3º Concerto de Brandenburgo de J.S. Bach

Não requer justificativa nem explicação. Interpretação da Orquestra Barroca de Freiburg, sob a direção musical de Gottfried von der Goltz — no vídeo, o terceiro violinista à esquerda. É um dos melhores grupos barrocos da atualidade. Não estranhem o adágio de 13 segundos, é assim mesmo. Creio que Bach não quis interromper a verve rítmica dos movimentos externos e… Por favor, quem sou eu (ou nós) para criticá-lo?

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Tranquilo, sentado sobre minha opinião, bocejo

Fala por mim aí, Rafael Galvão!

Título do post: José Serra não está preparado para ser Chefe do Estado brasileiro.

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Ninguém merece um candidato desses

José Serra acusou o governo da Bolívia de facilitar a venda de cocaína. Isso é coisa que um futuro presidente diga assim no mais, sem provas e prejudicando uma futura relação com o país vizinho? Faltou ele dizer que até o sobrenome de um ministro boliviano é Coca… A seguir, trecho do texto de Clarissa Pont publicado hoje no Sul21.

Bolívia quer provas

A declaração repercutiu no país vizinho. Segundo divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo nesta quinta-feira, o ministro da Presidência de Evo Morales, Oscar Coca, disse que “se Serra sabe algo, que diga o que sabe e siga os trâmites legais para fazer a denúncia. Se não fizer, ele que é o cúmplice”.

(…)

O deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR) também comentou, nesta quinta, em seu Twitter: “Alguém que há tempos quer ser presidente precisaria, no mínimo, aprender a respeitar governos e povos dos demais países. Serra ainda não aprendeu”.

Serra já acumula gafes neste princípio de eleição

As declarações de Serra foram feitas durante entrevista ao programa “Se liga, Brasil”, na rádio Globo, no Rio de Janeiro. Sem apresentar qualquer tipo de prova, o pré-candidato tucano disse que o governo boliviano é cúmplice das quadrilhas de traficantes que atuam no Rio. “A cocaína vem de 80% a 90% da Bolívia, que é um governo amigo, não é? Como se fala muito”, provocou.

“Você acha que a Bolívia iria exportar 90% da cocaína consumida no Brasil sem que o governo de lá fosse cúmplice? Impossível. O governo boliviano é cúmplice disto. Quem tem que enfrentar esta questão? O governo federal”, declarou Serra, sem apresentar provas.

O cara é doido varrido, só pode.

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Teste para saber se você tem a mente suja

Foi enviado por uma amiga. Mas acho que ela não apreciaria ver seu nome ligado a este filme, ainda mais que não é habitué de blogs. O ápice ocorre lá por 1min40 (huh, that`s it!). A ideia é que você veja todo o filme apenas pensando no ganho físico que Shake Weight poderá proporcionar a seu corpo. Neste caso, você é puro é aquilo é somente Dynamic Inertia.

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Que venha a Copa — pois não suporto mais ver o Inter jogar / Farinatti comenta a delicada situaçã

Não sou especialmente tarado por Copa do Mundo, sou tarado por futebol e creio que as seleções sirvam mais para um desfile de bons jogadores do que como modelos de boa prática futebolística. Pela primeira vez em muitos anos, anseio pelo início da Copa. O motivo é que não suporto mais ver o Inter jogar, desperdiçando jogadores daquela forma tola. Ontem, eu e todos os comentaristas previram o que ia acontecer, mas Fossati foi em linha reta para a derrota. Não sei o que Fernando Carvalho espera do comandante do futebol. Qualquer interino, hoje, faria um tremendo bem ao time. Que venha a Copa.

-=-=-=-=-

Outro indignado, meu amigo Luís Augusto Farinatti, escreveu uma catilinária num comentário ao post anterior. Não concordo com ele em todos os detalhes, mas indiscutivelmente concordo com o cerne. Discordamos apenas no foco maior que dá à necessidade de jogadores, enquanto minha opinião é a de que poderíamos ter resultados muito bons com este grupo de jogadores mais um centroavante decente e com a simples dispensa de outros (Edu, Kléber Pereira, Nei, Bruno Silva). Também contataria um detetive a fim de procurar o futebol do outro Kléber. Ou seja, meu foco maior é no comando equivocado. O fato é que a derrota para o fraco Vasco da Gama, do modo como ocorreu, é inconcebível e gravíssima:

Há um universo de erros. Dentro dele, cada constelação tem seus protagonistas. Todos me parecem fáceis de perceber. O que explicaria, então, a insistência em não corrigi-los? Creio que as respostas não passam pela simples análise da bolinha que o Inter está jogando. Há mais coisas entre a sala da vice-direção de futebol e os gramados do que supõe o nosso vão sofrimento. Só pode ser, porque não é possível que não notem, entre outras coisas, as seguintes:

1- Só se é campeão com, ao menos, um atacante DIFERENCIADO (Nilmar, Sóbis, Ricardo Oliveira, Luis Fabiano, Adriano, etc.). O Inter não tem nenhum.

2- Fernandão, em forma, é diferenciado. Andava se arrastando quando pediu para sair do Inter. É verdade. Achou que podia voltar quando quisesse e ainda exigir um caminhão de dinheiro. Também é verdade. Tudo isso serviria como desculpa para não trazê-lo se o Inter, repito, tivesse ao menos um atacante diferenciado. Mas, ver aquele ataque que está jogando e ter desprezado Fernandão, parece provocação com a torcida.
Se estivesse no Inter, talvez Fernandão não jogasse maravilhas, mas já tinha dado um chega para lá no Fossati e começado a escalar o time, como fez com o Abel durante a parada para a Copa, em 2006, levando o Inter ao título da Libertadores.
Bem, talvez a coisa passe por aí mesmo. Andei sabendo que a liderança de Fernandão estava desgastada quando saiu. Talvez tenha havido veto de sua contratação por desavença pessoal com alguns jogadores ou com os manda-chuvas da diretoria.
Ou, a hipótese menos provável, FC achou que Fernandão voltaria fora de forma e esculhambaria o grupo querendo ser titular. Achou que Edu era fora de série. Se foi isso, seu erro foi monumental. Maior do que pagar US$ 1.000,00 pelo Bustos. Mas acho que não foi isso. Se fosse, teria trazido algum atacante quando viu que Edu não é possível. Eu gosto do FC, mas acho que, ou ele ficou burro depois de velho, ou há coisas que não sabemos…

3- O Inter não tem zagueiros confiáveis. Talvez Bolívar. É preciso trazer dois. Um, no mínimo. Para ontem.

4- Fossati muda o esquema a cada jogo, o time parece uma geleia. E, pior de tudo, o time dele não tem alma. É uma esculhambação insegura. O Abel, pelo menos, botava coração, mesmo escolhendo táticas absurdas, como aquele 4-2-4 com que perdeu o Gauchão de 2006 para o Pedro Júnior. JÁ DEU HÁ MUITO TEMPO! Em termos de treinador, sou um continuista, mas tudo tem limite. Quando a coisa está desse jeito, merda nova é melhor que merda velha. FORA FOSSATI!

5- O Inter está jogando tão mal, que não precisaria ter um goleiro frangueiro, inseguro e peripatético. Pois foi contratar um desses. Um cara que já foi um grande goleiro, mas que hoje lembra bisonhices como Gomes e Tabarelli (para ficar com dois nomes que me deram muita alegria no passado). O time fica todo cagado com ele lá atrás. Se é por passado, coloquem o Manga, que está no Beira-Rio dando sopa e duvido que ataque pior que nosso atual titular.

6- Muitas, muitas, muitas outras coisas…

Temos jogadores e torcida para reverter o quadro. Mas a direção precisa querer. As mudanças emergenciais devem ser:

1- Trazer um atacante DIFERENCIADO, dois zagueiros confiáveis. JÁ!!!!!!!!
2- Mandar o Fossatti para o Equador ou para a pqp.
3- Pagar para alguém levar os pesos mortos: Kleber Pereira, Abondanzieri e Edu.
4- Reabilitar Marquinhos e Tiago Humberto, ao menos em nível de grupo.

Não sou religioso, mas OREMOS para que os fatores que NÃO SABEMOS deixem de influenciar o julgamento dos dirigentes do Inter. Do contrário, é brigar para não cair.
Já estou secando o Atlético Goianiense…

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Perder para um time que não existe

Porque há coisas que só Fossati faz para você… Será que alguém consegue me explicar a entrada de Juan e a saída de Andrezinho? E por que ele briga com os fatos?

Vasco 3 x 2 Inter (primeiro tempo: 2 x 0 para o Inter)

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Meu Sonho de Duas Horas Atrás

Publicado em 4 de maio de 2007

Eu estava dirigindo meu carro em Porto Alegre e ia deixá-lo na garagem de um casal de amigos. Depois, seguiria a pé para não sei onde. O portão estava aberto. Entrei e estacionei o carro quase encostado na parede da casa. Vi através de uma enorme e indiscreta janela de vidro a mulher de costas, levando o café escada acima. Rebolava cuidadosamente com a bandeja nas mãos; estava de blusão e calcinhas, mas aquilo não me interessou. Aquele café tinha um significado. Era o primeiro. O homem abriu a porta da frente e me disse que ela estava lá. Reconheci nele o Társis. Estava muito tenso e, quando o abracei, deu uma risada fora de tempo. Uma coisa estranha e meio cuspida.

Entramos e a Gabi desceu já sem o blusão, vestida com um chambre que lhe chegava aos pés. Meu daltonismo ficou indeciso quanto à cor. Ela me beijou e disse que eu adivinhava quando e onde havia pão novinho e quente. Ela sabe das coisas. Completou me acusando de ser um magro com cabeça de gordo. Já disse que ela sabe das coisas.

– O papai agora vai acordar cedo todos os dias para buscar pão na padaria da esquina. Para a filha, nada de coisa velha. De coisa velha basta eu.

Riu e olhou para o Társis, que escondeu o rosto na xícara enorme e cor de laranja. Ouvimos um som de passos descendo as escadas e uma voz infantil:

– Gabi, me ajuda?
– Milton, lá vem ela. Dá uma de tio bonzinho, seu monstro.

Acordei.

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As séries de TV… e Pesquisa mostra que assistir televisão emburrece

Engraçado como as pessoas VEEM mesmo TV. Eu nem lembro de ligar. Ainda mais para ver séries. Não entendo quem vê séries. Seria amor ao previsível? Pois aqui em casa houve uma curta febre de House. Sinceramente, eu queria que ele fosse meu médico. Vai me ofender — talvez me bata — , mas vai me salvar. O homem salva todo mundo. Nunca vi um caso daquela equipe acabar em desgraça. Estropiados ou não, sabemos que sairão ofendidos, humilhados e vivos para suas existências televisivas. Muito chato.

No passado, os guris capitanearam uma febre de Friends. Era muito mais grave, porque em Friends há uma claque que avisa o telespectador idiotizado o momento de rir. É uma especie de emoticon sinalizador de bom humor ou dizendo “perceberam?, foi uma piada!”. Nego-me a assistir um programa que me indica quando rir. É como os desenhos animados do passado, que tinham uma bolinha indicativa na letra das canções. Agora, todo mundo segue a bolinha, tá?

Ontem, no twitter, o Andrehp — além de dizer que para quem pensa pouco tudo é imprevisível — descreveu as séries como uma espécie de doença. Concordo. É como se a necessidade de ficção das pessoas estivesse de tal forma distorcida que uma tênue historinha de final conhecido já fosse suficiente. Parece-me que nos últimos dias houve o final de uma temporada de Lost. Quem esteve na internet por esses dias pode sentir a algaravia em torno do fato fundamental. O plot é um fenômeno de verossimilhança. Um avião cai ou faz um pouso de emergência numa ilha. Muitos ou todos se salvam. Ficam lá por dias e dias, infelizmente. Começa a luta pela sobrevivência. As paixões aparecem e os acontecimentos se precipitam. As mulheres devem ser gostosas e só pode ter a boa, a má, a esperta, a infiel, a covarde que faz mal por ser covarde, a estóica, etc., todos com seus equivalentes masculinos. É um grupo humano do qual podem ser retiradas mil histórias e que devem ter mais para se preocupar do que chamar a atenção do mundo para seu isolamento. Um Robinson Crusoe em grupo, com californianos. Não sei há nativos, mas se há devem ser inimigos e os maus aderem a eles, tramando a tomada do poder na ilha. Do cacete, nunca vi disso!

Enquanto isso, meu cunhado Natal Antonini me envia um interessante texto:

Pesquisa com mais de mil crianças mostra que assistir televisão emburrece
Publicada em 03-05-2010
O Globo com agências internacionais

RIO – Uma polêmica que está sempre indo e vindo, virou hit com os Titãs (“a televisão me deixou burro muito burro demais“) e é alvo de inúmeros estudos científicos volta à tona a partir de uma nova e enorme pesquisa da Universidade de Montreal, no Canadá: assistir à televisão emburrece as crianças, como mostra reportagem do The Independent . Os cientistas acompanharam 1.314 crianças nascidas em Quebec entre 1997 e 1998, com idades entre 29 meses (2 anos e meio) e 53 meses (4 anos e meio) até chegarem aos 10 anos. Seus pais precisavam relatar quantas horas os filhos assistiam à TV e os professores avaliavam a evolução acadêmica delas, suas relações psicosociais e seus hábitos de saúde. Em média, as crianças de 2 anos assistiam a 8,8 horas por semana à TV e as de 4 anos, uma média de 15 horas por semana. A pesquisa foi publicada nesta segunda-feira no Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine.

Os pesquisadores descobriram que os pequenos que passavam mais tempo em frente à telinha eram piores em matemática, comiam mais junk food e sofriam mais bullying ( como saber se seu filho é vítima de bullying – e como ajudá-lo ) de outras crianças.

As descobertas mostram que há evidências científicas de que a TV prejudica o desenvolvimento cognitivo e que o governo canadense deveria limitar o número de horas das crianças em frente à TV. Os pediatras americanos já recomendaram que aquelas com menos de 2 anos não deveriam assistir à TV alguma e as mais velhas deveriam ter um limite diário de 2 horas por dia no máximo. A França já proíbe programas para crianças com menos de 3 anos e a Austrália recomenda que as entre 3 e 5 anos não assistiam a mais de uma hora por dia.

Os cientistas que conduziram o estudo afirmaram que a fase pré-escolar é importantíssima para o desenvolvimento do cérebro e que o tempo em frente à TV é um desperdício e pode levar à aquisição de hábitos ruins. A autora do estudo, Linda Pagani, da Universidade de Montreal, disse que o impacto negativo de se assistir à TV nesta idade permanece por toda a vida.

— Nossa descoberta mostra que este é um problema de saúde pública e que deveria existir um guia com diretrizes da Academia America de Pediatria sobre o número de horas recomendado em frente à TV.

O psicólogo Aric Sigman, que fez a revisão de 30 estudos científicos sobre TV e computadores, disse que os programas mostrados nos aparelhos modernos têm uma velocidade de edição mais rápida, sons mais altos e cores mais intensas do que nos anos 60 e 70, e que isso afetaria “dramaticamente as nossas mentes”.

http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2010/05/03/pesquisa-com-mais-de-mil-criancas-mostra-que-assistir-televisao-emburrece-916482250.asp

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Pelo Sim, Pelo Não

Publicado em 10 de outubro de 2005

1. Prólogo do Leigo:

Em minha opinião, o referendo sobre o desarmamento é uma questão secundária em nosso país. Não a chamaria de ociosa, mas creio que há questões que mereceriam maior atenção, seja para um referendo, seja para uma discussão em âmbito nacional. A descriminalização do aborto, por exemplo, é algo aceito na maioria dos países e aqui ainda estamos presos a uma legislação atrasada. Minha opinião favorável a esta descriminalização não deve ser vista como uma provocação aos cristãos, até porque não julgo o aborto, apóio sim é o direito de escolha. Outro ponto que demandaria maior atenção é a descriminalização das drogas. O que aconteceria com os traficantes e usuários? A violência diminuiria ou aumentaria? E o número de viciados? Outra questão fundamental que foi varrida para debaixo do tapete é a Reforma da Previdência. Afinal, o “direito adquirido” segue tornando seres especiais os funcionários públicos, os quais receberão aposentadorias integrais, enquanto que o restante ficará com suas pensõeszinhas e terão de optar entre comer ou comprar remédios. E a distribuição de renda? Bem, nem vou entrar neste tópico.

Desta forma, elegeria outros temas no lugar do desarmamento. Caricaturizando minha posição, sinto-me como aquele cara que assiste a uma acesa polêmica sobre futebol, pede a palavra e declara que tal esporte é praticado por imbecis. Sei muito bem que quem entra numa controvérsia criticando sua existência pode acabar alvo dos petardos dos dois grupos, mas paciência, o desregramento a que se permite este leigo sempre foi a sinceridade. A seguir, pois, desarmamento.

2. Argumentação do Leigo:

[Entram His Majesties Sagbutts and Cornetts. Surpreendentemente, atacam Fanfare for the Common Man, de Aaron Copland. Ao final dos três minutos da peça, saem.]

Temos o melhor sistema de classificação de óbitos da América Latina. Houve redução de 4,6% nas internações por arma de fogo com o desarmamento, isso é um fato.

MARIA DE FÁTIMA MARINHO DE SOUZA, Coordenadora de Informações e Análise Epidemiológica do Ministério da Saúde.

Supõe-se que a maioria das pessoas queiram o bem das outras, o que não significa que todos mereçamos canonização. Não sei se meus 7 leitores sabem que tenho uma divindade que responde correta e infalivelmente a quaisquer consultas minhas. Pois este oráculo, que neste mundo atende pelo nome de Stella, disse-me num telefonema (Serviço Oráculo On-line) que a mente humana é algo muitíssimo vulnerável às intempéries. Obrigado, oráculo. Todos podemos ser vítimas de 5 minutos daquele diabólico descontrole nosso conhecido. Presa dele, podemos desejar liquidar quem corta a frente de nosso carro, o vizinho que faz barulho à noite, o cara que nos ofende, o bêbado que nos segura o braço, o gremista que nos provoca ou nosso cônjuge. Quem ouve e compreende Mahler sabe que mesmo alguém supremamente erudito e sábio, como o compositor austríaco, tem seus 5 minutos — qualquer um os tem! Pergunto: quando um destes acessos nos pega com uma arma a nosso dispor, podemos garantir seu uso apenas em caso extremo? E para a sociedade, é melhor uma agressão verbal ou física ou outra que possa tornar-se armada?

Após a tragédia, já sabemos o sentimento de todos. Que horror, coitada da vítima. O estudo que publico abaixo (Parte 3) e que não foi escrito por leigos no assunto, demonstra como o uso de armas por cidadãos despreparados é perigoso até para estes projetos de Rambo.

Os argumentos do Não são miseráveis. Vamos deixar de lado a boba filigrama jurídica do direito adquirido; afinal, este direito — aqui, trata-se do “direito adquirido de matar”, bem entendido — é análogo ao que mantém as aposentadorias integrais ao lado das citadas pensõeszinhas, pois não há dinheiro para todos, mas alguns adquiriram o direito de receber… argh! Os programas do Não copiam a revista Veja que, em sua edição de 5 de outubro, aponta sete razões para votar negativamente. Há ali, é claro, (1) o direito adquirido. Os outros motivos, em minha opinião, serviriam para zombarias se não estivessem na capa da maior revista brasileira. (2) Dizem que a polícia brasileira seria incapaz… E é, mas o cidadão comum está a substituí-la com brilhantismo; prova disso é que ele, quando armado, tem 56% mais chances de ser morto. (3) O ladrão temeria as armas… Não parece, pois grande parte dos roubos é realizada com o objetivo de tomar posse da arma do agredido; isto é, o cidadão armado é bastante cobiçado. (4) Os criminosos não obedeceriam a nova lei… Bem, este argumento é especialmente brilhante ao aspirar a obediência dos criminosos às leis. (5) Hitler, Stálin, Fidel, Mao e Mussolini proibiram seus povos de possuírem armas… Aqui seria melhor que nos esclarecessem a nova e grande Teoria da Conspiração que a revista, de forma olaviana, sugere. (6) O referendo desviaria a atenção do que deve ser feito: a limpeza e o aparelhamento da polícia, da justiça, etecétera…. Mas pô, nós, os do Sim, discordamos disto? E não param por aí: (7) dizem que aumentaria o contrabando de armas… Novo argumento estranho, que vai contra a recente tendência de evolução de nossa Polícia Federal (e não falem mal da PF, pois tornei-me fã de los federales brasileños!). Outros argumentos encontrados de forma esparsa é que antes deveríamos eliminar outras causas de morte, tais como a miséria, a corrupção, o automóvel, a droga e o cigarro. Bem, haveria então uma ordem natural para a resolução dos problemas do país e deveríamos escolher primeiro outro item?

Como vemos, há a argumentação do Não é obtusa e não resiste a simples equação: mais armas, mais mortes; menos armas, menos mortes. Para auxiliar o pessoal do Não, digo que preocupo-me apenas com os crimes realizados no campo. A Veja, zelosa porém tola, esqueceu-se disso.

[Entra novamente o grupo His Majesties Sagbutts and Cornetts. Desta vez, tocam a Music for His Majesty`s Sackbuts And Cornetts, de Matthew Locke. Saem.]

3. A opinião de quem conhece o assunto:

O Desarmamento em Questão (retirado do site do Instituto Latino Americano das Nações Unidas para Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente)

Fonte: Boletim IBCCRIM nº 132 – Novembro / 2003

Na data de 28 de agosto deste ano, o Instituto Brasileiro de Ciências Criminais promoveu uma mesa de Estudo e Debate sobre “Porte de Armas e o Estatuto do Desarmamento”, com a participação do juiz Benedito Roberto Garcia Pozzer, 2º tesoureiro do IBCCrim, e do diretor-executivo do “Instituto Sou da Paz”, Denis Mizne.

A mesa versou sobre tema de alta relevância para a sociedade, que tem mostrado seu interesse sobre o assunto desde que este entrou na pauta do Congresso Nacional. Com os números alarmantes da violência nos grandes centros urbanos do País, a população afirma que pode e quer contribuir para a reversão desse quadro e assim se faz presente debatendo, questionando, procurando parlamentares e indo às ruas pela aprovação do Estatuto do Desarmamento.

A pretensão da nova lei não é a de solucionar todas as mazelas que assolam a segurança pública no País. A violência é visivelmente complexa e para combatê-la é necessário um conjunto de ações, que cuidem de outros fatores, além das armas. Dentre esses, a desigualdade social, a qualidade do ambiente urbano, a eficiência e credibilidade dos sistemas de justiça e segurança pública, a geração de renda, para citar apenas alguns.

Embora esteja posto um desafio maior para a política de segurança do País, a opinião pública enxerga acertadamente o desarmamento como um passo, dentre outros tantos necessários, nessa direção.

O Brasil, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), é o país nº 1 em homicídios praticados por armas de fogo. A cada 13 minutos um brasileiro é assassinado com o emprego desse instrumento.

Através de pesquisa de vitimização realizada pelo Ilanud/Datafolha em São Paulo em 1997, estimou-se a existência de armas de fogo em 8% das residências brasileiras. No Rio de Janeiro, a mesma pesquisa, em 1996, avaliou como provável a existência de armas em 9% dos lares cariocas.

São estimativas que não nos conferem números exatos sobre a quantidade de armas no País. O SINARM, Sistema Nacional de Armas, ligado ao Ministério da Justiça, no âmbito da Polícia Federal, e responsável pelo cadastramento de armas no País, tem em seu banco de dados apenas o registro de armas legais. Sobre as armas ilegais, provenientes do contrabando, do roubo, furtos e desvios, restam cifras incertas. Há quem se arrisque a dizer que são ao todo 8 ou até 20 milhões de armas espalhadas em nosso território.

O Brasil não é um país muito civilmente armado quando comparado a outros. Os EUA, conhecidos mundialmente pelo seu arsenal civil, e até mesmo a pacífica Suíça são exemplos de nações que dispõem, proporcionalmente, de um número muito maior de armas nas mãos da população. Contudo, a violência é fruto de cruzamento de fatores, e os números absolutos de armas em determinada localidade importam, quando comparados à predisposição das pessoas em recorrer a esses instrumentos.

A Suíça possui índices baixíssimos de violência. As armas são para aqueles cidadãos ferramentas da defesa nacional, para casos excepcionais, de um país sem exército. Nos EUA, por outro lado, como bem retrata o filme Tiros em Columbine, do diretor Michael Moore, o direito ao exercício de defesa patrimonial e pessoal justifica o emprego das armas nas relações interpessoais mais cotidianas.

Desta forma, é importante que a discussão sobre as armas esteja inserida dentro de um contexto que abranja, além dos números absolutos de armas, as características políticas, socioeconômicas e culturais de uma sociedade.

Nos grandes conglomerados brasileiros, o cruzamento, entre o acesso às armas e a predisposição a usá-las corriqueiramente na vida urbana, é refletido nos altos índices da violência. A circulação e o emprego de fato de armas de fogo carregam, anualmente, o peso de 40.000 mortos no País.

Estudos mostram que os homicídios, em nosso território, ocorrem muitas vezes por motivos fúteis. Em São Paulo, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, quase 50% dos homicídios são cometidos por pessoas sem histórico criminal e por razões banais.

Dados semelhantes foram apresentados pelo sociólogo Guaracy Mingardi em uma pesquisa em 1996 que revelou que 46% dos casos de homicídio registrados na Zona Sul da capital, vítima e autor mantinham uma relação prévia de parentesco, vizinhança, amizade, ou outra proximidade qualquer. Esses dados apontam para o fato de que nós nos matamos em situações mundanas, como uma briga de trânsito, uma discussão com o vizinho, um mal-entendido no bar ou um desentendimento em casa. A predisposição para apertar o gatilho é alta.

No entanto, a justificativa mais comum para a compra da arma continua sendo a de pessoas “de bem” que adquirem um revólver legalmente com a finalidade de se proteger dos “bandidos”. A autodefesa pregada pelo recurso às armas, contudo, não é real nem eficaz.

Como demonstrado, aquela arma que, a priori, foi comprada para ser utilizada para a proteção da vida, é freqüentemente empregada contra um amigo, um parente ou vizinho em um momento no qual se perde a razão. O que poderia ser um mero bate-boca ou troca de safanões, desencadeia um fato irreversível – a morte.

Além disso, pesquisas sobre defesa e vitimização revelam que a posse da arma como forma de defesa é uma ilusão. Um cidadão armado tem 56% mais chance de ser assassinado em uma situação de roubo do que os que andam desarmados, de acordo com informações divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e pelo Instituto Brasileiro de Ciências Criminais.

O fator surpresa e a familiaridade do agressor no dia-a-dia com a arma são elementos de desvantagem para a vítima.

Outro dado a ser levantado é que é comum que a arma legal, brasileira e de calibre permitido, adquirida por uma “pessoa de bem”, transforme-se em arma ilegal, por meio de roubo, furto ou desvio para a criminalidade.

Ignácio Cano, em pesquisa realizada sobre armas registradas e acauteladas, demonstrou que 75% dos crimes são cometidos com armas brasileiras e de calibre permitido, ou seja, provenientes das nossas próprias fábricas. Diferentemente, do que a mídia retrata, os criminosos não se utilizam, na prática, dos fuzis AR-15 ou submetralhadoras Uzi, mas sim das armas que saíram da indústria armamentícia nacional sem qualquer restrição. Daí, a importância de criarmos mecanismos que impeçam a venda de armas, a não ser em casos rigidamente excepcionados por lei.

No Estado de São Paulo, em 5 anos, cerca de 77.000 armas registradas foram roubadas, conforme números da divisão de Produtos Controlados da Polícia Civil. No Rio de Janeiro, segundo a Polícia Civil do Estado, a cada 5 horas, uma arma legal é roubada. Esses são dados oficiais, não incluindo as estimativas dos casos não notificados. Pode-se imaginar, portanto, como o mercado ilegal se serve literalmente das armas à disposição da sociedade civil.

Os argumentos a favor do desarmamento, no entanto, não param por aí.

No que tange aos acidentes e suicídios, os números também são expressivos. As Nações Unidas, em estudos sobre a regulação de armas, revelou que a cada 7 horas uma pessoa é vítima de acidentes com armas de fogo no Brasil. Pessoas com pouca familiaridade com esses instrumentos são atingidas inadvertidamente, sendo as crianças as figuras mais fragilizadas deste cenário.

Pesquisa mundialmente conhecida, publicada no New England Journal of Medicine, pelo dr. Arthur Kellerman, revela que os lares com armas de fogo têm 11 vezes mais chances de suicídio do que aqueles sem. O Rio Grande do Sul, Estado brasileiro com alta concentração de armas nas mãos de civis, é líder nesta modalidade de atentado contra a vida, contando com uma taxa de cerca de 10 suicídios em cada 100 mil habitantes.

Como vemos, não são poucos os argumentos a favor do desarmamento. A crença numa autodefesa armada é ingenuidade. Disseminadas pela população, as armas não protegem, mas matam. Indiscriminadamente. Elas deixam de colaborar com a segurança pública, para, ao contrário, contribuir para situações de instabilidade coletiva, corrosão do poder de ação do Estado, imposição de desafios à saúde pública e acréscimos de pesados custos à economia e à coletividade.

Por estas razões é que o Estatuto do Desarmamento ganha destaque na vida nacional. Também conhecido como Projeto de Lei nº 1.555, de 2003, o Estatuto visa substituir a Lei nº 9.437/97, ora em vigor, restringindo o acesso às armas de fogo. O referido projeto de lei apresenta inúmeros avanços no que concerne à matéria, como levantado pela mesa de debate realizada no IBCCRIM.

O primeiro deles diz respeito à restrição imposta à compra de armas. A lei em vigor é silente em relação ao assunto, apenas determinando o Certificado de Registro de Armas de Fogo como obrigatório. O Estatuto do Desarmamento vai além. Embora também determine a necessidade do registro junto ao SINARM, o art. 4º do referido diploma legal é claro ao impor uma série de requisitos àquele que queira adquirir uma arma de fogo. Além de demonstrar a efetiva necessidade, o comprador deve comprovar: idoneidade, através de certidões de antecedentes criminais, não respondendo por inquérito policial ou processo criminal; ocupação lícita e residência certa; além de capacidade técnica e aptidão psicológica para o manuseio de arma de fogo. Critérios estes minimamente necessários para a entrega de um instrumento com tamanho poder letal a um indivíduo indistinto.

Outro ponto importante diz respeito ao porte. O porte de armas, hoje, é considerado legal quando concedido por autoridade competente. O porte, para aqueles que não têm ou não obtiveram autorização, é ilegal e considerado crime pela Lei nº 9.437/97. Anterior à lei em vigor, o porte ilegal de armas era mera contravenção penal.

O Estatuto propõe a mudança desse quadro. Segundo suas previsões legais, fica proibido, como regra, o porte de arma de fogo, salvo exceções previstas em lei, como no caso das Forças Armadas, Polícias, Guardas Municipais, e outras instituições de natureza similar. A idade mínima para obtenção do porte, nos casos excepcionais, passa a ser de 25 e não mais 21 anos.

Avanço outro da lei em discussão é o da tipificação penal do tráfico internacional de arma de fogo, ora presente no art. 19 do Substitutivo apresentado pelo relator e deputado Luiz Eduardo Greenhalgh da Comissão de Constituição e Justiça e de Redação. O dispositivo legal, que tem pena prevista de reclusão de 4 a 10 anos e multa, é estratégico. Todas as medidas internas de restrição de armas não serão eficientes se não houver concomitantemente o amparo pela fiscalização das fronteiras, o combate ao contrabando e a imposição de regras sobre a importação e exportação de armas.

Aliada a essas medidas, está também a obrigatoriedade da destruição de armas e munições apreendidas, em menos de 48 horas. A proposta é inteligente e precavida, evitando que, após tantos esforços de diversas partes, estes instrumentos sejam desviados, retornando ao mercado.

No combate ao extravio de armas, temos também a responsabilização penal dos responsáveis por empresas de segurança privada e transportadoras que deixarem de registrar roubo, furto ou desvio de armas de fogo, acessórios ou munição sob sua guarda, nas primeiras 24 horas do ocorrido. O estatuto aqui visa impedir a conivência com a circulação ilegal de armamento.

Por último, vale lembrar que o projeto de lei em referência previu, para o futuro, a proibição não somente ao porte, mas também a comercialização de armas de fogo e munição em todo o território nacional, mediante aprovação de referendo popular a ser realizado em outubro de 2005.

Se aprovado o texto nestes termos, a sociedade brasileira, em 2005, será consultada e chamada a decidir sobre a proibição da venda de armas à população. O único pesar dessa medida é que fica ainda protelada, por mais 2 anos, uma decisão urgente, literalmente, de vida ou morte.

Aparentemente já é consenso entre nós o apoio à proibição ao comércio de armas no Brasil. Pesquisa realizada pelo Ibope, no mês de setembro deste ano, com amostragem de 145 municípios brasileiros, constatou que 80% dos entrevistados votariam a favor da proibição da venda de armas a civis em eventual referendo.

Os dados revelados pela população denunciam a insustentabilidade do cenário que protagonizamos – 76% da população das capitais se disseram interessados pelo assunto, enquanto este número é retratado por 61% nos municípios com mais de 100 habitantes. Dos entrevistados, 82% afirmaram ser a favor das medidas propostas pelo Estatuto e 65% declararam acreditar nas propostas do projeto de lei para ajudar a reduzir a violência no País.

Somos, portanto, a favor da aprovação do Estatuto do Desarmamento. O PL nº 1.555/03 é uma ótima proposta, embora não seja impecável e restem a ele, sim, algumas críticas – as quais, infelizmente, teremos que deixar para uma outra oportunidade.

Contudo, pesando prós e contras, estamos convencidos de que sua aprovação trará controle sobre a existência e circulação das armas em nossa sociedade, refletindo positivamente no quadro de morbidade do País. Retirando das mãos dos civis as armas que poluem e envenenam nossas vidas, estaremos avançando e disponibilizando esforços para outros desafios de importância crucial, em prol da segurança pública do Brasil.

Maria Eduarda Hasselmann de Oliveira Lyrio
Advogada e coordenadora de Justiça e Segurança do Instituto Sou da Paz

Esta é mais uma postagem coletiva do:

Acrescentado às 10h55 do dia 10/10: um amigo meu, que é cristão, solicita visitas aos sites que esclarecem sobre as posições, respectivamente, das igrejas católica (CNBB) e metodista a respeito do referendo do dia 23.

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Uma personagem de Os homens que não amavam suas mulheres, filme de Niels Arden Oplev

Não vou contar o filme, certo? Filme de suspense não se conta e a Caminhante me mataria.

Também não li a tal trilogia Millennium de Stieg Larsson e nem lerei. É um fenômeno de vendas e penso que não tenho tempo para coisas provavelmente perecíveis. Mas vi o filme e fiquei apaixonado pelas possibilidades da personagem Lisbeth Salander — protagonizada pela excelente Noomi Rapace — , a genial hacker que acompanha o jornalista Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist) na sua tentativa de descobrir quem matou Harriet. É uma personagem muito moderna e sua postura expressa mais do que laudas ou manuais explicativos. Lisbeth é ressentida e agressiva, mas o que efetivamente interessa a mim é o fato de que ela se nega a falar de si. É um paradoxo, pois tudo o que há no filme é sua figura, de cuja biografia somos informados indiretamente. A montagem do quebra-cabeça Lisbeth Salander vai pouco a pouco tomando conta do filme. Sabemos pouco do jornalista (e nem nos interessa  saber), ao passo que sabemos tudo a respeito de quem não fala nada. Mas acabo de descobrir que não sou nada original. Na Europa há até uma lisbethmania… Bem, voltemos a nosso tema.

Cheia de tatuagens e piercings — o nome do filme nos EUA é The Girl With the Dragon Tattoo — , Lisbeth Salander é a mais enigmática e clara personagem da trama. Trata-se de uma intensa punk revoltada, antissocial, com corpo de criança, teimosa e silenciosa. É estranho que alguns comentaristas tenham se atrapalhado e reclamado das cenas de entre Lisbeth e seu curador. Elas são absolutamente fundamentais para caracterizar a personagem da qual precisamos saber tudo, inclusive o motivo da curatela. Dona de um sentido de justiça primário, ela é um resultado muito caótico de nosso tempo e mais não devo dizer.

O filme é um charmoso Who done it? com todos os clichês habituais e um final alongado e desnecessário, porém demonstrativo de que a lentidão do cinema europeu pode não prejudicar uma narrativa deste gênero, ao contrário. Os homens que não amavam suas mulheres é muito europeu no tratamento e construção das personagens, apesar de tratar da violência, da corrupção e da indiferença, temas caros aos cinema americano. Longe das qualidades do filme de Antonioni, não há poucos ecos de Blow-up na trama. E mais não devo dizer. Um amigo que leu o livro ficou muito surpreso com a fidelidade deste ao livro. Mais um motivo para não lê-lo… E mais não devo dizer.

Obviamente, os estúdios de Hollywood já compraram os direitos de refilmagem. Leio que há uma verdadeira guerra pelo papel de Lisbeth: a atrizinha com cara de quem comeu e não gostou Kristen Stewart (de, argh, Crepúsculo), a bonitinha Ellen Page (de Juno) e a inglesa Carey Mulligan (de Educação) brigam pelo papel. Posso garantir desde já que nenhuma terá o impacto de Noomi Rapace pelo simples fato de que a qualidade da produção está no modo filmar e na postura daquele bando de europeus tranquilos e “educados”. E mais não devo dizer.

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Bela chifrada! Incrivelmente, o toureiro não morreu, o touro sim

O chifre entra pelo pescoço de Julio Aparicio, sai-lhe pela boca e ele sobrevive após duas cirurgias. Infelizmente, o acidente não lhe afetou o cérebro, ao que parece.

Na foto abaixo, o acidente de trabalho:

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A Copa que interessa, de Eduardo Menezes

Não consegui postar ainda hoje e noto o som indignado da turba de sete leitores. Acontece que quando pude postar, o OPS estava em greve, e depois eu não podia. Mas vamos ao que interessa.

Não li ainda, mas já admiro a sensacional foto promocional. O nome do livro está acima e a editora é a Dublinense.

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O Arco-Íris da Gravidade, de Thomas Pynchon

Por Charlles Campos

Flaubert morreu sem realizar seu desejo de escrever um livro que não dissesse absolutamente nada. Olhando de nossa situação no tempo_ do meio do ano 2010_, um escritor que produzia seus romances e contos como quem deita delicadas gotas de estricnina em milimétricos quadrados de vidro, não fica difícil perceber que o célebre francês sonhava com uma composição estética à frente de seu tempo, desvinculada de enredo e de personagens, algo próprio para o século que se desanuviaria e que estaria cheio de descobertas cujo modelo para armar seria a falta de coerência que determinaria tudo: a teoria do caos. Homens como nós, pós-modernos_ ou seja qual novo conceito resume esse não-sei-que cosmopolita_, estamos acostumados à falta de sentido, à independência à linha reta, à conturbação e às reticências que só dão a aparência de que a resposta está de molho pronta para ser lançada sobre nós assim que completa sua maturação. Palavras da cartola da ciência foram postas ao olho vivo da platéia, e o pasmo da descoberta de que todos os presentes fazem parte da ilusão de luz e sombras cujo truque final fará que tudo desapareça, como a bela moça de biquíni escondida no caixote, entraram para o linguajar cotidiano. Entropia, Indeterminação, Relatividade, Dimensões Paralelas, Teoria das Cordas. Se Flaubert viajasse na máquina do tempo de Wells e parasse sem estágios aqui nesse olho do furacão onde moramos em sossego, sentiria a vertigem aterrorizante do herói de casaca amarrado no carrinho da montanha russa em franca aceleração em direção ao abismo à frente, onde os trilhos estão partidos: o som inapreensível da queda com o qual nossos ouvidos acostumados transvertem em músic a de comercial das Casas Bahia que já não nos incomoda.

Coube ao americano Thomas Pynchon, um século depois, chegar o mais próximo do sonho de Flaubert, esbanjando vivacidade e fôlego em um romance de 800 páginas que dá ao leitor o sério problema de não saber definir do trata. “O Arco-Íris da Gravidade”, lançado nos Estados Unidos em 1973, em plena ressaca dos anos 60 e no estilhaço das guerras geográficas que transformou a possibilidade de uma nova guerra mundial em um premonitório fantasma convergido em um hipotético botão nuclear, parece não dizer nada, ser uma caixa caleidoscópica que simula um delírio de LSD, ou, mais apropriadamente, a concha marinha onde está registrado o último nó caótico de sons de uma humanidade que desapareceu para sempre. Uma mensagem final dirigida a ninguém, de seres sem rastro que foram incapazes de emitir qua lquer significado conjunto para configurarem o mínimo propósito à sua existência. Na verdade, “O Arco-Íris da Gravidade” é um grande epitáfio a esse projeto mal fadado que é o homem, fazendo-o numa língua impossível cujo tom é dado pelas suas primeiras frases apoteóticas: “Um grito atravessa o céu. Já aconteceu antes, mas nada que se compara com esta vez.” E como todo epitáfio_ ou todo réquiem_ traz uma profunda ternura por trás de sua acusação da brutalidade da finitude; no paradoxo de desnudar o caos, quando tudo é sugado por sua força implacável, emite uma frágil bolha que flutua tranquila na borda do buraco negro para, no momento que cessa sua efemeridade, libertar uma última reação de importância_ como se houvesse algo de sagrado e duradouro na saudade.

Sobre isso que trata o romance, entenderam?

Não?

Bem, há um personagem principal, um misto de espião americano, experimento vivo ambulante e prodígio sexual, cujo nome é William Tyrone Slotrop. Ele ocupa uma parte avantajada dessas 800 páginas, em que erra peripateticamente por uma Europa pós-segunda guerra devastada, sendo alvo das mais absurdas aventuras, algumas das mais memoráveis delas a luta corporal com um polvo, a fuga cinematográfica de uma plataforma subterrânea de lançamento de foguetes nazista (em cima de uma ogiva e com uma série de alemães enfurecidos atrás), um mergulho para dentro de uma fétida privada de um banheiro masculino, enquanto um negão de exageradas proporções corporais tenta lhe mostrar da pior maneira possível por que erram os que julgam que sua superdotação é puramente cerebral. Es ses e outros infortúnios são narrados numa velocidade estonteante, que desarma o leitor de seu assombro crescente assim que tem a revelação de que o verdadeiro personagem do romance_ como diz o autor das orelhas do livro, e do qual me impossibilita dizer algo diferente_ é a linguagem de Pynchon: seu inglês caudaloso, debochado, anárquico, irreverente, paranóico. Um anarquismo lingüístico que não perdoa nada, que muitas vezes arranca o leitor de sua impressão de atingir compreensão para atirá-lo em uma abrupta análise de um pormenor destoante. Um romance que ultrapassa a média em envolvimento e absorção, principalmente por ser composto por materiais nem um pouco convencionais.

Se a micro-história ou a História das Mentalidades retirou o foco dos estudos dos reis e dos heróis nacionais para se concentrar no homem comum, a prosa de Pynchon continuou uma revolução semelhante na seara do romance, utilizando o lixo, os caçoetes e toda a tralha multicolorida da sub-cultura norte-americana, compondo uma obra soberba que, como haveria de ser, gerou repúdio e muita polêmica. A comissão do prêmio Pulitzer lhe conferira o prêmio de melhor romance do ano de seu lançamento, mas na última hora a direção da comenda o rejeitou sob a acusação de ser um romance pornográfico. Talvez pela irreverência das descrições sexuais de um Slotrop que, sempre que transava com uma mulher, determinava por uma ligação misteriosa com o foguete (e o material com q ue ele era feito, o estranho Imipolex) que o local onde estava fosse destruído, logo depois, por uma explosão. E Pynchon se molda, intencionalmente ou não, ao escritor-mito, por sua completa negação a aparecer na mídia, a dar entrevista ou ser fotografado. Chegaram a sugerir que ele e Salinger fossem a mesma pessoa, ambos afeitos a uma reclusão monástica. Seu tradutor brasileiro_ o excepcional Paulo Henriques Britto_ que nos deu uma das melhores conversões já feita desse romance, retém sob severo juramento cartas do próprio Pynchon, escritas em espanhol, com longos esclarecimentos sobre as partes mais complexas da obra. Cartas que com certeza seriam disputadíssimas entre os milhares de fãs ardorosos que formaram um culto organizado em torno de Pynchon.

E “O Arco-Íris da Gravidade” é inusitadamente engraçado, e não pensem que se trata do risinho renhido do sarcasmo saramaguiano, ou os risos sincronizados do único romance com claque da história da literatura, o Ardil-22_ o livro se mantém numa constante e irresistível eletricidade histriônica, um humor abrangente e sem reservas que é um dos seus poderes inigualáveis: o riso se torna um sério posicionamento filosófico, um costume contaminante que muda nosso confrontamento com o mundo, uma herança erudita transformada de Rabelais, Groucho Marx, Monty Python, Os Três Patetas e Buster Keaton.

E, quando chegamos ao final dessa extensa saga, Pynchon nos soluciona o enigma derradeiro: só assim, usando os despojos de nossa cultura, a falta de vergonha de nosso orgulho desarroado, os nossos preconceitos e nossos ódios infinitos, a nossa miséria e capacidade de nos enganarmos e nos iludirmos eternamente, nossa tecla defeituosa que nunca proporcionou aprendizado com o passado, nosso frenesi e arrogância científica que finge esclarecer, poderemos ter a presciência terrível de que toda piada traz o lamento enrustido de só conseguirmos rir até as lágrimas do outro que cai e arrebenta a cara no muro, e nunca compreendermos que afinal rimos de nós mesmos atirados no chão, todos atolados no caos e vítimas das gritantes trivialidades criadas, na única comunhão possí vel de esperar alegremente o aniq uilamento, como nas palavras que finalizam o livro:

“E é bem neste ponto, este quadro escuro e mudo, que a ponta do Foguete, caindo a um quilômetro e meio por segundo, absoluta e eternamente sem som, alcança seu último imensurável intervalo acima do telhado deste velho cinema, o último delta-t.

Há tempo, se este conforto lhe parece necessário, de tocar a pessoa a seu lado, ou de pôr a mão entre suas próprias pernas frias…ou, se é preciso cantar, eis uma canção que Eles jamais ensinaram a ninguém, um hino de William Slothrop, há séculos esquecido e jamais reeditado, para ser cantado com a melodia simples e agradável de uma ária da época. Acompanhe a bolinha:

É a Mão que faz o tempo andar,

Ainda que em tua Ampulheta se esvaia a areia,

‘Té que a luz que abateu as Torres altas

Chegue à Alma Preterida derradeira…

‘Té que os Viandantes durmam à beira

De toda via desta Zona estropiada

Com um rosto em cada encosta de monte,

E uma Alma em cada pedra da estrada…

Agora todo mundo__”

Este seria Thomas Pynchon há muitos anos

Este, retirado de um site francês, vem até com credencial…

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Também é uma questão de ascensorista, claro

Não podemos ignorar o botão que aperta o dedo do ascensorista…Afinal, sabe-se que FHC não atrai votos, e sim os espanta.

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Béla Bartók – Danças da Romênia

Para uma plateia agitada e feliz, ao ar livre, em Amsterdam, Janine Jansen mostra seu virtuosismo neste série de belas danças do folclore romeno, recolhidas do esquecimento e rearranjadas por Bartók. Não esqueçam que Bartók, um de meus três compositores preferidos — os outros são Bach, Brahms e Beethoven — foi um grande pesquisador e o fundador da etnomusicologia. A inspiração cigana pega fundo em quem nasceu na Transilvânia, quando esta era húngara.

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Porque hoje é sábado, ciúmes de Luiz Carlos Merten

Em primeiro lugar, devo dizer que Merten é, em minha opinião, o melhor crítico de cinema de nosso país.

Em segundo lugar, devo dizer que o considero o melhor porque costumo concordar com ele, o que talvez não seja o critério mais honesto, apesar de ser o mais adequado…

Ele está em Cannes, realizando em copiosos textos a cobertura do festival para seu blog e o Estadão.

Até aí, tudo bem. Só que ele pediu uma entrevista com Juliette Binoche. Não ia dar, ela não ia ter tempo.

Depois, concederam-lhe 10 minutos, uma coisinha de nada.

Só que Merten conversou MEIA HORA com a deusa.

O desgranido garantiu ter sido um MOMENTO MÁGICO.

(Tenho a foto acima autografada pela própria. Presente de Fernando Monteiro.)

Vai tomar no cu, Merten! É óbvio que foi um momento mágico!

Por mim, ela podia vir até suja como na foto acima.

Porém, a deusa — que acaba de filmar Copie conforme com Abbas Kiarostami — está envolvida não só com gaúchos como Merten, mas com iranianos. Vejam abaixo seu sofrimento durante a coletiva que tratou da grave de fome…

… do cineasta Jaafar Panahi, preso no Irã. Uma lástima, né, Merten? Por que não a consolaste? Hein, animal?

(Kiarostami é o que está ao lado de Binoche, de óculos escuros.)

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Universidade de Coimbra escolhe os 10 romances mais representativos da língua portuguesa (e dá vexame)

Reunido ontem em Coimbra, o júri do concurso “10 Paixões em Forma de Romance”, selecionou

1. “Os Maias” de Eça de Queirós,
2. “Memorial do Convento”, de José Saramago,
3. “Dom Casmurro”, de Machado Assis, e
4. “Terra Sonâmbula”, de Mia Couto.

Entre os “10 Mais” escolhidos pelo júri, que integrou os escritores José Luís Peixoto e João Tordo e vários docentes da Faculdade de Letras (FLUC), figuram ainda

5. “Amor de Perdição”, de Camilo Castelo-Branco,
6. “Aparição”, de Vergílio Ferreira,
7. “O Delfim”, de José Cardoso Pires,
8. “Esteiros”, de Soeiro Pereira Gomes,
9. “A Sibila”, de Agustina Bessa-Luís, e
10. “Sinais de Fogo”, de Jorge de Sena.

Segundo o director da Imprensa da Universidade de Coimbra (IUC), João Gouveia Monteiro, para chegar a esta lista final “o júri teve em conta a diversidade e representatividade de diferentes épocas, correntes, geografia e géneros, bem como a expressão da vontade dos votantes”.

Acho que principalmente a vontade… Sim, sou brasileiro com cidadania portuguesa e não me ufano exageradamente nem de um, nem de outro; porém, devo dizer que a lista é ridícula. Achei belas surpresas as presenças do grande Cardoso Pires — desconhecido no Brasil — e de Bessa-Luís, mais conhecida por aqui. Também não pretendo apontar quem deveria entrar ou sair de lista, apenas gostaria de saber em que posição estariam Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, Quarup, de Antônio Callado, Crônica da Casa Assassinada, de Lúcio Cardoso e Os Ratos, de Dyonélio Machado, os primeiros que lembrei e que são muito superiores a Esteiros e Sinais de Fogo, por exemplo.

Charlles Campos lembra Lobo Antunes e Miguel Torga, só para ficar em campo ibérico. Ele chama a lista de furada. Tem razão, claro.

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Estudiantes 2 x 1 Inter

Milton Ribeiro traz de volta seu amor, desata macumbaria, doenças mandadas e da carne. Traz seu emprego de volta — assim como o desejo — , cura doenças e faz com que ela chame seu nome durante o orgasmo com outro homem. Faz tudo ao contrário e vice-versa se você for mulher.

Por isso, EU JÁ SABIA !!!

(Conferir ao final do post abaixo).

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Pré-jogo e pré-visões para Estudiantes x Inter

Será no estadinho José Luis Meiszner, de Quilmes, cidade a 27 Km do centro de Buenos Aires, o jogo de hoje. Trata-se das quartas-de-final da Libertadores da América… Após Bolívar comparar o estadinho com o Edmundo Feix (5.000 lugares) de Venâncio Aires (Venâncio Aires, não Buenos Aires), após o Fossati dizer que toda a lateral ao lado da área é um escanteio devido às dimensões do campo, fui ao Google Earth dar uma olhada no local.

Sentiram a panela de pressão onde nos meteram? Vamos precisar de muita catimba e consideráveis porções de Abbondanzieri e D`Alessandro hoje, a partir das 19h45. Meus sete leitores sabem o quanto eu admiro os argentinos e uruguaios, não obstante o fato de eles serem o bando de filhas-da-puta que têm disparado a melhor literatura do continente e que sabem exatamente o que é o futebol: aquela mistura de drama, sacanagem, beleza e vida que se desprende diariamente das páginas do Olé.

Para compensar o grande Estudiantes — atual campeão da Libertadores e com Verón e Boselli e o diabo — , nosso amado treinador ameaça-nos com a Mãe de Todas as Retrancas (expressão do Luís Felipe dos Santos), um humilhante 3-6-1 que mais não é do que um educado convite ao adversário para penetrar em nosso campo. A experiências anteriores demonstraram o profundo amor que Fossati possui à adrenalina e à emoção, proporcionando-nos, nas partidas fora do Beira-Rio, momentos de que nenhuma montanha russa seria capaz.

Apesar de minhas críticas, há duas curiosidades sobre o jogo de logo mais e uma delas fala bem de Fossati:

1. Alejandro Sabella — técnico do Estudiantes — e Jorge Fossati estão no top 10 mundial da IFFHS para treinadores. Espero que o lider tabagista Fossati seja digno da distinção e que eu seja um imbecil…

2. O Inter nunca, mas nunca mesmo, perdeu para o Estudiantes. OK, o gremista que me serve de consciência dirá que sempre há uma primeira vez e o mando tomar no cu, mas por enquanto assim é. Comprove abaixo:

07/03/1948: Inter 3 x 1 Estudiantes – Estádio da Timbaúva – gols de Adãozinho, Tesourinha e Carlitos para o Inter e Infante para o Estudiantes

25/01/1952: Inter 4 x 1 Estudiantes – Estádio dos Eucaliptos – gols de Luisinho (dois), Solis e Canhotinho para o Inter e Barreros para o Estudiantes

03/04/1959: Inter 4 x 1 Estudiantes – Estádio dos Eucaliptos – gols de Zago, Deraldo, Osquinha e Joaquinzinho para o Inter e Alarcón para o Estudiantes

13/07/1969: Inter 4 x 2 Estudiantes – Estádio Beira-Rio – gols de Gilson Porto, Bráulio, Tovar e Valdomiro para o Inter e Rudzki e Verón (papá de La Brujita) para o Estudiantes <— sim, eu vi este jogo, tinha 11 anos

26/11/2008: Estudiantes 0 x 1 Inter – Estádio Ciudad de La Plata – gol de Alex

03/12/2008: Inter 1 x 1 Estudiantes – Estádio Beira-Rio – gols de Alayes para o Estudiantes e Nilmar para o Inter <— também vi

13/05/2010: Inter 1 x 0 Estudiantes – Estádio Beira-Rio – gol de Sorondo <— e este também

Gremistas! Todos quietos hoje, tá? Meu chute: Estudiantes 2 x 1 Inter. Inter nas semifinais.

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Detalhes de um pôr-do-sol, de Vladimir Nabokov

Dia desses — e nem comentei aqui –, li o elogiado livro de contos de Vladimir Nabokov (1899-1977) Detalhes de um Pôr-do-sol. Foi um trabalho penoso e lento para este dedicado leitor, pois poucas vezes algo me foi tão chato, comum e sem surpresas. Levei dez dias para chegar à página final, aquela que tem o número 173 no rodapé. Os contos de Detalhes são de década de 20 e 30. Sempre admirei a literatura de Nabokov e acho notável que ele tenha escrito a obra-prima A Verdadeira Vida de Sebastian Knight nos mesmos anos 30. Mas quem me fez chegar a este livro? Ora, as maravilhosas páginas culturais brasileiras, os maravilhosos articulistas de nossos principais jornais e revistas.

Concordo com quem diz que, hoje, a crítica literária no Brasil quase inexiste e quando um livro recebe críticas favoráveis na revista Bravo, no Caderno 2 do Estadão, na Folha de SP, na Veja e na Isto É, é porque tem uma boa editora na retaguarda… Hoje, procurei na Internet todos estes artigos e eles são favorabilíssimos. O que houve então? Não sei.

São contos de um convencionalismo muito antiquado. Normalmente iniciam-se por longas descrições de ruas ou de apartamentos de emigrados russos em Berlim. Elas precedem à ação e ali não há lugar para sugestões do que está por vir nem para os personagens. É apenas enfadonho e, quando chegamos à história, já perdemos o entusiasmo. Num dos contos, Nabokov chega a ironizar aquelas pessoas que não lêem atentamente as descrições e introduções. Está bem, vá lá, vamos concordar com o autor, digamos que elas sejam necessárias como eram para Balzac. Só que as descrições de Balzac eram coloridas e tinham o objetivo de situar-nos socialmente e de preparar-nos para o grau de galhofa ou seriedade que viria logo a seguir. As de Nabokov são geográficas…. e o que vem depois nunca é muito original, ficando sempre numa linha de melancolia nostálgica.

Na Veja, Marilia Pacheco Fiorillo escreveu que “nessa coletânea não há o menor truque, artifício, uso de “vozes”, ou o que quer que atormente escritores modernos e pós-modernos. Pela simples razão de que Nabokov não precisa de nada disso. Seu estilo dá ao leitor a estranha sensação de não estar diante de um livro, mas da própria vida. Só que mais bem contada.” Acho que, para Marília, Nabokov não precisa de nada para ser sempre bom. Seu texto parece ter sido escrito sob encomenda. No Estadão, o vacilante Daniel Piza escreve que “mesmo em construções sintáticas simples já vemos todos os elementos que marcam sua literatura: o humor entre cômico e melancólico, a preocupação com as ilusões amorosas, a melodia verbal com toques de ironia, a noção do patético mesclado ao dramático. É do grande escritor ser assim tão sutilmente pessoal”. Haja criatividade! Ambos também elogiam a simplicidade transcendente dos contos. A simplicidade, sim… Tenho certeza de que se ambos não conhecessem o Nabokov pós-Lolita, nunca teriam escrito tais coisas. Não sou um débil mental nem um mau leitor, também não sou insensível às possíveis transcendências, símbolos e significados subliminares; portanto digo que, em minha opinião, os contos de Detalhes são obras singelas de um escritor em formação. Seu mérito principal é o de não serem pretensiosos. Se vocês quiserem o bom Nabokov, procurem Lolita, Fala, Memória, Fogo Pálido, Transparências, etc., sem esquecer do melhor de todos Sebastian Knight.

Ou quem sabe os europeus não dão mesmo importância ao gênero “Conto” e ali deitam apenas sobras? Boa pergunta…

P.S.: O nome de um dos livros é Fala, Memória. Não são dois livros.

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