Nova-iorquinos pedem a remoção de pintura de Balthus que “sexualizaria” menina

No final da semana passada, alguns nova-iorquinos lançaram uma petição exigindo que o Metropolitan Museum of Art removesse uma pintura de 1938 do famoso pintor francês Balthus (pseudônimo de Balthasar Klossowski) onde é mostrada uma jovem púbere com a roupa interior exposta. O motivo seria o “clima hoje instalado em torno do tema do assédio sexual”. Porém, o Met se recusou a retirar a obra.

Thérèse Dreaming, de Balthus (1908-2001), “sexualizaria” a menina, mostrando sua calcinha sob uma saia. A petição diz que a posição do pé e do joelho esquerdo da menina seriam “provocantes”.

Thérèse Dreaming, de Balthus

Thérèse Dreaming, de Balthus

“O artista desta pintura, Balthus, sempre teve uma grande atração por meninas adolescentes e esta pintura está inegavelmente romantizando a sexualização de uma criança”, escreve Mia Merrill, 30, a empresária de Nova York que criou a petição. “Dado o clima atual em torno do assédio sexual, o Met não deveria romantizar o voyeurismo e a objetivação das crianças. O Met é uma instituição de renome, deveria se preservar. Eu estou apenas solicitando ao Museu que examine mais cuidadosamente a arte em suas paredes e entender determinados quadro insinuam”.

A petição, que foi lançada na sexta-feira, havia coletado quase 7.000 assinaturas no domingo à noite. Pouco.

Porém, como toda razão, um representante do museu disse que não removerá a pintura porque a arte deve refletir muitos períodos de tempo – não apenas o atual. “Nossa missão é colecionar, estudar, conservar e apresentar obras de arte importantes em todos os tempos e culturas, a fim de conectar pessoas com criatividade, conhecimento e ideias”, disse o porta-voz Kenneth Weine.

“Momentos como este fornecem uma oportunidade para o diálogo, e a arte visual é um dos meios mais significativos que temos para refletir sobre o passado e o presente”.

Em 2013, o Met realizou uma exposição de pinturas de Balthus intitulada Balthus: Cats and Girls – Paintings and Provocations.

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Políticos discutindo o aquecimento global

Políticos discutindo o aquecimento global, escultura em Berlim. Autoria de Isaac Cordal.

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E em Londres, do mesmo autor. Esta chama-se Siga o líder:

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E Artodyssey, também dele.

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Museu gaúcho retira preventivamente obra polêmica, veja fotos

A fotógrafa Cibele Vieira, gaúcha radicada em Nova Iorque, escreveu em seu perfil do Facebook: It is a re-reading of Pietà. I painted it black. The photograph it is part of a series of photographs made from religious icons statues. Traduzo: é uma releitura da Pietà. Eu a pintei de preto. A fotografia é parte de uma série de fotos feitas de estátuas de ícones religiosos. 

Bem, a gente chega na mostra Projeto de Pesquisa em Fotografia Contemporânea, atualmente em exibição no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), na Casa de Cultura Mario Quintana, e logo vê o sinal mais civilizado de nossos tempos de retrocesso.

24/10/2017 - PORTO ALEGRE, RS - Exposição Projeto de Pesquisa em Fotografia Contemporânea, em exibição no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS). Foto: Maia Rubim/Sul21

24/10/2017 – PORTO ALEGRE, RS – Exposição Projeto de Pesquisa em Fotografia Contemporânea, em exibição no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS). Foto: Maia Rubim/Sul21

Logo na entrada, vê-se uma série de corpos nus, coisa que pode ser vista na arte sacra de qualquer igreja. Aliás, o nu está presente em todos os museus do mundo ocidental.

24/10/2017 - PORTO ALEGRE, RS - Exposição Projeto de Pesquisa em Fotografia Contemporânea, em exibição no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS). Foto: Maia Rubim/Sul21

24/10/2017 – PORTO ALEGRE, RS – Exposição Projeto de Pesquisa em Fotografia Contemporânea, em exibição no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS). Foto: Maia Rubim/Sul21

A moça abaixo não estava escandalizada com as fotografias. Pelo contrário, parecia plácida. O público das exposições costuma ser quieto e educado. Ama ou desgosta sossegadamente. Não dá discursos, não berra suas opiniões, não impõe, não ameaça, não grita e não se escabela se vê algo que vai contra aquilo que acredita. Costuma ser assim.

24/10/2017 - PORTO ALEGRE, RS - Exposição Projeto de Pesquisa em Fotografia Contemporânea, em exibição no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS). Foto: Maia Rubim/Sul21

24/10/2017 – PORTO ALEGRE, RS – Exposição Projeto de Pesquisa em Fotografia Contemporânea, em exibição no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS). Foto: Maia Rubim/Sul21

Uma das qualidades da arte é o poder de desestabilizar, fazendo com que repensemos coisas, dando-nos um empurrão da zona de conforto. Por isso, a criatividade e a imaginação as eternas são inimigas de moralistas, conservadores e burocratas. Porque afronta valores.

24/10/2017 - PORTO ALEGRE, RS - Exposição Projeto de Pesquisa em Fotografia Contemporânea, em exibição no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS). Foto: Maia Rubim/Sul21

24/10/2017 – PORTO ALEGRE, RS – Exposição Projeto de Pesquisa em Fotografia Contemporânea, em exibição no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS). Foto: Maia Rubim/Sul21

O MBL se aproveita da falta de vivência do grande público com a arte, a qual é adubada pela ignorância endêmica promovida por um sistema falido de educação. Tais pessoas não conseguem dar-se conta de que pedofilia, zoofilia, etc. pressupõem desejo sexual e uma vítima, infelizmente. O pior é que tais acusações jamais poderiam ser mantidas após a observação atenta das obras de, por exemplo, Adriana Varejão, expostas no Queermuseu. As acusações simplesmente não conferem com as obras.

24/10/2017 - PORTO ALEGRE, RS - Exposição Projeto de Pesquisa em Fotografia Contemporânea, em exibição no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS). Foto: Maia Rubim/Sul21

24/10/2017 – PORTO ALEGRE, RS – Exposição Projeto de Pesquisa em Fotografia Contemporânea, em exibição no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS). Foto: Maia Rubim/Sul21

A situação é tão grave que, de forma preventiva, o curador Fábio Rheinheimer resolveu retirar uma foto de Cibele Vieira antes de que a citada exposição Projeto de Pesquisa em Fotografia Contemporânea fosse aberta. A foto estaria no espaço em branco abaixo. Segundo Rheinheimer, a clara ausência da obra foi um protesto silencioso contra a violência dos conservadores.

24/10/2017 - PORTO ALEGRE, RS - Exposição Projeto de Pesquisa em Fotografia Contemporânea, em exibição no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS). Foto: Maia Rubim/Sul21

24/10/2017 – PORTO ALEGRE, RS – Exposição Projeto de Pesquisa em Fotografia Contemporânea, em exibição no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS). Foto: Maia Rubim/Sul21

Tenho minhas dúvidas se acertaste, meu caro Rheinheimer. Creio que foi mais um recuo. Dar espaço (e respeitar e demonstrar medo) para este gênero de manifestação é um erro, é dar espaço à barbárie.. A foto em questão é a Pietá abaixo, pintada de preto pela artista gaúcha Cibele Vieira. Ela estaria, quase preta, entre diversas fotos de pênis e vaginas. O últimos ficaram, a Pietà sumiu. Estranho.

Pietá, de Cibele Vieira / Divulgação

Pietá, de Cibele Vieira / Divulgação

Eu acharia provocativa a montagem. E creio que ela poderia significar várias coisas além da leitura rasa da “agressão a símbolos religiosos”. Só que nós temos pouco amor à liberdade de expressão e ainda menos à cultura e à curiosidade. O artista? Ora, o artista quer que o público procure entender de alguma forma o que ele quis dizer através das formas livres e pouco comuns que usou. A atitude de retirar a foto foi, em minha opinião, autocensura, ou seja, censura. E nela está implícita o fato de haver uma enorme diferença entre pensar que uma obra é equivocada, errada, sublime ou maravilhosa ou de simplesmente não mostrá-la.

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Fotógrafo compõe pessoas e quadros em museus com belo resultado

Do Daily Mail — com fotos de Stefan Draschan

Stefan Draschan passa muito tempo com sua câmera em museus na Europa. Lá, com muita paciência, captura imagens de visitantes do museu que combinam com as pinturas. É uma abordagem curiosa que junta contemporaneidade a conteúdo histórico e artístico. O legal é que o visitante está vestido de tal forma que possa fazer parte da pintura. É criatividade, bom humor e arte. Vale a pena ver o resultado.

Seus trabalhos contam com registros em Londres, Paris, Viena e Berlim — onde ele espera pacientemente por seus modelos.

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Igreja Universal do Roubo do Brasil

Bancada evangélica no Congresso, “bispos” eleitos prefeitos, aliados desde o tráfico à presidência da república, todos trabalhando para fazer do Brasil o primeiro estado teocrático da América do Sul.

Excelente e necessária matéria de Alexandra Lucas Coelho para a Sapo24

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1. Satanás está a bombar. De Porto Alegre ao Rio de Janeiro, de São Paulo a Campo Grande, de Brasília a Jundiaí, o capeta é top. No começo era só o verbo, um templo aqui, outro ali, bradando & brandindo o nome do demo. Mas, com a ajuda do dízimo e da infinita dor humana, hoje é o que se vê: ministros neopentecostais, bancada evangélica no Congresso, “bispos” eleitos prefeitos, aliados desde o tráfico à presidência da república, todos trabalhando para fazer do Brasil o primeiro estado teocrático da América do Sul.

Setembro-Outubro de 2017, por exemplo. Lá faz Primavera, pá, E, depois de passarem Agosto a excomungar Chico Buarque por conta das letras do novo disco, os neo-cons brasileiros identificaram mais uma frente de batalha: o museu pedófilo, zoófilo e sabe-se lá que mais. Aliás, atalhando, arte com nus ou sexo em geral. Portanto, são neo-cons com dois milhões de anos de atraso. O que seria um problema só deles se não tivessem cada vez mais poder.

2. Fui morar no Rio de Janeiro há sete anos. Pouco depois, deu-se o “escândalo” das fotografias de Nan Goldin que deveriam ser expostas na Oi Futuro, braço cultural da empresa de telecomunicações Oi. Primeiro, a Oi “descobriu” que havia fotografias de crianças nuas e pediu à curadora que as retirasse. Nan Goldin aceitou, mas depois a empresa pediu que qualquer fotografia com crianças fosse retirada. Nan Goldin sugeriu que pusessem uma tarjeta a dizer “censurado”. A exposição acabou por ser cancelada.

Recém-chegada como era, fiquei perplexa. Uma das principais fotógrafas contemporâneas vetada no Rio. Onde tinha estado o Rio nos últimos 50 anos, para não ir mais longe? Aquele nível de debate estava mesmo a acontecer na capital do fio dental, do show do corpo, do culto das “novinhas”? Sim. Bunda de fora pode, deve, mamilo não. Sim, o Rio de Janeiro — o Brasil — era esse paradoxo da moralidade em que topless podia dar prisão. Tal como mulher que abortava podia ser presa se não morresse. E entretanto estupro seguia sendo mato. E as crianças que obcecavam a classe média, entregues a babás vestidas de branco, as mesmas crianças que tanto tinham de ser defendidas de artistas imorais, podiam morrer nas ruas, e serem chacinadas por milícias, quando eram pobres e negras, o que no Brasil quase sempre coincide. Donde resulta que Satanás deve representar um risco só para crianças brancas, porque as outras já nasceram em risco, mesmo.

3. Sete anos depois, estes “escândalos” já não acontecem apenas com empresas. Passaram a acontecer também com instituições sem fim lucrativo, museus públicos, governantes eleitos. E deixaram de ser bissextos para se tornarem diários. Entre Setembro e Outubro, todos os dias houve notícia do bando de inquisidores a que podemos chamar Igreja Universal do Roubo do Brasil: IURB.

A IURB tende a prosperar num país como o Brasil porque vive da vulnerabilidade alheia, como todos os oportunistas. A desigualdade de origem favorece-a. O descaso do Estado é um combustível para ela. Onde as pessoas estiverem ao deus-dará, ela é pastora, recolhendo o dízimo. Com o projecto de ter um presidente. Tudo o que não lhe interessa, como governante, é que as pessoas se emancipem. Uma arte desafiadora, perturbadora, fora da caixa, será sempre sua inimiga. Alvo permanente.

A sequência de acontecimentos deste último mês — ou deveríamos dizer retrocedimentos — não é um acaso.

4. Primeiro foi o cancelamento em Porto Alegre, sul do Brasil, da exposição “Queermuseu — Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, que reunia 270 peças de 85 artistas, entre os quais Lygia Clark, Alfredo Volpi ou Cândido Portinari. Inquisidores indignados, liderados por um colectivo intitulado Movimento Brasil Livre (MBL), protestaram contra conteúdos “pedófilos”, “zoófilos”, além do desrespeito a Cristo, e o Santander Cultural encerrou a exposição.

Vale a pena ler o comunicado do Santander para confirmar o nível de auto-ajuda a que se chegou: “Quando a arte não é capaz de gerar inclusão e reflexão positiva, perde seu propósito maior, que é elevar a condição humana.” Representação confundida com apologia. Necessidade confundida com propósito. Motivação confundida com efeito. E que raio será a reflexão positiva? E o elevador da condição humana, será hidráulico? Ou terá ascensorista?

Tanto equívoco sobre arte e criação dá preguiça. Começar por onde? Pintura rupestre, a Bíblia, a Lolita do Nabokov, aquela passagem de “Em Busca do Tempo Perdido” sobre incesto homossexual? Proust, Joyce, Sade, só putaria. Os gregos em geral. Pompeia, claro. O Renascimento, cheio de pénis e mamilos. A própria da Capela Sistina. Se dependesse da IURB, não veriam a luz do dia. Nenhuma criança seria exposta ao David de Michelangelo. Sobretudo rapazes. Perante tamanho esplendor ainda dariam em “gays”, e era preciso curá-los.

5. Sim, porque ainda o Brasil não recuperara do caso Santander houve essa decisão nazi da Justiça do Distrito Federal que permite que os gays sejam tratados como doentes. Um juiz liberou a “cura gay”: isto aconteceu em Setembro de 2017. E aconteceu num país em que gays, LGBT em geral, são constantemente atacados, por vezes mortos. Portanto, um juiz veio dar força de lei à intolerância, à discriminação, à violência. Quem xingava e maltratava está mais autorizado para o fazer.

6. Mas não saia do seu lugar, porque segue-se o “escândalo” da performance “La bête”, com um artista inteiramente nu. É verdade, em 2017, quando os woodstockers já estão bem grisalhos ou foram desta para melhor, isso foi notícia no Brasil. E foi notícia porque os zelosos da imoralidade não tiveram dúvidas morais em tornar viral um vídeo que mostra uma mãe com uma filha observando o artista nu, e a criança a tocar-lhe no tornozelo. Horror, pedofilia! Pior, com dinheiro dos contribuintes porque isto se passava numa mostra no Museu de Arte Moderna de São Paulo. O museu ressalvou que havia três avisos sobre nudez, mas inquisidores foram manifestar-se lá, exigindo o encerramento, agredindo funcionários.

E o delírio avançou em dominó. Um ministro veio dizer que aquela cena da performance era crime. Um deputado, inflamado, criou a sua própria versão da performance: “Um marmanjo completamente nu de mãos dadas com três ou quatro crianças fazia uma apresentação cultural. O acto daquele pilantra, que estava nu no museu de artes modernas, não é só um ataque à moral do povo brasileiro, mas é para mexer com o subconsciente dos tarados do Brasil.” Ouvindo isto, outro deputado lembrou ao plenário que o deputado indignado fora flagrado a ver pornografia no telefone em plena votação da reforma política, e se defendera alegando que os amigos lhe mandavam “muita sacanagem”. O primeiro deputado tentou agredir o segundo. Um terceiro evocou com saudade instrumentos de tortura da ditadura, lamentando não poder usá-los no artista da performance. “Se aquele vagabundo fosse fazer aquela exposição (…) ia levar uma ‘taca’ que ele nunca mais iria querer ser artista e nunca mais iria tomar banho pelado.”

7. Como isto é contagioso, em Campo Grande (capital do Mato Grosso do Sul), deputados denunciaram uma exposição por pedofilia e obscenidade. Em Jundiaí (São Paulo), um juiz proibiu uma peça com uma atriz transgénero no papel de Jesus. Em Brasília, um deputado visitou o Museu Nacional Honestimo Guimarães por ter “recebido denúncias de que o local abrigava ‘conteúdo semelhante ao do Santander Cultural”.

Entretanto, no Rio de Janeiro, o Museu de Arte do Rio (MAR) anunciou que receberia a exposição “Queermuseu”, censurada no Santander de Porto Alegre. Mas o prefeito da cidade, Marcelo Crivella — “bispo” da Igreja Universal do Reino de Deus e sobrinho do chefão Edir Macedo — produziu um vídeo para anunciar que não, que o Rio não quer uma exposição pedófila e zoófila. E não resistiu a uma pilhéria: “Saiu no jornal que ia ser no MAR. Só se for no fundo do mar. Por que no Museu de Arte do Rio, não.”

Resultado, o conselho que define a programação do MAR deliberara pela vinda da exposição, mas o prefeito deu ordem contrária e o museu é municipal. O MAR já declarou que não receberá a exposição.

8. Perante tudo isto, curadores, pensadores, artistas não ficaram parados, houve abaixo-assinados e outros movimentos. Entre muitos contributos para o debate, pareceram-me essenciais os que contrariam a ideia de uma guerra simétrica, como se duas partes estivessem a tentar impôr-se. Falso. Há uma parte em guerra, impondo cancelamentos e censura, como sistema. Quem não quer ver, não vê, protesta, critica. O que se está a passar no Brasil é outra coisa. É impedir a arte de existir, os outros de acederem a ela. Tudo em nome do bem, e vade retro satanás.

9. Esta semana, em Brasília, uma mãe de 47 anos foi ao cinema com a filha de 20, saíram do filme abraçadas. Um homem insultou-as como casal “gay”, depois bateu na cara da rapariga, a ponto de ela guardar um olho negro. Certamente ambas o provocaram com gestos suspeitos. E no Brasil de 2017, perante suspeita do maligno, um homem não é de ferro.

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Dois macacos de Brueghel

É assim meu grande sonho sobre os exames finais:
sentados no parapeito dois macacos acorrentados,
atrás da janela flutua o céu
e se banha o mar.

A prova é de história da humanidade.
Gaguejo e tropeço.

Um macaco, olhos fixos em mim, ouve com ironia,
o outro parece cochilar —
mas quando à pergunta se segue o silêncio,
me sopra
com um suave tilintar de correntes.

[Wisława Szymborska]

Dois Macacos (1562), de Pieter Brueghel, O Velho.

Dois Macacos (1562), de Pieter Brueghel, O Velho.

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O Tempo e Ignacio Iturria: “Todos siempre correndo como locos”

É mais ou menos como eu me sinto todos os dias, à exceção dos finais de semana. Um cara correndo como um louco contra um fundo escuro.

Ao meio-dia, almoço rapidamente para subir até a Biblioteca Pública a fim de ler por 30 min. É a salvadora “pausa de mil compassos”, mas sem ver a meninas e com um livro nos braços (Obrigado, Paulinho da Viola!). E sigo vivendo com a impressão de que, de certa forma, sou sempre ultrapassado por minha pressa, e que vou apenas existindo dentro dos dias.

Hoje pela manhã, vi o e-mail da Lu Vilella indicando a compra de “A Montanha Mágica”, relançado pela Companhia das Letras. Lembro vagamente das reflexões sobre o tempo que há no início do romance e de como este se move, estica e contrai-se. Atualmente, ele parece diminuto, mas agora, terça-feira ao meio-dia, parece que já estou há uns quatro dias nesta semana. E faltam horas. E sobra cansaço.

Foto: Milton Ribeiro, em julho de 2015 (Montevidéu).

Foto: Milton Ribeiro, em julho de 2015 (Montevidéu).

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Os autorretratos de Picasso dos 15 aos 90 anos

Conhecido como um dos maiores e mais prolíficos pintores de Arte Moderna, Picasso foi um homem de muitos talentos. Pablo Ruiz Picasso (Málaga, 25 de outubro de 1881 — Mougins, 8 de abril de 1973), foi um pintor espanhol, escultor, ceramista, cenógrafo, poeta e dramaturgo que passou a maior parte da sua vida na França. É conhecido como o co-fundador do cubismo ao lado de Georges Braque, inventor da escultura construída, inventor da colagem e de uma variedade de estilos que ajudou a desenvolver e explorar. Dentre as suas obras mais famosas estão os quadros cubistas As Meninas D’Avignon (1907) e Guernica (1937), uma pintura do bombardeio alemão de Guernica durante a Guerra Civil Espanhola. Além de diferentes formas de arte e materiais únicos, no entanto, Picasso também trabalhou em uma espetacular variedade de estilos. Essa abordagem estética em constante mudança é evidente em sua série de autorretratos, que ele pintou a partir dos 15 anos até 90 anos. Confira abaixo.

Aos 15 anos (1896)

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Aos 18 anos (1900)

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Aos 20 anos (1901)

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Aos 24 anos (1906)

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Aos 25 anos (1907)

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Aos 35 anos (1917)

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Aos 56 anos (1938)

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Aos 83 anos (1965)

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Aos 85 anos (1966)

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Aos 89 anos (1971)

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Aos 90 anos (28 de junho de 1972)

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Aos 90 anos (30 de junho de 1972)

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Aos 90 anos (2 de julho de 1972)

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Aos 90 anos (3 de julho de 1972)

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Há um lugar onde as esculturas são tão feias quanto as de Porto Alegre

Esta é do Aeroporto da Ilha da Madeira em homenagem a Cristiano Ronaldo.

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Quadros de Van Gogh recuperados: “Só não roubei Girassóis porque não se encaixava na mochila”

“Eu fiz isso porque podia, estava fácil. Só não roubei Girassóis, de Van Gogh, porque não se encaixava na mochila”, disse Octave Durham, de 44 anos, o ladrão que, em 2002, roubou dois quadros no Museu Van Gogh em Amsterdam.

Em 2016, em meio a uma operação contra o grupo mafioso Camorra, a polícia da Itália recuperou duas pinturas do artista holandês Van Gogh que foram roubadas há 14 anos em Amsterdam. Ontem, elas voltaram em perfeito estado para o Museu da capital holandesa.

As pinturas, “Congregação Saindo da Igreja Reformada em Nuenen” (1884/5) e “Vista do Mar em Scheveningen” (1882), são do período inicial de Van Gogh.

Cada um deles vale cerca de 50 milhões de euros e estava com um grupo da Camorra envolvido no tráfico internacional de cocaína.

O diretor do Museu Van Gogh, Axel Rueger, escreveu em comunicado que “já não ousava mais esperar que poderíamos receber os quadros de volta após tantos anos. Foi um milagre”.

O roubo de 2002 foi simples. À noite, os ladrões usaram uma escada para subir no telhado do Museu e invadir o edifício. Depois fugiram deslizando por uma corda.

A pintura de Scheveningen é uma das duas únicas cenas marítimas pintadas por Van Gogh na Holanda, e um exemplo único do estilo de pintura inicial de Van Gogh. A pintura da congregação de Nuenen, onde o pai de Van Gogh trabalhou como ministro, foi feita para sua mãe e finalizada depois da morte de seu pai, em 1885.

Abaixo, as obras que retornaram ao Museu.

Quadro "Vista do mar em Scheveningen", de Vincent van Gogh

Quadro “Vista do mar em Scheveningen”, de Vincent van Gogh

'Congregação deixando a Igreja restaurada em Nuenen', de Van Gogh

‘Congregação deixando a Igreja restaurada em Nuenen’, de Van Gogh

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De Cornelia Hernes

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O chinês que enfiou o dedo num van Dyck na National Gallery

Ontem pela manhã, eu estava sozinho na National Gallery. Era uma visita lenta e anotada para quando a Elena se liberasse a fim de realizar o mesmo périplo. Sentei para descansar numa das confortáveis poltronas lá disponíveis — esses museus enormes cansam meus delicados pés — e vi uma cena incrível. O pai de uma família chinesa estava encostando o dedo numa pintura de van Dyck, Caridade (Charity), para mostrar um detalhe do quadro.

Foto: Milton Ribeiro

Foto: Milton Ribeiro

Eu vi o fato e um dos guardas também. Ele correu aos gritos de “Você não pode fazer isso!”. Mais dois guardas correram para auxiliar o primeiro e eu só assistindo a coisa, disposto a também ir lá dar uns cascudos no nobre cidadão da República Popular da China. (Que Deus, Nosso Senhor, o respeite, ame, e esconda sua estupidez).

Foi quando o primeiro guarda reiniciou seu discurso. Ele disse:

— Este quadro está aqui para o senhor, para seus filhos, seus amigos, para o mundo inteiro e para as gerações futuras. O senhor simplesmente não pode repetir sua atitude aqui e nem em nenhum outro museu que o senhor visitar em sua vida. Jamais faça isso novamente, por favor.

Todo mundo logo ficou calmo e sério. E a visita seguiu normalmente. Só o cidadão tinha um sorriso amarelo, enquanto levava uma mijada da mulher em chinês.

Ele estava tocando bem aqui, ó:

Foto: Milton Ribeiro

Foto: Milton Ribeiro

 Naquela parte escura do tecido, ao lado da mão.

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Bruegel, os cegos e meu sonho

Hoje eu tive um sonho. Estava pintando o quadro abaixo. Eu era Pieter Bruegel, o Velho e pintava em meu atelier A Parábola dos Cegos, certo? Há mais: estava emocionadíssimo porque um dos cegos — qual seria? — era meu pai e era do maneira abaixo que ele se deslocava com seus pares. Um negócio desesperador. Mesmo! Eu pintava e chorava.

Assim como para a Caminhante, Ernesto Sábato e José Saramago,a cegueira e suas metáforas, mas principalmente a cegueira sem metáfora, é algo que assusta e causa perplexidade, pena, medo, profundo interesse, tudo.

Quando acordei, a imagem da obra-prima de Bruegel foi substituída pela da galinha abaixo, vista ontem no Google Images. Bem, sei lá.

P.S. — Meu pai, morto em 1993, nunca teve deficiência visual.

Parábola dos Cegos

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Banksy surpreende escola primária em Bristol com mural

O artista pintou uma parede da Bridge Farm Primary School para agradecer à escola por ter dado o seu nome a um dos pavilhões.

Do Publico.pt

Banksy

Poderia ser apenas mais um regresso às aulas na Bridge Farm Primary School, em Bristol, Inglaterra, não fosse a parede frontal com uma imagem de uma menina a correr atrás de um pneu em chamas com um pau na mão. O mural, da autoria de Banksy, tem 4 metros e foi descoberto, esta segunda-feira, por um funcionário da escola.

A obra, que surpreendeu alunos, professores e funcionários, é uma forma de agradecimento do artista à escola por ter dado o seu nome a um dos pavilhões. Durante o período de férias, a escola tinha escrito uma carta à equipe de Banksy para informá-lo do concurso feito para nomear os edifícios da escola em homenagem a personalidades de Bristol.

Junto do mural foi encontrado, também, um bilhete deixado por Banksy com a seguinte mensagem: “Obrigado pela carta e por darem o meu nome a um dos edifícios. Por favor, aceitem esta imagem. Se não gostarem, sintam-se à vontade para acrescentar coisas – tenho a certeza que os professores não se vão importar.” O artista deixou, ainda, uma mensagem às crianças: “Lembrem-se, é sempre mais fácil conseguir o perdão do que a autorização.”

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O diretor da escola, Geoff Mason, disse ao Bristol Post que o trabalho deve ter sido realizado “durante o fim-de-semana e completado esta segunda-feira à noite, mas não há certezas.” Bansky aproveitou a interrupção letiva da escola para ir pintar na sua cidade natal.

A equipe de Banksy ligou à escola a confirmar a veracidade do trabalho do artista na Bridge Farm Primary School. A escola primária pensou, desde o primeiro momento, na segurança da obra. “Fizemos várias pedidos para garantir que ninguém a limparia da parede”, disse o diretor.

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22 detalhes fascinantes que provavelmente você jamais notou na Torre de Babel de Bruegel

Hoje em dia é muito fácil admirar as obras mais importantes das artes plásticas de todos os tempos. Basta guglar e é gol. Mas há algumas pinturas que exigem uma abordagem particular. A Torre de Babel, de Pieter Bruegel, O Velho, é uma delas. Esta obra-prima foi pintada em 1563 e, para admirar o original, você precisa visitar o Museu Kunsthistorisches em Viena. Quando olhamos para a pintura parece que podemos ver tudo, mas na verdade não é assim tão fácil. Bruegel é conhecido pelos múltiplos detalhes. Seus Provérbios Holandeses é outro desses casos. São tantos detalhes que… Bem, vamos à Torre de Babel.

Apresentamos alguns detalhes que não são assim tão fáceis de perceber ao primeiro olhar.

(QUER VER MAIOR? CLIQUE SOBRE AS IMAGENS).

A Torre de Babel (aspecto geral)

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1. A visão distante: Um castelo, um rio com um moinho de vento, prados e montanhas.

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2. Os viajantes caminham em direção à torre.

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3. Jardins são visíveis por trás do muro.

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4. Uma carroça está passando por cima de uma ponte, enquanto as mulheres estão lavando roupa no rio ao lado de um pequeno moinho de vento.

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5. Existe um poço ao lado do rio, e as pessoas estão plantando algo na horta.

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6. À média distância: há ferreiros perto da torre.

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7. Algumas pessoas estão descansando ou dormindo, enquanto outras trabalham.

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8. Os trabalhadores no nível mais baixo fazem o reboco de uma parede.

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9. Carroças de material de construção estão subindo.

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10. Outros estão para serem carregados.

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11. Uma jangada.

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12. Barcos descarregam suas mercadorias.

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13. A visão distante: Casas e hortas.

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14. Vacas no pasto e viajantes dirigem-se para a cidade.

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15. A torre: A torre está sendo construída por tanto tempo que há pessoas que vivem no local da construção: algumas delas estão cuidando de seus jardins de flores, outros colocam roupas para secar, e outros cozinham ao fogo.

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16. Um andar acima, podemos ver praticamente a mesma coisa.

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17. O trabalhadores

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18. Mais trabalhadores.

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19. O primeiro plano: os pedreiros.

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20. Alavancando pedras muito pesadas.

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21. Nimrod – o rei bíblico que ordenou a construção da Torre de Babel.

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22. Trabalhadores rezando..

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Hanna Pauli, Breakfast Time, 1887

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Crise também na Rússia: o Hermitage ficará sem proteção policial…

…  por causa da escassez de pessoal no Ministério da Administração Interna.

Fonte: newsru

Em 1º de novembro, a polícia não vai mais estar presente na proteção ao Museu do Hermitage devido a demissões no Ministério do Interior. O Museu já recebeu o aviso. Segundo o presidente do Sindicato dos Museus da Rússia e Diretor do Hermitage, Mikhail Piotrovsky, esta situação irá afetar todos os outros museus, de modo que o sindicato convidou todos os museus para um encontro a fim de pensarem numa solução própria para a proteção conjunta dos museus e de suas exposições. Esta não deverá fugir da contratação de empresas de segurança privada.

Hermitage

“Recebemos uma carta informando que, em 1º de novembro, todo o policiamento que nós temos hoje não será mais disponibilizado”, disse Piotrowski a uma rádio de St. Petersburg. “Eu escrevi várias cartas a todos os ministros onde que eu disse exatamente o que significa a segurança do Hermitage para a Rússia e o mundo. Por enquanto não obtive resposta”.

Enquanto isso, o site oficial site da União dos Museus Russos publicou uma declaração em que seus líderes mostram-se preocupados: “A União dos Museus Russos está aconselhando-se juridicamente sobre o desenvolvimento de iniciativas legislativas que forneçam às instituições culturais proteção contra ataques e qualificação adequada de atos criminosos”, diz o documento.

A chefe do Serviço de Informação Histórica do Hermitage, Yulia Kantor, explicou que “o Museu Hermitage tem o melhor sistema eletrônico de proteção e monitoramento de museus, que está constantemente sendo melhorado, mas ele se torna inútil se não tiver pessoal para as intervenções”, observou ela.

A preocupação aumenta em razão de recentes ataques do movimento ortodoxo “Vontade de Deus”, que danificou várias exposições procurando destruir imagens onde “Jesus Cristo é retratado de forma indecente”.

O Sindicato dos Museus Russos manifestou preocupação com o futuro. “Nossa sociedade não está apenas mais pobre, está doente”, – concluiu em nota.

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Jakub Schikaneder

Sugestão do Carlos Latuff:

Jakub Schikaneder -- Assassinato na Casa

Jakub Schikaneder — Assassinato na Casa | CLIQUE PARA AMPLIAR

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Johann Sebastian Bach, os Caranguejos e o Anel de Moebius (veja o vídeo)

Uma vez por cima, outra vez por baixo: o Anel de Moebius do holandês Mauritus Cornelis Escher (1898-1972) | CLIQUE PARA AMPLIAR E SEGUIR COM O DEDO OU A IMAGINAÇÃO

Uma vez por cima, outra vez por baixo: o Anel de Moebius do holandês Mauritus Cornelis Escher (1898-1972) | CLIQUE PARA AMPLIAR E SEGUIR COM O DEDO OU A IMAGINAÇÃO

A Oferenda Musical é uma coleção de cânones, fugas e de uma sonata de Johann Sebastian Bach, baseada num tema musical escrito por Frederico II da Prússia (Frederico, o Grande) e a ele dedicada. A obra tem sua origem num encontro entre Bach e Frederico no dia 7 de maio de 1747. O encontro, que se deu na residência do rei em Potsdam, foi consequência do fato do filho de Bach, Carl Philipp Emanuem Bach, estar ali trabalhando como músico da corte. Frederico queria mostrar a J.S. Bach uma novidade: o pianoforte (piano), talvez o primeiro que Bach tenha visto. Bach, que era bem conhecido por seu talento na arte da improvisação, recebeu um tema, o Thema Regium, para improvisar uma fuga. Era uma sacanagem, o tema era complicadíssimo, quase inviável. Mas Bach não somente improvisou como mandou uma obra inteira para o Rei, toda ela de variações sobre o Thema Regium: A Oferenda Musical.

Bach não era de recuar diante de dificuldades. Ao contrário, costumava propor a si mesmo problemas e mais problemas. Abaixo, uma demonstração gráfica da complexidade da coisa. O exemplo abaixo é dos enigmáticos “Cânones Caranguejos“. O manuscrito retrata uma única sequência musical que é para ser tocada de frente para trás e de trás para frente. Um cânon caranguejo, também conhecido pela forma latina do nome: “Canon Cancrizans“, é um arranjo de duas linhas musicais que são complementares de frente para trás, semelhante a um palíndromo.

Também é conhecido como um cânone “Quaerendo Invenietis“, combinando retrocesso com inversão, ou seja, a música é virada de cabeça para baixo para ser tocada.

Ah, vocês pensam que toda aquela obra saiu de uma cabeça comum?

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De Renato Aroeira: A lição de anatomia do Dr. Janot…

Après Rembrandt (A Lição de Anatomia do Doutor Tulp).

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