Sábado, de Ian McEwan

SABADO_1374967917PComo se imaginaria, a ação de Sábado ocorre em um sábado, mas não num sábado rotineiro. Henry Perowne inicia seu dia insone, andando pela casa de madrugada quando vê pela janela um estranho corpo em chamas rasgar o céu de Londres. Perowne é um neurocirurgião, um homem de ciência que desconfia das pretensões literárias da filha, assim como do filho músico. Vive com a mulher Rosalind, advogada, em uma confortável casa.

Se o dia iniciara diferente — depois ele receberia notícias tranquilizadoras sobre o objeto voador em chamas –, havia um programa tranquilo a cumprir: uma grande manifestação em Londres contra a invasão do Iraque — a qual ele não iria por ser contra Saddam –, um jogo de squash contra um colega de hospital, compras para o jantar, um ensaio de seu filho músico e o próprio jantar, onde a família receberia o pai de Rosalind, um poeta que vive na França, e a filha Daisy, que estava lançando seu primeiro livro. Mas há fatos que atrapalham seus planos e que não contarei aqui.

A rotina e as motivações de Perowne são dissecadas minuciosamente na lenta e eficiente narrativa de McEwan. Porém, seu mundo baseado em pressupostos científicos mostra-se frágil em diversos pontos, principalmente na violenta discussão com a filha sobre a Guerra do Iraque e nas ruas, onde nosso homem cai inadvertidamente numa bela confusão.

Vou ser vago sobre a história narrada, pois certamente estragaria este excelente livro de pequena e exemplar trama contemporânea. Mas digo que gosto de narrativas lentas, detalhistas e simétricas, e também dos acasos e viradas surpreendentes. Por isso, Sábado me agradou me cheio.

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  1. Achei Sábado mediano. Se considerarmos a pretensão de McEwan em ser um escritor sério, o romance fica ainda pior: não há um pensamento válido, a mínima preocupação social, além de ser um livro irritantemente burguês. E há, ainda de quebra, um maniqueísmo simplista, involuntariamente cristão (na pior definição da palavra), naquela espécie de redenção da alta classe financeira londrina quando o neurocirurgião bem sucedido (uma redundância) salva o gângster que o agrediu. A descrição da cirurgia cerebral, milimetricamente pedante, é uma das partes mais chatas do livro. E como tudo parece ser uma espécie de Barbara Cartland da alta cultura, com tantos personagens de vida gloriosa e sucesso esplêndido, o sogro poeta laureado, etc._ até o filho meio-subversivo que nãos segue os passos do pai para ser guitarrista toca com ninguém menos que…Eric Clapton. Em que mundo vive McEwan! E o romance é só isso: pura ostentação mal disfarçada de literatura superior (que aliás nem chega a ser bem escrita como os únicos dois romance do autor que realmente valem a pena: Amsterdã e Reparação_ nesta ordem).

    Mas mesmo assim, tudo que é lançado do McEwan eu leio diligentemente, e Sábado é seu último romance mediano: tudo que seguiu é francamente ruim. Li Serena não acreditando que McEwan possa estar tão iludido quanto a seus esforços recentes de fazer boas obras.

    1. Colocou a palavra “burguês”, nota-se que se trata de um comunistazinho… nem precisava ter se incomodado com o cristianismo (supostamente) presente na obra. Vá ler Marx!

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