Eu detesto provocação…

… mas hoje fui trabalhar com a camiseta abaixo. A foto é de Bárbara Ribeiro, a qual gostaria de ter ido a escola hoje com a mesma. Chupa Babi! Quem manda acordar tarde?

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Muito melhor ser romeno

Colocado no Facebook pelo Flavio Prada. Aliás, saudades dele e de Riva! Até dos filhos dele sinto saudades, mesmo que eles tenham colocado um saco de risadas todo enrolado dentro da minha fronha!

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Civilidade (a respeito do câncer de Lula)

De Ricardo Ramos Filho, no Facebook:

Tenho lido com muito incômodo algumas manifestações sobre a saúde do ex-presidente Lula. Gente que sugere que se trate pelo SUS. Aqueles que me conhecem sabem que não votei nele e que sou muito crítico às suas posições, mas embrulha-me o estômago perceber todo esse ódio. Política para mim é debate de ideias e nunca desejo de morte. Por trás dessas manifestações existe um comportamento mau, insensível e pouco ético. Como seres humanos, eu e ele, torço para que se recupere bem.

Ricardo Ramos Filho é neto de Graciliano. Não surpreende, né?

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François Couperin: Tic Toc Choc

A versão original por Elaine Comparone é muito legal:

Apesar de mal filmada, aqui Grigory Sokolov dá um baita chô:

E nesta aqui, Alexandre Tharaud acrescenta significados à música de Couperin…

… que não sabe de nada.

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"A Queda" agora em homenagem à ATEA

Vox copuli, vox dei. Pubis pro nobis. Hitler e a campanha dos outdoors da ATEA. Ele quer bombardear Porto Alegre!

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Para dar uma choradinha de tão lindo

De J. S. Bach, ária para contralto da Cantata BWV 42, Am Abend aber des selbigen Sabbats. A indicação de Adagio é seguida fielmente por Rudolf Lutz e seus meninos. Muito bonito.

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Eu aprecio os bons conselhos

Identifico-me muito com este reclame durante a época da canícula em Porto Alegre. É luta frequentemente inglória, mas as pesquisas dizem que os feromônios têm o condão de acalmar as mulheres… Mas deve haver limites. Nada de níveis paroxísticos da substância, correto?

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Lá vou eu de novo, agora na Feira

Porto Alegre, Feira do Livro, sábado, 12 de novembro, às 16 h, ocorrerá mais uma temeridade. O Sport Club Literatura estará na Tenda Pasárgada da Feira do Livro e eu, juntamente com Tatiana Tavares, serei o árbitro de As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino x Ficções, de Jorge Luis Borges. A Tenda Pasárgada, para quem conhece a Praça da Alfândega de Porto Alegre, estará localizada de modo discreto e quase invisível como as cidades de Calvino na notória posição entre o Memorial do RGS e o Santander Cultural. Haverá um outro jogo, arbitrado por Joana Bosak e Rubem Castiglione reunindo Crônica de uma Morte Anunciada, de García Márquez e Travessuras da menina má, de Vargas Llosa. Dois jogaços. Dois clássicos de arrebentar… com os comentaristas.

Nestes dias, releio os livros que me couberam. Estou no Calvino, que é bem melhor do que eu lembrava. Logo após relerei Borges, mas talvez nem fosse necessário, pois Ficções parece estar instalado há mais de vinte anos em meu cérebro. À leitura!

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Firmes posições ideológicas

Sei lá, mas eu professo… E ninguém vai ficar criticando este tipo de maravilha perto de mim! Sou absolutamente a favor.

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Padrinho de casamento, a foto oficial

Eu, Bárbara, Bianca, Claudia e Bernardo em bela cristalização do fugidio — também conhecida pelo vulgo como “foto” — tirada no casamento da terceira. Para sempre. Eu abro o parêntese, o qual é maravilhosamente fechado por meu filho. Já tinha bebido algum espumante, mas não creio que tal fato tenha alterado alguma coisa em nosso comportamento.

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Middlemarch, de George Eliot

Pois após este evento, acabei relendo Middlemarch em casa. Digo em casa porque normalmente leio na rua, no transporte coletivo ou quando pego uma fila qualquer. Descobri um erro naquilo que disse no StudioClio. Houve três encontros entre Dorothea Casaubon e Rosamond Lydgate, mas apenas em um há um diálogo mais longo, razão de meu erro. Confesso que fiquei muito triste quando descobri a coisa. Não vou lá corrigir; afinal, isto é um blog, não é formado por teses acadêmicas.

O que me levou a reler as 877 páginas do livro foi sua tremenda qualidade. Na verdade, recomecei muito lentamente, lendo um capítulo a cada dois ou três dias. Depois, o livro voltou a me envolver de tal forma que queria não saber o que já sabia, mas relembrar de cada detalhe. Valeu absurdamente a pena, pois Eliot tem muito a nos ensinar. Apertada e já desconfortável dentro da estrutura clássica do romance do século XIX, a autora expande os limites da forma até onde pode através de análises psicológicas e sociológicas que apontam para um outro gênero mais livre de romance. Eu também tinha esquecido do Epílogo, aqui chamado um tanto ironicamente de Finale. Em vez de deixar os personagens casadinhos e felizes para sempre, Eliot dá-lhes outras histórias, inclusive referindo à morte prematura de Mr. Lydgate e dando um novo casamento à viúva Rosamond. Quem é este novo marido? Também fica uma enorme interrogação a respeito da história do outro casal protagonista. A vida de Dorothea com Will Ladislaw é descrita no Finale com tão poucos detalhes que o livro deve ter irritado ao leitor vitoriano, acostumado a ver tudo abotoadinho ao término da narrativa.

Pois Eliot ameaça aquele leitor não apenas com personagens contraditórios e cheios de tortuosidades como com outras camadas de ficção e experiência. Este romance é, sim, um portento e meus sete leitores deveriam lê-lo…

.oOo.

Fui procurar o sobrenome original de Dorothea (Brooke) e vejam o que encontrei:

Lista de personagens (em inglês):

Mr. Bambridge – Bambridge is a Middlemarch horse dealer. Fred Vincy sinks into his debt; Raffles meets him at a horse-fair and tells him everything about Bulstrode’s past.

Dorothea Brooke – Dorothea is a kind-hearted and honest woman. She longs to find some way to improve the world. She thinks Casaubon is a great intellectual, but after she marries him, she quickly discovers that he is not passionate enough to make her happy. She also learns that she is not as submissive and sacrificing as she had previously thought. She draws plans for comfortable cottages to replace the ramshackle buildings on large estates. She helps Lydgate when he suffers for his connections with Bulstrode. She falls in love with Casaubon’s young cousin, Will Ladislaw. She defies Casaubon’s machinations and marries Will even though it means losing her inheritance as Casaubon’s widow.

Read an in-depth analysis of Dorothea Brooke.

Arthur Brooke – Brooke is Dorothea and Celia’s bachelor uncle. He is a bumbling man who can never stick to an opinion, always wanting to please everyone. He hires Will Ladislaw to write for his paper, the Pioneer. He runs for a seat in Parliament on the Reform platform, but he lets his own tenants live in poverty and squalor. The scandal resulting from his hypocrisy prompts him to improve conditions on his own estate, Tipton Grange.

Celia Brooke – Celia is Dorothea’s sister. She marries Sir James Chettam.

Nicholas Bulstrode – Nicholas Bulstrode is a wealthy Middlemarch banker. He is married to Walter Vincy’s sister. Bulstrode professes to be a deeply religious Evangelical Protestant, but he has a dark past: he made his fortune as a pawnbroker selling stolen goods. He married Will Ladislaw’s grandmother after her first husband died. Her daughter had run away years before, and she insisted that Bulstrode find her daughter before she re-married, because she wanted to leave her wealth to her only surviving child. Bulstrode located the daughter and her child, Will Ladislaw, but he kept her existence a secret. He bribed the man he hired to find her, John Raffles, to keep quiet. John Raffles blackmails him with this information. When Raffles becomes ill, Bulstrode cares for him. However, he disobeys Lydgate’s medical advice, and Raffles dies as a result. When the scandal about his past and the circumstances of Raffles’s death become known, Bulstrode leaves Middlemarch in shame. He purchases Stone Court from Joshua Rigg Featherstone.

Harriet Bulstrode – Harriet Bulstrode is Walter Vincy’s sister. She is a kind, honest, religious woman. No one in Middlemarch blames her for her husband’s misdeeds. She resolves to stay with her husband even after she learns of his wrongdoing.

Elinor Cadwallader – Elinor Cadwallader is the wife of the Rector at Tipton Grange, Brooke’s estate. She was born to a good family, but she married down and angered her friends and families. She is a practical woman who is forever trying to play matchmaker to unmarried young people, including Dorothea, Celia, and Sir James.

Humphrey Cadwallader – Humphrey Cadwallader is the Rector at Tipton Grange, Brooke’s estate. Unlike his wife, he doesn’t believe in meddling in other people’s affairs.

Edward Casaubon – Edward Casaubon owns a large estate called Lowick. He is a scholarly clergyman. His lifelong ambition is to write the Key to all Mythologies, but he is insecure and uncertain about his own abilities. He marries Dorothea because he thinks she is completely submissive and worshipful. Her stubborn independence frustrates him, and he mistakenly believes that she is constantly criticizing him. Casaubon is Will Ladislaw’s cousin. His mother’s sister was disowned by her family for running away to marry a man they didn’t like. Her own daughter, Will’s mother, also ran away to marry. Casaubon offers financial support to Will because he feels obligated to make amends for his aunt’s disinheritance. He becomes jealous of Will’s relationship with Dorothea. He includes an addendum in his will stating that Dorothea will lose his wealth and property if she ever marries Will Ladislaw. He dies before finishing his Key.

Sir James Chettam – Sir James Chettam is a baronet. He owns a large estate called Freshitt. He courts Dorothea, but she chooses to marry Casaubon. He later marries her sister. He enacts Dorothea’s cottage plans on his own estate.

Mr. Dagley – Dagley is one of Brooke’s impoverished tenants. His son is caught poaching on Brooke’s lands. He refuses Brooke’s request that he chastise his son.

Camden Farebrother – Camden Farebrother is a Vicar, but he doesn’t consider himself to be a very good clergyman, though many people like his sensible sermons. He becomes fast friends with Lydgate and supports his mother, sister, and aunt on his small income. He must gamble to make ends meet and to pursue his scientific hobbies. He loses in the election for the chaplaincy at the New Hospital. He receives the Lowick parish after Casaubon’s death. Fred Vincy enlists his help in courting Mary Garth. He himself loves Mary, but he does his duty.

Mrs. Farebrother – Mrs. Farebrother is Camden Farebrother’s widowed mother.

Winifred Farebrother – Winifred Farebrother is Camden Farebrother’s unmarried sister.

Peter Featherstone – Peter Featherstone is a wealthy, manipulative old widower. He owns Stone Court. He married twice, but had no legitimate children. His first wife was Caleb Garth’s sister. His second wife was Lucy Vincy’s sister. He hints for years that he plans to leave his entire estate to Fred Vincy, his nephew by marriage. He even writes two separate wills. Mary Garth refuses to burn one of them. He leaves his property to his illegitimate son, Joshua Rigg.

Caleb Garth – Caleb Garth is a poor businessman. He earns his living managing large estates. He co-signs a debt for Fred Vincy. When Fred is unable to pay, Garth’s family suffers. He receives new business, overcomes the loss, and hires Fred Vincy to work for him. He declines to manage Stone Court for Bulstrode after Raffles reveals Bulstrode’s dark past.

Susan Garth – Susan Garth is Caleb Garth’s wife. She is a former schoolteacher.

Mary Garth – Mary Garth is the daughter of Caleb and Susan Garth. She loves Fred, but she refuses to marry him if he becomes a clergyman and fails to find a steady occupation.

Will Ladislaw – Will Ladislaw is the grandson of Casaubon’s disinherited aunt. Bulstrode tries to give him money to atone for hiding his existence from his grandmother. He refuses the money because he knows it came through thievery. He worships Dorothea. He doesn’t care for money and loves everything that is beautiful.

Tertius Lydgate – Tertius Lydgate is the orphan son of a military man. He chose the medical profession at a young age, much to the chagrin of his wealthy, titled relatives. He comes to Middlemarch hoping to test new methods of treatment. He marries Rosamond Vincy, whose expensive habits get him into debt. He takes a loan from Bulstrode and becomes embroiled in Bulstrode’s scandal. Dorothea aids him in his darkest hour. He hopes to find the tissue that is the most basic building block of life.

Read an in-depth analysis of Tertius Lydgate.

Sir Godwin Lydgate – Sir Godwin Lydgate is Tertius Lydgate’s uncle.

Captain Lydgate – Captain Lydgate is Tertius Lydgate’s foppish cousin. He takes Rosamond out riding. She suffers a miscarriage as a result of an accident on horseback.

Naumann – Naumann is Ladislaw’s painter friend in Rome. He uses Casaubon as a model for Thomas Aquinas as a ruse to draw a sketch of Dorothea.

Miss Noble – Miss Noble is Mrs. Farebrother’s sister. She steals small items of food to give to the poor. She becomes fond of Will Ladislaw.

Selina Plymdale – Selina Plymdale is a good friend of Harriet Bulstrode. Her son courts Rosamond Vincy, but he is rejected.

Ned Plymdale – Ned Plymdale courts Rosamond, but she refuses him.

John Raffles – John Raffles is an old business partner of Bulstrode. Bulstrode bribed him to keep the existence of the daughter and grandchild of his first wife secret. He comes back to blackmail Bulstrode. He is Joshua Rigg Featherstone’s stepfather. He dies at Stone Court because Bulstrode interferes with Lydgate’s medical treatment.

Joshua Rigg Featherstone – Joshua Rigg Featherstone is Peter Featherstone’s illegitimate son. John Raffles is his stepfather. He inherits Stone Court. He sells it to Bulstrode because he wants to become a moneychanger.

Borthrop Trumbell – Borthrop Trumbell is an auctioneer in Middlemarch.

Walter Tyke – Walter Tyke is an Evangelical Protestant minister. Bulstrode is a supporter of his. He wins the election for the chaplaincy at the New Hospital, beating out Farebrother.

Rosamond Vincy – Rosamond Vincy is the daughter of Walter and Lucy Vincy. She grows up accustomed to an expensive lifestyle. She marries Lydgate because she thinks he is rich and because he has titled relatives. She dreams of leaving Middlemarch and living an exciting, aristocratic lifestyle, but her expensive tastes get Lydgate deeply into debt.

Read an in-depth analysis of Rosamond Vincy.

Fred Vincy – Fred Vincy is the oldest son of Walter and Lucy Vincy. His father sends him to college because he wants Fred to become a clergyman, but Fred doesn’t want to work in the Church. He gets himself into debt by gambling. He is accustomed to a lavish lifestyle. He causes financial difficulty for the Garths because he cannot pay the debt on which Caleb Garth co-signed his name. He wants to marry Mary Garth, but she won’t have him unless he finds a steady occupation other than the Church. He hopes to inherit Stone Court from his uncle, Peter Featherstone. These hopes are disappointed, so he works for Caleb Garth.

Walter Vincy – Walter Vincy is a modestly well-off businessman in manufacturing. He is also mayor of Middlemarch. Fred and Rosamond’s expensive tastes infuriate him. He refuses to lend Rosamond and Lydgate money to pay Lydgate’s debt. He is Harriet Bulstrode’s brother.

Lucy Vincy – Lucy Vincy is Walter Vincy’s wife. She is the daughter of an innkeeper, much to Rosamond’s chagrin. She dotes on her son and doesn’t want him to marry Mary Garth. She is the sister of Featherstone’s second wife.

Mr. Wrench – Mr. Wrench is a Middlemarch doctor. He misdiagnoses Fred when Fred catches typhoid fever. Lydgate treats Fred’s illness, and the Vincys fire Mr. Wrench. Mr. Wrench becomes Lydgate’s enemy as a result.

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É um espanto a Maria João Pires ou o espanto de Maria João Pires

Maria João tinha ensaiado um concerto de Mozart. Foi quando viu Riccardo Chailly fazer, junto com a Orquestra do Concertgebouw de Amsterdam, a introdução de outro concerto de Mozart. Totalmente perturbada, ela diz para Chailly que ia tocar o que desse ou o que lembrava. O resultado é que ela tocou todo o concerto até o final sem cometer nenhum erro. Bem, é a Maria João, mas mesmo assim é espantoso.

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Ser saudável nem sempre resulta em boa aparência

Na verdade, às vezes dá muito errado! As latinhas de Gillian McKeith e de Nigella Lawson — OK, admitamos que Nigella nasceu com mais sorte — , ambas de 51 anos, apresentam estados muito diferentes de conservação… McKeith é aquela apresentadora que cheira o cocô de gente gorda na TV inglesa. Ela se compraz em fazer sofrer as pessoas cuja vida examina. Por exemplo, bota sobre uma mesa tudo o que um gordão vai comer num mês e berra com o coitado. É uma sádica, atitude que faz muito sucesso na TV inglesa, onde pessoas comuns aparecem nos programas para serem corrigidas e humilhadas (Super Nanny e mais uns três ou quatro que não vou lembrar agora, mas que passam ad nauseam no canal pago GNT). O sadismo lhe fez mal, nossa.

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Os festins diabólicos

Festim Diabólico foi a forma que o tradutor brasileiro encontrou para deixar Rope (Corda), de Alfred Hitchcock, com um título mais sedutor ao público nacional. O novo nome ficou ridículo, em minha opinião, mas sempre que me convidam para uma festa me vem o termo à cabeça: “Um festim diabólico!”. O filme foi feito em 1948 e é uma proeza técnica do diretor inglês, enquanto a única proeza técnica de nossas festas é o (chato, chato, chato e que atrapalha nossa vida nos dias seguintes) deslocamento de um baú. A vantagem é que ele nunca passou por cima do pé de ninguém, como fez a pesadíssima câmara durante as filmagens de Rope, que destruiu o pé de um operador. Mas não é este meu assunto. Apesar de possuirmos um baú onde caberiam vários corpos, meu assunto são os festins lá de casa.

Pois há uma frequência quase mensal deles. O número de pessoas varia entre quinze e quarenta. As festas lá de casa não costumam ter pretextos aparentes, servem apenas para que a gente se divirta. Porém… Deixem eu dizer uma coisa: acho que as festas valem principalmente por seu efeito posterior, pois elas se fazem sentir nas horas e nos dias seguintes. As festas seguem na minha cabeça e na dos outros, tenho certeza. Cumprimentos, lembranças, esquecimentos de celulares, piadas repetidas, telefonemas de agradecimento, ecos de diálogos, casais que se convidam para voltar lá a fim de terminar com a comida do dia anterior, mas nada, nada mesmo que não sejam efusões. O melhor são as horas logo após os festins diabólicos.

Porque as festas — penso eu — são a celebração da pouca e insuficiente alegria que a vida nos dá, é uma forma de amplificá-la através de outras pessoas que valorizam nossa existência. Funcionam como a arte, quem sabe, e a qualidade da comida e da bebida — estas têm de ser excelentes — não faz somente parte do afeto distribuído por quem a faz, nem também servem só para assuntar antes, para nos alegrar durante e para planejar depois. Eu não saberia dizer da forma mais brilhante, mas me parece que a qualidade dela deve combinar com a qualidade das pessoas e das conversas. Se fosse ruim, a troca seria menor, tudo seria pior. Como na Festa de Babette de Karen Blixen, a comida e a bebida — e julgo de forma polêmica que a primeira é mais importante — não funcionam só no sentido de doação de quem a faz, mas em todas as trocas que depois acontecem.

Mas vou pensar mais no assunto.

(A gente conhece muita gente, né? Dava para fazer três festas para 40 pessoas sem repetir ninguém…)

Beto Chedid — que fez importantes revelações — , Andréa e Claudia.

Eu e a Claudia. O árabe que se vê no espelho é Francisco Marshall.

Já que a comida era árabe, o Augusto arranjou uma “dança do ventre” para a festa. A aparição da moça foi meteórica, mas deixou saudades.

A última turma quase completa.

Lia, Elena Romanov, Arthur Maurer e muita comida.

Simone Rasslan, Álvaro RosaCosta, Beto Chedid e Andréa Soares Costa dão risadas.

Lia Zanini demonstra no ar o tamanho do pênis de seu namorado. Marcelo Delacroix lamenta.

Vladimir e Elena Romanov com Vivian Virissimo

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Carta na Mesa – Edição 138 – 17/10/2011

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Gravação: Estúdio de Rádio da Fabico/UFRGS, 17/10/2011
Duração: 34’47”
Mesa: Igor Natusch, Milton Ribeiro e Samir El Hawat.
Técnica: Neudimar “Batatinha” da Rocha.
Principais tópicos abordados: Santos 0 x 1 Grêmio; Inter 4 x 2 Avaí; briga pela Libertadores.

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Shostakovich – Sonata Cello-piano Op.40 II. mov. avec Gastinel

Com Anne Gastinel e Roger Muraro. E, após o movimento da Sonata de Shosta, alguns comentários de Gastinel sobre sua gravação das Suítes para Violoncelo Solo de Bach. Num postzinho simples, duas ou três de minhas paixões.

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Ando meio sem cabeça para postar

Muita correria, muita loucura. Estou atrasado com minhas coisas e está complicado de postar aqui. Bem, nem imagino de onde tirei esta foto, mas é bastante representativa do dia de hoje. Semana com feriado no meio é legal, mas depois tem o rebote.

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Cornos contribuem para a herança cultural da sociedade moderna

O maravilhoso Concerto Duplo para Violino, Violoncelo e Orquestra de Brahms, só existe porque uma mulher corneou seu marido. Em 1884, o grande violinista Joseph Joachim e sua mulher se separaram depois que ele se convenceu que ela mantinha uma relação com o editor de Brahms, Fritz Simrock. Brahms, certo de que as suposições do violinista eram reles paranoia, escreveu uma carta de apoio a Amalie, que mais adiante ela usará como prova no processo de divórcio que Joseph movia contra ela. Este fato motivou um esfriamento das relações de amizade entre Joachim e Brahms, que depois foram restabelecidas quando Brahms escreveu o Concerto Duplo e o enviou a Joachim para fazer as pazes. Em suma, o Concerto só existe em função do belo par de cornos que Amalie pôs em Joseph Joachim.

Joseph Joachim e Amalie Weiss: obrigado por cornear, Amalie

P.S.- O título foi sugerido por minha fiel amiga Gabriela Franco.

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Amy Winehouse nunca terá substituta, nem Janis Joplin

Eu realmente me divirto com essas coisas. Há alguns artigos musicais ingleses e americanos que falam, cada vez com maior seriedade e veemência, na possibilidade e na necessidade do surgimento “da próxima Amy Winehouse”. Li também dois sítios brasileiros falando “na substituta”. Não duvido sobre a necessidade de uma nova Amy para a indústria ou para os fãs, porém as conversas que me intrigam são sobre a formação, a criação e a escolha de nomes, acompanhadas de clipes no YouTube. Mas antes podemos recuar um pouco no tempo?

Em 2007, Gilliam Reagan e James Salon escreveram no New York Observer: Amy Winehouse vai morrer jovem. Parece inevitável, dada a combinação de juventude, ousadia, abuso de drogas, talento e má escolha de homens. Parece que vai ficar em boa companhia no céu do rock ‘n’ roll. Ficará com Janis Joplin, Jimi Hendrix, etc.

Ah, as previsões irresponsáveis da imprensa… Bem, OK, digamos que o cenário já estava pronto e as coisas encaminhadas, apesar da maldade de expor a cantora para a observação e decomposição pública, mas o que me interessa é o lado B dos fatos. Sim, pois tal prognóstico desnuda o enorme apetite de autodestruição de Amy, como também uma postura de entrega absoluta, que é bastante rara nos artistas que são o resultado da maquiagem, do recondicionamento e da hidratação de produtores atrás de grana. Pouco sei de Hendrix, Cobain ou Jim Morrison, mas a existência de Joplin — sabiam que o nome da mãe de Amy é Janis? — também me parece ter sido a de alguém que acelerava em direção ao muro sem procurar vicinais. A tragédia pessoal e a decisão de ir fundo estava plasmada nos rostos e na trajetória das duas cantoras. Por isso, quando leio alguém escrever que esta ou aquela cantora irá substituir uma das duas, procuro logo saber qual é o grau de desvio de comportamento que apresenta.

Se a candidata é bem comportada, esqueça. Pois pensar que alguém possa ter uma carreira semelhante sem um anormal grau de entrega é uma bobagem. Se tiver comportamento convencional pode ser melhor ou pior, mas não será a lenda de que tanto precisa a combalida indústria fonográfica. Winehouse e Joplin foram como foram porque colocaram sua paixão e vida em tudo. Ambas faziam altos investimentos de angústia na música, nos homens, nas drogas, na escolha do vestido, do penteado e também no momento de passar a faca na manteiga e a manteiga no pão. Para que renasçam é necessária uma nova tragédia. Mas isso fica escondido nos textos.

Pois ambas eram um comportamento inteiro, pacotes distintos de uma só sinceridade. Ninguém vai compor boas músicas sobre reabilitação se não estiver envolvido, ninguém vai cantar com aquela garra e franqueza se estiver preocupado com o contrato, com o carro ou o próximo show. Para o gênero de artistas que elas foram, esta inteireza pode ou deve ser autocentrada e em faixa própria. Eram pessoas cujos conceitos e posturas estavam sempre presentes em apoio ao descontrole.

Pois Amy Winehouse não subia ao palco apenas para mostrar seu trabalho. Ela usava a arte para gritar, vivia o que cantava. E seus admiradores sabiam claramente ou intuíam que aquilo sim era unir arte e vida. Suas composições e a expressiva voz de contralto persuadiam que ali não havia apenas o “fazer artístico”. Talvez involuntariamente, talvez por personalidade, Winehouse atirou-se em sua Paixão — no sentido mais exacerbado e patológico do termo — baseada num referencial próprio de dor e entrega.

Então, quando aparece uma gordinha normalzinha ou uma magrinha com cara de modelo como novas Joplins ou Winehouses, esqueçam. A nova Joplin virá arrebentando e será facilmente reconhecida, terá nome e luz próprias como Amy tinha e ninguém vai ter tempo para muitas comparações.

Janis Joplin "estragula" Grace Slick em 1967

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Não mudou nada

Tenho certeza de que sete dos sete leitores deste blog saberão de quem se trata. O rosto é o mesmo, não?

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