O Juramento de Hipócrates

O Juramento de Hipócrates

Há muitas versões, mas esta é a utilizada atualmente. É a Formulação de Genebra, adotada pela Associação Médica Mundial, em 1983. Leia abaixo o Juramento, mas principalmente a frase em negrito:
simers

Prometo solenemente consagrar a minha vida ao serviço da Humanidade.

Darei aos meus Mestres o respeito e o reconhecimento que lhes são devidos.

Exercerei a minha arte com consciência e dignidade.

A Saúde do meu Doente será a minha primeira preocupação.

Mesmo após a morte do doente respeitarei os segredos que me tiver confiado.

Manterei por todos os meios ao meu alcance, a honra e as nobres tradições da profissão médica.

Os meus Colegas serão meus irmãos.

Não permitirei que considerações de religião, nacionalidade, raça, partido político, ou posição social se interponham entre o meu dever e o meu Doente.

Guardarei respeito absoluto pela Vida Humana desde o seu início, mesmo sob ameaça e não farei uso dos meus conhecimentos Médicos contra as leis da Humanidade.

Faço estas promessas solenemente, livremente e sob a minha honra.

Recuperação da esquerda brasileira levará anos, diz professor

Recuperação da esquerda brasileira levará anos, diz professor
O professor Idelber Avelar | Foto: Facebook
O professor Idelber Avelar | Foto: Facebook

Da BBC Brasil

A crise política deverá ser seguida por um longo período de domínio da direita, diz Idelber Avelar, professor na Universidade Tulane (EUA), à BBC Brasil.

Nesse cenário, ele afirma que a esquerda e os movimentos sociais podem levar anos para se reagrupar.

Brasileiro, Avelar leciona literatura latino-americana e estudos culturais nos Estados Unidos desde 1999, mas se tornou conhecido entre muitos compatriotas por seus posicionamentos políticos nas mídias sociais.

Crítico do PT, ele não vê razões para se associar aos grupos que defendem a permanência de Dilma Rousseff na Presidência e rejeita a descrição do cenário político brasileiro como uma “briga de duas torcidas ante a qual você tem de se posicionar ao lado de uma delas”.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

BBC Brasil – Com a crise houve alguma mudança na forma como o Brasil é encarado nos EUA?

Idelber Avelar – Cinco anos atrás o Brasil era o modelo de como crescer com instituições democráticas fortes e reduzindo a desigualdade. Neste momento perdemos as três coisas: não estamos crescendo, não estamos reduzindo desigualdade e as instituições democráticas estão em perigo, pelo menos.

Chama atenção a rapidez com que se desmoronou esse modelo. Há um cenário político marcado por tremenda instabilidade, com uma classe política na situação e oposição completamente desmoralizada, e não há perspectiva de transformação desse quadro em longo prazo. Vivemos uma grave crise econômica, institucional, política e ambiental.

BBC Brasil – Por que ambiental?

Avelar – Uma das características essenciais dos governos petistas tem sido o desenvolvimentismo arrasa quarteirão. Ambientalistas, lideranças indígenas e ribeirinhas na Amazônia dizem que o PT foi pior para a região que o PSDB. O PSDB implantou aquele modelo de estado mínimo, deixando que a iniciativa privada resolvesse.

O governo petista apostou num modelo através do qual o Estado gera mecanismos para que as grandes construtoras realizem negócios e (em troca) financiem campanhas eleitorais.

Sou a favor de que se estabeleça algum tipo de requisito dentro do nosso aparato educacional para que pessoas do Sul e Sudeste possam visitar a Amazônia e ver o que aconteceu no Xingu com a construção da usina de Belo Monte, o que aconteceu no rio Madeira, para ver o que é a expansão da soja.

Isso lhes daria uma leitura diferente da realidade e desmontaria uma noção de crescimento que muita gente da esquerda fetichiza.

BBC Brasil – Não é inviável se opor ao crescimento num momento em que o Brasil enfrenta uma grave crise econômica, com crescente desemprego?

Avelar – Não existe possibilidade lógica de crescimento infinito num planeta com recursos finitos. Poderíamos estar numa sociedade em que optássemos por um crescimento zero, há até marxistas falando nisso.

É um debate difícil, porque há uma mentalidade que associa a redução da desigualdade ao crescimento do PIB. Mas não há relação automática entre as duas coisas: pode haver crescimento extremo sem redução de desigualdade e pode haver redução de desigualdade sem ritmo frenético de crescimento.

Claro que para isso teríamos mexer em políticas redistributivas, na dívida pública, no sistema bancário, numa série de vespeiros em que nosso sistema político não está pronto para mexer, mas é uma conversa urgente.

BBC Brasil – A Lava Jato põe em xeque o modelo de relação entre o Estado e empreiteiras?

Avelar – A Lava Jato tem consequências que fogem ao controle inclusive dos procuradores e juízes envolvidos. Não acredito que haja limpeza completa da política brasileira, mas também não acredito que ela vá simplesmente decapitar algumas lideranças do PT, derrubar o governo da Dilma para depois se restabelecer tudo como era antes.

Existe uma nova geração de procuradores imbuída de um espírito que pode ser criticado como meio salvacionista ou messiânico, mas esse grupo claramente não está interessado em pegar lideranças de um só partido político. Alguma coisa se quebrou no pacto oligárquico. Ele vai ser restabelecido, mas em outras bases.

BBC Brasil – Embora milite à esquerda, você não tem apoiado as manifestações em favor da manutenção de Dilma na Presidência. Por quê?

Avelar – A descrição do quadro político brasileiro como uma briga de duas torcidas ante a qual você tem de se posicionar ao lado de uma delas é um quadro não apenas simplista, mas chantagista.

Não cedo à chantagem de que a direita vai tomar poder se não nos alinharmos com a defesa do governo. Em primeiro lugar, porque a direita já está no poder num país em que Kátia Abreu controla o Ministério da Agricultura, em que cargos são regularmente loteados ao PMDB. Há uma coalizão que implementa cotidianamente políticas de direita.

Não bato bumbo pelo impeachment. Acredito que a melhor saída seria a renúncia da Dilma. A situação de descalabro não é só produto da Lava Jato, mas de uma série de fatores, incluindo a inépcia dela em dialogar com a própria base no Congresso.

BBC Brasil – Há uma ofensiva do Judiciário contra o governo do PT?

Avelar – O Judiciário sempre teve a natureza oligárquica e punitivista que está se revelando agora, mas o governismo não se preocupou quando manifestantes contra a Copa ou líderes ambientalistas foram criminalizados, nem com as prisões arbitrárias feitas a rodo nas manifestações de 2013.

O governo não ficou neutro nestas histórias. Ele foi partícipe dessas operações. A draconiana lei antiterrorismo sancionada recentemente foi enviada ao Congresso pelo Executivo, é uma lei da Dilma. Quando alguns desses mecanismos se voltam contra o PT, o governismo grita, mas o PT fortaleceu esses mecanismos ao longo da última década.

BBC Brasil – Diante da fragilização do PT, há margem para a articulação de uma nova frente de esquerda?

Avelar – Sou bastante pessimista. Houve nos últimos 14 anos uma cooptação brutal dos movimentos sociais. O único partido consistentemente à esquerda do PT e com alguma presença no cenário nacional, o PSOL, tem funcionado mais como linha auxiliar do governo do que como alternativa a ele.

Temos algumas faíscas do que poderia ser a esquerda pós-PT, mas acho que vai demorar muito tempo para que ela se reagrupe e faça a crítica necessária da experiência petista. Acho mais provável que a direita clássica volte ao poder e a gente tenha um longo e tenebroso inverno.

Brasil empata no fim e quase vira: 2 x 2 com o Paraguai (veja os melhores lances)

Brasil empata no fim e quase vira: 2 x 2 com o Paraguai (veja os melhores lances)

hulk e Dani alvesO Paraguai controlava o jogo com facilidade, ganhava por 2 x 0 desde o início do segundo tempo. Desenhava-se uma goleada no Defensores del Chaco, de ótimo gramado, como não era antigamente. Ao final da partida, quando parecia que teríamos uma derrota nossa — e eu a desejava –, ocorreu um fato que foi muito mal administrado pelos paraguaios: faltou preparo físico ao time de Ramón Díaz. Tal fato foi acompanhado da postura mais errada e comum para este tipo de situação. O Paraguai recuou e começou a dar chutões pra frente.

Ora, sabe-se que (1) o time que não tem a bola é obrigado a correr muito mais a fim de marcar o adversário — tarefa muito mais penosa — e (2) o time que só chuta pra frente multiplica o número de oportunidades do adversário. Tal postura fez com que o Brasil passasse a amassar o Paraguai. Ficamos inteiramente no campo deles e quase que viramos o placar.

Agora, a Seleção Brasileira passará cinco meses em sexto lugar entre 10 times, fora até da repescagem, transcorrido 1/3 das eliminatórias. A próxima rodada é só no início de setembro, quando teremos dois jogos bem legais para seguirmos mal. Equador em Quito e Colômbia no Brasil, sabe-se lá com quem na Presidência da República.

Ok, eu sou meio sádico. Gosto de ler sobre qualquer gênero de decadência — exceto a física — e adoro quando grandes planos que não me incluem e que são de visibilidade municipal, regional, federal ou mundial dão errado. Nunca disse que sou boa pessoa. Um de meus projetos atuais é o de acompanhar o Brasil caindo fora da Copa da Rússia. Estamos no início das Eliminatórias, mas tenho enorme fé.

https://youtu.be/L2JZG4VMBiw

O crânio de Shakespeare e outras celebridades que tiveram partes de seus corpos roubadas

O crânio de Shakespeare e outras celebridades que tiveram partes de seus corpos roubadas

Ossos, cérebros e até pênis de homens famosos já sumiram.

(Esta gloriosa matéria foi (mal) traduzida por mim do site da National Geographic. Se você não acreditar nela, escreva para a revista).

Os investigadores acreditam que a cabeça de William Shakespeare não está em sua sepultura, na Inglaterra. Se assim for, o crânio de Shakespeare seria uma das muitas partes faltantes do corpo de sepulturas famosas.
Os investigadores acreditam que a cabeça de William Shakespeare não esteja em sua sepultura, na Inglaterra. Se assim for, o crânio de Shakespeare seria uma das muitas partes faltantes do corpo de sepulturas famosas.

Esta semana, arqueólogos revelaram que o crânio de William Shakespeare provavelmente não está em seu túmulo na Igreja da Santíssima Trindade, em Stratford-on-Avon. Os pesquisadores fizeram a descoberta escaneando a tumba do dramaturgo para um documentário.

A notícia, que vem de um mês antes do 400º aniversário da morte de Shakespeare, dá credibilidade a uma lenda que ladrões roubaram o crânio em 1794. Mas não é um caso único, há outros líderes famosos, artistas e escritores que foram roubados após a morte.

O cérebro de Mussolini

Há anos atrás, a neta de Benito Mussolini disse à polícia que alguém estava vendendo partes do cérebro fascista de seu avô no Ebay. O site de leilões imediatamente removeu a oferta e, desde então, os usuários não estão autorizados a vender partes de corpos. Pode ser uma piada, é provável que o vendedor realmente não tenha o cérebro de Mussolini. Mas ele conhece história, já que apenas uma parte do seu cérebro foi devolvida à sua viúva depois que ele foi morto no final da Segunda Guerra Mundial. O resto do corpo está nos EUA. Mussolini morreu a tiros em 28 de abril de 1945, juntamente com sua companheira, Clara Petacci. Os dois ficaram durante vários dias pendurados pelos pés, na Piazza Loreto, em Milão, para que pudessem ser espancados mesmo já mortos, em um processo de catarse coletiva. O rosto do ditador ficou completamente desfigurado. Veja abaixo a cena:

mussolini

O crânio de Mozart

Uma década após a morte de Wolfgang Amadeus Mozart em 1791, um coveiro chamado José Rothmayer supostamente roubou o crânio para, digamos, uso próprio. Ele foi devolvido 100 anos depois pela família de Rothmayer à Fundação do Mozarteum de Salzburg. Testes de DNA em 2006 demonstraram que deve ser uma farsa, pois não bateu com o DNA de parentes de Mozart, cujo restante do corpo foi perdido. Curiosamente, Ludwig van Beethoven e Joseph Haydn tiveram parte ou a totalidade de seus crânios roubados.

Este é Mozart, dizem
Este é Mozart, dizem

O pênis de Napoleão

Durante a autópsia do imperador francês Napoleão Bonaparte, na década de 1820, o médico cortou seu pênis e deu-o a um padre. Ele ressurgiu em 1931 e foi exibido publicamente. Um urologista americano comprou o pênis na década de 1970, e manteve-o em sua família desde então.

Este é o dito cujo napoleônico.
Este é o maltratado dito cujo napoleônico.

Jorro matinal

Jorro matinal

42 bilhões desviados
— 1% do PIB —
de uma só empresa

como se fossem adestrados
os políticos de Brasília
sentam na mesa apenas
desejosos de cheirar
os cus uns dos outros

o que pensa este?
do que necessita aquele?
como acomodar
meu interesse?

não pensam
no sistema de ensino
no genocídio dos indígenas
na juventude negra das periferias
na mulher morta
no aborto
nos LGBT
na reforma

pensam
em quem lhes financia
em consumir direitos
no agronegócio
em criminalizar movimentos
em consumir o pré-sal
em deus, ou melhor,
na igreja

querem adiar
o enfrentamento com o ambiente
querem evitar
a Polícia Federal
querem
que o resto se foda

os paleolíticos brasileiros
querem chupar o pré-sal
são eles os dinossauros
que vão nos aquecer e sufocar
mas bem poderiam receber o óleo
— negro e quente —
em seus rabos

eles estão reunidos
e sorriem balançando suas caudas
preparando
os próximos 42 bilhões

PUM - Partido Utopico Moderado

Manifesto do Croniquinhas

Por Idelber Avelar e Moysés Pinto Neto em 27 de março de 2016

Croniquinhos:

Segue aqui o texto no qual eu, Idelber, e o Moysés Pinto Neto trabalhamos nos últimos dias. Se méritos há, são principalmente dele. Nós decidimos, pelo menos por enquanto, não lançá-lo lá fora, porque estamos um pouco céticos quanto à eficácia e o timing de um “manifesto” agora. Pedimos, portanto, que o texto fique por aqui neste momento, e que sirva para uma conversa nossa. Depois, talvez, se for caso, coletamos assinaturas. Havia um título, que não nos agradou muito, então vai sem título mesmo.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

1. A escalada da crise política tem provocado violência e polarização cada vez mais intensa no Brasil. O que assistimos no segundo turno das eleições de 2014 parece se repetir em escala cada vez maior e mais agressiva, atingindo o país por diversos ângulos. Esse quadro é regressivo e perigoso.

2. Não nos identificamos com a maioria dos manifestantes que estão hoje nas ruas nem com suas pautas. Entendemos que nem todos os manifestantes do dia 13 de março são da direita anti-petista pura e simples, nem muito menos fascistas. Também entendemos que nem todos os manifestantes do dia 18 de março são governistas acríticos. No entanto, as pautas, discursos e afetos que dominam ambas as manifestações não nos representam.

3. Há muito tempo apontamos a cumplicidade do Governo e do PT com as oligarquias brasileiras e as consequências negativas do projeto neodesenvolvimentista para o Brasil. Denunciamos a aliança com setores do agronegócio que ameaçam a destruição da Amazônia, utilizam de modo descontrolado transgênicos e agrotóxicos e promovem uma ofensiva genocida contra os índios. Alertamos para os riscos do pacto com as velhas oligarquias políticas. Fomos chamados de ingênuos em 2013 quando ousamos questionar a defesa cínica da governabilidade contra as multidões que saíram às ruas. Criticamos a Copa do Mundo e o modelo movido pelo fetiche por índices quantitativos de crescimento baseado na construção civil financiada por bancos públicos, alimentando oligopólios que dizimam a convivência no espaço urbano com um projeto de cidade voltado para os ricos. Criticamos o estado policial que cresce a cada dia com o apoio do PT, como visto com a recente aprovação da Lei Antiterrorismo e a intensificação do genocídio da juventude negra. Lembremos que, em debate presidencial, a atual mandatária apresentou como um modelo a operação militar no Complexo da Maré.

4. Não somos omissos nem neutros, mas não aceitamos que se associe o futuro do atual governo ao futuro da esquerda, se é que se continuará chamando de esquerda o que está no por vir. Não somos apenas vermelhos, somos de muitas cores.

5. Não se trata apenas de um “eu avisei”. Trata-se de não aceitar a narrativa de que o programa do PT se confunde com a transformação social que precisamos realizar no Brasil e que é a síntese de todas as lutas atuais. Reconhecemos os avanços sociais promovidos na década de 2000 por políticas sociais acertadas que merecem aprofundamento. Reconhecemos a contribuição do PT para tornar o país mais justo e múltiplo. Não policiamos nem censuramos as pessoas que, no ímpeto de defesa da democracia, cerram fileiras com o governo, mas rejeitamos a adesão incondicional, o culto ao líder e o vale-tudo. Rejeitamos a ameaça apocalíptica que, há tempos, é a válvula de segurança do governo para conquistar a adesão daqueles que discordam do seu programa.

6. Entendemos que a falência patente do sistema político brasileiro é apenas uma das incidências de uma crise mundial do modelo moderno da democracia representativa, e que hoje a política real se faz fora e longe das esferas oficiais (os Três Poderes). A tarefa que se põe diante de nos é a de nos organizarmos em redes horizontais que coordenem os diversos movimentos e experimentos em curso no país e no mundo, que exprimem uma busca de alternativas ao modo de viver que o capitalismo consumista e produtivista nos empurra goela abaixo. Trata-se de pensar como coordenar sem subordinar, sem esperar a formação de um comitê central, um líder messiânico ou uma vanguarda iluminada que guiará verticalmente as massas. O apodrecimento do sistema político é um sintoma de um apodrecimento da ordem do mundo correspondente ao atual modelo civilizatório e modernizador. É preciso reinventar a política no plano das práticas da vida cotidiana, na coordenação de experimentos locais que o mundo oferece hoje.

7. Não consideramos essa pauta descontextualizada do Brasil atual. Na verdade, um terço dos votos na última eleição rejeitaram a polaridade que se estabeleceu. Há uma nova geração que luta desde 2013 sintonizada com as lutas no resto do mundo, como os movimentos pelo transporte público, as ocupações de escolas ou o protesto contra a gentrificação do espaços urbanos. Essa geração está se construindo a partir de novas experiências de organização, mas já representa uma força viva e presente na política brasileira.

8. Nossa solidariedade sempre estará presente quanto se tratar de enfrentar o fascismo e a violência, mas não seremos capturados pela polarização que se instaurou no Brasil a partir da recusa governista ao diálogo com as manifestações de 2013.. Não aceitamos e lutaremos contra toda modalidade de perseguição macartista ou ação violenta, mas rejeitamos a ideia de que nosso futuro depende da permanência do PT no poder em 2018 e do seu culto à liderança de Lula.

9. Precisamos de um novo projeto de Brasil onde caibam muitos Brasis, em que a questão ambiental passe a ser central ao lado da justiça social e do respeito aos direitos humanos, um Brasil que reaja aos desafios que o século XXI apresenta. Nem o governismo nem a oposição parecem dispostos a enfrentar essas questões, sufocando a esfera pública na sua disputa compulsiva e doentia pela manutenção do poder.

‘Impotentes e frustrados’ são os mais agressivos na internet, diz psicóloga

‘Impotentes e frustrados’ são os mais agressivos na internet, diz psicóloga

Da BBC Brasil

 Solon Maia
Autoria de Solon Maia

Impotência, frustração e uma necessidade de se impor sobre outras pessoas. Assim, a psicóloga americana Pamela Rutledge, diretora do Media Psychology Research Center (Centro de Pesquisas sobre Psicologia e Mídia), na Califórnia, avalia a agressividade de muitos “comentaristas” de redes sociais em tempos de polarização política no Brasil.

Referência em um ramo recente da psicologia dedicado a estudar as relações entre a mente e a tecnologia, Rutledge ressalta que as pessoas “são as mesmas”, tanto em ambientes físicos quanto virtuais. Mas faz uma ressalva sobre a impulsividade de quem dedica seu tempo a ofender ou ameaçar pessoas nas caixas de comentários de sites de notícias e páginas de política:

Já estamos acostumados com a ideia de que nosso comportamento obedece a regras sociais, mas ainda não percebemos que o mesmo vale na internet“.

Além da polarização política ou ideológica, a especialista comenta a ascensão de temas como diversidade sexual, racismo e machismo ao debate público, graças às redes sociais.

“Tudo isso já acontecia, mas não tínhamos conhecimento.”

Leia os principais trechos da entrevista.

BBC Brasil – Estamos mostrando o nosso ‘lado negativo’ nas redes sociais?

Pamela Rutledge – As pessoas são as mesmas, online ou offline. Mas a internet tem a ver com respostas rápidas. As pessoas falam sem pensar. É diferente da experiência social offline, em que você se policia por conta da proximidade física do interlocutor. Nós já estamos acostumados com a ideia de que nosso comportamento obedece a regras sociais, mas ainda não percebemos que o mesmo vale na internet.

BBC Brasil – No Brasil, a polarização política tem levado pessoas com visões distintas a se ofenderem e ameaçarem, tanto em comentários em sites de notícias quanto nas redes sociais. A internet estimularia o radicalismo?

Rutledge – As redes sociais encorajam pessoas com posições extremas a se sentirem mais confiantes para expressá-las. Pessoas que se sentem impotentes ou frustradas se comportam desta maneira para se apresentarem como se tivessem mais poder. E as pessoas costumam se sentir mais poderosas tentando diminuir ou ofender alguém.

BBC Brasil – Os comentários na internet são um índice confiável do que as pessoas realmente acreditam?

Rutledge – Depende do tópico. Mas as pessoas que tendem a responder de maneira agressiva não representam o sentimento geral.

BBC Brasil – As pessoas com opiniões menos radicais têm menos disposição para comentar do que as demais?

Rutledge – Sim. Porque os comentários agressivos têm mais a ver com a raiva das pessoas do que com uma argumentação para mudar a mente das outras. Quem parte para a agressividade, não está dando informações para trazer alguém para seu lado, estas pessoas querem apenas agredir.

BBC Brasil – A “trollagem”, gíria de internet para piadas ou comentários maldosos sobre anônimos e famosos, muitas vezes feitos repetidamente, é vista por muita gente como diversão. Há perigos por trás das piadas?

Rutledge – No caso das celebridades que são alvo da ”trollagem”, os fãs vêm defendê-las, então, elas não costumam precisar tomar qualquer iniciativa. No caso dos anônimos, a recomendação é usar ferramentas para solução de conflitos, como encorajar seus amigos e conhecidos a não serem espectadores, mas a tomarem atitudes em defesa do ofendido. Isso não significa discutir com os autores das ofensas, porque isso alimenta os ”trolls” e é isso que eles querem.

BBC Brasil – Os procedimentos de segurança do Facebook e do Twitter são suficientes para proteger os alvos de bullying?

Rutledge – Seria ingênuo esperar que qualquer companhia, mesmo do tamanho do Facebook e do Twitter, seja capaz de monitorar e ajudar neste tipo de situação. E não dá para deixar só para as empresas aquilo que devemos ser responsáveis, nós mesmos. É importante que as pessoas entendam como funcionam as ferramentas e seus mecanismos para privacidade. Se a conclusão for que o Facebook não oferece o suficiente, que as pessoas se posicionem e reclamem: ”Não é suficiente”.

BBC Brasil – Que tipo de doenças são ligadas ao uso da internet ou das redes sociais?

Rutledge – A resposta simples é não, não há doenças causadas pela internet. Há preocupações recorrentes com o vício em internet ou em redes socais. Mas vícios são doenças bastante sérias e a internet não cria personalidades com vícios. As pessoas usam as redes da mesma forma que usam álcool, jogos, chocolate, ou qualquer outra coisa que mascare problemas maiores.

BBC Brasil – Problemas como…?

Rutledge – Falta de autoestima, depressão. É importante chegar à real causa do vício, apenas cortar a internet não muda nada.

BBC Brasil – Temas como diversidade sexual, racismo e machismo, vistos como tabus até recentemente, são hoje bastante populares online. Como vê estes tópicos ganhando atenção?

Rutledge – É sempre positivo que as pessoas debatam e desenvolvam seu conhecimento sobre temas. Mesmo que a conversa termine de forma negativa, isso ainda vale para que se perceba o que está acontecendo a seu redor. Afinal, tudo isso já acontecia, mas não tínhamos conhecimento – e isso significa que estamos nos aproximando da possibilidade de transformá-las.

BBC Brasil – Quais são os conselhos para os pais ajudarem seus filhos a não embarcarem nas ondas de ódio das redes sociais?

Rutledge – A primeira coisa é conversar com as crianças desde muito cedo sobre tecnologia. Muitos evitam porque não entendem bem a tecnologia. Mas a tecnologia é apenas o “lugar” onde as coisas estão acontecendo; o principal ainda são os valores. Então, se algo está acontecendo em qualquer plataforma que os pais não conheçam bem, a sugestão é que chamem as crianças e peçam que elas deem seu ponto de vista. Aí sim eles poderão entender como as crianças estão lidando com a questão e, a partir daí, decidir quais devem ser as preocupações. A responsabilidade pode ser compartilhada. É importante ensinar os filhos a pensarem criticamente.

BBC Brasil – Muitos acham que ler históricos de conversas dos filhos ou usar apps para controlá-los é a melhor forma de ajudar as crianças. O controle é uma boa saída?

Rutledge – Os pais precisam entender que devem escutar seus filhos. Claro que cada situação tem suas características, mas geralmente controlar significa que você não conversou com eles e não lhes deu oportunidades para tomar decisões.

O problema é que, em algum momento, eles vão precisar tomar decisões por si mesmos e você não vai estar ali, nem o seu “app de controle”. Então, é muito melhor dialogar, e isso costuma ser muito difícil para os pais, que tendem dizer o que os filhos devem fazer, sem conversa.

Menahem Pressler, o pianista do Beaux Arts Trio, dá uma genuína masterclass

Menahem Pressler, o pianista do Beaux Arts Trio, dá uma genuína masterclass

Menahem PresslerEu penso que esta masterclass comandada pelo pianista Menahem Pressler, que tocou por 55 anos no mais bem sucedido trio de piano de todos os tempos do mundo, deve ser vista por todos os que se interessam por arte. Ele comprova na prática como tudo são detalhes. Uma pequena mudança no ângulo de abordagem e as partituras se iluminam. O senso de estilo, tão ausente em nossas pobres plagas e tão necessário em todo gênero artístico, aqui ganha o centro do palco.

Primeiramente, cada grupo toda sua versão de um movimento de um trio de Mendelssohn — o último toca Mozart — e depois Pressler vai ajeitando as coisas. A transformação é notável. Acho que este filme é uma oportunidade única de vemos um gênio trabalhando e o resultado de seus intervenções. Sim, são duas horas, mas façam como eu, assistam em três sessões! É uma esplêndida aula, meus amigos! O baixinho não apenas é um intérprete notável como um professor apaixonado.

Uma sabedoria dessas é indispensável.

(Particularmente, adorei quando ele tocou Mozart como uma caixinha de música e disse “This is not music”. E recomeçou a trabalhar.)

Porque hoje é sábado, a Playboy portuguesa

Quando adquiri cidadania portuguesa, jamais imaginei que meu novo país …

… fosse… Bem, homenageando o grande José Saramago, a Playboy portuguesa…

… produziu um ensaio de gosto duvidoso ou adolescente, …

… atacando de forma aberta o combalido ícone católico.

Divertidíssimo, só que não.

Dizem que a Playboy portuguesa deve fechar por ordem da matriz americana.

Por favor, Hugh, faça isso. A coisa é feia pacas.

Olha só:

Porque hoje é sábado, Sônia Braga

Porque hoje é sábado, Sônia Braga

Poucas brasileiras têm boas fotos na Internet.

Talvez por ter feito carreira internacional, isto não vale para Sônia Braga.

Quando jovem, Sônia conseguiu e proeza de aparecer nua a toda hora…

… e de não ter cedido à vulgaridade.

Quando jovem, muito amamos Sônia Braga.

Amamos tanto que lembro de muitas odes alcoolizadas criadas por amigos.

Um deles me afirmou que descascara milhares e milhares na juventude. Sempre por Sônia.

Grande ineditismo… Ele sonhava com ela na lotação e recebia seus beijos de mulher aranha.

Ela namorou Clint Eastwood, Robert Redford, Warren Beatty, Mick Jagger, Pat Metheny… Isto ao norte, …

Isto ao norte, …

(Ma in Spagna son già mille e tre!)

porque no Brasil foram Caetano, Chico, Djavan, Pelé…

Sonia BragaCitando uma entrevista de Sônia, meu amigo me disse que ela tinha conquistado todos os homens que quisera…

tumblr_lbwr2jUHmS1qe2f0mo1_500Mas que não viera a Porto Alegre para conhecê-lo.

Brazilian actress Sonia BragaBobão.

Johan Cruyff: o mais revolucionário dos jogadores

Johan Cruyff: o mais revolucionário dos jogadores

Por Bruno H.B. Rebouças, no Substantivo Plural

Torcedor coloca flores na estátua de Cruyff em Amsterdam
Torcedor coloca flores na estátua de Cruyff em Amsterdam

Quando Pep Guardiola chamou Xavi Hernández para uma conversa em particular, com o intuito de lhe contar o novo esquema que o FC Barcelona utilizaria a partir daquela temporada, o meia pensou que o treinador estava ficando louco.

A ideia era muito simples: “recuperar a bola em seis segundos”.

Xavi saiu atônito da conversa pensando que isso era impossível.

Era um ano de mudanças no Barça, Temporada 2008-2009.

Xavi havia liderado há pouco tempo a seleção espanhola de Luis Aragonês no título da Eurocopa, depois de 44 anos de jejum.

Guardiola não estava brincando e começou uma revolução que fora iniciada em 1974, quando Johan Cruyff comandou o Carrossel holandês na Copa de 1974.

O técnico Rinus Michels criou o sistema conhecido como ‘Laranja mecânica’.

johan-cruyff-holland-v-argentinaSegundo a lenda, Pedro Rocha, ídolo uruguaio e ícone do São Paulo FC nos 1970, disse querer chamar sua mãe duas vezes quando esteve em campo: a primeira com 17 anos, na sua estreia no clássico Peñarol e Nacional, com o estádio Centenário repleto.

A segunda, aos 32 anos, quando enfrentou a Holanda na Copa de 1974.

“Quando peguei a bola pela primeira vez, quatro jogadores vieram para cima de mim e me tiraram a bola. Não entendi nada, mas na segunda vez, a cena se repetiu, e foi assim o jogo todo. Ali, eu quis a minha mãe”, disse o craque da Celeste Olímpica.

A “laranja mecânica” ficou conhecida assim pela maneira que fulminava seus adversários/vítimas, tal qual no filme de mesmo nome de Stanley Kubrick.

Eram duas faces de um mesmo time.

Com a bola era um Carrossel em um sistema de jogo equilibrado, conciso, paciente, em que todos jogam, giram, defendem, atacam, em posicionamentos giratórios.

Atacante na defesa, defensor na área.

Foi assim no primeiro gol da Holanda contra a Alemanha, na final de 1974. Vinte dois jogadores no campo de atacante. A Holanda sai jogando e depois de vários toques Cruyff recebe no meio-campo, sozinho.

Germany 74 Home Back Franz Beckenbauer, HollandÀs suas costas apenas o goleiro Jongbloed.

Cruyff avança, dribla seu marcador, leva mais dois, até ser derrubado na área alemã.

Silêncio em Berlim.

Neeskens cobra e faz Holanda 1 a 0.

Finalmente a Alemanha pega na bola.

No sistema do Carrossel há altos e baixos. O jogador que sobe também desce. Como num parque de diversões – alguns dos cavalos ficam estáticos em sua posição como jogadores de pebolim.

O carrossel laranja é mais moderno. Ele se mexe. O sistema podia vencer o talento individual, um grande time. Sem a bola era fulminante, todos atrás do esférico, parecendo moleques no tempo da escola.

O Brasil encantou o mundo com a melhor seleção de todos os tempos em 1970.

A Holanda quebrou a roda giratória do talento individual misturado em uma mesma equipe.

Um ditado holandês diz: “Deus fez o mundo. E o holandês fez a Holanda”.

Seguindo o mesmo exemplo: o brasileiro criou o futebol arte.

O holandês o revolucionou com seu futebol total.

Quando camisas laranjas reluziam em campo com três listras horizontais nos ombros dos atletas, a de Cruyff estampava duas.

cruyff6Johan se negou a usar a camisa da patrocinadora da seleção, a Adidas, com suas tradicionais três listras. A Federação holandesa acabou cedendo por pressão popular e midiática, e por não poder perder sua maior estrela.

Naquela Copa a Holanda triturou o Uruguai, fulminou a Argentina e amassou o Brasil, em Dortmund, apesar das chances que o time de Zagalo teve para abrir o placar.

Perdeu a final de virada, mas é mais lembrada e festejada que a campeã Alemanha.

Na semifinal, Jairzinho pega na bola na altura do meio-campo. Gira para direita, esquerda, recua, tenta se safar do marcador holandês. Chega mais um, dois, três. O furacão da Copa de 1970 tenta um passe no meio, procura respirar, mas chegam dois holandeses e antes do Brasil tocar novamente na bola a Holanda a recupera.

Algo em torno de seis segundos, como pediu Guardiola a Xavi 34 anos depois.

Cruyff foi o grande nome daquele sistema.

cruyff finalTricampeão continental com o Ajax, depois da Copa do Mundo chegou à Barcelona. Tempos difíceis aqueles. Quatorze anos sem vencer a Liga, final do regime franquista. O FC Barcelona já era “Més que un club’, por sua resistência ao regime e todas as suas arbitrariedades dentro e fora do mundo do futebol.

Quando o revolucionário Cruyff pisou em Barcelona já era um ídolo da Catalunha, pois se negara a jogar no Real Madrid e forçou a direção do Ajax a aceitar a proposta do Barça: 60 milhões de pesetas, na maior transação do futebol mundial até meados dos anos 1990.

O Barcelona voltou a ser campeão espanhol depois de 14 anos, com direito a histórica vitória por 5 a 0 contra o Real Madrid dentro do Santiago Bernabéu.

Se um Barça-Madrid fosse somente um jogo de futebol, aquele resultado já seria épico. Como não é, aquela goleada dentro do coração de Madri foi o grito preso na garganta contra a opressão e proibição que catalães e barcelonistas (culés) sofreram durante o regime franquista – como não poder celebrar títulos em público.

A semente da revolução foi plantada na Catalunha na sua passagem como jogador do FC Barcelona.

cruyff barcelonaEm 1988, 20 anos antes de Pep Guardiola assumir o comando do Barça e quebrar recordes de títulos conquistados em quatro anos de Santos e Ajax, Cruyff transformou o Barcelona naquilo que seria hoje em dia o ‘dream team’ campeão europeu de 1992, com Koeman, Guardiola, Laudrup, Stoichkov e outros.

A história do FC Barcelona tem um antes e depois de Cruyff, como a do futebol passa por antes e depois de Pelé.

Futebol é religião. E se todas as religiões têm messias, profetas e apóstolos, Cruyff se posiciona em uma Santíssima Trindade subjetiva, na qual cada um de nós têm ao menos um na mesa de 12 apóstolos, junto com o Criador.

O futebol total que o ‘Pep team’ jogou e encantou o mundo com posse de bola inimagináveis de 70% contra equipes tops do mundo é a evolução do ‘Carrossel Laranja-Laranja Mecânica’, do ‘Dream team’ do Barcelona de Cruyff.

cruyff tecJohan Cruyff nos deu adeus hoje pela manhã, o mais revolucionário dos jogadores de futebol que existiu.

Conhecedor das regras do jogo, em dezembro de 1982 rolou a bola para frente em um pênalti na vitória do Ajax por 5 a 0 contra o Helmond Sport, na qual adversários ficaram sem entender o que acontecia.

Foi o primeiro e, talvez um dos poucos, que se rebelou contra um patrocinador por não achar justo reluzir a marcar de uma empresa capitalista e não receber nada por isso.

Foi expulso contra o La Coruña em 1974, em Riazor, e por considerar injusta a expulsão se negou a sair de campo. Só saiu quando a polícia entrou em campo para retirá-lo – momento registrado em fotografia no Museu do Barcelona.

Telê Santana
Telê Santana

Em 1992, quando perdeu a final do mundial de clubes para o São Paulo de Telê Santana, de virada, proferiu uma das mais lindas frases sobre futebol, que envaidece muito a todos os são-paulinos como eu, ao demonstrar um exemplar espírito esportivo ao dizer:

“Se é para ser atropelado, que seja por uma Ferrari”.

Hoje o mundo do futebol amanheceu de luto e de luto ficará por oficiais três dias.

Perdemos não somente um grande e brilhante jogador, mas um filósofo, idealista e revolucionário jogador e técnico que preparou 20 anos antes como um time de futebol iria jogar e conquistar o mundo com o melhor futebol de todos os tempos.

A France Footbal resumiu a história do FC Barcelona com uma foto. Nela se vê a camisa 14 de Cruyff, a 4 de Guardiola e a 10 de Messi. Na legenda se lê, respectivamente: o Pai, o Filho, e o Espírito Santo.

O futebol ficou de luto, mas em especial todos nós, culés, ficamos órfãos.

Descanse em paz Johan.

E obrigado!

Johan-Cruyff-comandou-a-Catalunha-em-apenas-quatro-partidas

Cruyff colocou o futebol holandês no mapa

Cruyff colocou o futebol holandês no mapa

Por Felipe dos Santos Souza, no blog de Juca Kfouri

Antes de Pelé? Ah, antes de Pelé houvera Friedenreich, Leônidas, Zizinho, Ademir de Menezes. Antes de Maradona? Ah, antes de Maradona houvera Loustau, Pedernera, Di Stéfano. Antes de Beckenbauer? Ah, antes de Beckenbauer houvera Fritz Walter, Helmut Rahn. Antes de Zidane? Ah, antes de Zidane houvera Michel Platini, Raymond Kopa, Just Fontaine. Antes de Roberto Baggio? Ah, antes de Baggio houvera Silvio Piola, Giuseppe Meazza, Giampiero Boniperti, Gigi Riva…

Cruyff para sempre apontou os caminhos do futebol holandês | Sportfotodienst gmbH / VI Images
Cruyff para sempre apontou os caminhos do futebol holandês | Sportfotodienst gmbH / VI Images

Claro, houve gente da Holanda que tratou bem a bola antes dele. Mas nenhum (ressalte-se: NENHUM) com a capacidade de pensar sobre o jogo, colocar em prática um estilo de jogar futebol que marcasse tanto um país, que criasse raízes tão fundas, até hoje seguidas de um modo ou de outro pelos times e pelas seleções holandesas depois dele. Por isso, é justo dizer: não havia futebol holandês, não havia seleção holandesa antes de Hendrik Johannes Cruyff, falecido nesta quinta aos 68 anos, vestir a camiseta laranja.

Nascido em Amsterdã (cresceu na Akkerstraat, no bairro de Betondorp), Cruyff foi maturando sua habilidade nas peladas pelas ruas de Amsterdã – isso, quando não tinha de trabalhar na quitanda mantida pela mãe, Petronella “Nel” Bernarda Draaijen, e pelo pai, Hermanus “Manus” Cornelis Cruyff. Porém, em 1959, seu pai “Manus” morreu, vitimado por um ataque cardíaco, no que foi um dos maiores traumas de sua vida. A perda também levou-o para um caminho decisivo em sua carreira: já trabalhando voluntariamente no Ajax, não só “Nel” passou a ser remunerada pelo clube, mas também foi trabalhar como empregada doméstica na casa do inglês Vic Buckingham, técnico do Ajax. Enquanto isso, “Jopie” (apelido de infância de Cruyff) já estava na escolinha do Ajax desde 1957. E não demorou a ascender para marcar época. Veloz e técnico ao mesmo tempo. Parecia correr o que não pudera na infância, por um problema de saúde. Ao mesmo tempo, parecia ter o campo todo em sua cabeça.

Tanto é que marcou gol logo em sua estreia pelos profissionais do Ajax, ainda com Vic Buckingham como o treinador – o único do time na derrota por 3 a 1 para o GVAV, em 15 de novembro de 1964, pela 11ª rodada do Campeonato Holandês 1964/65. E justamente em 1965, chegou aquele que seria seu mestre, o sujeito que exigiria demais dele – mas também o trataria como seu pupilo, numa relação de amor e ódio: Rinus Michels. Que faria de Cruyff o ponto principal, o “primus inter pares”, o craque entre craques, o personagem a ajudá-lo em campo no caminho que levou o Ajax a se transformar num clube lendário no futebol europeu e mundial. O pupilo reconheceu isso quando Michels faleceu, em março de 2005: “Ele me deu muitas broncas, mas me fez ser o que sou”.

Também ficou marcada desde cedo a irascibilidade do gênio. Basta mencionar sua primeira partida pela seleção holandesa, em 7 de setembro de 1966, contra a Hungria, num amistoso. Ele já marcou o primeiro de seus 33 gols pela Oranje. Mas também foi o primeiro jogador da história da equipe nacional holandesa a ser expulso de campo. Afetou tanto sua imagem que recebeu uma suspensão de um ano. Seu temperamento pode ser resumido numa frase dita orgulhosamente: “Nunca aceitei uma ordem”.

Tão logo voltou, viu-se que não se poderia prescindir daquele jogador único. E único não só dentro de campo. Sua parceria com o sogro Cor Coster (sogro a partir de 1968, após o casamento com Danny) o transformou no primeiro jogador holandês a capitalizar em cima da própria imagem naquele futebol de riqueza crescente. Cada patrocínio, cada camisa que vestia, cada produto que propagandeava: tudo rendia a Johan milhares de florins, a moeda holandesa antes do euro. Vale dizer: Cruyff não era só um símbolo do futebol holandês, era um símbolo da mudança da sociedade holandesa nos anos 1960-70. Basta lembrar da camisa de duas listras que a Adidas fez para ele na Copa de 1974, já que ele se negava a usar a camisa com as três listras que marcam a multinacional de material esportivo – rival da… Puma, que patrocinava… Cruyff.

E tudo isso – seu brilhantismo dentro de campo, seu temperamento fortíssimo, sua capacidade para promover sua imagem – foi visto no início dos anos 1970. No Ajax, como já dito, ele foi o personagem principal daquela equipe que colocou os Ajacieden no mapa, com o tricampeonato da Copa dos Campeões, mais Mundial Interclubes de 1972 (nos outros anos, o Ajax declinou da participação), três títulos holandeses (1969/70, 1971/72 e 1972/73) e três Copas da Holanda (1969/70, 1970/71 e 1971/72). Pessoalmente, foi o goleador da Eredivisie em 1966/67 e em 1971/72. Sem contar seus três prêmios como melhor jogador da Europa, em 1971, 1973 e 1974.

Nesse tempo de Ajax, duas histórias merecem menção. Em 30 de agosto de 1970, Cruyff voltava de uma lesão na virilha, num clássico contra o PSV, pela rodada do Campeonato Holandês. Na reserva, vestia a camisa 14, enquanto a 9 (seu número habitual até então) ficou com Gerrie Mühren. O Ajax venceu por 1 a 0. Na semana seguinte, por “ter achado legal”, Cruyff usou novamente a 14. E estva definido o número que usou por toda a carreira, e que até lhe rendeu um de seus apelidos. A outra história: em 1973, o técnico Stefan Kovacs decidiu fazer uma votação para ver quem seria o capitão do Ajax. Cruyff era o titular da braçadeira, mas o atacante Piet Keizer a exigia. Por 13 votos a 3, o elenco decidiu que Keizer seria o novo capitão. Bastou: julgando que o elenco cometera uma quebra de confiança, o “Nummer 14″ saiu da sala de votação direto para seu quarto no hotel, ligando para o sogro e empresário Cor Coster. Suas palavras: “Ligue imediatamente para o Barcelona. Estou saindo”. E assim Cruyff tomou o caminho de Les Corts, onde também fez história definitiva.

Na Oranje, participou das eliminatórias para as Copas de 1970 e 1974. Mas, acima de tudo, teve fundamental papel na decisão de trazer Rinus Michels para o comando da seleção, no início de 1974. E, óbvio, foi o principal interlocutor e principal peça da equipe que assombrou o mundo na Copa daquele ano. De fato, Cruyff merecia cada um dos apelidos que ganhou a partir dali: “Nummer 14” (Número 14), “Pitágoras de chuteiras”, “O salvador” (dado pela torcida do Barcelona, após o título espanhol de 1973/74, encerrando 14 anos de jejum). Enfim, o personagem principal do Totaalvoetbal.

Depois da Copa de 1974, é justo dizer que Cruyff estaria para sempre na história do futebol mundial. Tanto é que seu nome só ganhou o “y” então, para facilitar a leitura do resto do mundo, distanciando-o da grafia holandesa “Cruijff”. Porém, a partir dali seu nome perdeu um pouco de força. Na seleção, uma participação turbulenta na Euro 1976, e a recusa em participar da Copa de 1978. Até hoje, vários motivos são ventilados: a ameaça de sequestro da família, recusa em viajar à Argentina então sob ditadura militar, eventual ordem da mulher após suposta noite passada com prostitutas às vésperas da final de 1974… enfim, o fato é que Cruyff parou com a Laranja após 48 jogos e 33 gols.

Pior: também sua produtividade pelos clubes caiu. A ponto dele declarar o fim da carreira já em 1978, um dos seus mais melancólicos anos. Na partida de “despedida”, o Ajax encarou o Bayern Munique… e perdeu por 8 a 0, a mais dura derrota da carreira de Cruyff. Mais: carreira encerrada, ele tentou viver dos negócios em Barcelona com o amigo Michel Basilevitch, na criação de porcos e na exportação de vinho, cimento e imóveis. Fracasso, prejuízo e fuga de Basilevitch, deixando Cruyff com seis milhões de florins em débitos variados.

Restou tirar as chuteiras do armário e aceitar ofertas variadas para pagar as dívidas. Na lucrativa NASL, a liga norte-americana da época, passagens pelo Los Angeles Aztecs e pelo Washington Diplomats; um jogo único pelo Milan; um semestre rapidíssimo no Levante-ESP… mas sua carreira só voltou aos eixos após o retorno ao Ajax, em 1981. Inicialmente, nem era para jogar, mas para auxiliar o treinador Leo Beenhakker. Qual nada: Cruyff voltou aos gramados e foi personagem fundamental nos títulos holandeses de 1981/82 e 1982/83. Daí, o Ajax acreditou que ele estava “velho”, e não renovou seu contrato. Bastou para a vingança maligna: Cruyff aceitou a proposta do arquirrival Feyenoord, onde conquistou a Eredivisie e a Copa da Holanda na temporada 1983/84.

Carreira encerrada no campo, Cruyff começou no banco de reservas. Treinando o Ajax entre 1985 e 1988, não só levou os Amsterdammers ao título da Recopa europeia, em 1987/88, mas também revelou vários jogadores: os De Boer, Dennis Bergkamp, Sonny Silooy… sem contar gente com quem havia jogado e que ganhou espaço com ele no banco, como Marco van Basten e Frank Rijkaard. Como não poderia deixar de ser, um desentendimento com a diretoria do Ajax o tirou do clube, em 1988, levando-o ao Barcelona – sua outra casa, o outro clube em que fez história.

Também por sua personalidade irascível é que a federação holandesa nunca o chamou seriamente para treinar a Oranje, coisa que muito se esperou até hoje. E por ela, também, sua relação com o Ajax sempre foi turbulenta – basta citar o projeto natimorto de trabalho com Van Basten quando este assumiu o clube, em 2008, ou a “Revolução de veludo” rachada nesta temporada.

Ainda assim, se a importância de Cruyff no Barcelona é gigante, no futebol holandês ela é ainda maior, definitiva. Basta saber que até livros foram editados com suas frases. “Toda desvantagem tem sua vantagem”; “Os italianos não podem lhe vencer, mas você pode perder para eles”; “Antes de cometer um erro, eu não cometo um erro”… viraram marcas das “Cruijfiaans”, suas tiradas misteriosas e até curiosas.

Mas hoje, neste dia em que a Holanda para, pela perda de um de seus símbolos mundiais (Cruyff foi eleito o sexto holandês mais importante da história do país, numa pesquisa de 2004 – à frente de Anne Frank, Rembrandt e Vincent van Gogh), basta lembrar duas frases para dimensionar sua importância. A primeira: “Jogar futebol é muito simples, mas jogar o futebol de modo simples é a coisa mais difícil que há”. E a segunda: “Em qualquer sentido, eu provavelmente sou imortal”. De fato: em cada Cruyff Court (quadras destinadas a crianças carentes para a prática do futebol), em cada aluno da Cruyff University (faculdade destinada à formação de dirigentes esportivos), em cada mudança tática vista atualmente, em cada elogio de gente como Josep Guardiola, não há como não reconhecer: Verdade, Johan, verdade. De fato, você é imortal.

*Felipe dos Santos Souza é historiador formado na PUC e especialista em futebol holandês.

Morreu um dos grandes: 25 frases de Johan Cruyff que vão mudar sua visão do futebol

Morreu um dos grandes: 25 frases de Johan Cruyff que vão mudar sua visão do futebol

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O site oficial de Cruyff acaba de informar:

Em 24 de março de 2016, Johan Cruyff (68) morreu pacificamente em Barcelona, cercado de sua família após uma dura batalha contra um câncer. É com grande tristeza que pedimos que você respeite a privacidade da família durante este tempo de pesar.

Considerando-se apenas dos anos 60 para cá, Johan Cruyff (1947-2016) foi um dos três maiores craques que vi jogar. Os outros foram Pelé e Maradona. Ele tinha um câncer de pulmão. A doença tinha sido diagnosticada em outubro de 2015.

Seu futebol unia habilidade, velocidade, passes miraculosos que só ele via e algo que até hoje parece ser exclusivo: um invulgar conhecimento tático. Junto com Rinus Michels, comandou a seleção holandesa na Copa de 1974, sendo um dos protagonistas do time que ficou conhecido como a “Laranja Mecânica”, que tinha uma estrutura tática inovadora que só funcionaria à perfeição com ele no time.

Era uma seleção com fortíssimo senso coletivo onde os jogadores não guardavam posições fixas. O que importava era que todas as funções fossem cumpridas. Aquilo desnorteava os adversários. Antes da seleção da Holanda, Cruyff já fazia o mesmo no Ajax, clube pelo qual conquistou tudo dentro da Europa. Jogou pelo Ajax, Barcelona e pala seleção holandesa. Foi ele quem tornou o Barcelona do tamanho e maior que o Real Madrid, criando o estilo catalão de jogar. A instituição soube manter seu espírito de revolucionário do futebol. Depois, como técnico, foi tetracampeão espanhol entre os anos de 1990 e 1994, além de ter vencido a Champions.

Pela seleção holandesa, a qual defendeu entre 1966 e 1977, Cruyff somou 48 partidas e 33 gols marcados.Ganhou a Bola de Ouro em 1971, 1973 e 1974. Talvez seja ele o centro de uma das maiores injustiças que o futebol insiste em cometer. Afinal, o jogador que eternizou a camisa 14 nunca venceu uma Copa do Mundo. Mas ficou perto, muito perto em sua única tentativa em 1974.

Azar da Copa do Mundo, como disse a ESPN.

Genial dentro de campo, Johan Cruyff tinha uma visão única sobre o futebol e uma maneira igualmente distinta de falar sobre ele.

Foi a visão de Cruyff no campo que fez dele um dos maiores jogadores de todos os tempos, enxergando passes que ninguém mais podia enxergar. Tinha também uma enorme consciência para acelerar ou deixar mais lenta uma partida com a finalidade de controlá-la. Por isso, quando Cruyff falava, as pessoas ouviam.

Cruyff em 1974
Cruyff em 1974

As 25 frases abaixo, citadas por Cruyff como jogador, treinador e comentarista, mostram a maneira que Cruyff via o futebol.

1. Técnica não é poder fazer 100 embaixadas. Qualquer um pode fazer isso se praticar. Dá até para trabalhar no circo. Técnica é passar a bola com um toque, na velocidade correta, no pé certo do seu companheiro.

2. Alguém que faz graça com a bola no ar durante um jogo, dando tempo para os quatro defensores adversários voltarem, é o jogador que as pessoas pensam ser ótimo. Não é.

3. Escolha o melhor jogador para cada posição e você não terá a melhor equipe, apenas 11 bons de cada uma.

4. No meu time, o goleiro é o primeiro atacante e o atacante, o primeiro defensor.

5. Por que não se pode vencer um clube rico? Nunca vi um saco de dinheiro marcar gol.

6. Eu sempre jogava a bola para frente porque se eu a recebesse de volta, era o único jogador desmarcado.

7. Sou um ex-jogador, ex-dirigente, ex-treinador, ex-presidente honorário. Uma lista bacana que, mais uma vez, mostra que tudo chega a um fim.

8. Jogadores que não são verdadeiros líderes mas tentam ser, sempre brigam com os outros depois de um erro. Líderes de verdade dentro de campo já sabem que erros inevitáveis.

Johan Cruyff, Barcelona
Johan Cruyff, Barcelona

9. O que é velocidade? A mídia esportiva sempre confunde velocidade com visão. Veja, se eu começar a correr antes que os outros vou sempre parecer mais rápido.

10. Tem apenas um momento para chegar numa jogada. Não adianta chegar atrasado nem adiantado.

11. Antes de cometer um erro, já pense em como reagir se ele realmente acontecer.

12. Em uma partida de futebol, se não descontarmos os momentos em que o jogo para, cada jogador terá a posse de bola por 3 minutos, em média. Então, o mais importante é o que fazer nos 87 minutos em que você não tem a bola. Isso é fundamental para um bom jogador.

13. Depois de ganhar alguma coisa, você não estará mais 100%, mas 90%. É como uma garrafa de água com gás quando fica sem tampa. Pouco tempo depois fica com menos gás dentro.

14. Há apenas uma bola em jogo, então você precisa ficar com ela.

15. Não sou religioso. Na Espanha todos os 22 jogadores faziam o sinal da cruz antes de entrar em campo. Se isso funcionasse, todas as partidas terminariam empatadas.

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16. Precisamos fazer com que o pior jogador deles tenha a posse da bola. Então, receberemos logo ela de volta.

17. Se você tem a posse da bola, precisa fazer com que o campo seja o maior possível, mas se você não tem, precisa fazer com que fiquei o menor possível.

18. Todo jogador profissional de golfe tem um treinador para suas tacadas, outro para suas colocadas, para seus tiros. No futebol temos um treinador. Isso é absurdo.

19. Sobreviver à primeira fase nunca é o meu objetivo. O ideal seria estar com Brasil, Argentina e Alemanha no mesmo grupo. Assim eu teria eliminado dois rivais na primeira fase. É como eu penso.

20. Os jogadores hoje só sabem chutar com o peito do pé. Modéstia à parte, eu podia chutar com o peito, de chapa e a parte de fora de ambos os pés.

21. Qualidade sem resultado é inútil. Resultado sem qualidade é entediante.

22. Existem poucos jogadores que sabem o que fazer quando não estão marcados. Então as vezes você fala para o seu jogador: aquele atacante é muito bom, mas não marque ele.

23. Acho ridículo quando um talento é rejeitando baseado em estatísticas de computador. Baseado nos critérios do Ajax de hoje eu teria sido rejeitado. Quando tinha 15 anos não conseguia chutar uma bola mais de 15 metros com minha perna esquerda e talvez 20 com a direita. Minhas visão de não podem ser detectadas por um computador.

24. Jogar futebol é muito simples, mas jogar um futebol simples é a parte mais difícil do jogo.

25. Se eu quisesse que você entendesse tudo isso, eu teria explicado melhor.

E aqui, dois filmes com lances de Cruyff. O problema é que eles focam apenas na habilidade do jogador, não dando a noção de suas outras contribuições para seus times.


Características do conservadorismo que vem chegando: cotista agredido e professora ameaçada

Características do conservadorismo que vem chegando: cotista agredido e professora ameaçada

NerleiNão gosto da utilização moderna do termo fascismo, mas, às vezes… Afinal, nos últimos dias, pessoas foram atacadas por andarem de vermelho, por estarem num bar e serem supostamente petistas, por usar barba, e por serem indígenas e cotistas. Porém, gostaria de escolher outro termo porque uma característica essencial do fascismo é a repressão a manifestações populares que divirjam ou questionem o Estado. No fascismo a política é militarizada. Ele também é ufanista, há o culto da ordem, da grandeza do país e da força do líder. Protestar contra o governo nas ruas, mesmo quebrando tudo, não é fascismo. Já a polícia brasileira, matando como mata, está mais próxima da definição original.

O conservadorismo que cavalga em nossa direção não tem um líder claro, apenas mostra uma face de estúpida e intolerante. No último sábado, houve uma agressão muito violenta a um cotista indígena. Trata-se do estudante de veterinária Nerlei Fidelis, indígena Caingangue e cotista da UFRGS. Ele foi agredido por um grupo de rapazes que, segundo testemunhas, seriam estudantes de engenharia daquela universidade e mais um estudante da PUCRS. A agressão ocorreu na frente da Casa do Estudante da UFRGS, no centro de Porto Alegre. Segundo Nerlei, tudo aconteceu quando o grupo de rapazes começou a provocá-lo dizendo “o que estes índios estão fazendo aí?”, o que gerou uma discussão e em seguida as agressões. Imagens da câmera de segurança da moradia mostram Nerlei, acompanhado de seu sobrinho, Catãi, sendo brutalmente espancado a socos e chutes, mesmo caído.

Se você quiser ver o absurdo, basta clicar no link abaixo. O vídeo não está no Youtube, apenas no Facebook, infelizmente.

Em outra linha de tiro, uma professora de História que não quis se identificar viu-se obrigada a demitir-se de um colégio por ensinar “Comunismo” em seu perfil pessoal do Facebook. O que ela escreveu? Apenas isto que segue:

Hoje vi crianças numa escola, vestindo preto e pedindo golpe. Desprezando a democracia e exalando ódio. Parece que não conseguimos escapar do que Marx profetizou quando disse que a História se repete, primeiro como tragédia, depois como farsa…

Pode-se discordar dela, mas é uma manifestação privada. A reação de alguns pais, responsáveis e alunos foi imediata e violenta, também via redes sociais. Assustada, a professora deletou seu perfil do Face e sumiu das redes. Para minha surpresa, o colégio saiu em defesa dela e afirmou que não aceitou o pedido de demissão. “O colégio é solidário à professora e repudia a incitação ao ódio”, disse, em nota, a assessoria de imprensa da instituição. Parabéns.

O que vem por aí? Onde erramos? Certamente, uma das principais falhas foi a educacional. Como escreveu a historiadora Nikelen Witter, “talvez tenhamos errado quando aceitamos que reduzissem a carga horária da nossa disciplina porque, afinal, matemática, português e todas as outras são mais importantes que o que temos a ensinar… Engraçado é que o aumento das cargas horárias dessas disciplinas não nos deu crianças mais hábeis na língua portuguesa ou nas exatas. Porém, a menos aulas de História estão dando nisso que se está vendo”.

Eu assino embaixo e por todos os lados. Nossa ignorância é crescente e avulta na sociedade de forma cada vez mais preocupante. Além da violência contra as “pessoas diferentes” e divergentes, haverá outras contra os direitos trabalhistas. As empresas, que financiam um Congresso que apenas as representa, vêm com tudo, aproveitando-se do momento de fraqueza do governo e do foco absoluto no impeachment. Preparem-se. Acho que os sindicatos e trabalhadores devem ligar as luzes de alerta em vermelho piscante.

Vocês sabem quais são os cinco livros mais cobrados no Enem e vestibulares?

Vocês sabem quais são os cinco livros mais cobrados no Enem e vestibulares?

Um cursinho pré-vestibular paulista — esqueci o nome — fez uma revisão em todo o país e chegou à conclusão de que as questões de literatura costumam cair mais sobre estes livros do que em outras plagas. Não tive surpresa, mas lamento a presença de O Cortiço, livro que achei apenas bom. Mas não sei como o substituiria por outro(s). Guimarães Rosa talvez seja complicado demais para gente tão jovem, mas talvez haja vários Ericos e Amados que poderiam entrar no lugar do Azevedo, para não falar em modernos como Raduan Nassar, que, poxa, poderiam comparecer. Os outros quatro da lista são obras indiscutíveis e nem dá para polemizar. Vontade de largar o trabalho e reler os quatro últimos AGORA.

O Cortiço, de Aluísio Azevedo
Dom Casmurro, de Machado de Assis
Vidas Secas, de Graciliano Ramos
Laços de Família, de Clarice Lispector
A Rosa do Povo, de Carlos Drummond de Andrade

Clarice com um amigo.
Clarice com um amigo.