Os melhores filmes do século XXI, segundo a BBC

Cena de A Fita Branca, de Michael Haneke

Cena de A Fita Branca, de Michael Haneke

Ao final deste post, deixo para vocês o link para a lista dos 100 melhores da BBC. Lá está, por exemplo, em 71º, o português Tabu, que estaria no meu Top 10. Destaco abaixo os 25 melhores deles.

Concordo com as presenças de Cidade dos Sonhos, Sangue NegroBrilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, A Separação4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, Holy MotorsA Fita Branca — para mim o melhor de todos — Encontros e Desencontros e Amnésia.

Além de Tabu, Cidade de Deus (38º), Amor (42º), Cópia Fiel (46º) e Dogville (76º) também estariam no meu Top 10 com A Fita BrancaCidade dos Sonhos, A Separação, 4 Meses, 3 Semanas e 2 DiasHoly Motors. Teria que arranjar lugar para A Vida dos Outros (32º).

Os 25 primeiros da BBC.

01. Cidade dos Sonhos — Mulholland Drive (David Lynch, 2001)
02. Amor À Flor Da Pele — In the Mood for Love (Wong Kar-wai, 2000)
03. Sangue Negro — There Will Be Blood (Paul Thomas Anderson, 2007)
04. A Viagem de Chihiro — Spirited Away (Hayao Miyazaki, 2001)
05. Boyhood (Richard Linklater, 2014)
06. Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças — Eternal Sunshine of the Spotless Mind (Michel Gondry, 2004)
07. A Árvore da Vida — The Tree of Life (Terrence Malick, 2011)
08. Yi Yi — Yi Yi: A One and a Two (Edward Yang, 2000)
09. A Separação — A Separation (Asghar Farhadi, 2011)
10. Onde os Fracos Não Têm Vez — No Country for Old Men (Joel and Ethan Coen, 2007)
11. Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum — Inside Llewyn Davis (Joel and Ethan Coen, 2013)
12. Zodíaco — Zodiac (David Fincher, 2007)
13. Filhos da Esperança — Children of Men (Alfonso Cuarón, 2006)
14. O Ato de Matar — The Act of Killing (Joshua Oppenheimer, 2012)
15. 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias — 4 Months, 3 Weeks and 2 Days (Cristian Mungiu, 2007)
16. Holy Motors (Leos Carax, 2012)
17. O Labirinto do Fauno — Pan’s Labyrinth (Guillermo Del Toro, 2006)
18. A Fita Branca — The White Ribbon (Michael Haneke, 2009)
19. Mad Max: Estrada da Fúria — Mad Max: Fury Road (George Miller, 2015)
20. Synecdoche, New York (Charlie Kaufman, 2008)
21. Grande Hotel Budapeste — The Grand Budapest Hotel (Wes Anderson, 2014)
22. Encontros e Desencontros — Lost in Translation (Sofia Coppola, 2003)
23. Caché (Michael Haneke, 2005)
24. O Mestre — The Master (Paul Thomas Anderson, 2012)
25. Amnésia — Memento (Christopher Nolan, 2000)

Aqui, a lista completa dos 100 melhores filmes do século XXI, segundo a BBC.

Obs. tardia: é IMPOSSÍVEL deixar O Cavalo de Turim fora desta lista. E Sobre Meninos e Lobos?

Cena de Cidade dos Sonhos (Mulholland Drive)

Cena de Cidade dos Sonhos (Mulholland Drive)

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Arthur Rubinstein disse:

Nunca pratique mais de 3 ou 4 horas por dia. Ninguém consegue concentrar-se por tempo maior, Você deve usar o restante de seu tempo aprendendo sobre a vida, o amor, a arte e todas as coisas belas do mundo. Se um jovem fecha-se para tocar o dia inteiro, o que ele poderá expressar em sua música?

~ Arthur Rubinstein ~

(É o que eu digo sempre. Sem cultura, o artista expressa sua incultura).

Arthur Rubinstein

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O imposto sotaque estrangeiro

KGB-secretsNo Brasil — ou ao menos em Porto Alegre — existe o Imposto Sotaque Estrangeiro. A Elena fala um português perfeito, está no Brasil há 18 anos, mas guarda o sotaque de quem tem o russo como língua-mãe. Dia desses, pedi um serviço, ele custou mais ou menos R$ 30 por hora. Só que no dia anterior, a Elena tinha telefonado e a coisa custava R$ 300. Não estou brincando. Falamos com a mesma pessoa em dias consecutivos. Também se a Elena, que é bielorrussa, usa um táxi, tem que explicar direitinho o itinerário, mostrando que conhece a cidade. Se não faz isso, o cara vai de um bairro a outro da cidade pelo Canal do Panamá.

Aqui, quem tem sotaque tem de ser explorado, pois certamente é rico.

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Bom dia, Celso Juarez

Situação do Inter no Brasileiro

Situação do Inter no Brasileiro

Tu sabes que jogamos melhor, Celso, mas que a vitória escapou por entre nossos dedos nervosos. Como cola de etiqueta, o azar gruda em quem está angustiado. Como explicar aquele chute de Seijas que passa pelo goleiro, bate na perna de um zagueiro do São Paulo, sobe, dá no travessão e volta como uma conta que esquecemos de pagar? E o pênalti perdido por Valdívia aos 45 do segundo tempo? Aquilo ali é sinal claro de segunda divisão. Há que puxar sei lá de onde uma calma que não possuímos. Há que fingir.

São vinte clubes e os quatro últimos caem. Então, estarão fora do 17º ao 20º lugares.

Estamos em 15º com 23 pontos, a mesma pontuação do 16º (o ascendente Cruzeiro) e do 17º (o Vitória com um jogo a menos). Para piorar, o 18º (Figueirense), com 21 pontos. também tem um jogo a menos.

O site de estatísticas Infobola até que é legal com a gente e nos dá 49% de chances de cair. Vamos ter que acreditar nos 51%.

Imagina só, Celso Juarez, se o Ernando não tivesse marcado aquele gol, nós já estaríamos HOJE no grupo do rebaixamento.

Para dar um tempero especial à nossa desgraça, tu mantiveste o Sasha no time, retirando o coitado do Nico López, sempre teu preferido para sair. Ariel entrou bem no jogo, mas talvez Nico fosse mais útil a seu lado do que assistindo o jogo de fora. Também não gostei do fato de Valdívia ter batido o pênalti. Reprovei antes da cobrança, entende? Não estaria na hora de gente mais experiente assumir a coisa? Por que não Seijas ou Ariel?

Temos que contar com a sorte e com o trabalho. O time até tem evoluído, mas os maus resultados podem fazê-lo retornar a patamares mais baixos. Enquanto isso, um dos principais culpados por nossa desgraça, Argélico Fucks, foi demitido ontem do Figueirense. Os outros, Piffero e Pellegrini estão flanando por aí, o primeiro como presidente…

O próximo jogo é domingo, 28, às 18h30, contra o Sport (26 pontos, 12º colocado). Sugiro escalar Danilo Fernandes; William, Eduardo, Ernando e Ceará; Dourado, Eduardo Henrique, Anderson e Seijas; Valdívia e Nico López. Acho que seria o melhor para este momento em que ganhamos apenas 4 pontos dos últimos 39 disputados. Chega de Arthur, Fabinho e Bob, por favor.

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Fotos do aniversário: Sequência XI

Fotos: Augusto Maurer

O Augusto deve ter algo contra os mais tímidos ou silenciosos… Fez poucas fotos da Liana Bozzetto, do Alexandre Constantino e do Nikolay, filho da Elena, que recebe alguma justiça abaixo.

NikDepois, vieram as despedidas. Foi uma bela, grande noite.

Rib100O Sylvio, com duas de minhas mais queridas mulheres, Iracema e Bárbara.

Rib101Eu e o Sylvio com a Elena — outra delas — e a Ira.

Rib102O Augusto gosta de tirar fotos iguais.

Roma100Os Romanov.

Roma101E bem, finalizando a série, reafirmo que a única ideologia que sempre segui (e me orgulho dela)

Roma102é a que dá nome a esta seção do blog, chamada simplesmente de

Roma103“Amigos, tudo”.

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Fotos do aniversário: Sequência X

Fotos: Augusto Maurer

A seriedade indicava que poderia haver problemas na ponta mais bonita da mesa. (Vejam a cara de todos, especialmente a da Elena).

Milton Elena Catia Norberto 01Não obstante a minha presença e a do Norberto Flach,

Milton Elena Catia Norberto 02digo que a Elena e a Cátia Nunes garantiam o título.

Milton Elena Catia Norberto 03 (2)Mas então eu comecei a argumentar com a mão esquerda.

Milton Elena Catia Norberto 03 (3)O Norberto bebeu. E começamos a espairecer.

Milton Elena Catia Norberto 03A Elena entrou na conversa.

Milton Elena Catia Norberto 05Os problemas voltaram e tive que fazer minha mão esquerda voltar a pronunciar-se. Norberto bebeu,

Milton Elena Catia Norberto 06e até a Cátia sorriu.

Milton Elena Catia Norberto 07A Elena parece não concordar com minha mão esquerda.

Milton Elena catia norberto 08E passar a usar a dela.

Milton Elena Catia Norberto 09Inclusive colocando-a no meu ombro — medida extrema.

Milton Elena Catia Norberto 98 (2)Fofocar é coisa boa, né?

Milton Elena Catia Norberto 98 (3)Interromper a fofoca para uma foto é até aceitável.

Milton Elena Catia Norberto 98Mas depois a gente retorna.

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Fotos do aniversário: Sequência IX

Fotos: Augusto Maurer

O Augusto é o fotógrafo oficial do casal.

Milton Elena 099Sempre dá certo.

Milton Elena 100Mesmo quando as fotos.

Milton Elena 102São quase iguais.

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Fotos do aniversário: Sequência VIII

Fotos: Augusto Maurer

Eu gosto muito do Arthur e do Pedro, filhos do Augusto.

Milton Arthur 01Só que o Pedro é maior e já está nas “noites” da vida.

Milton Arthur 02Eu e Arthur sempre tivemos excelente entendimento e ele costuma

Milton Arthur 03fazer observações a respeito de meu comportamento,

Milton Arthur 04pois eu sempre lhe contava a infinidade de merdas que fiz

Milton Arthur 05quando criança.

Milton Arthur 09Em contraposição, ele costuma me falar de como mudei com a Elena.

Milton Arthur 085Ele acha que eu fiquei mais educado e fino.

Milton Arthur 109Que coisas boas dela grudaram em mim. (Evita dizer que engordei…)

Milton Arthur 125Só que eu fico contando pra ele sobre como me livrei dos pelos na mão.

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Fotos do aniversário: Sequência VII

Fotos: Augusto Maurer

O Marcos Abreu e a Mônica Lapa foram as pessoas que nos indicaram o hotel onde ficamos na maravilhosa Salvador do Sul.

Marcos AbrO Marcos tem uma forte tendência à consultoria e também foi quem nos disse que deveríamos comprar caixas da JBL se quiséssemos ter um som perfeito em casa. Ele é engenheiro de som dos melhores.

Marcos Abreu 02Então, como não nos encontrávamos há algum tempo, tínhamos muito papo para

Marcos Abreu 03botar em dia. A Elena abandonou seu posto para dar detalhes

Marcos Abreu 04dos bons resultados de ambas as consultorias,

Marshallenquanto o Francisco Marshall, no outro canto, pensava no que faria com a Rovena no Tirol.

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Fotos do aniversário: Sequência VI

Fotos: Augusto Maurer

Nem só de conversas sobre política ou práticas sexuais adolescentes foi a mesa. Havia também o amor. Na mesa abaixo, o Augusto sacaneou o Alexandre Constantino, que tem um olhar mais inteligente e vivo do que o demonstrado. Fez melhor com a Liana, que está encantada com o neto Pedro Arthur, prestes a ver o mundo para poder enfim gritar “Fora Temer”. Mas quis mesmo dedicar-se aos jovens.

Liana AlexE começou a tirar fotos do Santiago Ortiz, importado da Colômbia, com sua namorada Lizaveta Romanov, filha da Elena.

Liza Santiago 01 (2)Tirou tantas fotos deles que vocês nem imaginam.

Liza Santiago 01Ele não parava.

Liza Santiago 02O Santiago é apenas passável mas a Liza é linda, né?

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Fotos do aniversário: Sequência V

Fotos: Augusto Maurer

Esta é a minha irmã Iracema, aquela mesma que viajou pelo mundo comigo durante minha infância. Para a idade que tem, está muito bem.

Ira (2)O garçom que nos atendia era muito confuso. Trazia tudo errado, vou contar pra vocês. Mas era honesto, tanto que impediu que eu pagasse uma conta dupla.

IraIracema é a gentileza em pessoa. Já o Arthur, sei lá.

Lat099Então o Latuff resolver fazer uma charge do Vicente pelo fato de ele ser uma pessoa tão, mas tão má, que aprecia comer coelhos. O onipresente Arhur confere.

Lat100Latuff desenha e diz “pobrezinhos dos coelhinhos, deixam cair lágrimas enquanto são assassinados para o prazer efêmero de seus predadores”.

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Fotos do aniversário: Sequência IV

Fotos: Augusto Maurer

Calma, a luz que incide sobre o rosto de Enzo Guglieri Bestetti e de seu pai Dario não é a do Pokemon Go, creio eu. E nem teria problema se fosse, digo, discordando de mim mesmo mas sendo gentil.

Dario 31Parecia fazer anos que eu não via o Dario e a Claudia Guglieri, ele de barba e ainda careca, ela de cabelos longos, muito jovem e tatuada.

Dario 33Então, o Dario resolveu rezar — foto acima — para que nos encontrássemos mais.

Dario 101Aqui, explicamos aos jovens que nos conhecemos no setor de informática das Lojas Manlec em 1985. Enzo reflete no quanto de tempo seriam 31 anos.

Dario 111Depois chega o Arthur e nós começamos a falar sobre masturbação na adolescência.

Dario 114Eu minto que nunca me masturbei na idade do Arthur. A psicóloga me encara, os outros desviam o olhar.

Dario 123Mas que acho normal fazê-lo seis vezes ao dia.

Dario 124O Enzo não dá a mínima para aquela conversa idiota.

Dario 1030Eu conheço essa cara do Dario. Ela significa: “Mas é um boca-aberta”.

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Fotos do aniversário: Sequência III

Fotos: Augusto Maurer

Este grupo estava num canto da mesa, impedidos de caminhar. Passaram a noite bebendo chope sem poder urinar, o que tornou esta noite certamente inesquecível para eles.

Branco (2)Quando ouvia a conversa deles — Ricardo Branco, Jussara Musse e Francisco Marshall –, tratavam da política nacional.

Branco 13Esses três são pessoas realmente brilhantes, mas acho que chegaram à evidente conclusão

Brancode que estamos fodidos.

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Fotos do aniversário: Sequência II

Fotos: Augusto Maurer

O Augusto pegou algumas sequências extremamente engraçadas. Aparentemente, não houve briga nem discussões na festa. Todos estavam tranquilos, apesar das discussões políticas do Francisco Marshall e do Ricardo Branco, mas…

Barb101… não é o que mostra o flagrante abaixo.

Barb102Notem como o meu cunhado Sylvio Gonçalves dispara uma risada,

Barb103como os outros — Vicente Cortese à esquerda, minha filha Bárbara a seu lado e o filho da Elena, Nikolay — o acompanham,

Barb104como a Bárbara inicia uma explicação,

Barb110como a resposta gera revolta,

Barb111mais explicações e tédio.

Barb112(So disgusting)

Barb113Não vou seguir porque tenho absoluta certeza de que vou apanhar de minha linda filha em razão destas fotos.

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Fotos do aniversário: Sequência I

Fotos: Augusto Maurer

O Augusto é o autor da série de fotos que estarão nos próximos posts. Abaixo, as duas primeiras não foram tiradas por ele, é óbvio.

Art 01O Arthur estava doido querendo que o café pós-festa fosse na casa deles. Mas não deu, fomos até tarde no bar e não rolou.

Art 02É que minhas festas de aniversário são tradicionalmente feitas na casa da Astrid — ausente sexta-feira por motivo de trabalho — e do Augusto e, com seus doze anos, talvez o Arthur não lembre de algo diferente.

art 03Depois haverá uma sequência só de Milton e Arthur. Afinal, tive que examinar sua mão a fim de verificar os pelos.

Art 04

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Porque hoje é sábado, Uma Thurman

(post atualizado com novas fotos e texto)

Wiggle your big toe…

Uma-Thurman_102Quando ela disse estas desesperadas palavras,

o mundo viu que Uma Thurman não tinha os pés mais lindos do mundo.

Wiggle your big toe... Uma ThurmanUma mulher, sentada atrás de mim no cinema, assustou-se ou fingiu-se assustada

uma-thurman01com os pés de Uma. Apontou-os ao namorado, como se ele não os tivesse visto.

Não sou um desses caras tarados por pés.

pulp-fiction-uma-thurman-foot-fetishAcho até legais alguns delicados e sujinhos, mas confesso-me fora da podolatria.

Uma-Thurman-wallpaper-1Não dava muita bola para Uma Thurman até vê-la como Vênus

027-the-adventures-of-baron-munchausen-theredlistnas Aventuras do Barão de Munchausen. Estava belíssima!

14868510_T1SeqDepois, em Pulp Fiction, ela me apareceu com uma cara inacreditável de Anna Karina

PULP FICTION UMA THURMANe desde então sua presença faz-me ir ao cinema.

Foi casada com Gary Oldman e Ethan Hawke,

kill_bill_uma-thurmanmas quem sempre a compreendeu é seu atual namorado, Quentin Tarantino.

UmaEla fez uma dança antológica com John Travolta em Pulp Fiction

apareceu forte e poderosa em Kill Bill, mostrando a nós como se maneja uma espada.

Nascida em Boston em 1970, Uma mede 1,83m, número bastante alto para o

uma_thurman2tamanho médio deste escriba. Fazer o quê?

Seus irmãos chamam-se Ganden, Dechen, Mipam e Taya.

Um horror. Ela teve até sorte de ser apenas uma Uma Karuna.

Uma_Thurman_73Espero que volte aos filmes de Tarantino.

14867995_bTtU5É quando aparece melhor. Mas também esteve ab-so-lu-ta-men-te brilhante

Uma+Thurman+Nymphomaniac+von_trierem Ninfomaníaca, de Lars von Trier,

Uma_Thurman_49diretor que seria um clássico genial se tivesse nascido antes de nosso tempo,

tão emburrecido pela TV.

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Porque hoje é sábado, Burcas, Pink Floyd e reflexos

Uma lembrancinha incompreensível de um encontro.

burka21Uma foto absurda.

Veiled women, with their children, enjoy the warm weather on a beach at the port city of Sidon in southern LebanonMas os homens podem.

large_DSCN5246Hum… assim é melhor.

sexy-Burka-CostumeOu talvez assim…

burcaNum dia de plantão chatíssimo, onde tudo são Olimpíadas,

pink floydvou olhando fotos aleatórias,

random-37enquanto busco notícias.

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Ave australiana canta aos ovos para avisar que está calor

Desenvolvimento do mandarim é influenciado pelo canto dos progenitores. Descoberta mostra que há espécies que podem adaptar-se melhor às alterações climáticas.

Do Publico.pt

mandarimÉ uma surpresa no mundo animal. Uma ave australiana consegue ativamente influenciar o desenvolvimento da sua descendência quando os embriões ainda estão nos ovos. Nos dias mais quentes, os progenitores da espécie mandarim (Taeniopygia guttata) têm um canto especial para os seus ovos. Isso faz com que os pintos, depois de saírem dos ovos, cresçam menos do que outros indivíduos da espécie que não ouviram o canto especial, mostra um estudo publicado na revista científica Science.

Estudos feitos no passado mostravam que os embriões dentro dos ovos conseguiam ouvir e até emitir sons. Este tipo de comunicação tem importância na vida das aves. Segundo o artigo: “Já se tinha descoberto que a comunicação acústica pré-natal pode influenciar a sincronização da altura em que os pintos saem do ovo e permitir aos embriões pedirem aos progenitores para incubarem os ovos.”

Mas esta capacidade dos mandarins tinha passado despercebida até agora. Estas aves vivem em habitats secos na Austrália. Uma das suas características comportamentais é produzirem ninhadas quando há bom tempo, independentemente das estações do ano.

Mylene Mariette, co-autora do artigo com Katherine Buchanan, ambas do Centro de Ecologia Integrativa da Universidade de Deakin em Waurn Ponds, na Austrália, foi quem identificou a existência destes cantos especiais, que tanto as fêmeas como os machos fazem quando o parceiro ou a parceira está longe do ninho.

A curiosidade levou Mylene Mariette a tentar descobrir a razão destes cantos. A investigadora verificou que os cantos só se davam nos últimos cinco dias do desenvolvimento dos embriões dentro dos ovos e apenas quando a temperatura máxima desse dia ultrapassava os 26 graus Celsius.

Para tentar compreender o efeito destes cantos, a equipa fez uma série de experiências em ambiente controlado. Na primeira, as investigadoras submeteram um grupo de ovos de mandarim, nos últimos cinco dias de desenvolvimento, aos cantos descobertos por Mylene Mariette que entretanto foram gravados. Um segundo grupo de ovos foi submetido às mesmas condições de humidade e temperatura, mas com os cantos normais.

Ao nascerem, os pintainhos de ambos os grupos tinham o mesmo tamanho normal. Mas passados alguns dias, as investigadoras mediram os pintainhos e verificaram que os que tinham sido submetidos ao canto especial eram mais pequenos. “Isto significa que o ambiente acústico antes do nascimento tem um impacto maior do que pensávamos”, sublinha Mylene Mariette, citada numa notícia da BBC News.

A equipa pensa que o corpo menor é uma resposta a um clima mais quente. “Com um corpo mais pequeno, os mandarins perdem calor mais facilmente”, explica Mylene Mariette, citada numa notícia da Science. Além disso, as cientistas colocam a hipótese de que um corpo mais pequeno evita reacções celulares com efeitos negativos que são mais frequentes quando a temperatura ambiente é maior.

Mas as mudanças desta população não se ficam por aqui. As aves submetidas aos cantos especiais têm tendência a fazer o ninho num ambiente mais quente do que o outro grupo. Além disso, quando submetidas a temperaturas maiores, elas põem mais ovos do que as aves maiores que não ouviram o canto a anunciar mais calor. Por outro lado, em ambientes mais frios, são as aves maiores que põem mais ovos.

Este tipo de controlo no desenvolvimento dos pintos, que tem influência no próprio comportamento quando são adultos, pode ser importante num mundo cada vez mais quente devido às alterações climáticas.

“Não quer dizer que estas aves vão ser capazes de se reproduzirem a temperaturas extremas”, avisa Mylene Mariette, citada pela BBC News. “Mas o que é encorajador é que é uma estratégia que os pássaros usam para ajustar o crescimento da sua descendência à temperatura do ambiente.”

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Federico García Lorca: há 80 anos, uma morte por motivos obscuros

Federico García LorcaPor Fernando Monteiro

Dentre as figuras exponenciais da cultura do século 20, nenhuma outra teve a sua vida ligada, tão tragicamente, a fatos extremos da polaridade política Direita x Esquerda quanto Federico García Lorca, o grande poeta espanhol assassinado no dia 19 de agosto de 1936, num recanto à margem da estrada Víznar-Alfaca, na sua província natal.

Lorca era andaluz, e foi fuzilado dois dias depois de ser preso por uma milícia fascista, na sua cidade, a Granada da Alhambra encarapitada nos morros que a cercam assim como, até hoje, a memória de Federico segue preenchendo a história granadina e contribuindo para fazer de Andaluzia um dos destinos turísticos mais carismáticos da Europa.

De certo modo, Granada se tornou duas legendas: Alhambra & Lorca – uma no seu esplendor arquitetônico e outro nos seus cantares “gitanos” e, por fim, no pranto de condenado à morte quase podendo ser ouvido pelos amigos e pela família detentora de boas propriedades de gente abastada, na cidade e no campo.

Quando alguém as visita, é possível deduzir, de imediato, que um fuzilamento assim, uma agressão fatal contra o membro mais destacado – intelectualmente – daquela linhagem andaluza, teve algo de “afoito” demais, de muito brutal e despropositado, por assim dizer, mesmo para o bando de fascistas aos quais tudo foi atribuído como intenção de prender, decisão de “julgar” (mais que sumariamente) e ordem, por fim, de executar sem mais delongas.

Quem foi o responsável? E por quê?

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Essa pergunta esteve posta desde que começou a circular largamente a notícia da morte do homem que, segundo relatos da época, chorou na madrugada, diante do inacreditável fato de que iriam realmente fuzilá-lo de face para aquela manhã clara da Andaluzia que ele, filho da região, havia cantado em versos imortais.

Haveria motivos para matar um poeta já muito conhecido, um jovem com um vasto círculo de amizades na Espanha e também no exterior? Sabemos que fascistas são temerários (a palavra é essa), mas sempre houve algo de estranho nesse crime, além de obscuridades diversas, telefonemas vários, discussões, ordens e contraordens… e até uma arma apontada para o subgovernador militar de Granada – por um fascista da Falange! – em defesa veemente do preso.

É preciso, na verdade, recontar um pouco dessa tragédia, desde antes da manhã fatídica e, para isso, devemos ver Federico, ainda em Madri, sendo desaconselhado no intuito de seguir “para casa”, justamente para fugir dos perigos políticos da capital, naquele primeiro ano da Guerra Civil. Os amigos tentaram fazê-lo desistir da viagem e permanecer entre eles. Alegavam que, na pequena Granada, ele estaria muito “mais exposto” do que na grande cidade, porém o poeta retrucou que lá, na sua Andaluzia, todos o conheciam e sabiam das suas origens etc. Ninguém conseguiu demovê-lo da ideia de proteção (ligada à família tradicional) e, assim, o poeta viajaria para Granada – e para a morte.

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GRANADA PRESTES A EXPLODIR

Os amigos de Lorca tinham razão. O poeta iria encontrar na Granada antigamente “mágica”, os eflúvios de ódios desatados à direita e à esquerda, no estreito ambiente limitado por muros seculares. Sim, ele era conhecido, para bem e para mal, como poeta e jovem boêmio de vida mais ou menos dissipada (e gostariam de dizer, claramente, a palavra derrisória para homossexuais: “maricóns”)…

A cidade estava inevitavelmente alterada por medos, rumores e rancores velhos de antes da guerra. Circulavam boatos em torno de prisões já decretadas, e o seu nome teria sido mencionado. Assim, de acordo com recomendações familiares, Federico se transferiu da sua casa para, algumas ruas depois, uma mansão de amigos dos Lorca-García: os Rosales igualmente bem relacionados, porém com integrantes da Falange ((a sinistra agremiação política identificada com o “nacionalismo” de Franco) dentro de casa, do mesmo modo como também um poeta ainda adolescente, Luis Rosales, mais tarde autor da obra-prima La Casa Encendida. Parecia seguro e conveniente para a proteção do rapaz das noitadas madrilenas.

Neste momento no qual acompanhamos FGL seguindo para abrigar-se no meio dos Rosales, é preciso notar uma primeira discrepância, talvez, com relação ao futuro matiz da lenda que, dias depois, começará a ser fixada pela última manhã do poeta máximo da moderna literatura espanhola (em termos de repercussão internacional). Nela, nessa aurora nascida para a morte – inesperada –, começaria a se compor o retrato sacrificial, isto é, a efígie coberta de sangue de uma vítima republicana a mais ilustre possível: o bardo dos “amores bruxos”, o cantor do romanceiro das estradas de saltimbancos, o vate andaluz, o “herói” em queda pelo lado esquerdo do peito varado pelas balas da Guarda Civil e outras hostes fascistas que levaram o ditador Franco a esmagar a Espanha por quatro décadas de autoritarismo, repressão violenta e controle absoluto de um povo tão difícil de domar quanto um miúra bravo nas “plazas” de areia e sangue.

federico garcia lorca f

Sangue, sim, se derrama por toda a ardente península ibérica, mas, ali na Espanha, ele se concentra como coágulos nos Cristos deitados nas catedrais escuras, no espetáculo dos touros (e dos toureiros) e nos ferimentos graves de um conflito interno que, em agosto de 1936, iria envolver o gênio de Andaluzia até arrastá-lo para morrer como um animal de abate, naquele morticínio maldito para todos.

Esse “para todos” introduz a maior parte das dúvidas que vêm se alargando, há anos, sobre quem realmente matou Lorca, ou seja, sobre quais nomes e quais motivos se ocultaram, talvez, num assassinato que ganhou a aura, imediata, de barbaridade máxima nessa confusa quadra da história do pais de Cervantes. E, desde já, parece que temos de abandonar uma querida certeza acalentada por décadas: a do Lorca sacrificado em nome da ideologia – pois há que encarar a face, menos exposta, de um poeta lírico que não foi nenhum Quixote, não pretendia ser um paladino das esquerdas e, pelo contrário, estava em fuga das bandeiras e das fumaças da frente de combate. Federico era praticamente apolítico – segundo a unânime opinião dos que o conheceram – e até teria nutrido, num certo momento, uma velada simpatia por “governos fortes”, por autoridades que pudessem por “ordem” naquela casa, mais do que caótica, da Espanha da primeira metade do século passado.

Isso foi confirmado por Luis Rosales, a respeito de um artista no auge do sucesso, como poeta e dramaturgo, quando a guerra estalou, fraticida. Naquela altura, mais do que nunca um Lorca vivaz, um ser risonho e animado e tudo o mais, mantinha outros interesses muito para além da política que nenhum dos seus colegas da famosa “Residência dos Estudantes” e amigos das letras, do teatro e da boêmia de Madri enxergaram, jamais, no horizonte do rapaz bem nascido, bonito e dândi de todas as fotografias do mito que veio a se tornar Federico, o Assassinado.

Esse é o primeiro degrau que se tem que firmar, a fim de galgar os patamares mais obscuros da tragédia. Ela surpreende o povo de Granada, antes de mais ninguém, e a verdade – ou o que parece ser a “verdade-verdadeira”, tantos anos depois – vem se insinuando no território mais íntimo da família que possuía riquezas e membros ressentidos, parentes insultados e queixosos de negócios em sociedade com o pai de Lorca, o “patriarca” Federico García Rodrigues.

FedericoGarciaLorca-2

QUEM MATOU FEDERICO GARCÍA LORCA?

Todos que leram a obra do irlandês Ian Gibson (que serviu mais ou menos de “cânone” para estabelecer a versão do assassinato eminentemente político) certamente lembram do nome do pai do poeta como apenas uma referência ao marido de Vicenta Lorca, no registro da filiação do poeta caído “sob os disparos pelas costas, feitos pelos fuzis do ódio fascista” etc.

Nada a contestar sobre a periculosidade dos “ódios fascistas” (é claro), porém as pesquisas mais fundas foram, recentemente, bem mais eficientes no levantar das discórdias e invejas no seio dos quatro ramos familiares, no caso de Lorca: os Roldán, os Benavides, os Alba e os Garcia da linhagem paterna do poeta assassinado.

Longe da idealidade firmada – com as melhores intenções – por Gibson, de imediato ouçamos o historiador andaluz Miguel Caballero, dentre outros que foram revolver os quintais domésticos, na retaguarda da morte: “Afirmar que mataram Lorca por ser homossexual e ‘vermelho’ é uma simplificação que já não se admite. As verdadeiras razões de seu assassinato devem ser buscadas na sua própria família”.

Outro pesquisador incansável, Manuel Ayllón, arquiteto e autor de “Granada, 1936 (Editorial Stella Maris), também é taxativo sobre isso: “Lorca não era um problema político, não ‘militava’ no sentido estrito, podia ser extravagante, incômodo e e afrontador nos seus hábitos joviais, mas nunca foi um perigo para absolutamente ninguém; politicamente, não era visado pelos fascistas, uma vez que era inofensivo. Na verdade, contra ele não houve sequer uma ordem de detenção assinada. Ele foi simplesmente levado da casa dos Rosales, que lutaram para libertá-lo no minuto seguinte e não descansaram nos dois dias subsequentes. O poeta Luis Rosales, irmão de dois falangistas, foi visitá-lo na prisão tão perto de Granada. Ninguém imaginava que ele corresse qualquer risco de vida, ali adentro. Seguiam tentando tirá-lo de lá, quando veio a incrível notícia da sua morte por um pelotão que incluía membros do quarteto de famílias proprietárias da Vega de Granada que, então, estava dando bons lucros a Federico García Rodrigues”…

Casa dos Rosales, em Granada, na qual Garcia Lorca foi preso pela milícia franquista (improvisada, sem ordem de detenção nem nada)

Casa dos Rosales, em Granada, na qual Garcia Lorca foi preso pela milícia franquista (improvisada, sem ordem de detenção nem nada)

Não é, de modo algum, uma “teoria conspiratória” surgida oitenta anos depois. Nem envolve somente as pesquisas de Caballero e Ayllón, mas começou a abalar mesmo as antigas certezas do Gibson, que está, no momento, empenhado em rever sua descrição de um crime de “natureza política”, desde o “sequestro” no dia 17 até a execução apenas dois dias depois, sem julgamento e causando até mesmo alguma desagradável surpresa nos círculos mais próximos do quartel-general de Francisco Franco. Claro: um fuzilamento tão brutal não seria, jamais, a melhor propaganda para os fascistas empenhados em tomar o poder na Espanha culta também. Aliás, consta que as primeiras notícias sobre a morte de Lorca foram veiculadas por eles, os nacionalistas pretendendo que o poeta houvesse sido vítima da “loucura republicana” (ironia das ironias) e, quando a Guarda Civil emergiu como a assassina de FGL, fez-se um silêncio sepulcral sobre o assunto, por parte dos amigos do futuro ditador.

“BERNADA ALBA” NA – SINISTRA – BERLINDA DE 1936

Miguel Caballero é quem traz uma surpreendente pista: “A chave para abrir o cofre de estranhezas em torno do fuzilamento sumário de Lorca esteve desde sempre ali, representada, escrita de punho e letra pelo poeta: trata-se de um presságio fatídico que, agora, oitenta anos depois do crime, assume outra dimensão. A Casa de Bernarda Alba foi uma vingança literária – enfatiza o historiador granadino. Ele vê a famosa peça – que correu o mundo – como um dos fios de meada da tragédia, os quais vêm sendo desenrolados por mais de uma dezena de pesquisadores que investigam a história da família desde meados do século 19. Naquela altura, a Vega de Granada estava em poder de uma aristocracia residente em Madri, e vai cair em ruína financeira no alvorecer do século seguinte. As terras foram, então, adquiridas por um grupo da burguesia ascendente em Andaluzia, no qual figuravam o pai de Lorca e seus parentes, os Roldán e os Alba.

Caballero descreve: “Eles vão comprando as terras de modo coletivo, através de sociedades. Estes campos adquirem muito valor para o plantio açucareiro, e Granada se converte numa das províncias mais ricas da Espanha, com 21 engenhos. O pai de Lorca participa como acionista de vários. E a disputa começa com a divisão dos lucros e mais uma tentativa de dividir as terras porque nem todos têm a mesma sombra nem a mesma água, sendo daí que procedem os primeiros desentendimentos entre os Roldán, os Lorca e os Alba. Uma mesma família, na verdade, porque eram endogâmicos: casavam-se entre si, a fim de manter as terras antes de mais nada”.

Ora, para a tragédia rural A Casa de Bernada ALBA, Federico Garcia Lorca foi se inspirar em personagens reais, entre as quais avulta Francisca Alba Sierra, uma mulher forte e que se comporta da forma tirânica mostrada nos palcos, para desagrado dos Alba de carne e osso, pouco afeitos às licenças poéticas. Para eles, a peça cheirava mal e tinha insinuações insultuosas.

A “HUERTA” ASSALTADA ANTES DO ATO FINAL

Antonio Benavides, um dos assassinos de García Lorca

Antonio Benavides, um dos assassinos de García Lorca

Os Lorca possuíam uma residência de verão granadina – a Huerta de San Vicente – que foi assaltada, em 9 de agosto de 1936, por alguns primos de Federico, do ramo dos Roldán, que eram conspiradores contra a República. Além dos Roldán, o historiador Miguel Caballero lembra que outros familiares estiveram implicados nos atos de detenção e execução de Lorca, nomeadamente Antonio Benavides, que era sobrinho-neto da primeira mulher do pai do poeta, e que será o homem acusado de disparar, pelas costas, contra a cabeça do artista voltado para a beleza das últimas árvores avistadas entre Alfacar e Víznar, na manhã desatada de ódios não só políticos de mistura com preconceitos etc.

Além desse pano de fundo (nada teatral), existiu ainda uma ameaça vinda diretamente da poesia de Federico Lorca para a sua vida prestes a findar no dia 19: consta que ele foi levado para a morte por um pelotão comandado pelo oficial da Guarda Civil (Nicolás Velasco Simarro) que havia se sentido pessoalmente ofendido pelos versos de Romance de la Guardia Civil española, em virtudes de referências à dura repressão da Guarda contra uma greve em Málaga. Mais: o ressentimento pessoal de Simarro também pode haver sido bem “reforçado” pelo fato de ter trabalhado para um Roldán (Alejandro Benavides) no caso de uma fuga de camponeses da Vega sempre objeto de disputas mesquinhas com o pai de Lorca…

Um rede de ódios e intrigas familiares começa a assumir a frente do assunto “morte do poeta”. Seu cadáver jaz em algum lugar da estrada, na vala comum na qual teria sido abandonado e encoberto de areia e pedras andaluzas? Talvez não. A própria família é, ainda hoje, totalmente contrária (?) às buscas. Isso é muito estranho. Todos os Lorcas velhos parecem saber que Federico não se encontra mais naquela vala comum há muito tempo, e que parece ter sido de imediato exumado (ainda naquele agosto aziago, há oitenta anos), porque não foi um crime propriamente político, não foi a execução de um “maricón rojo” – mas a perda de um ente querido, de um grande poeta e de um mito jogado entre porcos vorazes dignos do romance Os irmãos Karamázov, de Dostoiévski. Mais uma vez, a vida imita a arte, no caso.

Huerta de San Vicente -- casa de verão dos Lorca (atualmente, Casa-Museo)

Huerta de San Vicente — casa de verão dos Lorca (atualmente, Casa-Museo)

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Existe no Youtube uma coisa curiosa:

O poeta Luis Rosales — que visitou Federico na prisão durante os dias em que ele lá esteve — estava dando uma entrevista sobre o assunto “morte de Lorca”, filmada por Ian Gibson, e, num certo momento, ele pensou que a câmera estava desligada. Então, fala, em off, sobre Lorca lhe ter manifestado simpatias por um “governo forte” que pusesse ordem na Espanha caótica de então, e — mais incrível ainda — diz, em alto e bom som, que “TERIA SIDO MUITO FÁCIL SOLTAR, LIBERTAR LORCA, caso imaginassem — o pai, a mãe, os amigos — que ele corria qualquer perigo de vida” (SC)!

Rosales — o grande poeta Luis, mais tarde — era, vc sabe, o irmão mais novo dos dois falangistas bem situados na hierarquia fascista de Granada, que realmente lutaram (de fato) pela imediata libertação do poeta, um deles tendo chegado a apontar a arma para o governador militar franquista, “exigindo” que Lorca fosse solto.

Como curiosidade, aqui o vídeo:

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Francofonia, de Alexander Sokúrov

francofonia-Sokurov(****) Filmado em boa parte no Museu do Louvre, Sokúrov questiona a permanência da arte mesmo em um momento tão grave quanto a 2ª Guerra Mundial. Jacques Jaujard, diretor do Louvre, e o Conde Wolff-Metternich, general da ocupação nazista em Paris, inimigos e posteriormente colaboradores, formaram uma aliança para a preservação dos tesouros do museu francês. Explorando as relações entre arte e poder, o filme mostra o Louvre como um exemplo de nossa civilização. Misturando documentário e ficção, o denso filme do grande Aleksander Sokúrov (de Arca Russa e Fausto) reflete poeticamente sobre os papéis da arte e da civilização. Como pano de fundo, vemos toda a grande cultura europeia tendo que escapar de ser pisoteada. Belo filme.

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