Pô, Maduro

O governo da Venezuela cancelou a excursão de setembro de Gustavo Dudamel com a Orquestra Nacional da Juventude da Venezuela, mais conhecida como National Youth Orchestra of Venezuela (NYOV). Parece que Dudamel está sendo tratado como dissidente, o que é uma novidade. A excursão passaria também por quatro cidades norte-americanas. Talvez seja este o problema.

Dudamel, uma figura antes admirada pelo governo e amigo de Hugo Chávez, tuítou: “Estou com o coração partido. Foi cancelada nossa turnê. Meu sonho de voltar a tocar com esses maravilhosos jovens músicos não se tornará realidade desta vez”.

Sob a direção de Dudamel, a Los Angeles Philharmonic vai substituir a NYOV nos compromissos cancelados interpretando os mesmos autores latino-americanos que a NYOV tocaria. Os eventos serão de celebração das comunidades latinas nos EUA.

Dudamel com a NYOV

Dudamel com a NYOV

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Prazer de rever Padura

Pois é, já conversei com o Padura | Foto: Roberta Fofonka

Pois é, já conversei com o Padura | Foto: Roberta Fofonka

Sou fascinado pela boa prosa, escrita ou falada. Digo a vocês que o tema da palestra de Padura pouco me importou. OK, era um bom tema o da Insularidade, a maldita circunstância da água por todos os lados. Acompanhei com atenção adequada tudo o que ele disse sobre o malecón, o interminável muro de 60 cm de largura que separa Havana do mar e do resto do mundo, ouvi com prazer as histórias que envolviam meu amado Alejo Carpentier, gostei mesmo quando ele falou da pobreza e da fome dos anos 90, com tudo o que fica e vai, mas achei muito melhores as frases, a colocação cuidadosa e hábil dos pensamentos, como quando, por exemplo, ele explicou a sedução que o romance noir e o mal exercem sobre os escritores, quando falou nos absurdos que ele comete, em termos literários, quando ele e sua mulher criam um roteiro a partir do próprio livro, cortando quase todas as melhores frases e palavras para deixar tudo nas mãos das imagens. Nas mãos das imagens! Eu realmente estava adorando todas aquelas frases que finalmente me acalmaram e, em momento de puro prazer, me fizeram cabecear. Juro, fizeram e foi tão bom dormir aqueles 5 culpados minutos para voltar com tudo para as ondas de frases do espanhol de Padura!

Aí, só porque eu sou bobão mesmo, tirei uma foto inútil no escuro, com o celular. Estava bom, foi uma grande palestra sobre o fazer literário. Parecida com a que Mia Couto proferiu anos atrás na mesma Ufrgs. Gostei do público. Não estava lotado e quase ninguém perguntou sobre a política de Cuba. Já estão chatas as perguntas da direita sobre se há liberdade por lá, etc. Foi só uma pergunta:

— Falando com tanta franqueza, criticando e amando Havana, como é sua relação com os governantes do país?

— Eu não sei o que eles pensam de mim.

E todos riram.

Para terminar: Padura leu sua palestra. Correto. Sei que a esmagadora maioria dos brasileiros gosta da oratória. Eu não. Na minha opinião, vir com um texto na mão é respeitar o público. Prefiro a coisa à europeia.

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Bom dia, Guto (com os melhores lances de ABC 0 x 3 Inter)

A Série B é uma barbada, mas no início houve sérias derrapagens, demissões e quebra-quebra. Lembras bem disso, não, Guto? É bom nunca esquecer. Só que tu repetiste o (melhor) time e conseguiste assentar as coisas de tal modo que agora está tudo calmo. São cinco vitórias consecutivas e a perspectiva de um fim de ano tranquilo, apenas secando o Grêmio.

Pottker avisou sua mãe que ela será vovó

Pottker fez o dele e avisou sua mãe que ela será vovó | Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional

O ABC, coitado, com o qual empatamos no Beira-Rio, serve como comparação entre o Inter do começo do campeonato e este. Como fomos empatar com aquilo? Os caras simplesmente não marcam. Houve um lance em que Winck recebeu uma bola vinda da cobrança de um lateral. Quando se virou para ver quem estava na área notou que ele mesmo estava totalmente sozinho para perder o gol.

Como sugere o menino Tolstói, as felicidades são muito parecidas umas com a outras, já as crises são muito diferentes entre si. Então, escrevendo nesta segunda-feira sobre o jogo de sábado, resta-me pouco a dizer. Digo que não achei nada demais nossa atuação. O fato é que tivemos enormes espaços para jogar e a vitória veio ao natural.

Também acho que houve muito relaxamento em razão da fraqueza do adversário. Esse é um caminho perigoso, Guto, tente deixar a corda esticada.

Nesta rodada, permanecemos a cinco pontos do 5º colocado, o Juventude, mas o JU enfrenta agora o Paraná em Curitiba e espero que, com uma vitória contra o Paysandu, abramos mais pontos da linha dos que não vão para a Série A.

Como disse, nosso próximo jogo é contra o Paysandu no Beira-Rio, sexta (25) às 21h30. O horário é péssimo. Lembram que perdemos em Belém por 1 x 0? Não foi o jogo que causou a demissão de Zago? Pois é. Apesar de estarem na 14ª posição, os paraenses têm notável retrospecto fora de casa. Em média, fazem 1,4 pontos jogando fora. E perdem em casa, apesar de nos terem vencido. Enquanto isso, o Infobola já nos dá 83% de chances de classificação.

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Um encontro muito, mas muito agradável

Ontem aconteceu uma coisa muito legal. Eu estava atravessando a Redenção, vindo do Bom Fim em direção à Feira do Largo da Epatur, quando um menino que desconhecia me chamou pelo nome e perguntou se podia me acompanhar na caminhada. Apresentou-se como S., arquivista, gremista, 27 anos, faceless e leitor do meu blog e do PQP. Disse que era raro poder ter uma conversa interessante sobre música erudita. Dei uma risada e ele propôs falarmos sobre Mahler. Nossa, S. é muito culto, educado e agradável. Fomos até a Epatur, comprei o que precisava e ele ainda voltou comigo. Acho que conversamos uns 45 minutos. Mahler, Mendelssohn, Mozart, Bach e uma boa análise psicológica das lamentáveis ocorrências (solo dele) da semana foram nossos temas. No dia em que fazia 60 anos, vejo como pode ser bom ter 27 e ser um flâneur de sábado.

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Durante a tarde, recebi este e-mail:

Milton,

Foi um prazer conversar e te agradeço muito a receptividade.

Confirmei aqui. Na verdade, a versão do Herreweghe que estou buscando é a da Missa em Dó menor do Mozart. A missa do Bach tu já disponibilizou. Muito obrigado!

Desejo que tu tenha um belo aniversário! Saúde e alegrias.

Um abraço,

SP

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A Sinfonia, Parte II: o Romantismo

Brahms

Brahms

Finalizamos a primeira parte de nossa abordagem à Sinfonia dizendo que Beethoven foi o abre-alas para uma nova forma sinfônica, diferente do modelo clássico de Haydn – 4 movimentos: um mov. rápido em forma sonata, um mov. lento, o minueto, outro mov. rápido. Também adiantamos que ele fez a substituição do Minueto do terceiro movimento por um Scherzo.

O Scherzo é um movimento curioso. A palavra significa apenas “brincadeira”. Então, a dança aristocrática francesa do Minueto deu lugar a algo muito próximo do chiste, da piada. O Scherzo tornou-se quase obrigatório na música sinfônica do período romântico, e foi se adaptando às novas formas da composição erudita. Nas sinfonias de Brahms, ele se transformou em Allegretto Grazioso, ou Allegro Giocoso; nas de Anton Bruckner, o nome Scherzo foi mantido, mas ele adquiriu um caráter violento, demoníaco e apocalíptico; nas de Gustav Mahler e Dmitri Shostakovich, tomou uma forma grotesca e tragicômica. Já os compositores nacionalistas, como Tchaikovsky e Dvorák, introduziram nele temas populares de suas etnias.

Arte de Sergio Artigas (http://artigas.deviantart.com/art/Ludwig-van-Beethoven-07-152989423)

Beethoven | Arte de Sergio Artigas (http://artigas.deviantart.com/art/Ludwig-van-Beethoven-07-152989423)

Quando terminamos nosso texto anterior, Haydn, presente na estreia da Eroica de Beethoven, profetizava: A partir de hoje, tudo mudou. E mudou mesmo. O Scherzo da Eroica já tem pouco a ver com o gentil e aristocrático Minueto. Mas o campeão dentre os Scherzi beethovianos é o da Nona Sinfonia. Tenho uma história pessoal que envolve este Scherzo. Em 2010, quando completou 60 anos, a Ospa tocou a Nona de Beethoven sob a regência de Isaac Karabtchevsky. Eu critiquei a forma como a orquestra tocara o Scherzo. Achei a execução muita lenta. Escrevi uma crítica e uma violinista da Ospa discordou de mim no Facebook. Vieram outros concordar ou discordar com mais ou menos veemência. Mas logo a discussão cessou. Teve gente reclamando que eu e a principal discordante éramos muito educados… Bem, hoje, aquela violinista é a minha mulher Elena. Então, aqui temos duas conclusões: (1) O amor é lindo, né, gente? e (2) discordâncias sobre Scherzi podem ser frutíferas.

O romantismo foi impulsionado pelos processos que se desencadearam na vida musical da Europa no início do século XIX, resultando numa nova situação, inteiramente diversa de tudo aquilo que, no passado, fora a história da música. A partir de então, um público que antes era restrito às cortes e palácios cedeu terreno a outro tipo de plateia, numericamente mais importante e formada em sua maioria por burgueses.

A aristocracia foi abandonando aos poucos seu tradicional papel de promotora das artes, afastada por empresários e músicos, profissionais e amadores, que cada vez mais organizavam eles mesmos concertos públicos. Já desde o início do século, alguns teatros e casas de ópera, como os de Munique e de Dresden, antes exclusivos das cortes, se haviam transformado em instituições públicas.

O romantismo também fez com que a atenção dos artistas se voltasse para o passado de suas respectivas nações, privilegiando assuntos que dissessem respeito a elas e ao público que passara a sustentá-los, o que se observa tanto nos grandes países com tradição musical mais rica, como também nos pequenos (os eslavos e escandinavos, por exemplo) ou nos menos desenvolvidos (como a Rússia).

Beethoven já era um desses artistas, ligado tanto a um público que o admirava, como também a aspectos políticos de sua época. Imaginem que a Sinfonia Nº 3 de Beethoven, a já citada Eroica, era para ser dedicada a Napoleão Bonaparte, pois Beethoven admirava Napoleão e os ideais da Revolução Francesa. Porém, quando o corso autoproclamou-se Imperador da França em 1804, Beethoven retirou a dedicatória de forma bastante característica… Foi até a mesa onde estava a sinfonia já pronta, pegou a primeira página e riscou o nome de Napoleão com tanta força que ficou um buraco no papel. Vejam abaixo a partitura original.

I03 Eroica score

Durante o romantismo, iniciou-se um novo ciclo de obras verdadeiramente originais, que cantavam a força da humanidade, a paixão pela liberdade e a grandeza do espírito humano.

O público aumentou em número, principalmente nos grandes centros europeus, como Londres, Paris e Viena. Na época do romantismo, o compositor passou a conhecer um público novo que o via quase sempre como um ser extraordinário, especialmente dotado. Começou a se desenvolver o culto do gênio.

Quando falamos sobre os Concertos de Brandenburgo, dissemos que, na época de Bach, não havia “noção de obra”, que os autores não estavam preocupados em se colecionarem. O culto do gênio mudou tudo isso. As pessoas não queriam mais música para determinada ocasião. Elas iam aos teatros para ver e ouvir o que gostavam, queriam Beethoven ou Schubert, por exemplo. Passaram a nomear e pedir os autores de sua preferência.

Às vezes, a democratização da música fazia que as autoridades políticas alimentassem suspeitas em relação às sociedades musicais de amadores, cujas reuniões eram regidas, aos olhos das autoridades, por um princípio demasiado democrático, com seus diretores e comitês livremente eleitos e seus membros, provenientes de diferentes classes sociais, trabalhando lado a lado. Mas a democratização era irresistível, acabando por tornar necessária a abertura de grandes salas de concerto, capazes de receber centenas de ouvintes, bem como a criação de organizações especializadas na programação.

Musikverein (1870)

Musikverein (1870)

Teatro da Ópera de Munique (virada do século)

Teatro da Ópera de Munique (virada do século)

Mariinski (final do século XVIII)

Mariinski (final do século XVIII)

Registros da época dão conta que o número de concertos, pelo menos em certas capitais como Londres e Paris, triplicou.

Um grande futuro estava reservado aos concertos oferecidos pelas organizações de empresários e músicos profissionais: foram deles que saíram as orquestras sinfônicas ou filarmônicas associadas a teatros que, mais tarde, iriam ocupar um lugar de honra na vida musical dos diferentes países. Sabem qual é a diferença entre uma orquestra sinfônica e uma filarmônica? Quase nenhuma!

Geralmente uma orquestra sinfônica é mantida pelo poder público federal, estadual ou municipal. Já uma orquestra filarmônica é mantida por uma associação de amigos, uma entidade organizada que capta recursos para a manutenção do grupo. Mas isso atualmente não é mais uma regra.

Juntamente com o culto do gênio veio o culto do virtuosismo. O século XIX assinala o começo desse grande acontecimento, particularmente no que diz respeito ao piano. Mas…

Paganini

Paganini

Foi no início do século XIX que o mais brilhante dos virtuoses — o violinista Niccolo Paganini — fez sua fulgurante carreira. O fascínio que Paganini exercia era de tal ordem que se chegou a suspeitar que tivesse um pacto com o demônio. E todos os grandes virtuoses do piano romântico foram estimulados à tentação de rivalizar com ele. Então…

Liszt

Liszt

Franz Liszt era algo como um rock star do século XIX, famoso pela histeria que induzia. Tudo começou num concerto em Berlim, em 1841. O fenômeno da Lisztomania – termo criado por Heinrich Heine – se caracterizava por uma histérica reação às performances de Liszt em seus concertos e recitais. Sabem a reação que os Beatles provocavam na plateia? Pois é. Relatos descrevem uma espécie de êxtase místico que arrebatava a audiência do concerto, com pessoas brigando fisicamente por seus lenços e luvas e, sempre que uma das cordas de seu piano arrebentava, fans subiam ao palco para conseguir um pedaço, a fim de fazer braceletes. Nas ruas, era possível ver pessoas usando broches e camafeus com imagens do músico. Certa vez, Liszt jogou no chão o resto de um charuto, sob o olhar de diversas mulheres, que lutaram para conseguir o souvenir.

Claro, o movimento romântico constituiu uma reação contra o racionalismo e o classicismo, opondo, à universalidade dos clássicos, o individualismo e o subjetivismo, a expressão do espírito do artista. Enquanto no classicismo havia uma grande preocupação pelo equilíbrio entre a estrutura formal e a expressividade, no romantismo os compositores buscavam uma maior liberdade da forma e uma expressão mais intensa e vigorosa das emoções.

Além da forte expressividade outra característica marcante no período musical romântico é a chamada música programática ou música descritiva. Não que em outros momentos da história da música não houvesse esse tipo de produção, mas no período romântico, essa é uma tendência bastante acentuada. Neste aspecto, muitas vezes, o romantismo literário se confunde com o musical. Muitos compositores românticos eram ávidos leitores e tinham grande interesse pelas outras artes, relacionando-se estreitamente com escritores e pintores.

Beethoven dando um rolê

Beethoven dando um rolê

Beethoven foi saudado pela geração romântica como o maior dos heróis. O compositor foi o primeiro a concretizar a frustrada ambição de seu contemporâneo Mozart. Descontente com as imposições a que suas composições eram submetidas – especialmente pelo controle produtivo por parte da igreja ou da corte –, Beethoven conseguiu uma bem sucedida carreira de compositor free-lancer, autônomo.

Beethoven é a triunfal figura anunciadora de um novo modo de composição. De suas nove sinfonias, a mais conhecida é a Nona, só que esta deve receber um capítulo especial nesta série. Então, mostremos um movimento de sua Sétima Sinfonia que… Bem, certa vez, uma amiga minha me telefonou por volta da meia-noite. Eu achei estranho; afinal, não era muito íntimo dela. É que ela saíra pela primeira vez com um cara, um psiquiatra. Ela queria que eu dissesse para ela ou mostrasse como era um movimento de uma sinfonia de Beethoven, pois, na despedida deste primeiro encontro ele disse a ela: “Se queres me conhecer melhor, ouça o segundo movimento da Sétima Sinfonia de Beethoven. Sou eu”. Francamente… Quanta pretensão!

Schubert

Schubert

A intensidade da vida musical na Viena do século XVIII, faz com que a memória musical forme a seguinte sucessão: Haydn, Mozart, Beethoven, Schubert.

A trágica e breve vida de Franz Schubert (1797-1828), talvez o maior de todos os melodistas, é constantemente encoberta por sua música. Viveu 31 anos, sofrendo de sífilis desde os 25. Morreu provavelmente de febre tifoide. “O músico mais poeta que já existiu”, segundo Liszt. Aos 17 anos, já atingira a maturidade na composição, e sua vasta produção mostra espantosa fluência. Sua Sinfonia Nº 8, a Inacabada, assim como a Nº 9, chamada A Grande, vários ciclos de canções, Quartetos de Cordas, Quinteto para piano A Truta são algumas de suas obras-primas.

Mendelssohn

Mendelssohn

Um dos músicos mais dotados e completos da história, Felix Mendelssohn é o mais clássico dentre os românticos. Era um compositor admirado por seu enorme charme e imaginação, sobretudo na Inglaterra. Entre suas obras mais notáveis estão as Canções sem palavras para piano solo, a Sinfonia nº 4, Italiana, e o Concerto para violino em Mi menor. E temos a Marcha Nupcial, retirada de Sonho de uma Noite de Verão, que é ouvida repetidamente a cada sábado nos casamentos.

Schumann

Schumann

Robert Schumann (1810-1856) criou uma música ao mesmo tempo introspectiva e bombástica. Viveu na angustia entre ser poeta ou músico. Depois de ter optado pela música, prossegue a divisão, entre duas assinaturas: Eusebius, “o terno”, ou Florestan, o “selvagem”, personagens distintos que se revezam (e que às vezes aparecem simultaneamente) encobrindo a assinatura de Robert Schumann. Também foi crítico musical. Problemas psíquicos surgidos relativamente cedo e a loucura dos últimos anos — que exigiu internação em asilo psiquiátrico — completam o quadro sombrio romântico-romanesco da vida do compositor. Atrevidamente original, Schumann captou, como ninguém, o espírito inocente dos primórdios da literatura romântica alemã. Organizava-se estranhamente. Houve o ano em que apenas compôs Lieder (canções), o ano que em só escreveu da música de câmara, outro só sinfônias, etc. A Sinfonia nº 3, Renana, a suíte Carnaval para piano e o ciclo de canções Dichteliebe são pérolas.

Brahms

Brahms

Johannes Brahms. Compositor denso, intenso, do mais alto nível. O pai era contrabaixista de cervejaria, e a mãe completava o orçamento familiar costurando para fora. Desde os dez anos, acompanhava o pai às tabernas, onde também tocava durante uma parte da noite. Esta atividade precoce foi nociva tanto para a saúde quanto para a cultura geral do menino – tendo deixado a escola muito cedo, durante toda a vida iria conservar complexos típicos de autodidata diante da chamada alta cultura. Uma bela amizade desenvolveu-se entre Brahms e os Schumann (Robert e sua esposa Clara). A casa do casal conservou-se sempre aberta para ele, que passava longos períodos na biblioteca de Schumann, que o amava como a um filho. Quanto à relação do jovem e belo “deus louro Brahms” com Clara, muitas hipóteses são possíveis, mas uma só coisa é certa: Brahms e Clara Schumann destruíram a maior parte dos documentos que lhes diziam respeito. Ele era homem de temperamento difícil, compôs obras-primas em todos os gêneros – excetuando-se a ópera –, como as Sinfonias Nº 1 e Nº 4, o Concerto para violino, o Réquiem Alemão e os Concertos para piano. Brahms é, juntamente com Bruckner, o último grande sinfonista da pura tradição germânica. Depois dele, a sinfonia mudou cada vez mais, fosse para tomar o caminho do poema sinfônico (Richard Strauss), fosse para ganhar outras e novas dimensões com Mahler. Sua Sinfonia n° 1 foi chamada de a Décima de Beethoven. Bobagem, é puro Brahms. Somos apaixonados pelo primeiro movimento da Sinfonia N° 4 que, em seu final, presta uma monumental homenagem a Bach.

Dvorak

Dvorak

Antonín Dvorák foi um compositor tcheco que usou nas suas obras muitas melodias populares da Morávia e da Boêmia, onde nasceu. Era filho de um estalajadeiro e estava destinado a suceder o pai no negócio da familia. Tomou-se de paixão pela música tocando violino com seu professor primário. Um de seus tios ajudou-o a inscrever-se no curso de órgão do Conservatório de Praga. Em suas melhores e mais conhecidas obras incluem-se as Sinfonias N° 8 e 9, as Danças Eslavas, o Quarteto de Cordas Americano e Concerto para Violoncelo. Dvorák compôs nove sinfonias, das quais a última, Sinfonia N° 9, foi composta em 1893 durante sua estada em Nova York. Ela é conhecida pelo nome de Sinfonia do Novo Mundo.

Tchaikovsky e Shostakovich

Tchaikovsky e Shostakovich

Deixemos Tchaikovsky, Bruckner e Mahler para a terceira parte, certo?

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Sensacional vídeo da Classic FM pergunta: Que peça faz os maestros reagirem assim?

Mahler

Mahler

Fontes:

— A Música do Romantismo, de Frederico Toscano (http://revistasera.ne10.uol.com.br/a-musica-do-romantismo-1810-1920-frederico-toscano/).

— História da Música Ocidental, de Jean & Brigitte Massin.

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Romancista chinês detido por quatro homicídios que teriam inspirado suas obras

Liu Yongbiao, um autor premiado em seu país, foi preso por um crime perpetrado há 22 anos. Ele estava trabalhando em seu próximo livro, um policial, quando as autoridades lhe bateram à porta. A obra já tinha um nome, A bela escritora que matou, talvez venha a ter de ser acabada atrás das grades. O autor chinês foi detido pela polícia na sexta-feira por suspeitas de ter estado diretamente envolvido nos homicídios de quatro pessoas, há mais de duas décadas.

“Estive aqui à vossa espera este tempo todo”, teria dito Liu às autoridades quando estas irromperam pela sua casa, às primeiras horas de sexta-feira.

De acordo com a imprensa chinesa, Liu Youngbiao, um premiado escritor chinês de 53 anos, foi detido na sua casa, na província de Anhui, na região ocidental do país. A polícia acredita que o autor esteve diretamente envolvido nos homicídios de quatro pessoas, em 1995.

Os retratos dos suspeitos, Liu Yongbiao e Wang, elaborados pela polícia. Reprodução: Polícia

Os retratos dos suspeitos, Liu Yongbiao e Wang, elaborados pela polícia. Reprodução: Polícia Chinesa

Liu seria um dos dois homens que, nesse ano, na noite de 29 de novembro, invadiram uma pensão em Huzhou, na província de Zhejiang, para assaltar os seus hóspedes.

Mas o roubo não ocorreu como os ladrões esperavam. Quando uma das vítimas, um homem, mostrou resistência, foi espancado até à morte. Depois, numa tentativa de esconderem o crime, os dois indivíduos mataram mais pessoas: o casal que era dono do estabelecimento e o neto, um rapaz de 13 anos.

Os crimes cometidos há 22 anos estão agora mais perto de serem resolvidos. Liu e um homem de 64 anos, apenas identificado como Wang, foram considerados os principais suspeitos.

Os investigadores não explicaram exatamente como chegaram ao escritor, garantindo apenas que conseguiram grandes avanços no processo graças à tecnologia de identificação a partir do DNA.

Liu nasceu em Anhui, uma das províncias mais pobres da China, e tornou-se escritor depois de não ter conseguido entrar na universidade.

O sucesso literário veio em 2005, com a publicação do livro Um Filme, pela maior editora da China. Em 2013, foi admitido na Associação de Escritores chineses. O autor ficou ainda mais famoso depois de um dos seus romances ter sido adaptado a uma série de televisão.

No prefácio de um dos seus romances, o autor revelou que estava a trabalhar numa nova obra sobre uma escritora que tinha escapado às autoridades apesar de ter cometido uma série de homicídios, A bela escritora que matou. A imprensa chinesa questiona agora se este projeto não teria mais a ver com fatos reais do que com a imaginação do autor.

De acordo com uma fonte policial, Liu deixou uma carta à mulher onde confessa que esperava há mais de duas décadas que a polícia o encontrasse.

“Agora posso finalmente ficar livre do tormento mental que aguentei por tanto tempo”, escreveu, nessa nota.

via tvi24

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Bom dia, Guto (com os melhores lances de Inter 3 x 1 Londrina)

Guto, eu acho que o Inter tem graves problemas na armação de jogadas com D`Alessandro e Sasha atuando como articuladores, mas há que considerar a tremenda retranca do Londrina. Lembram daqueles times de handebol que formam uma muralha na frente de sua goleira? Foi isso que os paranaenses fizeram. Era muito difícil entrar, ainda mais com Sasha e seus passes errados. Sasha auxilia muito na marcação, só que ontem talvez fosse melhor atuar com Camilo — jogador muito mais criativo e que sabe bater na bola.

Melhor contratar logo o menino Klaus de Dois Irmãos, vale muito. Junto com minha amiga Elisa, lembro que tinha gente no Beira Rio achando que o Klaus tinha que ser reserva da naba do Danilo Silva | Foto: Ricardo Duarte

Melhor contratar logo o menino Klaus de Dois Irmãos, vale muito. Junto com minha amiga Elisa, lembro que tinha gente no Beira Rio achando que o Klaus tinha que ser reserva da naba do Danilo Silva | Foto: Ricardo Duarte

Não jogamos bem, principalmente no primeiro tempo, mas ganhamos. Mesmo no início do segundo tempo não criamos grandes chances de gol, mas o Londrina foi querido na bola aérea. Guto, mesmo antes do Londrina empatar a partida, já achava que Nico e Camilo deveriam entrar. O time deles se abria nós não tínhamos velocidade. Era o momento de matar o jogo, mas tu ficaste pensando em como seria teu sanduíche após a partida.

O gol deles nasceu por absoluta negligência do Winck e dos volantes. A bola foi passando e passando no meio deles… Deixaram um para o outro até que o tal de Artur se interessou pela brincadeira e roubou a bola. O início da jogada foi pífio e teve o cheiro daquela conhecida desídia de 2016.

Porém, agora temos mais indignação — não nego teus méritos neste quesito — e o time foi à luta. Perdemos gols e acabamos marcando sempre do mesmo jeito, com nossos zagueiros castigando o Londrina com cabeçadas certeiras. Grande Klaus, Grande Cuesta! Excelente cobrança de falta de D`Alessandro para o gol de Cuesta e, notáveis escanteios batidos por Camilo para os dois gols de Klaus.

Apesar de achar que estamos consolidados no G-4, sou gato escaldado e fico de olho no quinto lugar. Esta foi nossa quarta vitória consecutiva e estamos em 2º lugar, cinco pontos à frente do primeiro que não sobe. Temos 36 pontos em 20 jogos. Não é grande coisa, mas dá tranquilidade.

O próximo jogo será no próximo sábado (dia 19, glorioso dia do aniversário deste que vos escreve) lá em Natal, contra o ABC. O ABC é o 19º colocado com apenas 16 pontos, tem feito uma média de 1,1 pontos por jogo em casa e adora perder por 1 x 0. É jogo para ganhar, Guto.

Só presta bem atenção no que acontece quando entram Nico López, Camilo e Gutiérrez no time. Os caras estão pedindo passagem.

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O melhor presente

Meu aniversário é apenas dia 19, mas acho que recebi hoje o melhor presente de aniversário de minha vida. Minha mulher, Elena Romanov, que é uma violinista de raro brilho, fez toda uma preparação secreta. Levou-me até uma pequena igreja aqui de Salvador do Sul, dizendo que queria estudar violino num espaço que não fosse acusticamente “seco” como nosso quarto de hotel. Pediu que eu levasse um livro para ler, a fim de não me entediar. OK. Lá chegando, após fazer algumas escalas, me pediu que eu fosse sentar em um lugar determinado e começou a tocar a Chaconne de Bach. No início eu achei “puxa, que bem tocado” para uma brincadeira improvisada, mas a coisa se estendeu de tal forma e com tamanha perfeição e musicalidade que primeiro me emocionei a ponto de ver surgirem algumas lágrimas e depois mais ainda porque me dei conta de que aquilo, talvez, fosse um presente imaterial para mim. Quando fui agradecer, apareceu um sujeito na igreja vazia falando para ela “Eu entrei aqui para fazer umas preces, mas depois disso já considero que tenha feito”.

Obrigado, Elena.

(Imaginem que ela decorou a enorme peça para que eu não pudesse saber de nada antecipadamente, vendo as partituras que ela levava).

Aqui, Elena Romanov ainda estava nas escalas | Foto: Milton Ribeiro

Aqui, ela (Elena Romanov) ainda estava nas escalas | Foto: Milton Ribeiro

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6 bons hábitos russos

Da Gazeta Russa

1. Leve sempre um presente

Os russos nunca vão visitar alguém de ‘mãos vazias’ (Foto: Vladímir Viatkin/RIA Nôvosti)

Os russos nunca vão visitar alguém de ‘mãos vazias’ (Foto: Vladímir Viatkin/RIA Nôvosti)

Ao visitar um amigo, vizinho ou apenas conhecido, os russos geralmente levam consigo um pequeno mimo – seja chocolate, bolo, flores ou brinquedos para uma criança. Não é o presente em si que conta, mas a lembrança. É comum ouvir russos dizerem: “Não podemos visitar alguém de mãos vazias!”.

2. Não tire a colher da xícara de chá

Sabor e temperatura são influenciados por colher (Foto: Gazeta Russa)

Sabor e temperatura são influenciados por colher (Foto: Gazeta Russa)

Na época soviética, as pessoas brincavam que os russos bebiam chá com o olho direito fechado, para não se machucarem com a colher usada para mexer.

Apesar de ser um mistério por que os russos fazem isso, fato é que, quando há uma colher dentro da xícara de chá, a bebida tende a esfriar mais rápido – além de ficar mais saborosa.

3. Comemore o Ano Novo em dose dupla

Mesa festiva para celebrações de Ano Novo (Foto: Evguêni Iepantchintsev/RIA Nôvosti)

Mesa festiva para celebrações de Ano Novo (Foto: Evguêni Iepantchintsev/RIA Nôvosti)

Antes de 1918, os russos usavam o calendário juliano, que hoje acumula uma diferença de 13 dias em relação ao calendário gregoriano. Embora a Rússia tenha adotado o último há muito tempo, o Ano Novo à moda antiga (ainda chamado de Ano Novo) continua sendo celebrado. No fim das contas, são duas festas e dois banquetes – e, é claro, duas chances de fazer desejos e promessas.

4. Tome sorvete mesmo no inverno

Moscovitas tomando sorvete durante inverno, a 8ºC, em 1992 (Foto: AP)

Moscovitas tomando sorvete durante inverno, a 8ºC, em 1992 (Foto: AP)

O frio, que persiste por meses, não é desculpa para desistir de tomar sorvete. Em algumas cidades, as banquinhas de sorvete permanecem abertas mesmo quando a temperatura cai abaixo de zero. Para evitar aquela sensação de gelo na garganta, muitos russos misturam o sorvete com geleia (varenie).

5. Faça, mas na última hora

Lentidão tem, por vezes, impacto na produtividade (Foto: Serguêi Kuznecov/RIA Nôvosti)

Lentidão tem, por vezes, impacto na produtividade (Foto: Serguêi Kuznecov/RIA Nôvosti)

Os russos costumam terminar suas obrigações no último minuto disponível. Embora comecem devagar, sabem dar um gás no final para cumprir o prazo.

Se, por um lado, isso indica a incapacidade de planejar-se com antecedência, por outro, é também sinal de uma tremenda habilidade de conclui algo às pressas.

A mentalidade pode ser resumida na seguinte piada:

Um professor pergunta ao aluno:

“Quanto tempo você precisará para aprender chinês?”

E o aluno responde: “Qual é o prazo?”

6. Mantenha o otimismo

Russa prepara banho após desligamento de água quente (Foto: Aleksandr Rimin/TASS)

Russa prepara banho após desligamento de água quente (Foto: Aleksandr Rimin/TASS)

O desligamento anual de água quente por alguns dias, os verões gelados (2017, especialmente), crise financeira – os russos tendem a lidar a encarar os problemas com otimismo. Enchem baldes de água, tiram o casaco do armário e economizam onde for possível. “O que não mata, engorda”.

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3 dias de tranquilidade

No ano passado, tiramos 10 dias no final de julho. Estávamos atrás de tranquilidade, beleza, boa hospedagem e boa comida. Um amigo nos sugeriu Salvador do Sul e lá fomos nós. Encontramos tudo isso — talvez mais — na pequena cidade de 7 mil habitantes. Tanto que agora consegui um dia e meio de folga e vamos novamente em busca de tranquilidade… O resto vocês sabem.

Carlos André Roani / Divulgação

Carlos André Roani / Divulgação

A cidade é tão pequena que, na foto acima, vejo boa parte dela e reconheço as ruas. A foto engloba o local onde almoçamos, a rua principal, quase todo o comércio. Fica de fora o café, a praça principal, a prefeitura, OK, faltou meia cidade, principalmente nosso hotel, o Candeeiro da Serra. Bem do tamanho do nosso modesto bolso. Vamos lá.

Lá em cima, bem no alto, o Candeeiro da Serra | Foto: Milton Ribeiro

Lá em cima, bem no alto, o Candeeiro da Serra | Foto: Milton Ribeiro

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Sobre o direito de cagar em paz

Uma amiga advogada me repassou esta página. Ela me disse que faz parte dos autos de um processo real. Como disse minha amiga, “Sob qualquer ideologia, creio que estejamos todos concordes sobre o ‘direito de cagar em paz'”… Sobre a peça, acho que o cara poderia ter caprichado mais na exposição do argumento, mas fica minha solidariedade ao causídico.

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De Amor e Trevas, de Amós Oz

De amor e trevas Amós OzLi este livro após enorme insistência do meu amigo de Fortaleza Heitor de Lima, o Rei do Inbox Literário, que só conheço das teclas. É claro que, após a grande propaganda, minha expectativa era muito elevada. Oz não negou fogo, pelo contrário. No início, achei que estava lendo um Dickens moderno, um escritor dedicado a contar uma autobiografia detalhada, uma história familiar que acabaria — isto não é spoiler, está na contracapa e o autor reafirma a cada momento o que acontecerá no final — com o suicídio da mãe de Oz. Os avós, os tios, suas vidas na Europa, a nova diáspora ocorrida antes e durante a 2ª Guerra Mundial, tudo é contado com riqueza de detalhes.

A prosa de Oz é tão viva e humana que o desespero explícito dos filmes de judeus de Hollywood é um item menor em relação à vida interior dos personagens. A tristeza, mesmo o suicídio da mãe, vem digna, sem exageros. O sofrimento é autenticamente judeu, contado sempre com um humor levemente auto-depreciativo. O livro é um sinfonia. Tem momentos de enorme pesar e outros hilariantes. Oz é um mestre. Humor, drama e fatos familiares de então e de agora estão misturados de tal forma que tudo me pareceu potencializado, muito sensível e vivo, mas sem jamais cair na pieguice de um Dickens.

O livro foca a relação de Oz com os pais e as famílias paterna e materna. Vista pelos olhos da criança, as decepções da mãe — uma mulher linda e brilhante do ponto de vista intelectual — e a figura do pai — um erudito árido e chato, espécie de fracassado dentro de uma família com meia dúzia de escritores de peso em Israel — são descritas em pinceladas incompletas, de uma forma onde o leitor compreende o todo por sua própria vivência. Como pano de fundo, está a formação do estado de Israel, fato que encanta o pai de Amós e é visto com indiferença pela mãe.

A autobiografia de Oz é interessante também porque sua vida é muito distinta do comum. Dois anos após a morte da mãe, com apenas 16 anos, Oz saiu de Jerusalém, abandonou a futura carreira de escritor que todos os Klausner — família do pai — previam e foi viver em um kibutz, largando de vez o pai para tornar-se um “um homem do campo”. Mesmo que Oz não fale muito mal do pai, fica claro o motivo pelo qual ele muda o seu sobrenome de Klausner para Oz.

As desajeitadas aventuras sexuais do adolescente também são contadas com especial cuidado e talento. As coisas dos meninos estão lá.

(Já comecei a ler um outro livro hoje, de um escritor gaúcho. Ele logo dá duas opiniões políticas gratuitas e faz uma mal disfarçada autopromoção. Acho melhor voltar a um escritor de virtuosismo arrebatador como Oz. Após mais de 600 páginas de prosa inteligente, bela e modesta, é triste voltar a nossa realidade. E que elegância Oz demonstra em suas considerações políticas sobre Israel!).

Mas Oz é filho de pai e mãe. Afinal, tornou-se o grande escritor que os Klausner prognosticavam e sua relação com a mãe é fundamental. Sua morte marcou as escolhas de Amós de uma forma decisiva. Se numa primeira fase a revolta fez com ele fugisse da literatura, o tempo encaixou os ensinamentos de uma família que se entregava à cultura com intensidade. Também é sugerido que a mãe virou suas opiniões políticas para a esquerda.

A elegância e o perfeito senso de estilo de Oz estão por todo lado. Aqui vou dizer, ali omitir.

O final, que não contarei, é de extrema simplicidade, é comovente, curto e exato. Oz escolhe um lamento, um apelo, um rogo inútil e impotente que torna complicada a leitura das últimas linhas com aquelas letras dançando enquanto a gente tenta se controlar.

De Amor e Trevas é grande literatura. Recomendo fortemente.

Amós Oz

Amós Oz

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Nojo de dedo-duro

“Pai, a mamãe amassou o teu carro novo”, disse o menino, deixando a mãe sem chances de explicar ao marido, com calma, o que tinha acontecido. Numa outra ocasião, enquanto o irmão contava que tinha perdido o aparelho dos dentes, ele logo entregou: “É mentira! Eu vi ele pisar em cima do aparelho no banheiro”. Bonitinho, não? Mas depois eles crescem.

Na empresa, o dedo-duro invariavelmente será ou um bajulador do chefe ou um alpinista que vê nos deslizes de alguém a oportunidade para depreciá-lo e, desta forma, conquistar a confiança dos superiores. Quando questionado sobre suas razões, irá enaltecer a necessidade de qualidade e a importância do trabalho. Mais pressionado, invocará princípios éticos e morais…

Não sei fazer isso. Na minha escola, o Colégio Júlio de Castilhos, quem dedurasse recebia a mesma punição do dedurado. Recebi péssima educação, vai ver. Tenho visto muita gente da nova geração dedurando, mesmo que não saiba da missa a metade. Fico chocado.

Mas é claro que há dedos-duros de todas as idades, não é um fenômeno geracional, minha amostragem é que é viciada.

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Ao acusado, opino: “É censurável usar de arrogância para com o humilde. Mas talvez seja ainda pior seguir humilde frente a arrogância”. Outra coisa: a acusação era falsa. Tu não tinhas feito nada, apenas tinhas feito pouco.

Mudando de assunto: Mas e quando a gente vê um colega fazendo algo muito errado? Criminoso até?

Aí conta, né? Há uma diferença entre delação e denúncia. Quando for coisa do dia a dia, o melhor é manter uma conversa privada com quem errou e lembrá-lo da regra que está sendo infringida. Havendo persistência no erro, teimosia ou sacanagem, aí, sim, é cabível uma denúncia aos superiores. Se for CRIME, o caso é outro.

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Boa noite, Guto Ferreira (com os principais lances de Guarani 0 x 2 Inter)

Winck vais se firmando: marcou o segundo gol colorado diante do Guarani, em Campinas | Fotos: Ricardo Duarte

Winck vais se firmando: marcou o segundo gol colorado diante do Guarani, em Campinas | Fotos: Ricardo Duarte

Antes do jogo, a discussão era bobíssima. Camilo e Dale podem jogar juntos? Claro que sim. Na minha opinião, Camilo, Dale e Sasha são titulares, só que apenas dois podem jogar. Entram em duplas. O mesmo digo sobre Damião, Pottker e Nico López. Os três são titulares, só que jogam em dupla. O que é importante é esquecer de vez os Carlos e Diegos da vida. Todos os seis têm jogado muito bem, ninguém precisa receber carteirinha de titular imexível. Na minha opinião, um bom time tem uns 18 titulares, gente que pode entrar e sair sem prejuízo do conjunto.

Essa minha opinião apenas se solidificou observando a partida de hoje. Tomamos um sufoco no início. Normal, basta ver que o Guarani tinha uma média de 2,22 pontos por jogo no Brinco de Ouro. Ou seja, o habitual é que vençam em casa. Seguramos o time deles e marcamos o primeiro gol em boa jogada de Pottker e Sasha. O segundo tempo foi tranquilo. Desperdiçamos várias oportunidades — uma inacreditável com Damião — e acabamos marcando o segundo gol após uma notável jogada de Nico López. O gol foi de Winck.

Damião perdeu várias oportunidades hoje. Isso é normal num centroavante participativo. Diego perde muito menos gols, pois está sempre fora do lugar. Também não faz nenhum.

O Inter está se acertando. No inicio do campeonato só tinha goleiro… Começa a ter boas jogadas, defesa sólida, volantes no lugar, peças de reposição, armação de jogadas, ataque e lateral direito — Winck é o melhor que pareceu desde que William começou a fazer corpo mole.

A tendência é que, mesmo que não seja uma Brastemp, o time comece a ganhar pontos e obtenha uma classificação tranquila. (Escaldado, tive medo de escrever isso).

Fechamos o primeiro turno em 2º lugar com 33 pontos em 19 jogos, 58% de aproveitamento. É pouco, mas o campeonato é fraco, um interminável perde-ganha. Se aparecer um time melhorzinho, dispara. Esperamos que seja o Inter.

O próximo compromisso é contra o Londrina, no Beira-Rio, sábado, dia 12, às 16h30.

É jogo para ganhar, mas é bom abrir o olho. O Londrina faz mais pontos fora de casa. Tem uma média de 1,78 ponto atuando fora. É mais do que o Inter tem. Deve se retrancar que é uma beleza. Mas acredito.

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A Filoca, o sexismo e a nova pudicícia

A Filoca chamava-se Orfila, tia Orfila. Ponho a mão no fogo por ela: foi a pessoa que mais certamente morreu virgem na ala cruz-altense da família. Por algum motivo, ela ocupava o cargo de “reserva moral”. Perfeitamente mal-humorada, era digna do posto. Cada vez que algo parecia fora do lugar, a família ia lá consultar a Filoca. E a Filoca dava seus palpites. Normalmente era obedecida pelos meus pais e tios. Já nossa geração… No final dos anos 60, lembro dela reclamando das minissaias, recordo das meninas da família puxando suas saias para baixo quando a Filoca se aproximava, das piadas sobre ela. Eu a evitava como se ela fosse um bolsonaro. Era a única coisa ruim em minhas férias em Cruz Alta.

Ela jamais casara, mas dava palpites nos casamentos de todos. Pior, dava soluções. Nunca tivera filhos, mas sabia tudo sobre a educação das crianças. Hoje, lembrando de algumas de suas observações, dou risadas.

Comercial Cazaque

Depois, o mundo evoluiu e a revolução sexual deixou as coisas em patamares não ideais, mas muito melhores. Mesmo durante a ditadura, o discurso foi ampliado em assuntos tabus como sexo, comportamento e doenças. Houve maior liberdade. A educação também mudou e, trinta anos depois, nos anos 90, criei meus filhos muito mais razoavelmente do que fui criado. Mas, burraldo que sou, pensava que o mundo sempre evoluiria para melhor.

Como diz Carpeaux a respeito da época de Laurence Sterne, nosso início de século também tem uma parte importante da juventude que é dotada de um discurso bem mais pudico do que os das gerações anteriores. Há o que não deve ser visto, há o que não deve ser ouvido, há o que não deve ser mostrado. O medo às representações impõe coisas que a realidade, essa boba, insiste em mostrar.

Essa semana tive frouxos de riso ao saber que esta propaganda cazaque tinha sido criticadíssima naquele país:

Só que a agência de propaganda sabia que as redes sociais iriam gritar indignadas — criar escândalo era uma estratégia da agência — e, menos de dois dias depois, já tinha um contra-ataque preparado:

Se o mau gosto é óbvio, muito melhor é a explicação da empresa: “Os vídeos não mostram nada que não se veja em qualquer praia ou piscina”. Caramba, é mesmo! Sim, senhores, a hipocrisia está cada vez mais ampliada, e não somente no governo Temer.

Porém, para mim, o mais engraçado é que, após caírem na estratégia comercial da empresa, as redes sociais disseram que os homens usam chapéus de comandantes e as mulheres de comissárias. Sim, referiam-se ao tapa-sexo! OK, é verdade, mas… A realidade não é quase essa? Ou o comercial deve ser educativo e apontar novos caminhos? É essa sua função? Pensei que o objetivo fosse a venda de passagens aéreas… Ou será que ele vai impedir o correto e inevitável percurso das mulheres às posições mais importantes?

E aqui fala um dos defensores das maestrinas, um cara que traduz artigos feministas, um cara que escreveu sobre a lamentável sujeição de Clara Schumann ao marido, um cara que fez o mesmo sobre Camile Claudel, um cara que publicou sobre Fanny Mendelssohn quando ninguém sabia de sua existência, que apresentou a muita gente boa o notável ensaio feminista Um teto todo seu, de Virginia Woolf, que é um sujeito que se orgulha de ser filho de uma das primeiras dentistas do RS, talvez a primeira. Lembrem bem disso. Meu problema é com a nova moralidade.

Bem, mas sou burro mesmo: meu exemplo veio do Cazaquistão, terra onde grassa o sexo. Aqui, isto jamais ocorreria. Imaginem se vamos retornar àquela época triste da Filoca? De jeito nenhum.

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Porque hoje é sábado, Tamara Ecclestone

Tamara Ecclestone é a perfeição abaixo e uma das mulheres mais ricas do mundo.

É a filha mais velha — só 32 anos — do bilionário Bernie Ecclestone, dono ou ex-dono da Fórmula 1.

E é nada menos do que vocês estão vendo.

Sua riqueza aliada a sua incrível e doída beleza (dói AQUI) chegam a ser uma injustiça.

Por que tanto em uma só pessoa?

Não sei a resposta, pois as instâncias superiores recusam-se a falar.

Mas, enquanto isso, Tamara consome o interminável dinheiro do pai, escreve no twitter,

— parece muito feliz — e, dia desses, resolveu ganhar um troco posando para a Playboy.

Na revista, a deusa é acompanhada de serviçais que dirigem seu carro,

arrumam suas sandálias ou colocam seu traseiro no lugar exato.

Ela também aparece nadando em dinheiro numa foto acima, viram?

Bem, mas esta não é uma coluna ressentida com as coisas deste mundo;

é uma coluna satisfeita com as coisas deste mundo mesmo que pareçam de outro;

então, pensemos em Tamara dentro de sua nobre função neste PHES:

a de ser objetificada. (Provocação, provocação…)

Acaba de me ocorrer uma coisa muito brega olhando a foto acima,
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Aquele momento em que um autor abre teus olhos…

Aquele momento em que um autor abre teus olhos para as maravilhas insuspeitadas de outro. Shostakovich me convenceu que a fase neoclássica de Stravinsky foi a forma mais bonita e inteligente de conter o descabelamento romântico. A Suíte Pulcinella e Apollon Musagète salvaram minha sexta-feira, não obstante todas as idiotices que ouvi depois e que somem como folhas levadas pelo vento. Uma música profundamente inteligente, leve e ousada, que é tudo o que espero da vida.

Foto de 1946 de Arnold Newman.

Stravinsky em foto de 1946 de Arnold Newman.

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Como tornar-se um crítico musical (II)

Por Bernard Shaw (*)
Traduzido muito livre e irresponsavelmente pelo autor do blog

Aqui, a primeira parte

Vale a pena assinalar aqui — eu não consigo resistir em mencionar isso — que o editor geralmente acha que o crítico de música é um inútil dentro do jornal. Ele sempre pensa que tem disponíveis críticos que servem a todo e qualquer propósito. Ele tem certeza de que o crítico cujos artigos são do interesse de pessoas que só querem informação cultural ou se divertir é um impostor. Sim, o editor tem certeza absoluta disso. Quando meus artigos sobre música começaram a atrair um pouco de atenção, a piada na redação dava conta do fato indiscutível de eu não saber nada sobre música. Muitas vezes aconteceu de eu ser apresentado a admiradores que, ao ouvirem minha resposta à pergunta: “O que você aprendeu para poder escrever sobre música?” — ficavam decepcionados, desiludidos, certos de meu nenhum mérito em razão de minha explicação sincera e prosaica. Minha resposta: “Nada em especial, a música é a forma de arte que eu mais conheço”.

Quando a hipótese de minha total ignorância consolidou-se, mesmo assim eu encontrava pessoas que candidamente pediam que eu admitisse publicamente que meus conhecimentos de música não se estendiam a aspectos técnicos. Eles tinham certeza de que eu apenas fazia exercícios parvos de análise para impressionar leigos, mais ou menos como um cavalo bem treinado impressiona o pessoal da cidade em uma feira.

Um mau crítico tem duas vantagens. Primeiro, se ele escreve para um jornal diário e precisa de assunto, ele pode fugir de análise, tornando-se útil e interessante coletando as últimas notícias sobre os próximos eventos e o escândalo mais divertido sobre os últimos. Em segundo lugar, sua incompetência só pode ser comprovada comparando-se suas opiniões de um mês atrás com as de hoje, coisa que ninguém vai se dar ao trabalho de fazer. Um jornalista pode descrever de forma imponente A ou B, mas se você ler a descrição feita um mês atrás para X ou Y, se ele não for crítico, será quase a mesma. Quando ele tentar particularizar as qualidades especiais dos artistas que ele analisa, você o encontrará louvando Sarasate e Paderewski pelos mesmas características presentes na forma de tocar de seus alunos…Mesmo que ele esteja louvando ou arrasando o artista, ele sempre se ocupará de algumas das centenas de pontos que todos os executantes têm em comum, e perderá os detalhes que fazem toda a diferença entre a mediocridade e o gênio. Vai escolher ao acaso, destacando quase sempre o que não distingue um artista do outro.

Eu conheço isso por experiência própria. Há quase vinte anos, um músico queria me ajudar a assumir um posto como crítico de música em um jornal de Londres. Eu escrevia as críticas, ele assinava e me repassava o dinheiro recebido sem descontos, contentando-se com o fato de me auxiliar financeiramente. Eu era um jovem literato desamparado. Ele ficava com a honra e a reputação decorrente de meus artigos. A tais textos devo todo o meu conhecimento sobre as características da má crítica musical. Não posso aqui transmitir uma impressão adequada de seus deméritos sem ultrapassar os limites do decoro. Eu ficava muito triste na época, sem saber o que acontecia comigo. O fato é que eu não era maduro o suficiente para entender que o que estava me torturando eram a culpa e a vergonha que acompanham a ignorância e a incompetência.

O jornal, com minha ajuda, morreu, e meus pecados estão enterrados com ele. Mas eu ainda mantenho, em um esconderijo seguro, um conjunto dos crimes de crítica que escrevi, mais ou menos como um assassino mantém a faca manchada de sangue, sob a qual sua vítima caiu. Sempre que sinto que estou muito presunçoso ou atribuindo-me uma superioridade natural junto a um irmão mais novo no ofício, releio algumas dessas coisas antigas. E vejam, eu não era deficiente nem na habilidade literária, nem no conhecimento da música.

George Bernard Shaw (1856-1950)

George Bernard Shaw (1856-1950)

Eu teria sido um crítico excelente para aquela idade, se soubesse como fazê-lo. Não sabendo, meu conhecimento musical e poder de expressão literária tornaram-me um ser muito mais nocivo do que se eu fosse um mero jornalista. Quando eu retornei ao ofício de crítico, cerca de dez anos depois, já era um cidadão (item muito importante) pelo trabalho constante como autor, crítico de livros, palestrante e político. Tudo isso não tinha nada a ver com a música, mas a experiência fez toda a diferença. Eu fui enormemente ajudado como crítico pelos meus estudos econômicos e minha prática política de reformador social. Isto me deu uma inestimável compreensão das condições comerciais a que a arte está sujeita.

Uma das funções do crítico é a de agitar, a de promover reformas e mudanças. E a menos que ele saiba o quanto as reformas irão custar, e se elas valem esse custo, e quem terá que pagar a conta, e uma dúzia de outras questões geralmente não incluídas em tratados sobre harmonia, ele não fará nenhuma impressão efetiva nas pessoas descansadas, conformadas e confortáveis com as situações. Na verdade, ele nem saberá quem são os responsáveis. Mesmo os seus vereditos artísticos serão muitas vezes destinados à pessoa errada. Um gerente ou um artista não podem ser julgados de maneira justa por qualquer crítico que não compreenda os movimentos econômicos que envolvem a arte. Uma coisa é criar um ideal de perfeição e reclamar que não são alcançados. Mas culpar os indivíduos por não alcançá-lo quando a coisa é economicamente inatingível é um absurdo. Por exemplo, o mau crítico culpa o artista quando a culpa é do gerente, ou o gerente quando a culpa é do público. Tais erros vão destruir metade da sua influência como crítico. Todo o contraponto ou brilho literário no mundo não salvará um crítico de erros deste tipo, a menos que ele entenda a economia da arte.

O salário de um crítico de música não é grande. Os proprietários de jornais oferecem de uma a cinco libras por semana para críticas de música, sendo o valor mais alto um caso excepcional, envolvendo a entrega de umas duas mil palavras de prosa extra brilhante todas as semanas. E, exceto na baixa temporada, o crítico deve passar a maior parte de suas tardes e noites, de três a meia-noite, em salas de concertos ou na ópera. Não preciso dizer que é praticamente inviável obter os serviços de um crítico de música qualificado nestes termos. É mais ou menos como obter um quilo de morangos frescos em todos os dias do inverno. Consequentemente, para todas as qualificações que sugeri, devo insistir que uma renda independente para sustentá-lo é fundamental. Também é basilar a crença no valor da crítica musical. E uma vez que a boa condição financeira do crítico é tão improvável, tão completamente fora do alcance do praticável, posso parar de pregar. Meu sermão terminaria, como todos os sermões que tenho feito, em mais uma demonstração de como nosso sistema econômico falha miseravelmente em proporcionar os incentivos necessários à produção de resultados de primeira linha.

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Este artigo foi apresentado a mim por Augusto Maurer. Foi publicado primeiramente no Scottish Music Monthly em dezembro de 1894. Foi reimpresso no New York New Music Review em outubro de 1912 e em Bernard Shaw, How to become a Music Critic, ed. Dan H. Laurence (Londres: Rupert Hart-Davis, 1960), pp. 1-6. 

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(*) George Bernard Shaw (1856-1950) foi um dramaturgo, romancista, contista, ensaísta e jornalista irlandês. Cofundador da London School of Economics, foi principalmente autor de comédias satíricas de espírito irreverente e inconformista. Ele e o cantor Bob Dylan são os únicos premiados com um Prêmio Nobel de Literatura (1925) e um Oscar (1938), por suas contribuições para a literatura e para o seu trabalho no filme Pigmalião, respectivamente. Uma curiosidade: Shaw quis recusar o Prêmio Nobel, pois não gostava de honrarias públicas, mas aceitou-o a mando de sua esposa. Ela considerou uma homenagem à Irlanda. Então, ele rejeitou o prêmio em dinheiro, pedindo que fosse utilizado para financiar a tradução de livros suecos para o inglês.

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Como tornar-se um crítico musical (I)

Por Bernard Shaw (*)
Traduzido muito livre e irresponsavelmente pelo autor do blog

Globo Sylvio Tullio Cardoso

Meu plano era simples. Entrei na equipe de um novo jornal como uma estrela. Nos primeiros tempos, minhas proezas espalharam tanto terror e confusão na redação que minha proposta de voltar minha atenção para a crítica musical foi aclamada com um alívio inexprimível. Na opinião geral, a música era um assunto que precisava de um lunático como responsável. Então me deram uma coluna de música como poderiam ter me dado uma sala confortável em um asilo e, desde aquele dia até hoje — um período de quase sete anos –, escrevi todas as semanas, nesse jornal ou em outro, um artigo sob o título geral de “Música”.

A condição que me impus era que a coluna de música deveria ser tão atraente para o leitor geral, músico ou não-músico, como qualquer outra seção. A maioria dos editores não acreditava que isso pudesse ser possível. Mas a maioria dos editores não sabe editar. O falecido Edmund Yates acreditava que uma boa coluna de música seria um reforço importante para seu jornal. Então ele disponibilizou uma página inteira do The World para tanto. O sucesso desta página provou que, nas mãos de um escritor capaz, a música é tão boa como assunto jornalístico como a pintura ou o drama, e que o interesse sobre ela é muito mais geral do que o da política partidária, a bolsa de valores ou mesmo a polícia. Deixe-me acrescentar que Edmund Yates não tinha mais interesse pela música do que tinha pela química. É claro que se a crítica musical ganhasse, em todos os jornais, o espaço e a consideração lhe foram dadas no The World, seria uma conquista incrível.

Para os jovens críticos, aviso que aquele jornalista que é apenas amante da música não serve para fazer frente à tarefa. Existem três qualificações principais para um crítico de música, além da qualificação geral de bom senso e de conhecimento do mundo. Ele deve ter um cultivado gosto musical, deve ter bom texto e deve ter experiência. Qualquer um destes três predicados pode ser encontrado sem os outros, mas a combinação de todos os três é indispensável para um bom trabalho. Pegue todas as nossas publicações de música e você encontrará muitos artigos escritos por homens com competência inquestionável em música, até mesmo encontrará verdadeiras eminências… como músicos. Vários desses cavalheiros escrevem sem encanto porque não aprenderam literatura. Eles podem se expressar e serem respeitados em seus respectivos ambientes mas jamais o serão para o público em geral. Ou seja, a eles, não adiantará nada conhecer seu ofício se não tiverem bom texto. Por que são tão impossíveis como críticos de música? Porque se expressam mal e não podem criticar. Para piorar, eles normalmente trabalham como se fossem professores de escolas que querem provar que isso ou aquilo é “certo” ou “errado”.

Eles debatem pontos importantes para autoridades como eles são, mas que têm tanta importância na república de arte quanto um mendigo tem na Câmara dos Comuns. Eles defendem com ciúmes suas teses e compositores de estimação contra os rivais mais ou menos como senhoras em um sarau musical doméstico. Eles não veem a diferença entre um professor ensinando a sua classe a resolver um acorde maior de sétima dominante e um crítico na presença do mundo inteiro. Ele pode ser uma sumidade, mas se tratar de forma petulante as coisas das quais discorda, ele obviamente será inaceitável como membro da equipe de qualquer jornal ou revista.

Não é tão fácil citar casos de críticos que falham porque não possuem habilidade literária ou cultura musical. Quando o bom escritor não é nem músico nem crítico, ele deve se dedicar à literatura pura, como o Srs. Stevenson ou Rudyard Kipling, e jamais à crítica. Mas uma vez que, para fins de jornalismo, a qualificação literária é o principal, não faltam casos de jornalistas que tomam a crítica de música apenas porque é a única abertura que lhes é apresentada. Estes ocultam suas deficiências por meio de relatórios descritivos e notícias sobre música e músicos. Porém, se tal crítico tiver um talento ou interesse musical latente, ele aprenderá seu ofício em alguns anos. Se não tiver, nunca aprenderá.

(Continua aqui)

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(*) George Bernard Shaw (1856-1950) foi um dramaturgo, romancista, contista, ensaísta e jornalista irlandês. Cofundador da London School of Economics, foi principalmente autor de comédias satíricas de espírito irreverente e inconformista. Ele e o cantor Bob Dylan são os únicos premiados com um Prêmio Nobel de Literatura (1925) e um Oscar (1938), por suas contribuições para a literatura e para o seu trabalho no filme Pigmalião, respectivamente. Uma curiosidade: Shaw quis recusar o Prêmio Nobel, pois não gostava de honrarias públicas, mas aceitou-o a mando de sua esposa. Ela considerou uma homenagem à Irlanda. Então, ele rejeitou o prêmio em dinheiro, pedindo que fosse utilizado para financiar a tradução de livros suecos para o inglês.

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Bom dia, Guto Ferreira (com os melhores lances de Inter 3 x 0 Goiás)

Tudo começou mal ontem, com a torcida vaiando Guto Ferreira como poucas vezes se viu, mesmo nos últimos anos. É que a punição que Guto impôs a Nico López é incompreensível por várias razões: (1) Nico é o artilheiro do ano, (2) é mais importante do que Guto, e (3) a punição pune a equipe para dar maior respeitabilidade a Guto… Imagine que os reservas de Damião e Pottker são Carlos e Diego, caras que só com muito alongamento podem ser chamados de jogadores de futebol.

Após um primeiro tempo discreto, só erguendo bolas para Damião tentar de cabeça, o Inter botou a bola no chão e goleou o Goiás ontem à noite. Sem D`Alessandro — que já recebeu o sexto (!) cartão amarelo na série B — e a atividade incessante de Nico, criamos muito pouco. Uma cabeçada de Damião, uma cobrança de falta de Camilo, um gol perdido por Sasha, outro anulado e só. Não adiantaram os 35 mil colorados apoiando um Inter voluntariamente enfraquecido por ti, Guto.

O Goiás tinha Argel do outro lado, garantia de retranca. Sua grande figura era Carlos Eduardo, um baita jogador que eu desconhecia. (Aliás, a entrevista de Argel após o jogo foi antológica em seu ressentimento e total falta de lógica. Acho que deste sujeito estamos livres. Viram a vaia que ele levou ontem?).

Uendel: o melhor em campo

Uendel: o melhor em campo

No início do segundo tempo, Uendel cruzou, Sasha desviou, Damião quase fez e Pottker marcou no rebote. O Inter realmente acelerava e pressionava o Goiás.

Jogando desta forma, com a bola no chão e marcando muito, a diferença de nível técnico aparecia claramente. E goleamos. Damião fez de pênalti e Carlos, após bela combinação entre Gutiérrez e Pottker, fez o terceiro.

Camilo e Damião fizeram boas estreias. Uendel e Pottker foram os melhores.

Antes deste jogo, o Chance de Gol dava 80% de chances do Inter subir para a Série A. Já o Infobola dava 31%. É o momento David Coimbra do Prof. Tristão Garcia. Eles está super científico, nossa! Agora, já temos 47% no Infobola do profe (menos da metade! Oh, vamos ficar na Série B!) e 89,5% (quase o dobro!) no Chance de Gol.

O próximo compromisso do Inter requer cuidados, o Guarani vem de três empates e duas derrotas, mas tem uma média de 2,22 pontos jogando em casa. Isto é, junto com o Paraná, faz a melhor campanha em casa de todo o campeonato, mas atuando como no segundo tempo de ontem, dá. O jogo será em Campinas, no próximo sábado, às 16h30.

Com 30 pontos em 18 partidas, ocupamos um segundo lugar meio embolado.  O América-MG disparou na liderança com 36 pts.

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