Em Berlim (II)

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Acordamos com problemas no dia 4 de janeiro, dia do aniversário do Bernardo. Uma baita dor de cabeça resolveu incomodar a Elena após a viagem e ela pensou que a recuperação seria mais rápida se ficasse no quarto descansando. Inclusive comeria ali. Foi uma boa decisão, porque ela já ficou bem para a festa da noite. Então saí para a rua atrás de comida. O bom e barato Hotel Prens fica nas imediações da estação de Schönleinstraße, na Kottbusser Damm (avenida). Meu filho mora perto a três quadras, na Bürknerstraße. É uma região de imigração turca onde tudo o que não há é culinária alemã. Só que os restaurantes e bares turcos vendem uma comida de primeiríssima linha e muito barata. Fiquei encantado com os mercados turcos da região. Em um deles, que ostentava um nome mais ou menos sincero — Best of the Rest — fiz algumas compras.

Aqui, a primeira parte:
Berlim (I)

Depois de resolvida a questão alimentar, dei várias voltas a pé pela região, com a finalidade de me perder na cidade desconhecida. O invólucro de segurança e respeito que recebemos na Europa que conheço é algo muito tranquilizador. Logo que chegamos, vemo-nos envolvidos por ele e relaxamos. Dá para ir a qualquer canto sem problemas e fico surpreso com minha súbita desatenção, totalmente diversa do que faço no Brasil, onde estou sempre preparado evitar ou aceitar um roubo.

E dei voltas cada vez mais longínquas de nosso hotel.

À noite, fomos na festa de aniversário do Bernardo. Fiquei agradavelmente surpreso com seus amigos. Um bando de gente de alto nível proporcionou boas conversas e, sempre que eu pensava que ficaríamos sozinhos por sermos os “velhos da festa”, vinha alguém conversar. Tudo extremamente educado. Disse para um certo Filipe — alemão filho de portugueses — que chegara a Berlim no dia anterior e que ainda não conhecera nada. Recebi uma resposta surpreendente:

— Não, estar aqui neste bar enfumaçado é conhecer Berlim. Não é uma cidade bonita, não é Paris, Londres ou Praga, é uma cidade onde as pessoas se reúnem para festas e coisas culturais ou não. Tu estás conhecendo Berlim aqui no Mamma. Isto é que é Berlim”.

— Então o turista que só circula não conhece a cidade?

— Não conhece.

Entendi.

Voltamos para casa tranquilamente, a pé, de madrugada.

Um arroio a 100 m do hotel.

Um arroio a 100 m do hotel.

Os arquitetos alemães não podem cer um ângulo agudo que já fazem um edifício. têm desses por todo lado.

Os arquitetos alemães não podem ver um ângulo agudo que já fazem um edifício. Têm desses por todo lado.

Como suportar isso, Bolsonaro?

Como suportar isso, Bolsonaro?

Não entendi nada, mas era um jornal de 4 de janeiro de 2017.

Não entendi nada, mas era um jornal de 4 de janeiro de 2017.

Tava -1º C.

Tava -1º C.

O aniversariante Bernardo dentro do Mamma.

O aniversariante Bernardo dentro do Mamma.

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Uma ideia sobre “Em Berlim (II)

  1. Ótima sacada, tocaste em um ponto que desde o meu regresso a capital observo, o medo crescente da população, basta sair na rua com uma roupa mais velha, um tênis surrado e de cabeça erguida e observar o horror nos olhos das pessoas aguardando o assalto, triste, muito triste!!!

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