Paris, 26 de fevereiro de 2014: Morrendo de cansaço no Louvre

Paris, 26 de fevereiro de 2014: Morrendo de cansaço no Louvre

Amigos, uma das tantas coisas estúpidas que um ser humano pode cometer é a de sair do Museu d`Orsay e ir direto ao Louvre. As razões são várias. A primeira delas é o cansaço. A segunda é a de que o Louvre talvez demande mais de um dia de visitação. A terceira é que o Louvre é uma demasia. Há coisa demais lá, dá enjoo. Tem quadros pendurados por todo lado, alguns em locais de difícil apreciação. Às vezes, queria ver algo que estava quase no teto. Dói o pescoço. Para piorar, é lotado. Ou seja, é um Museu imenso, lotado de quadros e de pessoas. Então, meus amigos, vou-lhes dar a real. Precisa-se criar uma estrategia de abordagem ao Louvre.

Talvez minha opinião tenha escorrido para a Elena porque ela também sentiu invencível cansaço no momento em que chegou ao Museuzão. É óbvio que o acervo é maravilhoso, é óbvio que existem salas que criam em nós puro encantamento. Então, como disse, acho melhor planejar a visita. Como o bom turista compra aquele ingresso para todos os museus, este poderá entrar e sair quantas vezes quiser de qualquer um deles. Desta forma, sugiro fazer o que não fizemos. Num dia, duas horas de holandeses e tchau; outro dia para os egípcios e tchau, e assim por diante. Porque ficar muito tempo no Louvre não dá. E nós voltamos lá no dia seguinte, claro.

Não colocarei closes da Elena pois ela estava visivelmente cansada. O Louvre cansa! Na foto abaixo, ela olha um quadro.

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Bom dia, Diego Aguirre / Péssima noite, EPTC (veja os gols da vitória colorada)

Bom dia, Diego Aguirre / Péssima noite, EPTC (veja os gols da vitória colorada)
Se Sasha faz esse gol... | Foto: Alexandre Lops no site do Inter
Se Sasha faz esse gol… | Foto: Alexandre Lops no site do Inter

Quando saí de casa para o estádio, pensava em pegar um T5 até as proximidades do Beira-Rio. Moro no Bonfim. Chovia. Após ficar 30 minutos na parada, veio o T5, mas era absolutamente impossível entrar no veículo da odiosa Carris. Estava super, hiperlotado. Todos os torcedores que estavam na parada começaram a protestar e o ônibus levou alguns chutes. Não meus.

Então propus um transporte solidário pago. Juntaríamos 4 pessoas e racharíamos um táxi. Assim é nesta cidade da EPTC e do Fortunati: melhor esquecer o transporte público. Ele some quando a demanda é maior. Pulemos para o pós-jogo… Na saída do estádio, havia umas duzentas pessoas na parada da José de Alencar para pegar o famigerado T5. Adivinhem o que houve? Depois de vinte minutos, o ônibus não veio, refiz o esquema e pegamos novo táxi.

Faz poucos anos, havia filas de T5 para pegar os torcedores após o jogo. Dava para voltar sentado para casa, ouvindo as entrevistas coletivas. Mas os tempos de Fortunati são tempos de merda.

Vamos para o campo. Meu caro Aguirre, foi mais ou menos, o que significa que melhorou. Apesar da escalação de Jorge Henrique — que entrou para marcar o lateral adversário e errar passes — e de momentos realmente ruins, o time demonstrou evolução e, quem sabe, futuro. Ainda temos muito desentrosamento atazanando a dinâmica. No primeiro tempo, por exemplo, impusemos total domínio e posse de bola, mas as chances de gol eram só da Universidade de Chile. Os caras cansaram de perder gols em rápidos contra-ataques. O juiz também estava engraçadinho. Sem exagero, aconteceram dois pênaltis claros a nosso favor, porém o pênalti que ele marcou favor, no final do primeiro tempo, foi muito duvidoso. Inter 1 x 0.

Voltamos muito melhor na segunda etapa. Mais elétrico e impedindo os contra-ataques chilenos, passamos ao papel da La U, isto é, perdemos gols sobre gols. Quando Alex entrou no lugar de Vitinho, a coisa virou massacre. O próprio Alex deixou Jorge Henrique na cara do gol para fazer 2 x 0.

Então, relaxamos e, bem, a Universidade não é trouxa e não apenas descontou como nos deu sustos. 2 x 1. Meio cagado, tu colocaste Nícolas Freitas no lugar de Jorge Henrique para progeger a defesa e retomar a tranquilidade perdida. Sasha fechou o placar com um golaço.

Saldo: Réver mostrou que não sairá mais do time e Nilton jogou, finalmente, uma partida parecida com as que fazia no Cruzeiro. Léo também esteve bem e Sasha foi o segundo melhor jogador da partida, logo após o sensacional D`Alessandro. (Sasha tentou uma bicicleta impossível e quase acertou. Seria um gol digno de placa e de ser colocado na abertura de todos os programas de TV que falassem de Libertadores). Alex entrou muito bem. A decepção esperada foi Jorge Henrique, errando passes e armando contra-ataques para os adversários. E o inesperado foi a má atuação de Vitinho, excessivamente individualista para o meu gosto.

Estamos em segundo lugar no Grupo 4 da Libertadores. Seria adequado VENCER o líder Emelec na próxima quarta-feira. Será que terei um T5 para ir ao Beira-Rio?

E vamos para o Gre-Nal. Com ônibus ou sem, até a pé venceremos.

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Os melhores lances começam em 1min11.
http://youtu.be/BWg6grfgrJE

Você sabe ouvir música?

Você sabe ouvir música?

Como você ouve música? Há mais de 20 anos, li um artigo do brilhante crítico musical J. Jota de Moraes em que eram descritas as diversas formas de se ouvir música. Se a classificação é do professor, as explicações sobre como age cada grupo são minhas e peço desculpas póstumas a ele pela irreverência de meu texto. Os grupos:

Musica_PernasOs Ouvintes de Grau 1: Os que ouvem com as pernas.

Estes seriam os ouvintes mais primários, os simples. A música (ou o ritmo) que lhes entra pelos ouvidos dirige-se a suas pernas ou à deleção sumária. São as pessoas que ouvem música apenas para dançar ou para servir de fundo sonoro a outras atividades. Na verdade, eles não se preocupam com a fruição do fenômeno musical, pois desejam apenas o ritmo ou o preenchimento de silêncios. As músicas que são tocadas em volume baixo dentro de empresas ou em alguns encontros, são exemplos de música de fundo que está lá não para ser ouvida, mas com a finalidade de preencher alguma lacuna que não conheço, pois nada é preenchido em mim pela chatíssima música-ambiente. A New Age é, em minha opinião, o ápice desta arte que existe para não incomodar. Já a música de dança não pode ser tratada da mesma forma e obriga seu apreciador a fazer movimentos corporais, às vezes a cantar junto (se houver algo a cantar) ou a bater o pezinho, no mínimo. A maioria das pessoas dos outros graus também tem o hábito de dançar, mas muitas delas, se a música for muito ruim, turbinam-se antes com um pouco de álcool. Sendo rigoroso, diria que as pessoas do grau 1 não ouvem música, ouvem ritmos ou tranquilizam-se com o preenchimento dos eventuais silêncios perturbadores.

Musica_CoracaoOs Ouvintes de Grau 2: Os que ouvem com o coração.

Este caso é uma evolução do anterior. Aqui a música já é ouvida, mas desvia-se de seus cérebros e toma um caminho estranho, mais curto que os das pernas: o do coração. Trata-se daqueles seres que ficam relacionando músicas com períodos de suas vidas, são os que ficam amorosos e se aninham a seus amores quando é executada “a nossa música”… Para estes seres, a música existe para lhes sugerir fatos e coisas que estão no mundo ou em sua memória. Normalmente, são pessoas nostálgicas e que ficam facilmente embevecidas. Um dos efeitos colaterais desta postura é que, com a idade, eles não conseguem manter suas contemporaneidades, ficando agarrados às músicas de sua juventude e que são invariavelmente melhores que as atuais… Mais: é perigoso andar de carro com alguém de grau 2. Certa vez, estava de carona com uma figura destas quando um alucinógeno dos anos 80 começou a ser executado no rádio do carro. Aquilo fez com que o motorista de grau 2 ficasse tão transtornado com suas memórias e saudades, que voltou-se para mim a fim de contar sobre um remoto, saudoso e tórrido idílio embalado por aquela melodia. Só que o implacável sinal fechou e J.C.A. foi de encontro a um carro que parara metros adiante. Antevendo a desgraça, levantei os joelhos, porém fui atirado violentamente para a frente e quebrei o painel do carro com eles. Afirmo-lhes que o painel do Toyota Corolla destrói-se facilmente com uma boa joelhada e que nossos joelhos não sofrem absolutamente nada. Nem as calças. Experimente! Voltando a nosso assunto, completo dizendo que o ouvinte de grau 2 têm enorme sensibilidade às melodias, mas não costuma preocupar-se com o restante da música, nem com o trânsito.

Musical mindOs Ouvintes de Grau 3: Os que ouvem com os ouvidos.

Neste caso, a música que nos entra pelos ouvidos vai para majoritariamente para dois locais de nosso corpo: o coração e o cérebro. Depois de passar pelos órgãos citados, o ser de grau 3 pode até dançar e bater o pezinho acompanhando a música, mas ele registra o que está ouvindo. J. Jota de Moraes, segundo lembro, foi bem mais arrogante e chamou este grupo de “Os que ouvem estruturas”. Não quis imitá-lo, mas reconheço a pertinência da expressão. Se a audição do primeiro grupo é determinada pelo bate-estaca e pela não-audição e a do segundo pela melodia, este grupo identifica verticalmente o cluster sonoro oferecido e consegue estendê-lo pelo tempo da música. São pessoas exigentes e normalmente não são compreendidas pelos outros grupos. Por exemplo, detalhes difíceis de serem caracterizados podem provocar-lhes violenta ojeriza. Muitas vezes, a pessoa de grau 3 não sabe porque detesta determinada música. Ele apenas detesta e protesta contra ela, fato que parece uma excentricidade incompreensível às pessoas de grau 1 ou 2. Tais posturas só podem ser toleradas por outro ser de grau 3 que, mesmo discordando eventualmente da avaliação, irá respeitá-la. Estas pessoas podem direcionar seu amor à música para vários estilos. Por exemplo, eu gosto de música erudita, o Tiago Casagrande de heavy metal — e, diga-se de passagem, é inteiramente compreendido pelo ex-roqueiro Milton Ribeiro –, o Idelber Avelar e a Mônica Alves para a música popular brasileira, o Manoel Carlos para suas raízes nordestinas, etc. Certamente, nenhum gênero detém a hegemonia da “boa música”. E a coisa pode piorar: o pianista erudito Nélson Freire gosta de musicais americanos, o guitarrista Keith Richards (Rolling Stones) ama Brahms, Leonard Bernstein dizia que não há nada melhor que Norwegian Wood (dos Beatles), Keith Jarrett disse pretensiosamente que gostaria de ser Bach e Jimmy Page (Led Zeppelin) declarou que preferia ter nascido negro e com o sobrenome King… Enfim, pode haver grande admiração entre os gêneros e há pessoas de grau 3 que são autenticamente “multidisciplinares”, o que é outra coisa incompreensível aos graus 1 e 2.

jjotaObservação final: O ilustre professor da USP J. Jota de Moraes faleceu em 2012. Nos últimos anos, estava ainda muito produtivo e ministrava cursos sobre a História do Violino em São Paulo. Antes, ministrou uma lotadíssima Introdução à Música Contemporânea. Não lembro se a abordagem que ele dava ao assunto continha tantos exemplos e bom humor. Diria que sua seriedade ao criar a classificação era… média. (Mas sei que dizemos muitas verdades usando um tom pouco solene.) Esteja onde estiver, peço muita calma ao senhor cuja foto publico ao lado.

Não me queira mal, professor. (Há um real paradoxo entre seu olhar ameaçador e seus textos, sempre tão gentis.)

Histórias da Terra e do Mar, de Sophia de Mello Breyner Andresen

Histórias da Terra e do Mar, de Sophia de Mello Breyner Andresen
A edição da Assírio & Alvim
A edição da Assírio & Alvim

Eu gosto da prosa dos poetas. Quando os poetas escrevem contos, romances e novelas, permanecem como poetas de uma forma diferente, talvez inadequada à narração e suas regras. Mas alguma coisa faz com que eu goste disso. As descrições têm trechos de tonalidade distinta e os ganchos de um tema a outro muitas vezes inexistem. É o caso de Sophia neste livro de contos. A brilhante poetisa conta — o verbo é este — cinco histórias simples. Destaque para A História da Gata Borralheira (ou Cinderela), onde Sophia faz uma interessante variação sobre o conto original; O Silêncio, dura parábola sobre a ditadura salazarista e Saga, uma belíssima e tocante história sobre os antepassados dinamarqueses da escritora portuguesa. É um livro de estilo clássico que conta suas histórias adultas como se fossem infantis. Eu curti.

Paris, 26 de fevereiro de 2014: Museu d’Orsay e o Sono da Razão

Paris, 26 de fevereiro de 2014: Museu d’Orsay e o Sono da Razão

No dia 26 de fevereiro, há exato um ano, eu e a Elena acordamos atrasados — demoramos anos para sair do hotel — e extremamente bem-humorados. Tudo era motivo de piadas e digo-lhes, meus amigos, a Elena é extraordinária nisso. Tem uma acidez toda especial que não sei se é de origem soviética ou judaica… Já expliquei que o mapa do metrô de Paris não foi feito para daltônicos e, como eu era o condutor da viagem, acabei nos levando para fora de Paris em vez de nos levar para o Museu d`Orsay, para onde poderíamos ter ido a pé. Acabamos numa cidadezinha da periferia chamada Juvisy-sur-Orge, a 19 Km de Paris. O esquema do metrô tem cor-de-rosa, violeta, vários tons de verde, lilás, púrpura e outras cores sabidamente inexistentes para gente daltônica como eu. Voltamos a Paris e finalmente…

Milton Ribeiro e Elena Romanov 00

Chegamos ao melhor Museu de Paris, o Museu d`Orsay. Lá é proibido tirar fotos dos quadros. Respeitamos, é claro. As coleções do museu apresentam principalmente pinturas e esculturas da arte ocidental do período entre 1848 e 1914. Entre outras, estão presentes obras de Van Gogh, Monet, Degas e Redon  — segundo a Elena, os Renoir estão na Rússia. Situado na margem esquerda do Sena, o edifício era originalmente uma estação ferroviária, a Gare d`Orsay. Abaixo, uma foto geral que deixa clara a função original do prédio.

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Lá em cima, no caminho dos poucos Renoir do museu, tem o relógio da estação, através do qual pode-se ver Montmartre.

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E esta é uma foto tirada através do vidro do grande relógio. Abaixo, vê-se a margem direita e a Catedral de Montmartre ao fundo.

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A próxima foto continha uma mensagem cifrada para o Latuff, mas não lembro qual…

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Pierre-Auguste Renoir, Le Moulin de la Galette  Eu e Elena ficamos minutos e minutos parados observando esta maravilha. Mas foi muito pouco tempo. A lembrança do quadro ficará para sempre ligada a ela.

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Paris, 25 de fevereiro de 2014: Museu Rodin (II – parte interna) e primeira ida à Shakespeare & Company

Paris, 25 de fevereiro de 2014: Museu Rodin (II – parte interna) e primeira ida à Shakespeare & Company

Cabe uma explicação, creio. É que deixei pela metade o registro da viagem que eu e a Elena realizamos há quase um ano e havia certa pressão de uma de meus sete leitores para que eu terminasse a série. Como esta leitora é especialíssima, q u e r i d a como nenhuma outra, acho melhor atendê-la. E correndo!

Na última parte publicada, tínhamos visitado a parte externa, ao ar livre, do Museu Rodin de Paris. Agora, entramos na parte interna. Vamos lá?

Logo na entrada vemos a Jovem Mulher com o Chapéu Florido. Como se nota, é uma obra da juventude de Rodin, lá de 1865.

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Modernizando pero no mucho, temos Bellona, bronze de 1870.

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Pode ser frescura minha, mas achei tocante a figura de O órfão alsaciano (1871).

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A famosíssima O Beijo (1888-89).

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Por outro ângulo.

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Ainda outro ângulo.

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As fofoqueiras, obra de de 1897, de Camille Claudel.

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Boa tarde, Diego Aguirre. Mais compostura, por favor, prefeito Fortunati

Boa tarde, Diego Aguirre. Mais compostura, por favor, prefeito Fortunati

Vou escalar o time para ti: Alisson; Léo (já que tu gostas), Ernando, Alan Costa e Fabrício; Freitas, Aránguiz, Dale e Alex; Sacha e Vitinho. E estamos conversados. Deixa o Anderson e o Réver no banco. São craques, mas estão fora de forma. Nilton também está mal fisicamente. Não é hora deles. Rafael Moura nem pensar, deixe-o afastado até do banco de reservas para não dar vontade. Sabe-se, às vezes a gente se desespera e toma decisões equivocadas. Em seu lugar, convide o Bruno Gomes para ficar no banco. Mas só o coloque se estivermos ganhando. Se a coisa estiver complicada, ponha outro, mas nunca Rafael Moura, OK?

Obrigado.

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O Grêmio anda bem divertido. Liguei o rádio ontem à noite — sempre tomo banho com o rádio ligado –, estava na hora das coletivas pós-jogo. O Felipão e o diretor Rui Costa falavam com tamanha tranquilidade que achei que o time tivesse saído vitorioso. Não, a coisa tinha sido um melancólico 0 a 0. Um mau Gauchão não dá nada, o problema é entrar assim no Brasileiro. Bá, eu gosto quando o Grêmio cai.

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Eu jamais iria assistir uma dessas brigas públicas do gênero UFC ou MMA.  Na minha opinião, trata-se de um moderno retorno às arenas, uma espécie de rinha de galos com seres humanos. Ou seja, é uma coisa de gosto pra lá de duvidoso. Sei que é polêmico, mas a maioria das pessoas que tenho como razoáveis concorda comigo. Então acho estranho que o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, vá a um espetáculo violento desses como se fosse a um concerto. Ele tem um cargo importante, de certa forma, ele nos representa. E, no sábado à noite, vai ver um troglodita tentar amassar outro. Para piorar, ainda ufanou-se em seu twitter: “Porto Alegre recebe mais um grande evento internacional: baita público, gente bonita e grandes lutas”. E, como se não bastasse, foi flagrado tirando fotos da gente bonita, mais exatamente das ring girls, as meninas que anunciam os terríveis combates. A tripla baixaria está fartamente documentada.

Olha, eu acho que um sujeito que ocupa um cargo público deveria procurar ter maior cuidado. Há escolhas que uma pessoa pública deveria esconder ou praticar na intimidade.

fortuna

A Balada de Adam Henry, de Ian McEwan

A Balada de Adam Henry, de Ian McEwan

A-Balada-de-Adam-Henry-Ian-McEwanNo ano passado, eu e Elena estávamos em Londres e fomos duas vezes ao Templo da Música de Câmara da cidade — segundo alguns do mundo –, o Wigmore Hall. Na fila para retirar os ingressos previamente adquiridos na internet, notei que as pessoas estavam olhando muito discretamente para um ponto logo atrás de mim. E me virei para ver o que era. Era Ian McEwan. O curioso é que McEwan já citou o local em vários de seus livros e, em A Balada de Adam Henry, volta a fazê-lo com elegante ironia. É o local dos exigentes, dos caras que só criticam, dos chatos. É o meu lugar!

Vinho, Fiona esperava, poderia mitigar as faculdades críticas dos frequentadores assíduos do Wigmore Hall, escreve na página 178.

Uma significativa minoria (…) passava muitas noites por ano ouvindo música de câmara com grande concentração, as testas franzidas, no Wigmore Hall de Marylebone, na página 162.

Porém o caráter gonzo desta resenha está exagerado, não? Pois o livro não tem cenas no Wigmore Hall e a música é algo importante no livro, mas este sobreviveria sem ela. Com bastante menos brilhantismo, mas sobreviveria. Então vou permitir que o vírus da objetividade sem spoilers tome conta do texto.

Fiona Maye é uma respeitada juíza do Tribunal Superior inglês, especializada em direito de família. O sucesso profissional não esconde frustrações pessoais. Aliás, ele parece fundar-se nestas. Não é incomum que os casos de direito de família acabem famosos por motivos éticos ou por envolverem celebridades. Grandes fortunas, divórcios milionários, etc. E há os casos que envolvem religião. Então, um hospital decide fazer uma transfusão de sangue em um menino que é Testemunha de Jeová. Ele e a família não aceitam o procedimento por motivos religiosos. O hospital leva o caso à Justiça.

A Balada de Henry Adam (The Children Act, 196 páginas, Cia das Letras) é um McEwan mais ligeiro e descansado, mas não pobre. É uma novela polifônica na medida certa que discute importantes problemas pessoais, sociais e religiosos. Não é tão redondo e não está no nível de Reparação, Amsterdam ou Sábado, mas também não é o mau livro de que alguns falam, normalmente levados por faniquitos religiosos. Acontece que McEwan permitiu-se alguns alongamentos normalmente não prescritos à boa literatura. Ele força a barra em algumas cenas e emite mais opiniões do que o habitual. É um trabalho tão pessoal que é tímido ao analisar o mundo do judiciário, mas nada inofensivo ao tratar do que realmente deseja: a criação de cenas inusitadas, a exploração de uma crise conjugal e a exposição da lógica das igrejas. Isso ele faz com a acidez e brilhantismo. O resto foi tratado com livre espírito de divertissement e algum uso de clichês, o que foi mal recebido por certo sectarismo literário que só aceita coisas perfeitinhas, adita que é dos gritos de bravo.

Ah, excelente tradução de Jorio Dauster.

Na semana que vem, completará 4 anos do atropelamento do Neis sem lei (reveja o vídeo)

Na semana que vem, completará 4 anos do atropelamento do Neis sem lei (reveja o vídeo)

Texto de divulgação da Massa Crítica.

Semana que vem completam-se quatro anos que Ricardo Neis covardemente atropelou dezenas de pessoas que participavam da Massa Crítica em Porto Alegre, quatro anos de impunidade. Enquanto o julgamento de Neis ainda nem foi marcado, um jovem que participou das manifestações de 2013 já foi julgado e condenado por quebrar objetos. Ricardo Neis quebrou pessoas. Qual é a prioridade da Justiça?

É contra a impunidade no trânsito, contra os diferentes tratamentos dados pela assim chamada “Justiça” e pela humanização do trânsito que estão marcados diferentes atos para os dias 25, 26 e 27 de fevereiro, marcando os quatro anos do atentado à Massa Crítica.

Dia 25 de fevereiro acontece ato em frente ao Tribunal de Justiça (Av. Borges de Medeiros com Aureliano de Figueiredo a partir das 17h), com posterior marcha. Convidamos as pessoas a trazer percussões, panelas, apitos e materiais para confecção de faixas e cartazes.

Dia 26 de fevereiro acontece uma Pedalada Pelada com o mote “Obscena é a demora da Justiça!”, saindo do Largo Zumbi dos Palmares às 19h.

E dia 27 de fevereiro, como é a última sexta-feira do mês, acontece a já tradicional Massa Crítica.

#NÃOFOIACIDENTE

Querida EPTC

Querida EPTC
Lotações em Porto Alegre: um serviço caro e péssima qualidade
Lotações de Porto Alegre: serviço caro e de péssima qualidade

Hoje à noite, eu e minha namorada chegamos à parada da lotação Auxiliadora, no Shopping Iguatemi, às 21h05 e ficamos esperando até às 21h45, quando desistimos e pegamos um táxi. O curioso é que quando chegamos perguntamos ao fiscal até que horas haveria o serviço. Ele nos respondeu: até às 22h.

Às 21h05 estava chovendo e várias pessoas aguardavam a condução conosco. Durante este período chegaram três lotações Auxiliadora. A primeira deixou os passageiros alguns metros antes da parada e foi embora. Gritei para o motorista e este me disse que estava atrasado e que logo viria outra para nos levar. Pois bem, vieram mais duas e ambas fizeram ainda pior. Deixaram seus passageiros e trataram de nos ignorar, acelerando rapidamente. Fingiram que não estávamos ali. Uma fuga, na verdade.

O que a população deve fazer? Sair sempre de carro? A EPTC sabe que uma boa cidade não é aquela que todos têm carro, mas aquela que qualquer cidadão possa fazer uso de um transporte coletivo confiável, pontual e com frequência e horários previstos?

O serviço pelo qual vocês são responsáveis é caro e de péssima qualidade. E o fato que ora cito ocorre justo no dia em que foi autorizado um novo aumento na tarifa.

Ah, tenho também histórias sobre o serviço de ônibus de nossa cidade. Uso o meu TRI e sou usuário contumaz do transporte público de Porto Alegre. Acho que quase todos os porto-alegrenses têm histórias, na verdade.

Por favor, seria demais aguardar providências?

Acabo de registrar esta reclamação no site da EPTC e no perfil da empresa no Facebook, impossível que não leiam.

Três minicontos para quem reclama que eu não publico mais ficção

Três minicontos para quem reclama que eu não publico mais ficção

1. O Primeiro Beijo – Um Miniconto do Século XIX

O demônio, no ombro esquerdo dela, sussurrava-lhe:

— Beije-o agora, agora, já!

Enquanto o anjo, no ombro direito, opinava:

— Deixe-o aproximar-se mais, demonstrar inequivocamente o que quer. Um pouco de prudência poderá salvar nossa honra.

Foi quando o moço perdeu a concentração no que estava fazendo, afastou-se bruscamente e disse, em tom protocolar:

Apesar de desconhecer o grau de suscetibilidade de ambos. anjos e demônio, gostaria de interromper sua altercação a fim de dar-lhes meu parecer. Os anjos, tive pouco contato com eles; creio ter mais afinidade com o diabo e noto que ele representa meus interesses neste caso. Mas vamos direto ao objeto desta peroração. Creio que suas atuações — a dos dois — são danosas e a controvérsia inútil. Falta-lhes informações para fazer um bom aconselhamento. Então proponho encerrar esta demanda que ocorre muito antes de seu tempo. Se ela me beijar e depois não me quiser, libero-a de qualquer compromisso para todo o sempre e não anuncio a ninguém o que quer que tenha havido entre nós. O que julgo inaceitável e injusto é o fato de que, cada vez que vocês começam a brigar, sua dona mude, adotando um tom de frieza que gela meu coração. Vocês causam unicamente perturbação. Saúdo-os como se saúdam embaixadores de nações inimigas.

Findo o discurso, ele dá uma piscadela para o diabo e beija Maria Antoninha apaixonadamente. Ela, que chegava à casa dos vinte e poucos e sonhava desde a adolescência com esta culminância, gosta. Muito. Tanto que se emociona e chora.

2. Domingo

Ele odiava os finais de tarde de domingo. Não havia pior hora. A semana era suportável em sua rotina de trabalho, cansaço e sono; sábado era o dia de fazer as compras da semana, jantar com a mãe e ir ao cinema; porém aquele horário dominical de completo ócio, em que sentia possuir forças além da necessidade de produzir, era terrível. Sentado na sala, pôs um CD e começou a organizar mentalmente a agenda da semana. Sua angústia crescia à medida que via os compromissos avolumando-se. Havia os imediatos e outros, piores, que eram deixados para depois. Procurava organizar-se. Ergueu-se e, deixando o volume da música mais alto, foi ao armário de remédios procurar um analgésico. Pegou o comprimido e abriu a geladeira para servir-se de água. Viu um garrafão de vinho pela metade. Largou o comprimido sobre o esmalte branco da geladeira, apanhou o garrafão, um funil e, cuidadosamente, passou a dividir o conteúdo em garrafas pequenas de água mineral que pegou no lixo seco. Deixou três frascos iguais exatamente no mesmo nível e fechou-os. Enfileirou o resultado na porta da geladeira, desligou o som e ligou a TV.

3. Quem diria, casou-se com o corretor de seguros

Vânia acorda e decide matar-se. O celular toca : “Filha, me deu outra crise, vem logo!”. Vai à sacada e olha a rua, mas não quer pular de pijama. Veste-se e pensa na mãe: merda, como ela enche o saco. O celular de novo. A morte. Desce até a garagem, sai e acelera loucamente o carro de olhos fechados. A despesa não supera a franquia.

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A defesa masca coca e o The Strongest faz 3 x 1 na estreia do Inter na Lib 2015 (veja os gols)

A defesa masca coca e o The Strongest faz 3 x 1 na estreia do Inter na Lib 2015 (veja os gols)

Neste momento em que escrevo, o Inter já está de volta à Porto Alegre. A logística de ida e volta até La Paz foi perfeita. Se o time tivesse lembrado de marcar o The Strongest, principalmente naqueles primeiros minutos, tudo teria saído às mil maravilhas. Diego Aguirre colocou seu time em campo para fazer o que segue:

— MARCAR a partir da sua intermediária,
— ter a posse de bola,
— deixar a correria para o adversário e
— apostar em contra-ataques.

Só que todo o plano foi abortado pelo fato do primeiro item não ter sido, digamos, contemplado.

É claro que é difícil analisar um time que joga na altitude da capital boliviana e que estava preparado para o fiasco desde o anúncio da presença do The Strongest em sua chave. O presidente Píffero lamentou-se tanto que parecia que os caras eram o Real Madrid. Nossos jogadores estavam há uma semana respirando mal. Lá em La Paz, houve problemas reais. Anderson sentiu-se mal, por exemplo. Mas, a partir de agora, vou tentar mostrar que o pior foi a falta de marcação em função do excesso de zelo com a altitude.

Começamos bem o jogo: aos 4 minutos, Nilmar recebeu de D`Alessandro, partiu em velocidade para cima da defesa boliviana, deixou dois marcadores para trás e ficou cara a cara com o goleiro Vaca, mas concluiu mal.

Algumas luzes e uma explusão injustificada
Algumas luzes e uma expulsão injustificada

Depois, o que se viu foi a liberdade total dos pupilos de Evo Morales em nosso campo. Nossa defesa ficava mascando coca. O primeiro gol foi uma piada. Aos 10 minutos, o centroavante Ramallo recebeu na área, fez o pivô para Cristaldo, livre, enfiar uma bomba, Alisson conseguiu impedir o gol, mas no rebote, havia mais um jogador abandonado pela marcação, Chumacero. 1 a 0. Aos 14, Pablo Escobar recebeu na boca da área — não se sabe onde estavam os três volantes de Aguirre — chutou e deu uma rosca, só que a rosca acabou nos pés de Ramallo, novamente livre, na cara de Alisson, 2 a 0.

Então Anderson sentiu-se mal e saiu. Já no banco, a TV mostrava ele e Paulão usando máscaras de oxigênio. Aliás, Paulão deveria ficar sempre assim em todos os jogos — no banco, com uma máscara de oxigênio. Vitinho entrou melhor e nós conseguimos levar o jogo em 2 a 0 até o final do primeiro tempo.

No intervalo, Aguirre trabalhou bem. O Inter dedicou-se a marcar e poderia ter empatado ou até virado o jogo em 15 minutos. Aos 2, Nilton cabeceou um escanteio cobrado pela direita e um zagueiro do Strongest abriu os braços, tocando na bola com a mão. Pênalti. D’Alessandro foi lá e fez, chutando no seu canto preferido, só que alto. 2 a 1.

Com o gol, começamos a criar chances em sequência. Aos 7, Nilmar arrancou em velocidade pela direita e cruzou para Fabrício na frente do gol, só que este, apertado pela marcação, não conseguiu concluir. Três minutos depois, D’Alessandro cobrou escanteio e Alan Costa mandou bala com a testa, Vaca fez boa defesa. Aos 23, Vitinho quase empatou. Sasha fez o cruzamento e o ex-botafoguense se antecipou à defesa. A bola explodiu no travessão.

Escrevo tudo isso para mostrar como poderíamos ter saído de La Paz com um bom resultado e que nossos problemas são também de estratégia e obediência tática. Outra coisa: jogadores de primeira linha decidem. Nilmar foi brilhante na primeira situação de gol da partida, mas deu um chutinho. O que há?

No final, um espetacular lançamento de Pablo Escobar encontrou Chumacero na cara de Alisson. Foi um belo gol dos bolivianos. Mas bem no finalzinho, para piorar nossa vida, Nilmar resolveu solar um zagueiro e acabou expulso. Não entendi, Nilmar nunca foi de disso.

Bem, agora o Inter tem que pensar sobre seus erros e sobre o próximo adversário. Temos que ganhar em casa para não comprometer toda a Lib 2015. Esperemos um bom trabalho de Aguirre e que o Píffero cale a boca.

P.S. — Temos um goleiraço, não?

http://youtu.be/Y94yiP0mHWQ

Festa de despedida do Bernardo

Festa de despedida do Bernardo

Um dia antes, a gente não sabia como ia ser nossa pequena festa de despedida do Bernardo, uma das tantas que ele teve nos últimos dias. Explico: após dois anos trabalhando brilhantemente como fotógrafo estagiário do Sul21 e de se arrastar numa Faculdade de Jornalismo — palavras e opiniões todas minhas — ele está indo para um um curso de Fotografia Documental em Berlim. OK, ele ainda tem que passar na entrevista e tudo, mas acho que vai ser aprovado. Se não for, o que o mundo dirá dos alemães? Mas eu dizia que não imaginávamos como seria a coisa. Então, novamente a Astrid e o Augusto abriram generosamente sua casa, ofereceram-nos um churrasco, eu levei uma população inútil de cervejas — pois o Augusto tem um exército de artesanais –, e a coisa toda aconteceu.

Esta festa aconteceu domingo, 15. Foi pequena para os padrões habituais: estavam lá os donos da casa, eu, Elena, Bernardo e Bárbara (com o namorado Vicente), os filhos da Elena Liza (com o namorado Santiago) e Nikolay e os do Augusto, Pedro e Arthur. Espero que os namorados não se importem por terem sido colocados entre parênteses (encarem, por favor, como estilo). Estava tão bom que aconteceu uma coisa inédita. Começamos o churrasco às 3 da tarde, bebemos, conversamos, conversamos, bebemos e acabamos comendo o carreteiro de Astrid, feito das sobras do almoço. Ficamos tanto tempo lá que duvido que nos convidem novamente.

Ontem, o Bernardo veio aqui em casa para se despedir. Eu pedi para não ir ao aeroporto e ele concordou na hora. Eu sou um chorão; ele me sugeriu que também é. Imaginem, nos últimos dois anos vi-o diariamente na Redação e, além disso, não sei quando o verei novamente. Há fiascos desnecessários.

Abaixo, as fotos do super-churrasco.

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Nikolay, Elena, Liza e Santiago em foto nada pousada. Eles andam assim na rua.

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Bárbara, Bernardo e eu. Minha cara de besta se justifica pelo Festival de Cervejas Artesanais. Notem a camiseta retrô do Benfica anos 60 que Bernardo veste e meu Valderrama by Impedimento.

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Bárbara, Bernardo e Vicente. Vicente encarna um bolchevique qualquer. Terá sua imagem retirada das próximas horas por ordem do Partido.

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Os olhares perdidos de Nikolay e Elena.

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O olhar perdido de Santiago.

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Quem olha a foto pensa que eles estão esperando mais comida. Engano, este é um registro daquela burrice pós-prandial — obrigado, Iracema! — que ocorre a todo ser humano que acaba de engolir um boi.

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O setor intelectual-amoroso do encontro com Bernardo, Augusto, Vicente e Bárbara..

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Após crise histérica de Felipão, Inter vence com os reservas

Após crise histérica de Felipão, Inter vence com os reservas
Ai, como "eles" erram!
Ai, como “eles” erram! Não seria a hora de dizer adeus?

Não lembro de ter visto um técnico abandonar seus jogadores antes do final da partida. E, meio louco e descontrolado após nova derrota na Arena, desta vez para o Veranópolis, Felipão disse para todo mundo ouvir:

— Me expulsei. A equipe não apresenta nada daquilo que a gente faz no treinamento. Não adianta ficar enganando a torcida do Grêmio. Não tinha mais o que fazer, fui embora para o vestiário. Acabou o assunto.

Foi uma triste entardece, lá pros lados da Zona Norte. O comandante culpou os jogadores. Isso não melhorará o ambiente interno, certamente. É óbvio que 7e1ipão está sofrendo. Desde 2008, quando deixou a Seleção Portuguesa, o treinador só acumula fracassos. Mesmo quando parecia ter renascido — como naquele Gre-Nal em que o Grêmio fez 4 x 1 –, voltou logo após a cair. Seu comportamento atual é mais de manager do que de responsável técnico. Foi ele quem anunciou que o clube não contrataria no início deste, foi ele quem explicou a estratégia de 2015. Acho que está de saco cheio de jogadores de futebol.

Na opinião deste humilde observador, está na hora de permitir que Felipão direcione sua vida para uma aposentadoria dourada. Assim como o Inter fez nos últimos anos com vários dos seus, o Grêmio e o próprio Felipão, respectivamente, incinera e auto-incinera um grande ídolo do clube. Sei, é complicado demitir um símbolo, mas deu, né?

(Queria ver ele abandonar o posto no jogo contra a Alemanha, frente ao mundo).

.oOo.

Muita, mas muita pressa
Muita, mas muita pressa

Já o trabalho de Diego Aguirre não deu ainda grandes frutos, mas sabe bem melhor do que o de seu oponente gremista. Parece ter ideia e direção. E pressa, muita pressa. A coisa vai aos trancos. A gente entende claramente o que ele quer obter. Aguirre muda esquema, troca jogadores, mantém o que funciona e vai tentando melhorar a produção em campo antes da estreia na Libertadores contra o The Strongest na Bolívia. Há pressa, muita pressa.

O Inter está conseguindo fazer com que a instituição jogue dois jogos por semana, com dois grupos diferentes de jogadores. As apresentações, apesar de estarem bem longe de serem maravilhosas, são ao menos descansadas. O Inter corre pacas. Ontem à noite, venceu o Caxias na base da correria.

Nosso adversário na estreia da Libertadores, terça-feira às 22h30, não é grande coisa, só que está entrosado e joga em ambiente conhecido, muitas vezes hostil para os visitantes. Vamos como termina nosso Carnaval.

John Milton escreveu:

John Milton escreveu:

Porque os livros não são de todo coisas mortas (…) preservando, como um frasco, a mais pura extração do intelecto que os criou. Sei que são tão vivos e vigorosamente produtivos como os fabulosos dentes de um dragão e, sendo fomentados, podem unir em paz homens armados. Por outro lado, a não ser que se use de toda a prudência, destruir um bom homem é quase o mesmo que destruir um bom livro; quem destrói um homem destrói uma criatura razoável; mas aquele que destrói um bom livro destrói a própria razão, destrói a imagem de Deus. Muitos homens constituem um fardo para o mundo; mas um bom livro é a encarnação preciosa de um espírito superior, conservado e estimado com o objetivo de viver para além da morte.


Boa, xará.


Capa da edição bilíngüe da Topbooks.

Há 80 anos, o mundo via Hitler tornar-se o Führer

Há 80 anos, o mundo via Hitler tornar-se o Führer
Hindenburg e Hitler
Hindenburg e Hitler

Publicado em 2 de agosto de 2014 no Sul21

Em alemão, Führer significa “guia”, “líder”, “chefe”. Deriva do verbo führen, “conduzir”. Embora a palavra permaneça de uso comum em alemão, está tradicionalmente associada a Adolf Hitler, que a usou para se autodesignar líder da Alemanha Nazista.

Há 80 anos, às 9 horas de 2 de agosto de 1934, o Presidente Paul von Hindenburg, de 87 anos, faleceu. Três horas depois, ao meio-dia, foi divulgado que,  de acordo com uma lei emanada “no dia anterior”, os cargos de Chanceler (Reichskanzler), o qual Hitler já ocupava, e Presidente (Reichspräsident) tinham sido unificados e que Adolf Hitler, de 45 anos, assumiria poderes de chefe de estado e comandante supremo das forças armadas. O título de presidente ficava abolido e Hitler seria Líder e Chanceler (Führer und Reichskanzler). Em 19 de agosto, foi realizado um referendo em que o povo alemão aprovou a posse de Hitler no cargo. Sua vitória foi, pela primeira vez, esmagadora. Cerca de 95% dos eleitores inscritos votaram e 90% – mais de 38 milhões – votaram a favor, com apenas 4,25 milhões votando contra. Então, Hitler exigiu de todos os oficiais e membros das forças armadas um juramento de fidelidade para com ele próprio. O juramento era muito pessoal:

“Faço perante Deus o sagrado juramento de que renderei incondicional obediência a Adolf Hitler, o Führer do povo e do Reich alemão, comandante supremo das forças armadas, e de que estarei pronto como um corajoso soldado a arriscar minha vida a qualquer momento por este juramento”.

Hindenburg morto.
Hindenburg morto.

E o que é o Reich? O Terceiro Reich seria um novo período de supremacia alemã. O governo nazista tinha por hábito glorificar o passado do país que, de acordo sua visão, tivera dois períodos de grande destaque mundial. O primeiro fora o estabelecimento do Sacro Império Romano-Germânico no ano de 962; o segundo, a criação do Império Alemão em 1871, que consistia em uma Alemanha unificada ao modo dos estados modernos e que, além disso, possuía um considerável império ultramarino, com colônias na África, Ásia e Oceania. O Terceiro Reich, proposto pelo partido nazista, viria recriar os momentos de glória do povo germânico e deveria durar mil anos.

Um detalhe importante é que nestes mil anos haveria uma seleção de etnias na qual a raça ariana deveria ter a supremacia.

Alois Hitler (1837-1903)
Alois Hitler (1837-1903)

Como Hitler chegou a Führer

O pai, Alois Hitler, era funcionário da alfândega e filho, como se dizia na época, ilegítimo, isto é, não nascera dentro de um casamento. Até os quarenta anos, Alois usou o sobrenome da sua mãe, Schicklgruber. Em 1876, passou a empregar o nome do seu pai adotivo, Johann Georg Hiedler, cujo nome foi alterado para Hitler por erro de um escrivão. Alois casou-se e teve seis filhos com Klara Pölzl. Apenas Adolf, o quarto, e sua irmã mais nova, Paula, sobreviveram à infância. Viviam em Linz, no interior da Áustria. Adolf era muito mais devotado à mãe, Klara, que faleceu em 1907, do que ao pai, morto em 1903. Aos 18 anos, em 1907, órfão de pai e mãe, ele partiu para Viena, onde tinha vagas aspirações de se tornar artista plástico. Tinha, então, direito a um subsídio para órfãos, que acabaria por perder aos 21 anos, em 1910.

No mesmo ano fez dois exames de admissão na Academia de Belas-Artes de Viena, sempre sem sucesso. Nos anos seguintes permaneceu em Viena, sem emprego fixo. O dinheiro era curto e ele chegou mesmo a pernoitar, por vezes, em asilos para mendigos. Depois, começou a copiar postais e pintar paisagens de Viena — ocupação com a qual conseguiu financiar o aluguel de um apartamento. Com suas pinturas copiadas, ganhava mais dinheiro do que se tivesse um emprego regular. Ele gostava de frequentar a Ópera Estatal de Viena, especialmente para assistir as óperas de Richard Wagner.

Klara Hitler (1860-1907)
Klara Hitler (1860-1907)

Foi em Viena que Hitler começou a perfilar-se como antissemita. O antissemitismo estava profundamente enraizado na cultura católica do sul da Alemanha e na Áustria, onde Hitler cresceu. Viena tinha uma grande comunidade judaica, incluindo muitos judeus ortodoxos do leste da Europa. Na cidade, Hitler tomou contato com os judeus ortodoxos, que, ao contrário dos judeus de Linz, distinguiam-se pelas suas vestes. Foi em Viena que ele comprou e leu os primeiros panfletos abertamente antissemitas que relata em seu livro Mein Kampf.

Também foi em Viena que tomou contato com a doutrina marxista, tendo “aprendido a lidar com a dialética deles, incorporando-a para os meus fins”.

Em 1913, mudou-se para Munique. Como relata em Mein Kampf, desejava viver numa cidade alemã a fim de afastar-se do por demais multiétnico Império Austro-Húngaro. Queria viver num país mais homogêneo do ponto de vista racial. Ao mudar-se, também fugia do serviço militar obrigatório. Só que foi localizado e obrigado a um exame físico no qual foi considerado inapto. Então, regressou a Munique, onde retomou sua atividade de pintor, vendendo seus quadros na rua.

A Primeira Guerra Mundial

Em agosto de 1914, quando a Alemanha entrou na Primeira Guerra Mundial, alistou-se imediatamente no exército bávaro. Serviu na França e Bélgica como mensageiro, uma posição muito perigosa, que envolvia exposição a fogo inimigo. A folha de serviço de Hitler foi exemplar, mas nunca foi promovido além de cabo, que era a patente mais alta oferecida a um estrangeiro no Exército Alemão.

Foi condecorado duas vezes por coragem em ação. A primeira medalha que recebeu foi a Cruz de Ferro de Segunda Classe, em dezembro de 1914 . Depois, em agosto de 1918, recebeu a Cruz de Ferro de Primeira Classe, uma distinção raramente atribuída a não oficiais.

Apesar de não ser cidadão alemão, durante a guerra Hitler desenvolveu um patriotismo apaixonado. Ficou chocado pela capitulação da Alemanha em novembro de 1918, sustentando a ideia de que o exército alemão não tinha sido, de fato, derrotado. Como muitos nacionalistas alemães, culpou os políticos civis pela capitulação.

Ao término da Primeira Grande Guerra, Hitler permaneceu no exército, agora ativo na supressão das revoltas socialistas que surgiam pela Alemanha. Participou de cursos de “pensamento nacionalista” e chegou a uma nova conclusão: a Alemanha capitulara na Primeira Guerra Mundial em função do “judaísmo internacional”, dos comunistas e dos políticos de todos os setores.

Hitler na Primeira Guerra Mundial (sentado, à direita)
Hitler na Primeira Guerra Mundial (sentado, à direita)

1923

Então, escreveu aquele que é geralmente tido como o seu primeiro texto antissemita, um “Relatório sobre o Antissemitismo”. Nele, Hitler fazia a apologia de um “Antissemitismo racional” que não recorreria aos pogroms, mas que “lutaria de forma legal para remover os privilégios gozados pelos judeus em relação a outros estrangeiros. O objetivo final era o da remoção irrevogável dos judeus”.

Hitler foi liberado do exército em 1920. A partir dessa data, começou a participar ativamente das atividades do Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei – NSDAP (Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães), normalmente conhecido como partido Nazi, ou Nazista, palavra que tem origem na junção das palavras “National Sozialistische”, em contraste com os Sozi, um termo usado para descrever os social-democratas. O partido adotou a suástica (supostamente um símbolo ariano) e a saudação romana, também usada pelos fascistas italianos.

O partido servia -se do apoio da Sturmabteilung (SA), uma milícia paramilitar que costumava vagar pelas ruas atacando comunistas, minorias religiosas e gritando palavras de ordem. Por volta de 1923, Hitler conheceu Julius Streicher, editor de um jornal violentamente antissemita chamado Der Stürmer, que o apoiaria em sua propaganda de promoção pessoal e de ódio aos judeus.

Hitler numa marcha das SA em 1932
Hitler numa marcha das SA em 1932

O Partido Nazista era nesta altura constituído por um pequeno número de extremistas de Munique. Mas Hitler tinha duas armas potentíssimas: a oratória pública e o poder de inspirar lealdade pessoal. A sua oratória de esquina, atacando os judeus, os comunistas, os liberais e os capitalistas, começou a atrair simpatizantes. Alguns dos seguidores desde o início foram os futuros ministros Rudolf Hess, Hermann Göring, e Ernst Röhm, líder da SA. Outro admirador foi o marechal de campo Erich Ludendorff.

O crescimento do partido apoiava-se no ressentimento pela derrota e no mal-estar econômico, político e social decorrente da derrota de 1918 e, depois, da crise de 1929.

Intermezzo 1. Curiosamente, o melhor retrato da Berlim deste período foi criado pelo mais intimista e filosófico dos diretores de cinema. Em O Ovo da Serpente, Ingmar Bergman mostra a ascensão do nazismo, captando com grande acurácia e brilhantismo o ambiente da República de Weimar, com o caos econômico, moral e político aflorando e alterando as pessoas. No final do filme, o médico Hans Vergerus fala sobre a formação do nazismo: (…) qualquer um que fizer o mínimo esforço poderá ver o que nos espera no futuro. É como o ovo de serpente. Através das membranas finas pode-se distinguir o réptil já perfeitamente formado. Infelizmente e sabe-se lá por quê, a imagem, roubada por Bergman de Shakespeare, tornou-se lugar-comum de nove entre dez políticos de parca cultura. Fim do intermezzo.

O Dr. Hans Vergerus de 'O Ovo da Serpente'
O Dr. Hans Vergerus de ‘O Ovo da Serpente’

O putsch da Cervejaria

O célebre putsch da Cervejaria foi uma malfadada tentativa de golpe de Adolf Hitler e seu Partido Nazista contra o governo da região alemã da Baviera, ocorrido em 9 de novembro de 1923. O objetivo era tomar as rédeas do governo bávaro para, em seguida, abocanhar o poder em todo o país. Mas a ação foi rapidamente controlada pela polícia bávara, sendo que Hitler e vários correligionários – entre eles, Rudolf Hess – acabaram presos.

Hitler usou o seu julgamento como uma oportunidade para espalhar a sua mensagem por toda a Alemanha. Era um eficiente político que não cansava de fazer proselitismo, falando aos jornais e a todos que buscassem contato. Em abril de 1924, Hitler foi condenado a cinco anos de prisão, mas foi anistiado depois de seis meses. Na prisão, ditou o primeiro volume do livro chamado Mein Kampf (“Minha Luta”), primeiramente a Emil Maurice, e posteriormente ao seu fiel ajudante Rudolf Hess. O livro é essencialmente biográfico.

Intermezzo 2. Os direitos autorais do livro caem em domínio público em 2015, quando dos 70 anos da morte do autor. Está sendo preparada uma edição crítica para esta data. Fim do intermezzo.

A primeira edição de Mein Kampf com autógrafo de Hitler (clique para ampliar)
A primeira edição de Mein Kampf com autógrafo de Hitler (clique para ampliar)

Mein Kampf prega a militarização da Alemanha. Descreve a visão de Hitler sobre psicologia de massas, a maneira certa e o melhor momento de fazer um discurso político. Analisa o conteúdo que cada discurso deve ter de acordo com o público alvo. Expõe também a ascensão de Hitler no Partido Nazi que não fundou, mas que mudou o rumo. Expõe também a visão de Hitler sobre o jogo político partidário. Mostra-se totalmente avesso às coligações, afirmando que “O forte é mais forte sozinho”, frase que é título de um capítulo do livro. Também critica o colonialismo francês prevendo que a intromissão na África traria, no futuro, problemas para a França.

O segundo volume do Mein Kampf foi escrito em 1926, quando Hitler já estava fora da prisão. Neste são expostas as ideias Nacional-Socialistas, sem mais informações biográficas. A compilação dos dois volumes recebeu primeiramente o nome de Viereinhalb Jahre des Kampfes gegen Lüge, Dummheit und Feigheit (Quatro anos e meio de luta contra mentiras, estupidez e covardia), mas foi alterado para simplesmente Mein Kampf antes de ser publicado. Após a leitura, a conclusão a que se chega é simples: os dois males do mundo são o comunismo e o judaísmo. E a solução é a erradicação de ambos.

Além disso, em Mein Kampf, ele divide os seres humanos com base em atributos físicos e psicológicos. Hitler afirma que os “arianos” estavam no topo da pirâmide, cuja base era formada por judeus, polacos, russos, checos e ciganos. Segundo ele, aqueles povos se beneficiavam aprendendo com os superiores arianos. Ele também afirmava que os judeus estavam a conspirar para evitar que a raça ariana se impusesse como era seu direito, ao diluir sua pureza racial e cultural e ao convencer os arianos a acreditarem na igualdade.

Ascensão ao poder

Hitler e a SS
Hitler e a SS

Após sua prisão, Hitler foi considerado relativamente inofensivo. Enquanto isso, ele trabalhava. Fundou um grupo que mais tarde se tornaria fundamental. Uma vez que o Sturmabteilung (“Tropas de choque” ou SA) de Röhm, não eram confiáveis e formavam uma base separada de poder dentro do partido, ele estabeleceu uma guarda para sua defesa pessoal, a Schutzstaffel (“Unidade de Proteção” ou SS). Esta tropa de elite em uniforme preto seria comandada por Heinrich Himmler, que se tornaria o principal executor dos seus planos relativamente à “Questão Judaica” durante a Segunda Guerra Mundial. Criou também numerosas organizações de filiação (Juventudes Hitleristas, associações de mulheres, etc.).

E, a partir de 1929, o Partido Nazista teve uma progressão semelhante à do partido fascista de Benito Mussolini.

Um elemento vital do apelo de Hitler era o sentimento de orgulho nacional ofendido pelo Tratado de Versalhes, imposto ao Império Alemão pelos Aliados da Primeira Guerra Mundial. O Império Alemão perdeu territórios para a França, Polônia, Bélgica e Dinamarca e teve de admitir a responsabilidade única pela guerra, desistir das suas colônias e da sua marinha e pagar uma grande soma em reparações de guerra, um total de 32 bilhões de marcos. Uma vez que a maioria dos alemães não acreditava que o Império Alemão tivesse começado a guerra, nem que tinha sido efetivamente derrotado, eles se ressentiam amargamente. Apesar das tentativas iniciais do partido de ganhar votos culpando o “judaísmo internacional”, os Nazistas aprenderam rapidamente uma propaganda muito mais sutil e eficaz que combinava o antissemitismo com ataques aos políticos.

Explorando habilmente as frustrações e o sentimento antissemita enraizado na sociedade alemã da época, o ponto da virada em benefício de Hitler veio com a Grande Depressão que atingiu a Alemanha em 1930. Os social-democratas e os partidos tradicionais de centro e direita eram incapazes de lidar com o choque da depressão. As eleições parlamentares de setembro de 1930 foram de vitória para o Partido Nazista, que se ergueu da obscuridade para ganhar mais de 18% dos votos e 107 lugares no Reichstag (parlamento alemão), tornando-se o segundo maior partido do país.

Cana de Berlin Alexanderplatz: quase 16 horas de filme
Cana de Berlin Alexanderplatz: quase 16 horas de filme

Intermezzo 3. É desta época o romance Berlin Alexanderplatz, obra-prima de Alfred Döblin. É a esplêndida narrativa da história de Franz Biberkopf, um operário saído da prisão no ano de 1929, após quatro anos cumprindo pena. Ele recomeça sua vida arranjando um emprego, mas não consegue levar uma vida decente, quer do ponto de vida material, quer do moral. Rainer Werner Fassbinder filmou a história para a televisão em 1980. O filme tem a duração de 15 horas e meia. Fim do intermezzo.

Hitler ganhou sobretudo votos entre a classe média alemã, que tinha sido atingida pela inflação dos anos 20 e o desemprego oriundo da depressão. Agricultores e veteranos de guerra foram outros grupos que apoiaram os nazistas. As classes trabalhadoras urbanas, em geral, ignoraram os apelos de Hitler. As cidades de Berlim e da Bacia do Ruhr (norte da Alemanha, protestante) eram-lhe particularmente hostis.

Mas nenhum partido conseguiria governar sem os nazistas e, nas eleições presidenciais de julho de 1932, o governo procurou obter o apoio dos nazistas para estenderem o mandato do presidente Paul von Hindenburg. Hitler recusou qualquer acordo, e acabou concorrendo com Hindenburg na eleição presidencial, obtendo o segundo lugar na primeira fase da eleição. Era mais um grande resultado. Uma vez que nazistas e comunistas tinham muitos representantes no Reichstag , a formação de um governo estável de partidos do centro era impossível. Para colaborar, Hitler passou a fazer grandes exigências, incluindo o posto de Chanceler da Alemanha.

Após novas eleições em novembro, Hindenburg acabou nomeando Hitler como Chanceler, num gabinete que ainda incluía dois nazistas: Göring e Wilhelm Frick.

Curiosamente, Hitler e seu partido jamais obtiveram maioria absoluta. Nas últimas eleições livres, os nazistas obtiveram 33% dos votos, obtendo 196 lugares num total de 584. Mesmo nas eleições de março de 1933, que tiveram lugar após o terror e violência terem varrido o Estado, o partido de Hitler chegou aos 44% dos votos, sem alcançar a maioria absoluta. Contrariando a proposta do Mein Kampf, os nazistas só obtiveram a maioria do Reichstag através de coligações formais. E os votos adicionais conseguidos para aprovar a lei que deu a Hitler autoridade de ditador só foram assegurados pela expulsão de deputados comunistas e da intimidação de ministros dos partidos do centro.

Numa série de decretos que se seguiram pouco depois, outros partidos foram suprimidos e toda a oposição foi proibida. Em poucos meses, Hitler tinha adquirido o controle autoritário do país e enterrou definitivamente os últimos vestígios de democracia.

E então, em 2 de agosto de 1934, Hindenburg morreu. E Hitler fundindo as funções de Presidente e de Chanceler, tornando-se o Führer, requerendo um juramento de lealdade a cada membro das forças armadas. Esta fusão dos cargos, aprovada pelo parlamento poucas horas depois da morte de Hindenburg, foi mais tarde confirmada pela maioria do eleitorado em 19 de agosto. O regime teve débil oposição interna. Os grupos oposicionistas existentes eram pequenos, sem forças, carentes de coordenação e sistematicamente intimidados. Começava o Regime Nazista.

Convenção do Partido Nazista em Nuremberg (1935)
Convenção do Partido Nazista em Nuremberg (1935)

(*) A maior parte do texto consiste de compilação feita a partir de várias fontes.

O Inter é o lanterna do Citadino

O Inter é o lanterna do Citadino

Basta olhar a tabela do Gauchão 2015. O São José, do Passo d’Areia, é o segundo colocado com 8 pontos ganhos. O Grêmio é o quinto com 6 pontos e 2 vitórias. O Cruzeiro é o sexto com 6 pontos, 1 vitória e saldo 2. O sétimo e último é o galático Internacional, com 6 pontos, 1 vitória e saldo 1.

via Telmo Kiguel

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