Estudo mostra que os homens são imbecis

via El Pais, na editoria de Ciência

Muitos estudos sustentam que os homens são mais propensos a comportamentos arriscados que as mulheres. O que não fica tão claro é que pratiquem também mais atos temerários e estúpidos que não lhes tragam nenhum benefício. Um estudo publicado nesta sexta-feira traz uma das primeiras provas a favor dessa hipótese, que os autores batizaram de teoria da imbecilidade masculina, ou MIT, na sigla em inglês. O trabalho, assinado por vários médicos do Reino Unido, é publicado nesta sexta-feira no número especial de Natal da prestigiosa revista British Medical Journal, que contém estudos que seguem os padrões de qualidade científica e revisão por pares, mas com um enfoque mais livre.

Os autores buscaram provas de imbecilidade nos arquivos do prêmio Darwin. Essa sardônica distinção é dada a indivíduos que deram uma contribuição à humanidade ao morrer de forma absurda, o que em princípio evita que seus genes passem para gerações posteriores. Para dar ideia do que seja um prêmio Darwin, seu site destaca a história de um terrorista que enviou uma carta bomba sem os selos suficientes para chegar ao destinatário. Quando a carta foi devolvida, o terrorista a abriu e morreu despedaçado.

burro-homem

É provável que a história seja falsa, mas o prêmio coleta há anos demonstrações similares de estupidez no mundo real. Uma delas é de três homens no Camboja que jogavam num bar uma espécie de roleta russa. Eles tomavam um gole e pisavam numa mina antitanque colocada embaixo da mesa. Os três foram pelos ares, junto com o resto do bar, relato o estudo, que não informa se eles tinham tido filhos. O site do prêmio também lista dez agraciados no Brasil.

O estudo, encabeçado por John Isaacs, diretor do Instituto de Medicina Celular da Universidade de Newcastle (Reino Unido), analisou todos os premiados entre 1995 e 2014, separando-os por sexo. Dos 318 casos confirmados e válidos para a análise estatística, 282 eram homens e 36, mulheres. Os homens protagonizaram mais de 88% dos casos, o que, dizem os autores, é um resultado “estatisticamente muito significativo”.

“Esses resultados são totalmente consistentes com a teoria da imbecilidade masculina e fundamentam a hipótese de que os homens são imbecis, e os imbecis fazem idiotices”, concluem os autores. Só que eles identificam muitas ressalvas. O prêmio Darwin é dado por votação anônima, e é possível que as mulheres votem mais em homens que em mulheres. Talvez também haja influência do sexo da criadora e coordenadora do prêmio, a bióloga molecular Wendy Northcutt, e parte da diferença pode ser explicada pelo maior consumo de álcool por homens que por mulheres. Em todo caso, especulam os autores, os homens premiados com um Darwin podem ter uma vantagem evolutiva sobre os outros, caso consigam sobreviver a seus atos estúpidos, embora isso ainda precise ser comprovado.

Cartões de Natal por… Salvador Dalí!

No passado, as pessoas mandavam cartões de Natal pelo Correio. Mandam ainda? Acho que não. Hoje é mais fácil mandar um “.jpg” pelo Facebook. Mas se você quiser ser mais charmoso e cult, pode enviar uma imagem by Salvador Dalí.

Durante os anos 40, 50 e 60, Dalí criou postais como os que mostro abaixo. E aviso, se você encontrar um original desses dando banda por aí, saiba que são raríssimos e que valem um bom dinheiro, pois as tiragens não eram muito grandes.

Abaixo, deixo alguns deles para meus sete leitores:

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É claro que o IDH de Porto Alegre só pode ser baixo

O conceito de desenvolvimento humano foi criado para definir o processo de ampliação das escolhas das pessoas a fim de elas possam se capacitar àquilo que desejam ser. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma medida resumida do progresso a longo prazo das três dimensões básicas do desenvolvimento humano: renda, educação e saúde. O objetivo da criação do IDH foi o de oferecer um contraponto a outro indicador muito utilizado, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, que considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento. O IDH foi criado por Mahbub ul Haq com a colaboração do economista indiano Amartya Sen, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 1998.

Hoje, a Região Metropolitana de Porto Alegre ostenta o pior IDH das regiões Sul e Sudeste (ver tabela ao final do post) e quem anda por nossas ruas, notando as ações de nossos conterrâneos, concluem facilmente que nosso IDH é o que é em razão de uma das três dimensões básicas aferidas: a educação. Isso se nota até quando ouvimos o som de um conteiner sendo virado num caminhão de lixo. Lá parece só haver garrafas. Lendo detidamente a pesquisa sobre o IDH das regiões, fica claro: Porto Alegre está onde está por culpa de nossa péssima educação.

sala de aula

Anos atrás, eu fazia trabalhos comunitários como professor de qualquer coisa — mas principalmente de matemática — e ficava pasmo com o pouco que sabiam os estudantes da periferia da cidade. Como chegaria a usar suas potencialidades alguém que… Uma pergunta muito séria: como é que eles puderam chegar à sétima ou à oitava série do primeiro grau – e alguns já estavam no segundo grau – sem saber dividir 65.536 por 1000? Pois bem, exatamente este cálculo gerou um enorme debate em aula.

– Para onde vai a vírgula? Para a esquerda ou para a direita? – disse o mais culturalizado.
– Porra, que vírgula? Hahahahaha.
– Professor, isso é muito trabalhoso, vou ficar horas fazendo.
– Bota três zeros lá atrás e pronto!
– Mas tu tá dividindo, meu! O resultado não vai ser maior.
– Não, bota um zero só! Lá atrás.

Foram trinta minutos de exercícios só de multiplicação e divisão por múltiplos de 10. Uma dificuldade.

Esta é nossa educação. E nos colégios públicos da zona central não é muito diferente, tanto que uma vizinha cujos filhos só vestem roupas de grife, me disse que, na aula de seus guris, ninguém ouve a professora pois todos gritam e conversam ao mesmo tempo. (Colégio Anne Frank, Bonfim, Porto Alegre). Claro que é um absurdo pagar impostos e ainda a educação e a Unimed, mas quem considera que educar é um bom investimento morre com mais de R$ 1000 mensais por uma educação que mereça este nome. E nem sempre merece, mas esta é outra história.

Nos longos intervalos de minhas aulas, a pedido dos alunos, dava aula de matemática sobre os temas do colégio de cada um: um pedia auxílio nas equações de primeiro grau, nas de segundo grau, na divisão de polinômios, o diabo… Mas como é que iam dominar tais tópicos se não dominavam conceitos muito mais básicos? Olha, era complicado e, se eu extraía algum prazer em ajudá-los, sentia enorme cansaço e desconsolo quando saía de lá – e eu tinha escolhido um trabalho simples e útil para mudar de ares e descansar… Era um trabalho de Sísifo e se, com alguns de meus alunos buscava minha pedra um pouco mais acima, com outros a coisa parecia piorar de semana para semana.

Saía de lá pensando na inutilidade do que fazia. Alguns riam quando lhes dizia que ele tinham que estudar e praticar em casa. Passei a lhes dar meus conselhos rindo, meio sem acreditar em minhas palavras. Havia bons e esforçados alunos, mas estes eram uma minoria que sentava bem na frente a fim de me ouvir. O resto permanecia em suas conversas e acertos pessoais.

O que quero dizer é que nossa educação é um imenso fracasso. É algo que, para ser alterado, demandará anos. Pois quem está sendo educado hoje nas escolas públicas serão pais de alunos que aprenderão em casa que a escola não é tão importante assim. Mais: lendo os cadernos de meus alunos, podia espreitar a baixa qualidade do professor que ensinava coisas erradas ou pelo método mais difícil e decorado. Sim, fico meio puto ao lembrar de alguns contatos que tive com estes mestres. Eram pessoas desinteressadas que apenas se preocupavam com a disciplina formal de seu aluno e não com a disciplina cabal do aprendizado. Era como se uma coisa não estivesse associada à outra. Ficavam desconcertados ou achavam graça quando eu lhes perguntava como tinham abordado determinado tópico. E o maior problema é que também sabiam pouco. Era de chorar. E, céus, como estes alunos passavam de ano, chegando ao segundo grau sem entender uma Regra de Três? Olha, não sei. E como se faz um país com esses alunos?

Na prática, sei que a educação é o entrave para nosso desenvolvimento. O estudo diz: nas três dimensões que compõem o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), a educação está estagnada, enquanto avançam os indicadores de renda e saúde, que não deixar de crescer se o primeiro item não melhorar. É uma situação gravíssima no país e a situação da Região Metropolitana de Porto Alegre é especialmente triste, pois, sem educação, vamos continuar como estamos, ladeira abaixo.

1 Região Metropolitana de São Paulo  São Paulo 0,794
2 Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno  Distrito Federal 0,792
3 Região Metropolitana de Curitiba  Paraná 0,783
4 Região Metropolitana de Belo Horizonte  Minas Gerais 0,774
5 Região Metropolitana de Vitória  Espírito Santo 0,772
6 Região Metropolitana do Rio de Janeiro  Rio de Janeiro 0,771
7 Região Metropolitana de Goiânia  Goiás 0,769
8 Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá  Mato Grosso 0,767
9 Região Metropolitana de Porto Alegre  Rio Grande do Sul 0,762
10 Região Metropolitana de São Luís  Maranhão 0,755
11 Região Metropolitana de Salvador  Bahia 0,743
12 Região Metropolitana de Recife  Pernambuco 0,734
13 Região Metropolitana de Natal  Rio Grande do Norte 0,734
14 Região Metropolitana de Fortaleza  Ceará 0,732
15 Região Metropolitana de Belém Pará Pará 0,729
16 Região Metropolitana de Manaus  Amazonas 0,720

Notinha sobre a literatura de Georges Simenon

simenon2Georges Simenon vendeu aproximadamente 500 milhões de volumes de suas novelas e romances. Trata-se de um excepcional caso de sucesso popular e de crítica. Durante toda a sua vida, os leitores e editores pediram-lhe um grande romance através do qual o autor pudesse ser apresentado. A resposta era sempre a mesma:

– Minha grande obra é o mosaico formado por meus pequenos romances.

Grosso modo, podemos dividir sua obra em duas partes: os romances policiais com ou sem o célebre detetive Maigret e os duros romances psicológicos que lhe valeram o apelido “Balzac de Liége”, recebido de ninguém menos que André Gide. A popularidade destes livros não deixa de impressionar, pois são escritos em tom menor, são nada solares, sendo antes cheios de personagens deprimentes e deprimidos. Com suas ações quase sempre em cidades pequenas, Simenon envolve-nos numa triste realidade provinciana, onde o mal comanda.

O método de produção de Simenon é curioso. Ele escrevia seis ou sete romances ou novelas por ano, mas elas não lhe saiam continuamente e sim como espasmos. A história era inventada em 30 ou 40 dias em sua imaginação. Era o período de não escrever, de caça à história, quando ele passeava, ia a bares e convivia com as pessoas. Então, ele avisava aos familiares que trabalhar e todos sabiam o que aconteceria – ele sumiria em seu escritório por algo entre 10 e 20 dias. Nestes períodos, ninguém deveria falar com ele e a ordem era apenas alimentá-lo. Se um fato externo o interrompesse, abandonava o trabalho.

De certa forma, tal concentração está presente em seus trabalhos. As narrativas, a forma de envolver o leitor são via de regra impecáveis. A modernidade não está num trabalho de linguagem ou em tramas complexas ou contrapontísticas, está no fato de que o autor se exime dos princípios morais, apresentando tramas simples onde as atitudes são descritas de forma distante, muitas vezes cruel. Não há Deus nem julgamento, há sucessão de fatos que são jogados ao leitor no momento exato e que fazem excelente literatura.

Acabo de ler O Burgomestre de Furnes, um extraordinário estudo sobre o embrutecimento, o ódio e a avareza. Joris Terlink é o burgomestre que comanda a população, a economia e os conselheiros do povoado. Todos o temem e ele é consultado para tudo. Sua vida pessoal está associada a diversas tragédias, recentes e antigas: uma filha doente mental que é mantida presa em seu quarto sob o argumento de que não haveria um lugar melhor para ela, o câncer da mulher, os vários filhos fora do casamento – o quais são ignorados por Terlink – e a própria gestão de Furnes, cuja falta de solidariedade produz um suicídio no início da história. Há algo menos sedutor? Terlink é um monstro absoluto, circundado de idiotas que têm dificuldade de viver sem ele, mas a segurança com que Simenon leva sua narrativa não é menos monstruosa e sem compaixão.

Além do Burgomestre, os maiores romances desta face de Simenon provavelmente são Sangue na Neve, O homem que via o trem passar, O gato e Em caso de desgraça. Todos podem ser encontrados bem baratinho por aí. Saíram também em pockets.

A Hard Day’s Night completa 50 anos

A capa do original inglês de vinil. A edição brasileira trazia a mesma capa, só que com a cor vermelha substituindo o azul. Clique para ampliar.

A capa do original inglês de vinil. A edição brasileira trazia a mesma capa, só que com a cor vermelha substituindo o azul. Clique para ampliar.

Publicado em 10 de julho de 2014 no Sul21

A Hard Day’s Night é o terceiro álbum dos Beatles. Seu aguardado lançamento aconteceu na Inglaterra em 10 de julho de 1964, acompanhando o lançamento do filme homônimo de Richard Lester.

O título da canção A Hard Day’s Night tem origem numa expressão criada por Ringo Starr em uma entrevista, daquelas bem bagunçadas. Ele disse ao disc jockey Dave Hull, no começo de 1964: “Tínhamos trabalhado um dia inteiro e mais a noite toda. Quando saímos do estúdio, eu pensava que ainda era dia e disse: “Foi um dia duro… mas olhei em torno e vi que estava escuro, então eu disse: foi a noite de um dia duro”. A Hard Day’s Night.

John Lennon escreveu a música em uma noite — desta vez sem trabalhar durante o dia –, e apresentou-a aos outros Beatles na manhã seguinte. A letra do manuscrito original pode ser vista na Biblioteca Britânica, rabiscada em caneta esferográfica nas costas de um cartão de aniversário.

Apesar de assinarem juntos a maior parte das músicas do grupo, Lennon e McCartney raramente as escreviam juntos. Eles as faziam separadamente e depois discutiam alguma alteração. É simples identificar quem fez o quê. Basta ouvir o cantor principal. John cantava as dele e Paul as suas.

Correria

Correria

O filme lançado com o disco foi dirigido por Richard Lester. Dez ENORME sucesso. Mostrava, em preto e branco, a história de uma banda de rock que era perseguida por fãs histéricos. Após perseguições de fãs, entrevistas, e muitas piadas, a banda realiza um show na televisão. O filme mostra um pouco da realidade dos Beatles na época. No Brasil, o disco e o filme foram lançados pelo nome de Os reis do iê, iê, iê (a expressão “iê, iê, iê” deriva de “yeah, yeah, yeah”, presente no refrão da canção She Loves You).

Saltos

Saltos

Como se fazia na época, o álbum foi gravado em apenas nove dias não consecutivos, de janeiro a junho de 1964. Entre as sessões, os Beatles cumpriam seus compromissos de shows e da filmagem de A Hard Day`s Night. Durante a filmagem, John Lennon e Paul McCartney escreviam mais e mais canções. A maioria destas ficou fora de A Hard Day`s Night, indo para o seguinte, Beatles for Sale, lançado em 4 de dezembro do mesmo ano.

Descanso

Descanso

A Hard Day`s Night tornou-se seu primeiro álbum do grupo que continha material exclusivamente original, só com canções de Lennon e McCartney, ainda sem a participação de George Harrison como compositor.

É um álbum bem diferente do que veio antes e do que virá depois. O motivo é simples. É o único disco dominado por canções de John Lennon. Isto o trona muito mais rápido, muito mais rock ’n' roll. A típica presença de Paul, muito mais lírico e melodioso, é notada em And I love her e Things we said today. O resto, com exceção de If I fell, são rocks rápidos.

Mais correria

Mais correria

Lennon foi o único compositor da faixa-título, juntamente com I Should Have Known Better, Tell Me Why, Any Time At All, I’ll Cry Instead, When I Get Home e You Can’t Do That. Ele também escreveu a maior parte de If I Fell e I’ll Be Back, e colaborou com McCartney em I’m Happy Just To Dance With You.

As contribuições de McCartney para o álbum foram discretas, porém excelentes: as clássicas baladas And I Love Her e Things We Said Today, bem como Can’t Buy Me Love.

A Hard Day’s Night é um dos três únicos álbuns dos Beatles para não contêm vocais por Ringo Starr. Os outros são Let It Be e Magical Mystery Tour.

O cartaz do filme de Lester

O cartaz do filme de Lester

As faixas de A Hard Day`s Night:

Lado A

A Hard Day’s Night
I Should Have Known Better
If I Fell
I’m Happy Just To Dance With You
And I Love Her
Tell Me Why
Can’t Buy Me Love

Lado B

Any Time At All
I’ll Cry Instead
Things We Said Today
When I Get Home
You Can’t Do That
I’ll Be Back

John Lennon: vocal, guitarra, violão, harmônica, tamborim
Paul McCartney: vocal, baixo, piano, sinos
George Harrison: vocal, guitarra, violão
Ringo Starr: bateria, congas, bongôs, tamborim
George Martin: piano

Produtor: George Martin, óbvio

O disco completo:

A desconhecida história do vibrador (II)

Pois nós abandonamos ontem nossos vibradores quando eles eram enormes mesas cujo uso podia ser dividido por várias “pacientes” (talvez não fossem de uso exclusivo feminino, mas o que podemos garantir?). Esqueçamos esta hipótese que só nos atrapalha. Bem, aquilo era mais ou menos como uma “lan house” onde as usuárias — todas mulheres satisfeitas com seus diagnósticos de histeria — iam ter seus orgasmos.

Leia mais: A desconhecida história do vibrador (I)

Então, a empresa americana Hamilton Beach, especializada em equipamentos para cozinha, patenteou o primeiro vibrador portátil. Estávamos em 1902.

Como vocês podem ler na propaganda acima, era a Maior Descoberta Médica de Todos os Tempos. E, por favor, vejam a discrição do médico da propaganda à direita. A máquina deveria provocar o tal paroxismo que curaria as histéricas. Era uma coisa tão boa que a literatura consultada diz que, em 1917, havia mais vibradores nos lares americanos do que torradeiras. Descobriu-se que quase todas as mulheres era histéricas e deveriam ser necessariamente levadas ao paroxismo.

Porém, os anos 20 trouxeram o filme pornográfico e, nele, as “atrizes” curavam sua histeria frente as câmaras. Os filmes fizeram com que o vibrador ficasse estigmatizado como coisa de mulheres da vida. Nenhuma mulher fina ou mãe de família poderia ter uma histeria tranquila sabendo que a rameira da esquina fazia uso do mesmo instrumento. A venda de vibradores foi então disfarçada sob formas de discutível sutileza.

Posso imaginar a felicidade daquela esposa que, tendo recebido um aspirador de pó como presente de aniversário de seu marido mongo, se deparasse com a panaceia ao abrir a caixa.

– E aí, amor, o aspirador é bom?
– Uma maravilha. Nossa casa ficou na maior paz!

E ficava mesmo pois, ao comprar-se um aspirador, recebia-se isso:

Como já lhes disse, não sou mulher e não sei o grau de sedução que um instrumento desses tem. Para mim, assemelha-se a um maçarico.

Já o instrumento acima não tem muito jeito de que vá acordar aquele clitóris mais preguiçoso e sim moê-lo a pancadas. Bem, já disse que minha capacidade de entendimento é limitada e que esta matéria serve apenas para disponibilizar cultura a meus sete leitores.

Havia propagandas mais escondidas, que permaneciam nos classificados dos jornais, tal como a desta senhora que faz vibrar sua caixa craniana com numa britadeira doméstica. Sua postura é tão confortável que só mesmo uma histérica faria a compra da geringonça. E como havia!

Nos anos 40, 50 e 60, a utilização diminuiu muito. O conservadorismo e a religião — a mais sem graça das invenções humanas — tornaram cada vez mais deselegante o aparelho. Concluo que é mais provável que sua avó usasse um vibrador, mas não sua mãe! Minha mãe, por exemplo, é tão santa que nem imagino como estou aqui. Porém, o vibrador voltou com tudo nos anos 70 e nos 80, principalmente nos 80, quando a música tornou-se tão chata que era melhor divertir-se privadamente. Em 1973, a Hitachi lançou um vibrador revolucionário. Abaixo, a foto da propaganda…

Quem ergue o mixer acima é Betty Dodson, uma moça que criou grupos de masturbação em Nova Iorque. No mesmo ano, também em Nova Iorque, foi fundada a primeira sex shop feminina. A fundadora foi Eves Garden.

Hoje, com a eletrônica fazendo coisas cada vez menores — nem sempre, nem sempre — e livres das tomadas, os vibradores são… ou seriam… ou talvez devessem ser… Bem, traduzo a seguir uma propaganda dos anos 40 (EUA):

… os vibradores são implementos necessários à vida de toda jovem educada. Os vibes estão destinados a fazerem parte da paisagem urbana e um namorado sensível certamente dará um a sua amada no Dia dos Namorados. O vibrador é, muito possivelmente, o mais potente símbolo de independência feminina. A posse de um vibrador diz ao mundo (ou pelo menos você diz a si mesma!) que não só você está confortável com sua sexualidade, mas que você é capaz de dar satisfação sexual a si mesma sem ficar esperando a boa vontade de um homem.

A última novidade é que um executivo aposentado da indústria petrolífera patenteou um tipo de vibrador com o qual a mais preguiçosa das mulheres chegará ao orgasmo, mesmo que não queira! O fabricante diz que seu vibrador “empurra e gira, eliminando dessa forma qualquer necessidade de trabalho da usuária”. Custa 139 dólares. Só Deus sabe se é verdade. Pesquisem aí.

E abaixo nós temos o famoso vibrador batom, motivação da série de dois artigos, aqui finalizada. Trata-se do “Vibrador em Formado de Batom Multivelocidade À Prova D’água da Studio Collection”. Não, não recebo comissão.

A desconhecida história do vibrador (I)

Revisado e republicado atendendo a pedidos.
Afinal, o filme Histeria tem passado na Net e as pessoas perguntam.

O espírito que norteia nosso blog sempre foi o de ilustrar seus e suas visitantes. Ademais, aprender história dá-nos outros horizontes e podemos captar repetições e nuances que nos permitem fazer projeções para o que vivemos e vamos viver. É rigorosamente dentro deste propósito que contaremos a nossos leitores e leitoras a história do vibrador. Ora, a ideia me surgiu a partir de uma amiga que possui um vibrador-batom… Isto é, se alguém abre sua bolsa, não encontrará algo de grandes proporções e formato suspeito, mas um aparelho fabricado na China, semelhante a um batom. Digamos que não há nada ali para pintar os lábios. Não lhe perguntei se tamanho era algo importante em tratando-se de vibrador, pois, sabem, até minha cara-de-pau de historiador conhece limites e não sou tão íntimo da moça para lhe perguntar sobre o uso de produto tão íntimo.

Antes de chegar a esta solução pequena e elegante, oculta dentro de uma pequena bolsa que pode ser aberta sem constrangimentos, o vibrador percorreu notável história a qual começa, obviamente, pelos nossos espertos psiquiatras. Ao final do século XIX, vivíamos uma das épocas culturalmente mais florescentes. Havia Brahms e Mahler, Thomas Mann e Kafka eram crianças, Dostoiévski e Tolstói produziam como nunca e, prova da inteligência daquele tempo, a histeria era considerada uma doença exclusivamente feminina. Ou seja, a medicina também era a melhor possível e só decaiu com aqueles médicos vienenses que não apreciavam Richard Wagner.

A massagem vulvar foi descoberta como tratamento eficaz para a histeria e a neurastenia. Claro que aquilo não era nada sexual, era antes algo essencialmente técnico. Era como alongar ou tirar nós musculares nos dias de hoje. Mas as mulheres gostavam e as mais espertas rolavam no chão à menor contrariedade, atrás de um libertador diagnóstico de histeria. O tratamento era aquele mesmo: a massagem vulvar. Era uma máquina de fazer dinheiro e, é claro, a massagem só acabava no momento em que acabava ou, melhor dizendo, no momento em que a paciente chegava ao orgasmo. Mas os médicos achavam que passar dez horas por dia atendendo a vasta clientela das massagens vulvares era cansativo e tedioso, além de que muitos temiam ver crescer pelos na palma de suas mãos. Então, os neurologistas inventaram uma forma de mecanizar o processo: a hidroterapia. Era como molhar as plantas: o médico ajustava o jato, regulava sua força do jato e deixava um (ou uma) auxiliar segurando a mangueira:

Observem atentamente a figura acima. Vejam bem o lado esquerdo. O médico ou auxiliar, certamente inglês, preferia pegar numa mangueira. Eu nunca fui mulher, mas imagino que esta troca não tenha sido muito legal para o publico aficionado. Imagino que houvesse variáveis que poderiam dificultar as coisas: a temperatura da água, por exemplo, poderia ser fatal para as friorentas; também acho que os constantes erros de mira do(a) auxiliar do médico obrigavam a paciente a rebolar sobre a cadeira a fim de que o jato alcançasse de forma produtiva o local exato da histeria. E se, na hora da histeria, algo chamasse a atenção do homem da mangueira e este a apontasse para a parede? Ora, neste caso, tudo teria de começar novamente! Afora isso, havia a absurda conta d`água e aquela molhaçada, já pensaram?

Mas voltemos aos vibradores. Em 1880, novamente os ingleses…

… inventaram uma máquina elétrica que, ao menos, não molhava tudo. E a geringonça — espécie de Orgasmotron, lembram de O Dorminhoco de Woody Allen? — podia atender várias pacientes ao mesmo tempo. Imaginem o ganho de produtividade? Foi um enorme sucesso, apesar do enorme risco dos médicos confundirem os êxtases de suas pacientes com meras eletrocuções. As pacientes passaram a chegar ao êxtase em 10 minutos e as mãos dos médicos, assim como suas mangueiras, puderam finalmente descansar.

(continua amanhã, com muito mais informações e fotos)

Albert Camus

Alguma coisa em O homem que amava os cachorros me lembra Camus.

A morte de Camus, num medíocre acidente de automóvel, aos 46 anos, lembra Moscou. Só hoje descobri que não apenas eu faço a relação. O escritor e tradutor checo Jan Zabrana sugere a possibilidade de que Camus tenha sido assassinado por ordem do Ministro das Relações Exteriores da URSS, Dmitri Shepilov, em retaliação à oposição aberta que o escritor vinha fazendo ao país — particularmente no artigo publicado na revista Franc-Tireur de março de 1957, em que atacava pessoalmente o ministro, responsabilizando-o pelo que chamou de “massacre”, durante a repressão soviética à Revolução Húngara de 1956.

Em sua crítica, Camus citara o poeta americano Walt Whitman. Afirmara “sem liberdade, nada pode existir”. Ganhou assim, a inimizade de stalinistas e de simpatizantes da URSS. Olivier Todd, no livro Albert Camus — Uma Vida (Record, 877 páginas), relata o acidente:

A vinte e quatro quilômetros de Sens, na Rodovia 5, entre Champigny-sur-Yonne e Villeneuve-la-Guyard, o Facel-Véga, depois de uma guinada, sai da estrada em linha reta, se arrebenta contra um plátano, ricocheteia para cima de uma outra árvore, se desmantela. Michel Gallimard sai gravemente ferido — morreu cinco dias depois –, Janine ilesa, Anne também. O cachorro desaparece, Albert Camus morreu na hora. O relógio do painel é encontrado bloqueado às 13h55. A seus amigos, Camus dizia com frequência que nada era mais escandaloso do que a morte de uma criança e nada mais absurdo do que morrer num acidente de automóvel.

camus

Começam as especulações

distintivo-grenalComeça a parte mais chata do ano, a das especulações da imprensa esportiva. O Inter já teria contratado Tite para técnico, Dudu para seu ataque e Fábio Mahseredjian para a preparação física. Tudo muito adequado não fosse o fato de as eleições para a presidência do clube serem no próximo sábado… Estamos com dois candidatos à presidência que contratam e contratam.

Por falar nisso, votarei em Píffero no próximo sábado. A mim, o acerto — este sim anunciado — entre Abel e o candidato Marcelo Medeiros soa como uma ameaça. Nós vimos como Abel se classificou para a Libertadores. Em bom português, o nome daquilo é casualidade, sorte, rabo, cu. Nada de estratégia, nada de bom futebol, nada de nada do que pareça orientação e treinamento. Abel tem que sair. A grande duvida é como reagirão os jogadores com a saída de seu querido técnico.

Enquanto isso, o Grêmio parece que parte para um desmanche. Oito jogadores de bom salário devem sair e três virão. A venda de Barcos já é admitida abertamente. Vai para o México. Douglas e Maxi Rodríguez voltam. Segundo Felipão, que adquiriu perigosos ares de presidente do clube, serão contratações “cirúrgicas”. Se eu fosse gremista, estaria em pânico.

Uma espetacular vitória na despedida de Abel Braga e Alan Ruschel (veja os gols da façanha e a fuga alucinada do juiz)

Valdívia engana e engana-se em Florianópolis

Valdívia engana e engana-se em Florianópolis

Não, infelizmente, Abel não se despediu, nem Alan Ruschel, trata-se apenas de um desejo deste comentarista que quase arrancou os cabelos restantes neste CRUENTO sábado à tarde. Incrível, Abel fez de tudo para ser DEVASTADO neste jogo e eu só o aceitaria em 2015 se ele garantir permanecer com a sorte incrível dos últimos jogos. O que foi a escalação de hoje? Para que três zagueiros? Nós só havíamos jogado (muito mal) contra o São Paulo neste esquema. Hoje, “amparado pela ausência de D`Alessandro”, Abel remontou o que não tinha funcionado e voltamos a fazer uma partida ABOMINÁVEL. Como viramos para 2 x 1, só a Nossa Senhora dos Últimos Minutos, citada por Luís Augusto Farinatti, pode explicar.

Como escreveu o Luís Felipe dos Santos no Facebook:

Resumo do torcedor do Inter em 2014:
- precisamos ganhar! ‪#‎vamointer‬
- nossa, que ataque ruim
- nossa, que zaga horrível
- não tem como ganhar com esse time
- GOL
- NOSSA, COMO ESSE TIME GANHOU DE NOVO?

Quem não viu o jogo, não acredita. Aos 49min59, PAULÃO fez um lançamento TODO TORTO em profundidade para WELLINGTON SILVA. É óbvio que isso só podia acabar em MERDA, mas não no Inter de Abel. Wellington Silva levou no peito como se fosse um jogador de futebol, mas concluiu como Wellington Silva mesmo. Saiu-lhe um chutinho CHOCHO, triste, sem graça. Tão chocho e sem graça que ILUDIU o goleiro, o qual saltou como se estivesse brincando em casa com seu gatinho. Logo depois a câmera mostrou Abel ao lado do campo. Ele parecia o ursinho Puff feliz, ROTUNDINHO, pulando com seus bracinhos no ar, um amor. Parecia até que tinha algum mérito. Nossa, Abel, tu tens muita sorte, és um amuleto, não um técnico de futebol.

Eu penso nesse jogo e… Como explicar o gol de empate do Inter? O pior jogador em campo, Alan Ruschel, deu um cruzamento perfeito num escanteio. Rafael Moura entrou na corrida e cabeceou consciente, no ângulo. Dá pra entender?

Ao final da partida, após o árbitro distribuir RAMALHETES de cartões vermelhos para quatro jogadores — 2 de cada time –, teve que fugir (ver o segundo vídeo) dos jogadores do Figueirense após receber um peitaço de Thiago Heleno. Foi muito engraçado. Demonstrando um talento insuspeitado, Rafael Moura foi seu LEÃO-DE-CHÁCARA durante todo o episódio. Jamais vi tanta ATITUDE nele.

Como comentar um jogo sem sentido? Não sei o que dizer. Só sei que o Inter está no Grupo 4 da Libertadores com Emelec-EQU, Universidad-CHI e o vencedor de Morelia-MEX e The Strongest-BOL. O outro caminho — o que ficou para o Corinthians — é terrível: São Paulo, San Lorenzo do Papa, atual campeão da Lib, e Defensor-URU. E os corintianos ainda terão que vencer um time colombiano antes.

Acabamos bem o ano. Fizemos um check-up cardíaco e ainda ganhamos uma boa vaga.

E viva o Inter!!!

Aqui, os gols e melhores lances:

Aqui, a fuga do árbitro, protegido por Rafa Moura:

Porque hoje é sábado, A Bunda, que Engraçada

A bunda, que engraçada

Poema de Carlos Drummond de Andrade

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A bunda, que engraçada
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

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Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora — murmura a bunda — esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

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A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

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A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

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Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.

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A bunda é a bunda
redunda.

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Sobre o caso Idelber Avelar, o recado de um escaldado

Fazer o quê? Não resisti à imagem de um pinto triste

Fazer o quê? Não resisti à imagem de um pinto triste

Quando, avisado por um amigo, li o post de Lola Aronovich, fiquei estupefato e estupefato. Estupefato pelo conteúdo que é, no mínimo, altamente privado, e estupefato pela tolice de Lola. Pensei imediatamente nos malefícios da vaidade e no amor aos cliques da paladina. Pois aquilo, na minha opinião, foi um impulso bobo em busca de uma fama que apenas a levará ao pagamento de uma bela indenização. E o pior é que ela, desculpando-se e lamentando falsamente o desassossego que causava a seus leitores, ainda escreveu mais dois ou três posts a respeito do caso. E ainda não os deletou…

Tenho certa experiência nesta coisa de blogs x justiça. Certa vez, ofendi a escritora Letícia Wierzchowski em uma crítica a uma coluna que ela publicou em ZH. Fui processado por ela. Nos primeiros dias, cheio de razão, fiquei indignado, mas logo depois meu travesseiro começou a me dizer umas coisas estranhas e convenci-me de que, bem, ela tinha toda razão em ofender-se. Por um milagre, semanas depois, ela propôs retirar a ação, desde que eu sumisse com os textos. Aceitei imediatamente. Pura sorte, porque iria bailar muitíssimas canções polonesas na justa.

Depois fui processado pela atual vereadora Mônica Leal e, não obstante tivesse boa dose de razão, fui condenado. Paguei a ela um valor bem alto para um pelado como eu. Não pretendia pagar, mas até o inventário da minha mãe estava embargado…

Fico pasmo que Lola, as(os) autora(es) daquele blog O estranho caso do prof. e outros que se manifestaram em termos definitivos de condenação de um “poderoso machista manipulador” — prevendo até mesmo o final da carreira acadêmica de Idelber – não tenham se dado conta de que uma pessoa que não tenha agredido nem forçado fisicamente suas parceiras, não é um criminoso, segundo nossa lei.

Eles terão que provar ou que houve crime em enviar privadamente mensagens e imagens pornográficas ou que Idelber manteve casos com menores. Se não comprovarem isso, melhor prepararem uma boa poupança. Sugiro que passem seus bens para amigos ou parentes. Essas pessoas necessitarão desfazer esta afirmativa do Idelber, feita hoje em seu perfil do Facebook – Sim, gosto de sexo. Sim, falo muito de e faço muito sexo. Com quatro regrinhas claras: consensualmente, com adultas, jamais com chefes ou subordinadas e em privacidade.

Algo me diz que não conseguirão. Várias(os) já estão chamando o professor de arrogante. Mas nenhum juiz condenará a possível arrogância de Idelber.

Finalizando, acho que o Idelber não tem nada a comemorar, nada mesmo, ele só perdeu; mas quem o ataca não tem noção das leis sob as quais vive. Na justiça, há que produzir provas, provas incontestáveis. Vejamos se aparecerão. Acreditem, aqueles prints não valem nada para efeito de justiça.

P.S. — A maioria de meus sete leitores sabem que sou amigo do Idelber. Ele esteve hospedado em minha casa com seus dois filhos e ninguém de minha família foi assediado. Foram três ou quatro excelentes dias. Nada de pintos.

Pequenas férias

Encomendei umas pequenas férias até o dia 7 de dezembro. Na verdade, era obrigado a tirar esses 10 dias, pois neste mês já tenho direito a mais 30. Programei ficar em Porto Alegre para resolver uma coleção de pentelharias pendentes. O problema é que faltam só dois dias úteis e as pequenas obrigações são muito maiores do que o tempo disponível. Fracassei fácil fácil. O dia de amanhã, por exemplo, já está inteiramente tomado. Tenho pequenos compromissos de manhã à noite e, se quiser, morro na sexta ainda correndo atrás da máquina.

Tenho a impressão de que se houvesse um turno livre da semana destinado a que resolvêssemos o problema com a Net, com o novo telefone, com o marceneiro ou com o diabo, a vida toda seria vivida sob um algoritmo menos pesado. O bom é que as filas fizeram com que eu lesse mais o excelente e verboso O homem que amava os cachorros, do cubano Leonardo Padura. Com 600 páginas, não é um livro adequado para filas — é quase musculação –, mas a trágica e triste história de Trotski e de seu algoz Mercader é realmente fascinante e, às vezes, chego a desejar maior lentidão. Sim, lentidão nas filas. Como dizia um amigo, não me cobrem coerência.

Além das coisas burocráticas, também tenho me sentido um verdadeiro homem ao resolver coisas mínimas em casa. Também, quando a gente vê que em casa de músicos as mangueiras dos gases estão com os prazos de validade vencidos há 13 anos, aí alguém tem que tomar alguma iniciativa, né? Gosto de avião, não de voar pelos ares, se me entendem.

É o momento de fazer aflorar o homem que há em nós!

Este é  o momento de fazer aflorar o homem que há em nós!

Em Pelotas, numa noite que deveria ter sido mais longa

Isso ocorreu na quinta-feira, 27, mas só agora deu tempo de escrever a respeito.

Eu gosto muito de Pelotas. É uma cidade mais viva e cheia de personalidade do que o normal do interior do RS. Empobreceu nas últimas décadas, mas permanece com uma vida cultural muito mais ativa do que, por exemplo, os endinheirados da serra gaúcha. O comportamento dos pelotenses também é diferente. Exemplos: lá eles não torcem prioritariamente para Inter e Grêmio e sim para Brasil e Pelotas, tendo ainda o contraponto do Farroupilha. Mais um exemplo: a vida musical da cidade é ativa, com um alto número de espetáculos e festivais — proporcionalmente ao tamanho da população e ao estado em que vivem. Como o de Festival de Jazz, recém finalizado com a presença de Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos. É mole?

Só por isso já seria uma honra ser convidado para falar com os alunos de Jornalismo da UFPEL, mas havia mais. Quando cheguei à cidade, me aguardavam os professores Eduardo Silveira de Menezes acompanhado de outro professor, Ricardo Fiegenbaum, e de um cara que conhecia há quase 40 anos, e com o qual falara talvez uma vez, lá nos meus curtos e confusos tempos da Fabico. Naquela época, o Prof. Jairo Ferreira era um aluno incomum, pois era uma importante figura do DCE (presidente, senão me engano…), militando no partido com o qual eu mais simpatizava na época e em cujo candidato Lauro Hagemann votava: o PCB. Jairo era o segundo mais votado na rarefeita lista de candidatos comunistas. O reconhecimento de Jairo e o tratamento recebido na chegada à cidade foram muito estimulantes, porque vou contar uma coisa a vocês.

Eu sou um péssimo palestrante. Atrapalhado, sem técnica, às vezes nervoso, muito preocupado com o conteúdo e sempre surpreso por estarem me ouvindo, acabo por fazer resumos do que penso terem sido, horas antes, gloriosos ensaios. Mas, de vez em quando, a coisa funciona. Creio que funcionou no StudioClio com a Joana Bosak e funcionou novamente em Pelotas com o Prof. Jairo Ferreira. Ou talvez tenha sido a gentileza com que fui tratado pelo Prof. Eduardo Silveira de Menezes antes, durante e depois da palestra, ou o fato de falar para jovens, ou a proximidade do Bento Freitas. Não sei. Só sei que pela segunda vez na minha vida fiquei satisfeito com minha participação em uma palestra.

Mas sei que os méritos foram do Jairo, que sistematizava a torrente de argumentos e fatos que eu vomitava. O cara é tão bom e inteligente que tratou seguir os dados e informações que eu divulgava, buscando argumentos em sua erudição e num estudo de um aluno seu sobre a Lei de Meios, que apareceu coerente e inesperadamente na palestra improvisada. Ah, pois é: não disse o tema da palestra: era A função social do jornalismo. As possibilidades de se fazer um jornalismo comprometido com o interesse público. A ênfase era no Sul21, claro.

Depois do encontro, fomos a um espetacular restaurante. A conversa também era excelente. Comi a entrada e… Bem, quase morri lamentando para o Prof. e GPS Fábio Cruz o fato de ter que retornar a Porto Alegre no ônibus das 23h30. O prato principal foi apenas “provado” por mim, pois chegara á mesa ás 23h10… Pecado grave, deixei um copo de Patricia pela metade, imaginem! Mas o fato é que fiquei muito feliz de ter conhecido aquele grupo de pessoas e, na próxima oportunidade, se eles tiverem a coragem de me reconvidar, vou dar um jeito de comer e beber decentemente com eles.

Um idiota com o olhar perdido e o Prof. Jairo Ferreira

Um idiota com o olhar perdido e o Prof. Jairo Ferreira

Jairo Ferreira despeja coerência ao lado de um cidadão que não se encontra.

Jairo Ferreira despeja coerência ao lado de um cidadão que não se encontra.

Ele fala enquanto olha para o nada, provavelmente

Ele fala enquanto olha para o nada, provavelmente

Jairo Ferreira respondeu no Facebook:

Um belíssimo encontro com o Milton RibeiroRicardo FiegenbaumEduardo Silveira de MenezesGilmar Hermes, na faculdade de jornalismo na UFPEL.

Relatos de experiências. Para mim, discussão da lei dos meios articulada com a midiatização da sociedade. Coisa que comecei a pensar estimulado pela pesquisa do Eduardo Covalesky Dias, na UFPR, sobre as leis dos meios na Argentina. Coincidências. Estava na Argentina quando da mobilização pela lei dos meios. Isso ajudou na conversa.

Quem continua jovem é o Milton. Ideias jovens.

Inquietações juvenis. Ouvidos que não envelheceram. Olhar que não necessita de lentes para ver. Um jornalista. Seu rico relato me permitiu fazer inferências sobre a conjuntura dos meios que não tinha ainda feito.

De sobra, a novidade foi encontrar Milton falando como observador de minha adolescência militante. Não era presidente do DCE da UFRGS. Era da diretoria, responsável pela atividades culturais. Promovemos o primeiro festival da arte universitária, período da abertura. Fui presidente do DABICO, onde participei e liderei, com muitos colegas, a primeira greve por melhores condições de ensino na faculdade de jornalismo. Era do PCB, mas militava, no começo, com tendência do PC do B.

Eu, um cara que tento “botar a lógica” nisso que chamamos de comunicação, aprendi muito com o relato sobre o Sul21. Me senti envelhecido ao lado de suas preocupações típicas de um jovem jornalista.

Mas tudo rejuvenesce, sim, como bem diz o Milton, em Pelotas. Pelotas é uma cidade. Cidade maior. Cidade que lembra a minha infância, seis anos depois de ter nascido em Porto Alegre, com longas pescarias na Lagoa, no Canal e até na barra dos molhes em Rio Grande. Lembra meu avô negro, o Otacílio, filho de escrava alforriada, casado com minha avó Maria José, filha de um português pouco simpático. Anos depois, minha primeira esposa, minha primeira grande paixão, descendente de alemães. Dos casarios, com suas telhas portuguesas, à ditadura endurecendo em 68, com repressões aos movimentos estudantis. Lembra o sangue dos estudantes reprimidos.

Enfim, viva. Não só porque tem muitos restaurantes de qualidade, sempre ativados pelos olhares e escutas.

Mas, principalmente, porque Pelotas é onde também se vê estudantes em campanha defendendo a derrubada dos muros. Das fronteiras. Adeptos da osmose absoluta. Românticos e utópicos que me fizeram voltar feliz, mesmo que esteja, tanto tempo depois, sempre tentando entender porque somente alguns muros caíram e outros ficaram mais fortes.

Voltei mais militante pelo sucesso da experiência do Sul21. Prometi ao Milton que vou pensar nisso, tão logo minha intensa agenda acadêmica me permita fazê-lo.

Boa noite, Abel Braga (veja os gols de Inter 3 x 1 Palmeiras)

Taiberson comemora o primeiro gol do Inter sobre o Palmeiras

Taiberson comemora o primeiro gol do Inter sobre o Palmeiras

Foi uma vitória justa, apesar do sofrimento que houve com a apatia do time desde o gol de empate do Palmeiras até o gol de Fabrício, o qual tem um apelido, nome e sobrenome: Valdívia ou Wanderson Ferreira de Oliveira. Após o empate do Verdão — que está mais para Verdinho –, nós estávamos caindo em depressão, o Palmeiras tomava incompreensivelmente o controle da partida e a gente se enrolava nas próprias pernas.

O time do Palmeiras é realmente fraco e merece estar entre os quase rebaixados. Bruno César, jogador que entrou no segundo tempo, mostrava uma barriga de grávido. Parecia uma piada, sei lá. Foi só colocar um pouco de velocidade e acertar os passes, qualidades trazidas magicamente por Valdívia, que os gols recomeçaram a sair.

Agora com 66 pontos, o Inter chega ao domingo em terceiro, mas volta ao quarto lugar se o Corinthians vencer ou empatar com o Fluminense amanhã. Entrando em quarto, teremos que jogar a Pré-Libertadores em fevereiro. Puro estresse. Não acredito que acabemos em terceiro, mas seria excelente. Esse jogo extra para entrar na Libertadores é daquelas coisas são usadas pelos preparadores físicos para justificar todo um ano de lesões musculares. Ah, nós tivemos que acelerar a preparação para aquele jogo no início de fevereiro… Lamentável.

Mas estamos na Lib-2015. Isso é o que interessa!

Porque hoje é sábado, a arte de Georgy Kurasov

* Eu raramente escrevo bêbado, mas há exceções,¿como no?

Por que, no reino animal, sempre o macho é mais bonito?

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E por que, no caso do ser humano, a fêmea é tão mais bonita?

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Por que, no mundo animal, são os machos que se exibem para as fêmeas?

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Temos o pavão, o leão, o veado…

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OK, nós também nós damos nosso showzinho quando precisamos,

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figuras patéticas, feias de dar dó.

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Este dimorfismo sexual,

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que é tão diferente nos animais e na espécie humana,

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sempre perturbou o PHES.

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Pois, na nossa opinião, as mulheres são muito mais belas e interessantes

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sob qualquer perspectiva. Simples assim.

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Os artistas também as preferem.

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Elas são muito mais curvilíneas e menos peludas,

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e têm voz e gestual mais agradáveis que os do nosso sexo..

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Há mais modelos mulheres do que homens

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(e elas certamente ganham muito mais).

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Os pintores que se dedicam aos nus raramente convidam homens.

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Para quê?

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Como comparar, poe exemplo, a perfeição de uma vulva e dos seios de uma mulher

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com a simplicidade constrangedora de nosso peito e de nosso pênis?

2

Vejam o sem-gracismo do homem acima, que tomou esteroides para aparecer.

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Só servimos para alguma coisa ao aplicarmos as mãos, mas isso não é beleza.

Seis drops ou citações para meus sete leitores

1. Virginia Woolf:

As mulheres, durante séculos, serviram de espelho aos homens por possuírem o poder mágico e delicioso de refletirem uma imagem do homem duas vezes maior que o natural.

Não é isso mesmo? É assim que me sinto quando Elena me observa, me dá atenção ou revela alguma admiração. Um gigante. Os homens são BOBOS.

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2. A estátua de Davi foi levada a diversos museus norte-americanos por um período de três meses, mas agora está de volta à Florença.

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3. Mia Couto:

O tempo é, como diz um provérbio de minha terra, um ovo: se não se segura bem, cai; se se aperta com força, quebra.

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4. Pablo Picasso:

Eu estou sempre trabalhando. Assim, quando a inspiração chegar, vou estar trabalhando.

Bach disse quase o mesmo. Comprovadamente, ambos trabalharam muito.

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5. Ontem, num restaurante onde sempre vou, o garçom me ofereceu a cerveja Coruja de sempre. Rejeitei-a, pois estava dirigindo. Ele respondeu que é o fim do mundo.

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6. Orhan Pamuk:

A pergunta que, com maior frequência, é dirigida a nós, escritores, a pergunta favorita, é: por que vocês escrevem? Escrevo porque tenho uma necessidade inata de escrever. Escrevo porque não posso ter um trabalho normal como as outras pessoas. Escrevo porque quero ler livros iguais aos que eu escrevo. Escrevo porque estou irritado com todo mundo. Escrevo porque adoro ficar sentado numa sala, escrevendo o dia todo. Escrevo porque só consigo tomar parte da vida real transformando-a. Escrevo porque quero que os outros, o mundo inteiro saiba que tipo de vida nós vivíamos e continuamos a viver, em Istambul, na Turquia. Escrevo porque amo o cheiro de papel, caneta e tinta. Escrevo porque acredito na literatura, na arte do romance, mais do que em qualquer outra coisa. Escrevo porque é um hábito, uma paixão. Escrevo porque tenho medo de ser esquecido. Escrevo porque gosto da glória e do interesse gerados pelo ato de escrever. Escrevo para ficar sozinho. Talvez eu escreva porque espero entender porque estou tão, tão irritado com todo mundo. Escrevo porque gosto de ser lido. Escrevo porque, tendo começado um romance, um ensaio, uma página, eu quero terminar. Escrevo porque todo mundo espera que eu escreva. Escrevo porque tenho uma crença pueril na imortalidade das bibliotecas e na maneira como meus livros ficam na estante. Escrevo porque é instigante transformar todas as belezas e riquezas da vida em palavras. Escrevo, não para contar uma estória, mas para compor uma estória. Escrevo porque desejo escapar do mau presságio de que há um lugar aonde eu devo ir, mas aonde – como num sonho – não posso chegar por completo. Escrevo porque nunca consegui ser feliz. Escrevo para ser feliz.