Ontem

Ontem

O tempo é uma coisa medida com precisão, mas nossa impressão dele sofre grandes variações. As coisas boas voam, as ruins se arrastam. Quando trabalhamos demais, achamos surpreendente como o tempo passa lento — hoje é só quarta-feira?, costumo pensar. Quando temos prazos a cumprir, parece que aquele muro cresce inexoravelmente sobre nós. Quando estamos em férias, o tempo voa. Hoje, coloquei a foto abaixo no Facebook com a legenda “Neste 31 de agosto, 2 anos”.

E foi ontem.

Foto: Ramiro Furquim
Foto: Ramiro Furquim

Bom dia, Argel Fucks (com os gols da façanha de ontem)

Bom dia, Argel Fucks (com os gols da façanha de ontem)
Pô, Paulão, para de fazer merda!
Pô, Paulão, para de fazer merda!

Argel, como disse um amigo numa lista de discussões: “4 do Grêmio, 5 da Chapecoense, 5 do Grêmio, 3 do Avaí, isso de 2014 pra cá. Acho que nem nos anos 90 isso acontecia”. Verdade, Gérson. A gente perdia quase sempre de pouco naqueles desgraçados anos.

Mas, olha, o jogo de ontem — Avaí 3 x 0 Inter — foi muito estranho. O time estava até direitinho, à exceção da defesa, que voltou a fracassar. Primeiro, dominávamos o jogo quando houve um pênalti óbvio sobre Sasha que, aliás, deveria ter empurrado de primeira a bola para dentro do gol. Afinal, estava na pequena área sem goleiro. Pra que complicar? Depois, nossa defesa começou a dar sinais que era Dia de Paulão. Jamais vou entender porque o zagueiro, que é o Rei do Chutão, resolveu proteger aquela bola para que Alisson viesse de Sombrio para agarrá-la. Quase que saiu o primeiro gol do Avaí. Quem conhece o Inter disse na hora: Argel, tira o Paulão que hoje ele vai entregar. Não deu outra. Ele, tendo Nilton e Géferson como coadjuvantes, perturbou toda a defesa.

No segundo tempo, quando torcia por um golzinho qualquer que nos desse uma vitória mínima, o juiz inventa de dar um pênalti contra nós, daqueles que ninguém dá no mundo. Uma sutil puxada de Paulão, é claro, no braço de um atacante havaiano, quando a bola já estava longe, fora de perigo. Nem os jogadores do Avaí entenderam o que o árbitro marcara. Foi uma alegre surpresa do conhecido piadista Jean Pierre Lima.

Daí pra frente, Argel, teu time se desmanchou. (E, como tinha escrito sexta-feira, lá em Itu ninguém poupou forças…) Tomamos dois gols em chutões pra frente, um deles desferido pelo goleiro do Avaí. Não foi um jogo que condenasse teu trabalho, mas acho que tu deves decidir se o teu sétimo zagueiro em qualidade deve permanecer jogando (revisando: Juan, Ernando, Alan Costa, Réver, Eduardo, Moledo). No banco, Juan devia estar dando gargalhadas.

Melhor tentar esquecer o jogo de ontem pondo a culpa no juiz e no preparo físico.

Porque hoje é sábado, Ana Carolina Prado

Porque hoje é sábado, Ana Carolina Prado

Ana é o mais óbvio dos palíndromos.

Também significa “cheia de graça”.

Carolina é ou um diminutivo carinhoso de Carla

ou é “doce Carla” em razão do sufixo teutônico lind, transformado pelos portugueses

em lina, o qual, apesar de ela ser linda, refere-se à doçura.

Prado é um campo coberto de plantas herbáceas para alimento do gado.

Não vou conseguir entender Ana Carolina Prado através de seu nome

entendo bem mais através das fotos,

apesar de acreditar na razão

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contida frase de Oscar Wilde:

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As mulheres precisam ser amadas, nunca compreendidas.

Pois é o que Ana Carolina merece.

Nós também.

Ela é uma catarinense de 20 anos,

que sonha desenhar lingeries para que outras moças

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possam se sentir bonitas (como ela, digo eu) com pouca roupa

aquela pouca roupa que desejamos ver por pouco tempo.

O detalhe principal é que esta catarinense

mora em CANOAS. Sim, aqui ao lado, a vinte quilômetros do local

onde sonho com ela.

Ela já morou na Irlanda e merece todas as Holandas, Luandas, Ugandas, Ruandas,

todos os pandas e todas as bandas, as guirlandas, as propagandas e as viandas

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que caibam em nossas mãos para fazer-lhe de oferenda.

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Post de 2012. Acho que ACP mora atualmente em São Paulo.

Porque ontem é sábado, Anne Hathaway

Porque ontem é sábado, Anne Hathaway

Anne Hathaway (1556-1623) foi a mulher de William Shakespeare.

Ela se casou com Billy aos 26 anos. Ele tinha 18. Quando do casório, ela estava bastante grávida.

Rachel, a irmã de Kym no filme O casamento de Rachel, também.

E ela escolhe uma hora ruim para contar sobre a gravidez: …

… conta para fugir de um confronto com a irmã.
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Bom dia, Argel Fucks (com os gols da vitória de ontem)

Bom dia, Argel Fucks (com os gols da vitória de ontem)
Sasha e Valdívia fizeram os gols do Inter em Itu-SP | Foto: reprodução / Canal Premiere
Sasha e Valdívia fizeram os gols do Inter em Itu-SP | Foto: reprodução / Canal Premiere

Aqui no sul, muitos gostam de demonstrar uma vã macheza. Então, declaram desejar um Gre-Nal no sorteio para as quartas-de-final da Copa do Brasil. Eu gosto de futebol e também gostaria de ver dois clássicos decisivos como vimos nas semifinais de 1992. Mas, desta vez, gostaria que a disputa regional se desse numa FINAL.

Dentre os classificados — São Paulo, Fluminense, Figueirense, Santos, Palmeiras, Vasco, Inter e Grêmio –, o caminho mais fácil é pegar Vasco ou Figueirense, claro. O resto é pedreira e é burrice torcer para pegar, por exemplo, o Santos ou o Grêmio, que acaba de nos meter um 5 x 0.

Ontem, o jogo foi mais brigado do que eu esperava. Com um gol logo de cara, esperava que tocássemos a bola e fizéssemos viradas de jogo de um lado para outro, fazendo o adversário correr. Mas não, entramos numa histérica correria marcatória e numa insana erração de passes (beijinho no ombro, Guimarães Rosa). Esquecemos, Argel, da Primeira Lei de Andrade: “O time que está sem a bola corre o dobro”. E marcamos, tomamos cartões, cansamos e lesionamos Dourado. Tsc, tsc, tsc. Diagnóstico: não há ainda entrosamento suficiente para dosar as energias. Não há posse de bola. OK, recém chegaste e tal fato ainda não é culpa tua.

Mas tudo bem, passamos, a gurizada segue fazendo seus golzinhos e não vou reclamar. Encaremos o que aconteceu ontem como um treino puxado para o jogo de domingo, às 11h, contra o Avaí, time do grande Gustavo Kuerten. E quero mais três pontos, tá? O Avaí está descendo velozmente a ladeira em direção à Segunda Divisão e temos que ajudar a empurrá-lo para lá. Não gosto de times que vestem azul.

5.8

5.8

Estudos acadêmicos norte-americanos revelam que quem aniversaria muito vive mais tempo. Eu já contei 58 aniversários. E gosto tanto que pretendo seguir contando, pois as festas são cada vez melhores. Trata-se de um belo pretexto para juntar amigos queridos em torno de uma mesa. No caso de sábado, da mesa da Astrid e do Augusto. Claro, tenho de fazer um agradecimento especial a eles não apenas por noblesse oblige, mas por oblige d’amitié, uma obrigação motivada por profunda, antiga e especial amizade. Na verdade, a minha amizade com o Augusto é quase da idade da Astrid. Hum… Enfim.

Meus três últimos aniversários foram comemorados na casa deles. O primeiro deles foi realmente inesperado. Eu estava recém separado e a Elena me atraiu para lá. Era um domingo à noite e eu estava vestido com um humilhante abrigo e um blusão daqueles bem surrados e confortáveis. Na verdade, estava na versão chinelão de sempre. Quando cheguei, tinha uma pequena multidão me esperando.

As festas são boas e permanecem na cabeça da gente nos dias seguintes. Permanece o eco das conversas e das risadas, sejam benignas ou maldosas. E tínhamos assunto, nossa.

Imagem do Filé de namorado à Milton Ribeiro, por Carlos Latuff
Imagem do Filé de Namorado à Milton Ribeiro, por Carlos Latuff

A meu pedido a Astrid fez pratos só de frutos do mar, como o famoso Filé de Namorado à MIlton Ribeiro. Estava fantástico, insuperável. O Henrique chamou o jantar de megafodástico. A Iracema falou em dedicação e amor às pessoas. A Rovena não sabe onde a Astrid vai parar. O Marshall disse que houve amor, talento e generosidade e completou que ela fez do encontro cordial uma cena memorável. Eu concordo com todos.

Bem, eu não sei para que este blog serve para vocês, mas para mim serve para, entre outras coisas, que eu me colecione. Gostem os amigos ou não, aqui estão algumas das fotos tiradas pelo Augusto. Como já disse algumas vezes, tenho um raro grupo de amigos. Um grupo que dá um rodião em qualquer time. Semana passada, alguém me escreveu no inbox que estava por conhecer alguém que eu lhe apresentasse e que não fosse legal. É verdade. E muita gente que eu adoro não esteve na festa. Fazer o quê? Se eu convido meia cidade os donos da casa são capazes de aceitar mas, vocês sabem, quem exagera o argumento prejudica a causa — ou a casa, sei lá.

Abaixo, um monte de fotos.

Sylvio e Bárbara
Meu cunhado Sylvio e minha filha Bárbara. Ele reclama que não pode beber porque veio de carro.
Elena e Iracema
Elena informando minha irmã Iracema sobre coisas muito sérias. Verdade!
Liza e Nikolay
Os filhos da Elena: Liza conta alguma coisa para Nikolay, que não tira o olho da comida.
Sylvio, Milton, Vicente e Bárbara
Sylvio volta a falar que não pode beber. O Vicente fica feliz porque também estava dirigindo. Eu e a Bárbara escutamos, bêbados.
Eu, Elena e Liza
Movimentação: as cadeiras são as mesmas, mas agora ocupadas por mim, Elena e Liza
Hum...
Hum…
Hum... (2)
Hum… (2)
Henrique e eu
Henrique Bente fala sobre música ou enxaqueca, nossos assuntos preferidos.
Henrique e eu (2)
Eu falo a Henrique sobre enxaqueca ou música.
Branco
O Branco se exclama por qualquer coisinha.
Hum... (3)
Hum… (3)
Hum... (4)
Hum… (4)
Abrindo a caixa do Dario, Com Marshall e Rovena
O Dario não pode comparecer, mas mandou uma caixa de presentes. Com Marshall e Rovena.
Marshall, Rovena, eu e Astrid
Eu faço a leitura dramática do cartão que tinha uma imagem de Chagall. Com Marshall, Rovena, eu e Astrid.
Elena e BGranco se aprochegam
Elena e Branco se aprochegam, curiosos. Eu observo a caixa de gel lubrificante íntimo.
A camisinha provoca entuasmo
A camisinha provoca grande entusiasmo em Francisco Marshall. E em mim.
Mas o viagra emociona mais
Mas o Viagra (medicamento genérico) emociona mais.
Branco pega os óculos para examinar os comprimidos milagrosos
Branco pega os óculos para examinar os comprimidos milagrosos. Eu fico mais seguro com minha Freixenet.
Camisinha sabor caipirinha?
Camisinha sabor hortelã tudo bem, mas caipirinha? Abri um dos pacotes e todos cheiraram. Limão puro.
Elena feliz
A Elena ficou feliz.
Iracema e eu
Iracema sorri enquanto eu conjeturo se a Elena vai me obrigar a usar tudo aquilo.
Iracema e eu (2)
Iracema ainda sorri. Eu digo alguma coisa para o fotógrafo.
Branco e Marshall conversam sobre o custo-viagra
Branco e Marshall conversam sobre o custo-viagra.
Astrid, a autora das maravilhas
Astrid, a autora das maravilhas.
Astrid e seu auxiliar, marido e fotógrafo Augusto Maurer
Astrid e seu auxiliar, marido e fotógrafo Augusto Maurer.
Augusto não caprichou muito ao fotografar o Alexandre e a Jussara, né?
Augusto não caprichou muito ao fotografar o Alexandre e a Jussara, né?

Ospa é coadjuvante em bom show dedicado a Geraldo Flach

Ospa é coadjuvante em bom show dedicado a Geraldo Flach
Toca-discos da Philips: o meu era azul e branco
Toca-discos da Philips: o meu era azul e branco

Quando começou o show do último domingo no Araújo Vianna, lembrei de um toca-discos portátil azul e branco da Philips que ganhei de meus pais nos anos 70. Funcionava com 4 pilhas grandes e também ligado na luz. A tampa tinha um alto falante acoplado. Não dava para afastar muito a tampa do prato — o fio que os ligava era curto (ver foto ao lado) e ficava pelo lado de dentro quando se fechava a malinha. Era muito bonito, moderno e eu o carregava orgulhosamente para a casa de amigos, acompanhado de meus poucos discos. Bastaram 5 segundos para que o querido aparelho me viesse à memória. Onde andará hoje? Ele tinha um som de… vitrola, parecido com o que ouvi no início do concerto. Depois, o som amplificado da orquestra oscilou para melhor, mas nunca foi tudo aquilo.

Era natural, pois, que a Ospa não brilhasse muito no último domingo. Esta série do Araújo Vianna poderia ser chamada de “A Ospa convida”, porque a orquestra sempre será auxiliar para o brilho de solistas populares armados de instrumentos mais adequados ao espaço. Prova disso disso é o Cultura RS, espaço da Secretaria da Cultura do RS no Facebook. Um amigo me chamou atenção: das muitas fotos do show, apenas uma é da orquestra. Bem, o concerto aconteceu e foi excelente, mas apenas em razão da extraordinária banda formada por Cristian Sperandir (piano), Ricardo Arenhaldt (bateria), Ricardo Baumgarten (baixo) e Fernando do Ó (percussão). Ainda tivemos as participações dos cantores Luciah Helena e Marcelo Delacroix, músicos de raro brilho.

Foi um evento curioso. Olhei para os lados, o publico básico era o da Ospa, mas tinha muito mais gente. Muitos alunos de música estavam lá, além de frequentadores do Parque da Redenção e turistas com máquinas fotográficas. Movimentou muita gente mas não acredito que aquele formato crie público para a orquestra. Cria para a banda, a real estrela do show. Por isso, os músicos populares gostam tanto dos crossovers. É uma ótima divulgação. Claro, essa coisa de tocar Beatles in Concert promove… os Beatles. O Música de Filmes provoca lembranças de imagens de prazer cinematográfico na plateia. Os caras saem de lá com cenas na cabeça, loucos para rever os filmes, basta ouvir os comentários na saída. O fato gerador é o filme e o ponto de chegada também.

Como diz a música de Gil, eu tiro os outros por mim. Comecei a amar a música pelo Concerto de Brandemburgo Nº 3 e pela Sinfonia Nº 10 de Shostakovich. O primeiro me mostrou como um tema pode ser apresentado de muitas maneiras diferentes — pareceu uma interessante metáfora ao adolescente que eu era –, o segundo me assustou pelo poder de evocar o sofrimento de um povo. E ambos sugeriram um sistema linguístico como o da literatura, foco principal de minha modesta vida de sempre. Não creio que no Araújo Vianna, com som deficiente e protagonismo alheio, alguém vá se apaixonar pela orquestra como acontecia nos saudosos Concertos para a Juventude da época de meu toca-discos. Só a música erudita promove a música erudita, diz minha militância.

Porém, não obstante o caráter secundário da orquestra, gostei do show. Pelo que pude ouvir, os arranjos eram interessantes, assim como a música de Geraldo Flach. Mas olha, valeu pelo quarteto, que é sensacional, e por Marcelo Delacroix, que é mesmo estupendo.

Na Romênia, cidade dá passagem gratuita no transporte coletivo para quem lê livros

Na Romênia, cidade dá passagem gratuita no transporte coletivo para quem lê livros

Fonte: aqui.

Usuária de ônibus em Cluj-Napoca. Passagem gratuita.
Usuária de ônibus em Cluj-Napoca. Passagem gratuita.

Victor Miron está trabalhando para fazer com que as pessoas leiam mais livros. Recentemente, ele convenceu o prefeito de Cluj-Napoca (Romênia), Emil Boc, para aprovar uma lei que iria permitir que qualquer pessoa que lesse um livro no ônibus pudesse ser liberado do pagamento da passagem.

Ele levou um ano persuadindo a prefeitura e chegou lá. A partir do mês de junho, os passageiros que foram transportados lendo um livro não pagaram a tarifa de ônibus em Cluj-Napoca. Importante: o livro deve ser lido durante todo o percurso.

Miron pretende continuar a incentivar mais pessoas a lerem em espaços públicos, privados e em qualquer lugar. O ativista está atualmente trabalhando com seus amigos em outras campanhas relacionadas à literatura. Um dos quais é chamado Bookface, um programa para que as coloquem um livro como imagem de perfil do Facebook. Aqueles fizessem isso, receberiam descontos em incluindo livrarias, consultórios dentários e até mesmo salões de beleza.

E ele diz: “Nosso maior desafio agora é convencer Mark Zuckerberg. Estou cruzando os dedos”. Miron também quer criar em 23 de abril um feriado internacional: o Dia Mundial do Livro.

#somostodosmiron !!!

#somostodosmiron
#somostodosmiron

Bom dia, Argel Fucks (com os gols de Inter 2 x 0 Atlético-PR)

Bom dia, Argel Fucks (com os gols de Inter 2 x 0 Atlético-PR)
Argel: Cara de Inter
Argel: Cara de Inter

Teu time voltou a jogar bem e venceu o Atlético-PR por 2 x 0. Convenceu contra um time que está (ainda) a nossa frente na tabela. Os problemas físicos permanecem, mas há organização, jogadas preparadas e assimilação por parte de um grupo que pouco pode treinar. Vitinho, por exemplo, é outro jogador. Nada a ver com aquilo que mostrava com Aguirre. Até Paulão tem conseguido jogar bem dentro da remontagem que tu estás promovendo, Argel.

Com isso chegamos a modestos 28 pontos em 20 jogos, dos quais 7 foram conquistados nos últimos 3 jogos, já sem Aguirre. A tendência é subir, mas devem acontecer as tais instabilidades. Ontem, o acerto dos passes foi anormal. Não tinha ocorrido ainda neste ano. E o time joga sem centroavante, o que é uma novidade. Pelos poucos treinamentos, o entrosamento — que vem da repetição e da insistência — deve ser frágil e, no caminho para alcançá-lo, muitas vezes aparecem os erros. Veja o Grêmio, por exemplo, o time infernal que nos meteu cinco e venceu facilmente o Atlético-MG ganhou e empatou por milagre do Joinville e da Ponte.

O que estou achando legal neste teu início de trabalho é que estamos com “cara de Inter”. É uma personalidade difícil de explicar, mas que conjuga alguns jogadores altamente técnicos, com outros de velocidade e ainda outros que estão ali só para lutar mesmo. E todo mundo jogando sem violência, considerada burra pela maioria dos colorados, diferentemente dos gremistas, que vibram quando Geromel bate em D`Alessandro, por exemplo.

Por falar em D`Alessandro, ele não tem jogado bem, mas está perdoado integral e antecipadamente. O cara foi pai há uma semana e sei de fonte segura que se trata de um daqueles paizões que pegam junto. Isto é, ele, como acontecia comigo quando tive meus filhos, dorme pouco. Uma vez acertada a rotina do Gonzalo, teremos o futebol de nosso capitão de volta.

Entrando superficialmente em detalhes táticos, acho que a alternância na subida dos laterais está funcionando incrivelmente bem, e a troca da posição de Dourado — hoje um belo segundo homem — e a fixação de Nilton como primeiro home do meio-de-campo foi um providência simples, porém cirúrgica. Nosso meio é outro.

Parabéns pelo começo, Argel.

Porque hoje é sábado, Dita Von Teese

Porque hoje é sábado, Dita Von Teese

A companheira de Scarlett Johansson na foto abaixo chama-se Dita Von Teese.

Esta estranha figura diz-se atriz, dançarina e modelo – burlesque model, bem entendido.

É famosa por seus shows em cabarés e por seu ex-marido, o roqueiro Marilyn Manson…

Mas é ainda mais conhecida pelo visual anos 40 que adota na vida civil.

De certo modo, trabalha em faixa própria, tanto que é difícil caracterizá-la como…

dita

erótica,

madame,

ou modelo.

Não creio que os frequentadores do PHES estejam preocupados com classificações…

O fato é que, quase sempre, ao procurar por fotos de atrizes, digamos, sérias,…

…acabava encontrando referências a tal Dita, rainha dos posters e dos protetotes de telas dos computadores.

Não, não no meu. Meu computador é bastante casto e apresenta temas padrões.

Mas sempre via com admiração as fotos daquela estranha, digamos, senhora.

Dita nasceu em 28 de setembro de 1972 e diz-se fascinada pelo estilo de Betty Grable,…

… a principal pin-up dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial, célebre por suas pernas perfeitas…

… que enlouquecia os soldados com uma foto em traje de banho, olhando para trás sobre o ombro direito.

Em 2005, Dita foi atriz num filme chamado The Death of Salvador Dali, …

… ganhou prêmio de melhor atriz num festival, mas não se considera atriz, …

… e sim a divulgadora de um estilo elegante de vida.

dita-von-teese-083111

Angústia, de Graciliano Ramos

Angústia, de Graciliano Ramos
Graciliano Ramos – Angústia (1ª edição)

Na tarde de 3 de março de 1936, após passar a noite anterior revisando o romance Angústia, Graciliano Ramos entregou o manuscrito para sua datilógrafa, Dona Jeni. Depois, às 19h, foi levado de sua casa, preso. O motivo era a suspeita – jamais formalizada – de que o escritor tivesse conspirado no malsucedido levante comunista de novembro de 1935. Preso em Maceió, Graciliano foi demitido do serviço público e enviado a Recife, onde embarcou com outros 115 presos no navio “Manaus”. O país estava sob a ditadura Vargas. No período em que esteve preso no Rio, que durou até janeiro de 1937, passou pelo Pavilhão dos Primários da Casa de Detenção e depois foi mandado para o presídio de Ilha Grande, onde passou a célebre temporada descrita em Memórias do Cárcere.

Haviam desencadeado uma perseguição feroz. Tudo se desarticulava, sombrio pessimismo anuviava as almas, tínhamos a impressão de viver numa bárbara colônia alemã. Pior: numa colônia italiana”, escreveu Graciliano em Memórias do Cárcere, referindo-se ao nazismo e ao fascismo que tanta admiração causava ao governo brasileiro. Foi uma época terrível. Ou nem tanto. Afinal, ele esteva preso com Aparício Torelly, o Barão de Itararé, que garantia que tudo ia muito bem… No Capítulo 5 da Segunda Parte do livro, ainda descrevendo o que passou no Pavilhão dos Primários, há a comprovação de que a convivência com o Barão era bem mais efetiva que qualquer autoajuda de nosso tempo:

O Barão com o jornal que escrevia, “A Manha”

Apporelly sustentava que tudo ia muito bem [no Pavilhão dos Primários]. Fundava-se a demonstração no exame de um fato de que surgiam duas alternativas; excluía-se uma, desdobrava-se a segunda em outras duas; uma se eliminava, a outra se bipartia, e assim por diante, numa cadeia comprida. Ali onde vivíamos, Apporelly afirmava, utilizando seu método, que não havia motivo para receio. Que nos podia acontecer? Seríamos postos em liberdade ou continuaríamos presos. Se nos soltassem, bem: era o que desejávamos. Se ficássemos na prisão, deixar-nos-iam sem processo ou com processo. Se não nos processassem, bem: à falta de provas, cedo ou tarde nos mandariam embora. Se nos processassem, seríamos julgados, absolvidos ou condenados. Se nos absolvessem, bem: nada melhor esperávamos. Se nos condenassem, dar-nos-iam pena leve ou pena grande. Se se contentassem com a pena leve: descansaríamos algum tempo sustentados pelo governo, depois iríamos para a rua. Se nos arrumassem pena dura, seríamos anistiados, ou não seríamos. Se fôssemos anistiados, excelente: era como se não houvesse condenação. Se não nos anistiassem, cumpriríamos a sentença ou morreríamos. Se cumpríssemos a sentença, magnífico: voltaríamos para casa. Se morrêssemos, iríamos para o céu ou para o inferno. Se fôssemos para o céu, ótimo: era a suprema aspiração de cada um. E se fôssemos para o inferno? A cadeia findava aí. Realmente ignorávamos o que nos sucederia se fôssemos para o inferno. Mas ainda assim não convinha alarmar-nos, pois esta desgraça poderia chegar a qualquer pessoa, na Casa de Detenção ou fora dela.

Angústia foi lançado no mês de agosto de 1936, durante a prisão de Graciliano Ramos. Naquele ano, o autor recebeu o Prêmio Lima Barreto, conferido pela Revista Acadêmica numa atitude encarada como desafiadora do regime.

Escrito após Caetés e São Bernardo, Angústia foi o terceiro romance de Graciliano. Nele, radicaliza-se seu estilo seco e contundente, assim como o foco na produção de uma literatura que una a ética ao fazer literário. Trata-se de um romance de tom confessional que acompanha em primeira pessoa a vida de Luís da Silva, funcionário público de 35 anos, tímido e solitário, que vive num bairro distante em uma casa caindo aos pedaços, acompanhado por ratos e desespero. Da mesma forma que em seus dois romances anteriores, Caetés e São Bernardo, também narrados em primeira pessoa, Graciliano apresenta personagens em grande conflito interno, buscando explicações sobre como agir e motivos para os acontecimentos que o atingem.

Graciliano: seco, direto, objetivo, estarrecedor

Além de trabalhar o dia todo, Luís completa o orçamento escrevendo, à noite, textos por encomenda para um jornal. Após curar-se de uma doença, retorna ao trabalho. Num fluxo de consciência escrito de forma seca e direta, Luís tenta entender seu passado com tamanha fúria que somos obrigados a lembrar que, na verdade, o existencialismo não começou apenas com Sartre, Camus e seus grupos após a Segunda Guerra Mundial.

Luís detestava todos e principalmente a si mesmo. Insatisfeito e pobre, frustra-se por sua vida inútil. Entregando-se à análise de sua vida, repassa-a desde a infância. O avô é um bêbado decrépito; o pai é um preguiçoso que vivia lendo e do qual herdara várias características, como o gosto pelas letras. Porém Luís, em crise, não consegue mais escrever, assediado por estes fantasmas e pela onipresente angústia.

Ilustração de Marcelo Grassmann para Angústia

Um dia, conhece a loira Marina. Pede-a em casamento, usando todas as suas economias para um enxoval. Porém, o gordo e eufórico Julião Tavares, com mais dinheiro, ousadia, lábia, posição social e, sobretudo, despreocupação, conquista Marina, que passa a desconhecer Luís. Humilhado, ele passa a desejar a própria morte. Quando vê que Julião abandonou Marina e fica sabendo que ela fez um aborto, cobre-a de ofensas em plena rua. Completa a obra fazendo mais bobagens. Todo o sofrimento e humilhação desaparecem e Luís passa a sentir-se forte, capaz e ativo. Porém, logo volta a angustiá-lo com o temor de ser descoberto. Não vai mais trabalhar, procurando destruir os indícios do que fez. Lava tudo e lava-se. A água tem importante papel no romance; é a purificação que percorre os canos sujos, conhecidos dos ratos. Mas Luís permanece em desvario, aniquilado, sufocado pela angústia, como o Raskonikov de Dostoiévski.

É curioso que um livro dedicado a um profundo estudo da frustração receba tantas homenagens e seja tão festejado. Afinal de contas, falamos de uma obra sem saída, cruel e violenta, cheia de amargura. Por que Angústia é tão importante? Porque é notavelmente bem executado; porque pela primeira vez na literatura nacional há um monólogo interior que parece não dirigir-se a um leitor, mas a si mesmo; porque Luís é muito nordestino, brasileiro e universal; porque comprova brilhantemente a célebre frase de Tolstói: “Se queres ser universal começa por pintar a tua aldeia”. A essência do romance é Luís. Quase não há diálogos e as cenas parecem ser jogadas com certo descontrole pelo narrador, como se transbordassem dele. É um monólogo-pesadelo. “Ninguém dirá que sou vaidoso referindo-me a esses três indivíduos” – disse Graciliano em discurso no jantar de jantar de seus 50 anos, em 1942, referindo-se a seus três primeiros livros — “porque não sou Paulo Honório, não sou Luís da Silva, não sou Fabiano”.

Mas talvez o homem sério e duro que foi Graciliano se envaidecesse da permanência de seu personagem.

Bom dia, Argel Fucks (com os gols de ontem)

Bom dia, Argel Fucks (com os gols de ontem)
Vai um só que não temos ainda preparo físico!
Vai um só que não temos ainda preparo físico!

Como um doente que se recupera de uma operação grave, mas sem os dramas da UTI sartoriana, o Inter vai se reerguendo após a traumática eliminação da Libertadores e o não menos 0 x 5 no Gre-Nal. Tu, Argel, fizeste uma cirurgia interessante. Colocaste os jogadores num esquema conhecido de todos, o 4-4-2; injetou-lhes ânimo — as entrevistas mudaram muito –; cortaste os celulares nos almoços, jantares e cafés; isto é, obrigaste o grupo a interagir. E mandou todo mundo marcar em campo. De quebra, deve ter levado Nilton e Vitinho para um canto a fim de terem uma conversinha íntima. Sim, porque eles estão tão diferentes e pra lá de pra frente quanto a moça do Chico.

Mas é tudo muito inicial. Tu sabes que podem acontecer recaídas, febres e novas internações, mas a coisa sabe bem, parece ter direção e intenção claras. Eu e toda a torcida gostamos de ver, mesmo sendo um jogo contra o fraco Ituano. Acabaram os muxoxos e não acredito que o excelente Juan viesse agora aos microfones reclamar de um pequeno atraso. Se ocorresse, a nova (velha) forma de agir do clube talvez lhe respondesse para ir logo para o Flamengo, onde o mês tem 120 dias. E voltaria a se preocupar com futebol. (E com o Bom Senso FC, uma necessidade de todos).

No mais, o Inter parece ter encontrado um caminho. Haverá turbulências, só que agora está ficando parecido com o clube que conheço.

Quando éramos crianças (Mario Benedetti)

Quando éramos crianças
os velhos tinham como trinta
uma poça era um oceano
a morte simplesmente
não existia.

em seguida, quando meninos
os velhos eram gente de quarenta
um tanque era um oceano
a morte apenas
uma palavra

Já quando nos casamos
os anciãos estavam com
cinquenta
um lago era um oceano
a morte era a morte
dos outros.

agora veteranos
demos espaço para a verdade
o oceano é por fim o oceano
mas a morte começa a ser
a nossa.

Trad. duvidosa deste amigo de ustedes.

Foto do tradutor quando criança
Foto do tradutor quando criança

Eu hoje acordei assim

Eu hoje acordei assim
Bem, a foto é meramente ilustrativa.
Foto meramente ilustrativa.

Nos dias de aniversário, sempre saio da cama quando minha irmã me liga. É uma tradição: ela faz de tudo para me dar o primeiro Feliz Aniversário do dia e faço o mesmo com ela. Hoje, ela me ligou às 7h30. Para seus padrões, foi uma ligação tardia. Disse que estava finalmente frio e gostoso de ficar na cama. (Acho que ela, como eu, deixa o telefone um pouco longe a fim de que ele nos obrigue a levantar para desligar o despertador. Então, fica impossível ligar ou receber ligações na cama). Reclamou que a Elena tinha me dado os parabéns ainda ontem que isso era ilegal. Disse mais, disse que ficava assustada quando tinha que dizer sua idade, pois sua sensação interna é de juventude.

A minha também. Muitas vezes fico olhando aquela cara no espelho e o que vejo não bate com o que sinto. Melhor olhar pouco. Ainda mais agora que a Elena parece ter me dado uma injeção de juventude. Mas, enfim, são 58 anos, e eu sinto como se tivesse muito menos. Ontem ainda resolvi que ia conhecer um novo escritor, o japonês Yasunari Kawabata. Comprei dois livros dele no Mauro e ontem mesmo li as primeiras páginas de As Belas Adormecidas. O livro é de enorme sensibilidade e prestem atenção ao tema — que vai aqui sem talento e sem spoilers. Kawabata narra a história do velho Eguchi, de 67 anos, que descobre uma espécie de prostíbulo onde se paga para observar meninas virgens dormindo. Cada uma dessas meninas faz com que despertem diferentes memórias no velho, memórias de tempos mais felizes e viris. E elas nunca acordam para ele. Eu lia aquilo e pensava em como aquela história estaria longe de mim. Longe uma ova, como diria a Luciana Genro. Mas não cheguei lá. Nem perto, I hope.

Mas eu falava em juventude… Então informo que sigo o mesmo bobo alegre, há algum tempo na versão senhor, apesar da Elena me chamar de menino. Espero continuar trabalhando, lendo, ouvindo e enchendo o saco. E amando, porque assim tudo fica mais colorido. E mando um abraço à oposição. Sei que um Diabo como eu só se justifica se houver deuses.