Sobre Ernesto Sabato, autor do melhor romance do século XX, falecido hoje

Faleceu hoje um dos três maiores escritores vivos: o argentino ERNESTO SABATO — os outros dois seriam, por ordem, Ismail Kadaré e Philip Roth. O realmente grande Sabato, autor de pelo menos duas obras-primas (“O Túnel” e “Sobre Heróis e Tumbas”) iria completar 100 anos no dia 24 de junho próximo.

(Fernando Monteiro)

Com a morte de Sabato, o país latino-americano mais esquecido, humilhado e ofendido pela indiferença dos acadêmicos suecos que decidem o Nobel, passa a ser a Argentina. Deixaram de premiar Borges e Sabato, nem mais nem menos.

(Fernando Monteiro)

Fernando, acrescente Saer na listinha do país ofendido.

(MR)

CONCORDO inteiramente com vosmicê, Milton. Juan José Saer estaria na ordem direta de grandeza de Borges e de Sabato, neste momento, caso não houvesse falecido relativamente moço, ainda. Atenção, Feicebuque: LEIAM J. J. SAER!

(Fernando Monteiro)

Sabato foi um grande físico, chegando a trabalhar no Laboratório Curie, em Paris. Nos anos 40, depois de questionar esse mundo tão racional — que lhe provocava, segundo suas palavras, “um vazio de sentido” — , abandonou a ciência para se dedicar à literatura e à pintura. Publicou livros de ensaios e romances, poucos em quantidade — só três romances — , mas de uma qualidade incontestável. Destaca-se nesse conjunto a obra-prima Sobre heróis e tumbas, lançado em 1961 e com edição recente no Brasil pela editora Companhia das Letras, com tradução de Rosa Freire d’Aguiar.

O romance é dividido em quatro partes, mas antes há uma nota, supostamente tirada de um jornal de Buenos Aires, pela qual ficamos sabendo que Alejandra matou seu pai, Fernando Vidal Olmos, e depois ateou fogo no próprio quarto, se suicidando. Na primeira parte, “O dragão e a princesa”, passamos a conhecer melhor essa impressionante personagem a partir das percepções de Martín, jovem que se apaixona por ela. Misteriosa, imprevisível e de personalidade forte, Alejandra só não é mais estranha do que os parentes que habitam a casa, gente ligada à antiga aristocracia argentina, cujos antepassados participaram da luta pela independência do país. Esses antepassados podem ser os heróis do título no que seria uma interpretação político-social da obra, colocando Alejandra como metáfora para a própria Argentina. Prefiro, no entanto, a chave mais existencial, sendo que o título dessa segunda parte nos leva a esse sentido. Seria o dragão Martín e a princesa Alejandra? Ou seria a jovem uma princesa-dragão, soltando fogo através de suas duras palavras?

Na segunda parte, “Os rostos invisíveis”, a história se desenvolve com mais comentários sobre a história da Argentina, inclusive sobre a era peronista, as paixões anteriores de Alejandra e aparece pela primeira vez Fernando Vidal Olmos, esse o rosto invisível em boa parte do enredo, mas que começa a se revelar. É dele o manuscrito que seria encontrado posteriormente no quarto incendiado e que corresponde à terceira parte, talvez a mais perturbadora de todo o enredo: “Informe sobre cegos”.

O texto é uma narrativa enigmática, que reflete a mente perturbada de Fernando em sua tentativa de encontrar a Seita dos Cegos. Percorre, inclusive, os esgotos subterrâneos de Buenos Aires, como a descida de Ulisses ao Reino de Hades em busca das respostas do cego Tirésias, contada na Odisseia, de Homero. Paradoxalmente, busca a luz nas trevas. Na verdade, a busca representa a jornada nas tumbas da nossa mente, por isso as menções ao sexo desenfreado, aos canalhas de todas as estirpes, ao lixo produzido pelo homem. Tudo alegorias das questões morais do ser humano. Mais do que isso eu não falo sobre o “Informe”. Leia-o. Repito, leia-o. E mais uma vez: leia-o, mesmo que seja só essa parte. Vai te deixar perturbado durante dias, mas é esse o objetivo de todas as grandes obras literárias.

[…]

(Cassionei Petry)

Al llegar al hotel me dieron un paquete sobre que me habían dejado de parte de Sabato. Contenía un libro, Sobre héroes y tumbas, y una carta en la que me pedía disculpas por no acudir al concierto. Me explicaba que mi música le había salvado en momentos de depresión. Lo curioso es que cuando hice el servicio militar en Nis, en la época comunista, robé de la biblioteca del cuartel un ejemplar de ese libro. Lo tuve en mi casa de Sarajevo durante años y lo perdí. Con la guerra perdí todo, también mi biblioteca. Puedes empezar dos veces tu vida, pero no puedes empezar dos veces una biblioteca. Todas las cosas grandes que me han pasado están guiadas por cosas pequeñas que se vuelven grandes, como el libro de Sábato.

(Goran Bregovic)

Neste momento em que andam ensinando tantas tolices, principalmente em “oficinas” literárias que começam por duvidar da eficácia do narrador na primeira pessoa, Ernesto Sabato dá sua lição de graça: “Adotei a narrativa na primeira pessoa em O Túnel, depois de muitas tentativas, porque era a única técnica que me permitia passar a sensação da realidade externa tal como a vemos, a partir de um coração e de uma cabeça, a partir de uma subjetividade total…”

(Fernando Monteiro)

Ernesto Sabato não escreveu muitos livros de ficção, talvez tenha escrito três ou quatro, mas os que li foram muito marcantes: O Túnel e Sobre Heróis e Tumbas.

O Túnel é de 1948 e insere-se decidamente no existencialismo. Albert Camus era um entusiasta da obra e recomendou sua tradução para a Gallimard, o que tornou Sábato uma celebridade da noite para o dia. Lembro que gostei demais daquele vertiginoso monólogo escrito na primeira pessoa por um narrador que resolve contar o ato que cometeu. Traz perturbadores — esta é a palavra qiue mais descreve Sabato — debates de consciência, demonstrando as dualidades e desvios que empurram os seres humanos a pensamentos e atos nem sempre justificáveis.

Porém seu grande romance é Sobre Heróis e Tumbas de 1961. São três narrativas que se completam: a do amor algo doentio de Martín por Alejandra — esta uma das maiores personagens que já conheci — ; a da morte no exílio do general Juan Lavalle, heroi da independência argentina; e o melhor de todos: O Informe sobre Cegos, que chegou a ser publicado separadamente há alguns anos. As duas primeiras, apesar de totalmente diversas entre si, são clássicas histórias de decadência de uma certa aristocracia, contadas sob a perspectiva da morte. Já O Informe está no limite do fantástico e é a respeito de uma seita maléfica dotada de poderes esotéricos e que une todos os milhões de cegos do mundo.

[…]

(MR)

Eu tenho aqui um volume de diálogos entre o Sabato e o Borges que é delicioso, editado pela Globo. Numa das conversas, o moderador os recebe em um bar de Buenos Aires; Borges pede água e Sábato whisky. Sábato fala da mitificação inconsequente dos leitores superficiais, e cita alguém da crítica que disse ser o Dashiel Hammet tão bom quanto Faulkner. Quem diz isso, continua, só pode ser um leitor esporádico, alguém pronto para escrever para periódicos, não um leitor profissional. Mas o melhor é ver Borges tão cordial, de certa forma infantilmente indefeso, o que se vê pouco entre grandes escritores (que se preocupam em passar uma imagem de rigidez literária como se pronunciassem sentenças imortais no simples ato de irem ao banheiro). Perguntado sobre música — Borges também era compositor de tangos, reunidos nos quatro volumes da Globo numa seção de milongas — , disse que uma sobrinha ou uma outra menina de sua família, ligou o rádio para que ele escutasse uma canção. Era uma canção tão linda e tocante que ele não resistiu ao choro. Terminada, perguntou quem cantava, ao que a menina respondeu: mas valha-me deus, o senhor nunca ouviu os Beatles?

Semana passada mesmo sublinhei essa frase, de um dos Prólogos dos Prólogos: “Nada mais distante da beleza que a simetria perfeita”.

(Charlles Campos)

Professor de escola pública quando jovem na “Era Perón, Ernesto Sabato foi demitido por ter assinado documento de repúdio à violência policial contra estudantes dispostos a comemorar a vitória das Forças Aliadas sobre o nazi-fascismo. Era, então, sua única fonte de renda. Muito bem. Quando caiu o regime de Perón, e Sábato ficou sabendo que muitos peronistas (seus antigos inimigos) estavam sendo torturados em nome do movimento “libertador”, o escritor sem medo assumiu o ônus de condenar a prática da violência contra os ex-violentos. Será preciso dizer mais sobre as imposições da consciência a este “homem que lutou só”?

(Fernando Monteiro)

González recordó que en los ’40 publicó “El Túnel”, que había sido elogiada por Albert Camus en Francia, “el escritor más leído en aquella poca”. Y señaló que “también Camus veía un orden moral agredido por la civilización contemporánea tecnológica y había pensado en una suerte de estadío intermedio entre los movimientos de liberación nacional, las izquierdas y las posiciones de derecha”. “‘El Túnel’ de Sabato era una novela inspirada un poco en Camus, que también buscaba en medio de la oscuridad el sentido de la vida”, planteó.

Luego, `Sobre Héroes y Tumbas` en los 60 “fue su novela conmocionante”, definió el titular de la Biblioteca Nacional y agregó que fue “una novela sobre la Argentina, una búsqueda también del sentido de la verdad y la existencia, pero a través de distintos personajes”. “Fue una novela que realmente conmocionó la literatura argentina, también en medio de un mundo sin valores o sin sentidos, sobre todo la ciudad de Buenos Aires, que él pinta con cierto sentido metafísico interesante”. También agregó que “los personajes son como sonámbulos que se buscan a si mismos en medio de una sociedad que les da la espalda y esa novela durante muchos años fue la marca que dejaba Sabato a los nuevos lectores, y no pocas otras escrituras se inspiraron en `Sobre Héroes y Tumbas`”.

(Horacio González, no Página 12)

O poeta e jornalista Franco Mogni – um dos jovens escritores dos quais Sabato jamais se apartou, ao longo do tempo – fez-lhe justiça nesta apresentação de entrevista para a revista Che, nos anos de 1970:

“Está sentado num dos últimos cafés de ar verdadeiramente portenho, com uma camisa azul escura que reforça o seu ar de monge e de anarquista ao mesmo tempo. Sábato é o último dos moicanos da retidão que não nega encarar os dilemas. Ele os vê com os olhos ziguezagueantes atrás dos óculos, num rosto que mescla traços de Chestov e Kierkegaard. E diz: ‘Se o homem é mortal em qualquer parte do mundo, aqui é muito mais mortal’. Tira os óculos e sorri meio de lado, acentuando as linhas do rosto sofrido. Vê-se, então, que é um homem só. O último dos moicanos.”

(Fernando Monteiro)

La ardua gestación de la mejor novela del Siglo XX

Compleja y extensa como pocas resultó para Ernesto Sabato la gestación de “Sobre héroes y tumbas”, considerada por los críticos como la mejor novela del siglo XX y en la que conjura sus obsesiones autobiográficas para reflexionar sobre la historia argentina y avanzar en la investigación de la relación entre la conciencia y el mundo exterior al sujeto.

Publicada en 1961, “Sobre héroes y tumbas” mutó sus variables literarias en numerosas oportunidades desde el primer bosquejo ideado por Sabato en 1938 bajo el título de “La fuente muda”, inspirado en un poema del poeta español Antonio Machado que dice “está la fuente muda y está marchito el huerto”.

La escritura de esta novela fue abandonada durante años, hasta que el desaparecido diario Sur publicó un fragmento en el que se percibe cómo el escritor inaugura con ella un curioso experimento, con páginas a dos columnas: la izquierda utilizada para lo que el personaje va soñando y la derecha para narrar los hechos que le suceden.

De esta historia, Sabato retomó algunos elementos con los que construyó el primer bosquejo de “Sobre héroes y tumbas”, al que le anexó fragmentos de otra novela, “Memorias de un desconocido”, sobre los pensamientos delirantes de un nihilista -que sustentaron el “Informe sobre ciegos”. Y de una tercera, “El desafío”, acerca de un joven solitario que se encierra a esperar que aparezca Dios.

La versión definitiva de “Sobre héroes y tumbas” es el resultado de un proceso en el que desaparecieron capítulos enteros -además de diluirse personajes y cambiarse el nombre de familias enteras- y sufrieron transformaciones radicales los recursos narrativos: aún así, las alteraciones rindieron a favor de la historia, considerada la mejor novela argentina del siglo XX.

[…]

(Julieta Grosso)

O homem é feito não apenas de desesperança, mas também, e fundamentalmente, de fé e esperança; não somente de morte, mas também de ânsias de vida; tampouco unicamente de solidão, mas também de comunhão e amor. A obra de Saint-Exupéry mostra como a literatura pode ser profunda e, não obstante, estar impregnada de cálidos sentimentos positivos. Disse Nietzsche que um pessimista é um idealista ressentido. Se modificarmos levemente o aforismo, dizendo que é um idealista desiludido, daí poderíamos passar a sustentar que é um homem que não termina jamais de se desiludir, pois há na condição psicológica do idealista uma espécie de ingenuidade inesgotável. E assim como a desilusão nasce da ilusão, a desesperança surge da esperança; mas uma e outra, desilusão e desesperança, são curiosamente o signo da profunda e generosa fé no homem.

(Ernesto Sabato)

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Porque hoje é sábado, Ann-Margret e Sonia Petrova

Eu garanto que não há absolutamente nada a ver — em estilo, físico e biografia — entre

a sueca Ann-Margret e

a francesa Sonia Petrova.

Se elas estão juntas aqui, deve-se a candentes pedidos de meus sete leitores,

uns queriam a de cima, outros a de baixo.

Ann-Margret foi presença frequente em minha adolescência com seus péssimos filmes com Elvis,

Petrova surgiu em minha vida muito depois.

Ann-Margret era tremendamente sexy e foi tema de muito treinamento privado,

Petrova não, Petrova estava mais para a deusa inacessível.

Ann-Margret fazia filmes alegres com números de dança,

Petrova sofria em Ludwig de Visconti. Dançar? De que jeito?

Ann-Margret foi uma estrela mundial,

Petrova desaparaceu após três importantes filmes.

Ann-Margret era sensualíssima, mas não garanto nada sobre seus gostos.

Já Petrova parecia ser a mulher de perfeito bom gosto.

Porém, paradoxalmente, a sueca-americana aparecia mais intrépida sobre duas rodas

do que a francesa de nome russo, muito mais próxima da posição horizontal.

Ann-Margret fugia, Petrova ficava.

A que conclusão chego? A de que Ann-Margret era sensual e boboca, enquanto Petrova era longínqua e próxima? Bem, eu nunca vendi este espaço como coerente.

~o~

Já que apenas cinéfilos inveterados viram Sonia Petrova em ação, abaixo está uma cena dela em Ludwig. Ela contracena com a estupendamente bela Romy Schneider.

http://www.youtube.com/watch?v=QeRLbIcyjtU

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Imagens do casamento de hoje (com o boquete real)

Como se todas as questões estivessem resolvidas e bem postas, hoje pela manhã o mundo esteve com os olhos voltados a um casamento na Inglaterra. Kate Middleton, uma plebeia, transformou-se em Sua Alteza Real e ambos — ela e o príncipe William, filho de Charles e Diana — nos novos duques de Cambridge. A noiva vestia um vestido Alexander McQueen, segredo mantido até o momento em que a noiva entrou no carro, minutos antes de se dirigir à Abadia de Westminster.

A surpresa foi a extrema simplicidade do vestido branco, o qual fora tema de inacreditáveis e acaloradas discussões desde o anúncio formal do noivado. Comentaristas viram nele um encontro feliz entre a modernidade da Casa McQueen e a sobriedade que se esperaria de alguém sem ascendência nobre, mas que estava chegando lá. Simbolicamente, o vestido homenageou o trabalho artesanal britânico com aplicações de renda feitas à mão pelos alunos da Royal School of Needlework.

O Príncipe William chegou à Abadia de Westminster no seu uniforme de gala da Guarda Irlandesa cerca de meia hora antes da cerimônia com a finalidade de cumprimentar os convidados e as muitas pessoas que aguardavam junto da Abadia. Entre os convidados, os mais aplaudidos foram os plebeus David e Victoria Beckham, assim como o cantor Elton John.

Depois de uma cerimônia com 1900 convidados e já com o título de Duques de Cambridge, os noivos saíram em carro aberto e foram saudar o público em frente ao Palácio de Buckingham.

Abaixo, fotos do conto de fadas:

Kate Middleton chega à Abadia de Westminster

Kate Middleton chega à Abadia de Westminster

Acena para a multidão

Ainda acenando...

Ela finalmente desiste de acenar e recolhe a mão

e

David e Victoria Beckham

Sir Elton John

O Príncipe Charles, pai de William

As filhas de Sarah Ferguson desconhecem limites

A chegada da noiva ao altar da Abadia

Mais acenos

Acenos + sorrisos

Já casados, fora da Abadia

Kate abana para o povo, William encheu o saco

Kate e o príncipe Harry

A multidão em frente ao Palácio de Buckingham

O primeiro beijo real -- após o casamento

O casal observa o show aéreo

Cumprindo ritual milenar, Kate Middleton paga o boquete durante a cerimônia (a menina ao lado engana-se, devia ter posto as mãos nos olhos, mas, sabem a curiosidade, não?)

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A indiscutível beleza e charme dos chapéus das damas inglesas

O casamento foi liiiindo. E, lá fora, os convidados davam mostras de seu bom gosto e classe. Um luxo!

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Quem é quem no casamento real

Para você que é, como eu, um burro amante do futebol, apresento algumas analogias simples do site Bola nas Costas para que você entenda o papel que cada um teve hoje na Abadia de Westminster e terá no futuro.

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M e J

Houve uma época em que eu trabalhava com M e J. Nosso chefe era B e todos nós trabalhávamos na empresa R. Era uma pequena equipe de 4 pessoas contratadas para desenvolver um imenso e complexo projeto desde o ponto zero. Prazo: 3 meses. Um verdadeiro absurdo. Todos, inclusive a empresa, sabiam que era quase impossível finalizá-lo a tempo. Era 1986 e nossa obra era um aplicativo de informática — escrito na linguagem C — , um sistema de automação com processos conversando aqui e ali. B era um chefe colaborativo, pegava no pesado junto com a equipe, mas costumava irritar-se ao paroxismo com as mancadas de J e com a irresponsabilidade de M. Estava sendo pressionado e, na época, descontrolava-se facilmente.

M poderia ser chamado de gênio. Era-o, efetivamente, e de uma forma bem típica. Costumava fazer seus próprios horários, discutia detalhadamente cada nova rotina do sistema e realizava-a sempre com brilhantismo… e atraso. Só que seu trabalho era tão impecável e perfeito que era melhor esquecer a questão dos horários. J trabalhava absurdamente, mas era mais ou menos o oposto. Tecnicamente muito bom mas extremamente desatento, costumava esquecer de “detalhes” fundamentais. Resultado: todos nós, tensos, acabávamos brigando e eu, que era um humilde carregador de piano, tentava assumir uma função extra de psicólogo do grupo.

Um dia, a coisa quase chegou às vias de fato. Um programa do gênio M deixara de funcionar no exato momento de seu papinho com um de J. M dissera: o meu está perfeito, o problema é lá. Só que a coisa estourava aqui no de M. Após dias de pesquisa — e não podíamos perder tempo — descobrimos que o programa de J destruía o código de M dentro da memória do computador. Uma coisa de louco. Como J já tinha uma fama de desatento, o mundo caiu sobre sua cabeça. Até hoje não sei como J não foi expulso do grupo naquele momento.

Porém… logo após esta crise, um outro processo começou a ocorrer. M e J passaram a beber cerveja e a sair juntos. Logo o inteligente M viu que sair com o esforçado J tinha suas vantagens. J era alto, magro — um homem longilíneo, passadas largas, pernas fortes, diria o comentarista esportivo Ruy Carlos Ostermann — e trazia mulheres e amigas para o diminuto e, digamos, ineficaz M. A partir daquele momento, vimos que M passou a proteger J mesmo contra B e o projeto. Muitas vezes realizava as partes mais difíceis do trabalho do amigo a fim de que não houvesse problema e os dois pudessem sair cedo para os bares e festas

Foi nesse ambiente que conseguimos entregar o projeto. É claro que faltavam coisas que a gente tinha que compensar com trabalho. Um dia, houve nova e espetacular explosão e essa eu parei para ver porque foi lindo: M acusava J de não apresentar-lhe as mulheres e J, com maior calma, explicou que uma delas tinha dito que não queria conhecer o pigmeu do cabelo molhado. Putz, eles quase se mataram na minha frente. Para sorte de todos, B estava ausente no momento da crise de ciúmes.

É óbvio que logo depois tudo voltou ao normal. M estendia seus finais de semana, retornando sempre terça-feira. Quando sumiu por um mês, foi demitido. Com a demissão, J ficou e logo mostrou-se muito competente.

M era um problema para ele? Ignoro.

Não os vi neste século, acho. Perdi-os de vista. Uma pena.

balada

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Böll e a Net fugitiva

Mais de 30 anos após a primeira leitura, estou relendo um livro que adoro. Trata-se de uma obra menor que sempre figuraria nas minhas listas de “dez mais”. No final dos anos 70, li Opiniones de un payaso, de Heinrich Böll, e agora leio Pontos de Vista de um Palhaço (Estação Liberdade, 2008). Após reler obras que se revelaram decepcionantes, não sobrevivendo à segunda abordagem — quem era eu naquela época para incensar essa merda? — , o livro de Böll reafirma suas notáveis qualidades e me surpreende, pois agora sei que eu lembrava de pouca coisa dele.

Escreveria mais, porém agora tenho que trabalhar. Acontece que o Net Virtua da minha casa anda muito arisco, com muitos problemas e escrevo os posts em casa. Não obstante, digo a vocês que apenas um livro sobreviveu bem a uma segunda leitura: O Idiota, de Dostoiévski. E agpra o grande católico (sim, até isso existe) vem unir-se a Dostô.

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Sonâncias III, do genial Marlos Nobre

A Caminhante, que entende do assunto, achou a coreografia simples e bonitinha — não lembro exatamente das palavras que ela usou. Já eu achei que ela acompanha bem o que há de superior: a música do grande pernambucano Marlos Nobre. Fazia muito tempo que não ouvia, só a tenho em vinil e desenvolvi certa preguiça de pegar os bolachões. Tenho 1300 deles. Me dá certo cansaço, pegar, limpar, virar o disco após 20 minutos, pegar, limpar de novo, pôr no plástico e depois na capa para devolver à estante. Mas o assunto é o tio Marlos, né?

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Milton Ribeiro abraça o pancadão

E segue sua nau, ora bolas.

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A mãe de todas as livrarias

Do blog da L&PM

Ela foi considerada pelo Guiness Book of Records como a “livraria mais antiga do mundo”. E não há como contestar o feito: a livraria Bertrand, de Lisboa, foi aberta em 1732 no bairro Chiado. Para receber o certificado (que foi colocado em uma das paredes da loja) foi preciso passar por uma “rigorosa prestação de provas”. Entre elas, a Bertrand teve que confirmar que sua atividade nunca foi interrompida ao longo destes 279 anos.

A portuguesa Bertrand tem 279 anos e é considerada a mais antiga livraria do mundo

A Bertrand Livreiros foi fundada por Pedro Faure, que tinha origem francesa, e hoje é a maior cadeia de livrarias do país, com 53 filiais em Portugal e uma loja virtual que oferece mais de 100 mil títulos. No site da Bertrand, aliás, pode-se ler o manifesto “Somos livros”. O texto (na verdade um poema) cita o terremoto de 1755 que devastou Lisboa, balançou as estruturas da Bertrand, mas, mesmo assim, não foi capaz de fazê-la fechar as portas. Abaixo, o manifesto:

O fim é o princípio.
Uma página que se vira.
Somos a tinta fresca em folha áspera.
A capa dura. Aquilo que procura.
Somos a História.
Desde sempre.
O terremoto de 55 e a revolução de 74.
Somos todos os nomes.
As pessoas do Pessoa,
Alexandre Herculano e Ramalho Ortigão.
O Mundo na mão.
Ponto de encontro.
De quem pensa. De quem faz pensar.
Temos pele enrugada de acontecimento.
As páginas são nossas.
E o pó que descansa na capa também.
Sabemos falar de guerra e paz,
explicar a origem das espécies
e dizer qual a causa das coisas.
Somos o que temos.
A tradição e a vocação.
A atenção. A opinião.
A história de dor e de amor.
Somos o nome do escritor.
A mão do leitor.

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Crônicas do mundo ao revés, de Flávio Aguiar

Publicado ontem no Sul21

Crônicas do mundo ao revés (Boitempo, 141 páginas) é uma excelente reunião de narrativas de diversos gêneros – ficção, memórias, causos e vivências políticas. Quase todas as histórias têm sua nascente na luta política dos anos 60 e sua influência sobre a vida do autor-personagem. De lá partem, descrevendo um longo arco que vai da luta armada ao exílio, do exílio à vida estabelecida no exterior, dela aos causos ouvidos na infância, retornando até às reflexões sobre as origens familiares. O livro é dividido em 4 partes: Tempos difíceis, Palavras difíceis, Causos difíceis e Histórias difíceis, cada uma delas contendo de quatro e seis histórias.

Tempos difíceis — a melhor parte — trata da luta armada vista de dentro. Não são narrativas romantizadas ou idealizadas e nem guardam parentesco com a já antiquada literatura de resistência dos anos 70. São relatos duros e testemunhais que retomam os anos de chumbo de forma nada nostálgica. O medo, o perigo e as particularidades da época estão presentes nos relatos. É concedido ar e fôlego a vozes silenciadas pela tortura ou pelo processo histórico-literário, que não costuma recebê-las frequentemente em seu cânone. O autor é bem sucedido, tecendo narrativas em primeira pessoa que dão proximidade à secura das palavras.

Palavras difíceis é totalmente diferente. O personagem principal já está na Europa e na África, talvez resultado do exílio. Porém, a melhor narrativa é a mais ficcional delas, Singular acontecimento, curioso diálogo com o conto machadiano Singular ocorrência. Se Machado criou o homem que conta a um amigo sobre o caso extraconjugal de um outro amigo, Aguiar cria uma carta em que o escritor X (Machado, certamente), conta a um amigo sobre seu encontro com José Joaquim de Campos Leão (1829-1883), conhecido como Qorpo Santo, dramaturgo gaúcho que visitou o Rio de Janeiro na tentativa de provar sua sanidade mental. Lá encontrou Machado, ao menos na realidade ficcional. Trata-se de uma pequena joia literária escrita no estilo do Bruxo do Cosme Velho.

Causos difíceis são histórias humorísticas do interior gaúcho. É o trecho mais fraco de um bom livro que finaliza com quatro Histórias difíceis. Aqui a ficção é abandonada. Na primeira delas, Flávio Aguiar escreve um impecável e emocionante texto de restauração da memória do militar Alfeu de Alcântara Monteiro, uma das mais importantes figuras do movimento da legalidade e das primeiras vítimas do golpe de estado de 1964. Como o próprio autor cita, não há nenhuma praça com seu nome, que parece destinado ao esquecimento. Depois, há três narrativas memorialísticas onde a genealogia mistura-se poeticamente a impressões familiares.

Não, o forte de Crônicas do mundo ao revés não é a unidade. Mas quem disse que esta é necessária? E quem disse que as fraturas e as diferentes vivências de uma existência não fazem boa literatura? Neste livro, Flávio Aguiar recolhe trechos, impressões, atitudes, interesses e posturas que formam um mosaico cujas cores só se completam quando terminamos a leitura.

Sobre o autor

Flávio Aguiar nasceu em Porto Alegre (RS), em 1947, e reside atualmente na Alemanha, onde atua como correspondente para publicações brasileiras. Pesquisador e professor de Literatura Brasileira da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, tem mais de trinta livros de crítica literária, ficção e poesia publicados. Ganhou por três vezes o prêmio Jabuti: em 1983 com o ensaio A comédia nacional no teatro de José de Alencar, em 2000 com o romance Anita e em 2007 como participante de Latinoamericana – Enciclopédia sobre a América Latina e o Caribe (org. de Emir Sader e Ivana Jinkings), premiado como melhor livro do ano em não ficção.

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J.S. Bach, da Paixão segundo São João: Es ist vollbracht, ária para contralto

Es ist vollbracht significa Está consumado ou, de modo mais informal, o presunto está na cruz. Bach compôs duas Paixões que poderíamos considerar como óperas da Paixão de Cristo. Quando é Bach, a gente é obrigado a respeitar. Foi o maior dos artistas.

O pessoal que toca abaixo é de primeiríssima linha, todos. A regência é de Nikolaus Harnoncourt, a orquestra é o Concentus Musicus Wien, o solista de gamba é Christophe Coin, o coro — que se ergue mais não canta… — é o Tölzer Knabenchor e o menino é o desconhecido, genial e efêmero (refiro-me à voz, claro) Panito Iconomou. Ah, e quem me apresentou a gravação foi o Gilberto Agostinho. Tudo de primeira linha, repito. Não deixem de ver, é inacreditável.

Ou clique aqui.

Dia desses, disse aqui que uma das coisas que mais amava na São João é seu coro inicial, que começaria como um súbito mergulho. E não é? Veja e ouça abaixo ou aqui.

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Uma vasta lista e a fé de que um dia a páscoa será apenas chocolate… E dieta

“Eu afirmo que somos ambos ateus. Eu só acredito em um deus a menos do que você. Quando você entender por que não acredita em todos os outros deuses possíveis, entenderá por que não acredito no seu.” (Stephen Roberts)

Essa semana, a Justiça espanhola proíbiu uma procissão ateia em Madrid. Era provocação. A manifestação levaria às ruas faixas com dizeres como “Congregação da Cruel Inquisição”, “Irmandade da Santa Pedofilia” e “Confraria do Papa do Santo Latrocínio” com o objetivo de “derrubar a hipocrisia social e moral que representa a Semana Santa Católica”. Era provocação? Claro que sim! Mas também é provocação aquilo que sofremos desde que nascemos e que é ainda passado a nossos filhos goela abaixo — principalmente em escolas não laicas. Porém, quando reagimos, ouvimos os religiosos falando em democracia e em direitos. Direitos para seguirem fazendo seu nojento proselitismo milenar, bem entendido. Mas isso tem diminuído, as estatísticas estão para comprovar. Bom feriado.

http://www.youtube.com/watch?v=A8XLVunDt9k&feature=player_embedded

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Oitavas definidas, enfim. Confira aqui.

Notei alguma demora dos sites esportivos e das TVs em explicar o que houve na noite de hoje. A Band News chegou a noticiar Grêmio x Cerro! Acho que isto aqui explica tudo até a final.

(Cruzeiro x Once Caldas) X (América-Mex x Santos)

x

(Junior x Jaguares) X (Cerro Porteño x Estudiantes)

X

(Libertad x Fluminense) X (LDU x Vélez Sarsfield)

x

(Internacional x Peñarol) X (Universidad Católica x Grêmio)

Ficou claro, não?

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O ex-presidente Lula é um filha-da-puta! Veja e opine!

Vejam o que ele fez, meu Deus. É o fim do mundo! Como é que este homem não está preso? Assassino!

Agradeço ao Gilberto Agostinho por ter me apresentado este descalabro! Já chegou a Praga essa vergonha nacional !!!

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Sugestões de leitura para uma manhã pré-feriadão

Muito boas as leituras matinais do pré-feriado. Sugiro que meus sete queridos e fieis leitores comecem por Roberto Carlos não morreu (ele não morreu assado como uma galinha na estrada de Santos). Depois podem visitar Um mundo carente de terapia. Os que gostarem de futebol, pode ler minha crônica para Inter x Emelec — que incluo nas “boas leituras” apenas para me unir aos dois primeiros. Se quiser enojar-se vá ao amigo Mário Marcos e, se quiser rir, informe-se sobre como o Rio Grande do Sul se protegerá dos termos estrangeiros.

No mais, devo passar o feriado em Porto Alegre pondo alguma coisa em dia. Pois, apesar de curta, êta semaninha de merda que foi essa!

Consolo? Ah, esta foto de puro deboche pascoal que minha filha tirou no colégio:

Garanto que exportei para a Bárbara grande parte do meu espírito zombeteiro. E sou vítima dele, não pensem que não.

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Como ganhar o dia sem fazer nada

Recebi este e-mail hoje:

Oi, Milton,

Não, não é a Páscoa. É que ontem, aqui em Lisboa, fui assistir ao Tom Koopman com sua orquestra e coral, tocando e cantando a Paixão Segundo São João de Bach. Foi uma maravilha, e lembrei-me muito de ti, muito mesmo, e lamentei que não pudesses assistir isso. O Koopman é uma simpatia, rege energicamente, com mãos e boca, e praticamente canta junto. 1h50 em pé, feroz e motivador, regendo e tocando cravo. A orquestra toda é uma maravilha, também. Enfim. Consigo apreciar essas coisas graças a ti.

Abraço.
H.

Eu não sou tão burro e sei que há imenso exagero no textinho, mas isso não me impede de sair para almoçar nas nuvens.

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O Clube do Filme, de David Gilmour

Em primeiro lugar, favor não confundir este David Gilmour canadense, escritor e crítico de cinema, com aquele outro, inglês, que foi guitarrista do Pink Floyd.

O Clube do Filme (Intrínseca, 239 páginas) trata de um caso real e famoso: David Gilmour estava com pouco dinheiro, com as contas pagas pela mulher e morando com o filho de 15 anos, o qual colecionava péssimas notas e tédio na escola. Quem é pai — e nem precisamos estar meio deprimidos, como é o caso aqui — , sabe o efeito que um filho de saco cheio tem sobre nós. A gente simplesmente quer fazer tudo para acabar com aquilo. Gilmour achou que seu filho Jesse não precisaria conviver com o fracasso escolar e, diante da óbvia infelicidade e desespero do filho, propôs-se a ensiná-lo através de filmes, assistindo semanalmente a três deles, escolhidos e comentados pelo pai. Durante o “curso”, o garoto receberia mesada e um teto todo dele, mas deveria manter-se longe das drogas. A intenção de Gilmour era das melhores: desejava garantir uma adolescência suportável a seu filho, longe dos fracassos e da consequente baixa auto-estima.

Poderia ser um grande livro, um curioso “romance ou caso de formação”, mas Gilmour atrapalha bastante. Ele já começa por nos dar de graça o maior dos spoilers: “olha, o final será açucarado, tudo terminará bem”. Se ele já diz de saída que tudo acabará bem, a gente logo imagina que o “como” seja muito artificioso e original, mas não. A história de Jesse com suas namoradas é bastante rasa e ocupa grande parte do livro. Também o fato de Gilmour usar a primeira pessoa do singular e privilegiar os diálogos é problemático. Muitas das conversas entre os dois têm tom de interrogatório por escrito — tudo com a finalidade de que o leitor se informe. É artificial. Ah, como faz  falta um bom narrador onisciente! É óbvio que o livro seria melhor se fosse um romance autobiográfico narrado na terceira pessoa. Há muito “eu” na narrativa.

Não obstante os problemas, a análise dos filmes por parte do pai e sua repercussão no filho são emocionantes. Há observações cinematográficas preciosas. Mas por que passei subitamente a elogiar o livro? Ora, porque a história é boa e interessante. Então, para terminar esta pequena e despretensiosa resenha, diria que vale a pena ler O Clube do Filme, mas não espere genialidade. É como se um autor médio tivesse recebido a dádiva de um grande tema, infelizmente muito superior a si. Ou como se fosse uma grande canção estivesse sendo interpretada por alguém que mal consegue alcançar as notas. É isso.

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Trem das Onze – Tangos e Tragédias

Hique Gomez, o violinista Kraunus Sang, e Nico Nicolaiewsky, o Maestro Plestkaya, ambos cantores, dão um banho na obra-prima de Adoniran Barbosa. Esta apresentação foi no Teatro Positivo, em Curitiba, no ano de 2008.

http://www.youtube.com/watch?v=mDwRqaCmvOg&feature=player_embedded

Lembrança do Melo.

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Filminho Genial (e engraçado)

Este filminho publicado por Juliana Szabluk em seu Facebook é muito bom. Ah, por que as propagandas não podem ser ousadas…?

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