Deputado Van Hattem pode pagar até R$ 1 milhão em indenização por atropelamento com morte

Vítima faleceu depois de sete meses internada. Ação tramita no STJ

Da Rádio Guaíba | Por Vitória Famer

Familiares de Adair Wiest seguem esperando respostas da justiça sete anos depois que o pai da família faleceu em decorrência de um atropelamento às margens da BR 116, em Ivoti, no Vale do Sinos. Segundo os familiares, o homem morreu, aos 41 anos, sete meses após o incidente, causado, segundo eles, pelo hoje deputado estadual Marcel Van Hattem (PP). O advogado da família, Marcelo Bastos, estima que se o Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerar procedente a ação movida pelos parentes, a indenização pode chegar a R$ 1 milhão.

Marcel Van Hattem em foto retirada de seu material de campanha
Marcel Van Hattem em foto retirada de seu material de campanha

Adane Wiest, filha de Adair, contou que o pai retornava de moto de Novo Hamburgo, próximo das 15h, quando percebeu, quase chegando em casa, que uma peça do veículo havia caído às margens da rodovia. Como a casa ficava a aproximadamente 40 metros da BR 116, Adair resolveu deixar a moto em casa e retornar a pé até o acostamento da estrada para procurar a peça. Nesse ponto, ele foi atropelado, em 9 de outubro de 2006.

A família relata que Van Hattem chegou a parar o veículo para prestar socorro à vítima e a ir, no mesmo dia, com os pais, visitar a família de Adair no hospital. No entanto, depois, tudo mudou.

“Ele não nos procurou mais, disse que não podia ajudar e nem acionar o seguro do carro porque ele não foi o culpado, que meu pai que teria invadido a pista e que, por isso, ele teria atropelado meu pai. Não prestou nenhum auxílio. Na época eu não trabalhava, eu tinha 17 anos, meu irmão era menor (tinha 12 anos). A gente vendeu o que tinha e o que não tinha dentro de casa. Precisávamos de fralda e de óleo. Quantas vezes fomos conversar com o Marcel e ele prometia que ia ajudar e não ajudou. Nem visitar meu pai ele foi. Meu pai ficou em coma quase sete meses. Por quase três meses o pai ficou em um lar, porque o hospital não tinha mais o que fazer. Então, é como se tivesse que esperar ele acordar. Ele teve traumatismo craniano. Mandaram ele embora. A casa era um valor absurdo. Fomos conversar com o Marcel. Ele nem bola”, desabafou Adane.

Antes da morte de Adair, o Ministério Público ingressou com uma ação criminal contra Van Hattem. Mas, segundo Marcelo Bastos, a indignação da família é pelo fato de o atual parlamentar não ter respondido pelo homicídio, somente pelas lesões corporais leves, o que tramitou no Juizado Especial Criminal.

“Quando há um atropelamento com morte, quem tem que tratar disso é o Estado. Não é a parte que promove uma ação. E o que se tem no caso concreto, é que o deputado respondeu apenas pelas lesões corporais leves. Tanto é que esse processo tramitou no Juizado Especial Criminal, que trata apenas de lesões leves. A questão do homicídio decorrente do acidente de trânsito não foi apurada. Essa é a indignação da família”, explicou Bastos.

Além disso, a família ingressou com uma ação cível contra Marcel, em 2007, que já foi considerada procedente em duas instâncias da justiça, permanecendo a decisão de culpa. A família pede indenização e danos morais pela morte de Adair. O recurso tramita no STJ, em Brasília. Mas, segundo o advogado da família, a Corte não discute a culpabilidade do motorista. Agora, a discussão é apenas com relação ao valor da indenização.

O deputado respondeu que o acidente ocorreu pelo fato de Adair ter invadido a pista. Van Hattem disse que repudia a ação da família da vítima, que foi até a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, na semana passada, e solicitou a abertura de um investigação sobre o fato, ocorrido há quase oito anos. Apesar de ter sido considerado culpado no âmbito cível, Van Hattem criticou o sistema do Judiciário. Segundo ele, o cível anda “descolado” do criminal.

“Cível, infelizmente, anda totalmente descolado do crime, do processo. O advogado, eu repito, no mínimo está orientando mal os seus clientes dizendo que não fui bem investigado. Isso é mentira. Aconteceu tudo que tinha que acontecer do âmbito das autoridades policiais. Ele está tentando fazer um caso político, inclusive, em cima dessa situação. Mas o cível é um processo separado”, expôs o deputado.

O deputado ainda apontou considerar que a família esteja se utilizando politicamente do caso. A família rebate, assegurando que ingressou com ações contra Van Hattem antes mesmo de ele ser deputado estadual.

A família acrescentou que, na próxima quarta-feira, vai comparecer à reunião da Comissão de Direitos Humanos do legislativo gaúcho.

15 comments / Add your comment below

    1. Grande deputado ? Pra quem ? Um liberalzinho que defende os interesses dos ricos e sequer respondeu pela morte de um pai de família e agora ainda quer ocupar o lugar de vítima. Por favor…e essa matéria está incompleta. Ele não prestou socorro, pois estava alcoolizado. Conheço pessoas próximas a ele. Ele foi no hospital com os pais dias depois. Deixou dois adolescentes sem pai, tendo que vender tudo pra tentar salvar o pai e ainda há quem o defenda… é dose…

  1. Interessante, tem algumas notícias que dizem que ele não prestou socorro, nos autos afirmam que ele prestou, mas, realmente, segundo o código de trânsito é proibido pedestre atravessar rodovia fora da passarela e ruas fora da faixa, inclusive se pede para que, caso seja necessário atravessar fora dessas condições (e dentro das condições de faixa), jamais parar na via. Realmente, ele não precisaria acionar o seguro dele e nem prestar auxílio financeiro `
    a vítima.

  2. Esse deputado é um palhaço. Atropela um pedestre. A que velocidade estava que não conseguiu parar. E não ser solidário com a família mostra quem é:um sujeito frio e calculista. Então vai sentir no que mais presa,no bolso. Vagabundo.

    1. Na rodovia não é lugar de pedestre, tem que prestar atenção pois nenhum motorista imagina que alguém na beira da pista vai entrar na faixa de rolamento…. e no acostamento tb não é seguro ficar.
      Assim como o pedestre foi vítima de atropelamento, o mototista foi vítima da imprudência do pedestre…

      Digo isso porquê já aconteceu comigo, um homem saiu do meio dos carros estacionados sem olhar e meu carro bateu de frente nele… mas foi bem leve e não machucou, nem caiu no chão só bateu a mão no capo e foi embora. Mas se fosse na rodovia poderia ter morrido.

      Fiquei traumatizado e passei 2 anos com pânico de dirigir, precisei de apoio médico e tomei medicamento pra controlar medo.

      Isso foi há 5 anos e até hoje não me recuperei completamente. Sempre sonho com o atropelamento mas no lugar da vítima aparece meu meu filho. Tudo isso pela imprudência e pressa de alguém não teve o mínimo de atenção ao atravessar a rua.

  3. O cível é “descolado” do criminal, sim, e ainda bem. No plano penal, a dúvida beneficia o réu e qualquer equívoco na investigação pode resultar em impunidade. Isso sem falar na prescrição, principal arma dos advogados penalistas. Já no processo de indenização, há mais espaço para se alcançar uma decisão justa.

  4. Estava lendo sobre ele ter sido apontado como lider da bancada do NOVO na camara,e em um dos comentários do site em que lia vi sobre esse acidente que desconhecia.No comentário em questão dizia que ele atropelou,matou e não prestou socorro.Levei um susto.Afinal vi alguns videos dele e me identifico bastante com as pautas que ele defende.Agora que investiguei o que aconteceu percebo como as pessoas são nojentas.Ele atropelou alguém sim,mas ele PRESTOU socorro,o levou no hospital.Eu entendi o apelo desesperado da familia,porem não é justo crucificarem o Van Hattem,ele não tinha como prever esse atropelamento.
    Quanto a indenização que a familia busca…caso ele não fosse deputado,fosse alguem normal que não tem 30 mil no banco todo mês,seria a mesma situação? Vejo exploração politica,talvez eu seja louco.

  5. eu pessoalmente tambem ja atingi um pedestre na mesma rodovia 20 anos atraz, voltando do colegio, ele tentou me parar, tentei frear, derrapei e ouvi o estouro (muito jovem e mulher, nao pararia nem se estivesse armada as 11 da noite)..meu pensamento desde aquele dia….e … fiquem fora destas estradas que nos conhecemos muito bem, um pe no asfalto outro na morte…..Nao deve ser facil para a familia, mas os fatos reais tem que vir a tona e aceitos…seja qual for a verdade.

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