Lutando na Espanha, de George Orwell

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O bom do livro do livro de Orwell não está na descrição da política espanhola de muitas siglas e tendências na época. O bom está no retrato sem maquiagem ou heroísmo da Guerra Civil e nas traições que as linhas tortuosas da política mundial perpetraram contra o governo eleito. Uma frente popular de esquerda tinha sido eleita em 1936 e havia uma reação golpista por parte dos fascistas de Franco. A frente era uma grande aliança de partidos e organizações de esquerda, incluindo anarquistas. A situação na Catalunha era única. As igrejas estavam ocupadas, os garçons não tratavam os clientes por señor porque ninguém era subserviente a ninguém e todos usavam roupas simples para não parecerem mais do que os outros.

Por não aceitar esta reação golpista por parte dos fascistas, Orwell foi lutar na Espanha. O caos imperava e as descrições do relacionamento entre os ingleses e os espanhóis são curiosas. O inglês Orwell sabia manejar uma arma e gostava de pontualidade, enquanto seus companheiros quase se matavam cada vez que limpavam um fuzil. Seus relógios eram meros adornos. Ele esperava disciplina e estratégia, mas só via simpatia, ignorância e fome em seus companheiros. Nada funcionava direito. As armas eram velhas e imprecisas, cuspiam balas para qualquer lado. A trincheira fascista ficava longe, inalcançável a qualquer tiro. As ameaças vinham por alto-falantes.

O livro, muitíssimo bem escrito, é cheio de méritos e informação. Há um olhar de estranheza e encanto de alguém que, pela primeira vez, vê os trabalhadores no poder. Depois, o desencanto é completo.

Semanas após chegar, Orwell foi ferido por um tiro e deixou a frente de batalha, retornando à Barcelona, onde a situação catalã já mudara. A burguesia tinha voltado à tona, assim como os tratamentos de senhoria. Na complexa política da época, o POUM que os trabalhistas ingleses como Orwell apoiavam, teve seus membros perseguidos e mortos pelos comunistas. Na fantasia dos devotos de Stalin, tornaram-se simples trotskistas ou espiões dos fascistas. Orwell e sua esposa conseguiram fugir para a França.

Stalin foi um dos responsáveis pela derrota republicana. Enfraquecida econômica e politicamente — com graves perseguições políticas internas ao pessoal de 17 –, não interessava taticamente à União Soviética que a unidade popular-republicana vencesse na Espanha. Agentes stalinistas assassinaram lideranças importantes da frente popular, fortalecendo indiretamente o fascismo franquista. Franco e o fascismo venceram. No horizonte soviético, estava o pacto de não-agressão assinado com Hitler em agosto de 1939.

Orwell era um homem de esquerda que viu o stalinismo trair a classe trabalhadora. O autor foi utilizadíssimo como anticomunista pela direita. Mal lido, Orwell passou a vida atacando o stalinismo em grandes livros, ao mesmo tempo que desmentia a imprensa, que apresenta Franco e as ditaduras de direita como fossem democracias. Quanto à Espanha, Franco permaneceu como ditador até sua morte em 1975 e Orwell só ganhou seu verdadeiro tamanho de excelente escritor há poucos anos.

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3 ideias sobre “Lutando na Espanha, de George Orwell

  1. ORWELL SABIA PROFUNDAMENTE A IMPORTÂNCIA DE SE COMBATER O COMUNISMO E SEUS CONGÊNERES: O BOLCHEVISMO E A MAÇONARIA.

    O Fascismo, ao contrário do que RECITA SISTEMATICAMENTE A PROPAGANDA PSICOPATA DOS ALIADOS PRESSUPÕE o resumo e UNIFICAÇÃO de TODOS VALORES que dão um sentido à vida de TODOS OS POVOS fortalecendo-os por meio do desenvolvimento.

    Não há expediente mais recorrente do que atribuir os próprios vícios a quem se quer difamar e destruir. A violência, a bestialidade e a barbárie são ATRIBUTOS DO BOLCHEVISMO, http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/azerbaijao-lembra-em-31-de-marco-vitimas-de-massacres-da-russia-bolchevique-25rf6sdrrwzjbcg15orwtx1la do COMUNISMO, https://pt.wikipedia.org/wiki/Holodomor e da MAÇONARIA https://archive.org/details/AsForcasSecretasDaRevolucao – vide MODUS OPERANDI da REVOLUÇÃO FRANCESA, REVOLUÇÃO RUSSA, extermínio paraguaio 1869, holocausto alemão e japonês 1945, iraquiano http://www.anovademocracia.com.br/no-5/1291-o-holocausto-iraquiano Lbio http://2.bp.blogspot.com/-u56_C1TFAC0/TrhA-UBxnQI/AAAAAAAABkU/XpqXIEqwx-M/s1600/hipocrecia+de+la+OTAN.jpg seguido pela Siria…..

    Fascismo, “ segundo o maior poeta do século XX: EZRA POUND, é o único sistema com possibilidade de vencer o sistema financeiro internacional, identificado por ele como a causa principal dos problemas do mundo, sobretudo, de todas as guerras.

    POUND atribuía a culpa pelos conflitos à finança internacional, e acusou o Judaísmo norte-americano de haver criado o BOLCHEVISMO: “Esta guerra não nasceu de um capricho de Hitler (NAZISMO) ou Mussolini (FASCISMO) ”, afirmou certa vez: “Esta guerra é parte da luta milenar entre usurários e trabalhadores, entre a ‘usurocracia’ e todos os que fazem uma jornada de trabalho honrado com o braço ou com o intelecto”Einstein iguala, pejorativamente, o Nazismo ao Fascismo, jamais mencionando que ambos defendem a cultura popular, a propriedade privada, e um estado forte para poder restringir as exigências das altas finanças.

    Mais uma vez, OS COMUNISTAS e não os fascistas, usam o racismo, o desarmamento, o discurso de ódio e a perversão do direito para levar um país ao genocídio. A mídia ocidental, ao fingir que não vê, parece simplesmente estar apoiando a matança. VIDE http://www.midiasemmascara.org/mediawatch/noticiasfaltantes/comunismo/13421-africa-do-sul-a-beira-do-genocidio-e-da-ditadura-comunista.html

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