Ensinando a roubar livros

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Em minha opinião, o roubo de livros é uma atividade adolescente, no máximo universitária. Um ladrão de livros com mais de 23 anos é um sujeito digno de lástima, a não ser que não tenha absolutamente dinheiro para obtê-los. O amor aos livros justifica o erro e esta atividade deve ser coibida pelo livreiro com compreensão, até com carinho por seu futuro cliente. Roubei muitos livros na época em que tinha entre 15 e 22 anos. Quando chegava em casa, escrevia meu nome e a data, acompanhado da misteriosa inscrição “Ad.”, de adquirido. Nunca me pegaram. Hoje tenho 59 anos e nem penso mais nisso. Porém, já fui um ladrão de livros. Comecemos pela ética da coisa e depois vamos às instruções.

ideafixa.co

Nunca roubarás as pequenas livrarias. Pois as pequenas livrarias foram feitas para a amizade, para as conversas e não combinam com atitudes detetivescas. Também não se rouba onde é fácil demais e onde o livreiro atende o cliente pessoalmente. Além do mais, roubar uma pequena livraria é colaborar com a proliferação das megalivrarias, estabelecimentos sem personalidade, de atendimento impessoal e onde grassa a ignorância a respeito do próprio acervo. Não se roubam livreiros que sobrevivem com dificuldade.

Nunca roube, a não ser que sejas estudante ou estejas desempregado. Roubo de livros não combina com salário e cleptomania. O roubo de livros deve nascer de uma necessidade absoluta de literatura ou informação, de um imperativo interno que esteja catalogado no CID.

Nunca olharás em torno. O fundamental, para quem pretenda atuar nesta área, é manter o ar casual. É como colar numa prova. Se, durante uma prova, você abre sua bolsa para pegar um lápis, você não olha para o professor. Se você for colar, aja com a mesma naturalidade. Não olhe para os lados, não observe onde o professor está — evite, é claro, fazê-lo com ele a seu lado –, pois se você se comportar como um periscópio de submarino, o inimigo irá observá-lo.

Nunca venderão livros onde vendem mondongo. Na minha época, a vítima principal de meus roubos era um supermercado. Vender livros em supermercados… Vender livros ao lado de azeitonas, bifes de fígado, mondongo e alvejante é algo que desmerece a literatura e, se nossas leis fossem inteligentes, tal absurdo seria proibido. O roubo era simples, mas envolvia alguns gastos. Eu pegava o livro na estante e me dirigia com ele à lancheria. Levava o livro como quem não quer nada, como se fosse seu dono. Lá, sentava-me e pedia qualquer porcaria, de preferência gordurosa. Enquanto esperava, pegava minha caneta e iniciava a leitura. Quando passava por uma parte interessante, sublinhava-a; se houvesse algo engraçado, desenhava uma carinha rindo; se triste, uma cara triste. Na última página, escrevia um número de telefone, como se ontem estivesse em casa com meu livro sem um papel para anotar e tivesse anotado na última página da coisa mais à mão, meu livro. Outra coisa importante que fazia era ler girando a capa até a contracapa, segurando o livro com firmeza, de forma a marcar a lombada. Fazia isso em vários pontos até a metade do volume. Sim, exato, você o deixará usado! Depois, é só sair do super com o livro na mão, naturalmente, à vista de todos.

Nunca terás pressa. Havia outras livrarias que colaboraram para meu acervo da época. Nelas, o método era outro. Sabemos que um bom leitor, utiliza seus livros como objetos transicionais; ou seja, ele leva seus livros aonde vai, da mesma forma que uma criança leva seu bichinho, travesseirinho de estimação, sentindo-se mal se ele não está próximo. Então, entrava na livraria sem pressa e pegava um livro. Caminhava lentamente mais ou menos 1 Km dentro do salão. Se alguém o estivesse observando, certamente cansaria. Lá pelo meio da jornada, colocava o livro a ser surrupiado junto do livro que trouxera, o objeto transicional. Caminhava mais 1 Km dentro da livraria. Chegava a cansar de ser dono daquele livro. Saía calmamente. Ficava um bom tempo na porta da livraria examinando os lançamentos, parava na frente da vitrine, demonstrava segurança, espezinhava o medo. Depois disso, podia ir para casa.

Nunca deixarás de examinar todas as variáveis à luz da tecnologia de nossos dias. Como já disse, não estou mais em idade de cometer tais pequenos crimes. Portanto, estou desatualizado e desconheço o método correto. Posso apenas sugerir posturas. As megalivrarias tem aquela coisa magnetizada ou com chip que acompanha o livro. Aquilo tem de ser anulado ou retirado. Estará a juventude de hoje destinada a pagar por todos os seus livros? E depois falam em incentivo à leitura! Olha, talvez não seja necessário pagar sempre. Há que anular o troço, talvez até arrancando a geringonça do livro. Pergunta: se você colocar o objeto de desejo dentro de uma bolsa, entre papéis ou de alguma forma tapado, mesmo assim acordará o alarme no momento da saída? Sim, o risco é imensamente maior e nem imagino o que os homens da segurança farão com você. Outro jeito é usar a ciência e desmagnetizar a coisa. Leve ímãs, leia a respeito, pesquise. Como esses livrarias são grandes e às vezes têm cafés, você pode avaliar com tranquilidade os riscos e a forma mais adequada de ler o próximo Thomas Pynchon. Todos nós já vimos como o caixa realiza a mágica de desmagnetizar; ele apenas adeja algo semelhante a um limpador de discos de vinil sobre a contracapa do livro. O que é aquilo? Concordo, é uma merda, haverá menos romantismo e mais aventura.

Nunca roubarás pockets. Sabemos que o preço do livro no Brasil é escandaloso. Para solucionar o problema, a L&PM começou a comercializar pocket books. Outras a imitaram. É uma coisa boa. Não, meu amigo, roubar esses bons livrinhos de menos de R$ 20,00 é pecado e, se você o fizer, merecerá o patíbulo.

Nunca negarás o empréstimo de livros. Um dos lugares-comuns mais ridículos que as pessoas dizem é “Não empresto meus livros”; verdadeiro clichê de quem não gosta e não confia nos amigos. Estes merecem o açoite. Imaginem que já emprestei até meu Doutor Fausto! Um livro lido e posto numa estante até o fim de seus dias é um livro que agoniza por anos. Comprar e nunca ler é fazer do livro um natimorto. Mas o pior são os do outro lado: aqueles que efetivamente não devolvem os livros tomados por empréstimo, justificando a atitude paranoica do primeiro. Patíbulo, novamente.

Biblioteca-Quadro

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93 ideias sobre “Ensinando a roubar livros

  1. Sugestão pessoal: ler os livros na livraria.

    Li um volume do Senhor dos Anéis assim. Como eu era jovem e tempo vago era uma constante, todo santo dia batia ponto na Saraiva do Praia de Belas e lia umas 30 páginas, tomava um cafezinho, espiava as gurias e depois ouvia algumas novidades na loja de CDs. Melhor época! haha

      • Quando do lançamento de “Elizabeth Costello”, eu li esse incrível romance de Coetzee em um final de semana, sentado no sofá da livraria e às vezes comprando um café pra disfarçar. Ao fechar a última página, comprei o livro.

    • já fiz tudo isso e o q o lucas falou. lá por 2001/2002 lia direto na saraiva – mesmo ritual. li uns bons 5 ou 6 livros lá… aliás, ainda no ano passado li Sartre X Camus (não me lembro se é esse o nome exatamente) na saraiva.

  2. bá, milton, lá no impedimento eu terei que seguir com a lenda, mas aqui eu ME LIBERO [ui]: o post tá muito bom.

    sobre o empréstimo de livros, já dizia winston churchill, ou george bernard shaw, ou oscar wilde, ou samuel beckett, enfim, um viado desses:

    “idiota é o homem que empresta um livro. mas MAIS idiota é o homem que o devolve”.

    sem falar num outro desses aí que, perguntado por que ele tinha tantos livros espalhados pelo chão da sala, do quarto, amontoados em pilhas, um número muito maior do que ele podia organizar em sua casa, ele respondeu: “é que os amigos só emprestam os livros, não emprestam as estantes…”.

    abrazo.

    • Por falar nisso, preciso de mais estantes. Bem, o negócio é pedir de volta. Minha irmã nunca devolve, mas eu peço. O apelido dela é Black Hole… Ela adora ser chamada assim, como podes imaginar.

      Obrigado, Dante (puxa, nunca pensei…).

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  4. Sou um péssim acumulador de livros, discos, aliás qualquer coisa. Compro, empresto, peço emprestado, dificilmente peço de volta, só se lembro pra quem foi e quero reler por algum motivo. Livros devem circular. Tem aquele livro engraçado do Vargas LLosa, Cadernos de Don Rigoberto, um sujeito metódico que tinha 400 livros, se bem me lembro. Se queria ter um novo, outro tinha que sair. É um número razoável. Nunca roubei. Difícil distinguir o roubo ético, mais fácil não roubar.

    • Sou um acumulador nato, mas empresto e dou. Uma vez, uma menina de João Pessoa queria saber onde podia achar livros de Dyonélio Machado. Moro perto do Correio, mandei os meus e comprei outros.

      Ou seja, mantenho meus objetos transicionais, mas tento fazer circular.

      Abraço.

  5. muito bom! aplica-se tudo às lojas de discos, tbem.
    vc pode entrar numa lojona, pegar um exemplar do Pedro Paramo , folhear largadão no sofá ou numas almofadas jogadas na escadaria, sem compromisso de compra. e já consegui achar umas coisas bem fora do mainstream lá, como o Dicionario Musical Brasileiro do Mario de Andrade, rarissimo, necessario pras minhas pesquisas…

      • pra falar a verdade, eu tô na idade é de ser roubado: me cobraram 90 pilas pelo Dicionario do Mario(que Mario???) de Andrade…depois descobri um relançamento por 45 .

        • Roubando na maior cara de pau: fui comprar Grande Sertão Veredas e o metralha queria me cobrar 60,00; a obra até vale mais, eu sei, mas achei por 25,00 na Siciliano.
          Nunca roubei um livro. Fiz pior: emprestei um da biblioteca e perdi e não consegui achar outro para colocar no lugar e não tive cara de voltar lá…
          Abraço forte 😉

  6. (Antes, uma pergunta: há muitos poetas que roubam livros em 2666 ou a sua inspiração para o post foi outra?)

    Concordo com todas os pontos, mas não considero a possibilidade de roubar livros de livrarias como FNAC ou Cultura. O risco, como a livraria, é grande. Quando fui a Porto Alegre – sou de Brasília – estava lendo Os Detetives Selvagens e, obviamente, me senti tentado diversas vezes a cometer tal delito. Adendo: sou estudante, tenho 21 anos e, apesar de assalariado, ganho pouco.

    Em Porto Alegre, porém, conheci o Santander Cultural e creio ter sido lá que encontrei a livraria quase perfeita para um roubo: estantes que iam até o teto em uma sala minúscula, com dois ou três atendentes que se escondiam dos clientes enquanto caminhavam pelo labirinto de livros. Conhece o local do (possível) crime, Milton?

    P.S.: Não roubei nenhum livro de lá pois minha acompanhante continuava a achar o roubo de livros uma espécie de excrescência moral, ainda que estivesse a ler o livro de Bolaño junto comigo.

    • Belas perguntas!

      1. Estou na página 180 de 2666. Ninguém roubou nenhum livro por enquanto. Tua informação é uma novidade.

      2. Porém, a inspiração veio de uma entrevista de Bolaño em que ele diz que roubava livros diariamente. Este fato nos une, pois… bem, eu fazia o mesmo. Devo ter roubado uns 100 livros entre os 15 e 23 anos. Hoje, não conseguiria.

      3. Não, não conheço o local do possível crime, mas… não dá. Local público onde os livros estão disponíveis é privatizar algo que está socializado. Impossível!

      4. Excrescência moral? Pode ser, mas excrescência maior é deixar sem livros um jovem apaixonado por literatura, não?

      Grande abraço.

      • «Me gusta robar libros. Aunque ya no puedo robar, sería bastante vergonzoso ser atrapado, pero cuando era inédito, robé muchísimos. Pero muchos, muchos… Una vez con un amigo –que también era un buen robador de libros- hicimos una apuesta en la Avenida Corrientes, cuando había muchas librerías (creo que todavía hay bastantes): fuimos a Corrientes y Callao y nos pusimos uno de cada lado de Corrientes, y la idea era llegar hasta Cerrito habiéndonos robado por orden los siete tomos del En busca del tiempo perdido de Marcel Proust en librerías sucesivas.
        P. ¿Lo lograron?
        R. Sí, yo lo logré. Él no. Él creo que robó cuatro, tres, no llegó. […] De todas maneras, me doy cuenta de que perdí el don. Lo más extraño de cuando robaba libros es que yo sentía, físicamente, una especie de aura que me hacía invisible, y que efectivamente era así, porque he salido de librerías con libros de este porte (indica con sus brazos un tamaño enorme), así, al hombro, y no me veían. Era una cosa que tal vez, la gente me miraba y decía “no, no puede ser que se lo esté llevando de una manera tan evidente”… Pero ahora ya no lo siento más. […] Uno de los momentos más gratificantes fue ver a una persona robándose un libro mío cuando yo estaba en una Feria del Libro y que viniese a que yo se lo firmase. Cuando se lo firmé le dije “te agradezco mucho que te hayas robado este libro”, pero también le dije “está todo bien, genial”. Me encantó. Me encantó que alguien se arriesgara a robar un libro mío.»
        (entrevista de Bolaño a Rodrigo Fresán)
        Arturo Belano, seu alter-ego, no romance “Los detectives selavajes” também rouba livros. Se bem me lembro um outro escritor ensina a Belano esta arte.

        • Bah, Cassionei, sério: fiquei comovido ao ler. É exatamente isso, a gente fica invisível. Eu roubei uns 10 exemplares de “A Montanha Mágica”, aquele livro enorme. Todos os meus amigos ganharam um de presente. Eu só dizia: “Roubei para ti” e os caras ficavam felicíssimos. Roubava também livros de arte da Taschen, coisas pesadas. Ninguém via.

          Hoje não roubo nem pau de fósforo.

        • Estava tentando lembrar qual escritor havia feito apologia ao roubo de livros, Cassionei, e eis que tu me esclareceu.

          Mas Milton, o Montanha Mágica??? Um calhamaço de três quilos contrabandeado para fora da livraria! Na próxima sequência do Ocean’s Eleven, tu vai ser chamado.

      • Milton,

        Essa é uma marca impressionante! Para ter uma ideia, para me igualar a você eu teria que roubar em média um livro a cada dois dias até meu limite temporal, o 23º aniversário. Como trabalho dez andares acima de uma megalivraria, hoje farei um planejamento, vou ver se encontro alguma tubulação ou algo parecido. Tem também aquela aventura que é colocar um livro na bolsa de alguma velhinha e ver se o detector à entrada grita quando ela passa. Sempre quis fazer isso.

        Quanto ao 2666, não há novidade na minha pergunta. Eu perguntei sobre Bolaño justamente por causa de Belano nos Detetives Selvagens. Meu 2666 chega semana que vem, por meio de uma amiga que está agora em São Paulo, portanto não sei sobre roubo de livros no romance. Minha dúvida era se haveria poetas ladrões de livros também em 2666, mas, por enquanto, não há sinais deles – talvez estejam invisíveis nas entrelinhas, quem sabe?

        Abraço

        • bá, mas não sobraram DOIS exemplares d’A montanha mágica? ta na minha listinha, mas qdo vou a sebos acaba sempre ficando de fora em detrimento de mais baratos…

          a história do bolaño é mto sensacional.

        • Bueno,
          No último domingo, dia 09/07/2017, também conhecido como ONTEM, conclui a página 378 de 2666.
          Nada de larápios de livros, por enquanto, mas ainda tenho esperanças…

  7. Milton,
    apesar de ser baiano (não praticante, frise-se) fui casado com uma mineira – integrante daquele povo que olha e vive com pudor (copiraite Fernando Brant).

    Roubei mais do que devia e menos do que precisava nesta fase infanto-juvenil que você fala

    Ah, sim. Tenho mais zelo pelos livros alheios do que pelos meus. Por isso, recusei seu empréstimo.

    Que mais?

    Ah, sim. Já roubei um livro de biblioteca. Mas, não fez falta nenhuma, nem senti remorso, pois era uma biblioteca da faculdade de comunicação, local insalubre onde ninguém se interessa por literatura.

    Como diria os xibungos metidos a poeta “há braços”.

    • “Roubei mais do que devia e menos do que precisava nesta fase infanto-juvenil que você fala”… Roubei muito, mas tb acho que poderia ter roubado mais. Leste o que o Bolaño diz acima? Sensacional!

  8. Putaquepariu Milton, excelente post!

    Tão bom que estou me sentindo um idiota por nunca ter roubado um único livro e já ter passado da idade mágica apontada por ti.

    Vou ali me jogar da ponte e já volto.

    Abs.

  9. Aproveitando a sorte casual de nunca ter citado aqui minha procedência, (não criando provas contra mim mesmo, pois!), confesso que graças à minha atividade anônima, mudei a rotina de muitas bibliotecas na minha cidade natal, acabando com seus ambientes idílicos de locais destinados à leitura democrática e as transformando em caixotes burocráticos onde todo mundo que entra é bandido até se provar o contrário. Como todo iniciante no crime, inventava desculpas para dourar a pílula do que, pela minha idade e minha paixão por livros inacessíveis, não poderia ser enquadrado na mesma classificação da nódoa jornalística de “roubo”; por isso meus amortecedores de consciência mais usados eram: “vou anotar, para quando me tornar um escritor mundialmente famoso, devolver com juros e correção monetária, além de minhas obras autografadas”; e, já sem muita paciência: “Edgar Alan Poe… Edgar alan Poe… Vê se esses energúmenos vão saber quem é Edgar alan Poe? Estou fazendo um favor a esse livro empoeirado, já que a ninguém vai servir.” Como um tubarão, eu era o carnívoro biologicamente perfeito para o roubo de livros, com meu jeito desengonçado de nerd cabeludo de 1,90 de altura, com um ligeiro ar desamparado que fazia-me passar desapercebido para as bibliotecárias, que quando me olhavam, não haviam como suspeitarem de um leitor voraz atrás da droga, senão de um tarado que usava os cubículos individuais de leitura para ficar olhando as calcinhas das meninas nas outras mesas (bons tempos!). E minha constituição física me dava uma arma infalível, uma vez driblado a atenção alheia entre as estantes: os camisões frouxos para disfarçar a magreza que possibilitava colocar o livro, seguro e confortável, preso pela cintura do jeans. ( E a alegria adrenérgica única de andar a extensão interminável até a portaria, com o primeiro livro do Faulkner capturado, para então ganhar a rua, ileso!) E como todo criminoso que para si mesmo não se confessa, minha perícia dava-me convicções de revanche políticas e econômicas. O mal milenar da igreja católica me movia a ser o Robin Hood que tiraria uma pequena parte do acervo da universidade católica para distribuí-la aos pobres: o duro é que eu não poderia compartilhar o butim (com o carimbo denunciador) com mais nenhum pobre além de mim. Só atinei que já era profissional e tinha que para com aquilo quando, despreocupadamente, achei um exemplar de “Canto Geral” com a limbada das páginas branca, sem o carimbo, e o enfiei na mochila, com a parte limpa à vista, e passei na revista da portaria retribuindo o boa noite do guarda. Parei, nunca mais.

    Mas satã, meus camaradas, como naquele conto do Alberto Morávia, está sempre de prontidão, se apresentando nas formas mais ingênuas possíveis, e eis que nesta cidadezinha de 30.000 habitantes, onde sou um profissional respeitável (diante um engano destes, o que é o simples vilipendiar de um livro?), chamado de doutor a ponto de a loja maçônica me convidar para enfrentar o bode, devido à minha idoneidade moral e meu passado de cidadão incompurscável, há três anos, visitando a bibliotecazinha local, eis que a encontro sem nenhuma alma viva, sem as sisudas gárgulas contratadas para assustar as crianças que são as bibliotecárias da tradição, sem nenhum usuário ou visitante, SÓ, DESERTA, de forma a se poder ouvir o vento na janela lá em cima na parede soprar: “Aproveite”, “VOCê nunca terá uma chance dessa!”, “Eis o seu sonho realizado”. O que fiz???

    Bem, já estou terminando as seiscentas páginas e reafirmando o pacto de que, assim que assinar a tradução para o francês, encomendar uns vinte exemplares de capa dura, com minha valiosa assinatura em cada uma das primeiras páginas.

  10. Eu pego livros na biblioteca com alguma freqüência e sempre os devolvo no prazo. O que acontece é que, por um motivo qualquer, eu me esqueço de levar um certo livro no dia marcado. Ao pensar na cara de desprezo da bibliotecária e no seu olhar de “seu ladrãozinho de merda, toma essa multa pra aprender a devolver as coisas no dia” eu deixo para levar no dia seguinte. Como resultado tenho um bom número de livros da biblioteca estacionados aqui em casa. Entre eles está um Darcy Ribeiro lido pela metade. Se isso serve como desculpa, o seu Ribeiro estava naquela estante desde os anos 70 e NUNCA havia sido retirado. Fiz um favor a ele.

  11. Milton:

    Esqueceste de citar a Feira do Livro, tradicional lugar onde, como dizem os nordestinos, pode-se dar o “checho” facilmente, embora isto possa se enquadrar na tua regra número um.

    Quanto a roubar discos, no passado isto era obviamente mais complexo, normalmente se levava dois LP´s em uma mesma capa. Depois com os CD´s e mais recentemente com o MP3 esta necessidade se esvaiu.

    Assisti alguns vídeos sobre prevenção de perdas no varejo muito interessantes. As pessoas são muito criativas para burlarem as etiquetas magnéticas com sucesso. Como trabalho de conclusão, devem ter sido nomeadas CC´s do Detran.

  12. Não me lembro de ter roubado livros, não. Coisas de papelaria, isso sim. Canetas, lapiseiras, caixinhas de grafite (4B, claro), borrachas plásticas, pastas etc. E com um método semelhante ao seu, baseado na casualidade, no rodar tanto pela loja como quem não quer nada, etc.
    De resto, também nunca me esqueci da história do Don Rigoberto que alguém aí em cima citou. Um número fixo de livros — para entrar um, tem de sair outro. Muito bom, isso.

  13. Excelente post, Milton, excelente mesmo. Eu nunca roubei livros, nunca precisei. Minha mãe sempre me comprou os que eu queria, mesmo em épocas de aperto. Ela sempre diz que “com livro e com comida não se economiza”, o que sempre me agradou muito. Em compensação, eu nunca tive um tênis da Nike ou Adidas, muito menos uma roupa de marca.

    Sobre roubar as grandes livrarias de hoje em dia, eu deixo um conselho: tomem muito cuidado. Conheço um cara que foi parar na cadeia por ter roubado a FNAC, e só saiu por ter um avó manda-chuva em São Paulo. Tudo bem que o cara exagerou, e roubou muita coisa durante muito tempo por lá, mas de qualquer forma, fiquem espertos.

    Grande abraço, Milton!

    • GIlberto,

      É uma questão de falta de dinheiro + vontade de aventura + fazer os outros (uma grande estrutura, sempre) de bobos. Mas é óbvio que uma mãe assim prejudica a delinquência…

  14. Roubar livros…podia ter sacado essa na época da pindaíba universitária. Pudor demais dá nisso.

    Em compensação, faço o papel de “agregador” dos livros da família: meu pai me empresta, o livro fica comigo. Meu tio me empresta, idem. Sem contar a parte do espólio do meu avô que julguei importante tomar conta.

  15. Olha, eu confesso: roubava livros da Biblioteca da UCBEU (União Cultural Brasil-Estados Unidos).

    Mas violei algumas de suas regras: roubei pockets (eram mais fáceis de esconder, cacete!)

    E nego o empréstimo de livros rsrsr…

    “Eu roubava livros em inglês”, como diria a Xuxa…

    Beijinho, beijinho, tchau, tchau! (urgh!)

  16. Se essa é uma memória de verdade e você roubou trezentos livros dos quinze aos vinte e quatro anos, parabéns. Minha teoria de que no Brasil ninguém rouba livros está acabada. Eu até ja fiz várias vezes um experimento imaginário e deixei uma pilha de livros no Largo da Carioca, em frente ao Convento. Fui-me embora e no final de tarde voltei, e a pilha toda estava lá. Ou vem o meninos que esmola por ali dizer que o catador de papel carregou com eles no carrinho. Melhor: vejo um dos livros servindo de calço para a barraca de caldo de cana, que desde sempre é bamba no chão de pedras portuguesas.

    • hahahahaha!

      Me lembrei agora. de tanto roubar uma biblioteca pública na adolescência,minha consciência pesou (olha só que facínora!), e doei três livros caríssimos dos que eu mais gostava para tal biblioteca. Os livros eram os valiosos volumes em capa dura e tamanho imenso da série “O Príncipe Valente”,belíssimos,poblicados pela editora Brasil América. E olhe só que curioso: deixei-os lá por conta da bibliotecária,uma senhora magricela de poucas palavras,e recusei preencher a ficha de doação. Nunca mais os vi na biblioteca. Ladrão que rouba ladrão. o que vale é que isto deve contar como atenuante no Livro dos Mortos. If I Had Possession Over Judgment Day .

  17. Em Uma História da Leitura, de Alberto Manguel há um capítulo divertido sobre o roubo de livros.

    E de acordo com o Miguel Sanches Neto, no livro Herdando uma Biblioteca, Paulo Leminski roubou de uma biblioteca uma antologia de haikais japoneses. Que beleza.

  18. Mais Bolaño:
    “Los libros que más recuerdo son los que robé en México DF, entre los dieciséis y los diecinueve años […] En México había una librería extraordinaria. Se llamaba Librería de Cristal y estaba en la Alameda. Sus paredes, incluso el techo, eran de vidrio. Vidrio y vigas de hierro. Examinada desde fuera, parecía imposible poder robar un libro allí. Sin embargo, la tentación de hacer la prueba pudo más que la prudencia y al cabo de un tiempo lo intenté. El primer libro que cayó en mis manos fue un pequeño tomo de Pierre Louis… […] Pero fue una novela la que me sacó y me volvió a meter en el infierno. Esta novela es La caída, de Camus […] Después de Camus todo cambió. Recuerdo el ejemplar: era un libro de letras muy grandes, como un primer abecedario, de pocas páginas, de tapas duras, con un dibujo horrendo en la portada, un libro difícil de sustraer y que no supe si ocultar bajo la axila o en la espalda, pues no se amoldaba a mi americana de estudiante cimarrero, y que al final saqué a vista y paciencia de todos los empleados de la Librería de Cristal, que es una de las mejores formas de robar y que había aprendido en un cuento de Edgar Allan Poe.”

    (Entre paréntesis)

    P. ¿Ha robado algún libro que luego no le gustó?
    R. Nunca. Lo bueno de robar libros (y no cajas fuertes) es que uno puede examinar con detenimiento su contenido antes de perpetrar el delito.

    (de sua última entrevista a Roberto Bolaño)

  19. O único livro que roubei de uma loja até hoje foi um do Daniel Defoe, mas roubei sem perceber. Entrei com o meu livro, olhei vários livros e, quando saí da livraria, saí com dois livros… só percebi o aumento da carga quando estava no ônibus, voltando para casa.

  20. Milton, Milton, sempre suspeitei que o seu passado o condena. De minha parte, talvez pelo fato de ter trabalhado em livrarias durante quase 20 anos, talvez por uma questão ética, enfim, nunca roubei um livro sequer nestes locais, talvez pela minha educação católica para ser um bom menino. Mas confesso que participei de um delito dentro de uma Loja Americanas em São Paulo, quando um colega roubou uma caneta BIC (daquelas de 4 cores). Veja bem, foi ele quem roubou, eu apenas estava junto.

  21. nunca roubei livros, mas tenho vários amigos que praticavam esta arte. a única vez que tentei/consegui roubar alguma coisa foi um cartão de dia das mães (o dinheiro para comprar o cartão eu tinha gasto comprando brinquinhos com a cara dos integrantes do menudo – medo!). o segurança da papelaria me pegou com aquele cartão enorme enfiado embaixo da camiseta, eu devia ser uma pirralha, 10 anos? mas ainda consegui sair com dois mini-cartões enfiados dentro do bolso da calça 😛
    não foi a única contravenção que eu cometi na vida, mas as outras não posso confessar aqui. Adorei o post, peguei emprestado, tá? com o crédito, lógico.

  22. Também adoro livros, e gosto de roupas bonitas, de jóias, de bolsas transadas, de vinhos bons, de queijos deliciosos. Se posso , compro. Se não posso, peço emprestado. Se ninguém tem para emprestar não furto. Porque furtar livros é crime como furtar qualquer outra coisa que não nos pertença. Isto não é ser careta, ou politicamente correta. Isto é ser honesta, coisa que aprendi com meus pais e ao longo da vida, inclusive através de bons livros. A despeito de seu bom texto vc faz apologia do furto. Lamentável, sorry

    • “Eu não Falei”, é bom que atentes para o caráter jocoso disso tudo. Apesar do crime obviamente incutido nesses esquemas todos, o roubo de livros tende a ser um rito de passagem da juventude de um aficcionado por livros, e _numa interpretação mais perigosamente realista_, um meio de testar uma veia de subversão que, na grande maioria dos casos, expira graças à tendência inata de todo intelectual praticante: a de ser um banana para os demais assuntos da realidade cotidiana.

      Ademais, como diz Herzog, observando uma audiência de um travesti perante um juíz da Corte, todos nós somos, de uma certa medida ou de outra, prostitutas. A honestidade plena, se existisse, seria um crime imperdoável.

      E, lembrando o sábio Millõr: “O que é uma assalto a Banco, diante um Banco?”

  23. hauhauhau Cara simplemente amei o post, eu ja me salvei muito livro que ficaria na estante sem ninguem ler e depois emprestei, tenho até um caso curioso, rodei todas as bibliotecas a procura de um livro e só o encontrei em uma, pior esse livro não poderia ser emprestado porque, estava se deteriorando por tantas leituras. roubei o livro, fiz uma cópia e repus o livro no lugar… minha cópia tenho até hoje , a biblioteca não.

  24. Hola! Pero que hijo de puta no paga pero tampoco lleva!

    Bem amigos, o bom senso me diz que esse post só pode ser um absurdo: analisemos o que está disponível pra nós: o bom senso (senso comum) nos diz que roubar é crime, e a grande maioria das pessoas acha essa atitude iníqua, desprezível: ora, a maioria que postou aqui demonstrou grande afeição com o roubo de livros, alguns confessaram seus crimes, outros ficaram entusiasmados. Por uma questão meramente intuitiva acho isso um absurdo. Outra coisa, não seria uma prática condenável a apologia ao crime? Não é isto que estamos vendo aqui?
    Eu tenho minhas teorias a respeito desse blog: ou é alguma pesquisa acadêmica disfarçada de “robin hoodianismo”, ou alguma pesquisa de livraria para saber com qual frequência, idade, perfil dos “ladrões” de livros, ou é puramente um devaneio literário sob a forma de blog: Um belo dia Milton sonhou como seria emocionante e hollywoodiano roubar livros e resolveu postar pra ver a reação alheia.
    Dentro desse meta-absurdo sub-repiticio, tenho algo a dizer a vocês decadentes: Eu li todo o post do Milton e todos os comentários, e não acredito que ele esteja falando de roubo. Penso que a semântica falhou nessa hora, e uma pessoa que “rouba” tanto, deveria ler o mesmo tanto que “rouba” para perceber que essa atitude subversiva não é roubo e sim expropriação.
    Agora vocês podem ir nas grandes livrarias e roubar o Aurélio para ver o significado da palavra expropriação. Não confundam com apropriação, com furto, nem com roubo, expropriação é uma atitude ego-revolucionária.

  25. eu roubo sempre, tenho 30 e minha própria ética. mas hoje me pegaram, fiquei com medo do cara me espancar, mas felizemente veio com dois policias, sermão basico, e tal… estou desempregado (nao justifica) por isso pretendo voltar a comprar.

  26. Hum… tenho uma marca similar, 387 e aumentando.
    Também sou contra roubo em bibliotecas e sebos, lá é onde você ainda pode se sentir não destruidor da literatura que tanto admira!
    Roubar livros vai muito além da aquisição, do possuir, do usufruir sem o fator financeiro, mas de saber que aquela obra será sua, você fará parte dela e poderá aumentar um pouquinho sua parcela de conhecimento sobre algum dos livros de antes.
    Reconheço que o valor de minha biblioteca já ultrapassou os 5mil reais, não costumo emprestar livros pois as pessoas que os vêem, procuram sempre os best sellers e sem nenhum valor de história, o que me leva a pensar que é fato que não existe roubo de livros, e sim roubo de livros comerciais, que podem até ser comparados com DVD´S e CD´S de tão acessíveis em todas as mídias que são.
    As grandes obras, livros caros e tão inacessíveis, ah sim, estes são o meu prazer! Afinal, você ter uma obra que sabe que foi escrita cuidadosamente, com todo o espírito de um escritor, não tem preço!
    Infelizmente na maioria das cidades, as verdadeiras grandes obras são inacessíveis, e nada tenho contra o roubo de livros, na maioria das vezes gosto tanto de um autor que acabo comprando, desde que a um preço justo.
    A verdade é, como poderia gostar de kafka? ou Bukoviski? ou Dostoiéviski se eu nunca tiver acesso ao mesmo? O Brasil sofre de um não acesso muito grande, e é muito difícil imaginar pessoas que se abalem de suas casas só para conhecer essas obras, meus próprios familiares tem acesso a todo esse conteúdo e preferem ver o livro sobre filmes!
    São poucas as iniciativas de livre acesso de escritores daqui e de fora, por isso, se você puder, se aproprie! Caso goste, compre as obras.

  27. ja roubei livros- 300 e pinto- por semana roubava uns 10/12
    continuo roubando beeeeeeeem menos e claro
    so q agora bateu o famoso efeito CRIME/(MEDO DO)CASTIGO

    roubei no trabalho algo q queria muito
    estou madrugando ansioso por saber
    eles sabem?

    voltarei la pela manha
    amanha novidades…

  28. Sim, eu já roubei livros, mas prefiro chamar de apropriação. Não é um mea culpa não, é que eu simplemente acho que livro é para ser lido, e se me impedem de ler porque a condição financeiras não condiz com o preço do exemplar, eu me aproprio dele.

    E se eu tenho 25 ano, já passei da idade, mas eu ainda sou estudante universitária, mera bolsista de iniciação científica???

    Eu parei de cometer tal delito aos 20 anos, mas lendo seu texto fiquei tão tentada…

  29. Certo dia estava folheando vários livros em uma Siciliano de Fortaleza, inclusive alguns meus. Fui com caderno, fazia anotações.
    Um destes livros era um Taschen enorme sobre o Kandinsky, enorme mesmo. E, distraído que sou, coloquei-o na bolsa sem perceber.juntos com os demais, que eram meus. Pois bem, atravessei a porta, o detector de metais, e só me dei conta do que aconteceu quando cheguei em casa horas mais tarde.

    Provavelmente estava com um computador ou uma câmera reflex digital na bolsa, não sei se isso distraiu o sensor. Fiquei com a sensação que aquelas barras de proteção são apenas blefe, mas nunca mais tive coragem de arrsicar.

  30. Aqui em Curitiba tem uns sebos que merecem ser roubados.

    Acho que vou perder a vergonha e tentar aplicar as táticas fornecidas, afinal ainda estou dentro da idade permitida.

  31. Tenho 23 anos, sou amante de literatura e estou desempregado. Comecei a me aventurar em tais empreitadas há algumas semanas. Já devo ter “adquirido” cerca de 15 livros, alguns injustificavelmente caros. Fui pego duas vezes, sermão básico em uma, hostilidade na outra, mas acabei sendo liberado.
    Desde que seja um estabelecimento comercial, considero o furto algo válido. Pois, como ouvi certa vez: “ser comerciante é ter licença para roubar”. Ou seja, a diferença entre LUCRAR com um estabelecimento comercial e o ato de furtar de fato é bastante tênue, questão de proporção mesmo, eu diria.

  32. Eu sou um entusiasta na arte da apropriação de livros. Já adquiri por esse meio uns 50 livros, numa estimativa modesta. Todos os quesitos listados pelo Milton são válidos desde que voçê tenha a exata noção do que está fazendo, pois a arte de se apropriar de um livro tem seus riscos. Para quem quer entrar no ramo um conselho: Comece devagar, estude a área de atuação, crie métodos, seja criativo. Garanto que seguindo esses humildes conselhos mais a listagem do Milton não haverá quem o detenha. Seja metódico. Eu tenho 23 e em meus cerca de oito anos ou mais (sempre fui apaixonado por livros!) só fui apanhado uma única vez na Biblioteca da minha Universidade, sem graves consequencias. Essa semana pretendo adquirir o livro Outono da Idade Média, que custa uma barbaridade, em torno de uns 170 pilas. Depois ladrão é os outros.

  33. Nunca roubei. Nem mesmo quando eu era estudante pobre e fodido. Sempre fui bundão e com o tempo aprendi que isso não se justifica. O máximo que fiz foi pegar uns dois ou três emprestados e não os devolvi. Talvez por falta de compromisso ou porque realmente esqueço de entregá-los quando encontro os donos. Tecnicamente, poderia dizer que ocorreu uma “apropriação indébita”. Nunca furtei ou roubei, mas também não sou santo moralista.

    Por outro lado, já doei inúmeros para a faculdade. Doar é melhor do que roubar, mas demorei a aprender isso. Já doei CDs e livros aos montes. E até gosto…

  34. A Saraiva da rua São Bento expunha livros no calçadão.Eu e Paulo,médico psiquiatra,colocávamos um jornal dobrado sobre o livro escolhido.Pegávamos e folheávamos outros livros.Na hora de ir embora pegávamos o jornal e o livro embaixo dele.Dois doutores de branco.Ele me ensinou,aquele cleptomoníaco literário sem superego

  35. O roubo de livros é uma paranoia entre os livreiros, na semana passada saiu um senhor engravatado da livraria, o Carlinhos da Nova Roma estava atravessando a rua, quando viu o senhor saindo da loja voltou e com cara de preocupado me avisou para tomar conta do “doutor” que ele já tinha flagrado colocando livros na pasta.

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