Em Berlim (XIII)

Então, finalizando o dia 12 de janeiro, fomos assistir a Orquestra Filarmônica de Berlim interpretando o Réquiem de Verdi. Uma semana antes do concerto fora anunciada a substituição do regente Riccardo Chailly por Marek Janowski, em razão de doença do italiano. O Réquiem de Verdi é uma peça única na história da música. A intenção de Verdi não era transmitir a transcendência da morte, mas sim tristeza e emoção, como em suas grandes obras para o teatro. Janowski não conduzia a Berliner Philharmoniker há mais de vinte anos e sua volta, bem, na nossa opinião, foi sensacional.

Talvez não seja surpreendente para um compositor de óperas como Verdi que o Dies irae seja a peça principal central em seu Réquiem: nada é mais lembrado quando falamos da obra. É uma visão apocalíptica, cujo cenário adquire traços expressionistas — o tremor da Terra, o tremor de todos os mortais, o julgamento final.

Mas isso são considerações musicais, vamos às pessoais ou turísticas. Compramos os ingressos na Internet. Eles nos mandaram pelo Correio, mas não chegaram a tempo. Então, fomos com o e-mail da confirmação de pagamento até a bilheteria para retirar uma segunda via dos ingressos. Tudo muito rápido e alemão.

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A sala principal da Filarmônica é impressionante. Ela nega o pouco que sei sobre boa acústica — não tem o formato clássico de caixa de sapato — , mas o fato é que a coisa é miraculosa. Ouve-se tudo. Como curiosidade, nota-se mil fios que atravessam o teto. Por ali circulam as câmeras e microfones que registram e transmitem ao vivo os concertos. (Conhecem o Digital Hall do site da Filarmônica de Berlim? Pois é).

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Era nosso último dia na cidade e a despedida foi, por assim dizer, monumental.

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Vejam como a sala é inteiramente assimétrica, bonita, estranha. O projeto é lá do início dos anos 60, quando Karajan reinava.

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Chegamos cedo para observar tudo com o olhar curioso dos turistas.

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Na foto acima, tentei pegar detalhes dos fios.

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Tudo preparado para a entrada da orquestra.

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Quando começou o Réquiem, o que ouvíamos era tão, mas tão musical que a Elena deixou algumas lágrimas na famosa sala. Do jeito dela, sem que ninguém percebesse. Não era para menos. Foi algo inesquecível ouvir orquestra e coro tão perfeitos, tão musicais e com tanto tesão.

A Elena me fez tirar a foto abaixo porque esse rapaz loiro de óculos era muito parecido — ao menos de longe — com seu filho Nikolay.

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Abaixo, o maestro Janowski em ação.

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No dia seguinte, fomos para Praga de trem. Desde então, não vi mais uma das pessoas que mais amo no mundo.

Bernardo em Berlim

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A Noiva Jovem, de Alessandro Baricco

A Noiva Jovem Baricco(Sem spoilers). De escrita primorosa e de grande originalidade, A Noiva Jovem deixou-me verdadeiramente embasbacado. Em entrevista que li agora, concedida ao Estado de S. Paulo, Alessandro Baricco afirma que se propôs a escrever um livro com 20% de realismo mágico, 20% de Lampedusa e 60% dele mesmo. Deu razão a este leitor que, sem entender de onde vinha aquele argumento, pensou em uma mistura de García Márquez e Lampedusa. Uma mistura altamente poética e potente. Só que ainda predominam, é claro, os 60 % de Baricco, com as constantes e curiosas intervenções do escritor no texto, que fala até num notebook perdido e numa namorada que critica a obra que está sendo escrita, além das perfeitas mudanças de foco narrativo. Também há Baricco na criação de um clima estranho, que faz com que o livro grude em nossas mãos, como já me acontecera na leitura de Mr. Gwyn.

Tudo acontece em um ambiente familiar muito curioso. Não há nomes, mas um Pai, uma Mãe, um Filho, uma Filha, um Tio. E a Jovem Noiva. O único que ganha nome é Modesto, o gentil mordomo que tudo vigia para que a felicidade seja um estado permanente. As relações são delicadamente insanas, as manias e medos são muitos.

O Filho conhece a Jovem Noiva ainda adolescente e ela é prometida a ele. Conheceram-se na Europa, mas a família dela, falida, foi tentar a sorte na Argentina. Quando completa 18 anos, a Jovem Noiva atravessa o oceano de volta para chegar a uma paisagem que parece a Sicília de Lampedusa. Vem para juntar-se ao Filho. Ela entra numa casa que parece cheia de personagens de García Márquez, todos eles docemente malucos, dando respostas e tomando atitudes entre o desconcertante e o poético, mas de um realismo mágico altamente racional.

Mas o Filho não está lá e demora. Entre os mil fatos, novidades e experiências que a casa oferece, o far niente começa trabalhar. Passam-se meses e a tensão cresce. E o Filho não chega. Isto atormenta e faz amadurecer a Jovem Noiva. Ela mantém a certeza de que ele virá.

Parabéns para a excelente tradutora Joana Angélica d`Avila Melo. Não deve ser fácil traduzir um livro que muda tantas vezes seu foco narrativo.

Baricco é um escritor altamente sofisticado que também faz crítica musical de música erudita, é pianista e apresenta um programa na televisão italiana. Seria bom iniciar correntes de orações para que tivéssemos alguém tão talentoso por aqui.

Recomendo fortemente!

Livro comprado na Bamboletras.

Baricco também faz critica musical. De eruditos, claro.

Baricco também faz critica musical. De eruditos, claro.

 

 

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A carta de despedida de Totti: “Tira os calções e as chuteiras porque, a partir de hoje, és um homem”

Adaptado do Público.pt

Ontem, domingo (28/05/2017), Totti, o eterno capitão da AS Roma, despediu-se definitivamente da braçadeira de capitão e dos gramados. Il Capitano manteve-se fiel durante 24 anos à camisa do clube ao qual chegou ainda criança. Ele despediu-se dos torcedores e do mundo do futebol numa carta emocionada. Aos 40 anos, o jogador tinha anunciado a sua saída no início deste mês. O momento de despedida comoveu o Estádio Olímpico, cujos gramados pisava desde os 16 anos, disputando mais de 780 jogos pelo emblema romano, sempre com a camisola número dez da equipe italiana.

Ele foi torcedor desde sempre da Roma. Gandula do clube quando menino. Estreou entre os titulares aos 16 anos. Capitão do time onde jogou por 24 anos. Campeão italiano em 2000/2001. Campeão mundial pela Itália em 2006. Maior artilheiro da Roma.

A seguir, a carta de Totti:

Totti despedida

Obrigado, Roma. Obrigado mãe, pai, irmão, familiares e amigos. Obrigado à minha mulher e aos meus três filhos. Quero começar pelo fim, pelas despedidas, porque não sei se serei capaz de terminar estas linhas. É impossível resumir 28 anos (ele conta os anos nas divisões inferiores) em algumas frases.

Gostaria de fazer isto com uma canção ou um poema, mas não sou capaz de os escrever e tentei, ao longo de todos estes anos, expressar-me através dos meus pés, o que, desde que era criança, tornou tudo muito mais simples.

Por falar na infância, conseguem adivinhar qual era o meu brinquedo favorito? Uma bola de futebol, claro! Ainda é. Mas crescemos ao longo da vida. Foi isso que sempre me disseram e foi o que o passar do tempo decidiu. Maldito tempo.

O mesmo tempo que, no dia 17 de Junho de 2001, só queríamos que passasse mais rápido. Não aguentávamos esperar mais pelo apito final. Ainda fico arrepiado quando me recordo desse dia. Hoje, esse mesmo tempo bateu-me nas costas e disse: “Precisamos crescer. Amanhã serás um adulto. Tira os calções e as chuteiras porque, a partir de hoje, és um homem e não poderás continuar a sentir o cheiro do gramado, o sol a bater no rosto enquanto assistes ao golo dos rivais, a adrenalina a te consumir, a satisfação de celebrar’.

Nos últimos meses, perguntei à minha mulher porque é que eu estava acordando deste sonho. Imaginem que são crianças e estão a ter um bom sonho. De repente, a nossa mãe acorda-vos para ir para a escola. Querem continuar a sonhar, tentam dormir outra vez, mas já não é possível… Desta vez, não é um sonho. É realidade. E não posso voltar a dormir.

Quero dedicar esta carta a todos vocês. A todas as crianças que torceram por mim. Às crianças de ontem, que cresceram e hoje são pais, bem como às crianças de hoje que talvez gritem “Tottigol”. Gosto da ideia de que, para vocês, a minha carreira é um conto de fadas a ser contado. Agora acabou. Vou tirar esta camisa pela última vez. Ficará guardada, ainda que não esteja pronto para dizer “chega”. Talvez nunca esteja.

Desculpem por não dar entrevistas para esclarecer os meus pensamentos, mas não é fácil apagar a luz. Tenho medo. E não é o mesmo medo que se sente quando se está prestes a bater um pênalti. Desta vez, não posso ver o que está à minha frente como via pelos buracos da rede.

Permitam-me que tenha medo. Desta vez, sou eu que preciso de vocês e do amor que vocês sempre me deram. Com o vosso apoio, vou conseguir virar a página e começar uma nova aventura.

Agora, é hora de agradecer a todos os meus companheiros de equipe, treinadores, diretores, presidentes e todos os que trabalharam ao meu lado nesta jornada. Para os torcedores, digo que ter nascido romano e romanista é um privilégio. Ser o capitão desta equipe é uma honra.

Vocês são e sempre serão a minha vida. Os meus pés vão deixar de vos emocionar, mas o meu coração estará sempre com vocês. Vou descer as escadas e entrar no vestiário que me acolheu ainda criança e que agora deixarei com um homem.

Estou orgulhoso e feliz de ter dado ao Roma 28 anos de amor. Amo vocês todos.

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Bom dia, Zago (com os “melhores lances” de Paysandu 1 x 0 Inter)

Parabéns, Zago. Ficarás recebendo um bom salário até dezembro sem precisar mexer um dedo para isso. A semana passada foi só de treinos e… Teu time foi uma bagunça tal que copiei a imagem abaixo. É o que farias se quisesses fritar um ovo.

Zago preparando um ovo frito (Imagem, idem...)

Zago preparando um ovo frito | Imagem roubada de alguém do Facebook. Esqueci de quem…

A diretoria está numa sinuca de bico. Novamente. Há quase dois anos sem um bom técnico —  Argel, Falcão, Roth, Lisca e Zago foram brincadeiras, né? –, só posso concluir que nossos queridos diretores estejam induzindo escalações a fim de satisfazer empresários. Só isto explica as verdadeiras loucuras de alguns times de Zago. Era um bota este, saca aquele que não podia dar certo. Era um time diferente e cada jogo. Vejamos quem será a próxima vítima. Acho que Marcelo Oliveira não viria porque é complicado mandar nele. E Levir?

Assisti ao jogo do Inter somente sábado à noite. Um ser humano tem que ter valores. Guinga estava se apresentando e o show foi tão bom que nem ver a derrota do Inter me tirou a boa sensação de musicalidade. Mas, meu deus, que desastre esse teu time.

D`Alessandro não jogou. Ele é o único armador DE TODO O GRUPO. Com a ajuda de Alexandre Perin, vamos revisar aos 13 contratados de 2017.

Quatro zagueiros: Neris (que já foi embora), Cuesta, Klaus e Danilo Silva
Um lateral-direito: Alemão
Dois laterais-esquerdos: Uendel e Carlinhos
Dois volantes: Edenílson e Felipe Gutierrez
Quatro atacantes: Róberson, William Pottker, Marcelo Cirino e Carlos.

Nenhum armador.

E dispensamos seis jogadores desse setor: Anderson, Andrigo, Alex, Valdívia, Gustavo Ferrareis e Seijas. É claro que apenas Valdívia poderia render, mas digam-me se faz algum sentido dispensar tantos jogadores do mesmo setor sem reposição. E Dale tem 36 anos. É uma piada. Isto só reforça minha impressão de que estamos seguindo as ondas dos negócios dos empresários, sem maior planejamento.

Contra o Paysandu, formou-se um latifúndio entre os três volantes e os três atacantes. Desculpem, mas chegou a ser engraçado. Lembrei de Gainete como técnico em 1977. O time apresentava o mesmo problema e a torcida vaiando loucamente o colorado num jogo no Beira-Rio (Inter 1 x 4 São Paulo). Eu estava lá. Vi o jogo e depois fui para o famoso Portão 8 com aquela imagem na cabeça: o meio-de-campo povoado só por são-paulinos… Tanto naquele longínquo 77 quanto no último sábado, nós entregávamos o meio.

Imagem roubada de alguém do Facebook. Esqueci de quem...

Imagem idem…

Mas não adianta falar muito. Zago foi embora e desejo sorte à diretoria na escolha da nova vítima. Será que alguém vai pensar na boa ideia de dar autonomia ao novo treinador?

Ah, e o preparador físico do Zago deixou o time muito mal fisicamente. No final da partida, o Inter se movimentava como um time de masters.

Permaneço achando que a Série B é uma barbada, mas temos que levá-la a sério antes que sejamos engolidos por crises e nervosismo. E por favor, contratem ARMADORES.

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Hoje teve Guinga no Santander Cultural

Infelizmente, Porto Alegre não parou porque Guinga se apresentava. Teve abobados, inclusive gremistas, que ficaram em casa para ver aquele Inter do Zago na TV. Tudo porque Guinga não é uma figura nacional — talvez fosse, se tivesse nascido antes –, mas mesmo assim sobrou gente para lotar o Santander Cultural na tarde chuvosa deste sábado. Muitos ficaram na rua, suplicando por um ingresso. Perderam muito. Afinal, foram 90 minutos com um grande compositor, violonista e cantor. Foi um show leve e sensível, alternando momentos festivos ou decididamente engraçados, como a magistral Chá de Panela, dedicada a Hermeto Pascoal, momentos líricos como a clássica Catavento e Girassol e temas mais pesados, como o Choro-RéquiemMeu Pai. Assim, vou mostrando para minha Elena o que temos de melhor. No ano passado, ela encantou-se com Mônica Salmaso e este ano com Guinga, de quem disse não ter voz de cantor, fato que é compensado com afinação perfeita, fruto de um ouvido miraculoso. Elena tem isso: é muito exigente em termos musicais, torce o nariz para coisas que não sejam de primeira linha. E eu vou tentando contornar eventuais vulgaridades. Ela chamou minha atenção para os inusitados e belíssimos acordes com os quais Guinga tratou Lígia, de Tom Jobim. Que arranjo ele fez! Hoje foi barbada garantir boa música para ela.

Hoje, Guinga apresenta-se mais fora do país, como quase todo mundo que é bom. É nossa decadência, fazer o quê? Ao final, cansado do show depois de dar uma master class à tarde — sacanagem dos organizadores, né? — acompanhou, com seus melhores acordes, a plateia cantando Carinhoso e Cadeira Vazia. Então, posso dizer que Guinga me acompanhou enquanto eu cantava Pixinguinha e Lupicínio e só estarei mentindo um pouquinho.

(Não fosse a gentileza de Günther Natusch, este modesto post e grande felicidade simplesmente não aconteceriam).

Guinga em ação | Foto de Elena Romanov (celular)

Guinga em ação | Foto de Elena Romanov (celular)

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Chove muito neste momento em Porto Alegre

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Parágrafo 570 da sentença que absolveu Cláudia Cruz. Dizer o quê?

Com a colaboração (imagem) de Miserere.

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Será que Moro absolveria Marisa Letícia se encontrasse milhões em contas na Suíça e gastasse dinheiro público com luxos na Europa? Marisa é de uma classe, Cláudia é de outra. O juiz considerou em seu despacho que, “embora tal comportamento seja altamente reprovável, ele leva à conclusão de que a acusada Cláudia Cruz foi negligente quanto às fontes de rendimento do marido e quanto aos seus gastos pessoais e da família”. Pra que discutir com madame tão distraída, né?

O problema, gente, é que gastar dinheiro do marido corrupto não é crime.

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Pedaços de textos sobre Bergman que estavam há anos nos rascunhos do blog

Bergman e Bengt Ekerot (a morte) durante as filmagens de O Sétimo Selo

Bergman e Bengt Ekerot (a morte) durante as filmagens de O Sétimo Selo

Post que escrevi em 12/07/2003:

Depois de declarar uma aposentadoria meio falsa, pois permanecia parindo roteiros e outros trabalhos, Ingmar Bergman confessou:

Não teve jeito, anos atrás fiz uma descoberta devastadora: eu estava grávido! Dentro de mim estava crescendo e chutando um filme. Era impressionante e inesperado como o episódio de Sara na Bíblia, que engravida aos 89 anos. Depois do período de náuseas pela manhã, acabei gostando da idéia.

Bergman, que completa 85 anos na próxima segunda-feira, estreará seu novo filme, chamado Sarabanda, no Festival de Veneza, ao final de agosto. Outra boa notícia: suas filhas Eva e Linn estão organizando os arquivos pessoais do mestre para disponibilizá-los na Internet.

Ingmar Bergman e seu fotógrafo de sempre, Sven Nykvist

Ingmar Bergman e seu fotógrafo de sempre, Sven Nykvist

Em 30/07/2007:

Após produtiva existência, faleceu hoje pela manhã o maior diretor e autor de cinema de todos os tempos, Ingmar Bergman. O anúncio foi feito pelo Real Teatro Dramático da Suécia. Ele morreu em sua casa, em Faro. Pior notícia é difícil.

Nascido a 14 de Julho de 1918 em Uppsala, a norte de Estocolmo, Ingmar Bergman realizou ao longo da sua extensa carreira mais de 40 filmes, entre os quais se destacam Mônica e o Desejo (1951), “O Sétimo Selo” (1956), “Morangos Silvestres” (1957), “O Rosto” (1958), “Persona” (1966), “Gritos e Sussurros” (1972), “Sonata do Outono” (1978), “Fanny e Alexander” (1982) e “Sarabanda” (2003), além do esplêndido roteiro de “Infiel” (2000), de Liv Ullmann.

O cinema de Bergman vai muito além da simples diversão ou deleite, ele desperta reflexões sobre a vida, suas representações e o próprio homem. Eram os atores quem faziam os filmes de Bergman, eram eles quem davam vida a seus filmes e poderíamos dizer que eram suas feições a razão de seus filmes.

Além da sua obra cinematográfica, Bergman foi durante toda a vida um homem de teatro, tendo encenado numerosas peças, nomeadamente as do seu ídolo de juventude, August Strindberg. Foi no entanto o cinema o seu meio de expressão de eleição. “Fazer filmes é para mim um instinto, uma necessidade como comer, beber ou amar”, declarou em 1945.

Cineasta das mulheres, como alguns o consideravam, proporcionará os melhores papéis a atrizes como Maj Britt Nilsson, Harriet Andersson, Bibi Andersson, Ingrid Thulin, Eva Dahlbeck, Ulla Jacobsson e Liv Ullmann. Teve casos amorosos com várias das suas atrizes, casou-se cinco vezes e teve nove filhos.

Que o cinema seja o meio que me expresso é absolutamente natural. Fiz-me compreender numa língua que passava ao lado da palavra de que carecia, da música que não sabia tocar, da pintura que me deixava indiferente. Subitamente tive a possibilidade de me corresponder com o mundo numa linguagem que literalmente fala da alma para a alma, em termos que, quase de maneira voluptuosa, escapam ao controle do intelecto.

Filmografia principal:

2003 – Sarabanda
1986 – Documentário sobre Fanny and Alexander
1984 – Depois do ensaio
1982 – Fanny e Alexander
1980 – Da vida das marionetes
1978 – Sonata do outono
1977 – O ovo da serpente
1976 – Face a face
1974 – A flauta mágica
1973 – Cenas de um casamento
1972 – Gritos e sussurros
1971 – A hora do amor
1969 – O rito
1969 – A paixão de Ana
1968 – Vergonha
1968 – A hora do lobo
1966 – Persona (Quando duas mulheres pecam)
1964 – Para não falar de todas essas mulheres
1963 – O silêncio
1962 – Luz de inverno
1961 – Através de um espelho
1959 – A fonte da donzela
1958 – O rosto
1957 – Morangos silvestres
1956 – O sétimo selo
1955 – Sorrisos de uma noite de amor
1955 – Sonhos de mulheres
1953 – Noites de circo
1952 – Mônica e o desejo
1952 – Quando as mulheres esperam
1949 – Prisão
1948 – Música na noite
1946 – Chove em nosso amor
1945 – Crise

Ingmar Bergman

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Baseada na crise brasileira e em Sgt. Peppers, capa do Estado de Minas viraliza

No dia 1º de junho, o imortal disco dos Beatles Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band completa 50 anos. Ontem, o Estado de Minas realizou uma montagem inspirada na capa do disco que viralizou nas redes. Não apenas há a colocação de personagens da política brasileira como as manchetas são baseadas nas canções With a Little Help from My Friends, Getting Better, Fixing a Hole, She’s Leaving Home, Within You Without You e When I’m Sixty-Four.

Quem está na montagem? Eike Batista, Guido Mantega, Gleisi Hoffmann, Eunício Oliveira, Marcelo Odebrecht, Emílio Odebrecht, Agnelo Queiroz, José Serra, Léo Pinheiro, José Roberto Arruda, Geraldo Alckmin, Marta Suplicy, Alberto Youssef, João Plenário (personagem de Saulo Laranjeira), Justo Veríssimo (personagem de Chico Anysio), Delcídio Amaral, Sérgio Cabral, Edson Lobão, João Santana, Mônica Moura, João Vaccari, Fernando Pimentel, Antonio Palocci, Zezé Perrella, Renan Calheiros, Renato Duque, Paulo Roberto Costa, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, José Dirceu, Fernando Collor, Lindbergh Farias, Dilma Rousseff, Luiz Inácio Lula da Silva, Eliseu Padilha, Eduardo Cunha, Rodrigo Loures, Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Rodrigo Janot, Marcelo Brettas, Carlos Fernando dos Santos, Sérgio Moro, Deltan Dallagnol, Aécio Neves, Romero Jucá, Rodrigo Maia, Michel Temer, Henrique Meirelles, Cármen Lúcia, Joesley Batista, Moreira Franco e Nestor Cerveró.

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A capa original do disco:

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O marido da Marcela não precisa de memes

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Os Concertos de Brandenburgo, de Johann Sebastian Bach

Há uma série cômica de livros ingleses que nos ensina a como blefar culturalmente, a como falar sobre coisas que absolutamente desconhecemos. A série chama-se Manual do Blefador e divide-se em Literatura, Música, Filosofia, Artes Plásticas, etc. No livrinho de Música, o verbete Bach diz o seguinte: se você quiser impressionar um chefe ou uma potencial futura namorada ou namorado que conheça Bach, jamais tente enganá-los, pois a obra do compositor é muito extensa, há muita coisa de alta qualidade — as pessoas tornam-se fanáticas por ele — e não se pode adivinhar sobre o que fanático vai querer falar aquele dia. Então o jeito é preparar o melhor suspiro possível e dizer dramaticamente “Ah…, Bach!”, indicando que está absolutamente sem palavras. Deixe que o outro fale.

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Pois é surpreendente o porte e o grau de influência de Bach, assim como sua colocação como pedra fundamental de toda a nossa cultura musical. O mundo criado por Bach foi desenvolvido numa época em que não havia plena noção de obra; ou seja, Bach não se colecionava para servir à posteridade como os autores passaram a fazer logo depois. Ele escrevia para si, para seus alunos e contemporâneos. O que se sabe é que ele gostava das coisas bem feitas e era um brigão — passava grande parte de seu tempo solicitando mais e melhores músicos e procurando empregos mais rendosos. Tinha família enorme, conta-se 20 filhos, dos quais dez passaram pela alta mortalidade infantil do início do século XVIII.

À época, procurar empregos mais rendosos poderia ser um grande problema. Os empregadores consideravam traidores quem fazia isso. Por exemplo, quando Bach recebeu uma oferta do Príncipe Leopold, de Köthen – falaremos dele depois – Bach pediu permissão para deixar Weimar, onde trabalhava. Mas o Duque de Weimar não quis perder os serviços de seu brilhante músico e recusou o pedido. Como Bach insistisse, o Duque não teve dúvidas em colocá-lo na prisão, isso sem nenhum processo. Bach passou trinta dias preso.

The Neues Bach Denkmal meaning new Bach monument stands since 1908 in front of the St Thomas Kirche church where Johann Sebastian Bach is buried in Leipzig Germany

The Neues Bach Denkmal meaning new Bach monument stands since 1908 in front of the St Thomas Kirche church where Johann Sebastian Bach is buried in Leipzig Germany

À época, procurar empregos mais rendosos poderia ser um grande problema. Os empregadores consideravam traidores quem fazia isso. Por exemplo, quando Bach recebeu uma oferta do Príncipe Leopold, de Köthen – falaremos dele depois – Bach pediu permissão para deixar Weimar, onde trabalhava. Mas o Duque de Weimar não quis perder os serviços de seu brilhante músico e recusou o pedido. Como Bach insistisse, o Duque não teve dúvidas em colocá-lo na prisão, isso sem nenhum processo. Bach passou trinta dias preso.

Porém, ao sair da prisão, em dezembro de 1717, partiu imediatamente para Köthen com sua família já de quatro filhos, sendo nomeado mestre de capela da corte do Príncipe Leopold.

Sabe-se pouco a respeito das opiniões e da vida não profissional de Bach, há apenas um episódio pessoal bem conhecido.

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Ele havia feito uma longa viagem de trabalho e ficara dois meses fora. Ao retornar, soube que sua mulher Maria Barbara e dois de seus filhos haviam falecido. Dias depois, Bach limitou-se a escrever no alto de uma partitura uma frase: “Deus, fazei com que seja preservada a alegria que há em mim!”. Pouco tempo depois ele casou de novo, continuou fazendo um filho depois do outro e, como não existiam, na época, equipes de futebol, ele pode criar, em seu próprio seio familiar, uma orquestra de câmara…

Bach costumava ganhar mais que seus colegas, mas nada que fosse espantoso. Ele era respeitado mais como virtuose do que como compositor — Telemann era considerado o maior compositor de sua época. Nosso herói também produzia cerveja em casa, mas este é um tema sobre o qual podemos falar outro dia. Pois ele, com toda esta família e mais alunos, produzia cerveja em enormes quantidades.

Príncipe Leopoldo de Köthen

Príncipe Leopoldo de Köthen

Por falar em quantidade, a perfeição e o número de obras que Bach criava e que era rápida e desatentamente fruída pelos habitantes das cidades onde viveu, era inacreditável. Tentaremos dar dois exemplos: (1) Suas obras completas, presentes na coleção Bach 2000, estão gravadas em 153 CDs. Grosso modo, 153 CDs são 153 horas ou 6 dias e nove horas ininterruptas de música… original.

Mas, como se não bastasse (2), ele parecia divertir-se criando dificuldades adicionais em seus trabalhos. Muitas vezes o número de compassos de uma ária de Cantata ou Paixão, corresponde ao capítulo da Bíblia onde está o texto daquilo que está sendo cantado. Em seus temas também aparecem palavras — pois a notação alemã (não apenas a alemã) é feita com letras. Ou seja, pode-se dizer que ele sobrava…

E imaginem que durante boa parte de sua vida Bach escrevia uma Cantata por semana. Em média, cada uma tem 20 minutos de música. Tal cota, estabelecida por contrato, tornava impossível qualquer “bloqueio criativo”. Pensem que ele tinha que escrever a música, copiar as partes e ainda ensaiar para apresentar domingo, todo domingo.

A capa dos concertos dedicados ao Margrave de Brandenburgo

A capa dos concertos dedicados ao Margrave de Brandenburgo

Poucas obras musicais são tão amadas e interpretadas como os seis Concertos de Brandenburgo. Tais concertos exibem uma face mais leve do gênio de Bach e, na verdade, fizeram parte de um pedido de emprego. Em 1720, aos 35 anos, Bach parecia feliz em Köthen. Ganhava adequadamente, seu patrono não só amava a música como era um músico competente.

O príncipe Leopoldo de Köthen, parte do Sacro Império Romano Germânico, gastava boa parte de sua renda para manter uma orquestra privada de 18 membros e convidava artistas viajantes para tocar com eles. A orquestra era excelente, com alguns dos melhores músicos daquela parte da atual Alemanha. Como calvinista, o Príncipe Leopoldo utilizava pouca música religiosa, liberando Bach para compor e ensaiar música instrumental. No entanto, o relacionamento pode ter azedado quando Bach solicitou a compra de um órgão. O pedido foi rejeitado. E vocês sabem como Bach era brigão.

O Margrave de Brandenburgo Christian Ludwig

O Margrave de Brandenburgo Christian Ludwig

Então, em 1721, Bach apresentou-se ao Margrave (comandante militar) Christian Ludwig de Brandenburgo. Ele foi com um manuscrito encadernado contendo seis concertos para orquestra de câmara com base nos Concertos Grossos italianos. Não há registro de que o Margrave tenha sequer agradecido a Bach pelo trabalho. Ele jamais imaginaria que aquele caderno — mais tarde chamado de Concertos de Brandenburgo — se tornaria uma referência da música barroca e ainda teria o poder de mover as pessoas quase três séculos mais tarde.

Em outras palavras, Bach escreveu os Brandenburgo como uma espécie de demonstração de suas qualidades, um currículo para um novo emprego. A tentativa deu errado. O Margrave de Brandenburgo nunca respondeu ao compositor e as peças foram abandonadas, sendo vendidas por uma ninharia após sua morte. Mesmo rejeitados, os Concertos de Brandenburgo sobreviveram em seus manuscritos originais, aqueles mesmos que tinham sido enviados para o Margrave de Brandenburgo no final de março de 1721. O título que Bach lhes dera era o de: “Seis Concertos para diversos instrumentos”).

Como foram encontrados? Ora, no inventário do Margrave dentro de um lote maior de 177 concertos de “obras mais importantes” de Valentini, Venturini e Brescianello.

Logo após a morte de Bach, sua música instrumental foi esquecida. Só sua música religiosa permaneceu, ainda que pouco interpretada.

Os Concertos de Brandenburgo são destaques de um dos períodos mais felizes e mais produtivos da vida de Bach. É provável que o próprio Bach tenha dirigido as primeiras apresentações em Köthen. O nome pelo qual a obra é hoje conhecida só apareceu 150 anos mais tarde, quando o biógrafo de Bach, Philipp Spitta, chamou-os assim pela primeira vez. O nome pegou.

Bach pensava nos concertos como um conjunto separado de peças. Cada um dos seis requer uma combinação diferente de instrumentos, assim como solistas altamente qualificados. O Margrave tinha sua própria orquestra em Berlim, mas era um grupo de executantes em sua maioria medíocre. Todas as evidências sugerem que estes concertos adequavam-se mais aos talentos dos músicos de Köthen.

O regente Joshua Rifkin oferece uma explicação para que os Brandenburgo fossem ignorados por quem os recebera: “Como iria acontecer tantas vezes em sua vida, o gênio de Bach criava obras acima das capacidades dos músicos comuns e por isso eram esquecidas. Só mesmo em Köthen poderiam ser interpretadas!”. Com efeito, os Concertos permaneceram desconhecidos por meia dúzia de gerações, até que foram finalmente publicados em 1850, em comemoração ao centenário da morte de Bach. Mesmo assim, sua popularidade teria de esperar pelos nossos toca-discos.

Os Concertos de Brandenburgo talvez sejam um dos maiores exemplos do pensamento criativo de Bach, pois compreende estilo contrapontístico, variedade de instrumentação, complexa estrutura interna e profundidade. Porém, eles não se destinavam a deslumbrar teóricos ou a desafiar intelectuais, mas sim causar puro prazer a músicos e ouvintes.

Joshua Rifkin oferece uma explicação para que os Brandenburgo fosse ignorados por quem os recebera: “Como iria acontecer tantas vezes em sua vida, o gênio de Bach criava obras acima das capacidades dos músicos comuns e por isso eram esquecidas. Só mesmo em Coethen poderiam ser interpretadas!”. Com efeito, os Concertos permaneceram desconhecidos por meia dúzia de gerações, até que foram finalmente publicados em 1850, em comemoração ao centenário da morte de Bach. Mesmo assim, sua popularidade teria de esperar pelos toca-discos.

Os Concertos de Brandenburgo talvez sejam um dos maiores exemplos do pensamento criativo de Bach, pois compreende estilo contrapontístico, variedade de instrumentação, complexa estrutura interna e enorme profundidade. Eles não se destinavam a deslumbrar teóricos ou a desafiar intelectuais, mas sim causar puro prazer a músicos e ouvintes.

Manuscrito do terceiro Concerto de Brandeburgo de Bach

Manuscrito do terceiro Concerto de Brandeburgo de Bach

O concerto era a forma mais popular de música instrumental durante o barroco tardio, o principal veículo de expressão para os sentimentos, papel depois assumido pela sinfonia. Cada Brandenburgo segue a convenção do concerto grosso, em que dois ou mais instrumentos solo são destacados de um conjunto orquestral. Os concertos também observam a convenção de três movimentos, rápido-lento-rápido.

O único Concerto em quatro movimentos é o primeiro, ao qual foi adicionada uma dança final. Sua orquestração é incomum, podendo quase ser chamado de uma sinfonia. Talvez Bach quisesse dar um começo forte e rústico, destinado a alguém preguiçoso que fosse julgar o conjunto apenas por sua abertura.

Como dissemos, a inventividade de Bach também reside nas curiosas combinações instrumentais: no quarto concerto, por exemplo, o grupo habitual de cordas e contínuo acompanham o violino solo e duas flautas em um discurso musical brilhante. No quinto, Bach faz uso de uma flauta transversal, de violino e do cravo, mas o que resulta parece ser um antecessor dos grandes concertos para teclado. Ouçam, para exemplo, sua elaboradíssima cadenza do primeiro movimento.

Os outros concertos – a partir do N 2 – estão mais próximos do modelo de concerto grosso padrão. Para o meu gosto, apesar de suas qualidades, o pesado Concerto Nº 1 é o patinho feio da coleção.

É a partir do segundo — para violino, flauta, oboé e trompete — que a leveza, a ousadia e a invenção tomam conta do conjunto, indo até o final. O concerto Nº 3 for escrito para 3 violinos, 3 violas, 3 violoncelos e contínuo, formado normalmente por cravo e contrabaixo. O Nº 4 foi escrito para violino e duas flautas. O 5º para flauta transversa, violino e cravo. O 6º é uma festa para as violas. Nem tem violinos.

Sem prejuízo dos outros concertos do ciclo, faço uma menção àquele que me trouxe para “dentro” da música erudita: o terceiro, que foi projetado para três grupos instrumentais que consistem em três violinos, três violas e três violoncelos, mais baixo contínuo. Escrito em três movimentos, com o segundo sendo um passeio no campo da improvisação, tem no primeiro e terceiro movimentos fascinantes e alegres temas e contrapontos, verdadeira exposição do virtuosismo de Bach como compositor. Para mim, ele é “o concerto barroco por excelência”.

(Sim, eu estava no banheiro quando meu pai colocou a agulha do toca-discos no começo do Concerto Nº 3. Saí de lá aos gritos, perguntando o que era aquilo. Nunca me recuperei).

(Em minha cabeça, esses concertos são das peças mais tocadas. Muitas vezes caminho pelas ruas assobiando-as. E tenho a melhor das convivências com elas).

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Ontem, um pequeno grupo pedia “Eleições Indiretas” no Parcão

Eu passei ontem por esses caras quando vinha a pé do Restaurante Baalbek para casa. Eles estavam em duas esquinas do Parcão. Uma era dos “Livres17” (foto) e outra esquina do “Novo”. (Aqui, uma foto clara).

Foto do perfil do Facebook de Fernanda Santos

Foto do perfil do Facebook de Fernanda Santos

O foco deles não era protestar contra a corrupção, mas pedir a renúncia de Temer e eleições… indiretas. Ou seja, têm medo de diretas. Assim, o novo governo ficaria com a mesma turma de hoje. Eram poucos e apoiados, dentre outros, por um grupo do Facebook chamado simplesmente ELEITORES DE BOLSONARO.

Então, para eles não importa o quão imoral seja o Congresso Nacional. O importante é evitar a participação popular e manter as Reformas propostas pelo atual governo e já sinalizadas como aprovadas por um Congresso mais do que espúrio, cuja boa parte — falam em 60% — responde a processos criminais por crimes que variam de evasão fiscal a tentativa de assassinato. O interesse coletivo que se dane, eles ficam com seus criminosos.

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Bom dia, Zago (com os gols perdidos e feitos de Inter 1 x 1 ABC)

Zago, dizer que o Inter perdeu seis ou sete gols feitos (ver melhores lances abaixo) é verdade. Dizer que o goleiro Edson do ABC foi o melhor em campo também. Mas também é fato que o Inter parece ter cansado da incompetência de seus atacantes perdendo gols e mais gols e levou um sufoco da fraca equipe do ABC no segundo tempo. Perder tantos gols desmotiva. E Cirino e Nico López foram especiais no quesito.

Cirino erra mais uma conclusão | Foto: Ricardo Duarte

Cirino erra mais uma conclusão | Foto: Ricardo Duarte

Mas, sabe?, acho realmente inacreditável que, após os bons jogos que fizemos contra Londrina e Palmeiras — com três volantes (Dourado, Fabinho e Gutiérrez), D`Alessandro pela direita, Cirino pela esquerda e Nico no meio — tu tenhas mudado o esquema de jogo colocando Pottker no lugar de Dale, Dale no meio, com Fabinho fora e Edenílson no banco (?). Edenílson deveria entrar no lugar de Fabinho e  Pottker no de Cirino, sem mudar esquema de jogo. Nosso atacante pela direita é Dale.

A colocação de mais atacantes no início do jogo foi um erro. Perdemos a posse de bola, Dourado sumiu, a saída de trás ficou assustadora, o time passou a abusar de cruzamentos para atacantes de baixa estatura e… Cirino é tua mais nova paixão? Não vi nada que o justificasse. É um atacante rápido e pouco efetivo. Nico ao menos cria boas jogadas.

Quando fizeste substituições, Zago, erraste mais ainda. Deverias ter melhorado o meio, com Edenílson, mas preferiste trocar Cirino por Diego, outro atacante. Em seguida, substituíste Uendel por Carlinhos e, por fim, Felipe Gutiérrez por outro atacante, Roberson. Tudo errado, portanto.

Lamentáveis também foram as atuações de William e Léo Ortiz, que descem rapidamente a ladeira. Talvez seja bom considerar Danilo Silva.

Os torcedores que pediram tua saída estão cobertos de razão. Tu mudas o time com quem troca de cueca. Ganhamos apenas um jogo dos últimos sete, a diretoria adquiriu um bom time todo novo e tu não dás resposta.

Na tua entrevista coletiva, deste uma resposta no mínimo bizarra:

– O modelo é esse. (…) O time tem um padrão de jogo, um esquema já bem definido e esperamos trabalhar cada vez mais em cima disso.

Modelo? Padrão de jogo? Esquema definido? Como assim, se tu mudas o esquema a cada jogo? O torcedor não é trouxa, Zago. A Série B é uma barbada e tu estás complicando as coisas com tuas indecisões. Esta alteração de esquema dos jogos contra o Londrina e Palmeiras para o do ABC foi impossível de entender. A não ser que Cirino tenha um super-empresário.

Espero que o empresário de Edenílson tenha peso para que ele entre logo no lugar de tua nova paixão.

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Porque hoje é sábado, imagens raras do ensaio de Salvador Dalí para a Playboy

Publicado originalmente por O Beijo e repassado para mim por Chico Marshall.

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Em 1973, a cidade espanhola de Cadaqués recebeu uma visita ilustre:

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a do pintor Salvador Dalí, que estava lá para dirigir um ensaio da Playboy.

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O erotismo e a sensualidade sempre foram temas comuns na obra do pintor.

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Mesmo assim alguns ainda se surpreendem ao saber que o pintor surrealista

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dirigiu um ensaio de nu para a famosa revista

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– e foi inclusive assediado por fãs enquanto trabalhava no projeto.

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Quando perguntado sobre as composições estranhas e pouco convencionais numa revista masculina,

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Dali respondeu:

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“O significado do meu trabalho é a motivação do próprio – o dinheiro.

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O que eu fiz para a Playboy é muito bom, e seu pagamento está à altura da tarefa“.

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Tá bom.

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Confirmado elenco do House of Cards Brazil

House of Cards Brazil

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19 de maio

Hoje é 19 de maio, uma de minhas datas mágicas. É o aniversário da Elena! Ontem, Elena, ao acordar enrodilhado contigo, naquela situação entre ter que levantar para o trabalho e de pensar em como seria bom ficar mais três horas ali, lembrei de nosso início, de como estávamos cada um num processo de separação, tudo ao mesmo tempo, sem saber um do outro. Depois de mais ou menos resolvidas as coisas, lembrei de minha insistência, algo entre a imodéstia e a loucura — pois és mais jovem, mais bonita, mais inteligente, mais talentosa e tens sobrando um monte de qualidades que nunca tive. Lembrei que tu pediste um período de seis meses de recuperação ou luto e que eu respondi “Seis meses? Está bem, eu espero”, coisa que te deixou muito surpresa. Mas não foram necessários nem três. Na manhã de ontem, também pensei na nossa ótima convivência e em como até hoje passo boa parte do dia inteiro querendo te abraçar e beijar. Mas nada de textão. Melhor te dizer no ouvido aquelas três palavras simples que somam sete letras.

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Para regozijo de meus sete leitores, estarei no StudioClio a cada duas semanas falando sobre música

Há um bando de loucos que gosta de me ouvir falar ou escrever sobre música. Bem, tem gosto para tudo. Isto foi lentamente se acentuando após o nascimento do PQP Bach, lá no longínquo ano de 2006. Pois agora, a cada duas semanas, estarei no StudioClio na série de palestras Almoço Clio Musical. Abordarei sobre obras fundamentais da música erudita, algo como “o imprescindível em música”, devidamente contextualizadas e com o apoio de vídeos que apresentarão trechos ou obras completas.

Durante cada palestra, haverá a apresentação didática de fundamentos, explicações sobre a terminologia, comentários sobre a estrutura da obra, instrumentação, gênero e estilo. A função começa dia 23 de maio, às 12h20, com os Concertos de Brandenburgo, de J. S. Bach. Acho que vou apresentar 4 dos 6 concertos, com comentários sobre o autor e os concertos, na verdade chamados originalmente de Concertos para Diversos Instrumentos.

O tom será o habitual, bem-humorado e procurando utilizar as curiosidades que cercam cada obra. Afinal minha ideologia é a de que a arte é filha da criatividade, da habilidade, do conhecimento, da inteligência e do artifício. E todos estes itens guardam parentesco maior com a alegria do que com a sisudez.

Na semana passada, fui tirar as fotos para ilustrar as chamadas. A primeira é a mais séria.

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Depois o Francisco Marshall, no papel de fotógrafo, começou a dizer bobagens. Mas eu me mantive com a cara mentirosamente professoral.

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Então, ele me deixou num canto da foto, se fosse necessário escrever alguma coisa à esquerda da imagem.

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Mas a coisa descambou quando ele me pediu para imitar a cara séria de Bach. Não tive tempo para preparar nada melhor.

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Mais competente foi o meu Beethoven, cujo mau humor é fácil de imitar.

05 Beethoven

Tentei fazer uma cara de Mozart que fosse leve e ousada como sua música, mas só fiz cara de Pollyanna.

06 Mozart

Meu apaixonado e encantado Chopin saiu com jeitinho de débil mental.

07 Chopin

Não soube o que fazer com Tchaikovski.

08 Tchaikovski

Já para fazer o gordão Brahms foi só encher as bochechas de ar.

09 Brahms

Haydn foi o mais feliz dos homens.

10 Haydn

A sífilis de Schubert manifestou-se erradamente através de uma tosse. Deveria ter me coçado.

11 Schubert

E então ele deu por finalizada a sessão.

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Já tenho o meu book.

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Em Berlim (XII)

Na manhã do dia 12 de janeiro, fomos ao Museu Pergamon (Pergamonmuseum), bem no centro da Ilha dos Museus. A Elena estava meio mal em razão do vinho do dia anterior, mas a visita ao Pergamon foi excelente. Este museu teve sua construção realizada entre 1910 e o final em 1930. Ele é organizado em 3 partes:

— a coleção de arte da antiguidade clássica, onde se destacam o enorme Altar de Pérgamo e as Portas do Mercado de Mileto, bem como belíssimos exemplares de escultura grega e romana;
— o Museu do Antigo Oriente Próximo, que, para além da grandiosa Porta de Ishtar, contém uma grande coleção de arte islâmica, com objetos provenientes da Antiga Babilônia e da Suméria;
— o museu de Arte Islâmica, com destaque para a Fachada de Mshatta, um palácio do século VIII descoberto (e roubado, claro) na atual Jordânia, bem como excelentes exemplares de artes decorativas islâmicas.

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Por ano, o museu recebe aproximadamente 850 mil pessoas.

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São bons esses assírios, né? Na falta do Porque hoje é sábado resolviam a coisa a sua maneira.

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Gente, o que é isso?

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O Facebook jamais aceitaria a arte assíria!

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Abaixo, nossa heroína.

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Mas

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nada

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disso

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interessa.

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Pois era o dia

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de se despedir do Bernardo.

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E almoçamos um belo almoço e caminhamos pela cidade.

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Foi um daqueles momentos de saudade prévia em que a gente pode chorar a qualquer momento.

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E que dá vontade de ficar abraçado para jamais esquecer do filho querido.

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E há como?

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Um dos muitos motivos pelos quais adoro Brahms

Com Jian Wang ao violoncelo e Emanuel Ax ao piano, o Adagio affettuoso, 2º mvto da Sonata Nº 2 para violoncelo e piano, Op. 99, de Johannes Brahms.

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Um breve momento entre deuses: Hobsbawn, Bolaño e Pasolini

A causa a que devotei boa parte da minha vida não prosperou. Eu espero que isto me tenha transformado em um historiador melhor, já que a melhor história é escrita por aqueles que perderam algo. Os vencedores pensam que a história terminou bem porque eles estavam certos, ao passo que os perdedores perguntam por que tudo foi diferente, e esta é uma questão muito mais relevante.

ERIC HOBSBAWN na contracapa do livro “Pessoas Extraordinárias”

Então, o que é um texto de qualidade? É o que sempre foi: ou seja, enfiar a cabeça no escuro, saber saltar no vazio, sabendo que a literatura é basicamente uma profissão perigosa. É correr ao longo da beira do precipício: de um lado do abismo sem fundo, de outro, os rostos que você ama, os rostos sorridentes que você quer ver, e livros, e amigos, e comida. É aceitar essa evidência, embora, por vezes, pese mais a laje que cobre os restos dos escritores mortos. A literatura, como diria um andaluz, é um perigo.

ROBERTO BOLAÑO

O futebol é a última representação sacra de nosso tempo. No fundo é um ritual, mesmo que seja um passatempo. Enquanto outras representações sacras, até a missa, estão em declínio, o futebol é a única que nos restou. O futebol é o espetáculo que substituiu o teatro.

PIER PAOLO PASOLINI

Abaixo, um “.gif” de Pasolini jogando futebol e uma foto de sua squadra:

Pasolini é o primeiro em pé, à esquerda. O time é o do Casarta, de sua cidade natal, de mesmo nome, na região Friuli.

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