Bom dia, Renato (com os melhores lances de Santos 1 x 0 Grêmio)

Ontem a gurizada nos representou lá em Santos. O time B foi à Vila Belmiro apenas com o objetivo de cumprir tabela, mas, apesar da derrota, teve boa atuação no primeiro tempo, criando diversas chances (e até perdendo de forma inacreditável um jogo fácil). Infelizmente, volume de jogo, chutes a gol e bola na trave não alteram o placar – já dizia a música do meu xará.

Foto: gremio.net

Foto: gremio.net

Dito isso, a verdade é que ninguém da nação Tricolor se importava de verdade com o jogo de ontem. Tu até ficaste em Porto Alegre, para comandar os últimos treinos com os titulares. Toda a nossa atenção está voltada para o jogo de quarta-feira, contra o Lanús. O time tem que entrar focado, decisivo e mortal, tal qual fez na última final que disputamos. E nós torcedores temos que fazer da Arena uma panela de pressão para os argentinos.

Renato, estamos enlouquecidos aqui! Andamos num passo descompassado e angustiado na caminhada cotidiana, somente esperando o apito que permitirá a bola rolar. A Copa Libertadores é o nosso sonho! Almejamos o Tri da América há mais de duas décadas. Foram tantas batalhas árduas, intempéries da bola e sonhos que desvaneceram no meio do caminho durante todos esses anos que nossas ganas de voltar a ganhar a Copa estão maiores do que nunca.

O Grêmio tem longa história nessa competição. Levantou a taça por duas vezes com muito sangue, suor e lágrimas. Não poderá ser diferente desta vez! Entremos com humildade e raça, com força, coragem e inteligência. E sejamos mais aguerridos do que nunca! Sejamos Grêmio! Lembremos que é em cada jogo, em cada lance disputado que mostramos que somos gigantes, que nossas grandeza e imortalidade não são títulos divinos que ficamos ostentando.

“Para que percorres inutilmente o céu inteiro à procura da tua estrela? Põe-na lá.” (Vergílio Ferreira)

QUEREMOS A COPA, RENATO!

Saudações Tricolores!

Segue o baile…

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Bom dia, Odair Hellmann (com os gols de Goiás 0 x 2 Inter)

Um amistoso interessante. Não valia nada, só um inútil primeiro lugar na B. O time não jogou bem, claro, isso não acontece há quase dois anos, mas foi divertido ver Odair Hellmann humilhando Guto Ferreira em seu segundo jogo. O técnico interino segurou mais os laterais — que são mesmo muito ruins e não precisam subir –, recuou Edenílson e adiantou Dale. Só isso já fez melhorar muito o time.

Dois gols de Pottker em dois passes de Camilo. | Foto: Ricardo Duarte

Dois gols de Pottker em dois passes de Camilo. | Foto: Ricardo Duarte

É melancólico este final de ano. Nosso time não demonstrou evolução, apesar de algumas contratações bem caras. Tudo terá de ser refeito. Novamente iniciaremos o ano de um ponto bem próximo do zero, inclusive sem saber qual será o técnico de 2018.

Como já disse, o Inter chega ao fundo do poço após ter Argel, Falcão, Roth, Lisca, Zago e Guto como técnicos. Esta é uma nominata de profissionais que aceitam intromissões da direção. Claramente, há alguém(ns) escalando o time de fora da casamata. Não faz sentido escalar Sasha. É suicídio. O filha da Xuxa fez 16 jogos sem marcar gols nem dar nenhuma assistência. Sua ruindade é escandalosa. Hoje, Camilo entrou em seu lugar — Sasha sempre é retirado. Pois logo Camilo deu passes para nossos dois gols. Regida pela política e pelos interesses extra campo, nossa baixa produtividade não chega a surpreender.

Sasha: xô! | Ricardo Duarte

Sasha: xô! | Ricardo Duarte

William Pottker marcou os dois gols. Ele não fez um grande ano, mas o fato que me surpreende é que os caras vêm para o Beira-Rio após brilharem em outros clubes e afundam. Aquela coisa de jogadores profissionais viverem seu auge no Inter parece coisa do passado. Não somos mais um lugar de bom futebol. Talvez o ambiente nao seja favorável.

Nosso último jogo será contra o Guarani no Beira-Rio, dia 25. Depois, férias e Série A. Na B, já está tudo definido: Sobem América-MG, Inter, Ceará e Paraná. Caem para C Luverdense, ABC, Santa Cruz e Náutico. Foi um ano barbada, mas medíocre.

Hoje, temos 36 jogadores disponíveis. Mas vejam quem volta. Voltam 22 nabas com contrato em vigor. Destes, eu só pensaria em testar Andrigo e Eduardo. Os outros, por favor…:

Paulão — Vasco
Aylon — Goiás
Artur — Ponte Preta
Fernando Bob — Ponte Preta
Anderson — Coritiba
Seijas — Chapecoense
Alan Ruschel — Chapecoense
Geferson — Vitória
Alan Costa — Vitória
Andrigo — Atlético-GO
Eduardo — Atlético-GO
Eduardo Henrique —  Atlético-PR
Marquinhos — Sport
Anselmo — Sport
Jair — Rio Verde
Raphinha — São Paulo-RS
Jacsson — Santa Cruz
Mike — América-MG
Gustavo Ferrareis — Bahia
Marcinho — Brasil de Pelotas
Silva — Atlético-GO
Vilela — Desportivo Brasil

Os empresários vão se divertir bastante.

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O Bola em Transe Nº 28, com este que vos escreve, fala sobre o futebol e a Revolução Russa

Para fanáticos por futebol com um parafuso a mais. Neste programa há um momento histórico, quando Moysés Pinto Neto refuta a Tese do Socialista de iPhone. Começa aos 31min20.

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A Rádio da Universidade faz 60 anos amanhã

Amanhã, a Rádio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul completa 60 anos. Foi a primeira rádio universitária e pública do país. Comecei a ouvi-la diariamente desde os 15 anos e não imaginava que ela tivesse nascido no mesmo ano que eu. Antes desta idade, meu pai já nos fazia ouvi-la no carro e em casa. Naquela época, suas transmissões começavam às 8h e iam até a meia-noite. Tudo terminava num estranho “Boletim Astrônomico”. Assim que meu pai notou em mim alguma tendência para apaixonar-me pela música erudita, iniciou um jogo que durou até sua morte em 1993. Toda vez que ligava o rádio, nós tínhamos que adivinhar que obra estava sendo executada. O jogo era levado tão a sério que, logo após o final de cada música e do locutor anunciar o nome do compositor e título da obra – tínhamos que ouvir atentamente, porque era nossa conferência para saber quem tinha acertado — , o rádio era desligado a fim de que não ouvíssemos o nome da próxima. Deixávamos passar alguns minutos para só então religarmos o rádio e as tentativas de adivinhação.

Rádio da Ufrgs 60 anos

Isso me deu um treinamento incrível para reconhecer estilos e obras. Mas o que interessa hoje é que há mais de 45 anos ouço a rádio, a minha rádio que tantos problemas apresentava nos primeiros anos: sinal fraco, interrupções das transmissões, vinis com problemas (alguns arranhados, outros em tal estado que não deixavam a agulha avançar…), etc. Hoje, o maior problema é o fato de ela ser uma emissora AM. Melhor ouvi-la sempre na Internet. Quando virá o FM? Outro problema é que, antigamente, a escolha do repertório tinha mais lógica.

Os méritos da rádio ultrapassam em muito os seus problemas e foi ali, com o grande compositor e ex-diretor da emissora Flavio Oliveira e com Rubem Prates, que aprendi que uma programação não era mero sorteio ou livre-associação. É notável como eles conseguiam ligar inteligentemente cada música à próxima, fosse por seu tema, por sua evolução na história da música ou pela pura sensibilidade desses dois conhecedores, que viam parentescos em coisas aparentemente díspares. Com eles, aprendi que havia várias formas de se avançar na grande árvore da história de música. Por exemplo, pela manhã, a rádio iniciava por um compositor de música antiga ou barroco, depois ia para um clássico, daí para um romântico, e assim por diante, nos mostrando sempre os caminhos e os diálogos que um compositor travava com seu antecessor. Foi a maior das escolas. Com a Rádio da Ufrgs conheci o que cada compositor passou a seus sucessores e aquilo, após milhares (mesmo!) de dias como ouvinte, tornou natural a leitura das histórias da música que fiz depois. De forma misteriosa, estranha e certamente gloriosa, aqueles dois homens silenciosos já tinham me ensinado tudo, colocando as coisas na ordem certa para que meu ouvido entendesse. Hoje, a coisa está mais bagunçada, às vezes temos que reformatar o ouvido de uma obra para outra.

É claro que me emociono ao falar da Rádio da UFRGS, não há como ser diferente. Voltando a sua história, depois seu horário foi ampliado e já faz décadas que transmite 24 horas por dia como qualquer outra emissora. Conheci na rádio quase tudo o que ainda ouço hoje ou posto no PQP Bach. Lembro do dia em que ouvi a Oferenda Musical de Bach numa manhã intacta e perdida, no quarto já então pleno de futura saudade. Era uma gravação de Hermann Scherchen e, naquele momento, eu tive a certeza de que não existia nada que pudesse deixar aquele momento mais perfeito e importante, tal o modo como a música caiu sobre mim. Lembro do dia em que mandei uma carta — sim, pelo correio — para o programa de sábado à noite Atendendo o Ouvinte. Pedi a Sinfonia Nº 10 de Shostakovich. Fui atendido. Eu e uma namorada — eu devia ter entre 18 e 20 anos — deixamos de sair para ficar ouvindo aquela maravilha. Fora da música, talvez apenas os filhos, os momentos de amor ou a futura leitura do Fausto de Mann, de Tolstói, Dostoiévski, Bulgákov ou de Machado, além do enlouquecido Guimarães Rosa do Grande Sertão, me proporcionaram momentos em que novamente pareci ter saído de minha pequena natureza.

E, no grande último momento, dias atrás, ao ligar a rádio, dei de cara com a esquecida Sinfonia Turangalîla de Messiaen e permaneci – por sorte estava em minha cama, antes de dormir — por mais de uma hora, de olhos arregalados, cada vez mais acordado e eufórico. Ou ainda, anos atrás, quando atrasei-me para um encontro porque TINHA que saber qual era aquela música incrível que, afinal, era desconhecidíssima para mim na época: a Sinfonia Singular de Berwald.

É por viver com ela há mais de 45 anos, é por saber que só em Montevidéu, em Oslo e em Amsterdã (ouço pela internet) há emissoras de mesma categoria, é por ter receio de que a programação da rádio caia na vala comum — como tantos já desejaram –, que saúdo e fico feliz com os 60 anos, meus e de “minha rádio”.

Parabéns e longa vida!

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P.S. 1 — Tenho no computador de casa um excelente programa Música em Pessoa cuja entrevistada é minha Elena Romanov, que é violinista da Ospa. Ela foi entrevistada pela Ana Laura Freitas e é um baita programa.

P.S. 2 — Pedro Palaoro, funcionário da Rádio de Ufrgs, me informa: “O FM aparentemente virá em 2018. A banda será liberada no final de janeiro, quando caírem as TVs analógicas. Tem o tempo de aquisição de equipamento e tal, mas o planejamento é que isso ocorra logo”.

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Bom dia, Renato (com os gols do esquenta Grêmio 1 x 0 São Paulo)

Texto de Samuel Sganzerla

Sabe, ontem eu fui sequestrado pela NOSTALGIA. Pedalava pela orla do Guaíba em meio à belíssima e ensolarada tarde, quando lembrei que, lá em 2012, num domingo de novembro muito parecido com o dia de ontem (que inclusive tinha cara de domingo), enfrentamos o São Paulo, no (que deveria ter sido) nosso penúltimo jogo no Olímpico.

A comemoração do gol de Kannemann | gremio.net

A comemoração do gol de Kannemann | gremio.net

Não sei quanto a ti, Renato, mas minhas memórias com o futebol são fortes, impactantes, potentes. Quando penso na minha vida no Velho Casarão (minha segunda casa em Porto Alegre, desde que vim morar aqui em 2006), lembro da frase que dizia emocionado na época da despedida: “Nas arquibancadas do Olímpico eu pude sentir todas as sensações que já experimentei na vida” (ou QUASE todas, antes que maliciem).

Isso tudo fez passar um filme na minha cabeça: desde tudo que se passou com o Grêmio nesses cinco anos que separaram esses dois confrontos com o Tricolor Paulista até um pouco sobre a nossa cidade hoje. E quer saber, Renato? Todas essas coisas têm tudo a ver umas com as outras e com a decisão da semana que vem.

Porque é impossível não voltar no tempo e reviver todos os sentimentos que carregamos impreterivelmente a cada vez que seguimos o Grêmio, onde ele estiver. Nunca me foi fácil deixar o Olímpico. Lamentava que não sentia aquela “alma pulsante” ao sentar nas confortáveis cadeiras da Arena. Até o ano passado.

Quando tu chegaste em Porto Alegre, para tomar a dianteira de nossa casamata pela terceira vez, Renato, nem mesmo eu, que nunca escondi o quanto sou teu fã (o Homem Gol, o Santo Portaluppi), fiquei otimista. Eis que um baita time (demos os méritos devidos ao Roger) que se encontrava desmotivado encontrou um futebol estupendo na tua liderança.

E quando, depois de 15 anos de jejum, sofrimento, lamúrias e “quases” que viraram fracassos, voltamos a erguer uma taça e tivemos de volta a nossa alegria, aqui na nossa nova Casa, todos gremistas sentimos que ali agora é o nosso lugar. Os mais resistentes, como eu, se renderam: a Arena é nosso lar, Humaitá/Vila Farrapos é nossa vizinhança. Assim como o Olímpico e Azenha eram antes.

Aí eu pensei também, Renato, em como nesses mesmos cinco anos Porto Alegre decaiu. Não começou em 2012, claro, mas aquela cidade do qual tanto nos orgulhávamos e curtíamos anda descuidada e vilipendiada por seus próprios filhos. Fiquei pensando em como gostaria de voltar a sentir aquelas coisas positivas e otimistas sobre a Capital (e o mundo todo, na verdade) que sentia nos tempos de faculdade.

Eis que, parado em cima da bicicleta em frente ao Iberê, e observando aquela beleza toda, vi mais uma vez o porquê de, apesar dos tantos pesares, ainda dizer que a Capital dos Gaúchos é demais – e sentir a dor infinita das suas ruas por onde jamais passarei. Amor é amor, com todas as suas qualidades e defeitos, mesmo que seja por um lugar, Porto Alegre, o Olímpico ou a Arena. Que POA se reerga como se reergueu o Grêmio. Mas já divago demais aqui.

O fato é que tudo isso traz toda a história de uma vida relacionada ao Imortal, que fez com que o jogo de hoje fosse o gatilho de uma lembrança (que virou uma refestelada mexida pelas memórias). Afinal, neste exato momento, tudo se volta em nossas vidas gremistas para a decisão da próxima quarta-feira, contra o Lanús. Eu não sei os outros, Renato, mas eu só consigo pensar nisso.

Daí que, em meio a esse turbilhão de sentimentos, parei para assistir à partida com uns amigos em dois barezinhos da Cidade Baixa (cada tempo em um deles). E o jogo? O jogo foi um mero detalhe, tal qual o sortudo gol do Kannemann. Claro, não que eu estivesse tão BLASÉ a ponto de não xingar o juiz ou o Jael (que entrou mal, para variar).

Não fui à Arena não por falta de vontade ou de disponibilidade, Renato, mas olha… Se dependesse de mim, esse jogo de hoje nem tinha acontecido. Nem a próxima partida contra o Santos. A verdade é que, por mim, essa próxima SEMANA seria eliminada da EXISTÊNCIA, e hoje já seria o dia 22.

Pode ser qualquer jogo, em qualquer lugar, a qualquer horário, válido por qualquer campeonato, eu sigo acompanhando o Grêmio, Renato. Mas só me interessa a primeiro partida da final da Libertadores contra o Lanús. O único canto que ocupa minha cabeça incessantemente é aquele “Vamos Tricolor, queremos a Copa!”. QUEREMOS A COPA, RENATO!

FORA, FIM DE SEMANA! A vida que espere pela decisão, não o contrário!

Saudações Tricolores!

Segue o baile…

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O Constanze Quartet trouxe Mozart e Draeseke para invadir o quartel do StudioClio

O Constanze em Ouro Preto, dias antes de chegar a Porto Alegre | Foto: perfil do Facebook do grupo

O Constanze em Ouro Preto, dias antes de chegar a Porto Alegre | Foto: perfil do Facebook do grupo

Domingo passado (12) fazia um dia lindo. A temperatura também era agradável. Ao final da tarde, às 19h, para coroar o dia e o belo fim de semana cheio de encontros com gente legal, eu e Elena fomos ao StudioClio para ouvir o Constanze Quartet. O Constanze é formado por quatro mulheres da Salzburg Chamber Soloists. Elas tocaram na quarta-feira anterior com a orquestra no Theatro São Pedro e aproveitaram a estadia na cidade — a orquestra também tocou em Pelotas — para um recital do quarteto. E o dia continuou lindo.

Sem nunca tê-las ouvido, eu tinha sido consultado sobre onde poderiam tocar. Indiquei o StudioClio, lugar perfeito para Música de Câmara e, logo na entrada, vi a primeira violinista Emeline Pierre, que me agradeceu a sugestão após elogiar o local e sua acústica. Claro que fiquei feliz e fui sorridente receber nossos ingressos, quando dei uma gaitada.

Quartel e "sexta-feira"...

Quartel e “sexta-feira”…

Ficamos pensando no “Quartel”. Ora, o L fica bem longe do T no teclado. No que estaria pensando o autor nos ingressos no momento de emiti-los? Ou teria sido obra do maldito corretor ortográfico? Eu acho que o nome “Constanze” é uma homenagem a Maria Constanze Cäcilia Josepha Johanna Aloysia Mozart (née Weber), esposa de Mozart. Achei curioso dar o nome de uma mulher a um quartel, ainda mais sendo a de Mozart e não a mãe de um milico.

Surpreendentemente, o Clio estava lotado, apesar de que há gente que diz que neste horário só vão dez pessoas. OK.

Elas iniciaram pelo Quarteto K. 465, “Dissonâncias”, de Mozart. É uma obra-prima e as meninas eram mesmo tudo aquilo que prometiam.

Constanze Quartet (1)

O Quarteto Constanze é um grupo de transpira cultura musical, é bem trabalhado e tem uma sonoridade distinta, dessas que fazem a gente buscar outra posição na cadeira, uma que combine com o que se ouve. A coisa é muito refinada. Cada nota emitida por Pierre e pela violoncelista Platero parecem trazer séculos de conhecimento de estilo, mas o mais importante é que elas são um conjunto perfeitamente integrado, onde o virtuosismo de cada uma não atrapalha o todo. O Quarteto de Cordas é uma forma de arte bastante complexa, o campo preferido pelos compositores para suas experimentações. Mas é uma forma que não grita, estando mais conectada aos conhecedores da arte musical do que ao grande público, sendo uma espécie de símbolo de “bom gosto”. Com esta opinião, tento dizer que sempre tenho alta expectativa sobre os quartetos que ouço e o Constanze cumpriu todos os quesitos de alta qualidade.

Vocês sabem que eu escrevo meus absurdos de minha cabeça, mas sou um aluno da Elena. Ou seja, ela não somente me dá presentes musicais, como me ensina várias coisas da vida e da música. Uma das coisas que estou quase aprendendo é o sotaque dos músicos. Russos tocam como russos e, às vezes, tocam como russos não somente música russa. Cada etnia tem seu sotaque também na música. Assistimos em Londres, por exemplo, uma respeitada pianista russa interpretando Sonatas de um compositor que poderíamos chamar de Betovenov, pois Beethoven não era.)

Digo tudo isso para afirmar que o que as moças tocavam era puro Mozart. Todo o fraseado, a elegância, as sutilezas e a respiração de Wolfgang estavam presentes. Foi um momento muito especial. Eu e Elena nos olhamos e… puxa! A obra é chamada de Dissonâncias em razão da lenta introdução. Acho que vocês já adivinharam o que tem lá. Quando mostraram o Quarteto das Dissonâncias para Haydn, ele disse que era um equívoco, que aquilo não podia ser. Então, lhe disseram: “Mas é de Mozart”. E o velho respondeu: “Bem, neste caso, trata-se de um flagrante erro de minha parte. Eu é que não entendi.” Detalhe: o Quarteto, que é o melhor que Mozart escreveu, faz parte de um grupo todo dedicado a Haydn.

Constanze Quartet (x)

Depois foi a vez do Quarteto Nº 2, Op. 35, de Félix Draeseke (1835-1913), compositor romântico que compunha e combatia na trincheira de Brahms — se não me engano, ele depois se bandeou para a trincheira de Wagner, mas ele não engana ninguém: sua música é ultra Brahms-like, só que ainda mais densa e intrincada. E informamos a vocês que o Constanze Quartet vai gravar a integral dos Quartetos de Draeseke e que eu gostaria de ouvir, porque realmente gostei do cara. Seu quarteto Nº 2 é denso e belo como Brahms, longo e difícil como Bruckner. Ou seja, fica entre dois compositores que amo.

Constanze Quartet (2)

Foi uma noite realmente significativa o porto-alegrense amante da música. Você não foi? Lamento. E, das três fotos abaixo, a última me faz rir.

Constanze Quartet (3)

O Quarteto Constanze é formado por Emeline Pierre (violino), Esther Gutiérrez (violino), Sandra García (viola) e Marion Platero (violoncelo).

Constanze Quartet (4)

Constanze Quartet (5)

Fotos do iPhone de Elena Romanov.

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Ah, tempo! As fotos de Cláudia Beylouni Santos e/ou Norberto Flach:

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Bom dia, Odair Hellmann (com o compacto de Oeste 0 x 0 Inter)

Não tenho vontade de te dar os parabéns nem de comemorar. Foi uma classificação que me deixou aliviado mas também melancólico. Achei estranha minha reação e fui ver o que outros pensavam. Li vários grupos esclarecidos de redes sociais — eles existem! — e não sou o único: muitos, mas muitos mesmo, diziam que nosso time passou facilmente para a Série A mais por demérito dos adversários do que por alguma qualidade nossa. Entramos porque temos mais dinheiro, quadro social, patrimônio e torcida. Entramos porque nossos jogadores são pouca coisa melhores, apesar de nossa folha de pagamento ser 30 vezes superior a de alguns times da B. Ou seja, estamos de volta à Série A com uma estrutura pesada e nem um pouco moderna, prontíssimos para dar fiasco novamente. Fomos para a Série A tendo perdido o ano de 2017.

Torcida ontem em Barueri: merecendo coisa melhor | Foto: Ricardo Duarte

Torcida ontem em Barueri: merecendo coisa melhor | Foto: Ricardo Duarte

Nossos seis últimos técnicos foram reflexos de uma diretoria desatualizada, que não entende o futebol moderno. Argel, Falcão, Roth, Lisca, Zago e Guto não foram impostos ao clube, foram procurados e contratados. Então, a culpa maior é da diretoria que os trouxe a alto custo. Já citei nomes de técnicos que me agradam, mas não adianta nada se não houver profissionais competentes para dar nos apontar novos rumos. Temos que voltar a formar jogadores, parar de gastar em contratos longos com jogadores de qualidade duvidosa, precisamos dar um mesmo padrão de jogo do time titular até a escolinha rubra mais jovem.

É um trabalho para profissionais, não para gente que só pensa em forrar o bolso. A mediocridade, os negociantes e os interesses estão instalados no clube. Técnicos e jogadores são a ponta visível de uma estrutura medieval e personalista de futebol. É cômico o clube só viajar em voos fretados levando jogadores que se desvalorizam devido à invisibilidade da B. E, pior, nada de bom aparece no campo. Foi um retorno humilhante, sem graça.

Espero demonstrações de competência que gerem algum entusiasmo em 2018. Pois com um quadro de sócios decrescente, a tendência é piorar tudo.

Nem vou perder tempo comentando o jogo de ontem. Que coisa feia. Que triste aquilo ser o Inter. Uns instantâneos bastam: Camilo batendo uma lateral contra sua própria cabeça, a insegurança de Léo Ortiz, a inutilidade de Sasha, Pottker jogando de cabeça baixa, como se não tivesse companheiros…

Se estou feliz com o retorno? Claro que estou. Vou até soltar um foguete. Bum.

E agora, ao trabalho, tá? Amanhã não é mais feriado.

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Balzac: o autor favorito de Marx chega ao século XXI

 Balzac: realismo e café

Balzac: realismo e café

A história do adjetivo balzaquiana – qualificativo para as mulheres que chegam aos 30 anos de idade – é no mínimo estranha e baseia-se num aparente equívoco. A leitura da Comédia Humana demonstra que as balzaquianas são exceção na obra de Honoré de Balzac (Tours, 20 de maio de 1799 — Paris, 18 de agosto de 1850). As mulheres mais utilizadas nos romances de Balzac são as jovenzinhas e as tias velhas, raramente as mulheres de 30 anos. O termo originou-se a a partir de apenas um livro de Balzac, A Mulher de 30 Anos. Trata-se de um de seus piores romances. O autor, que se caracterizou por criar um minucioso mundo de personagens que apareciam e reapareciam em vários romances em diferentes fases de suas vidas, que foi o construtor de todo um mundo que sob o grande guarda-chuva da Comédia Humana, o criador de personagens e tramas extremamente completos e complexos, escreveu, em A Mulher de 30 Anos, uma história frouxa, desarticulada e meio sem pé nem cabeça. Ruim mesmo. Balzac devia estar apressado e premido por dívidas, o que frequentemente lhe acontecia. Apesar disto, o título do pequeno livro inspirou os brasileiros a criarem o termo “balzaquiana”, que só existe em nosso país.

Na época de Balzac e mesmo depois, a idade de 30 anos era um turning point decisivo para as mulheres. Quando aproximavam-se do precipício da quarta década, elas ou estavam caindo fora do mercado casamenteiro para tornarem-se tias – tolerados fracassos sociais – ou, se estivessem vivendo casamentos infelizes, estariam perplexas ante o irremediável, como a personagem de Balzac.

A capa de um dos 17 volumes da edição original da Globo

A capa de um dos 17 volumes da edição original da Globo

No século XXI, os romances de Balzac seguem recebendo novas traduções e edições como talvez apenas Dostoiévski e Tolstói. Ao menos no Brasil, a “culpa” inicial possivelmente deva ser atribuída ao monumental trabalho realizado por Paulo Rónai nos anos 50, que fezo trabalho de organização, revisão, anotação, introdução e comentários dos romances de A Comédia Humana, publicada pela Editora Globo entre 1946 e 1955. São 17 alentados volumes com 88 romances. Dentre estes, memoráveis obras-primas e outros, como A Mulher de 30 anos, são “romances de mero divertimento, escritos às pressas para ganhar dinheiro”, como disse Otto Maria Carpeaux.

Eu adoro os inícios dos romances de Balzac. Eles começavam com uma calma e elegante apresentação dos personagens. O texto avançava e nos açambarcava, pois já trazia os conflitos grudados a cada um dos personagens como parasitas. Honoré de Balzac viveu apenas 51 anos e foi prolífico como poucos. É considerado o fundador do realismo na literatura moderna, mas é bem mais do que isso: é o autor clássico por excelência, um dos que solidificaram a popular forma do romance do século XIX. E ele conseguiu isto demonstrando sistematicamente como se fazer romances realistas realmente envolventes, grudentos. Como disse, o esquema é simples mas complicado de imitar. Uma apresentação dos personagens e do contexto social – Balzac era um gênio em fazer isso sem ser maçante, caracterizando cada um dos protagonistas com amor e ironia, sem deixar de fazer considerações sociológicas nada desprezíveis –, depois vinha a construção do conflito, o clímax e o desenlace. Obviamente, o esquema não é tão simplório e havia variações, além de aguda e surpreendente análise psicológica.

Marx e Engels: dois dos maiores admiradores do escritor

Marx e Engels: dois dos maiores admiradores do escritor

Mas ainda estamos no terreno das reduções, pois o imenso painel de Balzac oferecia uma visão tão completa da sociedade francesa que Karl Marx costumava declarar que A Comédia Humana tinha sido mais importante para a sua compreensão da sociedade francesa do que os muitos tratados de economia, história e filosofia lidos por ele. A mesma opinião era partilhada por Friedrich Engels, que afirmou ter aprendido com Balzac “mais do que aprendi com todos os historiadores, economistas e estatísticos profissionais do período”. O monumental romance As Ilusões Perdidas, que ocupa um volume inteiro da Comédia, inclui tem todas as características citadas. Seu realismo vai ao ponto de apresentar detalhes da contabilidade de Lucien de Rubempré. Ela é apresentada em números. Sua matéria-prima era a sociedade francesa e a “comédia humana” era encenada em suas instituições sociais.

Curiosamente, o criador de O Pai Goriot, Eugênia Grandet,  César BirotteauA Prima Bette, Esplendor e Miséria das Cortesãs e de pequenas joias como Pierrette, não era considerado um escritor talentoso. Seu realismo radical fez com que não apenas seus contemporâneos o considerassem um escritor menor, como se fosse um  documentarista dos costumes de uma época, cuja meta fosse a de expressar as modificações que ocorriam na sociedade francesa do século XIX, desde o período do Antigo Regime até o fortalecimento da burguesia.

Assim, Balzac discorria sobre temas que nunca antes haviam sido abordados em ficção, tais como a tensão entre as classes sociais na França, a economia, os meios de transporte, a recém-nascida profissão de jornalista, a vida nos cartórios, as concordatas, as práticas místicas como o espiritismo, a homossexualidade e a política num grau de detalhamento nunca antes visto, tudo dentro da forma do romance do século XIX.

Balzac, de Rodin

Balzac, de Rodin

Balzac construiu a Comédia Humana durante pouco mais de vinte anos. Morreu aos 51, após trabalhar incansavelmente por anos. Aliada à paixão pela literatura, havia a necessidade de pagar as dívidas que acumulava. Ele dormia pouco e era viciado em café, que consumia para manter-se acordado. A ideia de uma enorme série de livros que retratariam “todos os aspectos da sociedade” ocorreu-lhe em 1832, depois já ter escrito diversos romances. Quando a concebeu, correu para ao apartamento de sua irmã e disse: “Estou prestes a me tornar um gênio.” No início, o projeto chamava-se Études des Mœurs (Estudos de Costumes). Na Comédia, ele incluiu parte do que já tinha escrito e todos os romances seguintes. O mosaico de romances e novelas foi o trabalho de sua vida.

Ao mesmo tempo que sua obra, Balzac não deixava de lado a ideia de ficar rico com algum negócio. O primeiro desses empreendimentos foi a fundação de uma editora dedicada aos clássicos franceses. Embora os livros fossem muito baratos ou por causa disto, o negócio fracassou. Voltou aos negócios tipográficos depois de pedir dinheiro a amigos, no entanto, sua inexperiência causaram de novo sua falência. Depois, conheceu e se apaixonou por Laure de Berny, mulher casada com quem teve um caso. Ela lhe deu sociedade comercial a fim de abrir outra editora que não tardou em falir. Ele passou a empresa a um amigo que acabou rico como editor, mas que cobrou de Balzac boa parte do rombo com que esta lhe fora entregue. Sabe-se que, em certa época, devia cerca de 50.000 francos à própria mãe…

Esta aspiração por uma grande jogada comercial jamais abandonou Balzac. Anos mais tarde, teve a ideia de cortar 20 mil hectares (81 km²) de madeira de carvalho na Ucrânia e transportá-la até à França para vendê-la no país. Mais dívidas. O autor também fundou jornais cuja intenção era a de demonstrar uma total imparcialidade e equidistância. Também faliram.

Luciano de Rubempré, numa ilustração para uma edição de "As Ilusões Perdidas" de 1867

Luciano de Rubempré, numa ilustração para uma edição de “As Ilusões Perdidas” de 1867

Toda esta experiência de fracassos teve repercussão em sua literatura. Alguns de seus maiores romances focam-se em personagens obcecados pela ascensão social. Tais pessoas chafurdam em inglório pântano, envolvidas em questões amorosas — que muitas visavam exclusivamente o alpinismo social — , em negócios e heranças. O incrível número de romances de Balzac deve-se a um método de trabalho que incluía frequentemente 15 horas de por dia escrevendo e revisando. Nestes períodos, comia uma refeição ao final da tarde e dormia até meia-noite. Então, acordada e trabalhava até a tarde seguinte com pequenas pausas para tomar café preto. “O café é a bebida que desliza para o estômago e põe tudo em movimento.”

Engana-se quem pensa que a pressão das dívidas tornou-o um escritor descuidado. Poucas vezes isto aconteceu. Balzac era preocupadíssimo com a qualidade de seus textos, revisando-os compulsivamente. A intenção de Balzac era que a Comédia Humana tivesse 137 títulos, mas ele só obteve chegar aos 88 livros.

Se pudéssemos indicar quatro livros aos leitores do Sul21, não fugiríamos do lugar comum.

7 eu-gr

Eugênia Grandet (1833) conta a história de uma típica provinciana filha de pai rico e que é disputada por potenciais maridos. Ela se  apaixona por seu primo que,  aconselhado pelo de Eugênia, antes parte em busca de fortuna. Eugênia fica resignada à espera. Tal sinopse parece apontar para um romance triste e sentimental. Nada disso. Há uma grande ebulição em torno do personagem principal do livro, o pai de Eugênia, rico comerciante de vinhos que é um dos maiores avarentos da história da literatura.

 

8 pa-goO Pai Goriot (1834) conta a visceral história de um velho comerciante que se deixa arruinar para que as filhas, que o desprezam, possam frequentar a alta sociedade. Aqui estão também Rastignac, especie de alter ego de Balzac, jovem pobre e ambicioso da província que deseja enriquecer em Paris a qualquer custo; e Vautrin, personificação do diabo que aparecerá em vários romances da Comédia Humana. Mais que a história do personagem-título, contam-se aqui as transformações porque passa Rastignac, de interiorano ingênuo a cínico e inescrupuloso.


9 il-peIlusões Perdidas
 (1843) é o mais longo dos romances de Balzac, ainda mais se somarmos a ele sua continuação, Esplendores e Misérias das Cortesãs. No romance está o maior dos personagens balzaquianoso poeta Luciano de Rubempré, que deseja sair da província para se  famoso em Paris. Em sua tentativa, Luciano deixa-se influenciar por todos com quem cruza numa Paris onde é proibido ser ingênuo. O livro também inclui David Séchard, um impressor que inventa um tipo de papel barato, mas que sucumbe à concorrentes que se associam para destruí-lo.

10 a-prA Prima Bette (1846) é outra das obras-primas de Balzac. Pertence ao subgrupo “Os Parentes Pobres”, do qual faz parte também O Primo Pons. Neste livro, a ressentida, pobre e solteirona Lisbeth Fischer, a personagem-título, vinga-se minuciosamente de todas as humilhações verdadeiras e imaginadas, que sofreu ou teria sofrido de seus parentes ricos. Suas vítimas, várias sem nenhuma estatura moral, vêem nela um exemplo de fidelidade e sinceridade. Um estupendo estudo sobre o ressentimento.

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Bom dia, Renato! (com os lances do Grêmio 1 x 1 Vitória na serra)

Por Samuel Sganzerla

Como foi a estada lá na terrinha? Acabei não subindo a serra, como havia cogitado – em que pese ter honrado a tradição de almoçar galeto e polenta no domingo. Terminei acompanhando o jogo pela televisão e pelo rádio (sim, os dois simultaneamente, perdoem-me, ambientalistas). Tive que ouvir o pessoal da imprensa reclamar, ao cair da tarde, do “frio” de 20 ºC que fazia em plena metade da primavera em Caxias, apesar do sol. Bando de gente fresca, tchê!

Fernandinho: usando a cabeça na serra

Fernandinho: usando a cabeça em empate chocho (ou CHOCHO) | gremio.net

Bueno, sobre o jogo, aparentemente segue a pleno vapor o projeto de eliminar a EUFORIA para o final da Copa Libertadores. Após uma boa vitória contra o Flamengo no domingo passado e o sucesso dos suplentes lá em Campinas no meio da semana, entramos em campo com o time titular hoje para fazer uma apresentação morna tal quais os dias ensolarados da serra. Não que o time tenha sido de todo ruim, mas, no atual estágio, enfrentar uma equipe de qualidade técnica inferior que está na zona da degola era expectativa de vitória.

Lembra que eu te disse que o Grêmio tem dificuldades imensas contra equipes que se fecham lá atrás, Renato? Então, pareceu ser essa a proposta do Vitória, quando, mesmo no primeiro, mal teve um terço da posse de bola. Entretanto, o que se viu foi uma equipe que, quando detinha a pelota, atacava com intensidade e objetividade. Após 10 minutos que pareciam um treino nosso, eles nos surpreenderam, vindo para cima de nós com qualidade até encontrarem o gol.

Na televisão e no rádio, disseram que o Patric (aliás, PATRIC CABRAL LALAU, que baita nome!) estava impedido no momento em que recebeu a bola na cara de Paulo Victor. Eu, sinceramente, não vi nenhuma irregularidade no gol do rubro-negro baiano (um salve a Ivete, Daniela, João Ubaldo e Franciel Cruz!). Achei que estava na mesma linha. Entretanto, se é contra o Grêmio, reclamemos: xingar o juiz é o que nos une no futebol, uma tradição salutar a ser seguida (e se algum árbitro reclamar, pergunte-lhe quando foi a última vez que ele elogiou um torcedor).

Bom, mas sem nem dar tempo de arranjar desculpas, numa boa jogada pela esquerda, que terminou com cruzamento de Leonardo, Fernandinho marcou de cabeça, para empatar o jogo. O grande lance desta tarde, para ver um Alfredo Jaconi lotado e pintado de azul, preto e branco explodir. Pena que a torcida que compareceu em peso não pode sair dali mais alegre, alguns até proferindo suas vaias. Eles não entenderam o projeto PÉS NO CHÃO ainda. Como eu gosto de dizer, antes de uma decisão, só existem dois tipos de torcedores que me irritam profundamente: os otimistas que cantam vitória antes da hora e os pessimistas que chamam derrota. Mas divago!

O fato é que, à exceção de um ou dois lances do Vitória (um deles em uma falha quase fatal de Geromel, salva pelo impedimento bastante claro desta vez), a partida foi toda nossa. Principalmente a partir dos 13 minutos da segunda etapa, quando da expulsão de Fillipe Souto (ninguém mais dá o nome de Felipe ao filho sem fazer FIRULAS!?) após entrada dura em Ramiro. Mas o fato é que não soubemos aproveitar. Estávamos com um a mais, sendo que a disposição em campo aparentava que nossa superioridade numérica era de dois ou três jogadores.

Empilhamos jogadores na linha ofensiva, até aumentando um pouco a criação, mas sem transformar isso em gols. Vagner Mancini ESTACIONOU UM ÔNIBUS na frente da área (como gostam de dizer os antigos) e armou um FERROLHO bastante eficaz. Se Galeano dizia ser um “mendigo do bom futebol”, eu sou um PEDINTE DOS CHUTES DE FORA DA ÁREA. Por que todas as equipes que querem jogar esse futebol moderno Tiki-taka só buscam finalizar da pequena área? Será que ninguém mais sabe chutar da meia-entrada?

Daí o jogo terminou como se anunciou na metade do segundo tempo: um empate CHOCHO. Porém, se nós praticamente abandonamos o Brasileirão lá na 11ª rodada (falaremos sobre isso outra hora), não era faltando cinco partidas, com o Corinthians disparado lá na frente, que iríamos pensar que esse jogo valia disputa por título. O próximo confronto, quarta-feira, na Arena, contra o São Paulo, será a última partida de preparação para a final da Libertadores. Reitero, pois: cabeça lá no dia 22. É a Copa que importa!

Por fim, Renato, terminarei meu fim de semana assistindo novamente a “Tropa de Elite”, de José Padilha. Gosto de relembrar os famosos bordões do Capitão Nascimento (“Não vai subir ninguém!”). Se bem que, a despeito desta provocação BARATA, temos que cumprimentar o primeiro clube a ter confirmado seu acesso para a elite do futebol brasileiro no ano que vem, não!? Meus parabéns, América Mineiro! (Quem diria que Enderson Moreira levaria alguma equipe a algum lugar…)

Saudações Tricolores!

E segue o baile…

.oOo.

P.s.: Cornetas à parte, registro aqui a minha VAIA SIMBÓLICA para a sempre desastrosa atuação das forças policiais nos estádios brasileiros. Por piores que sejam alguns torcedores, os excessos, o abuso de autoridade e as agressões descabidas de “agentes de segurança” somente causam ainda mais revolta (ainda mais quando alguém alheio às confusões é detido e agredido, como já aconteceu muitas vezes).

Brigões e policiais truculentos apenas se retroalimentam, justificando sua existência uns nos outros. Nada que justifique ações intoleráveis por parte daqueles e arbitrariedades por parte destes. Contudo, um país violento como o nosso necessita de forças policiais preparadas, não de gente mal remunerada e despreparada achando que cassetete na cabeça e pisoteamento de cavalo é a única forma de resolver conflitos.

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Bom dia, Guto (In memoriam e com os lances de Inter 1 x 1 Vila Nova)

Espero um técnico melhor após o Sexteto Fantástico que acabou com o futebol do Inter. Eles são Argel, Falcão, Roth, Lisca, Antônio Carlos e Guto Ferreira. Eles fizeram o que eu esperava deles. Porém e muito mais importante: os culpados foram quem os contrataram. Nesta tarefa, eles foram apenas emissários dos chefes Fernando Carvalho — que ainda nos desgraça com sua influência deletéria –, Vitório Piffero, Carlos Pellegrini, Marcelo Medeiros e Roberto Mello.

Adeus, Guto. Foi horrível enquanto durou. Foto: Ricardo Duarte/ SC Internacional

Adeus, Guto. Foi horrível enquanto durou. Foto: Ricardo Duarte/ SC Internacional

Ontem, no empate em 1 x 1 contra o Vila Nova, o Inter mostrou um futebol igual ao que vinha mostrando. A saída de bola é sempre na base do chutão. Os zagueiros não parecem se conhecer, sendo que Léo Ortiz é das piores coisas que vi vestir nossa desonrada camiseta. Os laterais são jogadores incapazes de surpreender. Os volantes, quando se voltam para a defesa, têm de usar binóculos para verem os zagueiros, pois há ali um enorme buraco onde os adversários se lambuzam à vontade. A armação fica à cargo de um senhor tatuado de 36 anos. A seu lado, vemos Sasha, um jovem que a 15 jogos não faz gol nem dá assistência e que é merecida e sistematicamente substituído. Por que então é sempre escalado? Não sei. Pottker é um cara que joga de cabeça baixa e Damião, coitado, é um centro-avante que precisa de passes para sobreviver. Mas não recebe nem bons cruzamentos, nem passes para fazer parede. Resta-lhe marcar os zagueiros adversários que insistem em sair jogando com bola no chão. (Pottker também gosta de chutar em zagueiros parados à sua frente, sem tentar o drible ou se esquivar. Apenas chuta. Normalmente, dá contra-ataque para o adversário.)

A saída de Guto Ferreira, confirmada após o glorioso 1 x 1 de ontem, já devia ter ocorrido há bastante tempo. Fala-se em Abel Braga. Acho que ele só serviria para formar um Septeto Fantástico. É decadente e ama manter seus amigos bruxos no time, sem interessar a produção deles. Meus preferidos são mais modernos. Prefiro, obviamente, Roger Machado ou Jair Ventura. São caros? Por favor, nem me venha com esta conversa, o Inter paga bem demais. Sasha recebe 250 mil mensais, se não me engano e, dia desses renovaram com Cláudio Winck e Carlinhos. Jogar dinheiro pela janela é nossa especialidade. Quem sabe a gente para e experimenta pagar pela competência?

Nosso técnico para estes 3 jogos será Odair Hellmann. Ele já deu mostras de ser melhor do que Guto. Aliás, se não arranjarem um bom nome, fiquem com Hellmann`s que acho que a maionese não desanda.

Estamos em segundo lugar com 64 pontos e nos falta 1 para confirmar a classificação. Um ponto. Mas está complicado. O líder América-MG já está classificado com 66 pontos. Próximos jogos:

14/11 (terça-feira, às 20h30) – Oeste x Inter
18/11 (sábado) – Goiás x Inter
25/11 (sábado) – Inter x Guarani

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O homem que desprezava o Bolero de Ravel

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O compositor Maurice Ravel (1875-1937) foi um sujeito fino e bem-humorado. Depois da estreia de sua obra mais conhecida, o Bolero, uma pessoa da plateia afirmou que o compositor só poderia ser louco, ao que Ravel respondeu sorridente: “Ela compreendeu perfeitamente”. O compositor efetivamente desprezava sua peça mais famosa, achando-a trivial. Ele escreveu um texto nada entusiasmado para a estreia da obra:

É uma peça de 17 minutos que consiste de puro tecido orquestral sem música — um longo e muito gradual crescendo. Não existem contrastes, não existe nenhum desenvolvimento exceto no plano e na forma de execução. O tema é totalmente impessoal, pode-se tocá-lo com apenas um dedo no piano. Trata-se de temas populares hispano-árabes e, apesar do que possa ter sido dito em contrário, a escrita orquestral é simples e direta, sem qualquer tentativa de virtuosismo. Fiz exatamente o que queria e cabe aos ouvintes decidirem se devem amar ou odiar o Bolero.

O título inicial era Fandango. No entanto, este ritmo lhe pareceu uma dança demasiado rápida e o nome foi alterado para bolero, outra dança tradicional andaluz. A música foi composta por encomenda da bailarina russa Ida Rubinstein. Apesar de hoje fazer parte do repertório de concertos, na origem era um balé.

Abaixo, o Bolero com a Sinfônica de Londres, sob a direção de Valery Gergiev.

Joseph-Maurice Ravel nasceu na cidade de Ciboure, França, em 7 de março de 1875. Recebeu as primeiras aulas de piano aos sete anos, junto com o irmão Edouard, três anos mais novo. Seu enorme interesse pela música chamou a atenção dos pais que, em 1889, o matricularam no tradicional Conservatório de Paris.

Curiosamente, mesmo com os excelentes professores do Conservatório, ele nunca aceitou bem as aulas e, após algum tempo, largou o aprendizado formal para estudar composição sozinho. Durante anos tentou vencer o Grande Prêmio de Música de Roma, evento que consagrava novos talentos. Considerado um dos favoritos à conquista em 1905, sofreu nova derrota por ser muito revolucionário para o conservadorismo do juri. Por já ter certa celebridade devida à Sonata para Violino (1897) e à Sheherazade (1898), sua derrota provocou escândalo público e a mudança na direção do Conservatório.

O revés de Roma deixou Ravel ficou muito contrariado, talvez traumatizado, e desde então ele passou a ser cuidadoso nas ocasiões públicas fora de concertos, chegando a recusar distinções como a Legião de Honra, principal condecoração francesa. O compositor evitava frequentar os salões em pleno auge da belle époque europeia.

Sua primeira peça famosa foi a impressionista Pavane pour une infante defunte, composta em 1900, quando Ravel tinha vinte e cinco anos. Devido à origem basca, Ravel tinha uma predileção especial pela música espanhola. A pavana é uma tradicional e lenta dança espanhola, que gozou de popularidade entre os séculos XVI e XVII. A peça foi escrita em 1899 para piano, durante os estudos do compositor no Conservatório de Paris. Ele a orquestrou em 1910. Segundo ele, ela não evoca nenhum momento histórico, mas somente a dança de uma jovem princesa imaginária na corte espanhola. Também, segundo o compositor, a música não deve levar o ouvinte a pensamentos funéreos. Ravel afirmou que o motivo do título da peça era porque gostava do som da combinação das palavras “infante défunte”

Quando eclodiu a Primeira Guerra Mundial, Ravel deixou de compor. Tentou alistar-se no exército francês, mas foi rejeitado por razões médicas, acabando como motorista militar. Após a guerra, concluiu o poema coreográfico Wien (Viena), que depois teve seu título alterado para La Valse. La Valse foi concebida como uma homenagem à valsa vienense. Ele queria ver La Valse como um grande balé e chegou a apresentá-la ao empresário Serguei Diaghilev em 1919, mas este a considerou inadequada. É uma de suas obras-primas.

A cigana Tzigane foi encomendada pela violinista húngara Jelly d’Arányi. A instrumentação original é para violino e piano. A composição tem um movimento com duração aproximada de dez minutos. Tzigane demonstra a capacidade do compositor de criar música para violinistas virtuoses ao estilo de Paganini e Sarasate. É a música ideal para o violinista apresentar sua habilidade e carisma no instrumento. Os temas utilizados não são tradicionais ciganos, todos são originais de Ravel.

Concerto para Piano em Sol maior e o Concerto para Piano para a Mão Esquerda vieram à luz nos anos de 1930 e 1931. O Concerto para mão Esquerda (1929–1930) foi dedicado ao pianista Paul Wittgenstein, irmão do filósofo Ludwig Wittgenstein, Paul foi um grande pianista que perdeu o braço direito durante a Primeira Guerra Mundial. Ele não se conformava com o fato e escreveu a vários compositores pedindo-lhes que escrevessem músicas que pudesse tocar. Ravel estava ocupado com a composição de um concerto para piano (o em Sol Maior, para duas mãos), mas interrompeu o trabalho para atender Wittgenstein.

O citado Concerto em Sol Maior foi composto entre 1929 e 1931. O concerto é fortemente influenciado pelo jazz e por Gershwin, que Ravel tinha conhecido em uma turnê pelos Estados Unidos realizada em 1928. O jazz era muito popular em Paris. Ravel observou que “A parte mais cativante de jazz é o seu ritmo rico e divertido. É uma inspiração para os compositores modernos e estou surpreso que tão poucos americanos sejam influenciados por ele”. Ravel desejava ser o solista na estreia da peça. No entanto, os problemas de saúde impediram que ele participasse da estreia.

Voltando no tempo, destacamos o esplêndido Quarteto de Cordas. Ravel estreou na música de câmara com este quarteto, escrito entre dezembro de 1902 e abril de 1903. A obra foi dedicada a “meu querido mestre” Gabriel Fauré… Mas a reação de Fauré foi de desaprovação. Por outro lado, Claude Debussy gostou muito do quarteto e ficou assustado com a possibilidade do jovem Ravel, então com 27 anos, revisar o quarteto a fim de agradar ao mestre e pediu: “Em nome dos deuses da música e no meu próprio, não mexa em nada do que você escreveu”. A estreia, em 1904, provocou opiniões controversas. Pierre Lalo, por exemplo, considerou-o “indecentemente próximo de Debussy do ponto de vista da harmonia, da sonoridade e da forma”, enquanto o crítico do jornal “Mercure de France” vaticinou: “É preciso fixar o nome de Maurice Ravel. Ele será um dos mestres de amanhã”.

Ma mère l’oye é Mamãe Gansa. A peça foi escrita originalmente para o piano como um presente a dois filhos de amigos do compositor e publicada em 1910 para ser tocada a quatro mãos. Foi inspirada nos contos de fada de Charles Perrault e da condessa d’Aulnoy. No mesmo ano, seu amigo Jacques Charlot a transcreveu para piano solo e, em 1911, a peça foi orquestrada pelo próprio Ravel que adicionou novas partes e a transformou num balé.

Quadros de uma Exposição não é uma obra de Ravel. Trata-se de uma Suíte para Piano escrita pelo russo Modest Mussorgsky em 1874. A orquestração que Ravel preparou para a peça é tão perfeita e valorizou da tal forma as nuances dos temas que se tornou impossível falar apenas na autoria da música quando se ouve a versão orquestral. Ao fazer o arranjo, Ravel prestou um grande serviço póstumo a Mussorgsky, tirando-o da obscuridade. Quadros de uma Exposiçãodescreve uma visita a uma exposição de quadros. Os temas isolados de cada quadro são unidos pelo mesmo tema de abertura, o passeio, interpretado com diferentes harmonias através da obra.

Os últimos anos de Ravel foram afetados pela Doença de Pick. É um mal neurodegenerativo incomum que afeta a capacidade de raciocínio, a linguagem e o auto-controle. É semelhante ao Mal de Alzheimer, mas na doença de Pick os sintomas comportamentais aparecem muito antes da perda de memória. Ele foi submetido a uma inútil cirurgia no cérebro em 1937, morrendo alguns meses depois.

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Uma grande noite: o concerto da Salzburg Chamber Soloists no TSP

10685768_10152812945582398_2259737904797989998_nNesta quarta-feira (8), fomos assistir ao concerto da Salzburg Chamber Soloists no velho Theatro São Pedro. Conhecia o grupo apenas através de alguns excelentes CDs que possuo. Já seu fundador e diretor artístico, o violinista e regente Lavard Skou-Larsen, é meu conhecido de outros carnavais. Já vi Lavard regendo a Ospa — entrevistei-o na época — e tocando com grupos menores no próprio TSP. O programa era ótimo, bastante afastado daquele mais do mesmo habitual:

Ernest Chausson: Concerto para Violino, Piano e Cordas, Op. 21
Solo: Lavard Skou-Larsen – Violino
Phillippe Raskin – Piano

Wolfgang Amadeus Mozart: Divertimento em Ré Maior, KV 136

Maurice Ravel: Quarteto de cordas em fá maior
(arranjo para orquestra de cordas: Lavard Skou Larsen)

A orquestra é a coisa mais linda que eu já vi passar. Não por Lavard, mas pelos outros, ou outras, pessoas cheias de graça num doce balanço a caminho do mar. Como quase toda orquestra europeia, há uma maioria de mulheres. Elas são jovens, belas e, no conjunto de 16 membros, há 13 nacionalidades diferentes, vindas de 4 continentes. Há apenas um violinista com passaporte austríaco, só que ele nasceu na Colômbia. Suponho que tenha casado com uma nativa.

Antes de tocar o Chausson que abria o programa, Lavard contou a história da morte do compositor. É uma tragédia cômica ocorrida quando o compositor tinha 44 anos de idade. A gente lamenta, mas ri. Certo dia, depois da chuva, ele vinha de bicicleta descendo por Montmartre, um dos bairros mais charmosos de Paris, quando se desequilibrou, bateu de cabeça num muro e perdeu a consciência. Só que, casualmente, caiu com o nariz numa poça d`água de uns 10 centímetros. A consequência é que morreu afogado no meio da rua, bem longe do Sena.

Sua música é muito boa, de uma gravidade e dramatismo muito particulares. Se Proust fosse compositor, talvez soasse como Chausson: lírico, apaixonado, mas sem grandes gestos. Chausson escreveu bem e pouco, pois, antes de bater a cabeça, passava a maior parte de seu tempo nos salões de Paris, com artistas célebres como Odilon Redon e Vincent d’Indy. Como os poetas que frequentava, parecia buscar a palavra perdida sob a onda invasora do cientificismo da virada do século. A Chausson só faltou tempo para que se tornasse um dos mais importantes autores de sua época. Este Concerto, originalmente para piano, violino e quarteto de cordas, é sua obra-prima. A peça é longa, de mais de 40 minutos, e foi levada com grande senso de estilo e competência pela orquestra. 

O Divertimento K. 136, de Mozart, tem três movimentos — rápido-lento-rápido, à maneira da sinfonia italiana. É o primeiro de um grupo de três divertimentos, também conhecidos como Sinfonias de Salzburgo. Essas obras se destacam das sinfonias restantes de Mozart na medida em que são escritas apenas para cordas. Um outro ponto que separa essas composições das outras Sinfonias de Mozart é que elas são compostas apenas em três, em vez dos quatro movimentos habituais. Aqui, não existe um minueto como terceiro movimento. E, finalmente, a forma compacta de três movimentos distingue ainda mais as Sinfonias de Salzburgo de outros Divertimentos e Serenatas de Mozart, que possuem mais movimentos ou formas mais livres. É Divertimento, é Mozart, então parece leve, mas é ousado e arrojado.

Lavard é um especialista em Mozart. A interpretação fluiu muito bem, com a orquestra animada, trocando sorrisos entre si, num clima de bom humor que parecia por si só empurrar a música.

Na área de quartetos de cordas, é fácil fazer a contabilidade de Ravel: tal qual Debussy, ele escreveu somente um, mas que quarteto! Ravel foi um daqueles raros grandes criadores que se revelam desde as primeiras obras: na Habanera dos Sites Auriculaires, por exemplo, escrita quando o compositor tinha apenas vinte anos de idade, a personalidade do autor já estava bem definida.

Ravel e sua geração contribuíram para que a música saísse do armário, de seu mundo isolado, para uma atmosfera mais ampla, onde pudesse se relacionar com outras artes. Ele foi um músico poeta, bastante incompreendido por seus contemporâneos. Já nossa época o colocou no merecido Olimpo. O maravilhoso e difícil Quarteto de Ravel é menos radical do que o de Debussy de dez anos antes. É puro Ravel, mas talvez ele não existisse a influência de “Debbie You See”. Aliás, mesmo caso do primeiro quarteto de Bartók. Mas o de Ravel é o meu preferido dos três, muito mais melodioso do que os outros. A transcrição de Lavard para orquestra é uma preciosidade.

Passando a régua, afirmo-lhes que a Salzburg Chamber Soloists fez um concerto de altíssimo nível. Os caras tocam com tesão, alegria, musicalidade e grande técnica. A sonoridade é muito bonita, os ataques são fulminantes e exatos. A cada obra foi dada sua personalidade. Chausson, Mozart e Ravel são muito diferentes entre si e foram tratados distintamente. Na orquestra, há músicos fantásticos como os violinistas Lavard Skou Larsen e Emeline Pierre, a violoncelista Marion Platero e outros que não saberia citar por desconhecimento. (O que foi aquilo que fez o Moisés Irajá dos Santos no bis de Piazzolla?). Foi inevitável sair feliz do TSP, quase comemorando o que raramente se ouve neste canto do mundo, tão esquecido da cultura.

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Bom dia, Renato (com os melhores lances de Ponte Preta 0 x 1 Grêmio)

Por Samuel Sganzerla

Bom dia, Renato!

De cara, deixa eu te confessar uma coisa: como ontem me liberei dos compromissos profissionais um pouco mais tarde, acabei perdendo os primeiros 20 minutos do jogo. Eu poderia ter escutado no rádio o início da partida, mas tive que sentir aquele GOLPE DIÁRIO na vida do trabalhador brasileiro: deixar de ouvir o futebol, o noticiário de sua preferência ou uma música para aguentar aquele RESQUÍCIO DE ESTADO NOVO chamado “Voz do Brasil”. Mas divago.

O fato é que era um joguinho com o time quase todo reserva ontem, né!? Então já sabíamos: seria uma partida bem feia. Sem decepções quanto a isso, pois. Um sistema defensivo que conta com Bressan, Thyere, Marcelo Oliveira e Jaílson para enfrentar um adversário que não vencemos em seu estádio pelo Brasileirão há quase quatro décadas. Ou seja: TE VIRA, MARCELO GROHE! No final, foi ele mesmo o homem do jogo, fechando a meta nas várias oportunidades criadas e desperdiçadas pela Ponte Preta.

Por óbvio, temos que agradecer também a RUINDADE do time campinense. Não é à toa que estão seriamente ameaçados de rebaixamento. O meio campo deles tinha dificuldades de trocar três passes certos. Quando conseguiam acertar, contando também com nossos erros (de posicionamento da equipe e individuais), parecia que nada dava certo para eles. “Quando a fase é ruim…”, já diria algum filósofo de mesa de bar. Mesmo assim, não foram poucos os sustos que tomamos, e temos que agradecer à deficiência técnica de Léo Gamalho por termos saído de Campinas sem levar gol.

Agora, Renato, eu acredito que o Jael deva jogar muito nos treinos, ter bons indicadores avaliados pela equipe técnica e ser da tua confiança. Todavia, ontem novamente ele alternava um lance em que demonstrava boa visão de jogo, como foi o passe para Léo Moura no lance do gol, com vários outros em que fica evidente que ele e a bola não andam vivendo uma relação muito harmoniosa. Convenhamos: os números dele ainda são piores do que os do Braian Rodríguez e de “Chengue” Morales (para só ficar nesses dois no assunto “contratações gremistas que foram um fiasco”). Se Jael pretende ganhar o título de pior centroavante da história do Grêmio, está no caminho certo, mas não creio que seja um bom momento para isso.

Ramiro comemora seu gol de cabeça | gremio.net

Ramiro comemora seu gol de cabeça | gremio.net

No mais, merece destaque o lance do nosso gol. Léo Moura, do alto de seus 39 anos, mostrou uma qualidade de um lateral à moda antiga: saber fazer um cruzamento na área. Foi uma bola PERFEITA na cabeça de Ramiro, o nosso PEQUENO-GIGANTE, que mal precisou sair do chão para marcar o tento da vitória. Mesmo sendo o time reserva, o que me satisfaz num lance como esse é ver que o Grêmio tem padrão de jogo, que basta acertar a troca de passes e o posicionamento que boas chances são criadas. Claro, quando a qualidade da equipe em campo não é a mesma, isso já fica mais raro, mas pouco importa.

De resto, Renato, foi um jogo bem medíocre. Não que se esperasse muito mais coisa, vide os tenebrosos jogos que tivemos no Campeonato Brasileiro com os suplentes. Pelo menos ontem saímos com a vitória do Moisés Lucarelli, quebramos um tabu de 36 anos sem vencer lá pelo Brasileirão e a equipe segue trabalhando com confiança para nossos objetivos maiores. Vale ressaltar a boa atuação de Michel ontem, mostrando que está de volta ao seu ritmo de jogo.

De notícia ruim, Marcelo Oliveira e Beto da Silva saíram do jogo machucados. O lateral pode ter suas deficiências, mas é suplente imediato, uma pessoa da tua confiança e uma liderança no vestiário. Seria muito ruim perder. E preocupa também a possível ausência do atacante peruano, já que o garoto tem entrado bem há vários jogos e é um dos inscritos para a final da Libertadores. É trabalhar para que estejam bem para o dia 22.

Por fim, Everton teve sua chance como titular, como tanto te pediram depois da atuação estupenda dele no domingo. Mas ontem ele não apareceu muito, tendo uma atuação bem discreta. Agora, não que isso seja de alguma relevância, pois só será possível avaliar seu desempenho em um jogo de 90 minutos quando jogar com o time titular (do contrário, seria sacanagem com o garoto). Nós torcedores continuamos confiando no Cebolinha, que há tempos vem sendo fundamental para a equipe, esteja ele em campo desde o início ou entrando ENDIABRADO na segunda etapa, para infernizar os marcadores.

Nosso próximo jogo será contra o Vitória, lá na minha terra natal. Iremos a Caxias do Sul mandar a partida no estádio Alfredo Jaconi, visto que no sábado a Arena receberá o Coldplay para um grande show (até pensei em ir, mas muito o ingresso está muito caro para uma banda que até gosto, mas nem acho lá tudo isso). Talvez eu suba a serra, aproveitando para ir visitar a família e ir encher a tua paciência lá do alambrado (mentira, já deu para perceber aqui que sou bem chapa-branca contigo, né?!). Se quiser chegar lá na casa da família para tomar um vinho e comer queijo serrano e salame, já fica o convite, Renato. Convida a Carol também, se ela estiver por aí.

Saudações Tricolores!

Segue o baile…

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Lendo Oblómov

OblómovEstou lendo cada vez mais lentamente Oblómov e não é por não estar gostando. É que não dá para interromper os capítulos no meio, há que ler cada um deles por inteiro, pois são peças muito perfeitas do mosaico que está sendo formado para serem lidas com interrupções. Dá mais prazer ler cada capítulo completo. O próximo capítulo tem 20 páginas, então preciso de 20 páginas de tempo sem correr riscos de ser atrapalhado.

Oblómov é a história de um latifundiário russo que se caracteriza pela indolência e apatia, para não dizer coisa pior. Deitado em seu sofá, olhando para o teto, ele deixa passar os dias. Embora vários problemas o atormentem — principalmente sua fazenda, que cada vez gera menos dividendos –, ele apenas planeja a melhor maneira de resolvê-los, sem agir. A mera ideia de deixar sua poltrona causa-lhe desconforto, então ele deixa a inércia guiar sua vida, que vai de mal a pior. A vida passa ao largo. Mas não pensem que é um livro monótono, muito pelo contrário, é bastante movimentado e os diálogos e os pensamentos de Oblómov são vivíssimos. Ele realmente tem o ócio como bandeira.

Ele tem um amigo de infância, Stolz, que é o que poderíamos chamar de homem de ação. No pequeno tempo livre de que dispõe, ele tenta retirar seu amigo da inação em que vive imerso. Instiga-o a resolver imediatamente seus problemas, a viajar e viver. Graças a Stolz, Oblomov conhece uma jovem por quem se apaixona. Então, vive um curto despertar. Aluga outra residência, visita e visita a amada. Porém, antes de casar, tem que resolver os assuntos de sua propriedade. Além disso, Olga quer que ele esteja atualizado com o que está acontecendo no mundo. Mas tudo isso parece ser uma demasia para ele.

Ele mora na cidade, mas planeja construir uma casa em sua propriedade para lá morar com Olga, mas seus rendimentos são decrescentes e o descontrole é absoluto. O que faço, o que faço, o que faço? Ele tem boas ideias a respeito, está consciente de tudo o que lhe ocorre, só que é o Rei da Procrastinação, o Príncipe da Indolência… Dispõe de criados que o servem e roubam. Zakhar, o principal deles, é um tremendo personagem, assim como todos os que circulam pelo romance.

O livro gerou uma expressão na Rússia: oblomovismo. Iliá Ilitch Oblómov representaria a velha Rússia czarista, com suas relações de trabalho e corrupção feudais. Os patrões são aristocratas inúteis, os servos são escravos. Já Andrei Stolz representaria o futuro e o progresso. Era uma estrutura social onde uns e outros estavam em decadência e se os grandes temas da humanidade são o amor, a morte e a existência ou não de Deus, creio que a decadência mereça o quarto lugar.

P.S. — Estou na página 490 de 736.

Cena do filme Oblómov, de Nikita Mikhalkov

Cena do filme Oblómov, de Nikita Mikhalkov

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Bom dia, Guto (com os gols de Luverdense 2 x 2 e a grande frase de Guto)

Na entrevista de final de jogo, tu estavas contrariado, Guto. Talvez com tua própria impotência. Então resolveste atacar os jornalistas. Primeiro, fingiste pasmo com o fato de eles não terem notado a “profunda mudança” de esquema do 4-1-4-1 para o 4-2-3-1. Sim, recuaste Edenílson, coisa que até eu notei. Mas que tremenda alteração, Guto! E que grande mérito! Não mudou absolutamente nada, até piorou.

Mas depois tu disseste tua obra-prima, algo que vai para os anais deste implacável blog. Perguntado sobre as enormes falhas defensivas, respondeste com esta pérola: “Só toma gol o time que está em campo. Eu não tenho como tomar“.

Ninguém sabia que Camilo (foto) e Nico entrariam... | Foto: Ricardo Duarte

Ninguém sabia que Camilo (foto) e Nico entrariam em campo… | Foto: Ricardo Duarte

Brilhante. Quem está na chuva é para se queimar. Se não jogar não perde. Só bate quem erra.

Espero que a tal frase te faça cair. Queimaste os jogadores.

A verdade é que o Inter tomou sufoco do Luverdense e esta outra frase diz mais sobre o que vimos ontem. O repetido adiamento da confirmação da vaga, isso na retinha final, jogando contra times deficientes, mostra o que somos neste final de Série B. A ruindade é assustadora.

Quando nós avançávamos, os volantes Dourado e Edenílson — bons jogadores com certa vocação ofensiva — iam à frente sem serem acompanhados pela defesa. Ficava um enorme buraco entre eles e os zagueiros. Ali trabalhava o Luverdense. Isso tu não viste. Creio que estavas encantado, observando o “funcionamento” de teu novo esquema.

Novamente, todos sabiam o que ia acontecer. Entramos com Sasha, Pottker — que até fez um bom cruzamento para o primeiro gol de Damião — , Winck e Léo Ortiz, o que esperar? Sobram sete. E a incompetência contagiou Dourado e Uendel, etc. Sobram cinco.

Então sabíamos que colocarias Nico e Camilo para tentar salvar o time, coisa que eles deixaram de fazer nos últimos três jogos, pois todos os adversários já sabem o que farás.

Sasha… O que dizer dele? E é mantido.

Coitado do zagueiro Thales, que fez a sua reestreia hoje e até jogou bem. Jogar ao lado de Léo Ortiz deve ser aterrorizante. Vocês viram a falha de Ortiz no primeiro gol? Um cruzamento passa debaixo do seu pé e o cara faz o gol… Espero que a diretoria repense o grupo de jogadores para 2018. Tarefa complicada: receberemos de volta 23 atletas emprestados e outros clubes. Tudo gente contratada por Piffero. Meu deus. É nossa herança maldita.

Nada sobrevive a Argel, Falcão, Roth, Lisca, Zago e Guto.

Os próximos 4 jogos.

11/11 (sábado, às 16h30) – Inter x Vila Nova
14/11 (terça-feira, às 20h30) – Oeste x Inter
18/11 (sábado) – Goiás x Inter
25/11 (sábado) – Inter x Guarani

Temos 63 pontos e não podemos ser ultrapassados na liderança nesta rodada. Se o América-MG vencer hoje, fica com os mesmo 63, mas com uma vitória a menos. O Infobola permanece dando 99% de chances de classificação.

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Bom dia, Renato (com os principais lances de Grêmio 3 x 1 Flamengo)

Por Samuel Sganzerla

Bom dia, Renato!

Deixa eu te contar antes: no sábado, saí para tomar uma cerveja com um amigo que foi morar em São Paulo e que eu não o via há muito tempo; fomos num barzinho da Cidade Baixa para, como ele gosta de dizer, “zerar a comanda”. Uma RESENHA digna de um conto de Bukowski, eu diria. Dito isso, fui para o jogo ontem pensando se o Grêmio estaria ainda sob esse efeito de “ressaca”, após a classificação para a final da Libertadores (já que o Brasileirão não vale mais nada para nós há rodadas). Fui inclusive de espírito leve, só esperando ver uma boa atuação da equipe e torcendo para que voltássemos a vencer em casa.

Luan abraça o Cebolinha Éverton, que entrou e marcou dois gols

Luan abraça o Cebolinha Éverton, que entrou e marcou dois gols

Bueno, no início do jogo, quem parecia estar de ressaca era o Marcelo Oliveira (a despeito de as boas línguas falarem por aí que o rapaz não é de beber) – mas ele não comprometeu, sejamos justos. O Flamengo abriu mão de seu estilo mais cadenciado de jogo, focando o time na marcação e na busca de espaços pelo contra-ataque. A formação espelhada das duas equipes facilitou um jogo truncado, de muita movimentação no meio campo, mas quase nada de oportunidades criadas – teve horas que estava ruim de segurar o SONO, eu confesso. Novamente o Grêmio apresentou dificuldades para jogar contra equipes que vêm a Porto Alegre para se defender e esperar pelas nossas falhas.

Olha, Renato, por mais que eu goste de ver o Luan bem, como ele estava no primeiro tempo, fico preocupado quando o time parece depender em demasia dele. Ele flutuando na meia cancha, de uma ala a outra, mas muito sozinho, sempre com no mínimo dois nas costas. Ainda assim, ele conseguiu desferir um bom chute, defendido por Diego Alves. Jael alternou lances em que demonstrou ter certa dificuldade para dominar a bola com outros em que soube fazer o pivô e até PIFAR Ramiro, que não aproveitou o que seria a primeira assistência do CRUEL, novamente parando no goleiro rubro-negro.

O Flamengo, por sua vez, somente deu chutes à distância na primeira etapa, nenhuma no gol de Paulo Victor. Os cariocas seguiam naquele estilo de apostar nas aberturas deixadas por nós, quando subíamos para o ataque, o que poderia ter trazido mais perigos, se Márcio Araújo soubesse acertar um passe. No final do primeiro tempo, eu gostei quando tu disseste para Arthur e Ramiro subirem um pouco mais na marcação, retomando a bola com mais velocidade e compactando mais a equipe, o que permitiu impor o nosso jogo de passes trocados em velocidade. Mesmo que nada tenha ocorrido, fomos com um 0 a 0 para o vestiário que ao menos indicava que deveríamos esperar um segundo tempo melhor para nós.

Pois bem, Renato! Assim como uma pessoa que extrapola o número máximo de cervejas que sabe que deveria beber, parece que todos temos dificuldades de aprender com os próprios erros, não?! Um minuto de jogo no segundo tempo, e tudo que o Flamengo tentou fazer na primeira etapa toda ele conseguiu com um minuto da segunda etapa, esperando um erro nosso para aproveitar todos os espaços deixados abertos para o contra-ataque, e Everton Ribeiro marcando o seu gol de cabeça totalmente desacompanhado. É o que o Muricy Ramalho sempre diz, não?! “A bola pune!”

De toda forma, parece que bastou tomar o gol para que nós mudássemos de atitude. 1 a 0 nas costas e o perigo da quarta derrota consecutiva em casa (a terceira pelo campeonato nacional) fizeram com que fôssemos ao ataque e aproveitássemos o recuo do Flamengo. Entretanto, apesar da nova energia e de um time mais conectado, não fomos efetivos na primeira metade do segundo tempo. Luan e Arthur não estavam bem. Ramiro errava a pontaria. Fernandinho até deu um bom chute, mas foi tudo que ele fez enquanto esteve em campo também (outra má atuação de um dos jogadores mais contestados pela torcida presente). Logo em seguida, Marcelo Oliveira se redimiu, salvando o que poderia ter sido o segundo gol dos cariocas.

Foi aí que tu acertaste a mão, Renato, e salvou o dia! Duas mexidas certeiras, colocando Beto da Silva e Everton nos lugares de Jael e Fernandinho. Nem precisou aguardar para ver a movimentação que os dois trariam: no primeiro lance em que eles participaram, veio o gol de empate. Michel lançou na ponta, Ramiro (o pequeno-gigante) pulou mais alto para cabecear para o meio da área, Beto da Silva FUROU (propositadamente, óbvio) e Everton, o iluminado do dia, se antecipou entre Rhodolfo e Pará para tirar a tocar a bola de leve no canto oposto de Diego Alves. 1 a 1 e um alívio enorme!

Daí, nem dois minutos depois, Edilson resolveu EMULAR Gérson, numa versão destra, e fazer um lançamento EXCEPCIONAL de 40 metros para Everton entrar livre e dar uma cavadinha no canto do goleiro, virando o jogo e fazendo a Arena explodir em festa. Tudo bem que o lateral-direito flamenguista colaborou fazendo o que sabe fazer de melhor (falhar), mas isso não tirou a beleza do lance e a grandeza daquela virada. E ali apenas se consolidou o fato de que CEBOLINHA (apelido curiosamente dado a ele pelo próprio Pará, que hoje certamente terá pesadelos CHOROSOS) seria o homem do jogo e o cara deste domingo.

Dez minutos depois, veríamos Beto da Silva fazer grande jogada, também demonstrando porque a torcida flamenguista corretamente não tem mais paciência alguma com Rafael Vaz, e servindo Luan, para que o craque deixasse o seu. Ele ainda perderia um gol de cabeça relativamente fácil, mas como tem crédito com a torcida e o placar estava construído, ninguém se importou. Na verdade, naquela altura do jogo, eu até já havia esquecido da MALEMOLÊNCIA que acometia meu corpo, porque o espírito contagiante que sói pairar por cada alma Tricolor já falava mais alto do que tudo.

Nós gremistas pulávamos na arquibancada, e a emocionante virada já tinha me feito desistir de ver o jogo mais “tranquilamente”, pouco interessando a minha cabeça CANSADA. Enquanto já esperávamos o final do jogo, o Flamengo ainda colocou uma bola na nossa trave, ainda com a boa intervenção de Paulo Victor. Mas isso já não importava mais. Foi muito bom voltar a vencer na Arena, Renato. A gente precisava disso, precisava de uma vitória com uma atuação como a de hoje: um time que mostra que pode mudar a postura e a forma de jogar quando necessário e reverter um placar numa partida que se apresenta difícil.

As nossas cabeças certamente já estavam todas lá no próximo dia 22, na primeira partida da final contra o Lanús, aqui em Porto Alegre. Mas nada impediu que sentíssemos o sofrimento de quando o time foi mal e a alegria de quando se recuperou e venceu. Queremos essa confiança e esse ímpeto daqui até o dia 29. Porque, após o apito final de hoje, tudo era uma grande festividade, e nada mais poderia nos tirar aquele belo final de tarde, em que bastava olhar para cima para lembrar o quão belo é o céu AZUL.

“No meio da alegria, não teve aquele que não bebeu!”, já se entoava o canto na saída. Bom, na verdade até teve, porque eu só volto a beber no próximo final de semana mesmo – a menos que algumas Cocas-Colas valham para acompanhar a música. Mas a música que está presente em nossas mentes 24 horas por dia é outra: “Queremos a Copa”. Queremos a Libertadores, Renato! Queremos o Tri! Saudações Tricolores!

Segue o baile…

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Bom dia, Guto (com vídeo mostrando teu péssimo time em Inter 0 x 0 CRB)

É sempre a mesma coisa. Deve ter sócio por um fio. Eu estou nesta situação. Vi o jogo num bar. Nego-me a me deslocar até o Beira-Rio. Prefiro assistir num bar com minha cerveja. Estou por um fio.

Sasha: um atacante que está há 12 rodadas sem marcar e sem nenhuma assistência é mantido como titular absoluto por Guto Ferreira | Foto: Ricardo Duarte

Sasha: um atacante que está há 12 rodadas sem marcar e sem dar nenhuma assistência é mantido como titular absoluto por Guto Ferreira | Foto: Ricardo Duarte

Guto, tu sempre escalas o mesmo time, ele apresenta os mesmos problemas e tu fazes as mesmas substituições. É cansativo de ver. Tiveste mais uma semana de treinamento. Não sei como trabalhas, sei que não se vê resultados. É sempre a mesma coisa. Espero que tu sejas o último desta série de péssimos treinadores. Nada sobrevive a uma sequência com Argel, Falcão (o técnico), Roth, Lisca, Antônio Carlos e tu. Nada pode ser pior do que este Sexteto Fantástico.

Até que Pottker jogou um pouco mais ontem, mas Sasha teve atuação nula e saiu como sempre. Ou seja, tu escalas um cara que é sistematicamente substituído por deficiência técnica. Tu escalas também Danilo Silva e Winck. E, quando Danilo saiu, tu colocaste Ortiz! E nunca vimos Thales ou Fábio Alemão. Serão testados algum dia? Então jogamos com oito, porque Sasha, Ortiz (ou Danilo) e Winck não contam.

É inútil eu ficar escrevendo sempre as mesmas coisas. Quem me lê deve estar puto. O jogo foi novamente um horror, igual aos anteriores. É cansativo. O CRB é um time que hoje tem a mesma pontuação do Luverdense, primeiro time que vai cair para a Série C. Está em 16º.

Tu me pareces perdido. Por exemplo, como tu me explicas isso? No primeiro tempo, Sasha se machucou e tu colocaste o Carlos pra aquecer. No intervalo, tu fizeste a substituição de Sasha por Nico. Tu queres nos enlouquecer, né?

E o pior é que chamas este de teu “time ideal”.

Por incrível que pareça, ainda somos líderes dessa bagaça que é a Série B. Restando cinco partidas para o final da competição, temos 62 pontos, quatro à frente do vice-líder Ceará, e na próxima segunda-feira (6/11) Restando cinco partidas para o final da competição, o time colorado segue na liderança isolada, com 62 pontos, quatro à frente do vice-líder Ceará — mas o América-MG ainda não jogou na rodada e poe chegar aos 60. Na próxima segunda-feira (6/11), às 20h, enfrentamos o Luverdense fora de casa. No Beira-Rio, o próximo jogo é contra o Vila Nova-GO, no dia 11 de novembro (sábado). Não irei ao Beira-Rio novamente. Ao vivo irrita mais. A cerveja acalma.

#ForaGuto

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Uma história moderna de terror (ou de como as Redes Sociais tomaram conta de nossas vidas)

O incrível é que me foi mandado por um cara que só tem Whatsapp e que se identifica com o personagem masculino. Devo certamente evitá-lo.

Enviado pelo amigo Paulo Oliveira.

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Como salvar um breu quebrado

Elena me falou que este textinho poderia ser muito útil a todos os instrumentistas de cordas, profissionais ou estudantes, ainda mais em época de crise. Todos sabemos como é raro encontrar um breu de boa qualidade. E, quando menos esperamos, ele cai de nossa mão e quebra-se em mil pedaços, não sendo mais utilizável.

A Celina, mãe da aluna Helena, a qual já deixou escapar o breu várias vezes, ensina uma técnica fácil, prática e acessível para recuperá-lo.

Para isso, você vai precisar de uma panela para banho-maria e uma forminha de vela sem a vela dentro, é bóbvio.

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Depois do breu derreter, tira-se o mesmo do banho-maria e deixa esfriar. Então tira-se o cara da forma.

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Bons estudos com economia!

Fotos e técnica de Celina Barroso.

 

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Veja o Bola em Transe desta última terça-feira

O Bola em Transe é um programa de debates esportivos para além do que se passa no campo de jogo. O da última terça-feira — o de número 26 — contou com Francisco Éboli, Milton Ribeiro, Moysés Pinto Neto e Alexandre Pandolfo. É claro que não sabíamos da classificação de Lanús e Grêmio, mas a gente falou sobre tanta coisa e o Francisco, o Moysés e o Pandolfo são tão brilhantes que vale conferir, acho.

O mote do programa era o novo formato da disputa do Mundial de Clubes proposta pela Fifa.

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