cinecittà

cinecittà

Por Eduardo Mello (*)

caríssimo milton,
livreiro, agora
certificado em cartório
come va
nosso porto dos casais
de todas as cores
nosso porto alegre?
goethe zola
medem e scola
já contaram
o que se passa em roma
acrescento aqui
meu pé de pátina

15 de março de 1944, cárcere da gestapo em oslo, petter moen rabisca no escuro: ‘hoje quero escrever algumas palavras, consolar-me um pouco… a solidão consome a força do pensar, que depende de estímulos externos’

em 15 de março de 2019, piazza navona em roma, lennucia garante: ‘eu parlo talniano. e portoghese!’. lommucia ganha um broche do brasil, ajeita na blusa, sai toda orgulhosa na primavera que ilumina a praça: ‘assim todo mundo vai saber que eu sou brasiliana!’

são quase dez anos da primeira brisa de bissau. temos duas novas companheiras de viagem, que já sentem a força dialética da primeira remoção. em poucos meses de escola multilíngue, misturam talniano-francese-inglês-portoghese

os tempos são outros, a história agora é tanto minha quanto delas – e da experiente diplomatriz. lommucia trabalha comigo, frequenta o centro cultural brasil-itália, já tem vaga ideia do que representa uma embaixada. nem sonha, porém, nem ela nem lennucia, quão peculiares são suas declarações de brasilidade

cruzamos a navona, ex stadio di domiziano. ela brinca com um sósia do chaplin, corre atrás de bolhas de sabão que nos levam até a via della scrofa, até a via di ripetta. se impressiona com o tevere, com o verde das árvores do mausoléu de augusto, ‘que bella essa igreja, pai, mas que que é uma igreja?’. brinca na fonte do ara pacis, enquanto vai sendo desarmada a exposição sobre mastroianni

nosso táxi bate num carro do exército, ‘ma cosa fa stocazzo!’, descemos, andamos de mãos dadas em direção ao bonde 19 na via delle belle arti, um pouco antes do museu etrusco na villa giulia, estrela do grande bellezza

entramos em uma enorme igreja. ela vê cadeiras alinhadas e exclama, ‘pai, parece um cinema!’ uma declaração subversiva, mal sabe a guria onde tá se metendo. como se tivesse lido aquela frase do trotsky no átrio do museu do cinema de torino, algo como ‘sonho com o dia em que as igrejas se transformem em cinemas’ ou ‘o cinema diverte, excita a imaginação pela imagem e afasta o desejo de entrar na igreja’ ou ‘o dogma do cinema é embaralhar as ideias’

bueno, não lembro bem. eu, que não curto revoluções permanentes, só espero que os cinemas continuem assim, humildes e litúrgicos cinemas de bairro. lomuccia, que se seguir nessa linha vai acabar se rebelando contra mim, sobe no tram com grande esforço, não quer ajuda, depois quer colo, espalha costa abaixo as pernas da guria que nasceu em santiago, caminhou em brasília e irá ler em roma

‘mi sento vecchio quando leggo il giornale’, canta la municipàl

as breaking news do jornal trazem projeções do mercado imobiliário sobre os efeitos da mudança do clima na itália: desvalorização dos imóveis à beira de rios e mares, inundação de veneza e napoli em mais sete décadas. amigo espanhol do programa mundial alimentar volta do zimbábue. o problema é a seca inédita, e agora o furacão que devastou moçambique, as pessoas não sabem para onde ir. muitos acabarão na itália, onde cresce o debate sobre o acolhimento de migrantes e a oxfam diz que também aqui os 5% mais ricos detém patrimônio igual ao dos 90% mais pobres. i read the news today, oh boy!, diz lennon. as heart-breaking news

como o trabalho de um professor, este mister exige leitura e releitura da história diária do brasil, do mundo e do posto da vez, hoje a itália

mas sempre que abro a porta
o piano da diplomatriz
lennucia corre
pra me abraçar
com braços
pernas
e o mundo

.oOo.

(*) Eduardo Brigidi de Mello é diplomata e o texto representa tão-somente a visão do autor.

A Piazza Navona, em Roma

Instruções para os Criados, de Jonathan Swift

Instruções para os Criados, de Jonathan Swift

O grande irlandês Jonathan Swift (1667-1745) foi um homem da universidade e da igreja que teve a inteligência de desconfiar do bom senso e preferir a sátira. É autor de dois clássicos absolutos — Viagens de Gulliver e Modesta proposta para impedir que os filhos das pessoas pobres da Irlanda sejam um fardo para os seus progenitores ou para o país e para torná-los úteis ao interesse público. Sim, o segundo título é esse mesmo, apesar de o livro ser mais conhecido como Modesta Proposta, é claro.

Neste Instruções para os Criados (Editora Âyiné, 129 páginas), Swift dedica-se a fazer o que diz o título, só que… Bem, nada do que o autor prescreve visa algum ganho para os empregadores, apenas para os empregados. Na verdade, o livro dá instruções detalhadas sobre como os criados devem fazer para obter vantagens pessoais e de como não serem descobertos.

O grande mérito do livro é o de dar uma visão muito clara do trabalho e da vida doméstica na Irlanda do século XVIII. Toda aquela sujeira em que todos viviam… Montes de urinóis e de comida acondicionada sem geladeira. Muito curioso. Dá para sentir o cheiro daquela sociedade.

Literariamente, Swift demonstra enorme domínio da paródia. É um trabalho mais despreocupado do que a Modesta Proposta. Aqui, o autor nos lembra de seu passado como seu passado (real ou imaginário) como lacaio e dá grande inventividade à função nos atos de sacanear o patrão e seus convivas ou fornecedores. Mas  vai além da simples paródia ou sátira. Tudo vem recheado observações astutas sobre a natureza humana e preciosas observações sobre a vida no início do século XVIII, como já disse. Cada cínico ou malicioso conselho a cada tipo de servo — mordomo, cozinheira, tutora, governanta, lacaio, concheiro, são 16 as funções examinadas pelo livrinho — beira o absurdo e, ao fazê-lo, desconstrói e divertidamente revela o absurdo sistema social que a Inglaterra do século XVIII. Swift não chega a agradar aqueles que gostariam de vê-lo como um verdadeiro conservador ou um pretenso revolucionário, já que Instruções para os Criados não tem nenhuma ênfase pré-revolucionária sobre a injustiça do sistema aristocrático…

Swift não está preocupado com a reforma da sociedade, ele está ocupadíssimo zombando e denunciando as dificuldades da natureza humana. E nisso é muito melhor do que qualquer panfleto revolucionário.

Jonathan Swift, um tremendo gozador

Sim, eu digo sim, de Caetano W. Galindo

Sim, eu digo sim, de Caetano W. Galindo

O primeiro e fundamental acerto de Caetano Galindo é a escolha do tom de sua visita guiada ao Ulysses de Joyce. Conhecedor dos labirintos às vezes complicadíssimos do livro, ele é um visitante cuidadoso e humilde, que limpa os pés no tapete de entrada e senta-se formalmente na sala, só que sem nunca perder o bom humor. Ele pede tacitamente que nos comportemos da mesma forma, sempre dizendo que o tópico analisado pode significar isso ou aquilo, talvez aqueloutro ou ainda algo que nem imaginamos. Assim, logo ficamos sabendo que o pote servido ao lado do café pode conter sal e que o doce pode vir antes salgado.

Galindo não deseja explicar a obra máxima de Joyce de forma completa e taxativa — tarefa praticamente impossível –, mas faz algo melhor: abre um leque de possibilidades para quem leu ou lerá Ulysses. E faz isso brilhantemente. Sabe que não pode ser completo, repito, que não poderia ser exaustivo, mas explica MUITO. Bem humorado, lamenta as pessoas que vão abrir Sim, eu digo sim para se fazerem de entendidos em bares. Neste caso, “eu tenho que lhe dizer que você estará perdendo muita coisa. Muito livro”.

De acordo.

Há muito a discutir. Afinal, Joyce, com ironia típica, disse que a verdadeira chave para a imortalidade literária era manter os acadêmicos ocupados. E encheu seu livro de mistérios, alguns aparentemente inextricáveis. Galindo não engana e chega até a nos indicar onde muita gente boa desiste de lê-lo.

Após uma excelente introdução, ele nos pega pela mão e examina cada um dos 18 capítulos de Ulysses. Traça paralelos com a Odisseia de Homero e detalha muitíssima coisa. Eu garanto que saí da leitura desta obra com alguns centímetros a mais. O livro tem 375 páginas. Começa analisando o uso e abuso do discurso indireto livre, fato que me tonteou de verdade mais de uma vez, e vai adiante analisando a amizade de Bloom e Dedalus, a sexualidade de Leopold e Molly, a variação dos estilos narrativos, a presença de Boylan, os fatos ligados à forma de pensar e agir do início do século passado, os trechos favoritos de Joyce.

Galindo sabe muito e tem muito a dizer. Suas explicações e esclarecimentos fizeram um bem danado a este leitor das três traduções do Ulysses no Brasil. Sim, sua abordagem é fascinante. E assim vamos examinando o grande livro dedicado ao homem comum durante o dia 16 de junho de 1904. Os monstros e sereias de Homero vão sendo substituídos por elementos parodísticos geniais e tão habituais que os rastros do Odisseu ficam apagados. O leitor meio dedicado meio ignorante como eu vai se surpreendendo com a riqueza de detalhes insuspeitados do livro de Joyce. E passa a amar ainda mais o livro.

Para finalizar, garanto-vos que Galindo mostra e dá acesso a muita coisa, praticamente sem interpretar. Deixemos os “interpretaços” para os divãs, né?

Recomendo!

Caetano Galindo em foto pescada do Youtube

Neste sábado (11), a Ospa apresentará a Sinfonia Nº 10 de Shostakovich

Neste sábado (11), a Ospa apresentará a Sinfonia Nº 10 de Shostakovich

Eu tinha 16 anos e simplesmente precisava conhecer a Sinfonia Nº 10 de Shostakovich. Era o inverno de 1973. Shostakovich, imaginem, ainda estava vivo — ele faleceu em 1975. Então escrevi uma carta — sim, papel, selo, envelope, correio — para a Rádio da Universidade, dirigida ao programa Atendendo o Ouvinte. Duas semanas depois, pude ouvir a maravilha deitado em minha cama. Hoje é muito fácil ouvi-la.

Dmitri Shostakovich em 1953
Dmitri Shostakovich em 1953

Shostakovich foi provavelmente o único compositor nascido no século XX a desenvolver um tipo de sinfonia instantaneamente reconhecível, que poderia estar ao lado das de Beethoven, Mahler ou Sibelius. Embora cada uma das sinfonias de Shostakovich tenha suas características distintivas, elas compartilham muito uma com a outra. A maioria delas se baseia nos movimentos tradicionais, com scherzo, adagio, alegretto, etc. O que Shostakovich fez com essas categorias, no entanto, foi único. Seus scherzi, sombrios e sarcásticos, não são como quaisquer outros — haverá o exemplo em vídeo do scherzo da décima abaixo –, e seus movimentos de abertura, muitas vezes mais lentos do que o que se está acostumado, também são inconfundivelmente seus.

Sua Sinfonia Nº 10 é um monumento da arte contemporânea que contém música absoluta, intensidade trágica, humor, ódio mortal, tranquilidade bucólica e paródia. Tudo isso em esplêndidos quatro movimentos. Tem, ademais, uma história bastante particular. Stálin…

A Sinfonia Nº 10, Op. 93, foi estreada pela Orquestra Filarmônica de Leningrado sob regência Yevgeny Mravinsky em 17 de dezembro de 1953, após a morte de Joseph Stálin em março daquele ano. Não está claro quando foi escrita: de acordo com a composição das cartas do compositor foi entre julho e outubro de 1953, mas a extraordinária pianista e colaboradora Tatiana Nikolayeva declarou que foi concluída em 1951, quando o compositor estava proibido de estrear obras pelo regime soviético.

Em 1948, Shostakovich, Prokofiev, Khachaturian e outros notáveis compositores da URSS foram censurados por escrever o que os censores do partido chamavam de música “formalista”, uma palavra-código para dissonâncias e expressões de emoções negativas ou cinismo. Naturalmente, examinados contra tais padrões vagos, virtualmente qualquer composição estava vulnerável a ataques, e muitos trabalhos de Shostakovich foram criticados. A partir de 1948, a maioria dos compositores do país não tinha certeza do que era seguro escrever.

Como escrevi antes, em março de 1953, quando da morte de Stálin, Shostakovich estava proibido de estrear novas obras e a execução das já publicadas estava sob censura, necessitando autorizações especiais para serem apresentadas. Tais autorizações eram normalmente negadas. Foi o período em que Shostakovich dedicou-se à música de câmara e a maior prova disto é a distância de oito anos que separa a nona sinfonia desta décima. Esta sinfonia, provavelmente escrita durante o período de censura, além de seus méritos musicais indiscutíveis, é considerada uma vingança contra Stálin. Primeiramente, ela parece inteiramente desligada de quaisquer dogmas estabelecidos pelo realismo socialista da época. Para afastar-se ainda mais, seu segundo movimento – um estranho no ninho, em completo contraste com o restante da obra – contém exatamente as ousadias sinfônicas que deixaram Shostakovich mal com o regime stalinista. Não são poucos os comentaristas consideram ser este movimento uma descrição musical de Stálin: breve, absolutamente violento e brutal, enfurecido mesmo. Sua oposição ao restante da obra faz-nos realmente pensar em alguma segunda intenção do compositor.

De qualquer forma, este movimento diabólico tem ecos de obras anteriores de Shostakovich, como a Sexta e Oitava Sinfonias e o Primeiro Concerto para Violino. É, de certo modo, o outro lado do primeiro movimento sério e trágico. Talvez precisemos dessa brincadeira grosseira, antes de seguirmos para um estado mental mais tranquilo.

Abaixo, este segundo movimento da Sinfonia com Andris Nelsons.

Para completar o estranhamento, o movimento seguinte é pastoral e tranquilo, contendo pela primeira vez o famoso tema baseado nas notas DSCH (ré, mi bemol, dó e si, em notação alemã) que é assinatura musical de Dmitri SCHostakovich, em grafia alemã. Ele é repetido várias vezes. Ouvindo a sinfonia, chega-nos sempre a certeza de que Shostakovich está dizendo insistentemente: Stálin está morto, Shostakovich, não. Ou então que o compositor, orgulhoso, diz “Eu escrevo o que eu quero”.

Aqui, Shostakovich toca o tema DSCH ao piano de uma forma extravagante:

O mais notável da décima é o tratamento magistral em torno de temas que se transfiguram constantemente.

Dada a complexidade da Sinfonia e as terríveis experiências de Shostakovich com os críticos do Partido Comunista, é compreensível que o compositor não quisesse comentar sua 10ª Sinfonia em detalhes. Sua declaração para o Sovietskaia Muzyka foi absurdamente auto-depreciativa. Shostakovich, que com tanta frequência fora forçado a exercer autocrítica no passado, agora a levou a um ponto inacreditável: “Como meus outros trabalhos, escrevi isso muito rapidamente. Isso é provavelmente mais um defeito do que uma virtude, porque há muito que não pode ser bem feito quando se trabalha tão rápido”. O que essa afirmação estava tentando fazer era evitar os críticos em seu jogo sujo. Então, minimizou a importância do trabalho. Os críticos engoliram a isca e castigaram a peça apenas por ser “pessimista” e “individualista”. Porém… Os músicos e plateias, por outro lado, assumiram imediatamente a 10ª, tanto na União Soviética quanto no exterior. É uma de suas sinfonias mais frequentemente executadas. Uma compilação recente lista nada menos que 70 gravações.

A Sinfonia completa com o grande Bernard Haitink:

No próximo sábado, às 17h, a Ospa apresenta esta sinfonia na nova Casa da Música da Ospa.

O programa completo do concerto:

Gilberto SalvagniConcerto para Trompete e Orquestra 
Dmitri ShostakovichSinfonia nº 10

Solista: Tiago Linck (trompete – Brasil)
Maestro: Stefan Geiger (Alemanha)

Quando: 11 de maio de 2019 (sábado)
Local: Casa da Música da Ospa

Lavando louça com Ulysses

Lavando louça com Ulysses

Há dez minutos, bêbado, estava lavando louça e pensando nos motivos que levam à imortalidade do Ulysses, de Joyce. São tantos motivos que eles montam uns por cima dos outros, procurando ganhar importância. Acho que os 18 estilos de narração têm papel fundamental. Acho que o paralelismo com a Odisseia é lindo. O labirinto das referências nem se fala. Acho que o homem feminil Leopold Bloom, cujo comportamento causa até hoje tanta discussão — um homem sensível, que fazia café para a mulher com a qual não tinha mais relações sexuais, que se preocupava com os filhos, que não trepava com a mulher após a morte de Ruby, um dos filhos, que tolerava o amante em sua cama na sua ausência, isso em 1904 –, é um tipo fundamental, mas acho que as piadas grossas, os incríveis e coloridos trocadilhos, a falta de limite entre erotismo e pornografia é ainda mais central no livro. Por exemplo, na cena com Gerty em que ele se masturba na praia, embevecido pela beleza da moça, ela vê o que ele faz (sem problemas), ele ejacula nas calças (OK), mas Joyce vai além: Bloom caminha, a coisa seca, gruda. o prepúcio fica fora do lugar, ele precisa ajeitar as coisas no púbis. Também quando Molly — à noite, sempre à noite, antes de dormir, como as mulheres gostam — faz uma DR em silêncio, num furioso fluxo de consciência, o autor não recua, usa todos os termos e diz o que até hoje evitamos. Esta é uma das razões pelas quais todos nós dizemos “sim, eu digo sim” à Ulysses. Tem muito Freud e sexo em Ulysses. Não é um livro conservador. Ele é absolutamente aberto e franco. E o mundo não evoluiu suficientemente para absorvê-lo. Enquanto não o fizer, ele estará pulando, vivo, na nossa frente.

(Só evitem a tradução do Houaiss, OK?)

Joyce e o neto Stephen em 1932

Defeitos e perguntas em manhã preguiçosa

Defeitos e perguntas em manhã preguiçosa

Li sobre a existência de romances, novelas e contos com as sinopses numeradas abaixo. Nunca as li. Soube delas através do ensaio Comicidade e Riso, de Vladimir Propp. Não é um bom livro, porém, para mim, é quase impossível não ficar fantasiando sobre os temas, mesmo de descrições tão curtas. Certamente, mais um defeito de fábrica.

1. A relação da senhora simplesmente agradável com a senhora agradável sob todos os aspectos.

2. A secretária que descreve diferentes pratos com tamanho apetite que ninguém consegue trabalhar.

3. Para enganar seus credores, declara-se insolvente. Passa seus bens para o nome do genro. Então, o genro vira-lhe as costas, deixa-o ir preso e usufrui de pequena fortuna.

4. O marido, brincando, diz à mulher e à sogra que ganhou na loteria. Ele lamenta a brincadeira, mas bem depressa a mulher, a sogra e outros parentes demonstram tamanha cobiça que ele os observa, desconhecendo-os.

Não obstante as interessantes sinopses e suas possibilidades cômicas, tão importantes para Propp, o que me interessa é que a ficção, ao expandir tais argumentos, procurará representar a realidade, acabando por ultrapassá-la e tornando-se também realidade. Será a verdade ficcional uma mentira? Sim, mas não é ela quem mais se aproxima da verdade? E, quando lida, a história ainda é do autor ou é do leitor que se apropria e reinterpreta aquela realidade? Quando lemos Lucien de Rubempré fazendo seus cálculos contábeis, ainda somos nós mesmos? E por que temos a necessidade de ler ficção? Seja Joyce, novelas na TV ou de ler romances românticos de bancas de revistas?

Mais: vocês, meus sete leitores, acreditam em alguma coisa do que escrevo aqui? Ou são só simpáticos e aceitam a convenção mesmo sem acreditar?

Angela Hewitt disse:

Angela Hewitt disse:

“Você passa a poder fazer quatro ou cinco coisas ao mesmo tempo, porque é isso que você está fazendo quando está tocando Bach”, diz Hewitt. “Isso lhe dá uma incrível memória, porque memorizar Bach é a coisa mais difícil que você pode fazer. Dá disciplina para sua vida cotidiana, pensamento e clareza. E também uma grande sensação de conforto e alegria e apreciação do belo”.

Retirado daqui.

Bom dia, Odair (com os principais lances de Inter 2 x 1 Flamengo)

Bom dia, Odair (com os principais lances de Inter 2 x 1 Flamengo)

Que grande jogo foi Inter 2 x 1 Flamengo! Mas não dá para recuar contra eles, que têm um ataque poderoso. Esse negócio de ficar só contra-atacando não funciona quando o adversário é Flamengo, River, Palmeiras, etc.

Quando o jogo começava, novamente me veio aquela sensação estranha — afinal, havia um árbitro tranquilo que comandava e fazia tudo conforme o habitual. Não adianta, o Campeonato Gaúcho é uma VÁRZEA, com seus juízes burros, formatados e atrapalhados demais.

Fizemos um grande primeiro tempo. Disse que D`Alessandro deveria entrar somente durante o jogo, mas ele me fez engolir a opinião. Jogando sem preocupações com marcação — deixando a função para os mais jovens Nico e Patrick –, Dale fez muito boa partida. Na verdade, o esquema mudou. Dourado e Edenílson ficaram protegendo a zaga, enquanto Nico, Dale (pelo meio) e Patrick formaram uma linha mais à frente.

Foi num cruzamento perfeito dele que Guerrero fez nosso primeiro gol aos 5 min e, puxa, poderíamos ter ampliado o placar. Na verdade deveríamos, considerando a história do jogo. Perdemos gols com Dale e um incrível com Nico López após lançamento de Iago.

Para variar, Odair resolver iniciar o segundo tempo acadelado, no velho esquemão reativo. Claro que o Flamengo nos empurrou para trás, mas não tínhamos nenhum contra-ataque e parecíamos conformados com o 1 x 0.

E tomamos o gol de empate.

E então Odair acertou duplamente. Trocou o já cansado Dale por Sarrafiore e Patrick, de péssima partida, por Parede. E voltamos a pressionar até Sarrafiore marcar um golaço.

Se Moledo foi o melhor em campo, foi Sarrafiore quem decidiu o jogo | Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional

Logo depois do gol, lembrei que Camilo jogou o Gre-Nal do Gaúcho com o Sarrafiore no banco. Ah, Odair.

Os destaques da partida foram a zaga do Inter. A dupla esteve sensacional, com Moledo jogando muito. Zeca foi bem. Dale, Guerrero, Sarrafiore, Nico e Parede também. Quem esteve mal? Só Patrick.

Com a vitória, somamos nossos primeiros três pontos no campeonato, subindo para a 12ª posição da tabela. Cabe destaque também para o grande público presente. Ao todo, mais de 40 mil pessoas tomaram as arquibancadas do Beira-Rio. Sábado, teremos uma baita pedreira: o Palmeiras, às 19h, em São Paulo.

E a vida segue.

No vídeo abaixo, os melhores lances começam aos 17 segundos.

Bom dia, Odair (com os lances do fiasco de Chapecó)

Bom dia, Odair (com os lances do fiasco de Chapecó)

O Inter entrou com os reservas, o que é um sinal aos próprios jogadores de que a partida em Chapecó era menos importante do que outra coisa que está sendo jogada. Mas há outro recado e este é dado ao adversário — escuta, você deve me vencer.

E mais: o time todo estava desgastado após o jogo contra o Alianza? Todo, todinho? Ora, não me façam rir.

Inútil: como sempre de cabeça baixa, Pottker enfrenta vários adversários até perder a bola. Foi só isso o que ele fez sábado | Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional

Ora, a partida contra o Alianza Lima não foi tão disputada assim, não houve grande desgaste, mas Odair e turma escolheram estrear no Brasileiro com os reservas e com derrota. Foi opção. Assim como foi opção escalar Pottker, nosso pior atleta mesmo entre reservas.

Claro que esses pontos farão falta e não serão recuperados. Na última Libertadores que disputamos, o papo foi o mesmo. Quando fomos eliminados, éramos 9º lugar no Brasileiro e a conversa foi a de que íamos nos recuperar. Não conseguimos, é óbvio, e ficamos fora da Libertadores seguinte. O ” diretor de futebol” Roberto Melo disse: “Brasileirão não se ganha em abril”. Em setembro, 15 pontos atrás do líder, ele vai dizer “A gente sabe que está difícil de buscar, mas temos que tentar”. E não vai dar.

Já sei que vão dizer que o planejamento é esse mesmo. Nos findi, reservas. No meio da semana, titulares. Que o time teve mais chances e brigou muito. Ai, que lindo.

Lindo mesmo é estrear num campeonato que não ganhamos há quarenta (40) anos com os reservas. E perder.

Os 3 pontos de hoje valiam o mesmo do próximo jogo contra o Flamengo. Aliás, Cruzeiro e Flamengo entraram em campo com os titulares. Não se preservaram, que coisa.

E pobre do Palmeiras, um time sem recursos… Jogou pela Libertadores quinta-feira no Peru e está jogando com os titulares no domingo pelo Brasileirão. São uns coitados, não possuem elenco para girar o time. Ou não têm planejamento…

Agora jogamos contra Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro e River. Vamos com os reservas e Pottker?

Já que a diretoria e a comissão técnica deixaram evidente que não se interessam em ganhar o Brasileiro, a torcida também não deve em grande número ao Beira-Rio.

Por que o torcedor deveria ir a jogos de um campeonato que o clube não tem interesse em ganhar?

Já há colorados explicando a derrota dos reservas do Inter pela derrota dos titulares do Grêmio… Por que ligar fatos que não têm nada a ver? Não surpreende que Bolsonaro tenha ganho as eleições aqui. Muita gente burra, né?

O Grêmio todo mundo conhece. Vimos os dois Gre-Nais. Já o Inter… Quem é o Inter? É o planejamento do Inter, as opções do Inter, etc. As escolhas de nunca usar todo seu potencial. As confusões do Odair. Os empresários. O futebol reativo. A várzea.

O Flamengo, com os titulares, deu um baile nos titulares do Cruzeiro, o Bahia venceu o o Corinthians, Ceará e Athletico golearam, mas, segundo o Inter, esta rodada não vale nada.

Bem, abaixo, o sofrimento começa aos 8 segundos do vídeo:

Um local da cidade: Bonobo, café com conceito

Um local da cidade: Bonobo, café com conceito

Acordei hoje e, por algum motivo, lembrei desta reportagem que fiz para o Sul21 em agosto de 2011. Apesar de não ser nada hostil e de eventualmente comer comida vegana, não faço parte da tribo. Porém, na época, mal sabia o que era aquilo, poucos sabiam o que era. Gostei muito do tratamento que recebi no Bonobo e vai ver que foi isto que me fez lembrar deste texto bem simples.

Um lugar incomum, o Café Bonobo | Ramiro Furquim/Sul21

Café Bonobo fica a dez minutos de caminhada do Parque da Redenção, exatamente na esquina da Castro Alves com a Felipe Camarão, em Porto Alegre. É uma bela casa de dois andares. No térreo fica o Café e no andar de cima moram os proprietários, o casal Valesca Sierakowski Kuhn e Marcelo Guidoux Kalil.

Se considerarmos a comida oferecida, a postura e o conceito que o apoia, o local não é nada tradicional. Para começar é um café vegano — os veganos se abstêm de utilizar quaisquer produtos que provenham de aninais ou da exploração destes. Então, além de não ingerir carnes, peixes, aves, ovos, leite, mel e seus subprodutos, como gelatina, soro, gordura, etc., os veganos não vestem tecidos de origem animal, como couro, seda, lã e peles, nem produtos testados em animais.

“O veganismo é um vegetarianismo puro e eminentemente ético”, explica Marcelo, sócio do Bonobo. “Com o tempo, a gente foi incorporando outros conceitos ao veganismo, coisas libertárias, algumas ideias anarquistas anti-hierarquia, que fomentam a horizontalidade.”

A estante do bookcrossing | Ramiro Furquim/Sul21

Tais opções estão presentes por todo o restaurante – chamamos de restaurante, pois frequentemente são servidos almoços aos sábados. Ao lado da mesa onde sentamos, por exemplo, há uma pequena estante de livros. Ao ser perguntado sobre o motivo da existência da pequena biblioteca, Marcelo esclareceu que era para fazer bookcrossing, que é a prática de deixar um livro num local público para que outros o encontrem, leiam e voltem a “libertá-lo”, seja devolvendo-o ao local onde foi encontrado, seja deixando-o por aí para que outros leiam. “Queremos divulgar as ideias que achamos boas. Recentemente, demos destaque à questão da mobilidade, do uso de bicicleta, que nós apoiamos. Então, quem chega de bicicleta aqui tem um espaço legal para estacioná-la”.

Os pratos oferecidos pelo Bonobo são produzidos a partir de alimentos comprados em feiras ecológicas, direto do produtor. “Acho que a única coisa que passa por processos industriais é o vinho. O resto fazemos tudo: o pão, os burgers, os molhos, os bolos, os sorvetes. A cerveja é um amigo nosso que faz. Até os produtos de limpeza são naturais.”

O menu do Café Bonobo | Ramiro Furquim/Sul21

Os burgers é uma das especialidade da casa. Tudo é vegetariano. O pão é branco ou integral, o “bife” pode ser ou de lentilha com curry e grão-de-bico ou de cenoura, amendoim e arroz integral. Os molhos são de catchup caseiro de tomate, pasta de grão-de-bico ou guacamole. Para quem quiser se aquecer no inverno, há o tradicional chocolate quente com leite de amêndoas. Os preços não são nada altos e ainda há promoções: por exemplo, há o bolo sem preço, pelo qual cada um paga o quanto pode ou quanto acha que vale. E hoje (10/08/2011) o almoço é sem preço, ou seja, você come e paga o que achar justo.

Val e Marcelo vivem modestamente do Bonobo. Não pretendem mais e seu café tem o slogan “compre menos, trabalhe menos e viva mais”.

O que é bonobo? Bonobo é uma espécie de primata que age de forma contrária a do chimpanzé. Este costuma resolver seus problemas – inclusive os do amor – pela força, enquanto os bonobos decidem suas questões através do amor. Por exemplo, se estão disputando comida, um faz carinho no outro e acabam compartilhando. É uma visão que seria mais harmoniosa do que a dos chimpanzés, que fazem guerras entre eles, com mortes, muitas vezes. “Aqui no café somos eu e a Val. Fazemos, dividimos e compartilhamos tudo, até a limpeza”.

“Vez ou outra nos damos o luxo de não abrir” | Ramiro Furquim/Sul21

O Bonobo abre geralmente de quartas a sábados, das 18 às 22h. Mas nem sempre este horário é cumprido. Às vezes abre para o almoços, às vezes em outros horários, às vezes não abre. Os clientes se informam pelo telefone, twitter, facebook ou pelo blog do café. “Geralmente funcionamos de quarta a sábado, mas uma vez e outra nos damos o luxo de não abrir… Quando fazemos isso, sempre avisamos. Por exemplo, hoje, depois de um monte de dias de chuva, abriu um sol e era o aniversário da Val, então escolhemos não ficar presos aqui dentro na cozinha.”

Além da estante do bookcrossing, há uma biblioteca que vende e empresta livros. Há outros produtos também: “Temos até absorventes femininos ecológicos para vender. São aqueles antigos que nossas avós usavam. São de usar e lavar para reaproveitar. A própria água com que é lavado pode ser usada para regar as plantas, é ótimo.”

O Bonobo mantém a política de compartilhamento também na cozinha. Nada é segredo. Então, se um cliente quiser saber como as pratos são preparados, é convidado a visitar a cozinha para auxiliar a fazer as coisas e aprender. “Estamos mais interessados em divulgar o veganismo do que em guardar segredos de cozinha.”

“Quem chega de bicicleta aqui tem um espaço legal para estacioná-la” | Ramiro Furquim/Sul21

Segundo o casal, são raros os casos de comensais que pedem uma picanha sangrenta. “A maioria do público sabe como é, já temos um público bem fiel. Às vezes, quando está cheio, as pessoas olham e vão embora. Nós nem aconselhamos as pessoas a esperarem, pois quando o pessoal senta aqui demora muito para sair.”

Val e Marcelo tentam plantar alguma coisa no próprio espaço do Bonobo. “A gente planta mas aqui têm muitos prédios ao redor, pouca luz e é muito úmido. Agora um amigo trouxe uma mudinha de juçara, que é como o açaí da mata atlântica. Ele acha que vai pegar. Temos pimenta, maracujá, guaco, amoreira… bastante coisa. Os móveis aqui do café nós achamos na rua ou em briques, arrumamos tudo. Viste como são bonitos?”.

Além da estante de bookcroosing, há uma pequena livraria que faz vendas ou empréstimos de livros |Ramiro Furquim/Sul21

Bom dia, Odair (com os lances de Alianza 0 x 1 Inter)

Bom dia, Odair (com os lances de Alianza 0 x 1 Inter)

Bem, Odair e meus prezados sete leitores, a primeira constatação é a de que Sarrafiore deu mais resultados do que Pottker, que apenas faz o auxílio à marcação, fato tão valorizado por treinadores medrosos como tu. Claro que o argentino marca menos e prefere jogar com a bola; afinal, é um meio-campista ofensivo. Durante o jogo, ele pifou Nico e obrigou o bom goleiro do Alianza Lima a uma defesa incrível. Creio que mereça seguir no time titular, mas tudo passa pelo teu crivo de retranqueiro, Odair.

Moledo: absoluto | Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional

Em segundo lugar, como é bom jogar com um árbitro equidistante! Nosso time — e eu — ficamos nervosos com arbitragens políticas como as de Vuaden e Jean Pierre Lima. Estava achando estranho o jogo, só depois me dei conta do que era.

Mas o que mais interessa mesmo é a também a pior das notícias: os erros de passe voltaram com tudo. O número de ataques e contra-ataques desperdiçados foi notavelmente alto. Quando um jogador nosso pegava a bola, tinha gente não se deslocando para receber o passe, quando sabemos que o correto é dar opções a quem está com a bola, claro. A impressão de que falta técnico foi novamente muito forte, Odair. Assim não vamos muito longe, não.

Patrick jogou bem, foi protagonista da partida, mas segue tentando fazer o mais complicado. É um jogador que gosta de tentar coisas impossíveis e que acaba perdendo muitas bolas.

Já Sóbis parece ter nascido para jogar Libertadores. Entrou muito bem, assim como D`Alessandro. Moledo mereceu o gol pelo ótimo futebol que tem jogado. Já Iago errou todos os cruzamentos. É um enorme esforço inútil.

E assim seguimos. A última partida da fase classificatória, contra o River, em Buenos Aires, virou amistosa para ambos. Já somos os primeiros de grupo, eles, os segundos. Acabou.

Sábado (27), às 19h, estreamos no Brasileiro contra uma baita touca, a Chapecoense, em Chapecó.

Atrás do balcão da Bamboletras (XI)

Atrás do balcão da Bamboletras (XI)

Veio um bolsomínion aqui e pediu Imbecil Coletivo, de Olavo de Carvalho. Fazer o quê? Trouxemos o livro e ligamos para o cara avisando da chegada. Ficou reservado, mas, sabem como é, escondemos preventivamente o elemento sob o balcão. Bem, passados os 7 dias regulamentares, ligamos pro cliente perguntando se ele viria buscar. Ele fez aquele nhé típico e conhecido de quem não está mais interessado. Olha, vou te contar…

Desta forma, colocamos o livro na prateleira para venda.

Um dia, entrou um fiel cliente da loja. Estava com uma enorme mochila nas costas e, ao se deparar com o volume olaviano, tomou tal susto que deu um salto para trás, derrubando duas pilhas de ótimos livros da Todavia.

Saí do balcão. Deixa comigo que eu arrumo. O cara me olhou arregalado, dizendo que tinha feito aquele movimento súbito ao ver um Olavo na Livraria Bamboletras. Pois é, o que fazer? Um cliente pediu e não veio buscar.

O mochileiro sugeriu que deixássemos o livro com a lombada para dentro, mas a emenda revelou-se péssima. Todo mundo que passava pela estante virava o livro e quase gritava de pavor.

Encalhou, gente, encalhou. Não sabemos o que fazer. Sugestões?

Olavo e um amigo

As novas regras do futebol a partir de 1º de junho

As novas regras do futebol a partir de 1º de junho

⚽NOVAS REGRAS DO FUTEBOL

1- SUBSTITUIÇÃO: O jogador não precisará mais sair de campo pelo centro quando for substituído, ele será obrigado a sair pela linha mais próxima que ele estiver, seja na lateral, linha de fundo e etc….

2- CARTÕES PARA A COMISSÃO TÉCNICA: O técnico agora poderá ser advertido com cartão amarelo, cartão vermelho, e não só isso, ele pode acumular cartões e ficar suspenso nos próximos jogos. Além do técnico, o preparador físico, o médico, o auxiliar técnico e a comissão técnica inteira poderá ser advertida com cartões.

3- JUIZ E ⚽ AO CHÃO: Com essa nova regra, independente de onde a bola estiver, se ela bater no juiz, o jogo vai parar e será dado bola ao chão. Aí o jogo recomeça.

4- TIRO DE META: Os zagueiros não serão mais obrigados a sair da área no tiro de meta, eles poderão entrar na área e o goleiro poderá sair jogando com eles normalmente.

5- GOLEIROS NAS COBRANÇAS DE PÊNALTIS: Na regra atual, diz que os goleiros são obrigados a ficar com os dois pés na na linha. Com a nova regra, eles poderão ficar com um pé dentro da linha e outro fora da linha pra pegar impulso.

6- BARREIRA NAS COBRANÇAS DE FALTA: Com essa nova regra, o time que vai cobrar a falta, NÃO pode mais colocar jogadores na barreira adversária para atrapalhar a visão do goleiro, eles serão obrigados a ficar 01 (um) metro de distância da barreira adversária. O time que sofre a falta poderá formar a barreira normalmente sem jogadores adversários atrapalhando o goleiro.

7- ⚽ NA MÃO, MÃO NA ⚽: Essa com certeza é a que gera mais polêmica. A partir de 1° de junho acabou o critério de bola na mão ou mão na bola, essa situação será unificada. Ou seja, bateu na mão fora da área é falta, e dentro da área é o mesmo critério, pênalti.

OUTRAS REGRAS QUE AINDA SERÃO AVALIADAS:

1- VAR: A international Board vai avaliar mais atuações do VAR durante o jogo.

2- PÊNALTIS DURANTE O JOGO: A international Board avaliará se manterá rebotes nas cobranças de pênaltis durante a partida, ou seja, se o goleiro pegar, se a bola for na trave ou para fora, não há mais rebote. E também não terá escanteio caso o goleiro defenda a cobrança e a bola vá para fora. O jogo vai parar e recomeçar caso o cobrador perca o pênalti !

REGRAS APROVADAS PELA INTERNATIONAL BOARD (ÓRGÃO QUE REGULAMENTA AS REGRAS DO FUTEBOL MUNDIAL) QUE SERÃO IMPLEMENTADAS NO FUTEBOL A PARTIR DO DIA 1° JUNHO DE 2019.

3 drops de abril

Modiano (14), Aleksiêvich (15) e Ishiguro (17) foram boas escolhas. Do fato da absurda escolha de Dylan em 2016 não dava para depreender a putaria que estava a Academia Sueca. Afinal, já houve casos quase tão incríveis quanto este no passado. Mas tergiverso. Bem, teremos Nobel de Literatura este ano? É tão difícil organizar uma comissão de bom gosto, conhecimento e conduta aceitável?

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Jude Law deve ser um cara interessantíssimo. Produtor e ator principal da série ‘O Jovem Papa’, ele não tem conseguido gravar a nova temporada — já escrita e planejada — em razão dos compromissos. Não é de todo raro um grande ator abraçar um projeto, inclusive arcando com seus custos. O que é raro é um ator produzir uma série daquele tamanho e com um nível artístico tão alto, se bem que eu gostaria de ver o diretor Paolo Sorrentino de volta ao cinema. Agora, espero que Law arranje tempo para desovar a coisa, né?

Ou será que está buscando a grana que vai gastar? Pode ser.

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Ai, que inesperado!

Pesquisa Foca e Methodus apura que apenas 8% aprovam a administração Marchezan em Porto Alegre.

E o recém eleito Eduardo Leite?

Péssimo: 22,34%
Ruim: 24,11%
Regular: 42,64%
Bom: 10,41%
Ótimo: 0,51%

Parabéns, boas escolhas!

Hoje, 120 anos de Vladimir Nabokov

Hoje, 120 anos de Vladimir Nabokov

E eu mando bala num texto quase que montado a partir de várias fontes e da memória de tantos Nabokovs lidos:

A voz de Nabokov é única. Ele trabalha uma perfeita fusão de estranheza, sentimentos, nostalgia e imagens, formando um ambiente ao mesmo tempo denso, subjetivo e histórico. Ler Nabokov é realmente entrar em outra realidade. As tramas são complexas, há sempre jogos inteligentes de metáforas e um estilo de prosa capaz de paródias e de intenso lirismo.

Nascido em São Petersburgo, no dia 22 de abril de 1899, Nabokov foi romancista e contista de primeira linha, poeta, tradutor e entomologista. Seus primeiros nove romances foram escritos em russo, mas ele conseguiu proeminência internacional apenas após começar a escrever em inglês.

Poucos escritores do século passado foram (e são) mais festejados do que ele. Presença certa em qualquer lista dos grandes, o autor de ‘Lolita’ está sempre lá, ao lado de Borges, Joyce, Proust, Beckett… E, posso estar enganado, mas, a julgar pela quantidade de biografias existentes (até sobre Véra, sua mulher, já se escreveu uma), citações e releituras (como O Encantador, da franco-iraniana Lila Zanganeh), me parece que, hoje, poucos autores desfrutam do status de celebridade equivalente ao do “bruxo russo”.

Lolita (1955), seu mais famoso romance em inglês, foi classificado em quarto lugar na lista dos 100 melhores romances da Modern Library; o belíssimo Fogo Pálido (1962) foi classificado 53º na mesma lista, e suas memórias, Fala, Memória (1951), foi listado em oitavo na lista das maiores não-ficções do século XX. Mas chega de listas.

Silas Marner: o tecelão de Raveloe, de George Eliot

Silas Marner: o tecelão de Raveloe, de George Eliot

Os sete leitores que acompanham este blog sabem de minha profunda admiração por George Eliot (1819-1880). Basta conferir, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. Eliot, na verdade, era uma mulher que usava um pseudônimo masculino para que seus trabalhos fossem levados a sério. Na época, outras autoras publicavam trabalhos sob seus verdadeiros nomes, porém Eliot queria escapar dos estereótipos que diziam que mulheres só escreviam romances leves. E realmente seus livros são muito bem escritos e planejados, mas nada leves. Outro fator que pode ter levado Eliot a usar um nome artístico tão distante talvez fosse o desejo de preservar sua vida íntima. Ela viveu por mais de 20 anos com George Henry Lewes, um homem casado com outra mulher. Ah, a sociedade vitoriana…

Tratando de evitar spoilers, conto a história do livro rapidamente. Parece boba, mas estamos longe disso. Eliot é uma sofisticada mestra da narrativa e da observação social e psicológica. Silas Marner, indevidamente acusado de roubo e exilado de uma comunidade religiosa muitos anos antes, é um tecelão amargurado e misantropo que mora em Raveloe, vivendo apenas para o trabalho e para seu pequeno e crescente tesouro de moedas de ouro. Mas quando seu dinheiro é roubado e uma criança órfã entra casualmente em sua casa, Silas tem a chance de transformar sua vida. Seu destino e o de Eppie, a garotinha que ele adota, está ligado a Godfrey Cass, filho de um burguês da vila, que, como Silas, está preso a seu passado. Silas Marner é o livro favorito de George Eliot dentre seus romances. É curto e combina humor, rico simbolismo e faz uma crítica social nada sentimental, mas afetuosa.

(Apenas peço desculpas para discordar de Mary Ann: seu monumental Middlemarch é uma obra-prima, considerado merecidamente pela crítica um dos maiores romances ingleses de todos os tempos. E assino embaixo e por todos os lados desta opinião).

Em resumo, Silas Marner é a história de um avarento solitário redimido gradualmente pela alegria da paternidade.

Meu amigo de Facebook João Antonio Guerra faz uma observação importante:

“O mais maravilhoso para mim é o retorno a Lantern Yard, justamente onde a história começou, no último capítulo numerado do romance. Esse tempo todo a gente sabia que a condenação de Silas tinha sido injusta, e naquele momento descobrimos que (sua fuga e amargura) não serviu a propósito algum, não sobrou ninguém dos que inventaram a história toda”.

Silas Marner é um clássico. Falsamente simples, curto e perfeito. A história hiper romanesca faz com que a gente devore o livro.

Recomendo.

George Eliot (1819-1880)

Meu estado é assim em todos os níveis

Meu estado é assim em todos os níveis

O futebol como representação da vida política e da vida em geral.

Explico para quem não entendeu: Na primeira foto, o árbitro Jean Pierre Lima vê este incrível pênalti (fora da área, houve um beliscão do jogador colorado no calção do gremista, que caiu desmaiado). Depois, vitorioso, Renato Portaluppi agradece a graça recebida.

O Inter negou-se a pegar a taça e as medalhas de vice-campeão. Correto. Se não tiverem bom valor no Mercado Livre, melhor deixar na FGF.