Bom dia, Zago (com os melhores lances de Corinthians 1 (3) x 1 (4) Inter)

Coloradagem reunida para ver o jogo ouvindo música: Francisco Marshall, Rovena Marshall, Paulo Moreira, Adriano Cunha, Norberto Flach, Lavard Skou Larsen, Milton Ribeiro e Cláudia Beylouni Santos | Foto: Elena Romanov

Coloradagem reunida para ver o jogo ouvindo música: Francisco Marshall, Rovena Marshall, Paulo Moreira, Adriano Cunha, Norberto Flach, Lavard Skou Larsen, Milton Ribeiro e Cláudia Beylouni Santos | Foto: Elena Romanov

Como já disse, o objetivo deste ano é o de voltar para a Série A, de onde saímos por obra e graça do quinteto Piffero-Carvalho-Pelegrini-Argel-Roth, com auxiliares. Porém, como é tranquilizador um resultado como o de ontem! Ele deixa claro o bom trabalho realizado por esta direção na reconstrução do time em campo. Pensar que, em 20 de abril do ano seguinte ao maior fiasco da história do clube, o Inter não está tomando 4 x 0 do Anapolina e não deverá passar pela vergonha de uma Batalha dos Aflitos é de entusiasmar. Ao contrário, ontem nós eliminamos o poderoso Corinthians na Copa do Brasil com dois empates, o segundo fora de casa.

Acho que todos os interessados em futebol viram a partida, então vou comentar apenas os fatos principais do Inter. Tivemos coragem e personalidade, tivemos a sorte de perder Roberson por lesão, tivemos um goleiro (Marcelo Lomba) seguro que dava tranquilidade ao time e tivemos Dourado, Uendel e Nico López realizando atuações grandiosas, não obstante a clara antipatia que tu, Zago, tens pelo uruguaio.

Há que considerar que jogamos sem Carlinhos e Edenílson, jogadores importantes, para não falar da ausência do fundamental D`Alessandro. Tais fatos, que serviriam de fácil justificativa para uma derrota em São Paulo, foram ignorados por um time que se comportou como o grande que é, não como aquele cãozinho com o rabo entre as pernas do quinteto citado no primeiro parágrafo. Ou seja, o Inter foi o Inter.

E repito: tanto faz se perdermos o hepta gaúcho, o importante é ter time para jogar a Série A em 2018. Porém, vocês nos conhecem: o que vier a mais, receberemos com alegria.

Espero que ontem tenhamos sepultado 2016.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Dívida: os primeiros 5000 anos, de David Graeber

divida david Graeber

David Graeber é antropólogo e economista. Mas sua cultura é tão vasta que a leitura de Dívida faz-nos pensar se não seria também historiador, filósofo e filólogo. Quase só leio ficção, mas um grupo secreto e bastaste qualificado do Facebook convidou seus membros para discutir o livro entre os dias 20 e 21 de abril deste mês e, bom menino que sou, lá fui eu enfrentar o calhamaço. Tinha curiosidade para saber o que poderia haver de tão importante nele. Não me arrependo de tê-lo lido, ao contrário. O volume possui 702 páginas, mas imaginem que as últimas 199 são apenas de Notas Bibliográficas. Uma das principais teses do livro é de que as economias primitivas jamais apoiaram-se no escambo. Isso parece ser muito importante para o acadêmico que Graeber é. No posfácio, escrito em 2014 — o livro é de 2008 –, ele se declara feliz por ter alterado algo que era um fundamento da economia. Acho que é intuitivo achar que as economias primitivas baseavam-se no escambo e que os sistemas de crédito são mais recentes. A história padrão dizia que a ordem era escambo, depois dinheiro físico e então o crédito. Mas foi o exato oposto, o crédito veio primeiro — muitas vezes acertados e anotados em templos. Já a moeda foi inventada e cunhada dois mil anos depois das primeiras transações de crédito. E o escambo sempre foi uma improvisação para ser utilizada quando as pessoas perdiam o acesso ao dinheiro em lugares onde o usual seria utilizá-lo. O juro (ou interesse) veio por último. Graeber, que não é de modo algum um autor livre de sarcasmos, faz pouco da antropologia e da economia que não encontrava casos reais de escambo, mas que os tinha como pedra fundamental.

A segunda tese é a que tornou Dívida: os primeiros 5.000 anos (Ed. Três Estrelas) um inesperado best-seller. O livro mostra a história econômica como um reflexo da relação entre credores e devedores. Graeber desenvolve este raciocínio em ritmo adagio e a coisa é realmente linda, com todo um instrumental fático e até filológico a apoiá-lo. Em 5000 anos de história, a dívida sempre foi uma questão de poder e os verdadeiramente poderosos apenas pagavam suas dívidas se quisessem. E ele dá diversos exemplos de bom senso: nas sociedades antigas chegava-se a um momento no qual todas as dívidas — eu disse todas — eram simplesmente perdoadas para que a vida pudesse voltar a ser possível. É algo inconcebível nos dias de hoje e Graeber sugere que não é necessário pagar todas as nossas dívidas. Uma das epígrafes do livro é “Se você deve ao banco 100 mil dólares, o banco controla você. Se você deve 100 milhões de dólares ao banco, você controla o banco”.

Outro ponto interessante é a longa discussão moral sobre a seguinte noção: “Devemos pagar nossas dívidas porque é o correto”. O devedor que não paga é alguém que merece castigo, mas ninguém vê o credor com grande simpatia… É que a dívida, antes mais próxima de uma troca de favores tornou-se um instrumento de escravização e dominação. No início, presumia-se que as relações humanas precediam a economia e a estrutura jurídica de contratos, tribunais e governos. E ele escreve: “Nem todos nós temos que pagar nossas dívidas. E apenas alguns pagam. Nada seria mais importante do que passar uma borracha na divida das pessoas, marcar uma ruptura em nossa moral e começar tudo de novo”.

E nos prova que ninguém tem o direito de nos dizer o que realmente devemos.

Não é um livro adequado para conservadores amantes do capitalismo, do neo-liberalismo, etc., e nem para cagões. Pois discute abertamente que o sistema capitalista nunca foi organizado em torno da mão de obra livre. Uma empresa capitalista precisa de base moral e sua única moralidade é… a dívida — moral ou monetária. O livro defende que o trabalho assalariado não é livre — pois alguém que apenas pode vender sua capacidade de trabalho não pode ser considerado livre — e que existe, e sempre existiu, uma curiosa afinidade entre trabalho assalariado e escravidão. E nos enche de argumentos e documentação.

Não, não é uma leitura fácil, mas funciona como um machado que abre nossa cabeça para outras realidades. Sim, a analogia é deselegante, mas não me surgiu outra.

O norte-americano Graeber fala de um capitalismo impotente e vai destruindo uma série de mitos históricos. É claro que se trata de um anarquista, mas de um anarquista altamente brilhante e culto. Ele foi um dos criadores do Movimento Occupy em 2011 e co-autor do bordão “Somos os 99%”. É um acadêmico raríssimo, que vai para o pau na rua e que foi demitido de Yale em um episódio controverso, com os alunos fazendo uma petição contrária a sua saída com 4500 assinaturas que não foi aceita pela direção da Universidade. Ganhou Londres. Hoje ele dá aulas na Goldsmiths, University of London e na London School of Economics.

Ele também é autor de outro calhamaço espetacular: The Utopia of Rules: On Technology, Stupidity, and the Secret Joys of Bureaucracy [A utopia das regras: Sobre tecnologia, estupidez e as alegrias secretas da burocracia”].

Eu copiei umas partes para mim e para vocês. Espero que gostem:

Há uma boa razão para acreditar que, daqui uma ou duas gerações, o próprio capitalismo não existirá mais — muito provavelmente, como sempre lembram os ecologistas, porque é impossível manter uma máquina de crescimento perpétuo em um planeta finito, e a forma atual de capitalismo não parece ser capaz de produzir as mobilizações e os avanços tecnológicos revolucionários necessários para que comecemos a colonizar outros planetas. Contudo, diante da perspectiva do fim do capitalismo, a reação mais comum — mesmo por parte de quem se diz “progressista” — é o puro medo. Nós nos agarramos ao que existe porque perdemos a capacidade de imaginar alguma alternativa que não venha a ser ainda pior. 

Como chegamos a esse ponto? Suspeito que estamos vendo as últimas consequências da militarização do próprio capitalismo norte-americano. Na verdade, podemos dizer que nos últimos trinta anos assistimos à construção de um vasto aparato burocrático cujo objetivo é criar e manter a desesperança, uma máquina gigantesca feita para, antes de mais nada, destruir qualquer ideia de possíveis futuros alternativos. Na sua origem está uma verdadeira obsessão por parte dos governantes do mundo todo — em resposta às revoltas dos anos 1960 e 70 — por garantir que os movimentos sociais não nasçam, floresçam ou proponham alternativas; de que os que contestam os acordos de poder existentes jamais sejam vistos, sob quaisquer circunstâncias, como vencedores. Para isso, é preciso criar um vasto aparato formado por exércitos, polícia, vários tipos de empresas de segurança privada e de sistemas de inteligência militar, além de instrumentos de propaganda de todos os tipos concebíveis. A maior parte deste aparato não ataca diretamente as alternativas, mas cria um clima de medo universal, de conformidade chauvinista e puro desespero que faz com que qualquer ideia de mudar o mundo pareça uma fantasia inútil. Manter esse aparato parece ser ainda mais importante para os defensores do “livre mercado”, mais ainda do que manter qualquer tipo viável de economia de mercado.

(…)

Nossa imaginação coletiva, como observei, sofreu uma espécie de colapso. É quase como se as pessoas tivessem sido levadas a acreditar que os avanços tecnológicos da nossa época, e a sua tão grande complexidade social, tivessem o efeito de reduzir nossas possibilidades políticas, sociais e econômicas, em vez de expandi-las.

(…)

Para começarmos a nos libertar, o primeiro passo que precisamos dar é nos ver novamente como atores históricos, como pessoas que podem fazer alguma diferença no curso dos acontecimentos mundiais.Isso é exatamente o que a militarização da história está tentando evitar. 

(…)

O que tentei fazer neste livro não foi propor uma visão de como será nossa próxima era, mas sim abrir novas perspectivas, ampliar nossa percepção das possibilidades e começar a perguntar o que significaria pensar com profundidade e grandeza apropriadas ao momento.

.oOo.

Missionário: Veja só você! Está jogando a vida fora ao ficar deitado o dia inteiro desse jeito.

Samoano: Por quê? O que acha que eu deveria estar fazendo?

Missionário: Ora, tem um monte de cocos por aí. Por que você não seca a polpa e vende?

Samoano: E por que eu faria isso?

Missionário: Você pode ganhar muito dinheiro. E, com o dinheiro que ganhar, pode comprar uma máquina para secar a polpa mais rapidamente e ganhar ainda mais dinheiro.

Samoano: Certo, mas para que eu faria isso?

Missionário: Bom, você ficaria rico. Poderia comprar terras, plantar mais árvores, expandir suas atividades. A partir de então, nem precisaria mais fazer o trabalho pesado, poderia contratar pessoas para isso.

Samoano: Certo, mas por que eu faria isso?

Missionário: Bom, ao final, cheio de polpa, propriedades, máquinas, empregados e dinheiro, você poderia se aposentar como um homem rico. Então não teria que fazer mais nada e poderia passar o dia inteiro deitado na praia.

David Graeber dando um rolê por Londres.

David Graeber dando um rolê por Londres.

(Livro comprado na Ladeira Livros).

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Uma sessão de fotos de Carl Nielsen

Esses compositores eruditos, tão sérios… Vejam abaixo fotos do grande e eminente dinamarquês Carl Nielsen (1865-1931). Importante: ele foi grande MESMO!

Carl August Nielsen é o Villa-Lobos da Dinamarca, o compositor nacional do país. Com seis sinfonias, concertos fundamentais para violino, flauta e clarinete, duas óperas, seis quartetos de corda, um extraordinário quinteto de sopros, músicas de câmara e centenas de hinos e outras obras vocais, o trabalho do Carl Nielsen é considerado um tesouro nacional e ponto de encontro entre dinamarqueses.

Carl Nielsen foi original e diferente, perturbador e inspirador. E as fotos abaixo…

12998732_10206134852346420_8620189141023386997_n

12993367_10206134852106414_8350539204866951369_n

13001055_10206134851786406_1740310737695879434_n

12994438_10206134852426422_3503059663885469175_n

13015544_10206134851386396_1577208287379526854_n

13062453_10206134851186391_7962500586428998083_n

12990980_10206134851026387_6814791063700095741_n

12993504_10206134850826382_380496675953512374_n

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Em Berlim (X)

Então nós saímos do Berggruen Museum na maior correria porque a Elena tinha marcado um encontro com sua amiga Nune Bars — ou, mais exatamente, Nune Barseghyan –, uma psicóloga e escritora de origem armênia que mora em Berlim. Nune (diz-se Nuné) trabalha com pacientes desenganados. Não deve ser das coisas mais estimulante, mas ela é uma pessoa alegre que anda de bicicleta por todos os cantos de Berlim. Calculamos mal o tempo e nos atrasamos espetacularmente. Quando chegamos ao bar combinado, Nune já tinha ido embora. Era compreensível. Telefonamos e ela gentilmente voltou para conhecer a amiga de internet. O tempo lá fora estava assim.

DSCN0946

Pois é, não era muito convidativo.

DSCN0947

Ainda mais para ver uma amiga que tinha se atrasado.

DSCN0949

Mas no fim deu tudo certo.

DSCN0951

Nune e Elena conversaram em russo, enquanto eu ficava engordando, tomando café e olhando as guloseimas expostas.

DSCN0956

A coisa é boa demais, garanto.

DSCN0960

Enquanto isso, uma verdadeira tempestade de neve seguia tomando conta da rua.

DSCN0961

Sem ter o que fazer, eu fotografava um cara que fazia selfies na neve.

DSCN0963

Mais uma para sair bonitinho. Ficou bom? Sim. Então vou postar (abaixo).

DSCN0964

Então, Bernardo chegou e nós saímos para a rua a fim de dar uma caminhada. Não diria que Elena estava em seu habitat, mas não pensem que estava surpresa. Na verdade, quem estava meio desadaptado era eu, que a fotografava.

DSCN0965

E a fotografava. O estado do casaco que ela pegara emprestado de mim era realmente esplêndido.

DSCN0966

E saímos pela rua em direção ao local por onde antes passava o Muro de Berlim.

DSCN0967

No meio do caminho, Nune nos abandonou porque tinha um compromisso profissional.

DSCN0968

E chegamos ao local que estávamos procurando, na Bernauer Strasse. Ali fica o Memorial do Muro de Berlim.

DSCN0970

O clima entre nós — eu, Elena e Bernardo — era tão bom, riamos tanto que eles começaram a dançar sem música e a fazer poses para as fotos. Vá entender essa gente.

DSCN0971

Bernardo está virado num alemão. Entra nos bares, compra uma cerveja e sai bebendo pela rua.

Continuar lendo

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Bom dia, Zago (com os melhores lances de Inter 1 x 0 Caxias)

Nico pode ser o melhor em campo, mas sempre sai | Foto: Ricardo Duarte

Nico pode ser o melhor em campo, mas sempre sai, com a permanência do horroroso Roberson | Foto: Ricardo Duarte

Vi apenas o primeiro tempo de Inter x Caxias. Foi um massacre colorado. Me disseram que o segundo tempo foi de predomínio caxiense e de grandes dificuldades para o Inter. Eu acredito. Me apavorei só de assistir aos melhores lances do jogo. O que foi aquele gol bem anulado no final. Onde estava a marcação?

Vi mais do jogo do Grêmio ontem. Depois de Bolaños receber repetidos presentes para abrir o placar contra o Veranópolis e do ridículo Iquique, botaram um time de futebol para enfrentar o tricolor. E eles quase tomaram uma virada do NH, que perdeu gol sem goleiro e ainda teve um pênalti não marcado pelo querido Diego Real, o mesmo sujeito quer fez o Inter perder para o Juventude após todos os seus auxiliares terem lhe asseverado que não fora pênalti. Em Inter e Juventude ele viu o que não houve, mas, a favor do Grêmio, ele não viu isso.

No pênalti, a camiseta do cara rasgou. Desculpe, mas é muita vontade de ver o Grêmio campeão gaúcho. Muita vontade. Estava no Beira-Rio no primeiro jogo entre Inter e Cruzeirinho. Nem sei quem era o árbitro, mas já tinha sentido a má vontade gratuita do cara…

A verdade é que estou mais preocupado com quarta-feira. Acho que o Corinthians é favorito, mas temos boas chances. Espero que o Edenílson possa jogar e que Brenner volte a entrar em campo. Suas últimas atuações são de  matar. Assim como está, a gente fica com desejo imediato de Pottker, Brenner.

E, Zago, por favor. Repetir Roberson no meio campo? Tu tá louco? E aquelas substituições? Deixar Roberson em campo para tirar Nico López parece piada. Tu tens parte do passe dele e queres o lucro, não? Só pode. E Anselmo é um deboche com o torcedor colorado, como escreveu meu amigo Marcelo Furlan.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Não querem ser mães — e não são incompletas por isso

Não ter filhos é uma escolha tão legítima como ter. E pode ser um caminho de felicidade. Duas realizadoras espanholas mergulharam no “tema tabu”, reviraram preconceitos, descobriram histórias surpreendentes. Documentário [m]otherhood estará pronto em menos de um ano. Para desmistificar a maternidade como um conto de fadas

Do Publico.pt (Portugal)

Imagem do documentário [m]otherhood

Imagem do documentário [m]otherhood

A existência de um “instinto maternal” é para a filósofa Elisabeth Badinter “o maior engano da humanidade”. A mulher, ao contrário dos outros animais, não nasceu para ser mãe. E acreditar nisso, diz, é um “absurdo incrível”. Maribel Castelló adora crianças, é parteira num hospital de Valência, mas ser mãe está para ela fora de questão. Sarah Ficher, jornalista alemã, deixou meia Europa em choque ao dizer preto no branco, no livro Die Mutterglück-Lüge: Regretting Motherhood, por que razão se arrependeu de ser mãe. Estes são apenas três dos muitos depoimentos recolhidos por Inés Peris e Laura García para [m]otherhood, um documentário que quer mostrar que a escolha de não ter filhos é tão legítima como a de ter. E que sim: uma mulher pode ser “completa” sem ser mãe.

A ideia começou a surgir na cabeça da realizadora Inés Peris quando, de tão insistente, a “pressão social” para ser mãe se tornou incomodativa, contou por e-mail. Alguns amigos e conhecidos faziam-lhe a “eterna pergunta”: Quando serás mãe? Outros iam mais longe e atiravam comentários em tom de sentença: “Se te va a pasar el arroz” (o que, em português, será o equivalente a “estás a ficar fora de prazo”). Inés começou a prestar mais atenção ao assunto. Perguntou a amigas se passavam pelo mesmo. Procurou artigos, bibliografia. Investigou. E descobriu um enorme “vazio” no meio audiovisual: o tema era praticamente ignorado. Ao comentá-lo com a também realizadora Laura García, a viagem começou: juntas, estão a explorar o lado b da maternidade para contar o que ainda não foi contado.

A existência de uma grande pressão social para ser mãe não deixou a dupla surpreendida. Elas próprias passavam por isso. Mas a investigação trouxe à luz factos que foram, até para elas, algo inesperados. No processo de recolha de material, conheceram mulheres que têm tanta certeza sobre o facto de não quererem ser mães que estão dispostas a submeter-se a uma intervenção médica de esterilização definitiva. E muitas mulheres e homens que vêem a reprodução como um tema ambiental e de responsabilidade colectiva: alguns decidiram não ter filhos porque fazê-lo, no primeiro mundo, significa um perigo para a sustentabilidade do planeta.

Ainda um tabu?

Inés e Laura queriam perceber se a maternidade — e a opção de não ser mãe — continuava a ser uma questão envolta em tabus. E mesmo antes de partir para o terreno foram percebendo que sim quando, ao comentar com amigos e conhecidos o projecto que tinham em mãos, eles reagiam:

– Isso é muito interessante… mas sabem mesmo onde se estão a meter?

Não havia dúvidas quanto ao ponto de partida: “Claro que é [um tema tabu]”. Considera-se que uma mulher que decide não ter filhos tem algum problema psicológico, porque não é ‘natural’ não o querer. A partir daí, criam-se uma série de ideias pré-concebidas que ligam estas mulheres a pessoas que odeiam crianças ou que querem alcançar um elevado estatuto profissional, tipicamente masculino, a qualquer preço”, escreveram, a quatro mãos, ao P3. Algumas mulheres, contam, chegam a ser chamadas “alpinistas” ou, no mínimo, “ambiciosas” (no mau sentido da palavra) quando decidem não ser mães. “Isto acontece porque, tradicionalmente, a identidade feminina está muito marcada pela maternidade, sem a qual uma mulher seria sempre incompleta.”

A existência destes tabus não é um problema teórico. As realizadoras de [m]otherhood acreditam que eles se transformam em vários tipos de discriminações. “A mais direta” vinda diretamente da família e amigos: “As mulheres sem filhos são, em geral, menos tidas em conta, por exemplo nas decisões tomadas entre irmãos quando estes já são adultos”, contam. “Mais subtil” é a marginalização no local de trabalho e na sociedade em geral. E as etiquetas que lhes vão colando: são por muitos considerados egoístas, masculinas, ambiciosas ou incapazes de amar incondicionalmente. As realizadoras espanholas ilustram: “Nos meios de comunicação e outros espaços que geram conteúdos simbólicos como o cinema , as mulheres sem filhos são vistas como personagens más e socialmente discriminadas.” O exemplo clássico: a Cruella de Vil, vilã do filme 101 Dálmatas.

No próprio documentário — atualmente em produção e com lançamento previsto para o o final de 2017 ou início de 2018 —, a britânica Jody Day, criadora de Gateway Women, explica que estes preconceitos são “muito nocivos porque entram na nossa mentalidade desde que somos crianças”. Por isso, Inés e Laura gostavam de ver outras visões a serem divulgadas: “Precisamos de modelos positivos de mulheres sem filhos para que a sociedade se dê conta de quanto podem estas mulheres dar à vida colectiva e para que elas próprias tenham modelos com os quais se possam identificar e se sintam mais realizadas pessoal e socialmente.”

É que o lado nocivo destes discursos é algo para levar muito a sério. Muitas vezes, lamentam, estas mulheres experienciam “sentimentos de falta de identidade e pertença, porque quase não existem na sociedade modelos positivos que as representem”.

Maternidade = felicidade?

Voltando aos mitos. Há um que as duas realizadoras gostavam de ver definitivamente descomposto: o de que a maternidade é sinônimo de felicidade para todas as mulheres. Não é, dizem. “Normalmente, não se fala do facto de algumas dessas mães sentirem que têm de suportar a maior parte do peso, do esforço que significa ter uma criança. Nem do facto de o companheiro não assumir uma responsabilidade semelhante.” Outras sentem ainda que “o conto de fadas que lhes tinham contado não é bem assim e que a maternidade tem aspectos muito duros e dolorosos dos quais não se fala”. Ou, mais ainda, “declaram ter-se arrependido de serem mães”.

Orna Donath, socióloga israelita, é uma das entrevistadas do documentário. Em 2016, publicou um estudo com 23 mães que afirmavam ter-se arrependido de ter filhos — ainda que isso não significasse que não gostavam deles. “Elas explicam algo que a sociedade parece não estar preparada para encarar, já que a maternidade está idealizada socialmente e parece impossível que uma mãe possa dizer que, se soubesse o que significava a maternidade, se soubesse o que sabe agora que é mãe, teria decidido não ter filhos.”

Para as espanholas, este trabalho não só é importante para dar voz a estas mulheres como é essencial para pôr outras perspectivas em cima da mesa: saber que opções existem “pode ajudar a decidir melhor qual o caminho que elegemos para a nossa vida”. Porque, defendem, qualquer um é legítimo.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Bom dia, Zago (com os melhores lances de Inter 1 x 1 Corinthians)

Dourado: ressurreição em plena Páscoa

Dourado: ressurreição em plena Páscoa | Foto: Ricardo Duarte

Vamos combinar algumas coisas bem simples. Sim, foi um jogaço. Foi eletrizante. Mas voltemos um pouco.

Qual é o objetivo do Inter em 2017?
Ora, sair da Série B.

Tem time para isso?
Sim, já tem e até possui alguns reservas interessantes. Ainda receberá Felipe Gutiérrez, que estreou ontem, e William Pottker, bom jogador da Ponte Preta que chega depois do Paulista.

Tem técnico para sair do buraco?
Aparentemente, sim. Ontem vimos até jogadas ensaiadas, coisa com a qual éramos proibidos até de sonhar com Argel e Roth.

O Inter tem obrigações no Gaúcho ou na Copa do Brasil?
Sim, um time grande sempre é altamente cobrado, porém, em 2017, após aquele fiasco comandado pelos incompetentes Piffero-Carvalho-Argel-Pellegrino-Roth, espera-se um mínimo. E o mínimo é sair da Série B.

Por isso tudo, achei maravilhoso o empate de ontem contra o Corinthians. Diante de 34 mil torcedores, o Inter jogou muito mais que o Corinthians durante todo o primeiro tempo. Teve pelo menos quatro chances claras de gol, desperdiçadas por Brenner, Nico López e Cuesta. Mas as duas maiores defesas foram do nosso goleiro Marcelo Lomba, em chutes de Romero, além de um milagre em chute de Maycon.

No início do segundo tempo, logo aos 7 minutos, o Corinthians marcou, fazendo voltar todos os fantasmas de 2016. Mas aos 11 um espetacular Rodrigo Dourado — jogando em sua verdadeira posição de volante-quase-zagueiro –, recebeu um cruzamento de Nico López e empatou o jogo de cabeça.

O que é animador é que jogamos bem, propondo o jogo e fazendo pressão. É provável que não consigamos a classificação, mas teremos sido dignos, algo que não fomos durante todo o 2016. Também podemos perder o Gaúcho, mas o importante é que façamos uma boa e tranquila Série B.

Mas ontem, Zago, tu voltaste a errar. A entrada de Carlos no lugar de Brenner tirou nossa possível contundência e a saída de Nico López foi pior ainda. Valdívia entroiu bem, mas Nico era nosso melhor atacante. Deveria ter saído Carlinhos, obviamente, com Ueldel indo para a lateral.

A propósito, que grande acerto foi a contratação de Edenílson! E como entrou bem o Marcelo Lomba!

Acho que a dupla Oriz e Cuesta ainda está insegura. Me dá medo.

Enfrentamos um time muito bem organizado de igual para igual. Se mantivermos esta evolução, chegaremos onde queremos chegar.

Ah, importante e rara grande atuação do árbitro Wagner Nascimento Magalhães (RJ). Acostumados que estamos aos juízes gaúchos, até ficamos surpresos com a boa qualidade do trabalho de Wagner.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Em Berlim (IX)

Naquele grande e longo dia 11 de janeiro, nós nem pretendíamos ir ao Berggruen Museum, mas o Marcos Abreu disse que era imperdível e a experiência me mandava obedecê-lo. Explico: recentemente, compramos as melhores caixas acústicas, fizemos a melhor e mais barata viagem de férias de julho e compramos o melhor microfone do mundo, sempre seguindo as sugestões do Abreu. A experiência mandava dar-lhe uma nova chance. E foi ótimo!

O Museu Berggruen tem em seu acervo cerca de 20 Matisses, 60 Klees e três andares repletos de Picasso. Eu disse três andares! Está localizado em frente ao Palácio de Charlottenburg e ao lado de outros dois museus, Bröhan-Museum e Sammlung Scharf-Gerstenberg, mas só entramos no Berggruen.

A coleção de obras desses três artistas é impressionante, há trabalhos de quase todas as fases dos mesmos. Não é um museu imenso, dá para ver tudo em duas horas, o problema é que você vai querer voltar ou talvez morar lá.

Eu tirei muitas fotos dos quadros e, se você quiser ir, daremos uma voltinha sem compromisso por lá a partir de agora.

Paul Klee: A Senhora do Selo

Paul Klee: “A Senhora do Selo”

Paul Klee: não lembro o título...

Paul Klee: não lembro o título…

Matisse: No Atelier em Nice

Matisse: “No Atelier em Nice”

Jardim externo do Berggruen

Jardim externo do Berggruen

Mais de perto

Sim, estava frio.

Picasso: O Suéter Amarelo

Picasso: “O Suéter Amarelo”

Picasso: Nu sentado, secando os pés

Picasso: “Nu sentado, secando os pés”

É um Picasso, mas esqueci do título

É um Picasso, claro, mas esqueci o título

Picasso: No Café

Picasso: “No Café”

Continuar lendo

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

24 senadores, 39 deputados, 3 governadores e 8 ministros de Temer na lista da Odebrecht. E eles te “representam”, votarão Reformas, etc.

O que deve acontecer? Creio que nada. A fim de baixar a poeira, os indiciados esvaziaram o Congresso, anteciparam o feriadão e segunda-feira voltarão a trabalhar para quem financiou suas campanhas. Ou seja, seguirão fazendo seu trabalho de desmonte dos direitos do trabalhador.

Notem que os os presidentes das duas Casas, Senado e Câmara de Deputados, Eunício Oliveira (PMDB-CE) e Rodrigo Maia (DEM-RJ), estão na lista comandada por Aécio e Jucá, com 5 inquéritos cada um.

Os gaúchos presentes são o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB), os deputados Marco Maia (PT) e Ônix Lorenzoni (DEM), as deputadas Maria do Rosário (PT) e Yeda Crusius (PSDB), mais Humberto Kasper e Marco Arildo Prates da Cunha, que integraram a direção da Trensurb.

Aecio lista do Fachin Sul21

O que acontecerá agora? Agora, com a autorização do Supremo para a abertura dos inquéritos, a Procuradoria-Geral da República (PGR) passará a comandar a apuração dos investigados. Este órgão poderá solicitar a ajuda da Polícia Federal, pois serão conduzidas diligências e colhidos depoimentos. Durante essa etapa, o órgão pode pedir a quebra do sigilo telefônico ou bancário e a prisão preventiva dos investigados, com autorização prévia de Fachin.

Se, ao fim do inquérito, houver indícios de que os investigados tinham cometido crime, a PGR poderá apresentar denúncia ao STF. Só a partir do momento em que o STF aceita a denúncia, o denunciado passa à condição de réu e começa a responder ao processo judicial.

Além do processo no Judiciário, os investigados podem ser penalizados com a possível cassação do mandato, mas isso dependerá da decisão do Congresso.

O desfecho do caso ainda está bem distante — e há temores de que mudanças legislativas evitem a punição de parte (ou da totalidade) dos crimes cometidos, claro. As denúncias apuradas na Lava Jato levaram em média 5,5 anos para serem julgadas. Se seguirem essa média, os julgamentos da lista de Fachin chegariam a uma conclusão no final de 2022.

Até lá, eles já terão acabado com todos os teus direitos. Deste modo, ou tu protesta ou dança. A lista nada alterou.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Das circunstâncias especiais

frank

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Bom dia, Zago (com os melhores lances de Cruzeiro 0 x 2 Inter)

Que coisa, os quatro times que foram para as semifinais do Gauchão fizeram 6 pontos nas quartas-de-final. Todos venceram seus dois jogos, Grêmio e Inter com facilidade, Caxias e Novo Hamburgo sempre por escores mínimos.

Ontem, vi somente o primeiro tempo de Inter e Cruzeiro. O jogo começou enroscado. A invenção de colocar Roberson no lugar de D`Alessandro revelou-se como o previsto por todos, menos tu, Zago. Deu bem errado e dava trabalho procurar Roberson em campo. Ele estava sempre longe da jogada. Enquanto isso, Valdivia e Carlos assistiam a partida do banco. Tu sempre preferes improvisar com os bruxos, né, danadinho?

Roberson sempre recebe chances, mas nunca resolve | Foto: Ricardo Duarte

Roberson sempre recebe chances, mas nunca resolve | Foto: Ricardo Duarte

Mas Cuesta marcou um gol após uma cobrança curta de escanteio. Sobre este gol, vou contar uma coisa procês. Há um trabalho feito na Ufrgs que garante, estatisticamente, que o escanteio curto resulta em mais gols que o cobrado direto. Pois é. Eu imaginava.

Logo depois, depois de uma saída errada de bola do Cruzeiro, Nico López fez um golaço de fora da área, estabelecendo a vantagem que me fez ir para o cinema. No segundo tempo entraram Seijas, Valdívia e Carlos. Soube que o time melhorou, apesar de não marcar outros gols.

Mas quem acertou mesmo o time foi Edenílson. Foi o melhor em campo, fazendo o lado direito funcionar. E mais não sei.

Aliás, sei. Sei que tem jogão quarta-feira no Beira-Rio pela Copa do Brasil. Será contra nosso algoz-mor, o Corinthians, às 21h45.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Porque hoje é sábado, a última sessão de fotos de Marilyn Monroe

O Porque hoje é sábado (PHES) ainda existe, confira aqui!

Estas imagens de Marilyn

16806310-15875275_1-800-a542d8629a-1484580656

na praia de Santa Monica

16806560-4a898bb4242367400e8fe114c57242f3-800-a542d8629a-1484580656

foram tiradas pelo fotógrafo George Barris

16807310-MarilynMonroeinGreenTowelbyGeorgeBarris11-800-a542d8629a-1484580656

em 13 de julho de 1962.

16807360-maxresdefault-800-a542d8629a-1484580656

Três semanas mais tarde,

16807410-7016899951_93b45f8c3d_b-800-a542d8629a-1484580656

ela foi morta.

16807460-ff3e0af7892df383927cdf4d02ae1d37-800-a542d8629a-1484580656

Sim, falemos sério, todos sabem que ela foi morta.

16807510-7-800-a542d8629a-1484580656

No último filme de Marilyn, Os Desajustados (The Misfits, 1961),

16807660-8-800-a542d8629a-1484580656

cujo roteiro foi escrito por seu marido (de 1956 a 1961) Arthur Miller.

16807810-5531591-800-a542d8629a-1484580656

há uma cena em que Gay (Clark Gable), olha para Marilyn e diz que

16807860-f5f7255656c4d9dc80-46021707-800-a542d8629a-1484580656

ela é uma mulher triste.

16807910-MarilynMonroeinGreenTowelbyGeorgeBarris2-800-a542d8629a-1484580656

Ela responde que ele é único a perceber isto, já que todos acham-na feliz.

16807960-MarilynMonroeinGreenTowelbyGeorgeBarris4-800-a542d8629a-1484580656

Gable então replica dizendo que ela é uma mulher triste que deixa os outros felizes.
Continuar lendo

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Bom dia, Zago (com os melhores lances de Inter 3 x 1 Cruzeiro)

14 mil almas coloradas assistiram ontem no Beira-Rio à vitória do Inter por 3 x 1 contra o Cruzeiro-POA. Era um 6 de abril, data de aniversário do estádio, que completava 48 anos. Um estádio que vai bem, tanto que terça-feira recebeu Elton John e James Taylor e ontem recebeu John Lennon, o bom lateral direito do Cruzeiro.

Fui ao jogo com meu amigo Alexandre Constantino. No caminho para o estádio, falávamos sobre as maiores derrotas do Inter em casa. Fomos até os anos 70, o que comprovava nosso enorme otimismo com a atuação do time.

Vamos dar uma chance para Valdívia, que marcou um golaço | Foto: Ricardo Duarte

Vamos dar uma chance para Valdívia, que marcou um golaço | Foto: Ricardo Duarte

Zago, desta vez tu escalaste bem. Mexeste mal, mas escalaste bem. Também pudera, tiveste uma semana para pensar. Mas o Inter não jogou bem. Lento e com imensas dificuldades para armar jogadas de ataque, a coisa se arrastava até que Carlinhos cruzou para Brenner fazer 1 x 0. Antes, só tínhamos dado um chute a gol por meio de D`Alessandro.

Fizemos o segundo em jogada de esforço de William, que ia perdendo bisonhamente a bola na área adversária, mas surpreendeu dando um carrinho para recuperar a bola e cruzar para Brenner marcar.

Tranquilo, com 2 x 0, tu resolveste complicar. Tiraste Brenner — autor de dois gols — para colocar teu bruxo Roberson. E então, o que aconteceu? Pois é, saiu o gol do Cruzeiro. Gol do zagueiro Dão, que cabeceou livre na nossa área. Sabe quem o estava marcando? Pois é, Roberson. Tu mexe lá na frente e o cara vai lá atrás fazer cagada, né, Zago? Viu no que dá insistir com os parças? Roberson deve ser um bom amigo teu, talvez saiba assar churrascos fantásticos, sei lá.

Mas colocaste Valdívia, que vinha mal. E o Poko Cérebro acabou marcando um golaço libertador, em sensacional cobrança de falta. Depois do gol, demonstrando enorme equilíbrio emocional, Valdívia desfez-se em lágrimas, reclamando do desamor da torcida e dizendo que nas crises pessoais ninguém te abraça. Precisa de tratamento psicológico, claro. Tem dinheiro para tanto. Não obstante, deixo-lhe meu abraço pelo golaço. Faça outros!

Por falar em abraços, estou dando o braço a torcer para meu colega de trabalho Luís Eduardo Gomes. Ele acha que TODOS os jogadores que participaram do rebaixamento deveriam ser vendidos, trocados ou dispensados. Fiquei pensando nisso durante o jogo. Sabem quem eram os piores em campo no primeiro tempo de ontem? Sim, os dois únicos que participaram ativamente da debacle: Dourado e William. Eles pareciam constrangidos, com medo do jogo. E quem a torcida vaiou quando da apresentação do time no telão? Ernando, Andrigo (muitíssimo vaiado) e Ferrareis. E quem a torcida detesta sem dó nem piedade? Paulão, só que este está machucado, ainda bem.

A disputa com o Cruzeiro ainda está em aberto, quem foi ao jogo sabe que só o resultado foi bom. Léo Ortiz e Cuesta é uma dupla insegura e Dourado e William vou lhes contar…

Ah, Edenílson estreou muito bem.

Voltando de ônibus do jogo, ouço esta pérola, dita de um torcedor para outro: “Tu é a comprovação do nosso ensino falido, cara!”.

Devia ser mesmo.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Curto e grosso, sobre o fato da Fifa confirmar o Inter na Série B

As chances do Inter não cair para a Série B foram dizimadas pelo empréstimo de D`Alessandro, pelos pênaltis perdidos por Paulão e Valdívia contra Chapecoense e São Paulo, pelos vários gols tomados nos últimos minutos, etc. Mereceu cair e quem me lê sabe que eu nunca desejei a volta pela via do Tapetão. Caiu no campo, volta no campo. Agora, exijo o fim de Piffero-Carvalho-Roth-Argel-Pelegrini no Inter.

E um grande colorado completa: “Se me permites, temos que acabar com o modelo que se segura em cima de nomes de pessoas e não de planejamentos e projetos. Se não aprendermos as lições dos últimos anos, teremos outros dissabores”.

Os façanhudos Fernando Carvalho e Celso Juarez Roth

Os façanhudos Fernando Carvalho e Celso Juarez Roth

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Como nasceu o teclado onde pomos nossas mãos

Um pássaro canta melhor na sua árvore genealógica.
JEAN COCTEAU

Dedicado a Ricardo Branco e Marcelo Backes.

Você olha para o teclado de seu computador ou para a velha máquina de escrever de seu avô e lê, no alto, à esquerda, abaixo dos dos atuais F1, F2… e dos números, a sequência QWERTY.

Grimy computer keyboard, focusing on QWERTY keys.

Até poucos dias, o americano Robert Qwerty estava esquecido. Seu estranho sobrenome é uma corruptela do alemão Kuerten que, por coincidência, é também o sobrenome de nosso mais notável tenista, Gustavo Kuerten, o Guga. Em 1874, Qwerty era um simples funcionário da Remington quando foi realizado um concurso interno para se saber como deveriam ser colocadas as teclas das máquinas de escrever que a fábrica pretendia produzir. Era importante criar um padrão. Resolvido a vencê-lo, Qwerty quis imortalizar seu nome pondo-o em posição de destaque. Fez mais, montou uma verdadeira árvore genealógica em seu teclado. Sim, a maioria das pessoas que teclam diariamente em seus computadores nem imaginam que homenageiam a família de Robert, passando delicadamente suas digitais sobre ele e sua ancestralidade. Analisando seus nomes, concluiremos tratar-se de uma família que perambulou muito pela Europa, principalmente a oriental e pela Escandinávia.

Vejamos: sob o nome Qwerty, vemos, à esquerda, as letras A e S, que são, coincidentemente, as iniciais de seu pai, Arne Saknussemm Kuerten, e de sua mãe, Anna Kuerten, née Seghers. Importante saber que o sobrenome Kuerten tornou-se Qwerty devido a um americano brincalhão, que ria do pai de Robert no guichê de imigração do porto de Nova Iorque no ano de 1857. O casal viera de Marselha após longa espera nesta cidade.

Mais abaixo, temos os nomes de apenas três de seus avós, pois seu avô por parte de mãe, Peter Schlemihl Seghers, ficou à sombra, para não repetir o S; ou seja estava atrapalhando seu neto. Ironicamente – fato que é hoje piada familiar -, Qwerty deixou o P de vovô Schlemihl lá do outro lado do teclado, bem longe dele. Mas desçamos um pouco no teclado a fim de conhecermos mais sobre seus avós.

A famí­lia Qwerty chega aos EUA. Robert está à direita, com o cão.

Os avós por parte de pai chamavam-se Zoltán Xzéperécki Kuerten (ZX) e Crysantemus Vrschtztwitsch Kuerten (CV). Pode ser que o nome polaco Xzéperécki soe algo rude a nossos ouvidos latinos, mas assevero que é extremamente belo naquela língua. Porém, para se pronunciar corretamente o primeiro sobrenome de vovó Crys, é necessário quase espirrar, coisa comum na fungante e fria Varsóvia de seu nascimento. O avô por parte de mãe era o já citado Schlemihl e sua mulher era Betina Nezvanova Schlemihl (BN), a preferida de Robert.

Observem a comprovação abaixo e comparem-na com seus teclados:

Qwerty………P
AS
ZX CV BN

main-qimg-f210bd4b0970498c1c66d1fd9c286fe3

É a árvore genealógica da família Qwerty!

Pois bem, houve o concurso na Remington e Qwerty não ganhou o primeiro prêmio. Este ficou com outro Robert, Robert Wise, o qual não deve ser confundido com o cineasta. Wise propôs um teclado alfabético, começando no A, indo deste para o B e daí para o C; uma coisa simples e, quem sabe, lógica. Qwerty argumentou contra este teclado com crassas mentiras. Dizia que uma nova ciência, a ergonometria, assegurava que sua ideia de distribuição de teclas era a mais confortável. Também disse que o afastamento entre as teclas mais utilizadas fariam com que o mecanismo emperrasse menos. Porém, na verdade, ficou furibundo ao ver contestada a tentativa de imortalizar sua família e passou a utilizar argumentos baseados na numerologia e na seção áurea (ou série de Fibonacci). A briga foi tão violenta que a direção da Remington colocou os dois querelantes juntos, a trabalharem numa mesma sala, até chegarem a um acordo. Um dia, Robert escreveu em sua máquina Qwerty:

Eu tenho uma mentalidade pacífica. Meus desejos são: uma cabana modesta, telhado de palha, uma boa cama, boa comida, leite e manteiga; em frente à janela, flores; em frente à porta, algumas belas árvores. E, se o bom Deus quiser me fazer completamente feliz, me permitirá a alegria de ver seis ou sete de meus inimigos nelas pendurados. De coração comovido eu haverei, antes de suas mortes, de perdoar todas as iniquidades que em vida me infligiram – sim, temos de perdoar nossos inimigos, jamais antes, porém, de eles serem enforcados.

NewsweekEste parágrafo, roubado a Heine, obviamente não deve ser interpretado como a fumaça branca vinda do recinto onde os dois homens deveriam buscar um entendimento; este parágrafo, isto sim, abre-nos as portas para um terrível crime. O delito, conhecido agora como “O Crime da Remington”, acaba de ser revelado pela revista Newsweek, em sua edição de fevereiro de 2017: Robert, ao falecer, em 1957, declarou, em seu testamento, que apenas permitiria ter revelados fatos relativos a sua vida 60 anos após sua morte. E agora temos a explicação. Não, Robert Wise não morreu engasgado por um sanduíche após tentar dizer o segundo nome da avó paterna de Qwerty enquanto mastigava. Foi assassinado, conforme confessa Qwerty nos papéis de seu espólio.

Não vou incomodar meus leitores com narrativas sanguinárias e escatológicas. Procurem por mais detalhes na Newsweek.

220px-Continental_Standard_typewriter_keyboard_-_key_detail

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Resumo da palestra de Bolsonaro e uma pergunta: o que Vladimir Herzog acharia disto?

Pois ele foi convidado da Hebraica… Desde quando uma entidade judaica chama um fascista para falar? Judeu apoiando intolerância? Que tipo gente é essa da Hebraica do Rio?

Bem, vamos ao resumo:

Bolsonaro: o show da estupidez.

Bolsonaro na Hebraica: o show da estupidez.

“Eu tenho 5 filhos. Foram 4 homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio uma mulher”.

“Eu fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Nem pra procriar ele serve mais”.

“Alguém já viu um japonês pedindo esmola por aí? Não, porque é uma raça que tem vergonha na cara. Não é igual a essa raça que tá aí embaixo, ou como uma minoria que tá ruminando aqui do lado”.

“Se eu chegar lá não vai ter dinheiro pra ONG. Esses vagabundos vão ter que trabalhar. Pode ter certeza que se eu chegar lá (Presidência), no que depender de mim, todo mundo terá uma arma de fogo em casa, não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena ou para quilombola”.

“Tínhamos na presidência um energúmeno que só sabia contar até 10 porque não tinha um dedo”.

“Eu não tenho nada a ver com homossexual. Se bigodudo quer dormir com careca, vai ser feliz”.

Terminou sob aplausos e gritos de “Mito, mito, mito”.

Realmente, a ignorância grassa em todos os extratos. Fico pensando em Herzog, grande jornalista, professor e dramaturgo brasileiro, judeu naturalizado que foi torturado e assassinado pela ditadura civil-militar brasileira nas instalações do DOI-CODI.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Pesquisadores italianos encontram a origem do Alzheimer

Alzheimer-landingpageDa Ansa

Pesquisadores italianos descobriram a verdadeira origem do Mal de Alzheimer. Diferentemente do que se acreditava até então, a doença não surge na área do cérebro associada à memória, mas sim da morte de neurônios da região vinculada às mudanças de humor. Coordenado pelo professor associado de Fisiologia Humana e Neurofisiologia da Universidade Campus Bio-Médico de Roma, Marcello D’Amelio, o estudo, que revoluciona a maneira como entendemos e tratamos a patologia, foi publicada na revista científica “Nature Communications”.

Até agora, o Alzheimer era considerado uma doença que surgia devido à degeneração das células do hipocampo, área cerebral da qual dependem os mecanismos da memória. O novo estudo, conduzido em colaboração com a Fundação IRCCS Santa Lucia e do CNR de Roma, no entanto, aponta que a doença surge na área tegmental ventral, onde é produzida a dopamina, neurotransmissor vinculado às mudanças de humor.

Segundo os pesquisadores, como um efeito dominó, a morte dos neurônios responsáveis pela produção de dopamina desacelera a chegada desta substância ao hipocampo, causando assim uma falha que gera a perda das lembranças, principal sintoma da doença.

A hipótese foi confirmada em laboratório, onde várias terapias destinadas a restaurar os níveis de dopamina foram administradas em animais. Nos testes, foi observado que tanto as memórias quanto a motivação de viver, cuja falta causa depressão, foram recuperadas. “A área tegmental ventral relança a dopamina também na área que controla a gratificação. Na qual, com a degeneração dos neurônios dopaminérgicos, também aumenta o risco de perda de iniciativa”, explicou D’Amelio.

Isso explica porque o Alzheimer é acompanhado, grande parte das vezes, pelo desânimo e pela depressão. Contudo, os estudiosos ressaltam que as mudanças de humor associados ao Alzheimer não são uma consequência do surgimento da doença, mas sim um “alarme” sobre o início da patologia. “Perda de memória e depressão são duas faces da mesma moeda”, concluiu o italiano.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Em Berlim (VIII)

Como tirei poucas fotos naquele dia 10 de janeiro de 2017, só sei que ele começou com uma ida ao Foyer da Filarmônica para assistir a um recital gratuito e esqueci do resto. Sim, para quem está em Berlim com pouca grana ou muito tesão de ouvir música, é bom conferir no site porque, semanalmente, há excelentes recitais gratuitos no local. E, como mostram as fotos abaixo, é adequado chegar cedo. Nós tivemos que sentar no chão porque entramos dez minutos antes do início da função. Vejam só, tem gente em cadeiras, pelas escadas, nas galerias de cima, pelo chão, etc. Não há espetáculo vazio em Berlim.

DSCN0881

Nosso amigo Guilherme Conte explica que “tem uma coisa bem simpática sobre essas cadeiras nos concertos gratuitos: elas são para a terceira idade, independente da ordem de chegada. Pode notar, na foto, a imensa maioria é de cabeças branquinhas, só tem um ou outro gaiato no meio. Senta ali quem precisa, e não quem chega antes. Bem alemão.”

A foto acima e a de baixo são de antes do concerto…

DSCN0882

que teria as seguintes peças (clique na imagem para ler melhor):

DSCN0883

Bem, era um recital com a Sonata para Violino e Piano de Franck (transcrita para violoncelo) e a Sonata Nº 3 para Violino e Piano de Brahms.

DSCN0884

Como disse, era um programa gratuito das 13h com as cadeiras todas ocupadas, escadas e chão lotados de gente acomodada sobre seus casacos ou encostadas nas colunas. Pela primeira vez em mais de três anos, eu e Elena discordamos.

DSCN0886

Ela gostou do Franck e detestou a interpretação do violinista em Brahms, eu detestei o Franck e curti Brahms. Muitas caras concentradas nas fotos.

DSCN0887

A Elena ora encostava-se numa coluna,

DSCN0889

ora encostava-se numa coluna.

DSCN0892

Como todo mundo, estava concentrada.

DSCN0893

Assim como a senhora acima.

DSCN0894

E a menina que só queria saber de ler seu livro com trilha sonora.

DSCN0897

E, bem, esta é uma das esquinas da quadra da Filarmônica.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Seria demais pedir grandeza ao senador Lasier Martins?

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro

O senador gaúcho Lasier Martins | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro

Raul Ellwanger, em seu perfil do Facebook, raciocinou com lógica. Colocando-se no lugar do senador Lasier Martins, descreveu com clareza o que faria uma pessoa digna. Se Lasier garante e berra que sua mulher mente sobre as agressões que teria sofrido, deveria pedir licença do Senado, liberando-se do foro privilegiado. Ato contínuo, solicitaria investigação como cidadão comum pela Lei Maria da Penha. Seria exemplar, altivo, bonito, e talvez satisfizesse seus 2.145.479 eleitores, se estes estão realmente ligados em outra coisa que não no Jornal do Almoço.

Mas não. Ele se defende na tribuna, coisa que sua esposa não pode fazer, para gritar que o caso é “um conflito conjugal”, assunto da vida privada, e jurar que jamais agrediu uma mulher. Também acho que em problema de marido e mulher, não se deve meter a colher, mas houve uma denúncia então o caso virou um vaudeville, senador. É natural que a coisa esteja e seja pública, senador.

Hoje, soube que o escritor Luiz Paulo Faccioli criou um abaixo-assinado pedindo a renúncia de Lasier. Coloco o texto de Faccioli ao final deste post. Ele também clama por alguma grandeza por parte do senador. Não ocorrendo tal fato, tendo a pesar que Janice Santos não tem nada de louca — como acusou Lasier –, e que tem minuciosa razão em tudo o que disse. E desta vez nem vou nem reclamar que o Sr. assina coisas sem ler, tá?

Acabo de saber que, na contramão do combate à violência contra a mulher travado diariamente no país, a senadora Ana Amélia Lemos (PP) saiu em defesa do conterrâneo e ex-colega de RBS, senador Lasier Martins (PSD). “É muito difícil, num caso estritamente pessoal e particular, íntimo, porque é a sua palavra e a palavra da pessoa que o denunciou”, ela disse. Discordo, senadora, há corpo de delito e testemunhos. Não é briga de bugios.

Abaixo, o texto de Faccioli em seu abaixo-assinado:

Não fui eleitor do jornalista Lasier Martins na eleição para o Senado Federal, mas ele está sentado na cadeira de Senador da República para representar o estado do Rio Grande do Sul, portanto ele me representa, mesmo contra a minha vontade. Penso que, como cidadão gaúcho, estou no meu mais absoluto direito de exigir sua renúncia a partir de fatos recentes noticiados pela imprensa. Lasier Martins tem dado provas sobejas de que não honra o cargo que ocupa. Admite que assinou sem ler um documento de extrema importância, contrariando a razão de ser de sua atividade parlamentar e me deixando em dúvida sobre o que é pior, se verdadeiro o que ele afirmou ou se apenas uma mentira rasa para justificar a falta de caráter. Nesta semana foi obrigado a sair de casa, o apartamento funcional que o Estado paga para ele em Brasília, por decisão do STF, por causa de uma separação litigiosa e uma denúncia de agressão física por parte da esposa. Lasier Martins é uma vergonha e sua presença no Senado, uma afronta ao povo gaúcho! Haverá sempre alguém a argumentar que existem exemplos ainda mais vergonhosos protagonizados por Senadores vindos de outros estados da Federação. Mas eles não estão sob nossa jurisdição e não representam o RS nessa instância legislativa. Portanto, clamo aqui pela renúncia do Senador Lasier Martins, que será interpretada como um ato de grandeza e tentativa de salvar uma parte de sua questionável biografia.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

A canção de Goffin e King Will You Love Me Tomorrow

Amy WinehouseOntem estava ouvindo a versão de Amy Winehouse para o megaclássico de Gerry Goffin e Carole King Will You Love Me Tomorrow ou Will You Still Love Me Tomorrow ou ainda com interrogação atrás das duas formas. (Pouca gente sabe, mas Lennon e McCartney, lá no início, queriam apenas ser os Goffin & King da Inglaterra). A canção foi multigravada desde 1960, quando apareceu como Tomorrow num single das Shirelles. Coloco várias versões abaixo, inclusive duas da autora Carole King. Foi com Roberta Flack que a música ganhou insuspeitada grandiosidade. Agora, não deixa de ser curioso notar que Winehouse fez o clássico mudar de patamar novamente. Acompanhem a evolução.

Lá noa anos 60, com as pioneiras Shirelles, a coisa ia assim:

A autora Carole King mostrava que a coisa tinha mais potencial em 1971:

Roberta Flack dá um banho logo depois:

A coisa regride, ficando inacreditavelmente bagaceira com Bryan Ferry:

Ou quase um cantochão com Lykke Li:

No que é corrigida por uma Carole King veterana e sem voz em 2010 (atenção para a barba Tolstói-like do baixista):

Mas, antes, Amy Winehouse voltara a colocar a canção onde deixara Roberta Flack:

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!