Um ano

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E as coisas mergulhadas no sem-nome
Da sua própria ausência regressadas
Uma por uma ao seu nome respondiam
Como sendo criadas

Sophia de Mello Breyner Andresen

O 31 de agosto de 2013 foi um dia de surpreendentes mudanças. Eu e ela estávamos muito deprimidos e machucados. Obedecendo minhas irmã e filha, eu estava quieto, proibido de contar tudo o que via, lia e de transcrever as conversas maravilhosas que tive. Enquanto isso, íamos lambendo as feridas um do outro e, naquele dia, resolvemos ir adiante por nós mesmos. Eu desejava isso há algum tempo e dizia isso de meu modo nada discreto. Um dia, meio bêbado durante um jantar, fui pretensioso o suficiente para pedir que ela me desse um pouco de tristeza para que eu pudesse devolvê-la na forma de boas lembranças. E ela terminou aceitando, numa estratégia para livrar-se do passado. Curiosamente, depois do dia 31, aqueles poucos sorrisos hostis de ironia — Salve, Paulinho da Viola, outro traído! — transformaram-se em esgares de ódio. E passei a amar a decadência, pois ela se manifestava de modo indiscreto, cumprindo meu papel de forma mais eficiente e autônoma.

Então, o 31 de agosto de 2013 foi o dia em que descobri que sobreviveria ao luto. Foi o dia em que vi iniciar um lento e novo processo, para o qual tínhamos exigências pragmáticas e potencialmente injustas. Desta vez, queríamos a qualidade de não precisar mudar muito para se adaptar um ao outro. Mas, apesar de rirmos demais quando juntos, estávamos mudados e esquisitos. Eu perdera a vontade de ler — coisa estranhíssima em mim –; ela, a vontade de tocar violino só por tocar, passando a manter apenas o estritamente necessário à sua profissão. A natureza do que nos acontecera cobrava sua conta e sempre voltávamos ao nosso começo de lamber feridas um do outro, pois a natureza é circular como este texto, além de não ser nada harmônica, mas caótica, predadora e violenta. E assim, indo e vindo, lentamente, fomos subindo como um casal de Chagall, observando o redemoinho no mar sob nosso voo. E, subindo, fomos adquirindo enorme confiança em nossos abraços e em nosso recomeço, nomeando-nos novamente como Elena e Milton, duas pessoas mais ou menos ímpares, frágeis e apaixonadas.

Estamos muito bem. Vivo um período inédito, realmente diferente de tudo o que vivi antes. Deve ser a felicidade possível, pois…

Sobre a cidade, do bielorrusso -- assim como a Elena -- Marc Chagall

“Sobre a cidade”, do bielorrusso — assim como a Elena — Marc Chagall.

… não é normal ver pessoas voando por aí.

Porque hoje é sábado, Eva Green

E então vemos esta mulher de delgada e interessante silhueta sob uma roupa leve…

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…e não conseguimos acreditar na frase da foto abaixo.

Timidez? Olha até pode ser. Mas Eva Green não desaponta ninguém.

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Ops!

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Você fica desapontado ou desconcertado com ela?

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Mais para o desconcertado e atraído, não?

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Só para variar, ela é francesa, filha da atriz Marlène Jobert com um dentista sueco.

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Na verdade, ela é loira e resolveu ser atriz ao ver Isabelle Adjani em A História de Adèle H., de François Truffaut, aos 14 anos. Então, pintou os cabelos como os de Isabelle.

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Nos créditos de Os Sonhadores, de Bertolucci – uma grande estreia! –, ela figura…

Eva Green

…como co-autora do roteiro. E considera-se uma nerd, outro equívoco.

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Seu filme favorito é Gritos e Sussurros, de Ingmar Bergman.

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E é fã dos diretores François Truffaut, Ingmar Bergman, Lars von Trier e David Lynch.

Mas, apesar de seus gostos, atualmente costuma estrelar maus filmes americanos.

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Dão $, claro. O destino das novas estrelas europeias é fazer filmes com diretores…

Eva Green

…sem personalidade. Green, Eva Green, Bond girl.

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Sabemos que um dia, se quiser ficar na história, voltará a fazer bons filmes.

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Isto é necessário para que possamos — sem achar que estamos perdendo tempo –, …

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… conviver com este verdadeiro sorvedouro de olhares.

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Né?

Post de fevereiro de 2008, totalmente recauchutado.

E o vento levou: a notável coleção de conflitos de um grande sucesso

E o vento levou

Clark Gable e Vivien Leigh: uma relação nada fácil

Publicado em 15 de dezembro de 2013 no Sul21.

A produção de E o Vento Levou foi absolutamente conturbada. Os direitos de filmagem do livro de Margaret Mitchell foram comprados por 50 mil dólares pelo produtor David O. Selznick um mês após seu lançamento. O romance, lançado em 10 de junho de 1936, tornou-se rapidamente um grande sucesso. Três meses depois, já vendera um milhão de exemplares e, no ano seguinte, Gone with de Wind, um livro cheio de personagens odiosos ou meramente interesseiros, foi premiado com o Pulitzer. Foi o único romance da autora. Os direitos autorais recebidos pela obra e pela adaptação cinematográfica tornaram-na uma mulher rica, e ela, envolvida em atividades de filantropia, decidiu encerrar sua carreira literária. Morreu atropelada por um táxi poucos anos depois. O roteiro do filme não contou com a participação de Mitchell, que é de autoria de Sidney Howard. Porém, dentre os colaboradores havia os nomes grandiosos de F. Scott Fitzgerald e William Faulkner.

Fleming: 100% da direção nos créditos, 45% de fato

Fleming: 100% da direção nos créditos, de fato, 45%

As confusões e desentendimentos são incríveis. Talvez baste dizer que, apesar de nos créditos figurar apenas o nome do diretor Victor Fleming, este só tenha dirigido 45% do filme. Mas vamos a um resumo.

As filmagens começaram em 26 de janeiro de 1939. George Cukor estava escalado para dirigi-las. A primeira a desembarcar do projeto foi Bette Davis. Ela soube que Errol Flynn estava cotado para um dos papéis e pediu para sair de forma preventiva. Afinal, eles já tinha discutido violentamente no passado e não se suportavam. Mas sua decisão foi precipitada, pois Flynn nunca chegou a fazer parte do elenco.

Selznick escolheu – entre 1400 candidatas – Vivien Leigh para viver a heroína sulista Scarlett O’Hara. Ela era casada com Laurence Olivier, o que certamente influenciou na escolha. Cukor ficou indignado com o resultado do certame e abandonou a produção com apenas 4% do trabalho concluído. Aproveitando o, digamos, vácuo de poder, Selznick tomou conta de tudo, chamando Clark Gable para o papel de Rhett Butler e Fleming para a direção.

Boa atriz, só que inglesa...

Boa atriz, só que inglesa… Que mau hálito…

Mas o conflito de egos entre os atores só poderiam ser medidos por sismógrafos. Vivien Leigh trabalhou nos sets de filmagem por 125 dias, recebendo a quantia de 25 mil dólares; já Clark Gable trabalhou por 71 dias e ganhou 120 mil dólares. Mesmo ganhando muito mais, Gable opinava ser um absurdo oferecer um papel essencialmente norte-americano a uma atriz inglesa. Paradoxalmente, nos corredores, durante as filmagens, todos achavam que Gable conquistaria Leigh também fora de cena, mas ela não o suportava e mais: considerava pouco profissional que ele deixasse o estúdio sempre às seis da tarde, pontualmente, todos os dias. Como vingança, ele comia cebolas e bebia licor poucas horas antes de gravar. Ela, é claro, não suportava seu hálito. Para completar, Gable dizia a todos que, quando a beijava, pensava num bife.

Se o desentendimento entre a dupla romântica não provocava baixas, o mesmo não se pode dizer dos restantes. Em meio às gravações, Fleming brigou com Vivien Leigh e Olivia de Havilland – que eram amigas e desejavam o retorno de George Cukor à direção –, e pediu demissão. Gable adorava Fleming, claro. Estranhamente, o demissionário alegou outro motivo para sair: disse que tivera um colapso nervoso e acusou Selznick. Para tentar finalizar a superprodução de quase quatro horas, foi chamada uma fila de diretores que foram sistematicamente demitidos pelo produtor: Sam Wood, William Cameron Menzies, Sidney Franklin… Ao final, Fleming recuperou-se e finalizou o trabalho.

David O.Selznic: o produtor, montador e verdadeiro tocador do projeto

David O.Selznic: o produtor, montador e verdadeiro tocador do projeto

Finalizou? Nem tanto. Foi Selznick e o montador Hal C. Kern quem deram acabamento ao filme. Eles ficaram quase um mês cortando e cortando. A lenda diz que eles se fecharam no estúdio com 60 mil metros de película gravada ou, em outras palavras, 28 horas de material.

O filme foi lançado em 15 de dezembro de 1939. O resultado foi estrondoso. Considerando-se a inflação, é o filme com maior faturamento da história, além de o mais visto de todos os tempos. Foram 400 milhões de pessoas em todo o mundo. Atualmente, seu resultado financeiro seria de mais de 3 bilhões de dólares, ou seja, deixaria qualquer Hobbit na poeira. E custou para a MGM apenas cinco milhões.

O argumento da película de Selznick e Fleming, assim como o romance, estão inteiramente fora de moda, mas o filme é surpreendente por vários motivos. Em primeiro lugar pela proeza técnica em todos os campos. Apesar de nada naturalista, apesar de ser teatral, a narrativa é poderosa, a reconstituição de época é impressionante, a trilha sonora está no contexto e a fotografia é belíssima. Difícil acreditar que estivéssemos em 1939. Além disso, o desempenho de Vivien Leigh como Scarlett O`Hara é arrebatador. O filme ganhou 8 Oscar e saudado como obra-prima. Visto hoje, é excessivamente acadêmico e discursivo, além de ser o habitat de tanta, mas tanta maldade e casamentos por metro quadrado, que deve ser mais um recorde.

E o vento levou é uma grande história, literalmente. Em livro, são quase mil páginas de reviravoltas; em filme, são 241 minutos. Mas Mitchell e Fleming sabiam contá-la com brilhantismo.

 O cartaz do filme

O cartaz do filme

O filme, na sua primeira parte, mostra uma visão idealizada da sociedade branca do velho sul dos EUA. Os senhores de escravos são mostrados como protetores benevolentes, e a causa confederada como nobre defesa da terra natal e de um modo de vida. Essa civilização que o vento levou é definida assim na abertura do filme:

Existia uma terra de cavalheiros e campos de algodão chamada “O Velho Sul”. Neste mundo bonito, galanteria era a última palavra. Foi o último lugar que se viu cavalheiros e damas refinadas, senhores e escravos. Procure-a apenas em livros, pois hoje não é mais que um sonho. Uma civilização que o vento levou!

Os responsáveis pelo filme demonstraram certo amor pelos incêndios

Os responsáveis pelo filme demonstraram certo amor pelos incêndios

Deste modo pouco realista, o filme apresenta uma visão simpática da sociedade sulista. Mas alguém se interessa por isso ou diz como Butler:  Frankly, my dear, I don´t  give a damn? 

Mas voltemos ao filme em si. O trio central de personagens é estupendo e atípico.

Frustrada por não conseguir se casar com Ashley Wilkes, Scarlett acaba se envolvendo com o charmoso aventureiro Rhett Butler. Scarlett é a bela mulher com o demônio no corpo. Orgulhosa, egoísta, geniosa, cabeça dura, é capaz de absolutamente tudo para conquistar o que quer. Tudo entremeado de rios de lágrimas, claro. Porém, antes de ordinária, Scarlett impressionava os leitores e espectadores por ser empreendedora, decidida e forte. Rhett Butler é o canalha incorreto, uma estranha mistura de estúpida sinceridade, sedução e esperteza. Talvez por isso seja perfeito para Scarlett. Ele é debochado, ela tem interesses. Ela entorna um pouco de açúcar a uma relação entre duas personagens nada simpáticas; ele dá uns beijos, mas mantém-se na incorreção. O notável é que a química entre eles – com a Guerra ao fundo – funciona como poucas vezes se viu.

O lucro de todos os envolvidos demonstra.

Lágrimas

Lágrimas: Vivien Leigh verte torrentes delas

Desta vez o Grêmio será finalmente punido? (com imagens dos insultos)

Aranha protesta contra os insultos.

Aranha protesta contra os insultos.

A maioria de meus amigos é gremista e acho que nenhum deles chegou próximo de me fazer alguma consideração que  roçasse o racismo. Nunca. Porém, quando determinados torcedores gremistas se juntam e ficam com raiva, seu descontrole cai nesta direção. Digo isso, porque tais posturas já se tornaram rotineiras. Por que sua comoção torna-se ódio?

Vou a estádios e sei o quanto irrita quando o goleiro adversário para o jogo atirando-se ao gramado, simulando uma lesão. É uma atitude comum na América Latina e considero-a altamente desonesta. Mas estamos num jogo, senhores, e, se o juiz permite, pode ser usado. Com isso, digo que A CULPA É DO JUIZ.

Infelizmente, acho que a única forma de acabar ou diminuir tais insultos — já houve um caso semelhante com o Paulão, do Inter — é a de punir o clube. Por exemplo, por que os torcedores não jogam mais objetos nos jogadores adversários? Ora, porque é punição é severa e um regula o outro na arquibancada. Já se “naturalizou” o fato de que não é para atirar objetos em campo — as punições ensinaram que tal comportamento é incorreto. Sabe-se do prejuízo que pode acarretar ao clube. Ora, um objeto jogado no gramado é menos grave do que um insulto racista? Certamente não. Racismo não caso para se relativizar. É caso para punir e extirpar.

Namoro antigo com o racismo

Um namoro antigo com o racismo

Desta forma, sou favorável a clube seja punido. Se fosse com o meu Inter, teria a mesma opinião. Punir apenas os que gritaram é inútil. Como disse a gremista Mayara Bacelar em seu perfil do Facebook, o histórico de aberrações cometidos por parte da torcida gremista é tão vergonhoso — basta lembrar o recente coro “O Fernandão morreu” — que não tem como continuar a apoiar ou se identificar com ela. Ela envergonha todos os gaúchos, gremistas ou não.

ATENÇÃO, SÓCIO COLORADO! Você decide sobre novo estatuto. O Luigi só nos tortura por causa dele

Risadinha que me fode... Se a clausula de barreira não existisse, teríamos outro presidente

Risadinha que me fode… Se a clausula de barreira não existisse, teríamos outro presidente

Retirado do blog da Convergência Colorada.

No próximo, sábado, dia 30 de agosto de 2014, ocorrerá Assembléia Geral de sócios do Sport Club Internacional para aprovar a reforma do estatuto do Clube. Todos os sócios maiores de 16 anos e em dia com suas obrigações até 4 de agosto desse ano podem participar por meio virtual ou presencial.

A votação virtual se dará por meio de inscrição prévia no site do clube, em data a ser publicizada pelo Inter. A presencial, a partir das 8h em primeira chamada, com pelo menos 2/3 dos associados votantes e, em segunda e última chamada, 9h, com a presença de qualquer número de associados.

A votação será secreta, tendo as opções de aprovar (voto sim) ou rejeitar (voto não) a reforma e consolidação estatuária proposta pelo Conselho Deliberativo. O movimento Convergência Colorada recomenda a aprovação da reforma estatutária, pois o novo texto apresenta redução da cláusula de barreira para a escolha do presidente do Clube, restringe as reeleições a presidente e assegura direito a voto do Sócio Patrimonial do Parque Gigante.

(Lembrem de como Luigi chegou à reeleição!). <– Inserção de Milton Ribeiro.

Além disso, a reforma é necessária para atualizações legais de adequação ao Código Civil. Assim, atualiza-se o texto sobre a competência da Assembleia Geral para alterações estatutárias, atualiza-se as possíveis fontes de receitas do Clube, reorganiza o texto e valoriza os Regimentos Internos.

O Convergência Colorada apresentou suas propostas, através de seus conselheiros e institucionalmente como movimento quando foi aberto o trabalho de grupo técnico do Conselho Deliberativo. Ainda que com o Convergência representado neste grupo, nem todas as nossas propostas foram aceitas pela maioria, como a criação de um Conselho de Administração para viabilizar a profissionalização do Clube e a responsabilização para descumprimentos ao estatuto. Seguiremos defendendo nossas propostas em debates futuros, mas entendemos que o importante agora é assegurar o voto do sócio para presidente já para a eleição de 2014.

Esta reforma do estatuto foi a possível para o momento, respeitando as diferentes opiniões representadas no Clube, mas o importante: ela não veda reformas futuras. Ao contrário, facilita. Já conhecendo o rito, Clube e sócios saberão como proceder. Em um Clube Democrático, sempre existirão pontos a serem discutidos e aprimorados, contudo não há porque eternizar a discussão sem avançar, um passo de cada vez. E é por isso que recomendamos a aprovação da reforma, por acreditarmos que este é um primeiro passo de uma caminhada contínua.

Toda a regulamentação e demais atos relativos à assembleia estarão disponíveis no site do Clube. Fique atento e participe.

Saiba mais sobre a Reforma do Estatuto

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Como surgiram as propostas de alterações no estatuto?
Um grupo e trabalho foi designado pelo Conselho Deliberativo para adequar o Estatuto do Clube às alterações legais, bem como compatibilizar alterações para uma reforma. Este grupo recebeu as sugestões de conselheiros e sócios, analisou e debateu, sendo levadas adiante aquelas que foram de acordo com a maioria do grupo.

O sócio participa deste processo? 
Sim, o estatuto só será alterado se aprovado em assembleia geral, que é formada pelos sócios. Se não aprovada a reforma, permanece em vigor o estatuto atual.

A reforma estatutária prevê alteração na cláusula de barreira da eleição para presidente?
Sim, ela prevê extinção da cláusula de barreira para eleição presidencial que hoje é de 25% na votação de primeiro turno realizada no Conselho Deliberativo, passando com a nova proposta para segundo turno os dois mais votados, desde que nenhum deles alcance uma votação superior a 85% dos votantes presentes no Conselho.

Bom dia, Abel Braga

O derrotado recebeu homenagens. Por que Rafael Moura não lhe entregou o mimo? | Foto: Alexandre Lops / Internacional)

Tu recebeste homenagens ontem. Por que não trouxeram o Rafael Moura para te entregar o mimo? | Foto: Alexandre Lops / Internacional)

Vamos falar sério: acho que ainda não é o caso de te demitir, mas também não é o caso de renovar teu contrato. A notícia de que tu já negocias a renovação é um absurdo, ainda mais que não se sabe qual será o novo presidente. Lembras de que haverá eleições no final do ano? Talvez o novo presidente deseje um técnico com menos bruxos no time. Talvez ele goste de jovens, sabe-se lá.

É válido escolher um campeonato — nossos bons jogadores são tão velhinhos que é melhor protegê-los –, mas é mais válido ainda observar que teus erros estão nos dois times que escalas. Aránguiz se posiciona erradamente nos dois times, ambos não criam chances e os dois deixam o centroavante isolado. Culpar a má fase é tentar explorar a ingenuidade do povo colorado. Agora, eliminados da Copa do Brasil e mortos na Sul-Americana, ficamos como tu querias que ficássemos, só com o Brasileiro. Não vou te cobrar o título porque o vejo como impossível, considerando-se que continuarás com teus bruxos, teus repetidos testes furados e teu mau posicionamento em campo, mas é razoável te cobrar um G-4, não?

De resto, Abel, sei que estás louco para voltar a escalar o Rafael Moura e eu te digo: o centroavante do Inter joga isolado, tem poucas chances e, quando perde gols, não pode se recuperar porque seu próximo chute a gol será só no jogo seguinte, se for. Nosso time está uma merda, Abel, uma merda.

Os caminhos mentais de uma pessoa rigorosamente saudável…

A caneta está ali, viram?

A caneta está ali, viram?

Tem alguma coisa me incomodando. Acho que sou eu. – WOODY ALLEN

Primeiro Movimento – Molto Vivace Paroxístico: É ridículo utilizar extrair a pasta de dentes apertando-se no meio do tubo, o correto é vir de baixo para cima. É ridículo tomar banho sem começar por cima, ou seja, pela cabeça, pescoço, tronco e assim por diante. É ridículo não se ouvir a-ten-ta-men-te todos os CDs que se compra ou ganha para só depois guardá-los. É ridículo não possuir uma montanha de livros sobre o criado-mudo. É patético ler sem uma caneta ou lápis na mão. É ridículo sair de casa sem antes dar uma olhada nos e-mails. É ridículo não comer tudo o que está no prato. É ridículo tomar vinho sem um copo d`água ao lado. É ridículo pôr o cinto de segurança com o carro parado. É equivocado não dizer todos os dias para a Elena que a amo. É ridículo não ficar cuidando o taxímetro (pois este pode disparar a qualquer momento como um ventilador). É ridículo não usar as roupas pela ordem – colocando embaixo a recém lavada e pegando sempre a de cima. É natural escrever o texto caminhando ou correndo e dizer que já está pronto, mesmo quando ainda não se passou para o computador. É maníaco achar que tenho que responder a todos os comentários. É reparação maníaca achar que toda a brincadeira pode ofender e que é bom fazer um agrado depois. É maníaco decorar fatos e datas, mesmo sem querer. É compreensível esconder algumas opiniões. É lógico pensar que as pessoas que não gostam de crianças são potencialmente más. É inteligente explicar para uma criancinha que estar doente e com dor não é uma punição. É maníaco acusar mentalmente todos os entediados de deprimidos. É maníaco achar que todos os deprimidos são muito chatos. É ridículo achar que todos os chatos têm pais chatos, apesar do que mostra a experiência. É lógico pensar que os de língua alemã são os melhores (Bach, Musil, Mann, Beethoven, Brahms, Bernhard, Kafka, Mozart, Goethe, Heine, Haydn, Handel, quem tem isso?). É lógico pensar que alemães podem ser também os piores. É paradoxal achar que uma mulher ou mostra parte das pernas ou parte dos seios. É ridículo pensar que se ela mostrar os dois estará denotando vulgaridade, principalmente quando se tem interesse em ver tudo. É paradoxal torcer apaixonadamente pelo Inter e achar estranho que alguém possa torcer da mesma forma por nosso adversário. É paradoxal achar docemente rídiculas as brincadeiras amorosas entre pais e filhos quando passamos nos gosmeando com os nossos. É paradoxal sonhar com a megasena quando nunca se aposta. É lógico pensar que os adultos que dizem não gostar de presentes estão negando sua infância. É ridículo fantasiar sobre jogos de futebol. É lógico que nos sentimos aliviados quando fazemos um personagem de ficção sofrer. É lógico pensar que o mundo é injusto. É lógico pensar que os melhores seres humanos normalmente se ralam. Mas será maníaco — ou é apenas experiência? — percorrer tantos caminhos mentais pouco menos que pré-moldados?

Segundo Movimento – Adágio Periódico: Não há como fazer Milton Ribeiro ler ou folhear uma revista ou jornal da primeira à última página. Normalmente, a seção cultural e a esportiva estão no final e estes assuntos são os que mais me interessam. Daí, a mania. Irrita-me quando divido a leitura de uma publicação com outra pessoa e esta quer lê-la da página 1 para a 2 e assim por diante. Ninguém parece entender que tenho idéias claras e procedimentos rigorosos e que estes indicam que o correto é de trás para a frente. Melhor ler sozinho.

Terceiro Movimento – Surdo Assai: A música deve ser ouvida como se fosse ao vivo. Esta coisinha de música ambiente é para enfastiados e para cobrir silêncios em reuniões sociais. Se a orquestra soa ensurdecedora, devemos ouvir também assim em nossa casa. O mesmo vale para um grupo de rock ou samba. Mas não podemos ouvir um violoncelo solando de forma ensurdecedora, pois este nunca soa assim. Não devemos distorcer. Então, ouço intimamente as Suítes para Violoncelo de Bach — na gravação de Bruno Cocset, de preferência, pois Rostropovich e Bach não são miscíveis –, mas as obras sinfônicas são fruídas por todo o edifício. Gosto de me sentir no meio da orquestra. É lógico e cartesiano, não concordam?

Quarto Movimento – Allegretto de Funes: A memória é uma coisa que se treina, principalmente a musical. Nunca abandonei uma mania que adquiri com meu pai. Tínhamos um jogo que durou de minha adolescência até sua morte. Toda a vez que ligavámos na Rádio da Universidade — especializada em música erudita –, tratávamos de identificar o mais rapidamente possível qual era a música que estava sendo executada. Isto podia acontecer várias vezes ao dia. Com isto, sou, até hoje, super-treinado em descobrir tudo o que toca no rádio. Quando a obra terminava e o locutor dizia seu nome, comentávamos o resultado e desligávamos o aparelho para não ouvir o nome da próxima e seguirmos na luta. Nunca apostamos, ou melhor, apostamos muitas vezes, mas os valores eram de um real, um cruzeiro, um cruzado, etc. Como ficamos anos nesta briga… hoje mesmo liguei o rádio e disse rapidamente, para mim mesmo: “Sarabanda da Suite Nº 2 da Música Aquática de Handel”. Angustia-me muito não saber qual é a música ou, no mínimo, o compositor. Ele faleceu em 1993. Ainda estou disputando com ele..

(*) Os confusos conceitos de “mania” aqui externados, comprovam que meus conhecimentos da área psi são de farmácia. Espero que os profissionais mantenham-se longe, mas duvido muito. Sem pensar muito já encontrei quatro psicanalistas, psicólogos, psiquiatras, etc. entre meus sete leitores. Ainda bem que o método de retaliação preferido deles é o silêncio.

João Saldanha, Nelson Rodrigues, etc.

Roubado daqui.

saldanha e nelson

Há muito tempo, em uma galáxia muito, muito distante, existiu um programa de TV chamado Grande Resenha Facit. O conceito de mesa redonda sobreviveu à passagem dos anos e chegou, ainda que envelhecido e amargurado, aos dias de hoje. Já as máquinas de escrever Facit, que patrocinavam o falecido programa dos anos 70, bem como a TV Rio, que o lançou em 1963, ficaram pelo caminho. O que não se discute é que a cultuada mesa foi a gênese de tudo o que veio depois no universo da cobertura esportiva. Os titulares da resenha eram: Armando Nogueira, Nelson Rodrigues, João Saldanha, José Maria Scassa, Hans Henningsen (o célebre “Marinheiro Sueco”),Vitorino Vieira, o ex-jogador Ademir e, como âncora, Luiz Mendes, “o comentarista da palavra fácil”.

Não tenho idade para ter visto a Resenha, o que é uma falha grave na biografia de qualquer cronista esportivo, mas conheço histórias formidáveis sobre grandes ideias, frases, tiradas e pancadarias verbais que floresceram naquele covil de craques. Quem mais brigava – além do João Saldanha, que batia boca até com presidente milico – eram Nelson Rodrigues e Armando Nogueira. Isso porque, enquanto Nelson era um autêntico Policarpo Quaresma, defensor da indiscutível supremacia futebolística do Brasil, Armando não conseguia disfarçar sua admiração pelas escolas europeias, algo que vinha dos tempos da gloriosa Hungria de Puskas. E foi antes mesmo da Resenha Facit, ainda na copa de 1958, que Nelson, mestre dos mestres dos mestres cronistas, eternizou em um texto antológico a rixa com o colega.

Na tal crônica de 1958, o pernambucano tricolor desancou as teorias do acriano botafoguense, que defendia com devoção a supremacia física dos atletas soviéticos (outra coisa que o tempo varreu das nossas vidas). Para Armando, com férrea disciplina e jogadores com saúde de vaca premiada, a União Soviética aplicaria uma inapelável sova nos talentosos, porém pouco preparados brasileiros. Ocorre que, para azar das teorias sobre a superioridade física e espiritual do Velho Continente e para sorte de Nelson e do Brasil, Garrincha e Pelé estrearam em copas do mundo justamente naquele jogo. Como gostava de dizer Didi – que, aliás, bancou a escalação dos dois gênios –, o que corre é a bola. E assim foi. Em poucos minutos, Garrincha desmontou o Sputnik do Armando e, com dois de Vavá, a Seleção ganhou sem fazer força. O título da crônica do Nelson não podia ser mais explícito: “As vacas premiadas somos nós”. Uma obra-prima, cujo recheio eu nem preciso comentar.

Catorze copas e cinco títulos mundiais brasileiros depois daquele jogo, é deprimente constatar que não somos mais as vacas premiadas. A coisa, no entanto, é bem pior do que parece. Sim, porque o Brasil podia ao menos ter cumprido tardiamente a profecia do Armando para a Copa de 1958: um time brilhante e talentoso que acabaria derrotado por outro mais forte atleticamente e mais organizado taticamente. Foi assim que perdemos em 1982, por exemplo, sem que sentíssemos um pingo de vergonha, embora náufragos em um oceano de dor. O problema da Seleção Brasileira que levou a maior goleada de sua história centenária foi que não apenas os alemães foram as vacas premiadas como também carregaram o estandarte do jogo bonito. Isso sim, é o que me causa profunda depressão – no sentido tarja preta da palavra.

A Alemanha da última e já saudosa Copa do Mundo (embora definitivamente não por isso) varreu o nosso time do mapa jogando como uma espécie de cruzamento do Brasil de 1982 com a União Soviética de 1958. Confesso que, ao ver os alemães treinando na sauna para simular o calor dos jogos de uma da tarde, o moderno centro de treinamento construído por eles, os reservas que davam piques em campo logo após o apito final dos jogos oficiais, não me impressionei. Ao contrário: tive foi um acesso de Nelson Rodrigues. Disse para mim mesmo que aquilo tudo era visagem, que os alemães eram os novos soviéticos, que nosso talento ia falar mais alto, que o malemolente menino Neymar – qual um Macunaíma emo de óculos de aros grossos – resolveria a parada e que, ao fim e ao cabo, as vacas premiadas continuariam sendo nós. Pura ilusão.

Quando eliminamos os valentes Chile e Colômbia, deixei o estádio com aquele velho chavão na cabeça: jogaram como nunca, perderam como sempre. Depois do 7 x 1, com o mundo como conhecemos já totalmente devastado, o que me veio à cabeça, além de uma puta dor, foi o seguinte: perdemos como nunca porque jogamos como nunca. De fato, nunca jogamos tão mal uma partida de futebol. Simplesmente não é suposto que o Brasil perca um jogo daquela maneira. Nem nos mais doces sonhos dos alemães, nem nos meus mais atrozes pesadelos. Nem quando eu sou o Brasil e meu filho João – um sarilho do FIFA 14 – opera o joystick pela Alemanha.

Tenho quase 50 anos, o que me credencia como um ser meio velhusco que já viu o Brasil perder a bagatela de nove copas. Nenhuma delas – repito: nenhuma! – com mínimos vestígios de desonra. Inventário breve: Em 1974 perdemos de 2 x 0 para o time que inventou o futebol moderno; em 1978 não perdemos um jogo sequer e fomos mesmo é roubados; em 1982 perdemos e o mundo chorou conosco a morte definitiva do futebol sublime; em 1986 perdemos em uma decisão por pênaltis; em 1990 perdemos nosso melhor jogo para um passe de Maradona; em 1998 e 2006 perdemos para Zidane e a melhor geração da história do futebol francês; e finalmente em 2010 dominamos o jogo, mas perdemos para uma espetacular Holanda. Arrependimentos? Alguns. Vergonha? Absolutamente nenhuma.

O inapelável saldo final é que nós não somos mais as vacas sagradas. E, pior, que os arautos do futebol-arte agora são eles. Nossa lápide da Copa de 2014 poderia trazer a seguinte inscrição: “Aqui jaz o Brasil que tentou jogar como Alemanha, humilhado por uma Alemanha que ousou jogar como Brasil”. Mais devastador do que isso, impossível. Que a terra nos seja leve. Porque derrotas são passageiras, mas vergonhas são eternas.

P.S.: Nelson Rodrigues não era dado a jabás e, por isso, escrevia seus textos em uma máquina Remington.

Breves e apressadas anotações sobre o concerto de uma Osesp cansada, amassada e perfeita

Foto do concerto realizado na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, com o mesmo repertório de Porto Alegre

Foto do concerto realizado na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, co o mesmo repertório de Porto Alegre (clique na imagem para ampliar)

O concerto da Osesp da última sexta-feira no Theatro São Pedro tinha tudo para dar errado. O voo que trouxe a orquestra de Belo Horizonte atrasou 4 horas e eles chegaram em Porto Alegre apenas ao final da tarde. Sendo mais exato, entraram no hotel às 18h com a ordem de que estivessem prontos às 18h15, pois o concerto era às 20h. Ou seja, os músicos chegaram em roupas de viagem, vestiram-se com a maior pressa e foram para o concerto sem descanso, concentração ou banho. Tudo deve ter sido montado muito rapidamente pelo staff da Osesp, pois não houve atraso. Porém, apesar de o programa comemorativo pelos 60 anos da orquestra não ser tudo aquilo…

– Antônio Carlos Gomes: Lo Schiavo: Alvorada
– Edvard Grieg: Concerto Para Piano em Lá Menor, Op.16
– Piotr I. Tchaikovsky: Sinfonia nº 5 em Mi Menor, Op. 64

Dmitry Mayboroda, piano
Marin Alsop, regente

… o resultado artístico foi excelente.

Voltando no tempo, conto que foi curioso o modo como descobri o problema do atraso. Sentado nas galerias do São Pedro, ouvindo e vendo o concerto, logo observei que as mulheres da orquestra não estavam produzidas como o habitual. Mais: notei que algumas estavam vestindo calças jeans pretas. Para os homens, é mais fácil fazer de conta que está tudo normal, basta pentear-se e enfiar um terno preto. Mas as musicistas costumam vir vestidas para matar. Não era o caso e logo pensei que tinha ocorrido algum problema. Bingo! O paradoxal era que via um grupo alegre, feliz até, trocando sorrisos e tocando com precisão e talento. Então, o primeiro elogio vai para o profissionalismo da orquestra que, mesmo cansada e apertada no pequeno palco do nosso querido São Pedro, foi com tudo.

Quando a Osesp iniciou a Alvorada de Carlos Gomes, pudemos sentir uma categoria à qual não estamos habituados. Estava tudo afinadinho, o uníssono vinha claro, sem percalços. Parecia que eu estava em outra cidade que não Porto Alegre. A Osesp veio nos mostrar que, aos 60 anos de vida, é mesmo o melhor conjunto orquestral do país. No intervalo, um amigo dizia-se esmagado em seu provincianismo. Que bobagem. Mas posso afirmar que há maior cultura e conhecimento naqueles músicos, algo que não se obtém simplesmente da habilidade, do esforço hercúleo ou do grito.

Detesto o concerto de Grieg, mas com um solista como Dmitry Mayboroda e uma orquestra daquelas, a gente quase se convence de que o concerto é legal. Porém, alguma coisa em Mayboroda fazia-me pensar que estava ouvindo mais o compositor russo czarista Griegov e não Grieg. Só que, como disse, estava apaixonado demais pelo som e vagava de forma acrítica.

Na Sinfonia de Tchaikovsky, quaisquer resistências caíram por terra. Foi uma apresentação entusiasmada e eletrizante. Achei maravilhosos os solos de trompa e a interpretação de uma das obras mais redondas, bem desenvolvidas e acabadas do compositor russo. Tchai disse horrores a respeito dela:

A sinfonia é muito colorida, pesada, hipócrita, medíocre geralmente desagradável​​. Com a exceção de Taneyev, que insiste que a quinta é minha melhor composição, todos os meus amigos honestos e sinceros pensam mal dela. Poderíamos dizer então que eu fracassei, que estou acabado como compositor? Já começou o meu fim?

Para variar, falava totalmente sem razão. Há grande poesia na Quinta Sinfonia e Marin Alsop a trouxe por inteiro para nós, juntamente com a Osesp. Quando eu falo em poesia, falo daquele momento, daquele movimento, contexto ou clima de revelação que pode estar presente na música, no cinema, na literatura; enfim, em qualquer forma de arte. Digo até que, se não houver poesia, o cinema não é cinema, o teatro não é teatro, a música não é música. E, como começo a divagar, deixo vocês por aqui, reafirmando que foi uma bela noite.

Ah, e no bis bateu um pé de vento!

Bom dia, Abel Braga (veja os melhores — e os piores — lances)

Rafael Moura: sou o teu artilheiro, Abel

Rafael Moura: sou o teu artilheiro, Abel

Bem, querido, o que te dizer depois daquilo? Que podíamos ter vencido? Que tu és uma mula teimosa? Pois o Rafael Moura é teu novo Michel. Ele jogou fora todo o esforço do time em dois lances de rigorosa bisonhice. Por que tu não arranjas uma distensão de terceiro grau para o He-Man? Claro, tudo fingimento. Não desejo o mal de ninguém. Mas, imagina, o cara recebe 400 mil por mês para ficar em casa fingindo-se lesionado! A torcida, tu e ele seríamos mais felizes. Porque o Wellington Paulista, que não é nenhuma Brastemp, sempre entra melhor. E o Aylon? Cadê o guri que pintou tão bem? Essa tua mania de proteger os velhos do time em detrimento dos guris vai contra qualquer lógica, Abel. Os “cascudos” que se virem e se responsabilizem por suas cagadas. Quem tem que ser protegidos são os garotos.

Nem vou falar do resto, Abel. Tu já sabes que o Aránguiz está fora do lugar, que o Wellington Silva deveria ser reserva do Winck (o WS se machucou mesmo? recebemos esta Graça Divina?), etc.

Enche o saco repetir a mesma coisa, né?

A opinião de Alexandre Perin (roubada por mim no Facebook):

Chegou o momento de uma intervenção na comissão técnica por parte dos dirigentes do Internacional.

Com números e fatos, quatro pessoas tem o poder e ou a experiência de exigir explicações do Abel por suas escolhas individuais e sobre o esquema tático do time.

O presidente Giovanni Luigi, o vice de futebol Marcelo Medeiros e os diretores Eduardo Lacher e Roberto Melo tem hierarquia e a obrigação com os torcedores de exigir do Abel os motivos pelos quais jogadores como Rafael Moura, Ygor e Jorge Henrique são sistematicamente utilizados. Otávio, que nao joga nada ha um anos, virou primeira opção ao invés do Alan Patrick. Absurdo.

Desde a parada da Copa, Rafael Moura jogou muito mal todos os jogos. Todos. Fez um gol e tem ridículas oito conclusões nos últimos sete jogos. Neste mesmo período, o Wellington Paulista(tb muito limitado) tem mais conclusões e so jogou uma vez como titular.

O esquema com um atacante é o pior pra ele, e isso e culpa do Abel. Mas o fato dele nao se antecipar e se movimentar é responsabilidade exclusiva dele, Rafael Moura.

Ja está claro que existe um a insatisfação dos jogadores. Quem conhece futebol sabe que eles tb nao estao satisfeitos com os critérios do treinador.

Em um campeonato de nível técnico lamentável, o Inter fica fácil no G4.

Mas é necessária uma intervenção. Urgente.

Porque hoje é sábado, duas lindas cantatrizes, Letícia Sabatella e Maria de Medeiros, mais Chico Buarque

Sim, tive preguiça de resumir o título. Vai grande assim mesmo. E é merecido, pois hoje trato de duas grandes mulheres: a brasileira Letícia Sabatella e a portuguesa Maria de Medeiros. São dois belos, queridos e talentosos rostos de mulheres que convivem em nossa trincheira política. E há mais coisas em comum entre elas: além de excelentes atrizes, elas cantam, como vocês poderão ver e ouvir abaixo. 

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O rosto de Letícia Sabatella é um poema colocado por engano na TV Globo.

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Shakespeare dizia que, às vezes, boas filhas apareciam em más familias e que cumpria

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corrigir a natureza. Referia-se a alguns plágios que cometera, mas eu aplico aqui.

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E a convido para o PHES. Imaginem que hoje ela possui um sítio em Nova Friburgo,

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onde planta alimentos orgânicos em regime de cooperativismo com os empregados.

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Ah, Letícia… Canta pra nós?

Já Maria de Medeiros é uma portuguesa que teve o bom gosto e a correção de nascer

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num glorioso 19 de agosto, a verdadeira data máxima do humanismo universal.

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Maria formou-se como atriz. Nunca terminou sua licenciatura em Filosofia, na Sorbonne.

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Isto revela outro fato em comum com este blogueiro, outro especialista em deixar

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cursos pela metade. Ela é filha do maestro e compositor português

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António Victorino de Almeida. Ou seja, há música em sua vida. E chega de falar, né?

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Canta Sentimental pros meus sete leitores, Maria?

Camille Claudel, a escultora que viveu entre Rodin, o irmão e o manicômio

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A escultora aos 17 anos, em 1881

Publicado em 8 de dezembro de 2013 no Sul21

A data de 8 de dezembro marca o nascimento de Camille Claudel (1864-1943). O cinema parece apreciar a trágica vida desta escultora, tanto que, recentemente, levou sua vida duas vezes às telas. Em 1988, em um filme chamado apenas Camille Claudel, Isabelle Adjani encarnou a aprendiz, assistente e depois amante de Auguste Rodin em extensivos e desesperados 175 minutos. Em 2013, outra belíssima atriz, Juliette Binoche, debulhou-se em lágrimas por 95 minutos em Camille Claudel, 1915. Os filmes são bem diferentes. O primeiro propõe-se a uma biografia completa; o segundo foca na internação de Camille no ano de 1915.

De forma esquemática, a biografia de Camille pode ser resumida assim: ela era uma talentosa escultora que, quando tornou-se amante de Rodin, caiu em desgraça junto à sociedade parisiense. Afinal, o escultor era casado, célebre e a ligação foi um escândalo. Após quinze anos de tortuoso relacionamento, Camille rompeu e mergulhou cada vez mais na solidão e na loucura. Por iniciativa de seu irmão mais novo, o escritor Paul Claudel, foi internada em 1913 num manicômio.

Apesar da atuação escabelada de Isabelle Adjani, a primeira versão cinematográfica parece ser a mais correta do ponto de vista histórico. Camille Claudel, 1915 dá a impressão de que a escultora fora vítima de uma injustiça.  A personagem de Binoche parece estar internada indevidamente. Seu trabalho pregresso fica esquecido e é sugerido que a sociedade e seu irmão Paul desejavam apenas livrar-se dela. Porém, delirante e paranoica, Camille sofria e era um problema real: ela recebeu o diagnóstico de esquizofrenia.

Camille Claudel trabalhando com Rodin

Camille Claudel trabalhando com Rodin

Em 1881, com 17 anos, Claudel ingressou na Academia Colarossi, em Paris, uma escola que formava escultores. Entre seus mestres estava Auguste Rodin. É desta época que datam suas primeiras obras conhecidas: A Velha Helena e Paul aos treze anos.

A Veha Helena

A Velha Helena

Rodin, impressionado pela beleza de seu trabalho, recebe-a como aprendiz de seu ateliê. Ela colabora na execução de As Portas do Inferno (Les Portes de l’Enfer) e do monumento Os Burgueses de Calais (Les Bourgeois de Calais).

Adjani, filme escabelado e fiel

Com Adjani, filme escabelado e fiel

Ela trabalhou vários anos a serviço de Rodin, por quem era secretamente apaixonada. Ao mesmo tempo, criava suas próprias obras. Por vezes, a produção de um e outro eram tão semelhantes que não se sabia o que era do professor e o que era da aluna. Eles se apaixonam e Camille Claudel enfrenta duas dificuldades, pois por um lado Rodin não consegue decidir-se a deixar Rose Beuret e, por outro, alguns afirmam que suas obras seriam executadas pelo mestre. Triste em função das acusações e por Rodin manter outra mulher, Camille tentará se distanciar de Rodin. Percebe-se essa tentativa de autonomia em sua obra tanto na escolha dos temas como no tratamento: A Valsa (La Valse) e A Pequena Castelã (La Petite Châtelaine). Esta tentativa de afastamento segue até o rompimento definitivo em 1898. A ruptura é marcada por A Idade Madura (L’Age Mûr).

Então ela sofre um grande golpe. Rodin escolhe ficar com Rose. Ela conclui que seu romance com Rodin não passou de uma aventura para ele e Camille passa a nutrir um estranho amor-ódio, que já era um sintoma da doença que a levará à loucura. Ela se instala num hotel Quai Bourbon e segue seu trabalho em grande solidão. Apesar do apoio de amigos, ela não consegue superar o luto da separação. Eugène Blot organiza duas grandes exposições, esperando o reconhecimento e benefício financeiro para Claudel. As exposições têm grande sucesso de crítica, mas Camille já está doente demais para ouvir os elogios. Ela passa a desejar a morte de Rodin, enquanto revive a infância, com sua mãe tentando impedir que ela se tornasse uma artista.

Biniche, filme sóbrio e ficcional

Com Binoche, filme sóbrio e ficcional

Após 1905, os períodos paranoicos de Camille multiplicam-se. Ela crê em seus delírios. Ela acredita que Rodin roubará suas obras de arte para moldá-las e expô-las como suas. Também suspeita que o Ministério das Belas-Artes da França está em conluio com Rodin, e que desconhecidos querem entrar em sua casa para lhe roubar. Também chora muito, e passa a ter ideias de suicídio. Nesta época vive grande abatimento físico e psicológico, não se alimentando mais e desconfiando de todas as pessoas, achando que qualquer um a matará. Ela se isola, rompendo com os amigos. Mantém-se vendendo as poucas obras que ainda lhe restam.

Seu pai, a única pessoa pela qual guarda afeição, morre em 3 de março de 1913, o que acentua seu estado. Tem crises violentas em que quebra suas obras. Em 10 de março, é internada no manicômio de Ville-Evrard. O irmão Paul Claudel — que trabalha como Embaixador da França em vários países  e é muito rico – nega-se a pagar uma pensão hospitalar para a irmã. Ele nada faz para amenizar o sofrimento de Camille, apesar de saber das condições sub-humanas em que viviam os internos da época. Rodin envia-lhe algum dinheiro e expõe algumas das esculturas que sobreviveram à destruição, mas nada faz para liberá-la do hospital. De qualquer maneira, sua iniciativa seria impedida pela mãe de Camille, que o considerava culpado pela ruína e loucura de sua filha. Camille morreu em 1943, aos 78 anos, enterrada anonimamente em vala comum, sem nunca ter recebido uma visita de sua mãe.

A tragédia de Camille Claudel tem ingredientes que a potencializam. A cidade era Paris e ela estava envolvida com Rodin e com seu irmão Paul Claudel, um dos grandes escritores de sua geração na França. É certo que o preconceito de gênero tem seu papel no desespero da escultora. Ela foi sufocada por dois artistas respeitadíssimos em sua época. Um, seu mestre, por quem era apaixonada, a abandonou; outro, seu irmão, que parecia vê-la como um estorvo.

Como afirma o crítico Eugène Blot no filme com Isabelle Adjani, seu gênio criativo ultrapassou a compreensão de sua época.

Do hospital, Camille manteve por algum tempo correspondência com sua família e seus amigos. Às vezes, pedia à sua mãe alguns itens como chá, açúcar em cubinhos e café — “…café brasileiro porque é de excelente qualidade…”. Com seu irmão Paul, a intensidade das cartas chegou ao nível do emocionante. Paul, em seus escritos sobre a irmã, descreve o trabalho da artista:

“Da mesma forma que um homem, no campo, se serve de uma árvore ou de um rochedo ao qual seus olhos se prendem, a fim de acompanhá-lo em sua meditação, uma obra de Camille Claudel no meio do apartamento existe unicamente através de suas formas, assim como essas curiosas rochas colecionadas pelos chineses, como um tipo de monumento do pensamento interior, o tufo de um tema proposto a todos os sonhos. Ao passo que um livro, por exemplo, somos obrigados a ir buscá-lo nas prateleiras de nosso armário, uma música, a tocá-la, ao contrário, a peça trabalhada, de metal, ou de pedra, exala de si mesma seu encantamento, e a casa inteira é por ela penetrada”.

Camille Claudel: "Abandono"

Camille Claudel: “Abandono”

Camille Claudel: "A Idade Madura"

Camille Claudel: A Idade Madura

Camille Claudel: A Valsa

Camille Claudel: A Valsa

Detalhe de A Idade Madura

Detalhe de A Idade Madura

Camille Claudel: A Onda

Camille Claudel: A Onda

Camille Claudel: Prière

Camille Claudel: Prière

Camille Claudel: Busto de Rodin

Camille Claudel: Busto de Rodin

Fontes: http://www.pitoresco.com/, http://www.culturamidia.com.br/, http://www.artelivre.net/, http://www.artcyclopedia.com/ e os filmes citados.

Bom dia, professor Abel Pardal

A frase da noite foi de Wianey | Imagem do celular de Andreas Müller

A frase da noite de ontem foi de Wianey | Imagem do celular de Andreas Müller

É duro admitir: a frase na noite foi de Wianey Carlet. Não gosto muito do comentarista de futebol Wianey, ele é o principal motivo de eu ter me mudado para a Rádio Guaíba, mas ontem ele resumiu numa pergunta a incompetência do Inter, a incompetência do teu time, Abel. Só podemos ganhar dos pequenos e dos absolutamente ruins. O motivo é simples: só somos melhores do que eles.

O jogo de ontem foi mais do mesmo. Aránguiz jogando fora de posição, sempre de costas para o gol adversário, Rafael Moura sem receber bolas decentes — além do fato de que o médio Wellington Paulista ser muito superior ao He-Man –, Jorge Henrique e Ygor novamente abaixo do aceitável e Wellington Silva… Mas o titular já não era o bom e jovem Cláudio Winck?

Aliás, cada vez que tu colocas um garoto no time, ele responde bem. Ontem foi a vez de Bertotto. O guri segurou a barra com sobras. Então, a tendência é a de manter na equipe os velhos de maus resultados como Jorge Henrique, Wellington Silva e Ygor, né? Acho curioso. Não, na verdade, acho muito chato, Abel.

Sobre o São Paulo: é um time que vai crescer, ainda mais recebendo o gênero de chances que deste a eles. Pato foi uma bela aposta do clube, ele está querendo voltar a mostrar seu futebol. Bem, então, vamos recuperar o Atlético-MG já no sábado, Abel? Eles estão mal, perderam para o Flamengo, merecem ter Jorge Henrique, Ygor, Rafael Moura e Wellington Silva contra si.

Aránguiz como atacante: a invenção fracassada de Abel

Aránguiz como atacante: Abel em versão professor Pardal

Julie Christie e Dirk Bogarde em Darling

Dois grandes atores, um excelente filme de John Schlesinger, um Oscar de melhor de atriz, uma boa história. Tudo isso faz de Darling (1965) um filme muito querido a este blogueiro de sete leitores. Como se não bastasse, Julie Christie e Dirk Bogarde são grandes referências deste que vos escreve. Se o segundo é uma referência cultural, a primeira é sexo-cultural, por assim dizer. Sim, o adolescente e o jovem Milton Ribeiro amavam Julie Christie. Aliás, até hoje não podemos deixar de observar com interesse sua extraordinária beleza. Fiquem com ela.

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A acadêmica é a mais violenta das vaidades II

haterDia desses, lembrei muito deste post que foi muito lido em 2013. Um amigo me avisou que estou sambando errado. Explicando melhor, um acadêmico me escreveu para dizer que estou me relacionando com os acadêmicos errados. Os últimos seriam pessoas desonestas e perigosas. Explicando ainda melhor, e pegando a coisa desde meu foco, uma pessoa com a qual convivia muito antigamente e que hoje infelizmente pouco vejo, solicitou que eu me afastasse de amigos que me tratam há anos com respeito e carinho. Estranhei, né?

Tentei por panos quentes. Respondi que não tinha negócios com eles, que eram apenas agradáveis amigos de jantares e festas, que meu contato não era profissional e que minha carteira ainda não fora roubada. Tentando deixar a coisa engraçada, completei dizendo que ficava com os ovos, conforme a piada de Groucho Marx.

O sujeito vai ao psiquiatra e diz: ‘Doutor, meu irmão enlouqueceu, acha que é uma galinha.’ O médico pergunta: ‘Por que você não o interna?’ E ele responde: ‘Eu preciso dos ovos.’

A resposta veio direto na jugular. Meu amigo estava decepcionado comigo, não sabia que minha vida era tão segmentada. Foi ofensa que me atingiu só de raspão. Toda a minha vida — essa notável sucessão de erros e poucas vitórias –, demonstra que meu percurso tem um conceito, provavelmente equivocado, que o apoia. Dentro dele há boa dose de tolerância. Só me ralo por ser assim, mas vejo como mudar. A tolerância não me deixou dar grande importância ao fato, mas sei que houve uma tentativa de ofender gravemente o dono da vida “tão segmentada”. O curioso é que não pedi conselho nenhum.

O genial poeta e ensaísta Joseph Brodsky ensina que as pessoas costumam ignorar o que vem após o vaticínio “e se alguém lhe solicitar acompanhá-lo por uma jarda, vá com ele mais cem”. Ele diz que vem a humanidade. Não desisto facilmente de ninguém. Nem do conselheiro. Mas seu conselho ficará arquivado, esquecido.

Agora, que os títulos e diplomas são alucinógenos altamente nocivos, disso não tenho dúvidas. Ainda bem que os sintomas não se manifestam em todos.

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Milton RibeiroEu acho altíssimo o número, quase 60, mas é impossível acordar e pensar nestas coisas de finitude e no vazio cada vez mais próximo quando, logo de manhãzinha, ouvimos isso:

– Feliz aniversário, meu menino querido. Que seja feliz e saudável por muitos anos.

O último ano foi muito bom. Em 19 de agosto do ano passado não estava nada bem. Alguém estava organizando um fracasso público para mim com o objetivo de se fazer de vítima. Deu tudo errado. Para o outro lado. Porém, doze dias depois do meu aniversário, tudo começou a virar de forma realmente cabal. Ou seja, se tirarmos esses doze dias, foi um ano no qual recebi um fluxo de carinho que me deixa realmente pensar que sou um jovem, um guri desses que passeia pelas ruas e parques abraçado em sua menina.

Não somos exatamente meninos, mas ainda estamos (ou somos) meio bobos. Os últimos meses foram marcados por tamanha intersecção de vontades e planos que houve espaço para pouca coisa mais. Ou seja, o ano em que tive 56 anos foi de notável sorte. Estou naquela situação de fazer tudo com cuidado para não estragar nada. Não que mude de atitude para me adaptar, só tento reprimir um pouco meu humor anárquico, já que, surpreendentemente, o espírito crítico é bem recebido.

Um amigo hoje me disse que já se passaram duas vezes 57 anos desde o ano 1900. Putz. Minha irmã lembrou de nosso pai, que ficaria fascinado por alguém nascido em 1957 que faz 57 anos. Jogaria no bicho, na Megasena, sei lá. Números à parte, o importante é manter a boa forma intelectual e física. Sempre gostei dos velhos de espírito jovem e desejo ser — se já não sou — um deles.

Imagem enviada por minha filha no dia de hoje...

Imagem enviada por minha filha Bárbara no dia de hoje…

Bom dia, Abel Braga

Foto: Leonardo Cantarelli FutNet

Pouco futebol, muitos pontos | Foto: Leonardo Cantarelli / FutNet

O Inter é vice-líder do Brasileiro; o Inter venceu seus últimos cinco jogos; nestes, não tomou nenhum gol; o Inter é demais! Só que a verdade é que o desempenho do futebol desenvolvido em campo está abaixo do aceitável… Não, não é corneta. É fato facilmente comprovável — estamos com uma sorte incrível, é só rever os jogos. Deste cinco, ganhamos bem do Grêmio e do Flamengo. Só. As vitórias contra o Bahia, o Santos e o Goiás foram casuais. O resultado mais normal para os jogos contra o estes times seria o empate. Neles, não criamos NENHUMA chance de gol. Nosso mérito foi o de ter imposto o mesmo a nosso adversário. Só que dois gols irrepetíveis, resultados de falhas incríveis do adversário, deram-nos as vitórias. Já contra o Santos, poderíamos podíamos ter empatado ou até perdido.

Não pense, Abel, que com isso desvalorizo tua sequência de vitórias. Ao contrário, penso que sejam fundamentais, pois dão tranquilidade e boas condições para que se melhore em campo. Se tivéssemos uma pontuação baixa, teríamos que resolver as questões de jogo sob mau tempo. Não é o caso. Todo o Brasil está acompanhando nossa perseguição ao Cruzeiro como se fôssemos um adversário real. E somos, mas só pelos insistentes resultados.

Abelito, veja bem, coração: o jogo de sábado demonstrou que Aránguiz fica meio perdido jogando na linha de três, com D`Alessandro e Alex. Eu também achava que ali seria o lugar dele, mas não é. Ele é bem melhor vindo de trás, mais livre, de surpresa. É claro que isso não significa a reentrada da enceradeira Jorge Henrique, nem de Alan Patrick, uma enceradeira sem energia elétrica. É a hora de testar Leandro, Valdívia e… onde está o Luque? O argentino que acabamos de contratar é tão ruim assim?

Outra coisa, por ora, nosso guichê não aceita críticas ao Fabrício. Ele pode ser isso ou aquilo, mas seus cruzamentos resultam em gols, vários gols. Ele é a única esperança para o Rafael Moura, centroavante totalmente inadequado aos meias que temos. Aliás, aí está outro problema. Moura serve para receber cruzamentos ou para fazer parede. Como não há nem um nem outro, é melhor pensar em outro para a função.

Elogios? Sim, vão todos para a marcação. Desde o trio de meias até a extraordinária dupla de zagueiros Ernando e Juan, todos marcam. E bem. Até Winck, célebre por não marcar, está fazendo direitinho seu papel. E poucos recebem cartões, o que comprova o bom posicionamento de todos. O problema é o ataque e os erros de passe. Lembra da Primeira de Lei de Andrade? A que diz assim: “Quem não tem a bola corre o dobro?”. Pois é.

Boa sorte aí, meu querido.

Porque hoje é sábado, Uma Thurman

(post atualizado com novas fotos e texto)

Wiggle your big toe…

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Quando ela disse estas desesperadas palavras,

o mundo viu que Uma Thurman não tinha os pés mais lindos do mundo.

Wiggle your big toe... Uma Thurman

Uma mulher, sentada atrás de mim no cinema, assustou-se ou fingiu-se assustada

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com os pés de Uma. Mostrou-os ao namorado, como se ele não os tivesse visto.

Não sou um desses caras tarados por pés.

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Acho até legais alguns delicados e sujinhos, mas confesso-me fora da podolatria.

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Não dava muita bola para Uma Thurman até vê-la como Vênus

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nas Aventuras do Barão de Munchausen. Estava belíssima!

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Depois, em Pulp Fiction, ela me apareceu com uma cara inacreditável de Anna Karina

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e desde então sua presença faz-me ir ao cinema.

Foi casada com Gary Oldman e Ethan Hawke,

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mas quem sempre a compreendeu é seu atual namorado, Quentin Tarantino.

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Ela fez uma dança antológica com John Travolta em Pulp Fiction

apareceu forte e poderosa em Kill Bill, mostrando a nós como se maneja uma espada.

Nascida em Boston em 1970, Uma mede 1,83m, número bastante alto para o

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tamanho médio deste escriba. Fazer o quê?

Seus irmãos chamam-se Ganden, Dechen, Mipam e Taya.

Um horror. Ela teve até sorte de ser apenas uma Uma Karuna.

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Espero que volte aos filmes de Tarantino.

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É quando aparece melhor. Mas também esteve ab-so-lu-ta-men-te brilhante

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em Ninfomaníaca, de Lars von Trier,

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diretor que seria um clássico genial se tivesse nascido antes de nosso tempo,

tão emburrecido pela TV.