Resumo da palestra de Bolsonaro e uma pergunta: o que Vladimir Herzog acharia disto?

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Pois ele foi convidado da Hebraica… Desde quando uma entidade judaica chama um fascista para falar? Judeu apoiando intolerância? Que tipo gente é essa da Hebraica do Rio?

Bem, vamos ao resumo:

Bolsonaro: o show da estupidez.

Bolsonaro na Hebraica: o show da estupidez.

“Eu tenho 5 filhos. Foram 4 homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio uma mulher”.

“Eu fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Nem pra procriar ele serve mais”.

“Alguém já viu um japonês pedindo esmola por aí? Não, porque é uma raça que tem vergonha na cara. Não é igual a essa raça que tá aí embaixo, ou como uma minoria que tá ruminando aqui do lado”.

“Se eu chegar lá não vai ter dinheiro pra ONG. Esses vagabundos vão ter que trabalhar. Pode ter certeza que se eu chegar lá (Presidência), no que depender de mim, todo mundo terá uma arma de fogo em casa, não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena ou para quilombola”.

“Tínhamos na presidência um energúmeno que só sabia contar até 10 porque não tinha um dedo”.

“Eu não tenho nada a ver com homossexual. Se bigodudo quer dormir com careca, vai ser feliz”.

Terminou sob aplausos e gritos de “Mito, mito, mito”.

Realmente, a ignorância grassa em todos os extratos. Fico pensando em Herzog, grande jornalista, professor e dramaturgo brasileiro, judeu naturalizado que foi torturado e assassinado pela ditadura civil-militar brasileira nas instalações do DOI-CODI.

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3 ideias sobre “Resumo da palestra de Bolsonaro e uma pergunta: o que Vladimir Herzog acharia disto?

  1. Não creio que ele seja um fascista. O PT não é fascista. O Jean Uilis não é fascista. São apenas idiotas que adoram repetir coisas estúpidas para uma platéia de gosto duvidoso. Só faltou ele não falou do nióbio (morri de quando vi o vídeo). Fascismo é outra coisa…

    Quando vejo essa manada seguindo Bolsonaro (e o pior que eu já cogitei votar nele. haha. Não acompanho as coisas que ele diz por aí), sempre me recordo de uma passagem do livro de Hayek, O Caminho da Servidão, na qual ele conta que viu com os próprios olhos idiotas e fanáticos transitarem da “direita” para a “esquerda” na década de 30 na Alemanha sem ver nisso nenhuma incoerência. O que os une, ele notou com sabedoria, é a hostilidade comum à concorrência e o desejo de substituí-la por uma economia dirigida. Isso explica, em grande parte, a onda de imbecis de dois lados.

    “É verdade que na Alemanha, antes de 1933, e na Itália, antes de 1922, comunistas e nazistas ou fascistas entravam mais frequentemente em conflito entre si do que com os outros partidos. Disputavam o apoio de pessoas da mesma mentalidade e votavam uns aos outros o ódio que se tem aos hereges. No entanto, seu modo de agir demonstrava quão semelhantes são, de fato. Para ambos, o verdadeiro inimigo, o homem com o qual nada tinham em comum e ao qual não poderiam esperar convencer, era o liberal da velha escola.”

    Ambos querem apenas odiar uns aos outros. Por isso não é como que o mesmo princípio da liberdade usado para defender a liberação das drogas (pela esquerda) seja ignorado pela direita nesse debate. Essa mesma liberdade a qual é solenemente esquecida pela esquerda quando a discussão, por exemplo, envolve algo tão simples quanto o Uber. Não há coerência. Há ódio e briga entre fanáticos de ambos os lados.

  2. O termo fascista já não se aplica ao Bolsonaro. As declarações destacadas no post (e que podem ser todas confirmadas no vídeo com a palestra integral, disponível no YouTube) vão muito além do fascismo. É nazismo puro. Idêntico ao da Alemanha de 1933. É a defesa de um país fechado ao diferente e que elege um determinado grupo para prevalecer sobre os demais (no caso, homens brancos heterossexuais). Com o discurso de proteger o país da ameaça comunista (igualzinho a Hitler) e segregando supostos aproveitadores (os judeus de Bolsonaro são índios, negros e ativistas), o Estado invade o domínio privado, cerceia as liberdades individuais e criminaliza a pluralidade. Até a defesa de uma milícia fora das forças armadas, como a SS, está latente na ideia de todos terem armas em casa. E os gritos e aplausos também lembram, infelizmente, a massa iludida pela oratória mentirosa do Führer.

    Bolsonaro fala muito dos militares e lembra sempre de seu passado como capitão do Exército. Contudo, o seu discurso é muito mais retrógrado e perigoso do que o militarismo do período 64-85. Apesar de todos os problemas, o regime militar instituiu o Estatuto da Terra, o PIS-PASEP, o BNH, o FGTS, demarcou terras indígenas e criou reservas ambientais. Não promoveu a igualdade, mas tampouco discriminou de maneira institucional negros e mulheres. Bolsonaro vai muito além e, por meio de um discurso messiânico, trata como inimigos do Estado não apenas a esquerda, mas todos os que não se enquadram na sua ideia nazista de “cidadão de bem”.

    Menos mal que muitos judeus reagiram criticando severamente o clube A Hebraica por dar espaço ao mesmo discurso de ódio que vitimou os judeus na Europa dos anos 30-40. Mas o numeroso apoio a Bolsonaro evidencia uma faixa significativa de eleitores sem qualquer senso crítico ou perspectiva histórica.

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