda mão”.

“Passei meu Natal com a tradução. Chorei muitas vezes com o texto, me envolvi demais. É um livro denso e que precisa de um cuidado especial”, diz Sonia. O trabalho evoluiu e, enfim, a tradução pronta, e livro já está nas prateleiras. Mas a glória maior da brasileira ainda estaria por vir.

A participação de Svetlana na Flip era uma grande oportunidade para Sonia Branco conhecê-la. Mas, sem ingressos garantidos, restou comprar os bilhetes – como qualquer mortal – e aguardar uma brecha na agenda da bielorrussa. A chance aconteceu logo após a participação de Svetlana na Tenda dos Autores – evento principal da feira. Mesmo com a enorme fila para autógrafos, Sonia conseguiu trocar algumas palavras com a escritora.

E, ainda mais importante do que um “convite” para Minsk, foi a dedicatória singela e generosa feita por Svetlana Aleksiévitch, que escreveu no exemplar de Sonia “obrigado pelo, agora, NOSSO livro”. Assim, a brasileira se tornou “sócia” de um Nobel de Literatura. E, paralelamente, Svetlana Aleksiévitch ganhou uma nova voz feminina e bem brasileira.

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Noruega faz o melhor comercial das Olimpíadas no Rio de Janeiro

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Entre centenas de campanhas publicitárias sobre os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, foi a Noruega que criou o comercial mais brasileiro. A peça mostra um Rio de Janeiro mais “realista” e é uma campanha da marca esportiva XXL Sport & Villmark. Tudo se passa em uma favela e mostra a história de um garoto que persegue um misterioso homem para devolver a carteira que ele deixou cair. Ao mesmo tempo, o próprio garoto é perseguido por policiais que acreditam que o acessório tenha sido roubado por ele.

Vejam abaixo.

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Só a ficção arranha a realidade

Faulkner

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Uma breve reflexão sobre os linchadores virtuais

Ilustração: Yuri Leonardo

Ilustração: Yuri Leonardo

Já vi grandes linchamentos na internet e vejo vários pequenos sendo ensaiados aqui e ali. Dentro da rede, creio que a melhor estratégia de defesa seja a de não se defender. Em caso de ataque, o melhor é que o agredido não somente fiquei quieto, mas impeça seus amigos de defendê-lo. O correto é o silêncio. Quando isso não acontece, a briga só aumenta e o nível torna-se rasante com o aparecimento de um verdadeiro enxame de vigilantes da moralidade pública, de guardiões de todas as virtudes e do politicamente correto.

Os linchadores de internet são um fenômeno mais ou menos recente, nascido nos blogs e disseminado nas redes sociais. O linchador tem normalmente por alvo uma pessoa que desconhece pessoalmente. Ele mal e mal conhece uma expressão do agredido, quase sempre plana, sem contexto. Há uma recusa pela complexidade e pela faceta.

Imagino que o linchador fique entre uma ocupação e outra. No intervalo, compraz-se com sua atuação na rede e com a de seus pares, enquanto o linchado sofre 24h, se lê os absurdos escritos. As ofensas vêm de um “mundo virtual”, mas ecoam e têm reflexos no real. O linchador de internet não pega em paus ou pedras, mas pode levar uma pessoa frágil ao fundo do poço, causando danos e ele e a seus próximos. Danos não apenas morais, mas profissionais.

O assustador é que o linchador tem a capacidade de disseminar mentiras (ou meias verdades) de forma absolutamente sem freios. Ele pega uma história já interpretada — isto é, distorcida –, sem desejar avaliar sobre se os fatos são verdadeiros. Apesar de saber só um tiquinho, não pestaneja e busca na internet o efeito altamente prazeroso de entrar numa discussão sem ver caras irritadas nem gritos. Dissemina ódio sem ética e respeito à intimidade alheia.

A leitura dos linchadores é algo pra espantar. Ali temos a clara noção de que a pessoa média e politicamente correta carrega toneladas de ódio contra as coisas mais incríveis, incluindo até o Monty Python!

Nesta semana, vi dois ensaios de linchamento. No primeiro, um perfeito idiota reclamou que o autor de um texto poético escrevera que as mulheres “ficam mais bonitas quando se entregam a [leitura de] uma história”. Ponto. A acusação era de que o primeiro elogio a se fazer a uma mulher que lê jamais seria o de que ela fica mais bonita. (Deveríamos dizer, ah, ela está se ilustrando ou se informando…?) Olha, se eu vejo uma desconhecida lendo, acho-a mais bonita do que em várias outras circunstâncias. Mais: acho que um escritor — como o este meu amigo — fica mais interessado em conhecer uma mulher leitora do que numa que não ame os livros. Meu amigo escritor ficou quieto, apenas curtiu os comentários dos malucos, como se os levasse em conta. A coisa cessou rapidamente.

(Fiquei pensando em alguns poemas clássicos que teriam de ser revisados…)

O segundo foi bem mais agressivo. Outro amigo escreveu que Taylor Swift era “uma cantora de bosta”. Então ele foi acusado de uma inverdade: de ter chamado a tal Taylor de bosta. Ora, ele escreveu que ela era uma cantora de bosta, ou seja, que não cantava porra nenhuma. Sei que ele diria o mesmo de um cantor que detestasse. O que ele fazia era um juízo de valor sobre a arte desta Taylor que desconheço.

Os agressores eram feministas que não merecem tal denominação, a meu ver muito maior que tais baixarias. A discussão chegou ao ponto descontrolado do meu amigo ter que ler que “tratar homens e mulheres com igualdade é machismo”, ponto onde eu devo acabar este já longo texto. Em casos de linchamento, não há espaço para discordâncias cordiais ou reflexão ou para “complexidades mesmo as mais simples”.

Há outros casos, outros temas. No passado, vi um linchamento absurdo de uma judia que se declarou não sionista. Descobri casualmente e tive dificuldade de saber quem era a vítima, sempre chamada de vaca, puta ou mulherzinha de merda. E o maior de todos, o daquele professor que sofreu com uma matilha de parvos moralistas porque um blog decadente — como todos — achava que precisava de page views.

É uma vontade de achar problema, de criar polêmica, que torna tudo irrespondível. Será que isso serve para o linchador virtual mascarar uma inação efetiva? Pois, em seu íntimo, ele deve ter certeza que está limpando o mundo de suas porcarias e fazendo sua parte na construção de um mundo melhor.

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Feliz Dia do Amigo

Nelson Moraes: A gente tem que abrir a cabeça pra entender que amizade é tudo.

Dia do Amigo Trotsky Stálin

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Mozart – Adágio da Serenata para 13 Instrumentos de Sopro, K. 361, "Gran Partita"

Esplendidamente interpretado por F. Murray Abraham — que ganhou o Oscar de Melhor Ator por este Amadeus (1984), de Milos Forman –, Salieri diz:

Na página não parecia… Nada! O princípio simples, quase cômico. Só uma pulsação. Trompas, fagotes… como uma sanfona enferrujada. E depois, subitamente… lá bem no alto… um oboé. Uma única nota, ali pendurada, decidida. Até que um clarinete a substitui, adoçando-a numa frase de tal voluptuosidade… Isto não era uma composição de um macaco amestrado. Era música como eu nunca tinha ouvido. Cheia de uma saudade, de uma saudade não realizada. Parecia-me que estava a ouvir a voz de Deus.

.oOo.

Música

(Para D.D.S.)

Algo de miraculoso arde nela
e fronteiras ela molda aos nossos olhos.
É a única que continua a me falar,
depois que todos os outros ficaram com medo de se aproximar.

Depois que o último amigo tiver desviado o seu olhar,
ela ainda estará comigo no meu túmulo,
como se fosse o canto do primeiro trovão,
ou como se todas as flores tivessem começado a falar.

(1958)

De Anna Akhmátova. Este poema foi dedicado a Dmitri Shostakovich e está gravado em seu túmulo. Foi uma exigência do compositor.

A tradução é de Lauro Machado Coelho, no excelente livro Shostakovich – Vida, Música, Tempo.

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Os passageiros do metrô do Século XVI

Segundo o fotógrafo Matt Crabtree, você pode encontrar todo o tipo de pessoa no metrô de Londres. No entanto, não verá ninguém do século XVI. A série abaixo é intitulada ‘Os passageiros do metrô do Século XVI’. O autor tira as fotos clandestinamente, quando anda de trem na cidade. “Todas essas fotos são tiradas, retocadas e enviadas do meu telefone”, escreveu ele no Facebook. “Tento capturar momentos suburbanos mundanos de beleza tranquila, clássica.”

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Bom dia, Falcão (com os melhores lances da quinta derrota consecutiva)

Falcão: belo casaco

Falcão: belo casaco

Nada do que está acontecendo no clube, Paulo Roberto, é culpa tua. Recebeste um time em estado de degradação e destreinamento e, para reorganizá-lo, levará algum tempo. Aos torcedores que ontem agrediram jogadores e dirigentes, tenho a dizer o seguinte: sou inteiramente a favor dos protestos e vaias, mas contra a violência. E mais: não adianta protestar contra os jogadores, mas contra os responsáveis pelo departamento de futebol, ou seja, contra gente como Derrotório Piffero e Carlos Pellegrini. Secundariamente, valeria a pena protestar contra a massa de torcedores anônimos e parvos que se enganaram com nossa liderança sem ver o que ocorria em campo — um golpe de sorte ao estilo Santa Cruz.

Afinal, se hoje ganhamos incrível e inédito 1 ponto dos últimos 21 disputados, os responsáveis são aqueles que mantiveram Argélico na virada do ano — já se sabia tudo sobre sua incapacidade — e o deixaram fazendo bobagens até meados de julho. O time, hoje, joga um arremedo de futebol. 1 ponto em 21 é para chamar a SAMU, a Unimed, o viagra, o álcool ou qualquer coisa que nos reanime.

Hoje estamos a 12 pontos do líder, a 6 do G-4 e apenas 5 pontos à frente do Z-4.

Certo, nossos jogadores não são Brastemps, mas não ficam abaixo da maioria da concorrência. Falta articuladores — Alex é um ex-jogador, Anderson cultiva uma barriga de aposentado e D`Alessandro foi expulso do clube pelo Derrotório — e parece que não vamos tê-los, a não ser que Seijas surja como solução ou que Anderson dedique-se finalmente a seu ofício. Entrar em campo com Andrigo, Ferrareis e Sasha mais parece piada.

Se eu fosse tu, Falcão, jamais entraria com o citado trio na armação. Como dali não sai nada mesmo, colocaria o problema na mão de raposas mais velhas, como Alex, Anderson e Marquinhos. Nada por nada, é melhor queimar quem tem grande salário. Outra coisa: acho que Dourado tem que ficar atrás. Sua presença ofensiva é dispensável e falta proteção aos zagueiros.

(Olhando o grupo de jogadores do Inter, é incrível o número de jogadores ruins. Quem um nome? Allison Farias.)

A ruindade na armação começa a estourar lá atrás, onde não está Dourado. Por exemplo, os antes bons William e Paulão começam a vazar e o cenário atual é de um Inter que vimos raramente e que, para nossa sorte, ainda não vingou, um que é franco favorito ao rebaixamento.

O primeiro tempo de ontem foi lastimável. O Beira-Rio assistiu silencioso a um time muito bem estruturado e treinado destruindo uma equipe menor e indefesa. Aquele primeiro tempo podia ter sido um 0 x 3 sem grande exagero. Melhorou um pouco no segundo, mas chance de gol que é bem, nada.

No próximo jogo, domingo, às 11h, contra a Ponte Preta em Campinas, o Inter poderá ter de volta o goleiro Danilo Fernandes e o meia Seijas, ambos em fase final de recuperação de lesões. Por outro lado, Rodrigo Dourado e William, convocados para a seleção olímpica, desfalcam a equipe, se podemos utilizar este termo para o que temos.

Obs. final: Nico López seria um belo reforço. Ele e a Udinese aceitaram a proposta do Inter, mas o esperto Pellegrini acha impossível que dê tempo para que sua documentação esteja pronta antes de terça-feira, data em que fecha a janela europeia. Se isso acontecer, será mais um episódio ridículo desta diretoria de circo. (Lembram quando Quintero foi anunciado? Cadê Quintero?)

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Porque hoje é sábado, mulheres lendo

O PHES de hoje foi escrito, escolhido e dirigido pelas consoantes do escritor gaúcho Gustavo Melo Czekster, que também pilota o blog O Homem Despedaçado. Os textos de Gustavo — Mestre em Literatura Comparada e advogado — são deliciosos, verdadeiramente invejáveis, mas o que provoca meus ciúmes é a notável capacidade que ele tem de sair sempre sorrindo nas fotos. É um sorriso despudoradamente feliz, como se ele estivesse indo ou recém vindo do Nirvana. Bá, como é difícil para mim fazer isso sem que transpareça meu desejo de matar o fotógrafo. Gustavo é autor de um livro que tem o mesmo nome de seu blog e acaba de finalizar seu segundo, Não há amanhã, que sairá pela Zouk. 

.oOo.

Existe algo de especial quando você me olha.

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Você poderia escolher entre dezenas de outros,

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Mas eu fui o sortudo.

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Às vezes você vai se perder comigo em alguma rua,

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Irá me levar para as promessas que moram na cama,

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Ou talvez nos enrodilharemos no sofá como dois gatos velhos.

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Talvez a gente se esqueça do mundo na cozinha,

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Talvez você me convide para tomar um café e seus olhos se tornem sonhadores, Continuar lendo

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Bruegel, os cegos e meu sonho

Hoje eu tive um sonho. Estava pintando o quadro abaixo. Eu era Pieter Bruegel, o Velho e pintava em meu atelier A Parábola dos Cegos, certo? Há mais: estava emocionadíssimo porque um dos cegos — qual seria? — era meu pai e era do maneira abaixo que ele se deslocava com seus pares. Um negócio desesperador. Mesmo! Eu pintava e chorava.

Assim como para a Caminhante, Ernesto Sábato e José Saramago,a cegueira e suas metáforas, mas principalmente a cegueira sem metáfora, é algo que assusta e causa perplexidade, pena, medo, profundo interesse, tudo.

Quando acordei, a imagem da obra-prima de Bruegel foi substituída pela da galinha abaixo, vista ontem no Google Images. Bem, sei lá.

P.S. — Meu pai, morto em 1993, nunca teve deficiência visual.

Parábola dos Cegos

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Tão otário que paga pra te ver

E o Partido se autodenomina Novo.

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Carolina, a mulher que “não deu filhos” a Machado de Assis

CARTADEmachadoecarolinaLi hoje contrariado um texto que dizia que a esposa de Machado de Assis — a muito amada Carolina Augusta Xavier de Novais — “não tinha lhe dado filhos”. Céus, que expressão boba. Se Carolina não deu a filhos a Joaquim Maria, também Joaquim Maria não os deu a Carolina. E não creio que ninguém considere Machado incompleto porque não teve filhos. “…não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria”, escreveu o personagem-título de Memórias Póstumas de Brás Cubas. E se isto vale para um homem, vale para uma mulher.

Mas é fato que algumas pessoas com filhos veem com desconfiança os que não têm. Parece que traem a espécie humana. Em nosso passado agrário, ter filhos até podia ser uma questão fundamental. Afinal, famílias grandes podiam trabalhar extensões maiores de terra, produzindo maior prosperidade e alimento. Além disso, os pais contavam com os filhos para suportarem melhor a velhice.

Lembro que alguns antigos casais narravam com orgulho o fato de terem voltado da lua-de-mel com uma encomenda. E, se a coisa demorasse a acontecer, o mundo passava a ver a mulher — e exclusivamente ela — como portadoras de algum distúrbio, como a Carolina de Machado. E se o problema fosse com o cara?

Porém, em nossos dias, sabemos que a maioria de nossos filhos não cuidará de nós na velhice e nem renderá grana.

Outro fato atual é que o sexo parece estar cada vez mais afastado da reprodução. O cara não precisa ser um Bach para ser considerado viril e nem a mulher super parideira é um sucesso. Também nunca ouvi um amigo dizer publicamente que gostaria de ter filhos com uma mulher, só ouvi que “essa é pra casar”, quase sempre dito em tom de brincadeira para uma mulher linda e inteligente.

Para mim, ter filhos foi e é motivo de enorme grande alegria. Mas e daí que alguns não tenham? É uma escolha facultativa mesmo neste país atrasado, evangélico e sem aborto legal. É uma escolha que não é simples, pois significa a forma de vida que alguém quer para si. E, para os que não conseguem tê-los por algum motivo físico, há milhares de crianças necessitadas de pais que lhes deem amor.

Mas tudo isso só pela frase sobre Carolina?

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Chuva

livro-cem-anos-de-solidaoOntem, estava saindo do Guion Cinemas, olhei para fora e vi toda aquela chuva com o reflexo das luzes no chão do Nova Olaria. Pensei num dia em que estava viajando com a Elena e ela não voltava e não voltava. Estávamos em Londres e chovia aquela chuva de lá, que raramente é forte. Poucos usam guarda-chuvas na capital britânica, mas a Elena detesta chuva e seria bem capaz de ficar esperando que passasse. Mas também poderia estar perdida ou refém de um comando terrorista. E eu no quarto do hotel, cada vez mais angustiado. Desci até a recepção e contei meu drama para o atendente. O cara achou graça e disse que ninguém se perdia em Londres. Então, pensei num mal súbito.

Sem aguentar esperar, dirigi-me até a frente do hotel e raciocinei sobre como deveria fazer para encontrá-la em seu caminho de volta, se ela não estivesse numa maca de hospital. E fui. Andei umas três quadras e a vi de longe, com seu andar calmo e deslizante de quem teve mãe bailarina. Fiquei com vergonha de minha histeria. E diminuí o ritmo dos passos para observá-la melhor. Roupa cinza, ela vinha com o casaco sobre a cabeça, protegendo-se da chuva fraca. Uma bonita figura. E lembrei de como ela não suportaria Macondo. Dias antes ela tinha me dito que seu livro preferido na juventude fora uma edição russa de Cem Anos de Solidão de um tal Márquez. Como ela disse só o último nome do autor, eu achei que ela falava em Marx. Aí eu expliquei que aqui se dizia García Márquez.

Mas não tive tempo de seguir conjeturando porque tive que abrir meus braços para ela.

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Shostakovich tentou capturar o caos do futebol em uma peça para piano

DSCH assistindo seu querido Zenit jogar

DSCH assistindo seu querido Zenit jogar

Shostakovich amava o futebol e, quando podia, ia aos estádios para ver seu o Zenit, de São Petersburgo jogar. Na Suíte Russkaya reka (Rio Russo), Op. 66, há um movimento chamado Futebol, no qual ele tentou representar musicalmente nosso querido esporte bretão. O resultado é uma correria. Jamais deve ser esquecido que Shostakovich, quando jovem, no início do século passado, ganhava trocados atuando como pianista de cinema mudo.

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Bom dia, presidente Derrotório Piffero

Derrotório Piffero: a face da confusão

Derrotório Piffero: a face da confusão

Meu caro amigo.

Parabéns! Finalmente demitiste Argélico Fucks após manter por quase um ano este falso técnico de futebol, alguém que apenas retirou minuciosamente todo e qualquer padrão de jogo do teu time, alguém que não sabia como dar dinâmica, sincronismo e passes certos à equipe, que olhava sem reação os erros e que não sabia porque às vezes ganhava. Agora, o Sr. agora tem a chance de acertar.

Eu pensei que, depois de termos visto o Inter jogando horrivelmente no final do ano passado, o Sr. não entraria 2016 com Argélico. Mas entrou e hoje sabemos que a remontagem será MUITO complicada. Estamos há mais de um ano sem fazer uma partida decente e o novo técnico receberá apenas ruínas. Nada está montado, treinado. O Inter é uma bagunça só. Precisamos de um mágico. Mas não creio que ilusionismo funcione.

Ontem, Argel chegou ao clímax da incompetência. Depois de jogos onde fizemos 47 cruzamentos (Inter x Botafogo) para atacantes nanicos, tivemos um gigante como centroavante. E só demos chutões, pouquíssimos cruzamento… Eu dava risadas vendo o jogo, era de rir, meu caro Derrotório, de rir.

Para não cairmos para a segunda divisão, faço qualquer negócio. Aceito até Celso Roth em contrato até 31 de dezembro de 2016. Mas que venha um profissional que já fez trabalhos consistentes e com assinatura, nem que seja em times médios. E, por favor, não faça com que teu novo técnico entre 2017 adentro, meu caro Derrotório. Pois está na cara que tu não serás reeleito.

Boa sorte, querido. Pense na possibilidade de rebaixamento e acerte desta vez.

Agora, os melhores lances da comédia de ontem.

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Svetlana Aleksiévitch, a Nobel que gosta de ouvir

Do publico.pt

A Prêmio Nobel da Literatura 2015 foi a estrela da Festa Literária Internacional de Paraty. É uma mulher cansada das guerras e das tragédias e que encontrou um novo tema para o próximo livro: o amor.

SvetlanaAlexievichMain“Sobre a guerra não vou conseguir escrever mais. Disso tenho a certeza”, atirou Svetlana Aleksiévitch do palco da Tenda dos Autores da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP). Em resposta, ela ouviu o silêncio na plateia de 850 lugares que na noite de sábado abarrotava os assentos. Lá fora, uma multidão que não conseguiu bilhete juntou-se, sentada ou de pé, em frente ao telão gigante onde é transmitido gratuitamente o que se passa no palco principal: mais de 1800 pessoas, segundo números da organização. Ao mesmo tempo, decorria à porta da tenda uma manifestação contra a ausência de autores negros na FLIP e contra o presidente interino Michel Temer. Momentos antes, também um grupo de mulheres se passeara na sala, em silêncio, segurando lenços brancos onde se lia “Ana Cristina Cesar era gay”, em protesto contra a abordagem da FLIP à autora homenageada desta edição.

Em russo, com a sua voz pausada, o inconfundível cabelo ruivo, e enfiada num fato salmão, a Prêmio Nobel da Literatura de 2015 continuou a explicar, numa conversa conduzida pelo jornalista e editor da revista Serrote, do Instituto Moreira Salles, Paulo Roberto Pires, que “os homens não gostam muito de ter mulheres na guerra, principalmente mulheres que escrevem”.

A autora de A Guerra Não Tem Rosto de Mulher (Companhia das Letras) recordou que estava na guerra do Afeganistão a fazer o seu trabalho de jornalista, acompanhada por um coronel bem cínico, quando lhe mostraram uma arma que lhe pareceu muito bonita: “É horrível dizer isto, mas era mesmo uma arma bonita, moderna, via-se que quem a construiu passou bastante tempo a pensar na melhor maneira de matar outro homem.” O coronel olhou para ela de cima para baixo e respondeu-lhe que sempre que a dita arma era disparada era preciso depois raspar do asfalto, com uma colher, o corpo abatido.

Algum tempo mais tarde, num dia em que faziam mais de 40 graus, o mesmo coronel levou-a a um local onde a arma tinha sido utilizada para matar os seus soldados, dos quais tentavam recuperar os corpos para enviar alguma coisa às famílias. “Eu tenho cultura russa, acredito que temos de ser verdadeiros até ao fim. Mas não sou uma super-mulher, sou um ser humano normal. Quando lá cheguei com aquele calor e vi aqueles pedacinhos de corpos espalhados pelo chão, desmaiei. Mas ao mesmo tempo tinha de voltar para casa e escrever aquilo tudo. E depois alguém vai perguntar: como é que sobreviveu no Afeganistão?”.

Pausa para respirar fundo antes de continuar: “É muito difícil responder. Não sei como sobrevivi a essas experiências, sofri muito, não consigo sequer visitar lares de crianças abandonadas. Antigamente eu ia para os hospitais onde havia homens sem braços, sem pernas, hoje em dia não consigo. Mas sei que o me salvava, o que me salvou: é que eu amo a vida. Temos a que nos apegar.”

O amor, “a única saída”

A Nobel bielorrussa, agora com 68 anos, sabe que nunca mais voltará a esses lugares. “Não fui à Tchechênia porque não podia ver mais um ser humano assassinado por outro ser humano que não gostou do que ele pensava, não conseguia sequer imaginar ver um corpo morto. Tudo o que quis dizer a respeito das guerras já o disse nos meus livros, e como autoproteção estou à procura de novas ideias.”

O novo livro que está a escrever, revelou, tem por tema o amor. “Mas também há uma certa guerra nisto, não posso dizer que esse assunto é muito fácil de tratar.”

Apesar de ter no seu currículo livros como Vozes de Tchernóbil, Svetlana diz que não coleciona tragédias. “Na verdade há muitas tragédias, mas ao mesmo tempo há crianças, flores, amor, pôr-do-sol… Na vida, há momentos em que se consegue ganhar força e continuar a enfrentar as dificuldades. Acho que tenho de passar, naquilo que faço, essa beleza. Os meus livros, mesmo convivendo com a tragédia, falam de amor, que é a única saída para nós.”

Além de Tchernóbil, Paulo Roberto Pires lembrou também a tragédia de Mariana, no Brasil, onde a ruptura de duas barragens operadas pela empresa mineira Samarco provocou um desastre ambiental. Réplica de Svetlana: “A humanidade ocupou o lugar errado dentro da natureza. É muita ingenuidade usar a força contra ela. Os índios no Brasil conhecem melhor a natureza do que nós, hoje em dia, com todas as tecnologias. O mundo precisa de uma nova filosofia de vida, se não esse progresso vai levar à nossa autodestruição.” E ainda: “Não acredito que o homem venha a ser salvo pelo homem racional, mas por um homem que venha a ter uma visão ampla e não veja só o progresso. Na nossa civilização só temos o homem-consumo. Daqui a alguns séculos, vão dizer o quanto éramos primitivos.”

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Porque hoje é sábado, Brooklyn Decker

Não, não era esta aqui.

Mas o fato é que, em outubro de 2011, época deste post,

vi a mulher mais bonita de Porto Alegre. Ela não era loira como Brooklyn Decker.

Era morena e estava no restaurante Japesca da Siqueira Campos.

Sim, exato, na temakeria.

Estava acompanhada de um sujeito que parecia ser seu pai.

Postura de pai, jeito de pai, humor de pai, distância de pai.

Eu acho.

Não, tenho certeza. Eram parecidos.

Conversavam pouco e ele não olhava muito para ela.

Claro que eu também não. Continuar lendo

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14 Frases célebres (e ácidas) da atriz russa Faína Ranevskaia

faina— “Todo mundo se queixa por sua aparência, mas ninguém reclama da própria inteligência”.

— “Não se produz um pum alegre com uma bunda triste”.

— “Saúde é ter dores todos os dias em lugares diferentes”.

— “Ia mandar você, mas estou vendo que você já é de lá”.

— “O homem perfeito lembra sempre o aniversário da mulher e nunca sua idade”.

— “O homem que nunca lembra o aniversário, mas não esquece a idade da mulher, é o marido”.

— “Solidão é quando você tem telefone em casa, mas quem toca é o despertador”.

— “Quando alguém te fizer mal, dê-lhe docinhos e repita isto até o dito cujo ter diabetes”.

— “Que sentido tem em fazer uma cirurgia plástica? Você renova a fachada mas a canalização fica a mesma”.

— “Ai meu Deus como sou velha, ainda lembro de gente honesta”.

— “Já faz tempo que ninguém me chama de puta, estou perdendo popularidade”.

— “Deus criou mulheres belas para que os homens pudessem amá-las, e bobas para elas poderem amar os homens”.

— “Você casará e vai entender o que é felicidade, só que então será tarde”.

— “Trabalhar num filme ruim é o mesmo que cuspir para a eternidade”.

De Faína Ranevskaia (1896-1984), atriz russa. (trad. de Elena Romanov)

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Porque hoje é sábado, cientistas russas

Um amigo meu, brasiliense e um dos sete admiradores deste prestigiado espaço,

Anastasia Georgievskaya á a primeira da fila de biólogas a seguir.

Anastasia Georgievskaya é a primeira da fila de biólogas que teremos abaixo.

comentou, abismado, sobre a beleza das cientistas russas. Me encheu de links.

Evgenia Schastnaya tem cabelos longos até os joelhos e é bióloga

Evgenia Schastnaya tem cabelos longos até os joelhos e é bióloga.

Conheço bem a encanto daquelas etnias.

Elena Kuznetsova ensina os computadores a "verem"

Elena Kuznetsova é uma engenheira de sistemas que ensina os computadores a “verem”.

Os tártaros deixaram por lá seus olhos

Maria Konovalenko é uma geneticista que estuda o envelhecimento humano

Maria Konovalenko é uma geneticista que estuda o envelhecimento humano.

e os rituais pagãos, com suas liberdades,

Polina Mamoshina estuda o envelhecimento da pele

Polina Mamoshina estuda o envelhecimento da pele.

fizeram o resto. Continuar lendo

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