Hoje, 120 anos de Vladimir Nabokov

Hoje, 120 anos de Vladimir Nabokov

E eu mando bala num texto quase que montado a partir de várias fontes e da memória de tantos Nabokovs lidos:

A voz de Nabokov é única. Ele trabalha uma perfeita fusão de estranheza, sentimentos, nostalgia e imagens, formando um ambiente ao mesmo tempo denso, subjetivo e histórico. Ler Nabokov é realmente entrar em outra realidade. As tramas são complexas, há sempre jogos inteligentes de metáforas e um estilo de prosa capaz de paródias e de intenso lirismo.

Nascido em São Petersburgo, no dia 22 de abril de 1899, Nabokov foi romancista e contista de primeira linha, poeta, tradutor e entomologista. Seus primeiros nove romances foram escritos em russo, mas ele conseguiu proeminência internacional apenas após começar a escrever em inglês.

Poucos escritores do século passado foram (e são) mais festejados do que ele. Presença certa em qualquer lista dos grandes, o autor de ‘Lolita’ está sempre lá, ao lado de Borges, Joyce, Proust, Beckett… E, posso estar enganado, mas, a julgar pela quantidade de biografias existentes (até sobre Véra, sua mulher, já se escreveu uma), citações e releituras (como O Encantador, da franco-iraniana Lila Zanganeh), me parece que, hoje, poucos autores desfrutam do status de celebridade equivalente ao do “bruxo russo”.

Lolita (1955), seu mais famoso romance em inglês, foi classificado em quarto lugar na lista dos 100 melhores romances da Modern Library; o belíssimo Fogo Pálido (1962) foi classificado 53º na mesma lista, e suas memórias, Fala, Memória (1951), foi listado em oitavo na lista das maiores não-ficções do século XX. Mas chega de listas.

Silas Marner: o tecelão de Raveloe, de George Eliot

Silas Marner: o tecelão de Raveloe, de George Eliot

Os sete leitores que acompanham este blog sabem de minha profunda admiração por George Eliot (1819-1880). Basta conferir, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. Eliot, na verdade, era uma mulher que usava um pseudônimo masculino para que seus trabalhos fossem levados a sério. Na época, outras autoras publicavam trabalhos sob seus verdadeiros nomes, porém Eliot queria escapar dos estereótipos que diziam que mulheres só escreviam romances leves. E realmente seus livros são muito bem escritos e planejados, mas nada leves. Outro fator que pode ter levado Eliot a usar um nome artístico tão distante talvez fosse o desejo de preservar sua vida íntima. Ela viveu por mais de 20 anos com George Henry Lewes, um homem casado com outra mulher. Ah, a sociedade vitoriana…

Tratando de evitar spoilers, conto a história do livro rapidamente. Parece boba, mas estamos longe disso. Eliot é uma sofisticada mestra da narrativa e da observação social e psicológica. Silas Marner, indevidamente acusado de roubo e exilado de uma comunidade religiosa muitos anos antes, é um tecelão amargurado e misantropo que mora em Raveloe, vivendo apenas para o trabalho e para seu pequeno e crescente tesouro de moedas de ouro. Mas quando seu dinheiro é roubado e uma criança órfã entra casualmente em sua casa, Silas tem a chance de transformar sua vida. Seu destino e o de Eppie, a garotinha que ele adota, está ligado a Godfrey Cass, filho de um burguês da vila, que, como Silas, está preso a seu passado. Silas Marner é o livro favorito de George Eliot dentre seus romances. É curto e combina humor, rico simbolismo e faz uma crítica social nada sentimental, mas afetuosa.

(Apenas peço desculpas para discordar de Mary Ann: seu monumental Middlemarch é uma obra-prima, considerado merecidamente pela crítica um dos maiores romances ingleses de todos os tempos. E assino embaixo e por todos os lados desta opinião).

Em resumo, Silas Marner é a história de um avarento solitário redimido gradualmente pela alegria da paternidade.

Meu amigo de Facebook João Antonio Guerra faz uma observação importante:

“O mais maravilhoso para mim é o retorno a Lantern Yard, justamente onde a história começou, no último capítulo numerado do romance. Esse tempo todo a gente sabia que a condenação de Silas tinha sido injusta, e naquele momento descobrimos que (sua fuga e amargura) não serviu a propósito algum, não sobrou ninguém dos que inventaram a história toda”.

Silas Marner é um clássico. Falsamente simples, curto e perfeito. A história hiper romanesca faz com que a gente devore o livro.

Recomendo.

George Eliot (1819-1880)

Meu estado é assim em todos os níveis

Meu estado é assim em todos os níveis

O futebol como representação da vida política e da vida em geral.

Explico para quem não entendeu: Na primeira foto, o árbitro Jean Pierre Lima vê este incrível pênalti (fora da área, houve um beliscão do jogador colorado no calção do gremista, que caiu desmaiado). Depois, vitorioso, Renato Portaluppi agradece a graça recebida.

O Inter negou-se a pegar a taça e as medalhas de vice-campeão. Correto. Se não tiverem bom valor no Mercado Livre, melhor deixar na FGF.

Bom dia, Odair (com tuas tolices da final de ontem)

Bom dia, Odair (com tuas tolices da final de ontem)

O Grêmio mereceu ser Campeão do Picanhão 2019. Liderou de cabo a rabo e, mesmo sem fazer gols na final, levou mais a sério uma competição que, afinal de contas, estava destinada a ele pela FGF. Mesmo nas finais, mesmo com poucas chances, atirou duas bolas na trave, uma em cada jogo. Ou seja, deixa eles.

Lomba teve sorte no lance do gol anulado do Grêmio. Ficaria famoso. | Foto: SC Internacional

Já nós, seguimos com os critérios errados de Odair. Como disse na minha crônica anterior, deixar a “fila de substituições de armadores” com Pottker, Parede e Camilo na frente é absolutamente inexplicável, ainda mais quando vemos Sarrafiore e Nonato no banco. É o aparentemente eterno critério de deixar os mais velhos com a precedência. Não adianta os mais jovens serem melhores, os mais velhos mandam e ponto final, mesmo sendo burros como Pottker ou repulsivamente ruins como Parede. Eles são os chefes e a Odair só resta obedecer.

Nem vale a pena falar na titularidade de Patrick, né? O cara olha o campo adversário e espera a marcação chegar para se virar e empurrar o adversário com a bunda, tentando fazer o giro. É irritante. Deixa tudo lento.

A única novidade positiva destas finais foi a boa marcação de Zeca sobre Éverton. Ontem, quando o ex-santista saiu lesionado, fez uma falta danada, pois Éverton renasceu das cinzas com Edenílson marcando de longe.

No mais, já deu para ver que Nico López não pode bater pênaltis sob pressão. Ele já tinha errado na decisão por pênaltis contra o NH. Já Cuesta não deveria bater jamais, Cuesta é zagueiro.

E deu pra ver o quanto tu és medroso, Odair. O time tem medo de ganhar. Baseado na estratégia do Depto. de Futebol, não há variação tática importante para mudar jogos de maior dificuldade e as escolhas de quem joga ou fica no banco não agradam. Nosso segundo tempo foi uma vergonha. Só nos defendemos. Jogar pelo empate na Arena ninguém mais faz. E quem não faz costuma sair sorridente de lá.

Agora temos um fim de semana de folga antes no jogo contra o Alianza em Lima, pela Libertadores. A partida é quarta (24), às 21h30. Depois, no sábado (27), temos nossa estreia no Brasileiro contra a Chapecoense, em Santa Catarina.

Parece uma bagunça, mas é um tesouro

Parece uma bagunça, mas é um tesouro

Olhando parece uma bagunça, mas a área infantil da Bamboletras é um tesouro.

Claro que é legal dar chocolates na Páscoa, mas nós, da Bamboletras, que também amamos chocolates — podem nos presentear, tá?, estamos aqui das 10 às 22h –, sabemos que o valor afetivo, a durabilidade e a lembrança de um bom livro infantil são para sempre.

E nossos infantis foram reforçados para esta Páscoa.

Na sexta-feira e no domingo, estaremos abertos das 15 às 22h. No sábado, horário normal.

É só chegar.

P.S. — Caso alguém queira nos deixar bem felizes, nossas preferências giram entre o Kit-Kat, o velho e bom Refeição, o Milka, Prestígio, Ouro Branco e livros, muitos livros!

Bibi Andersson (1935-2019)

Bibi Andersson (1935-2019)

Ontem, senti-me abalado ao saber da morte de uma das musas de Ingmar Bergman, Bibi Andersson. Ela participou de boa parte dos filmes que adoro.

Tive a grande sorte de ver e rever todos os filmes que ela fez com Ingmar Bergman faz poucos anos. A atuação dela em Persona… Ingmar Bergman teve a sorte de desenvolver e trabalhar com alguns dos maiores atores do mundo — Erland Josephson, Max von Sydow, Ingrid Thulin, Harriet Andersson, Bibi Andersson e Liv Ullmann.

Bibi Andersson é mais lembrada por seus papéis em O Sétimo Selo (1957), Morangos Silvestres (1957), No Limiar da Vida (1958) — um dos meus filmes favoritos de Bergman que serviu de inspiração para o poema que Sylvia Plath chamou de Três Mulheres –, Persona (1966), A Hora do Amor (1971) e Cenas de um Casamento (1973), onde é coadjuvante. Mas trabalhou  também fora da Escandinávia, em filmes menores.

Jamais esquecerei aquelas imagens de Persona como as de Bibi e Liv atravessando a praia e seus rostos lado-a-lado em justaposição. Há também o célebre monólogo de quatro minutos do personagem de Bibi no filme, relembrando seu encontro com um menino em uma praia que levou a uma gravidez e a um aborto juvenil contra a vontade.

Bibi Andersson e Liv Ullmann em Persona (1966).

Eu me pergunto como Liv está se sentindo agora. Em entrevistas recentes, ela falou de sua admiração e respeito por Bibi, comentando suas atuações em Persona e Cenas de um Casamento, no qual Bibi aparece em uma cena crucial.

Bibi Andersson já estava aposentada — sofreu um AVC em 2009 e desde lá estava bastante mal –, mas espero que seu luminoso sorriso permaneça em minha memória até que venha meu momento de segui-la.

Bom dia, Odair (com os lances do Gre-Nal de ontem)

Bom dia, Odair (com os lances do Gre-Nal de ontem)

Há um grave problema no Inter. D`Alessandro está completando hoje 38 anos e é inevitável que não seja mais o mesmo jogador de antes. A idade pesa e ele tem de ser substituído em todos os jogos. Entramos em campo sabendo que Dale vai sair ali pelos 15 do segundo tempo. É claro que ele — com sua qualidade técnica superior — deveria entrar durante as partidas e não o início das mesmas, Odair, pois já pegaria os adversário cansados, mas… Mas este é apenas o primeiro dos problemas.

Parabéns pelo 38 anos completados hoje, D`Alessandro! | Foto: Ricardo Duarte | SC Internacional

Veja bem, nossa segunda linha de 4 é formada por Dale, Edenílson, Patrick e Nico. A ordem de substituições parece ser imutável: o primeiro da fila é, incrivelmente, Parede, depois vêm Pottker e Camilo. A ordem é finalizada por Nonato e Sarrafiore. É uma tremenda injustiça para com os jovens. Na minha opinião e na de quase toda a torcida, esta ordem deveria ser simplesmente invertida.

Ou deveria ser mais criteriosa. Nonato seria o substituto natural de Edenílson e Patrick, mais afeitos à marcação. Sarrafiore ou Camilo seriam SEMPRE os suplentes de Dale, e Pottker e Parede os de Nico. Mas como enfiar simplicidade na cabeça de um técnico amedrontado?

Parede na posição de Dale? Meu deus, ele é grosso de dar dó, muda toda forma de atacar do time. E gosta mais de marcar zagueiros do que construir jogadas…

No mais, seis coisinhas sobre o Gre-Nal:

(1) Inter fez uma partida apenas média. O empate foi justo. Nosso esquema foi o mesmo dos jogos anteriores, apenas com maior proteção a Zeca, mas isto só foi feito quando Éverton começou a reinar, fato facilmente previsível, não Odair?

(2) A arbitragem foi puramente política. Não me serve. Não expulsar Renato foi a piada do ano. Só no RS um técnico invade o campo para bater boca e fica tudo por isso mesmo.

(3) O Grêmio não marca muito. Gosta só de ter a bola. E o Inter gosta de entregá-la. O jogo foi gostoso de ver do ponto de vista tático, mas nada emocionante. As únicas emoções eram os erros de Vuaden.

(4) Na minha opinião, perdemos o Vaziozão 2019 ontem. Mas eu treinaria bastante cobranças de pênaltis para o segundo Gre-Nal quarta-feira, nas Arena, às 21h30.

(5) Os empates voltaram a ficar na frente do Grêmio na história dos Gre-Nais.

(6) Melhor jogador do Gre-Nal? Victor Cuesta, sem dúvida.

P.S. — E li no twitter de @dimibarcellos: “Hoje foi o quarto jogo quase em sequência onde o Inter teve que queimar uma troca ainda no primeiro tempo por lesão. Patrick contra Alianza Lima, Bruno contra River e Rithely hoje foram por problemas musculares na coxa. Isso não é normal”.

Eu e Elena

Eu e Elena

Primeiro, eu vi Elena com seu violino na Ospa e fiquei boquiaberto. Como ela é linda! Eu não sabia que ela lia o meu blog, que ainda existe — como iria imaginar? Depois, há exatos 9 anos, ela me pediu amizade no Face e começamos uma educada querelinha sobre música. Quando conversamos ao vivo, fiquei duplamente besta. Muito inteligente, bela voz, uma piadista de primeira. Sou um idiota sonhador e sempre acreditei que acabaríamos juntos. Às vezes acerto.

Fico sempre muito feliz ao vê-la, o que ocorre a toda hora. Por exemplo, se eu for na sala agora, ela estará vendo SVU. Se o filme não estiver muito tenso, vai sorrir pra mim.

Minha mãe e o Gre-Nal

Minha mãe era muito supersticiosa. Ela achava que a primeira camiseta que visse na rua, em dia de Gre-Nal, seria a do time vencedor. Estou meio febril há dois dias e não sei a que horas saio hoje. Nem se saio. Mas, mesmo sem acreditar na coisa, fico na expectativa. Quando sair vou ficar olhando para todos os lados até ver a primeira.

O maestro superego

O maestro superego

Publicado na Folha em 13 de abril de 2008
Tradução de Paulo Migliacci

Mais aclamado regente do século XX, Herbert von Karajan, que estaria fazendo 100 anos, esterilizou a imagem da música erudita para as futuras gerações, diz crítico inglês.

NORMAN LEBRECHT

Quando acordo ao som da música de Herbert von Karajan [1908-89] no rádio, esfrego os olhos para ter certeza de que Mao Tse-tung não continua no poder e a União Soviética deixou mesmo de ser uma potência mundial.

Houve um momento, definido pela forte presença de ditaduras, no qual Karajan parecia ser o fundo musical inevitável. Nos anos 70 e 80, ele era onipresente, uma presença cultural imponente cercada por admiradores nos mais altos postos. Afinal, era tudo que um político decaído aspirava ser: ultra-elegante e onipotente.

O centenário de seu nascimento, no último dia 5, está sendo celebrado por um dilúvio de produtos de uma indústria musical que ele conduziu à prosperidade e depois lançou à quase ruína.

Se o mercado de música clássica convencional se estreitou imensamente nos cinco últimos anos, isso é conseqüência inevitável dos excessos da era Karajan. Se a própria música clássica é vista por muitos (injustamente) como elitista, antiquada e retrospectiva, deve-se agradecer a Herbert von Karajan por tê-la transformado em uma forma de entretenimento seguro, empresarial, apresentado em festivais cujos preços são proibitivos ao espectador comum.

Trata-se de afirmações que mal requerem prova, mas continuam a existir nostálgicos que defendem a “grandeza” de Karajan em certas seções da imprensa.

O termo não significa nada em termos críticos, e até mesmo alguém um dia ousado como Simon Rattle se sente obrigado, à frente da Filarmônica de Berlim, que por tanto tempo foi dirigida por Karajan, a homenagear o velho tirano no ano de seu centenário. Quem sabe reviveremos também o culto a Brejnev [1906-82, presidente da União Soviética].

Karajan, como diretor musical e negociante escuso, dominou o cenário em Berlim e Salzburgo dos anos 1950 em diante, pagando cachês extravagantes a seus amigos e usando os ensaios de sua orquestra, cujos salários eram pagos pelo Estado, como sessões de gravação de discos comerciais.

Karajan enriqueceu de forma desmedida e levou muitos de seus músicos à prosperidade com ele, deixando uma fortuna avaliada em US$ 500 milhões [R$ 844 milhões], estruturada de maneira a evitar impostos, e uma pilha de 900 discos.

Ele manipulou a indústria fonográfica, dividindo para conquistar, sempre trabalhando com dois dos grandes selos e cortejando um terceiro. Em dado momento, ele respondia por um terço da receita da Deutsche Grammophon (DG), a maior gravadora mundial de música clássica.

Beleza artificial

Quase tudo o que regia soava muito liso, mais ou menos como camisetas de algodão que passaram por um banho de amaciante de roupa.

Não importa que estivesse executando Bach ou Bruckner, “Rigoletto” [de Verdi] ou uma rapsódia, a música acompanhava uma linha inconsútil de beleza artificial que devia menos à inventividade do compositor do que à intenção do regente de manufaturar um produto reconhecível.

Criado em Salzburgo depois da Primeira Guerra Mundial -uma cidadezinha que se tornou a segunda maior do Estado austríaco encolhido pela derrota-, Karajan aprendeu os perigos de viver em posição de fraqueza. Quando Hitler subiu ao poder, em 1933, ele aderiu ao Partido Nazista não só uma como duas vezes, e foi recompensando com um posto oficial em Aachen -o mais jovem diretor musical do Reich.

Não demorou para que começasse a ser elogiado pelos jornais controlados por Goebbels como “Das Wunder Karajan” (o milagre Karajan), em contraste com Wilhelm Furtwängler, maestro que não merecia a confiança política do regime. Karajan aprendeu com Goebbels como dividir para governar, entre outras artes obscuras da política.

Exibiu seus talentos sombrios na Paris e na Amsterdã ocupadas, servindo para todos os efeitos como o menino de ouro do nazismo.

Industriais ricos

Depois da guerra, foi suspenso de apresentações públicas enquanto suas conexões com o nazismo eram investigadas, mas um executivo da gravadora EMI, Walter Legge, o levou a Londres para conduzir a orquestra Philharmonia, composta por soldados britânicos recentemente desmobilizados.

O relacionamento explosivo entre maestro e orquestra duraria uma década, deixaria Karajan bem treinado nas artimanhas políticas e estimularia sua propensão ao conflito.

Depois da morte de Furtwängler, em 1954, ele se tornou maestro perpétuo em Berlim e usou a destruída capital do Reich como ponto de partida para sua expansão imperial. O festival de sua Salzburgo natal foi transformado em um evento quadrimestral, freqüentado por industriais ricos vestindo smokings, aspirantes a senhores do universo.

Conservadorismo

Nenhum músico da história procurou o poder que Karajan obteve com sua pompa, um poder que se estendeu, por emulação ou submissão, a muitas salas de concertos e festivais do planeta. Reacionário por natureza, ele sempre se manteve fiel ao romantismo convencional, excluindo a música atonal e os estilos de execução posteriores.

Christoph von Dohnányi chegou a acusá-lo de destruir a arte da regência na Alemanha, ao impor à disciplina, de modo tão vigoroso, seu gosto estreito.

Nikolaus Harnoncourt, violoncelista na orquestra de Karajan em Viena, foi excluído de Berlim e Salzburgo depois que começou a reger grupos que utilizavam instrumentos de época, de uma maneira que contrariava a ortodoxia proposta e imposta por Karajan.

A cada vez que gravava um ciclo de Beethoven -e o fez por cinco vezes-, reduzia a chance de interpretações alternativas. Sua hegemonia era autocrática e não admitia oposição.

Quando os músicos de Berlim se recusaram a admitir a clarinetista Sabine Meyer na orquestra, porque não queriam tocar com uma mulher, ele se transferiu para a orquestra rival, a Filarmônica de Viena.

Insatisfeito com a DG, ele estava conspirando para se transferir à Sony na época em que morreu. Karajan só era leal a si mesmo. Seu amor à música estava confinado à maneira como ele a executava.

Imenso charme

O poder dele, ao contrário do que acontecia no caso de Brejnev, no entanto, se baseava em um imenso charme. Muitos regentes que foram vilipendiados por Karajan durante anos, como Daniel Barenboim, se sentiram tentados a esquecer as mágoas em anos posteriores, quando o soberbo maestro os abordou de forma lisonjeira.

Na única ocasião em que me convidou para uma conversa, em 1985, decidi recusar a entrevista, preferindo observá-lo à distância, como a maioria dos músicos fazia. Ele era capaz de gentilezas pessoais tocantes em benefício de seus músicos, mas também de crueldades injustificadas, como a de cortar completamente o contato com um velho amigo sem que houvesse motivo aparente.

O passado nazista de Karajan não é incidental, ainda que ele não estivesse envolvido na promoção de holocaustos. Não há suspeita de que tenha cometido crimes raciais, e sua carreira no Reich encontrou percalços depois de 1942, quando se casou com uma rica herdeira que tinha ancestrais judeus.

O que ele adotou do nazismo foi um conjunto de valores que passou a aplicar à inocente e ineficiente indústria da música de maneira impiedosa e incansável. Se há uma lição que ele aprendeu com os nazistas é a da superioridade da música alemã e o imperativo do domínio mundial. Ele demonstrou que música era, acima de tudo, uma questão de poder.

Muita gente se deixou impressionar, e essa admiração continua. Alguns, como eu, viam sua atitude como desfavorável à música. Para mim sempre foi difícil ouvir Karajan no rádio com isenção.

A “celebração” de seu centenário é uma tentativa final da indústria fonográfica de extrair lucros de um leão morto. Algumas das celebrações são bancadas por subsídios ocultos oferecidos pelo riquíssimo e muito bem organizado espólio do maestro.

Mas é um tanto surpreendente descobrir que a Philharmonia, que nunca o aceitou integralmente, tenha decidido executar um tributo a Karajan.

Um aspecto do debate sobre Karajan, proposto por Dominic Lawson, é se “deveríamos aderir à celebração da vida de um ex-nazista” -e de um homem que jamais renegou suas afiliações passadas. Lawson ampliou a questão para discutir se um mau homem pode fazer boa arte e como devemos nos relacionar com a arte proveniente de fontes maculadas.
Essa questão, relevante quanto a Wagner, importa pouco no caso de Karajan, que jamais criou arte original. Determinar se Herbert von Karajan era um bom ou mau homem é irrelevante. Foi um brilhante organizador, capaz de moldar uma orquestra para executar seu som pessoal, uma capacidade que ele explorou ao extremo.

Karajan infligiu seu ego ao mundo da música clássica de forma que esmagou a independência e a criatividade e prejudicou a imagem da música diante das futuras gerações. Não é o mau homem que deveríamos deplorar, mas o legado reacionário e de exclusão que está sendo “celebrado”.

Para os amantes da música, não há muito a comemorar.
Quando a festa do centenário acabar, a cortina descerá para sempre sobre uma vida reprovável, carente de idéias novas e que não afirmou nenhum valor humano digno. Karajan está morto, e a música passa muito melhor sem ele.

As 6 perguntas e 6 regras de George Orwell para escrever

As 6 perguntas e 6 regras de George Orwell para escrever

Seis perguntas

“Um escritor escrupuloso, em cada frase que escreve, fará a si mesmo pelo menos quatro perguntas. São as seguintes:

1. O que eu estou tentando dizer?
2. Que palavras expressarão o que devo dizer?
3. Quais imagens irá torná-lo mais claro?
4. Esta imagem é boa o suficiente para causar efeito?

E ele provavelmente se fará duas perguntas a mais:

5. Posso fazê-lo mais em curto?
6. Eu disse alguma coisa que seja feia e que possa evitar?

Seis regras

“Pode-se muitas vezes duvidar do efeito de uma palavra ou uma frase, e é preciso regras em que se possa confiar quando o instinto falha. Eu acho que as seguintes regras irão cobrir a maioria dos casos:

1. Nunca use uma metáfora ou outra figura de linguagem que você costuma ler impressa.
2. Nunca use uma palavra longa onde uma curta pode ser utilizada.
3. Se for possível cortar, corte.
4. Nunca use o passivo onde você pode usar o ativo.
5. Nunca use uma frase estrangeira, uma palavra científica ou uma palavra de jargão se você puder pensar em um equivalente em sua língua.
6. Quebre qualquer uma dessas regras se elas resultarem em um absurdo.

* Retirado do ensaio de Orwell Politics and the English Language.

Bom dia, Odair (com os lances de Inter 3 x 2 Palestino)

Bom dia, Odair (com os lances de Inter 3 x 2 Palestino)

O Inter iniciou a partida pressionando fortemente o time do Palestino, como fizera contra Alianza e River no Beira-rio. Logo abriu vantagem de 2 x 0, como ocorrera no jogo contra o River. Os gols foram de Patrick após longa troca de passes e de Guerrero, com incrível competência depois de receber de Nico López. Na verdade, Nico deu o passe final para nossos três gols. A dupla Guerrero e Nico começa a funcionar e vale foto.

Nico deu as três assistências para os gols, Guerrero marcou dois com incrível competência | Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional

Depois, ainda no primeiro tempo, igualzinho como acontecera contra o River, o Palestino achou um gol em falha inédita na temporada maravilhosa de Marcelo Lomba em 2019. Ele saiu caçando estrelas como um astrônimo drogado e tomou o gol.

Para ornamentar o cenário da tragédia que se formava, o juiz anulou um gol legal de Nico López no finalzinho da primeira etapa. Um completo absurdo, presente do bandeirinha.

A merda se instalou a um minuto do segundo tempo. Nico fez uma gracinha e perdeu a bola quando a defesa estava saindo. Moledo finalizou o momento de pane errando ridiculamente na marcação de Passerini, que empatou em 2 x 2.

Então deu aquele nervous breakdown no Inter. Tudo dava errado e os chilenos se atiravam no chão, ganhando tempo sob o olhar impassível do árbitro Carlo Orbe, que parecia achar legal ver o time do Palestino fazer cera enquanto distribuía cartões amarelos… Para o Inter! Aliás, que juiz ruim!

Então, na terceira assistência de Nico, saiu o gol salvador de Guerrero. Poie é, Guerrero é de outra turma. Não apenas faz gols como joga incrivelmente bem e com tranquilidade.

Depois, o juizeco deu dois cartões injustos para Parede e ficamos com dez em campo. Aí, tivemos aquele momento-sufoco em que só desarmamos e devolvemos a bola para o adversário.

Neste período, Odair resolveu dar força ao sufoco que sofríamos: colocou o burro William Pottker em campo e ele não se deu conta que tinha que segurar a bola.

Mais observações: Dourado saiu lesionado no primeiro tempo, mas Rithely foi bem. Dale não deve sair jogando nunca, Odair. É substituição certa. É ruim para ele e pro time. Patrick foi bem, é justo que se diga. Zeca foi bem, imaginem! Ah, outro que não usa o cérebro: Iago.

Estamos na próxima fase da Libertadores com dois jogos de antecipação.

Vida fácil? Nada disso. Agora temos dois Gre-Nais pela decisão do Campeonato Gaúcho. O primeiro jogo é domingo (14/04), às 16h, no Beira-Rio. O jogo de volta ocorre na quarta-feira (17/04), às 21h30. Voltamos a campo pela Libertadores no dia 24 de abril, às 21h30, contra o Alianza, ex-time de Guerrero, em Lima.

Glaxo, de Hernán Ronsino

Glaxo, de Hernán Ronsino

São 4 capítulos fora da ordem cronológica, sendo que cada um deles é escrito na primeira pessoa por um dos personagens principais, formando um quebra-cabeça que só será inteiramente compreendido na frase final. Eles são Flaco Vardemann, Bicho Souza, Miguelito Barrios e o suboficial Folcada. Um escreve em 1973, outro em 84, os outros dois em 66 e 59. É um livrinho de 80 páginas magistralmente planejado. Admiradores de westerns, eles protagonizam sua versão de violência no interior da Argentina. Os amigos falam a respeito e imitam certas cenas de Duelo de Titãs (1959), de John Sturges. Como um elegante western, não há excesso narrativo ou verborreia para contar uma história de pessoas que foram traídas.  Digamos que há 3 grandes traições na história. A linguagem é totalmente sem adornos. Encalhado em algum lugar entre o romance e a novela, o texto pode ser lido facilmente em uma sentada. Mas o arranjo engenhoso da narrativa consegue satisfazer o leitor como se fosse um trabalho muito mais longo. Seu laconismo acrescenta um mistério que imita os habitantes da cidade que representa. Apesar de um personagem trair outro por causa de uma paixão, o cenário de violência nesta cidade pontuada pela fábrica Glaxo está justificado pela política da época. Este ponto é ilustrado por um dos quatro narradores, Folcada, um homem associado ao regime, que fala vagamente de “todo o negócio de Suárez”.

Recomendo muito.

Hernán Ronsino

 

Um pouquinho de política

A candidata de Macri recebeu 6% dos votos na eleição para governador na província de Río Negro — achei o percentual até alto. O candidato de Cristina teve 30% e também não levou. Quem venceu foi Arabela Carreras, de centro-esquerda, com 56% dos votos e posições contra o discurso de ódio. Não é a primeira de derrota de Macri & Cristina. Em março, ambos perderam Neuquén com resultados parecidos.

Bem, os argentinos estão saindo da dicotomia burra. E nós? Quando?

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Quando a esquerda — minha trincheira — pegar no pandeiro e no zabumba, quando ela entender que o samba não é rumba… Ela vai usar as redes sociais como se deve.

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“Tínhamos entrado, tudo o indicava, com precipitação e por toda a parte ao mesmo tempo, na idade do vulgar. Estas gentes, herdeiras indignas de um espírito que tinha iluminado a Europa, retiravam o prazer e o comum da sua conversa do espetáculo quotidiano de marionetas de borracha que supostamente representavam os grandes deste mundo, representações em que o grosseiro dos traços não cedia senão à estupidez estereotipada das réplicas: julgavam ver nisso um tom de Molière. Esquecera-se o humor em favor da chalaça, a insolência em favor da canalhice.”

Olivier Rolin, in Porto-Sudão, trad. João Duarte Rodrigues

Meu Amor, de Beatriz Bracher

Não é um livro para mim. É bem escrito, tem contos curtíssimos — quase poemas em prosa — e outros mais longos. Ainda há os que são retirados da realidade, como aquele que se baseia no caso Isabella Nardoni. Há até um que é apenas um poema em inglês… Contos? Meu Amor é bem cronístico. A falta de fabulação da autora em alguns, tá bem, contos, me cansou. Me pareceu que Bracher estava fazendo uma limpeza de suas gavetas e eu que não queria participar daquilo, problema dela. Levei uma semana para ler todo o pequeno livro por absoluta falta de tesão. Ia num café e preferia ficar no celular. Ando mais Stevenson do que James, fazer o quê? O mérito do livro é o de fazer poesia com a realidade dura de nosso país e com personagens bem nossos. Em resumo, são textos coloquiais e realistas muito bonitos, mas a maioria não são contos, outros são casos reais e conhecidos e sobrou pouco para quem desejava e esperava ler… contos. Afinal, não era um premiado livro de, repito e repito, contos?

Talvez o problema seja eu, mas a verdade é que foi duro ler Meu Amor.

Bom dia, Odair (com os lances de Inter 2 x 2 River Plate)

Bom dia, Odair (com os lances de Inter 2 x 2 River Plate)

Que chocolate tático tu tomaste ontem, hein, Odair? E nem conseguiste ver o que estava acontecendo. Acho que precisas de alguém que fique no telefone te dizendo, poe exemplo, no início do segundo tempo:

— Odair, o Marcelo Gallardo colocou três zagueiros, tá no 3-6-1, povoou o meio-de-campo, o número 11 (Nicolás de la Cruz) é bom e está sempre livre, tu tens que marcá-lo de cima, etc.

Essas coisas, entende?

Ontem, tivemos um belo jogo no Beira-Rio. Belo e decepcionante.

Edenílson vai marcar seu golaço | Foto: Ricardo Duarte

O Inter pressionou e logo fez 2 x 0. Um gol de oportunismo de Nico e outro — um golaço — de Edenílson. O River achou um gol ao final do primeiro tempo. Lucas Pratto fez 2 x 1.

No início do segundo, Odair pensou que podia recuar e explorar contra-ataques, mas do outro lado tinha Gallardo. E o treinador do River fez duas trocas no intervalo, deixou seu time num 3-6-1 e o Inter não teve nem a bola nem o contra-ataque. Tudo sem reação tua, que parecia não entender o que estava acontecendo. Por isso, alguém com maior conhecimento tático deveria te ajudar.

Logo aos 15min, o River empatou com o excelente De la Cruz, um dos que entrara. Enzo Pérez começou a mandar no jogo e, se os argentinos tivessem um ataque melhor, talvez tivessem virado o jogo.

Para completar, Odair, tu erraste ao substituir Dale por Wellington Silva. Dale retém a bola, WS vai pra cima. Como estávamos muito bem marcados, a bola voltava imediatamente. Perdemos o meio-de-campo e ficamos sem ataque. A única chance que tivemos foi com Sóbis, que errou a passada — quase tropeçou — na hora de finalizar jogada de Patrick pela esquerda.

O melhor teria sido colocar Sarrafiore ou Camilo, mais parecidos com Dale. Até Nonato, de bom passe, teria sido melhor.

Tu segues o estilo Abel. Perdes o meio-de-campo trocas atacante por atacante. Meu deus, para que botar Parede???

Odair, meu filho, olha pro Gallardo e imita, vê se aprende, por favor. 2 x 2 justo, mas decepcionante. Afinal tivemos um 2 x 0 de vantagem e deixamos o River chegar. Nosso time não é tão ruim quanto tu.

Pela Libertadores, nossa próxima partida é contra o Palestino, em casa, na terça-feira (9) às 21h30. Vai ser complicado, pois não sabemos atuar bem no Beira-Rio contra times fechados. O mesmo vale dizer para o perigoso jogo de sábado (6), às 16h30, também no Beira-Rio. Acho que o Caxias jogará melhor aqui do que jogou no Centenário e devemos ir com os reservas. Acho ambos jogos muito perigosos.

(Hoje o Inter completa 110 anos. O Grêmio joga contra a Universidad Católica em Santiago. Aguardamos um presente da Cordilheira).

Os melhores momentos começam aos 26 segundos:

Não tão longe assim do balcão da Bamboletras

Não tão longe assim do balcão da Bamboletras

Dois briosos funcionários da Bamboletras vão a uma distribuidora. Estão dentro de um carro do Uber. Um comenta com o outro:

— A cliente X me pediu o livro “Casamento Blindado”.
— Mas como? Ela é uma boa leitora!
— É. Mas uma amiga dela pediu.
— Imagina o que deve ser este livro. Largam uma bomba atômica e só sobram as baratas e o casamento.
— Sim. Diz na capa que é “à prova de divórcio”.

Os dois riem.

— E sabe? Esgotou na distribuidora Y. Vou perguntar nessa.
— Só falta ter virado raridade. Casamento blindado… O meu não era. Meu ex mandou um amigo buscar suas coisas na semana passada. Cagão.
— Ah, claro, tu é cética, não lê a bibliografia correta. Não blindou porcaria nenhuma.

Então o motorista do Uber se atravessa na conversa:

— Ouvi a conversa de vocês e… Vocês sabem que eu tenho um exemplar de “Casamento Blindado” no porta-luvas?
— Mesmo????
— Sim, só que tem o meu nome na primeira página. Pedro.
— Ah, pena, Pedro, então não podemos comprar. E está funcionando? Tá blindado?
— Olha, mais ou menos…

(E não é que tinha o livro na distribuidora onde eles estavam indo?)

Bom dia, Odair (com os lances de Caxias 1 x 2 Inter)

Bom dia, Odair (com os lances de Caxias 1 x 2 Inter)

O gol que Jonathan Álvez fez no jogo dos reservas do Inter de ontem… Parecia Romário. Viram a consequência de ficar no banco ou de fora vendo o Tréllez jogar? A contratação de Trèllez é cada vez mais complicada de explicar, meu caro Marcelo Medeiros. Álvez é limitado, mas sempre deu melhores resultados do que o colombiano e Pedro Lucas, quando não é expulso.

Marcelo Lomba, atualmente um monstro | Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional

Bem, o Inter venceu o Caxias no Centenário por 2 x 1 pelas semifinais do Gaúcho. Foi um sufoco — nosso goleiro Marcelo Lomba foi o melhor em campo –, mas o time enfrentou bem e realmente tentou vencer o Caxias. Foi pra frente, tomou muitos contra-ataques e venceu, trazendo um bom resultado.

Os árbitros seguem sua senda de absurdos. Ontem, ocorreu pênalti duplo num lance na área com Camilo, mas o apitador decidiu ignorar os fatos, mesmo estando em cima do lance. Primeiro, houve uma mão na bola e depois Camilo foi derrubado…

Bem, o desempenho da equipe importa sim. Enfrentamos o terceiro melhor time do campeonato, tivemos enormes dificuldades, mas ganhamos o jogo. Difícil de reclamar. Não gostei de Rithely e, é claro, de Tréllez. Estes comprometeram, mas o resto foi desentrosado e razoável do ponto de vista individual. Camilo esteve muito bem.

Agora, tudo é River Plate. O jogo será quarta-feira (3), às 19h15. O perigoso jogo de volta contra o Caxias será sábado (6), às 16h30. Podemos perder por 1 x 0. Empate dá Inter.

Os lances do jogo começam aos 8 segundos.