Ragna Schirmer interpretando Händel e Mozart

Ah, pois é. O PQP Bach acaba de postar esta tremenda pianista alemã tocando as Suítes para Teclado de Händel. E, além de deixar disponíveis os CDS, deixou este vídeo dos dois primeiros movimentos da primeira suíte do autor de O Messias.

De sobremesa, mostro para vocês o movimento central do Concerto para Piano K. 467 de Mozart com a mesma Ragna Schirmer com a Orquestra da MDR (Mitteldeutscher Rundfunk) — poderia traduzir para Orquestra da Rádio da Alemanha Central? — , sob a regência de Fabio Luisi.

Bom domingo para todos! Ontem, o Grêmio já deu seu fiasco. Estamos no aguardo de uma vitória desfalcada do colorado agora à tarde.

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Janáček – Concertino para piano, 2 violinos, viola, clarinete, trompa e fagote

O esplêndido Concertino de Leoš Janáček (1854-1928) que assisti ser tocado no ano passado por integrantes da OSESP recebe no vídeo abaixo uma boa interpretação, porém de som baixo. Mas dá para notar a qualidade desta música que gruda no ouvido.

Tal como o compositor, os músicos da gravação são checos, não?

Igor Ardašev – piano
P. Franců e V. Vostrá — violin,
D. Kalvodová — viola,
I. Venyš — clarinet,
M. Petrák — bassoon,
O. Vrabec — french horn

Gravado durante o XXXV Festival International de Música “Janáčkův máj”, no Janáček´s Conservatory Concert Hall, Ostrava no dia 2 de junho de 2010.

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Porque hoje é sábado, Camila Vallejo

EMBALAGEM E CONTEÚDO. Camila Antonia Amaranta Vallejo Dowling ou simplesmente Camila Vallejo (Santiago, 28 de abril de 1988) é uma estudante de geografía e dirigente estudantil chilena. Militante da Juventude Comunista do Chile, é a atual presidente da Federação de Estudantes da Universidad do Chile (FECh), sendo a segunda mulher a ocupar o cargo.

Quando eu digo que as mulheres de esquerda são mais inteligentes, bonitas, decididas, tesudas e que, fundamentalmente, trepam melhor, bem, eu não estou sendo folclórico.

Me gustan los estudiantes

que marchan sobre la ruina.

Con las banderas en alto

va toda la estudiantina:

son químicos y doctores,

cirujanos y dentistas.

Caramba y zamba la cosa

¡vivan los especialistas!

Me gustan los estudiantes

que van al laboratorio,

descubren lo que se esconde

adentro del confesorio.

Ya tienen un gran carrito

que llegó hasta el Purgatorio

Caramba y zamba la cosa

¡los libros explicatorios!

Me gustan los estudiantes

que con muy clara elocuencia

a la bolsa negra sacra

le bajó las indulgencias.

Porque, ¿hasta cuándo nos dura, señores, la penitencia?

Trecho da letra de Me Gustan Los Estudiantes, de Violeta Parra.

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Recomendamos Melancolia para o fim de semana

No Sul21. Esqueça a tola polêmica que cercou o cineasta Lars von Trier no último Festival de Cannes, pois Melancolia é um imenso filme.

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Um avanço na solução do mistério de Alma Welt?

O curador, responsável pelo espólio ou autor da fascinante personagem Alma Welt volta a atacar repetidamente, desta vez no Facebook. O ataque é dos mais, digamos, doces. Ele vem através de mais e mais poemas da singular obra desta autora que certamente jamais existiu, apesar de ter biografia e  livro publicado. Anos atrás, um dos comentaristas deste blog — um policial — chegou a investigar as mortes ocorridas na região do estado onde teria vivido Alma Welt. Nada. Se a coisa ainda pudesse piorar, diria que em alguns poemas e textos noto um tom gauchesco meio forçado, talvez pelo fato do autor ser paulista. Guilherme de Faria é um talentoso desenhista e gravurista. É também um poeta extremamente prolífico — tem obra literária própria e os escritos de Alma Welt não param de surgir. De modo algum considero Guilherme uma fraude, de modo algum o censuro. Alma Welt é uma verdade ficcional, uma personagem que sai do papel ou das teclas para ganhar vida própria. Eu adoro Alma Welt e seus sonetos de moça de fazenda que mal dá-se conta da modernidade. Ela existe da mesma forma que Ivan Karamázov existiu ou da mesma forma que Dostoiévski existiu para mim. Eu acredito que Guilherme acredita em Alma Welt, sua musa, assim como sei que Ivan tem existência ficcional real e que Dostoiévski teve epilepsia e vísceras palpáveis e respirou um ar mais limpo do que disponível em nossos dias e é uma lenda.

Ontem, depois de muito tempo, Guilherme veio bater papo comigo no Facebook. Ele, um sujeito que já deu mostras de brilhantismo em outras oportunidades, sei lá por que quase confessou a inexistência / existência de Alma.

— Olá Milton! Pelo jeito, você afinal “acredita em Alma Welt”… Grande abraço!

— Hum… Não. :¬))) Eu acredito em Guilherme de Faria.

— Oba! Pra mim já tá bom… Sinal de apreço… Obrigadíssimo, Milton! Mas, sabe, quanto a mim, o engraçado é que eu acredito mesmo na Alma Welt…

— Eu acredito que acreditas em Alma Welt, mas eu acredito em ti!

— Milton, isso é a coisa mais lisonjeira (no melhor sentido) que já ouvi de alguém. Melhor que isso só quando você disse num comentário: “Eu amo Alma Welt”… É sinal de que eu não estive enganado este tempo todo, e a Alma tinha (e tem) mesmo o que dizer, e encanta gente informada e culta. Aliás, eu não posso me queixar, ela só tem me dado alegrias, com um retorno magnífico na Internet. Só falta que o mundo oficial da cultura (será que isso existe?) a reconheça e consagre…

Olha, eu gostaria de entrevistar o Guilherme de Faria. Julgo que suas ironias e o jogo de espelhos da irrealidade manipulada por ele, todas as histórias que ele maneja tão bem, todas as irritações burras que teve de suportar, tudo isso é muito complicado e bonito. A citação que coloco no início do primeiro post abaixo (link abaixo) dá a chave de toda leitura: inverto as frases — “num mundo imaginário onde até mesmo a imagem de si mesmo é constructo imaginário, o significado do que se diz é dado por quem escuta e não por quem fala”.

Notem como o cara é brincalhão: o tíitulo da gravura-tríptica vertical que está ao final deste post é A Verdadeira Estória de Sherazade

(Eu tenho um romance quase pronto. Minha personagem principal foi visitada por Alma Welt, que lhe leu dois sonetos. É uma de minhas cenas preferidas).

Sobre o assunto:

Quem acredita em Alma Welt (1972-2007)?
Lúcia Welt, a irmã de Alma, responde
Diagnóstico de Alma Welt

Há não muito tempo dei-me conta de que somente eu vi e convivi com a grande poetisa Alma Welt, e isso por um tempo limitado de dois anos, mais ou menos. Foi um imenso privilégio ter amado e sido amado por ela, que além de poetisa de gênio foi a mais bela mulher que meus olhos puderam ver nesta vida. Recentemente, percebendo isso, comecei a pesquisar e descobri, perplexo, que nunca ninguém, fora a sua irmã Lucia e os seus empregados da Estância Sta. Gertrudes, jamais a viu pessoalmente ou qualquer foto da poetisa (não existe na Internet, no Google ou em qualquer lugar sequer uma só foto da Musa, nem mesmo no casarão pampiano). Começo a suspeitar que  Alma Welt viveu num universo paralelo que só teve seu ponto de contato, com o nosso, em mim. Sei que isso pode parecer fantasioso, fantástico mesmo, mas é a única explicação que me ocorre. Vejam vocês: após a morte da Poetisa eu viajei ao Pampa e visitei a estância e os lugares sagrados da grande artista, monitorado pela sua irmã Lucia, pelo Galdério e pela Matilde, fiéis serviçais que ainda a choravam, desolados com a tragédia de sua morte prematura aos 35 anos, no auge de sua beleza e talento. Rôdo como sempre não estava lá, disseram que voltara a jogar pelos cassinos do mundo, rodando no seu carro esporte. Fiquei imensamente comovido com tudo que vi e ouvi, as lembranças, os objetos e vestidos da minha musa, e pela transbordante Arca da Alma, tesouro que fotografei no sótão do casarão. Entretanto, depois disso nunca encontrei ninguém que conhecesse a família Welt, lá no Sul, aqui ou alhures. Nem mesmo em Rosário do Sul, Alegrete (onde ela teria sido internada duas vezes numa Clínica), em Santana do Livramento ou fora do Pampa, em Novo Hamburgo, onde ela viveu até os oito anos antes de mudar-se para estância e o vinhedo de seus avós. Ninguém nunca a viu ou à sua família nem soube deles a partir de 2001 em São Paulo, e até começarem as postagens na Internet a partir de 2006 no Recanto das Letras, depois nos blogs abertos pela Lucia, atualmente em número de 48 para abrigar a imensa obra da Poetisa do Pampa. Um mistério! Somente a teoria recente da Física dos Onze Universos Paralelos poderia explicar isso. Entrementes conclamo eventuais testemunhas da passagem da Musa pelo nosso mundo, que entrem em contato comigo e se possível me tragam uma ou mais fotos, para eu conferir. De antemão agradeço quaisquer subsídios que levem ao esclarecimento deste grande Mistério… (GUILHERME DE FARIA)

A pena do perdigão (de Alma Welt)
(158)

“Perdigão perdeu a pena
Não há mal que lhe não venha.” (Luiz Vaz de Camões)

Um dia, colhendo na campina
As flores pra fazer lindo buquê
Eu vi no ar uma ave de rapina
Que vinha descendo num piquê (1)

E parecia vir em minha direção
Mas virei-me para logo ver o alvo:
Um velho triste e cansado perdigão
De perdida pena e meio calvo.

E lembrei-me do soneto de Camões,
Inteiro, antes de vê-lo apanhado
Pois não pude salvar o desasado

Pois que quando o coração já sossobrou
Estamos à mercê dos gaviões
Que virão buscar o que sobrou…

(1) Casta de tecidos feito de dois panos aplicados um sobre o outro e unidos por pontos cujas linhas formam desenhos.

Nota da editora:

Este curioso e pouco citado poema auto-satírico de Camões, escrito a partir de um mote maldoso que lhe lançaram (ele andava sendo apelidado na côrte, de “perdigão”, a ave de vôo curto) num momento de profunda dor e decepção amorosa, tem sua primeira quadra assim:

“Perdigão perdeu a pena” (o mote)
Não há mal que lhe não venha.

Quis subir a alta torre
Mas achou-se desasado
E se vendo depenado
De puro penado morre…

Perdigão perdeu a pena
não há mal que lhe não venha.

…………………….
Alma era profunda admiradora de Camões,
que ela considerava o seu mestre direto no soneto
(Lucia Welt)

SONETOS PAMPIANOS DE ALMA WELT (postagem XXXV)

O que é a Verdade? (de Alma Welt)
350

“…a Verdade é a Beleza, a Beleza é a Verdade,
isto é tudo o que há para saber.”
(John Keats, em Ode a uma urna grega)

Olhar a vida, o mundo e o de dentro
É a prerrogativa do poeta
Mas simultaneamente, como esteta,
Pois que a Beleza está no centro

De tudo, pois que ela é a Verdade,
Como escreveu Keats no poema
Da urna grega, que logo virou lema
E responde à pergunta sem idade

Que Pilatos teria formulado
Num momento ao Cristo aprisionado,
Deixando-nos, a muitos, sem ação

Pois o Mestre calou-se sabiamente
Legando aos poetas a missão
De reconstruí-la lentamente…

(sem data)

A verdadeira estória de Sherazaade – Guilherme de Faria (2011)

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A Ospa ontem

Atualizado às 17h15 (negritos).

Tem sido um bom concerto após o outro. Não ter maestro titular foi um grande acerto. A relação músicos x maestro x governo não desgasta e há alternância de repertório. Só lastimei o público. Com a qualidade da orquestra, os ótimos programas e os preços módicos, era para ter sala cheia. Sinceramente, será que merecemos uma sala de concertos?

Foi concerto com coreografia. O maestro carioca comandava com a ginga e não com a baqueta. Um dos trompistas (Israel Oliveira)– o belo mulato sentado mais a frente do qual desconheço o nome — chacoalhava alegremente sua trompa, e até o Vladimir Romanov, com toda sua fleuma bielorussa, por vezes não resistia e balançava a perna. Me diverti muitissimo!

~o~

Intervenção do “editor” do blog:

O programa de ontem foi o seguinte:

H. Villa-Lobos – Bachianas Brasileira nº 8
F. Mignone – Concertino para Fagote
H. Villa-Lobos – Choros nº 6
F. Mignone – Dança da Chico Rei e da Rainha Ginga

Solista: Alexandre Silverio – fagote
Regente: Roberto Duarte

Acho que todos estão se dando conta de que a ausência de um regente titular está fazendo a orquestra render muito mais. Como disse a Jussara Musse, a relação é “rápida e sem desgastes, de puro amor”. O cara vem, trabalha, dá uns beijos, mostra o que tem de melhor, sem precisar ouvir reclamações sobre não ter levado o lixo para a rua. Muito melhor, né? Não gosto muito da Bachiana nº 8, há melhores, mas a partir do Concertino de Mignone a coisa tomou um rumo tal que levou realmente a pequena (por quê?) plateia ao entusiasmo. O Choros nº 6 foi o ponto alto do concerto e a Dança final era bem o que se esperava de um finale de concerto, daqueles que faz o público feliz e agradecido.

Grande presença de Alexandre Silverio e, principalmente, do excelente Roberto Duarte no comando.

 

 

 

 

Roberto Duarte

 

 

 

 

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E esse vídeo agora?

Seguindo na linha inaugurada pelo Farinatti, a Audi curva-se ao futebol do colorado…

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Inter x Barcelona em Munique: o Farinatti facilita, resumindo as coisas

Todo desfalcado — não importa, ainda mais que o adversário está na mesma unglückliche Situation — , o Inter hoje estreia na Copa Audi, em Munique, contra o Barcelona. Com notável poder de síntese, meu amigo Guto resume as coisas num alemão que desvenda a beleza e o ecletismo da língua de Goethe, Mann e Kafka. Lassen Sie uns in ihnen gehen!, ou seja, “vamos pra dentro deles!” (ou eles pra dentro de nós, muito mais wahrscheinlich, que quer dizer “provável”).

S.C. Internacional ist ein brasilianer fussball-klub. 2010 und 2006 gewannen sie die Copa Libertadores, 2006 den Weltpokal und 2008 die Copa Sudemericana, und mtomelliorkeogremio ist. 1975, 76 und 79 gewannen sie der Campeonato Brasileiro. Und auch 2005, aber robbaden fur Corinthians war. Dieser Fussball-team nie haben disputiat die Second Division, alkontrar de Gremio ke zweimal rebaschadd war. Jetzt einige Turbulenzen akontcen, aber sie verbringen, und Inter kontinuiat sie vitoriasenda.

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Amy Winehouse morreu jovem, deixando para trás um bonito cadáver

Publicado originalmente no Sul21 na tarde do último sábado. Escrito meio às pressas enquanto ouvia Frank e Back to Black.

Viva muito, morra jovem e deixe para trás um bonito cadáver
(“Live fast, die young and leave a good-looking corpse”)
JAMES DEAN

Amy Winehouse, encontrada morta neste sábado em Londres, aos 27 anos | Foto: Divulgação

A polícia britânica ainda não divulgou a causa da morte de Amy Winehouse, ocorrida neste sábado à tarde (23), em Londres. O corpo da cantora de 27 anos foi encontrado em seu apartamento após o serviço de emergência ter sido chamado por volta do meio-dia (horário de Brasília). A polícia de Camden Square emitiu comunicado confirmando a morte. “Fomos chamados devido à descoberta de uma mulher morta. Era a cantora Amy Winehouse. As circunstâncias serão investigadas”, encerrava a mensagem.

A carreira de Amy Winehouse foi marcada tanto pelo estupendo sucesso de público e crítica como por uma série de escândalos e polêmicas. Boa cantora, boas músicas, mas a mídia e o mundo revelavam-se mais interessados em seus porres e problemas. Seu nome está mais ligado às drogas do que a seu indiscutível talento; seu público queria tanto os blues, o soul, quanto os vexames. E ela dava motivos a todos, alternando performances espetaculares com shows onde era vaiada, como o ocorrido numa recente apresentação em Belgrado, na Sérvia: o público não entendia o que ela cantava e nem ela parecia dar-se conta do que fazia ali seu grupo de músicos. Aparentemente, estava totalmente alcoolizada.

Amy Winehouse era dona de uma voz poderosa, bela, e de uma maneira negra de cantar. O velho blues e a Motown eram suas maiores influências. Discretamente antiquada, old-fashioned girl, dava preferência aos instrumentos acústicos e aos arranjos que destacassem sua bela voz. Por vezes, também, soava como uma cantora dos cabarés de antigamente.

O terceiro CD da cantora estava sendo produzido desde 2008 e nunca foi concluído. Amy compôs algumas canções, mas estas foram rejeitadas pelos produtores. Ela chamou Mark Ronson para “tentar salvar o disco”, mas os dois não chegaram nem a se reunir. Canções perfeitas como Rehab, Back to Black, Wake up alone e Love Is a Losing Game ficarão sem sucessoras.

A morte de Amy Winehouse aos 27 anos, vem colocá-la no indesejado e ilustre Clube 27, o dos grandes artistas mortos nesta idade. É fenômeno comum os ícones da cultura pop serem reavaliados para cima quando morrem, tornando-se eternos no imaginário popular. Mesmo que sejam famosos e talentosos em vida, se morrerem jovens e, sobretudo, de causa trágica e misteriosa (overdose, suicídio, homicídio ou acidente), tornam-se objetos de culto e de programas e filmes onde se pranteia sua memória. Porém, como disse Virginia Woolf na introdução de Orlando (1928): “Há outros que, embora talvez igualmente ilustres e importantes, ainda estão vivos e, por essa razão, são menos formidáveis”.

Se circunscrevermos as mortes do chamado “Clube 27”, teremos um time realmente considerável. Tudo parece ter começado em 3 de julho de 1969 com a morte de Brian Jones, guitarrista dos Rolling Stones. No ano seguinte, foi a vez de Jimi Hendrix (18/9) e Janis Joplin (4/10). Mais um ano e, em 1971, morre o líder do The Doors, Jim Morrison em 3 de julho. Estava formado o “Clube 27” pelo simples fato de todo o quarteto ter morrido num período curto com a mesma idade.

(Na música erudita há famosa Maldição da Nona Sinfonia. Vários compositores morreram logo após finalizarem suas Nonas: Beethoven, Mahler, Schubert, Bruckner, Dvorak e Spohr. Mahler escreveu antes A Canção da Terra procurando fugir da 9ª. Não deu certo.).

Quando Kurt Cobain suicidou-se em 1994, também aos 27 anos, muito falou-se que ele teria confidenciado a amigos que ele desejava unir-se ao Clube. Ainda no rol dos que teriam manifestado vontade de obter uma carteirinha estão o espantoso artista plástico Jean-Michel Basquiat, morto em 1988, e, para voltar aos músicos, o legendário guitarrista de blues Robert Johnson, morto em 1938. Se Johnson morreu bem antes, ao menos manteve a coincidência de talento e de um fim por drogas, caso do quarteto e de Basquiat. Afinal, a estricnina colocada em seu uísque por um dono de bar enciumado de sua mulher também é droga. Ou não?

E James Dean, autor da clássica frase que nos aconselhava a morrermos jovens, foi ainda mais apressado, falecendo aos 24 anos.

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Porque hoje é sábado não foi ao ar

Reclamem para a CEEE, que nos deixou sem luz desde às 22h até a madrugada. Aliás, essa Companhia é minha inimiga pessoal. Estávamos vendo Por um punhado de dólares e ela desligou a luz assim no mais, sem vento, chuva, nada. Só diversão.

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O mais genial dos chargistas: El Roto

Todas as charges foram copiadas do El País da Espanha. El Roto é Andrés Rábago (1947) e tem 15 livros só de seus trabalhos gráfico.

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Adaptações

Para
Pierella Bedoyan

Como de hábito, ela estava passando mais um fim de semana sozinha em casa. Domingo pela manhã, bateram violentamente em sua porta. Quem chegou tinha ignorado a campainha, percutindo a porta com toda a força. Era uma batida que não admitia dúvidas, quem estava lá fora queria entrar. Ela — que assistia na TV a um filme inglês em que rei e rainha seriam decapitados dali a minutos — saiu correndo da cama enquanto vestia um chambre. Foi até a porta e olhou pelo olho mágico. Viu um desconhecido, com cara de desesperado, no corredor. Decidiu não abrir, claro. O homem bateu novamente, com violência. Teve medo de que a porta cedesse. Taquicárdica, mas procurando manter a respiração inaudível para quem estivesse do outro lado, observou melhor o rosto de quem batia. Não, não conhecia. Em seguida, viu-o sair da entrada de seu apartamento e fazer o mesmo em outra porta. Aquilo a apavorou. O homem desejava entrar em qualquer apartamento. Ficou mais assustada ainda quando ele passou a correr de uma porta a outra, tentando arrombá-las. Ele tomava distância e arremessava-se com o ombro contra elas, sempre sem sucesso. O som de seus gritos e das portas dobrando-se era aterrador.

Repentinamente, o homem voltou-se para sua porta e gritou:

— Estou vendo a tua sombra. Abre a porta, porra!

Ela se afastou do olho mágico e voltou trêmula ao quarto. Fez cara de choro quando ouviu o homem atirar-se contra sua porta. Cada vez mais amedrontada, começou a chorar enquanto via vagamente na TV a jovem rainha, vivida por Helena Bonham-Carter, ser destituída por uma bruxa velha chamada Mary. Ela não se deu conta de destituição nenhuma, estava em pânico. Ligou para o 190 e o policial atendeu:

— Brigada Militar, bom dia.

— Há um homem dentro do meu edifício que quer entrar a todo custo em qualquer apartamento. Ele está se atirando em todas as portas, tentando arrombar, mas acho que ou todos estão escondidos com medo ou estou sozinha no prédio.

Enquanto falava, ouvira várias vezes o homem explodir contra a porta. Ia acabar entrando, ela precisava imediatamente de socorro. Foi quando ou ouviu o homem gritar

— quero algo para comer, estou com fome!

Ela foi para perto da porta a fim de ouvi-lo melhor e notou que ele falava mais baixo.

— Eu só quero um pouco d`água e um pão. Não me deram nada hoje, não consegui nem na igreja. Eu posso ficar no meio do corredor, o senhor confere olhando pelo buraco da porta. Então, o senhor se tiver alguma comida e água abre a porta, deixa na frente e eu só me aproximo para pegar quando o senhor fechar a porta. Pode ser?

Ela, ainda trêmula, voltou ao olho mágico. O homem estava a meia distância e viu sua sombra. Ele disse

— olha, eu dou mais três passos atrás para que o senhor possa me ver bem.

Ela foi à cozinha e, momentos depois, ouviu uma leve batida na porta. O homem falava, agora em voz alta.

— O senhor foi na cozinha buscar alguma coisa para eu comer, né? Por favor, faça isto. Eu preciso.

A voz agora era branda, educada, quase sedutora. Ele seguiu falando, disse que não era perigoso, que estava fazendo barulho para chamar atenção, que tinha ficado desesperado quando pensou que não tinha ninguém em todo o edifício que lhe pudesse remediar a fome. Ela foi até a porta e perguntou:

— O senhor gosta de manteiga com ou sem sal?

— Meu nome é Francisco, pode me chamar de Chico. Como o pão como a senhora quiser.

— E o café? Com ou sem leite?

— Com leite, por favor.

— Açúcar ou adoçante?

— Açúcar, por favor, dona.

Ela foi até a cozinha. Na passagem, viu Helena ser decapitada. Decidiu que aquilo não era um sinal e que tentaria dar o café da manhã a Francisco, desde que ele permanecesse à distância quando ela abrisse a porta, senão fecharia correndo. Preparou lentamente o café. Aqueceu a xícara no microondas, abriu o pão com a faca e cortou alguns tabletes de manteiga, colocando-os lado a lado dentro do pão. Trocou o café com leite do forno pelo pão; sabia que, em 20 segundos, o pão cacetinho ficaria no ponto, com a manteiga entranhando-se gostosamente.

Voltou à porta, deixou a bandeja no chão e pediu para que Francisco recuasse. Através do olho mágico, viu-o ir até o meio do corredor. Em resposta, ela destrancou a porta; voltou a observar a posição do homem e falou em voz alta:

— Vou abrir agora.

— Por favor — ele respondeu.

Ela abriu a porta alguns centímetros e empurrou cuidadosamente a bandeja com o pé, sem deixar nunca de olhar para o homem. Ele ficou onde estava, apenas ergueu os braços alertando-a de que não faria nenhum movimento brusco. Então perguntou se ela estava sozinha em casa.

— Sim, eu moro sozinha.

— A senhora é corajosa. Obrigado.

— De nada.

— Já morou com alguém?

— Sim, faz tempo.

Ele se calou e ela recuou, fechando a porta. Francisco enfim avançou, sentou-se com as costas apoiadas na porta e começou comer o pão, empurrando-o com o café. Do outro lado da porta, ela ouvia sua respiração. Preocupou-a a rapidez com que ele comia e bebia. Devia ser uma fome de dias. Ela se sentou com as costas encostadas na porta e ficou, naquele momento, separada dele por apenas três centímetros. Sem pensar, ouviu a si mesma sussurrar.

— Queres entrar?

— Como? — respondeu ele.

— Queres entrar, tomar um banho, almoçar mais tarde, algo assim?

— Sim, quero.

Ela sabia da loucura que estava cometendo; sabia de crimes, estupros, violência e que tinha recém ligado para o 190, mas cometeu a insânia. Levantou-se e abriu a porta. O homem aguardava-a com a bandeja na mão. Entregou-lhe e entrou, olhando para os lados. Viu um sofá velho todo puído; acima dele, montes de fotos presas com percevejos num mural de cortiça; no quarto, ao fundo, um colchão com lençóis amarfanhados e o som da televisão; viu-a sair do quarto trazendo uma toalha de banho e algumas roupas velhas de homem, fora de moda. Ele recebeu a camiseta com a estampa de Syd Barrett que parecia um sino de tão usada; notou à esquerda uma estante de livros construída de ripas de madeira apoiadas em tijolos. Ela falou:

— Acho que tu gostarias de tomar um banho antes do almoço.

— Obrigado, muito agradecido.

Ele entrou no banheiro. Ela correu ao telefone para dizer à polícia que não precisava mais vir, que o homem tinha saído do edifício. Sentada no sofá, ela esperou. Francisco saiu e, com roupas imensamente maiores que ele, sentou-se sobre um mocho de madeira, afastado dela alguns metros. Perguntou se poderia ficar com aquelas roupas, afinal, tudo o que ele tinha fora vendido. Ela pensou logo em drogas, sentiu um calafrio e respondeu desajeitadamente que, a partir de agora, aquelas roupas eram dele.

Almoçaram gentil e tranquilamente. Ela disse que era jornalista, que tinha 47 anos; ele contou que era um estudante de medicina que há um ano trancara sua matrícula no oitavo semestre. Morava na garagem da casa de sua mãe. Falou que a garagem só tinha saída para fora, pois seus irmãos não gostavam que ele fosse fazer rapina na casa. Ela tinha medo, mas também pensava em como gostaria de ser abraçada por ele.

— A senhora quer que eu saia agora, certo?

— Sim, claro.

— Não tem mais nada que eu possa levar? Algo estragado ou fora de uso?

— Não, nem dinheiro. Por favor, vá.

Ele perguntou se podia levar mesmo as roupas, foi ao banheiro pegar as suas e, com elas na mão, despediu-se com um sorriso. Ela lavou toda a louça com água quente. Depois, abriu a geladeira para servir-se de água. Viu um garrafão de vinho pela metade. Apanhou o garrafão, um funil e, cuidadosamente, passou a dividir o conteúdo do garrafão em garrafas menores. Deixou os três frascos exatamente no mesmo nível e procurou rolhas. Enfileirou o resultado na porta da geladeira, fechou-a e voltou para a frente da TV, no quarto.

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Fotos extraordinárias

Duas fotos de presente para vocês, meus sete leitores. Hoje, às 19h30 estarei no StudioClio para a segunda rodada do Sport Club Literatura. Bom programa. Haverá literatura e Corujas por lá.

Durante a filmagem de Shining, Jack Nicholson aparece em primeiro plano, enquanto Stankey Kubrick e sua filha observam

Para variar, uma bela imagem religiosa

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Falcão já vai tarde

Sou a pessoa menos indicada para chorar a saída de Falcão. Na verdade, fui contra sua entrada desde o primeiro momento. Em minha opinião, sua coleção de fracassos pregressos o condenava. E, com efeito, desde a saída de Celso Roth, o time pouco evoluiu: a dinâmica não funcionava em campo; a defesa só excepcionalmente não falhava; Bolívar e seus asseclas permaneceram como os intocados donos do vestiário; as substituições eram muito confusas — lembram da entrada de Ricardo Goulart para “virar” o jogo contra o Peñarol? — ; o horrendo, verdadeiramente funesto Nei era incontestável; o time jogava uma bem e duas mal; os jovens só entravam no time à fórceps — lembram que Falcão acusou Oscar de não ter massa muscular dias poucos antes de ele tornar-se fundamental, etc. Falcão, amigos, estava perdido e a fraca atuação contra o São Paulo é emblemática.

O gesto mais comum de Falcão como técnico

É óbvio que o presidente que o contratou é o mesmo que agora o demite com estardalhaço. Se havia incompetência à beira do gramado, havia também e há ainda nos gabinetes. O regime do clube é presidencialista e nunca Giovanni Luigi deveria ter permitido a entrada como treinador de alguém que agredia suas concepções, fossem elas quais fossem. O que sei que elas nunca foram lá muito fortes… Ou seja, se houve incompetência de um, houve o mesmo do outro lado, que confiou o futebol a um homem que… Bem, eu não deixaria meu cachorro para o diretor de futebol Roberto Siegmann cuidar. Agora, Luigi demite os dois e, aparentemente, pretende retomar o vestiário. Bem , mas se quiser tirar o poder de alguns antigos líderes, só fazendo uma limpeza geral. Eu duvido.

Talvez seja pedir demais, mas eu aconselharia profissionalismo à diretoria do Inter. Falcão sempre me pareceu um diletante bem intencionado, um comentarista que desceu ao campo, uma aposta na mística de um ídolo, nunca alguém capaz de alterar e treinar um time taticamente. Sou muito mais um Diego Aguirre ou mesmo Dunga, que tem comando de vestiário e é muito mais divertido com a imprensa. Só a perspectiva de respostas atravessadas e as possíveis brigas com os repórteres de determinadas emissoras já me animam.

Caiu Falcão. Falta cair Bolívar e sua turma de titulares por decreto. Se Luigi reconquistar o vestiário e a disputa por titularidade, se houver o acesso dos jogadores mais jovens, ele pode virar o jogo. Não torço contra Luigi apenas por achá-lo tolo. Porém, se Fernandão for um gerente de futebol — se for mesmo contratado — apoiado na liderança de Bolívar, podemos esquecer.

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Mudança II

Relativamente ao post Mudança, o Ivo Moreno Neto completa (estou a 50 metros da esquina com a Riachuelo):

Entra à esquerda na Riachuelo tem o café do Cultural, outro Beco, Livraria Isasul, Livraria Mosaico, Martins Livreiro, Livraria Solaris, Livraria Vozes, Instituto Histórico Geografico, duas livrarias jurídicas, Kantô – comida japonesa , Casa do Estudante, 2 butecos, uma lotérica, e deve ter uns dois puteiros discretos, familiares, nos andares de cima.

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Reações de um torcedor do River

Este vídeo foi visto no YouTube por 5.400.000 vezes até agora. Eu assisti este jogo ao vivo. É Belgrano 2 x 0 River, primeira partida das duas que levou o River à Série B argentina. Talvez alguns brasileiros — principalmente os colorados, santistas, são-paulinos, flamenguistas e cruzeirenses — não saibam o que significa isso. Aliás, nem os outros sabem, pois o que ocorreu foi muito maior do que uma simples queda. Estamos na Argentina e uma ida à segundona do River ou do Boca é mais ou menos como Grêmio ou Inter, Cruzeiro ou Atlético-MG caírem para a segunda divisão DE SEUS ESTADOS, tal é o tamanho de suas torcidas. Esta é a analogia mais perfeita.

O jogo foi assim, para quem quiser entender o desespero do torcedor: na metade do primeiro tempo. Um pênalti que ninguém viu. Depois, no replay todos enxergam com estapafúrdia clareza um jogador do River desviando a bola com a mão num escanteio. Um gesto totalmente sem sentido. O Belgrano bate o pênalti, 1 a 0. No segundo tempo, logo de cara, mas um gol do Belgrano. Passam 10 minutos e torcedores do River invadem o gramado — o homem na cadeira congela, paralisado, vejam. Mas os hinchas não agridem seus jogadores. Apenas pedem mais garra, talvez num dos momentos mais patéticos que vi num jogo de futebol.

No segundo jogo, 4 dias depois, os mesmo times empatam em 1 a 1 e o River cai para a segundona. As imediações do Monumental de Nuñez, estádio do River, são destruídas. Sob um frio de 0º, os bombeiros jogam jatos d`água nos torcedores a fim de acalmá-los. Imaginem que eles já tinham feito isso dentro do estádio, logo após a queda. Hoje, los hinchas de River fazem uma campanha para que o time não use a camisa oficial do clube na segunda divisão e sim outra, com uma faixa preta no lugar da habitual vermelha.

Divirtam-se.

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Mudança

O estranho em tudo isso é que nunca dei muita importância à localização de meu trabalho, sempre pegava minhas coisas, ia e fim. Mas agora é impossível ignorar. O Sul21 mudou-se para a Rua da Ladeira, também conhecida por seu nome oficial, Rua Gen. Câmara. Ficamos entre a Rua da Praia, de nome oficial Rua dos Andradas, e a Riachuelo.

Neste trajeto em subida, encontramos muitas atrações:

1. À direita, o Bar e Choperia Tuim (desde 1941).

2. Depois, ainda à direita, o sebo Ladeira Livros.

3. Atravessando a rua, o sebo Nova Roma.

4. Voltando ao lado direito da rua, um pequeno restaurante chamado Gramado Gold. Serve almoço ao custo de R$ 8,90 e, ao menos ontem, um café espresso aguado. Vão melhorar, espero.

5. No mesmo lado, o sebo Beco dos Livros.

6. Bem na frente, do outro lado da rua, claro, o prédio do Sul21.

7. Adiante, ao lado, o Cine Bancários.

8. Ainda à esquerda, o sebo Dante, que ou está em reformas ou está fechando.

9. Voltando ao lado direito, O sebo Estação Cultura e,

10. do outro lado, a Biblioteca Pública do Estado.

Nada a reclamar.

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Dickens, rest (and laugh) in peace

A obra de Charles Dickens está agonizando. Não a vejo mais por aí e não posso afirmar que esteja estar preocupado com o fato. Mas acho que dois de seus livros são muito bons: o livro de estreia Pickwick Papers e um dos últimos de sua enorme obra, Grandes Esperanças. Mas ele é mais conhecido pelo xaroposo Oliver Twist e pelo bom David Copperfield.

Seus livros demonstram a longa decadência de uma verve cômica para dar lugar à pieguice. Se os Pickwick Papers podiam rivalizar com Swift e Fielding, Dickens foi pouco a pouco aderindo às lágrimas até ficar um tio chato que chora por cada tristeza social e pessoal vitorianas. A exceção é o esplêndido e simbólico Great Expectations.

Hoje me acordei com um nome na cabeça: Samuel Weller. Li os Pickwick na casa da praia de meus pais, lá em 1972-3, tinha 15 ou 16 anos. A lembrança que tenho desta personagem é a melhor possível. Ignoro se era mesmo tão engraçado. Dando uma pesquisada rápida na Wikipedia, dou de cara com esta frase: A recepção do público a Pickwick não foi calorosa desde o início. Só quando aparece a personagem de Sam Weller, o criado de Pickwick e que acompanha as aventuras do seu amo ao jeito de um Sancho Pança ao lado de Dom Quixote, é que as vendas sobem de 400 exemplares para 40 000!

Lembro que há uma cena de caçada no livro na qual, durante a leitura, eu dava gragalhadas que me impediam de ler o livro. Tenho a impressão de que isto nunca voltou a acontecer, mesmo que eu tenha a maior admiração pelo escritos cômicos de muita gente, desde Sterne, Swift e Fielding até John Kennedy Toole, LF Verissimo e Cláudia Tajes.

Menos mal que tenho (ou tive) outros companheiros de leitura que também admiram o incrível mordomo do chefe do Clube Pickwick. Quando colocamos Sam Weller no Google Images, damos de cara com um monte de canecos de cerveja, bibelôs e pratos representando o personagem. Não sei que valor terá em antiquários.

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Música pra ouvir sentado, com Arthur de Faria e Seu Conjunto

No último sábado, fui assistir ao show de lançamento do CD Música pra ouvir sentado, de Arthur de Faria e Seu Conjunto lá no simpático e adequadíssimo Teatro de Arena. Arthur é um sopro de boas ideias num mundo povoado pela mesmice onde quase todos desejam ser mais e mais iguais àquilo que vende. Consciente de que não vai vender mesmo, segue impávido em faixa própria. Não que sua trajetória ignore o que vai no mundo — até muito pelo contrário, pois Arthur costuma povoar sua obra de referências — , o que ele ignora é o que vai na moda. Ele e o Seu Conjunto tocam milongas, habaneras, tangos, blues, chamanés, modinhas, etc., sempre com referenciais autênticos, quero dizer, de raiz.

Então, entramos eu e meus amigos e tudo começou às mil maravilhas com uma baita interpretação de Fables of Faubus de Charlie Mingus. Quando entraram as músicas de Arthur a qualidade musical foi mantida, o que não é pouca coisa. Como minha mulher tinha entrado com uma garrafa de vinho no bolso do casacão, passamos a nos divertir a valer com um show de alto nível. Era uma sucessão de boas músicas e arranjos quando algumas coisinhas lá depois da oitava música começaram a me incomodar. A primeiro problema é que os arranjos costumeiramente levavam a momentos bizarros de confusão. Não, não chega a ser de confusão, mas são momentos de impasse, como se a coisa não pudesse arredondar. É algo como está colocado carinhosa e jocosamente AQUI1 e AQUI2 relativamente à Beethoven.

Tudo bem, não sou conservador e minhas caixas de som suportam com tranquilidade dias e dias de dissonâncias e estranhezas, mas o esquema heterogêneo de cada música, com suas variações de ritmo, levava de alguma forma àqueles impasses…  Tá bom, isso a gente tira de letra. Mas e a invariabilidade timbrística?

Penso que aqui a coisa fique um pouco mais grave. O septeto inteiro participa de todos os temas. Sempre há, de uma forma ou de outra, a participação de todos. É claro que eles tocam em grupos, mas nos clímax sempre tocam todos. Então, por exemplo, há um fagote tocando blues. Mesmo que este seja pilotado pelo esplêndido Adolfo Almeida Jr., é pedir demais que o fagote seja eliminado do blues? Não dá, fica um blues feio, o sofrimento e seriedade implícitos do blues ganha um tom circense. Não é crime deixar um músico parado no palco, certo? Já na Valsa para Karina, escrita pelo mesmo Marcão Acosta, o fagote é fundamental, assim como em Solostrágicos, onde o Adolfo dá uma aula.

Quando cheguei em casa, fui ouvir o CD que comprara no final do show e a impressão repetiu-se. Após a faixa 10, uma ultraincorreta releitura de Prenda Minha, começo a cansar do timbre.

Ô, Arthur. Deixa os caras descansarem um pouco, tira alguns do palco de vez em quando! Varia o timbre!

Sim, eu sei que gastei mais espaço para criticar do que para elogiar um excelente show, é que o compadrio enche o mundo de baba e estou de saco cheio disso.

Além disso, ouvir Octávio Dutra, grande compositor porto-alegrende dos anos 10 e 20 do século passado, após anos de injusta geladeira e ignorância, é manter contato com a arqueologia de uma cidade que esquece de si mesmo. Onde mais?

Saímos felicíssimos do concerto. E não foi pela bebida, é que tinha sido ótimo mesmo. É muito bom ver gente que mora à distância de um grito, tocando boa música bem e com tesão. E quase que este que vos fala não coube em si de satisfação quando soube que o excelente saxofonista Sérgio Karam é um de seus sete leitores. Então talvez haja oito ou nove entre nós. Espero que ele não largue este blog após minhas restrições de fã.

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Grande Sabine

Um Quinteto para Clarinete de Mozart, outro de Brahms. No clarinete, a grande Sabine Meyer. Por que grande? Ora, grande e revolucionária: na Orquestra Filarmônica de Berlim, onde causou tumulto por ser a primeira integrante feminina, tendo ganho duas vezes concursos em “audições cegas” (onde é colocada uma tela de modo que o avaliador ouve, mas não vê o executante).

Via

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