Caixa do estado falido para tudo, exceto para patrocinar blog de jornalista

====== De meu amigo para certo ‘Grande Jornalista’ =====

Uma dúvida ácida:

Agora com patrocínio do Banrisul e do Governo do Estado (falido) o seu blog pode ser considerado como “Chapa Branca”?

Se o Sr. Despacito passar a colocar banners do DMAE / Procempa / PMPOA as críticas contra ele também vão sumir, como sumiram todas as críticas ao desgovernador (ao menos o Google não achou nada) ?

Abs!

====== Réplica do “Grande Jornalista” =====

eu te pergunto: o que tu tens a ver com isso?
o blog é meu e eu faço o que quero.
e tu tens a opção de não ler.
entendeu ou eu tenho que te enfiar goela abaixo?
Abraço? um caralho pra ti

====== E a tréplica de meu amigo: ======

Olá:

Respondendo tuas perguntas: se estás sendo patrocinado com dinheiro público, tenho a ver com isso sim, porque eu pago impostos como todo mundo. É bom saber onde o Sartori investe nosso (pouco) dinheiro.

E tens razão, não sou obrigado a ler teu blog, principalmente agora, que é patrocinado pelo PMDB. Ficou claro que o teu “lado” é o teu mesmo.

odio

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Por um Judiciário menos desafinado!

clipboard01Ai ai que bom,
o Judiciário existe;
lutar, vencer,
é por você
que a gente persiste

É de chorar de rir a hiperkitsch auto-homenagem que servidores e magistrados do Tribunal de Justiça de Sergipe cometeu. Eu estava ouvindo o clipe e, ao mesmo tempo que ria, baixava o som para que as pessoas que moram comigo não ouvissem os disparates. Pois há a desafinação e há a letra… A canção que serve de base é We Are The World, sucesso de promoção de bons sentimentos gravado nos anos 1980 por um grupo norte-americano de estrelas pop. A autoria do original é de Lionel Richie. Esperamos que ele não tenha ouvido o desastre. A assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Sergipe apressou-se a informar que a gravação do vídeo não teve nenhum custo aos cofres públicos e que, bem, ele foi exibido durante um Encontro de Planejamento Estratégico, em agosto.

Viram? Muitas metas a cumprir causam estresse e podem resultar nisso.

https://youtu.be/zadFIN0REdE

Charlles Campos completa: Devia se fazer um vídeo de resposta por parte da população carcerária, que tem suas penas vencidas mas que continua presa, e todos os querelantes que aguardam anos seus processos parados na mesa dos juízes da comarca. Sugiro uma adaptação de “I have a dream”, do Abba.

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O feminismo do grande, imenso Um teto todo seu, de Virginia Woolf

Um teto todo seu (A Room of One`s Own, 1929) é um dos mais surpreendentes livros da célebre ficcionista inglesa Virginia Woolf. A primeira surpresa é o fato de não ser ficção; a segunda é a absoluta ousadia no trato do assunto abordado: o feminismo. Mas há mais.

O livro nasceu a partir de duas palestras chamadas “As mulheres e a ficção”, proferidas por Virginia para a plateia essencialmente feminina da Sociedade das Artes, na Londres de outubro de 1928. O texto de Virginia tem a qualidade estupenda de seus livros da época. Mrs. Dalloway (1925), Passeio ao Farol (1927) e Orlando (1928) foram seus predecessores; As Ondas (1931) deu continuidade à série de obras-primas. Encrustado na sequência principal de romances de Virginia, o ensaio Um teto todo seu não decepciona de modo algum. O livro tem cerca de 140 páginas. Não pensem que ela o leu por inteiro em duas noites – algo como 70 páginas por dia – , na verdade o texto foi bastante ampliado para publicação logo após as palestras.

Intermezzo: é notável a sorte de Virginia Woolf no Brasil. Seus tradutores foram extraordinários: Orlando foi traduzido por Cecília Meireles; Mrs. Dalloway, por Mario Quintana; As Ondas e Entre os Atos, por Lya Luft em fase pré-Veja e pré-Yeda; Passeio ao Farol, por Luiza Lobo e Um teto todo seu, recebeu tratamento impecável de Vera Ribeiro. Muita, muita sorte. Fim do intermezzo.

Dotado da mesma prosa alegre e saltitante de Mrs. Dalloway e Orlando, Um teto todo seu trata do feminismo de forma levíssima, mesmo que afirme as coisas mais terríveis sobre a vida da mulher. Alegre, feliz e livre de todo rancor, como na foto abaixo, à esquerda, Virginia Woolf cria algumas imagens fortíssimas que ficaram célebres. A primeira é a da irmã de Shakespeare. Tão talentosa quanto o irmão, ela teria vivido subjugada por tarefas domésticas e todos os seus esforços para demonstrar seu talento teriam sido esmagados pela família. Então, desesperada, ela foge, apresenta-se num teatro de onde é sem mais nem menos enxotada, para depois prostituir-se e suicidar-se. A outra é da escritora fictícia Mary Carmichael. Ela não é muito boa, sua frase é dura e seu romance, que Virginia finge ler, é mais ou menos chato. Só que lá pelo meio há uma frase: “Chloe gosta de Olivia”. E então, finalmente, naquele livro bem ruinzinho, apareceu a Grande Mudança, pois às vezes mulheres gostam de mulheres, não?

Seu raciocínio, até desembocar na tese do Teto e das 500 libras anuais, é brilhante. Virginia Woolf parte das precursoras da literatura inglesa até chegar na grande explosão do século XIX, com o aparecimento de Jane Austen, das irmãs Brontë, Emily e Charlotte, além da grande George Eliot que, em verdade, chamava-se Mary Ann Evans. Suas obras-primas não nascem de gênios isolados, mas após anos e anos de labuta conjunta. A experiência apresentada por estas escritoras dá forma perfeita ao que veio antes, à tradição. Então, escreve Woolf, Jane Austen deveria ter depositado uma coroa de flores no túmulo de Fanny Burney e George Eliot deveria ter rendido homenagem à resoluta Eliza Carter, a bravíssima escritora que amarrava uma sineta na armação da cama de forma a não dormir muito e poder estudar grego. E todas elas deveriam derramar flores sobre o túmulo de Aphra Behn, que está enterrada – surpresa! – na Abadia de Westminster, pois foi ela quem começou a assegurar a todas o direito de dizerem o que pensam. Trata-se de parafrasear o velho e bom Newton, físico presente em quase todas as opiniões literárias da tradição inglesa que costuma sempre dizer que “Se vemos mais longe, é por estarmos em pé sobre ombros de gigantes”.

Woolf faz questão de deixar claro que, casualmente ou não, as escritoras que foram melhor sucedidas são aquelas que guardaram para si seu justo rancor. Se Austen ressentia-se contra sua sociedade e família – e ressentia-se, basta lê-la com profundidade – , tratou de passar ao largo das longas tardes em que escrevia seus livros na sala sob as constantes interrupções das “coisas que são tarefas de mulher”. (Pois as mulheres do século XIX nasciam e morriam trabalhando para os homens). De George Eliot nunca se ouviu nada, pois ela se fingia de homem… Porém, em Jane Eyre, Charlotte Brontë teve seu pior momento ao escrever claramente um trecho rancoroso, o que não fez Emily, de coração de poeta e maior talento. Ah, as questões seculares! García Márquez e Saramago e todos os que podem aspirar à imortalidade preteriram-nas em suas grandes obras em favor das parábolas.

O livro, escrito nove anos após as mulheres obterem direito de voto na Inglaterra, é uma ampla análise da situação da mulher e de sua relação com o dinheiro. Virginia Woolf insiste em que as mulheres precisam de duas coisas para criarem uma nova literatura: um teto todo seu, ou seja, um quarto que pudesse ser trancado à chave para escrever, e uma renda de aproximadamente 500 libras anuais. Para tanto, a mulher deveria trabalhar (Virginia fazia parte da Liga do Trabalho Feminino) a fim de obter alguma independência.

Sim, as teses estão bem amarradas – por exemplo, Virginia demonstra que todos os bons poetas de sua época são abastados… – , mas o milagre do livro é o que subjaz às teses. É o tremendo talento da autora para fazer nascer seus argumentos e frases num texto vertiginoso, agradável e sem lugar para gritos ou deselegância. É um feminismo dócil? De modo nenhum. É um feminismo culto, fino, esclarecido, isso sim. E duríssimo e de resultados.

Mais aqui, por Cássia Fernandes.

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Uma breve reflexão sobre os linchadores virtuais

Ilustração: Yuri Leonardo

Ilustração: Yuri Leonardo

Já vi grandes linchamentos na internet e vejo vários pequenos sendo ensaiados aqui e ali. Dentro da rede, creio que a melhor estratégia de defesa seja a de não se defender. Em caso de ataque, o melhor é que o agredido não somente fiquei quieto, mas impeça seus amigos de defendê-lo. O correto é o silêncio. Quando isso não acontece, a briga só aumenta e o nível torna-se rasante com o aparecimento de um verdadeiro enxame de vigilantes da moralidade pública, de guardiões de todas as virtudes e do politicamente correto.

Os linchadores de internet são um fenômeno mais ou menos recente, nascido nos blogs e disseminado nas redes sociais. O linchador tem normalmente por alvo uma pessoa que desconhece pessoalmente. Ele mal e mal conhece uma expressão do agredido, quase sempre plana, sem contexto. Há uma recusa pela complexidade e pela faceta.

Imagino que o linchador fique entre uma ocupação e outra. No intervalo, compraz-se com sua atuação na rede e com a de seus pares, enquanto o linchado sofre 24h, se lê os absurdos escritos. As ofensas vêm de um “mundo virtual”, mas ecoam e têm reflexos no real. O linchador de internet não pega em paus ou pedras, mas pode levar uma pessoa frágil ao fundo do poço, causando danos e ele e a seus próximos. Danos não apenas morais, mas profissionais.

O assustador é que o linchador tem a capacidade de disseminar mentiras (ou meias verdades) de forma absolutamente sem freios. Ele pega uma história já interpretada — isto é, distorcida –, sem desejar avaliar sobre se os fatos são verdadeiros. Apesar de saber só um tiquinho, não pestaneja e busca na internet o efeito altamente prazeroso de entrar numa discussão sem ver caras irritadas nem gritos. Dissemina ódio sem ética e respeito à intimidade alheia.

A leitura dos linchadores é algo pra espantar. Ali temos a clara noção de que a pessoa média e politicamente correta carrega toneladas de ódio contra as coisas mais incríveis, incluindo até o Monty Python!

Nesta semana, vi dois ensaios de linchamento. No primeiro, um perfeito idiota reclamou que o autor de um texto poético escrevera que as mulheres “ficam mais bonitas quando se entregam a [leitura de] uma história”. Ponto. A acusação era de que o primeiro elogio a se fazer a uma mulher que lê jamais seria o de que ela fica mais bonita. (Deveríamos dizer, ah, ela está se ilustrando ou se informando…?) Olha, se eu vejo uma desconhecida lendo, acho-a mais bonita do que em várias outras circunstâncias. Mais: acho que um escritor — como o este meu amigo — fica mais interessado em conhecer uma mulher leitora do que numa que não ame os livros. Meu amigo escritor ficou quieto, apenas curtiu os comentários dos malucos, como se os levasse em conta. A coisa cessou rapidamente.

(Fiquei pensando em alguns poemas clássicos que teriam de ser revisados…)

O segundo foi bem mais agressivo. Outro amigo escreveu que Taylor Swift era “uma cantora de bosta”. Então ele foi acusado de uma inverdade: de ter chamado a tal Taylor de bosta. Ora, ele escreveu que ela era uma cantora de bosta, ou seja, que não cantava porra nenhuma. Sei que ele diria o mesmo de um cantor que detestasse. O que ele fazia era um juízo de valor sobre a arte desta Taylor que desconheço.

Os agressores eram feministas que não merecem tal denominação, a meu ver muito maior que tais baixarias. A discussão chegou ao ponto descontrolado do meu amigo ter que ler que “tratar homens e mulheres com igualdade é machismo”, ponto onde eu devo acabar este já longo texto. Em casos de linchamento, não há espaço para discordâncias cordiais ou reflexão ou para “complexidades mesmo as mais simples”.

Há outros casos, outros temas. No passado, vi um linchamento absurdo de uma judia que se declarou não sionista. Descobri casualmente e tive dificuldade de saber quem era a vítima, sempre chamada de vaca, puta ou mulherzinha de merda. E o maior de todos, o daquele professor que sofreu com uma matilha de parvos moralistas porque um blog decadente — como todos — achava que precisava de page views.

É uma vontade de achar problema, de criar polêmica, que torna tudo irrespondível. Será que isso serve para o linchador virtual mascarar uma inação efetiva? Pois, em seu íntimo, ele deve ter certeza que está limpando o mundo de suas porcarias e fazendo sua parte na construção de um mundo melhor.

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Como o Facebook pretende dominar o mundo

Pues no hay nadie perfecto..

No Brasil, 80% dos internautas têm perfil no Facebook. O enorme alcance da empresa de Mark Zuckerberg faz com que ela seja fundamental para os meios de comunicação. Estes colocam em nossas timelines suas notícias e textos. Ou colocavam, pois o Face está interferindo severamente nesta distribuição de links. E não adianta tentar evitar ou enganar o gigante. Ele vê claramente as nossas ações em seu aplicativo e nos manipula feito marionetes. Quem produz conteúdo e quer vê-lo lido tem que entender o que o monstro deseja.

Há algumas semanas, a presença dos meios de comunicação na rede social diminuiu muito. Caiu o alcance das notícias que os veículos publicam em suas páginas. Tal queda coincide, obviamente, com a mudança no algoritmo de distribuição.

Agora o Facebook não quer mais funcionar como um distribuidor de links — quem faria isso é o twitter. Distribuir links manda os usuários para fora do Face e agora ele quer manter os usuários o máximo de tempo possível dentro do aplicativo.

O funcionamento geral do Facebook é bastante simples. De um lado, existe a pilha de postagens criada por você (pessoa física ou veículo), de outro você tem uma pilha de amigos (ou curtidores, no caso de fan pages). Então, o Facebook mostra as postagens na chamada “Página inicial” dos amigos ou curtidores, mas não para todos. Ele mostra apenas para aquelas pessoas com as quais você mais se relaciona ou para seus parentes. É ele quem decide para quantos vai mostrar a postagem. É ele quem decide se a sua postagem ficará incógnita ou se fará sucesso. Claro, se o veículo pagar pela distribuição, o algoritmo lhe devolverá um sorriso e entregará o conteúdo para um maior número de seguidores.

Mas agora o Facebook não quer apenas isso, ele quer que o tráfego de seus usuários permaneça dentro da rede social. Ou seja, ele não quer mais os links. E coloca os meios de comunicação diante de um dilema inédito: para melhorar a distribuição de seu conteúdo, eles precisam publicá-lo na página do Facebook.

Não adianta tentar enganar o Face. Rindo, ele vê os jornais inventarem estratégias para melhorar a distribuição de notícias… Zuckerberg deve achar graça de tais estratégias, pois é ele quem decide, põe e dispõe.

Por outro lado, o Facebook sabe da importância dos veículos de comunicação. Diversos estudos, como o da consultora digital Parsely, indicam que o tempo dedicado a ler ou assistir notícias é maior que o de outros conteúdos. Além disso, os leitores de notícias, em busca de atualizações, consultam a rede mais frequentemente. São usuários importantes para as redes sociais.

Para tanto, o Facebook criou uma ferramenta para que as pessoas leiam as notícias e vejam os vídeos SEMPRE DENTRO DO FACEBOOK, sem sair dele. É o Instant Articles. Dentro dele, há um editor mais completo para que o veículo possa manter sua identidade. Publicando no IA, o Facebook remunerará o veículo conforme o número de leituras.

O que houve? Ora, o Facebook colaborou com os veículos de comunicação, seduziu-os habilmente e neste momento em que todos estavam felizes e instalados confortavelmente, quer cobrar pelo conforto. Era de se esperar.

Google

O Google já fazia o mesmo de outra forma. Cobrava dos produtores de conteúdo para que aparecessem nas primeiras páginas das pesquisa. Outro fato importante é que a ferramenta privilegia o produtores originais de textos. Os meros copiadores de notícias produzidas por outros veículos vão perdendo e perdendo posições nas pesquisas, caindo no ranking. O Ctrl-C Ctrl-V não é aprovado pela ferramenta. O “vou repicar esta notícia porque achei importante” pode ser um belo tiro no pé.

Com isso, quem se prejudica são os sites que produzem conteúdo E copiam notícias, penso eu…

Twitter

Até o twitter já tem um algoritmo que escolhe as notícias que mais possam interessar ao usuário da plataforma.

Conclusão óbvia

Claro, que este texto é apenas uma introdução a um assunto vastíssimo, mas a conclusão não cairá muito longe do “Não existe almoço grátis”. Ou seja, é impossível conseguir algo sem dar nada em troca. O termo “almoço grátis” faz referência a uma prática comum entre bares americanos do século XIX, que ofereciam refeições a custo zero. Mas apenas para os clientes que consumissem bebidas.

Ih, rapaz, mais de novas políticas do Facebook aqui.

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Quem roubou nosso tempo de leitura?

Cena de Inglourious Basterds, de Quentin Tarantino, 2009

Cena de Inglourious Basterds, de Quentin Tarantino, 2009

O tempo para leitura parece cada vez mais comprimido e isto não é uma perda apenas para a literatura.

Um súbito interesse renovado por Tolstói, causado pelo filme sobre seus últimos dias, A Última Estação, fez-me lembrar que há um ano atrás eu tinha prometido a mim mesmo reler Guerra e Paz. Fazia algum tempo que eu não enfrentava um romance de grandes proporções ou, para ser mais exato, qualquer coisa publicada antes do século XX. A releitura de Guerra e Paz iria me tranquilizar: minha resistência física e disponibilidade estavam intactas. Fui até a estante e descobri a página em que deixei o marcador —  ele estava na página 55 e eu sequer podia utilizar a desculpa de ter crianças pequenas.

O fato em si não teria me assustado — afinal, é Guerra e Paz — se não fosse a existência de outros marcadores abandonados em outros livros. Eu não estava terminando nenhum deles? Como é que eu, que adorava ficção o suficiente para estudá-la, ensiná-la e escrever a repeito, me tornara tão distraído?

Cena de Persona, de Ingmar Bergman, 1966

Cena de Persona, de Ingmar Bergman, 1966

O mundo dos meus tempos de estudante era fundamentalmente diferente do atual. Foi apenas no final da minha graduação que um amigo me mostrou uma maravilha chamada internet (Ele: “Há sites sobre qualquer assunto, tudo pode ser encontrado!”. Eu: “O que é um site?”). Nos anos 90, havia somente quatro canais de televisão. Cada família tinha um telefone, cujo uso era consecutivo. Poucos tinham jogos eletrônicos. Então, era muito mais fácil retirar-se completamente do mundo para a grande arquitetura do romance. Agora, o leitor está sob o ataque de centenas de canais de televisão, cinema 3D, há um negócio de jogos de computador tão florescente que faz com que Hollywood os imite em seus filmes, há os iPhones, o Wifi, o YouTube, há notícias 24h, uma cultura tola da celebridade — verdadeiras ou falsas (vide BBB) — , acesso instantâneo a toda e qualquer música já registrada, temos o esporte onipresente, há caixas de DVDs com tudo o que gostamos. Os momentos de lazer que já eram preciosos foram engolidos pela lista anterior e também e-mails, torpedos, WhatsApp e Facebook. Quase todos as pessoas com quem eu falo dizem amar os livros, mas que simplesmente não encontram mais tempo para lê-los. Bem, eles CERTAMENTE têm tempo, só que não conseguem gastá-lo de forma diferente.

Isto tem consequências desastrosas para nossa inteligência coletiva. Estamos sitiados pela indústria de entretenimento, a qual nos estimula apenas em determinadas direções. O sedução é sonora, visual e tátil. A concentração na palavra impressa, na profundidade de um argumento ou de uma narrativa ficcional, exige uma postura que os dependentes dos meios visuais não têm condições de atender. Seus cérebros não se fixam na leitura ou, se leem, fazem-no rapidamente para voltar logo ao plin-plin. Ora, isso é um roubo de um espaço de pensamento que deveria ser recuperado.

Alphaville, de Godard, 1965

Alphaville, de Godard, 1965

Obviamente, os meios de comunicação como a Internet nos oferecem enormes benefícios (você não estaria lendo isto de outra forma), mas nos empurram facilmente para coisas bem superficiais que roubam nosso tempo. Você viu Avatar? Você viu o que eles podem fazer agora? Podem me chamar de melodramático, mas estou começando a me sentir como protagonista de alguma distopia (ou antiutopia) do gênero de 1984 ou Fahrenheit 451, tendo meus pensamentos apagados e, pior, gostando disso.

A Cultura mudou rapidamente nesta década. A leitura está sob ameaça como nunca antes. “Escrever e ler é uma forma de liberdade pessoal”, disse Don DeLillo em uma carta a Jonathan Franzen, que o questionara muito tempo antes da chegada da Internet. “A literatura nos liberta dos pensamentos comuns, de possuir a mesma identidade das pessoas que vemos em torno de nós. Nós, escritores, fundamentalmente, não escrevemos para sermos heróis de alguma subcultura, mas principalmente para nos salvar, para sobrevivermos como indivíduos.” Exatamente a mesma afirmação, penso eu, descreve a condição dos leitores sérios.

Deem-me o meu Tolstói. Agora é guerra.

Traduzido mui veloz e livremente por mim. O original de Alan Bissett está aqui.

Imagens retiradas — à exceção da última — do maravilhoso blog O Silêncio dos Livros

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E chegamos ao post Nº 3000

Milton RibeiroIniciei o blog em maio de 2003. Ele foi migrado três vezes: saiu do blogspot para a Verbeat, OPS e finalmente para o Sul21. Nessas transferências, principalmente na segunda, muitos posts e imagens foram perdidos, mas hoje posso dizer que tenho 3000 textos publicados e uns 140 rascunhos. Raramente revisito meus posts antigos. De certa forma, eles me apavoram por mostrarem o que conheço muito bem e nem sempre gosto. Então, me coleciono e depois deixo pegar pó. Só que o Google leva muita gente aos arquivos do passado, o que faz com que — mesmo eu estando desconectado de férias, por exemplo –, o blog receba uma média de 1000 visitas por dia — normalmente fico entre 1500 e 2000.

O MR atravessou várias fases da minha vida. Lembro que falava muito em meus filhos lá começo, pois o Bernardo tinha 12 anos e a Bárbara, 9. Ele passou pela morte de minha mãe, por meu acidente de 2004, pelo governo Yeda e pelo processo de Letícia Wierzchowski contra o blog — uma mancada minha, que a ofendi infantilmente. Houve fatos pessoais que não foram contados aqui, outros que foram relatados com seriedade e ainda outros foram amplificados até bem próximo da mentira. Ganhei muitos, mas muitos amigos com ele e arranjei uns poucos inimigos pelo caminho. Mas, sinceramente, gosto de todos eles, à exceção de Mônica Leal. Houve o período gravíssimo em que perdi meu emprego por não ter aceitado pagar propina a uma estatal na renovação de um contrato. Calei.

Orgulho-me das resenhas de livros e dos contos que escrevi para o blog, algo que faço cada vez menos por falta de tempo. Também de alguns textos esparsos. As resenhas dos concertos da Ospa são interessantes diversões. Gosto de escrever e procurar fotos para o Porque hoje é sábado e de escrever saudação matinal aos técnicos do Inter após os jogos — Bom dia, Diego Aguirre. Obriguei-me a falar pouco da política. Os fatos e as análises políticas são muito efêmeros e todo mundo opina. Eu seria um modesto e irritado comentarista.

Muitas vezes quis fechá-lo, mas sou meio viciado em escrever meus textos e, vocês sabem, não existe ex-viciado, nem ex-pavão. Certamente, ele se parece mais comigo do que o meu perfil no Facebook. O blog é um retrato meu e de minha habitual franqueza. Se parece meio fantasioso, desigual e aventuresco, é porque sou e penso assim. Se as piadas são horríveis, é porque em algum momento ri delas. Como não sairei vivo da vida, às vezes entro de cabeça no #prontofalei, mas creio que a principal função deste espaço é a de me liberar do algoz da rotina, deste cara chato, preocupado, insatisfeito, pontual e certinho do Milton Ribeiro, de vê-lo sob uma luz melhor ou distorcida, de mostrar que por trás de minha testa há um humor anárquico e uma visão desconsolada do mundo, de tornar minha vida melhor enquanto caminho pela rua, pois escrevo caminhando e, quando chego no computador, o texto só é retocado.

E, mesmo que seja desse jeito assimétrico e mesmo que os blogues tenham saído de moda, pretendo seguir por mais um tempo. A meus sete leitores, agradeço a preferência.

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Minha história recente neste blog ou Apagando peitos e bundas

Por uma exigência do Google, fui obrigado a retirar peitos (com aréolas) e bundas (nuas) deste casto blog. A coisa deu-me imenso trabalho. Por isso, me identifiquei muito com o excelente vídeo abaixo. É complicado sobreviver sob esta mistura braba de politicamente correto e religioso. A coisa fede muito. E está vencendo.

vídeo descoberto por Elena Romanov

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O Google não gosta de aréolas nem de bundas. Então, sumiremos com elas

Velasquez, meu menino, tape essas vergonhas...

Velasquez, meu menino, tape essas vergonhas…

Você pode fazer a apologia da pedofilia, negar o holocausto judeu, armênio e indonésio, aprovar o último estudo de gênero da FEE ou elogiar o time do Grêmio. Você pode qualquer absurdo por escrito, mas jamais mostrar a sombra de uma aréola ou a redondez de um traseiro. Assim é o mundo do Google, que aceita conviver, levar uma grana e divulgar as mais disparatadas igrejas, mas jamais ter uma propagandinha ao lado de um corpo que não esteja devidamente velado.

Não interessa se é uma estrela pornô ou a Angela Merkel durante sua juventude na praia, não interessa se é uma atriz em uma cena de Bergman; uma aréola é uma aréola, uma bunda é uma bunda. Drummond escreveu um poema chamado, A bunda, que engraçada, que começa dizendo que tal parte dos corpos masculino e feminino Está sempre sorrindo, nunca é trágica. Pois o Google não gosta, não vê graça, acha feio, nojento e não mistura seus produtos com tal gênero de sorriso.

Faço todo este destampatório para anunciar que o Sul21 fará um teste com alguns produtos do Google e, para tanto, teremos que tornar nosso blog de sete leitores bundas-free, aréolas-free. Então, nesta semana, estou retirando pouco a pouco todos os posts que contenham tais partes do corpo que o pudor deve recatar.

E eu dou razão ao Google. Noto quão nervosos ficam os espectadores durante as cenas de sexo nos cinemas. Noto o constrangimento das pessoas nos museus, locais habituais de putaria. No país do carnaval, das plásticas e dos discretos implantes em seios e bundas, onde também é comum verem-se outros lugares pudendos sem a vestimenta que a natureza lhes deu, estamos — de forma coerente — ocultando vergonhas.

Goya

Goya, seu incorreto!

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A Autocensura

Dia desses, tomei uma mijada por escrever posts tão pessoais quanto este. Levei bastante a sério a advertência — em geral, costumo receber bem as críticas — porque vinha de um querido amigo, mas não vou permitir mais autocensura.

No meu blog, eu me coleciono, para o bem e para o mal. Como isso aqui é uma especie de retrato meu, não consigo levá-lo tão a sério. Publico o que me dá na veneta, sendo às vezes muito pessoal. Ou seja, os posts de foro íntimo seguirão. E a vida já está difícil, o gênero confessional já foi a regra deste blog. Os posts em que falava sobre meu umbigo já foram muito mais numerosos e vão continuar aqui e ali. Acho que já convivo com demasiada autocensura. Sabem onde há autocensura? Vou tentar explicar abaixo.

autocensura

Como um dos editores do Sul21, não me sinto mais com toda aquela liberdade do passado. Não posso tirar sarro de forma escrachada de alguém que vamos entrevistar um dia, por exemplo. Os repórteres reclamariam de mim: Pô, Milton, o cara estava de má vontade por tua causa. Os assuntos políticos também ficaram mais raros, claro, pois há alguns assuntos que evito. Por exemplo, sabem que eu paguei R$ 11.257,00 para a Mônica Leal em 2014, por conta de uma publicação e de um juiz de direita? Isso intimida e gera mais autocensura. Tive de pagar porque era a única forma abrir o inventário de minha mãe. Só não pedi ressarcimento pelo Catarse porque uma amiga me prometeu fazer voltar cada centavo a meu bolso quando vencer outra ação.

Não gostaria de agregar mais autocensura e deixo para meu amigo dois poemas nos quais pensei enquanto escrevia.

Um de Drummond (os primeiros versos de Mundo Grande):

Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo, por isso me grito,
por isso frequento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

E outro de Chico Buarque (esse uma óbvia vingança por ter sido ameaçado de não poder falar de meu amor por Elena). É o final de Juca::

Juca ficou desapontado
Declarou ao delegado
Não saber se amor é crime
Ou se samba é pecado
Em legítima defesa

Batucou assim na mesa
O delegado é bamba
Na delegacia
Mas nunca fez samba
Nunca viu Maria [leia-se Elena].

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Um gênero de sacanagem no Facebook

Alguém disse que a corrupção é como uma caixa de lenços de papel, tu puxas um e o próximo já está ali, se atirando para fora. É verdade, é descobrir a coisa e seguir o caminho do dinheiro. Tal caminho não deve ser tão complicado assim, a menos que haja um HSBC ajudando a fazer sumir a grana na Suíça. Aliás, a lista de brasileiros no HSBC será tão legal de ler quanto a do procurador Rodrigo Janot, onde dizem estar os presidentes da Câmara Federal e do Senado, Eduardo Cunha e Renan Calheiros.

As palavras em tom menor de Cunha — “Ninguém me comunicou de nada” –, sem nenhum arroubo de líder religioso, são estranhas. Ele deve estar na lista, sim.

Mas disso meus sete leitores sabem. É que eu vim trabalhar pensando nas listas de Janot e do HSBC.

.oOo.

FacebookPorém, ontem à noite, preocupei-me com outro tipo de sacanagem. Tenho visto o método utilizado por algumas pessoas para atacarem outras no Facebook. É simples. Digamos que eu queira me vingar de alguém, então vou lá e digo para meus amigos: “O fulano X disse que eu sou ruim assim. Vocês acham que ele tem razão?”. Há uma variação mais covarde que não diz quem é X. Então, os amigos procuram e acusam.

Acho de última categoria atacar alguém através da solidariedade dos amigos. É como esconder-se atrás da barra da saia de mamãe. É como chamar o irmão mais velho. Na idade adulta, é demonstração de covardia. É como gozar com o pau dos outros. Já sofri isso três vezes e detesto ver acontecer. Ontem, vi de novo, mas a vítima não era eu. Já fui vítima três vezes deste gênero de baixaria.

Reli os comentários do segundo ataque que recebi. À noite, comentei com amigos, pois, seis meses depois, a coisa é para rir em torno de uma mesa. Fui acusado de ser uma pessoa cruel por ter escrito, neste blog, sete palavras que não eram dirigidas a ninguém, mas cujo conteúdo serviu a “meu facefriend“, sabe-se lá como. Arranjei um desafeto. Como resposta a minhas palavras, este descreveu sua fantasia, esclareceu a crueldade cometida e mandou seus amigos comentarem, sem dizer meu nome. No meio, é claro, alguém falou em mim em tornei o monstro que o autor planejara. Claro que quem mantém aqueles comentários é o responsável por eles e pode ser processado, mas quem tem saco para isso? Eu não.

O bom do Facebook é sua transitoriedade, seu caráter de palimpsesto, ou seja, seu caráter de ser “aquilo que se raspa para escrever de novo”. Uma semana depois, a acusação poderá ser encontrada através de muitos cliques. Melhor esquecer mesmo.

E ontem, vi um desses ataques. Um sujeito deixou um recado do tipo “olha só o que ele fez, olha só como ele é”. Ui.

O que isto tem a ver com a corrupção dos primeiros parágrafos? Além da baixaria, nada.

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Porque me retirei da Associação dos Amigos da OSPA

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Carta aberta a meus sete leitores 

Hoje foi o dia de receber e-mails me perguntando coisas. É normal. O anormal foi receber uma série de questionamentos acerca de minha não participação no grupo do Facebook chamado Associação dos Amigos da OSPA. Já havia recebido vários outros, mas o número de perguntas cresceu em função do espetáculo que a Orquestra apresentará neste fim-de-semana. Um de vocês me escreveu 3 vezes apenas hoje! Pô, cara! OK, respondo a todos aqui no blog, espaço administrado por mim.

Eu fui um dos moderadores do grupo e, além de só permitir posts que dissessem respeito à orquestra, ali publicava chamadas para os concertos que achava prometedores e para minhas opiniões críticas — elogiosas ou não. Só que a imaturidade de alguns, assim como a de uma moderadora, recebia extremamente mal quaisquer reparos que eu fizesse a um concerto. Eram esperados apenas elogios. Quando não cumpria minha função de mero elogiador, podia e fui chamado de palhaço, idiota, etc. Não vejo problemas. Tenho mais de um blog, vivo no Brasil e estou acostumado às ofensas. Mas as reações de alguns do grupo eram desproporcionais, por demais infantis, chegando às vezes à beira da psicopatia. O baixo controle comportamental parecia ser a regra, inclusive da moderadora. Aqui, vejo problemas, pois houve a invasão de problemas particulares da moderadora para comigo que nunca deveriam aflorar num grupo público. Para minha não-surpresa, logo deixei de ser um dos moderadores e, ato contínuo, deixei de poder postar no grupo. E minhas opiniões passaram a ser rejeitadas. Retirei-me silenciosamente.

Bem, meus caros sete leitores, não sou nada brilhante ou original, mas nasci com teimosia e opinião, infelizmente. Não pensem que o fato de não poder colocar meus humildes links no grupo diminuiu o número de pessoas que leem minhas observações concertísticas. Ao contrário, o número de leitores de meus posts sobre a Ospa aumentou inexplicavelmente. Fora do grupo, também não saí por aí fazendo campanha contra quem me combateu ou contra a moderadora que se candidatou a deputada estadual. Também não aconselhei ninguém a deixar o grupo. Mais: seria uma irresponsabilidade contra-atacar. Vocês sete foram 34 mil visitantes únicos em setembro. É muita gente, fico feliz. Mas é claro que não sirvo mais, pois, como externou equivocadamente um dos músicos, aquele grupo da futura Associação serve apoiar a Ospa, nunca para criticá-la (?). Hum… Pensei que criticar fosse uma das formas mais honestas e francas de apoio a uma instituição.

Sou um melômano de grande experiência como ouvinte. Sei quando as cordas desafinam ou quando bolas batem na trave ou na bandeirinha de escanteio. Sei também que vários maestros acabaram meus amigos, principalmente os melhores e principalmente após receberem críticas negativas. Por outro lado, sou um leigo e conheço a diminuta relevância de minhas observações. Talvez elas devam ser mesmo desprezadas, pois escrevo-as rapidamente, com grande liberdade e colorido de expressão. Há ideologia nisso. Mas algumas coisas eu mantenho para todos os casos: o texto tem que ser legível, informativo, divertido, leve e ousado, sem dobrar-se aos elogios baratos. Todos os meus poros se revoltam contra o compadrio. Não me serve a troca vazia de adulações, o “tu és genial” que aguarda o retorno de um “tu és fabuloso”. Isso só se faz com o filho pequeno quando se deixa que ele nos ganhe no futebol ou com a filha para convencê-la de que é a mais linda. E mesmo assim não devemos exagerar.

Esta é a segunda ou terceira Associação que se forma em torno da Orquestra de Porto Alegre. Nunca elas deram certo. Mas acredito mesmo que um dia a Ospa será como outras (grandes) orquestras e terá uma Associação digna. Pode ser que seja dessa vez, por que não? Espero que a atual dê certo e que fique totalmente afastada de partidos e dos interesses de pessoas partidarizadas. O que importa é a instituição. Sem isso, a Associação será novamente estéril. Quem estiver ao lado da orquestra tem que estar tanto pronto a defendê-la do que a prejudique quanto disposto a apontar publicamente seus problemas. Ou ao menos para seus membros. Hoje, a Ospa detesta discutir problemas. Faz de conta que tudo vai bem.

E eu? Eu, meus caros missivistas, permanecerei como gosto e como sou — um melômano que quer a melhor Ospa possível. E que vai escrever de vez em quando sabendo que, um dia, aparecerão pessoas para tecer criticas e que estas serão ouvidas por gente mais consistente e consequente. Ou tudo vai ficar mais ou menos assim para pior.

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Deputado defende blogues sujos e pede distribuição justa da publicidade

Vamos mudar finalmente essa porra? (Pergunta-pedido deste blogueiro).

Em discurso na tribuna da Câmara, nesta segunda-feira (1º), o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) criticou duramente as recorrentes condenações judiciais contra blogueiros não alinhados ao pensamento hegemônico da grande mídia.

Referindo-se ao caso do blog Vi o Mundo, recentemente condenado em primeira instância a pagar R$ 30 mil de indenização por danos morais ao diretor da Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel, o parlamentar comparou o contexto atual ao da ditadura civil-militar iniciada em 1964.

“Estamos a assistir no País hoje a um processo muito semelhante ao que foi feito na época da ditadura militar. Qualquer órgão de comunicação alternativo que tinha coragem de questionar o status quo ou chamar a sociedade brasileira para refletir de maneira crítica sobre os anos de chumbo era calado pela baioneta ou era sufocado, asfixiado pela dificuldade de buscar qualquer tipo de apoio publicitário”, afirmou Pimenta, que também é jornalista.

“Hoje estamos a assistir, infelizmente, a algo semelhante a um processo crescente de judicialização coordenado pelos grandes meios de comunicação, com empenho e apoio do Judiciário conservador”, complementou o deputado.

Para o parlamentar gaúcho, as seguidas condenações atentam contra a democracia e contra a liberdade de expressão e são representativas da postura autoritária dos grandes meios de comunicação. “Eles estão novamente mostrando sua determinação e sua força contra qualquer possibilidade de movimentação de qualquer setor da sociedade que atente contra os seus interesses”, disse Pimenta.

Publicidade e casos emblemáticos – O deputado também disse que pretende estimular esse debate na bancada do PT e defende a mudança da política de distribuição de verba publicitária do governo, que estaria asfixiando a diversidade de fontes de informação para a sociedade. “Estamos há mais de 10 anos com governos populares neste País, mas em praticamente nada se alterou a concentração das verbas publicitárias do governo federal para os grandes meios de comunicação, em detrimento de uma política de afirmação de uma mídia regional e de formas alternativas de informação”, apontou.

“O PT  deve protagonizar esse debate, que tem forte vínculo com a nossa história de luta pela democratização do País. Vou propor à bancada a realização de um seminário para discutirmos como a distribuição de verbas oficiais pode ser mais democrática. E também acredito que devemos realizar uma audiência pública sobre os casos emblemáticos de blogs e jornalistas condenados judicialmente por terem feito críticas ou sátiras aos grandes meios. Não podemos aceitar esse processo de judicialização que vem ferindo a liberdade de expressão”, disse Pimenta.

O deputado listou alguns casos de blogueiros e jornalistas condenados ou alvos de ações movidas por grandes meios, além do Vi o Mundo: Luís Nassif, Paulo Henrique Amorim (Conversa Afiada), Rodrigo Vianna (Escrevinhador), Marco Aurélio Mello (Do lado de lá), Falha de São Paulo, Cloaca News e o paraense Lucio Flávio Pinto (Jornal Pessoal) são alguns dos casos considerados emblemáticos.

Rogério Tomaz Jr (assessoria do PT na Câmara Federal)

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As surpresas que o Google Reader me traz

O Google Reader é um leitor de feeds, isto é, é um local onde você pode ler vários blogs, bastando inscrevê-los. O meu tem uns 200. Os posts vêm em ordem cronológica. Como ele é rápido, às vezes a gente se depara com posts que foram publicados e logo, minutos depois, deletados por seus autores.

Ontem à noite, acompanhei o desespero de um blogueiro que postou o mesmo texto várias vezes, sempre com um título diferente, o qual revelava uma crescente exacerbação de seu ódio. Não devo revelar o tema porque o cara seria facilmente descoberto. Hoje, fui ver se ele tinha conseguido desovar a coisa. Não. Havia um novo post dizendo bem assim: “Este blog receberá atualizações a partir de 2 de janeiro. Feliz ano novo…”.

O caso mais legal ocorreu faz uns 20 dias. Um diretor de teatro estava puto por não ter recebido o Prêmio X. Dizia que não tinha visto todos os julgadores em sua peça e sugeria que só por isso tinha ficado a ver navios. Como vão avaliar minha peça se não a viram? Pressenti que o post seria deletado e o gravei. Acertei na mosca. Passados 15 min, fui ao blog do cara e o post tinha sumido.

Acho que eu nunca desisti de postar nada e acho curioso esse negócio. Os não-posts são normalmente furibundos, descontrolados mesmo. Estou aprendendo a reconhecê-los. E por que seus autores só se assustam após a publicação, tendo os posts ficado apenas alguns minutos no ar?

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Entrevista concedida por este que vos escreve ao Substantivo Plural

Retrato do Autor Quando Bebê

Ontem, foi publicada uma entrevista comigo lá no Substantivo Plural. Não sei bem quem conheceu primeiro quem, pensando melhor acho que o site me foi apresentado pelo Fernando Monteiro, o que sei é que o SPlural está no meu Reader e o acompanho há muito tempo. Cliquem aqui para conferir. Ele tem estrutura de um blog, mas não é um blog. É um repositório selecionado daquilo que sai de bom por aí em termos de Cultura e Ideias. As matérias copiadas vêm com educados links e tudo aquilo que se espera em nosso mundo copyleft. O SPlural tem editor —  Tácito Costa —  e colaboradores. E volta e meia eles fazem posts pegando coisas deste blog e do Sul21. Gosto muito quando fazem isso e gostei ainda mais quando o Lívio Oliveira, que não conhecia, me propôs uma entrevista mais ou menos baseada em meu Curriculum Vitae. A entrevista é decididamente amalucada, mas muito franca e o resultado… É comigo mas achei legal, tá? Abaixo, o texto completo:

Milton Ribeiro é um jornalista do Sul do país, crítico literário e de artes, escritor bissexto e editor de um blog maravilhoso (AQUI) muito bem acessado e que muitos aqui certamente já o conhecem. Tácito vem republicando, vez ou outra, alguns textos seus. O seu link também se encontra no canto direito deste SPlural (Aproveitem e vejam todos os endereços eletrônicos de Milton abaixo do presente post).

Milton, uma figura com a qual muito me identifico pelos gostos e escolhas (tomo a ousadia de dizer isso pelo que conheço do seu blog), concedeu-me, generosa e pacientemente, essa entrevista que fiz me baseando num inusitado “curriculum vitae” que está divulgado no seu blog. Procurem ler, antes, o tal “curriculum” e depois leiam a entrevista bem humorada e ao mesmo tempo instrutiva e produtora de reflexões, principalmente de ordem estética.

Aí vai:

L. O. E para começar, assim, já pergunto: por que fazer e manter um blog? O que o move nesse desiderato? É um instrumento essencial para um jornalista independente?

M.R. Tenho blog desde maio de 2003. Antes, ele era bem mais pessoal e eu o utilizava para me colecionar. Tinha de tudo ali, desde contos e capítulos de romances até meras anotações pessoais. Fui adquirindo uma pequena celebridade na chamada blogosfera, também fui processado duas vezes, tal a liberdade que sentia – a propósito, o último processo foi claramente absurdo e intimidatório e recebeu um julgamento muito injusto. Como resultado, deixei que um pouco de autocensura e pudor tomassem conta de mim. Talvez tenha sido um erro, pois sendo mais sério e utilizando menos a primeira pessoa do singular, perdi leitores. Também os blogues se modificaram, saíram da moda, perdendo espaço para o Facebook e Twitter. Por que o mantenho? Ora, porque sou lido por pessoas interessantes e ainda conheço outras. Mas não creio que seja um instrumento essencial.

L. O. Em que medida o daltonismo ajuda na fruição artística? Ou só atrapalha, mesmo?

M.R. Esta é uma pergunta curiosa. Depois de ler alguns livros de Oliver Sacks, tenho a fantasia de que meu profundo amor pela música seja uma boa filha de meu daltonismo, também chamado nos EUA de color blindness. É como se a falta de parte de um sentido tivesse tornado outro hipertrofiado, mas deve ser tudo imaginação. Para a fruição das artes plásticas, o defeito atrapalha de forma considerável, mas ele é decisivo na escolha de roupas. Minha mulher quase enlouquece quando chego num lugar com uma combinação de cores que só faz sentido para mim.

L.O. Mesmo assim, confia em suas escolhas estéticas?

M.R. Em artes plásticas, não. Nas literárias, cinematográficas e musicais, sim.

L.O. Essa mania de contar/catalogar filmes e livros…de onde vem? Qual o sabor disso?

M.R. Outra pergunta complicada. Nasci com mania de catalogador, as pessoas sabem disso e me fazem consultas. Há pessoas que me chama de guru… É como aquela piada do Groucho Marx citada pelo Woody Allen. “Meu irmão pensa que é uma galinha, mas não o trato porque preciso dos ovos”. Muita gente me pede os ovos – bem, a frase ficou esquisita, mas deixa assim. Também tenho muito boa memória, mas não prescindo da bengala de longas listas. Gosto de passar os olhos por uma relação de livros antiga para lembrar que, por exemplo, Uma Confraria de Tolos era uma obra-prima e nunca mais foi reeditada. Há um sabor interessante nisso. Assim como me sinto tranquilo vivendo sob uma rotina, sinto-me ainda melhor se anoto o que faço e vi. Enfim, é uma neurose como qualquer outra.

L.O. E essa outra mania, a de roubar livros? Por sinal, já acabou? E você empresta livros?

M.R. Roubei muitos livros durante a adolescência, roubava para mim e para os amigos. Me dava pena que fossem tão sedentos de cultura e pusilânimes. Durante uma época da vida, roubar livros é o único caminho para leitores apaixonados e sem dinheiro, como eu era. Tudo o que escrevi naquele post é verdadeiro. Hoje não roubo mais, nem saberia fazê-lo. Tenho medo, apesar de que o adolescente Milton nunca foi flagrado em ação. Bolaño foi outro grande ladrão de livros, muito maior do que eu. Eu roubei algo entre 300 e 500 livros. É claro que os livros devem ser emprestados e devolvidos. Tenho também uma lista de livros emprestados e costumo cobrar se não devolvem, claro. Há que ser moral!

L.O. Que ligações existem entre Literatura, Cinema, Música e Futebol?

M.R. Inúmeras. As artes, assim como o futebol, são representações da vida. O futebol nunca chegará ao nível e à abrangência de uma peça de Shakespeare ou de uma música de Bach, mas tem uma riqueza toda particular. É diferente. Há algum lugar onde você vai com a finalidade de desejar uma coisa com todas as suas forças, mas que possa subitamente mudar de partido dependendo do que ocorrer? Além disso, o futebol é muito plástico e emocional. Talvez sua ligação mais difícil seja com a música. Não venham dizer que o drible é uma dança… Não, drible é drible.

L.O. Quem são seus craques preferidos na Literatura, Cinema e Música? E os seus artistas no Futebol?

M.R. Olha, são mais de cem ídolos em cada área. Se você me ameaçar fisicamente para que eu escolha cinco em cada área sairá algo como que segue. (Vou responder rápido antes que me arrependa). Literatura: Tchékhov, Machado, Dostô, Joyce, Melville. Cinema: Bergman, Welles, Kubrick, Kusturica, Antonioni. Música: Bach, Beethoven, Bartók, Brahms e Bahler ou Mahler.

L.O. Por que não publicar os livros que tem em mente? E por que razões os publicaria?

M.R. Bela pergunta. Minha ex-mulher era muito competitiva e, para manter o casamento, era necessário ser humilde, aparecendo menos do que ela. Como ela tinha altas aspirações intelectuais e existe o mito de que o livro é um ápice da vida de alguém, fui treinado a evitar os livros. Hoje tenho a mulher perfeita, mas mantive a mania de escrever para mim mesmo. Há outro motivo também: é divertido apresentar personagens, estabelecer conflitos e até finalizar os romances, mas é muito chato revisar. Também vejo muitos colegas publicando livros sem conseguir vendê-los ou sendo obrigados a se tornarem vendedores em feiras, eventos, etc. Não sei se tenho este talento. Teria se fosse vendê-los em Londres, Roma ou Paris. Porém, você sabe como é: acordo todo o dia às 6h para escrever um romance que está na metade. Mas, olha, não tenho nenhum plano de ir além da finalização do mesmo. Sei que está tão fácil de publicar quanto de ficar encalhado e que ficaria louco se encalhasse.

L.O. Por que razões as mulheres ficam mais belas aos sábados? Vinícius de Moraes tem algo a ver com isso? (falo para Milton de uma das famosas seções de seu blog e que é publicada somente aos sábados, com a publicação de fotos e de comentários irreverentes sobre belíssimas e famosas mulheres).

M.R. O “Porque Hoje é Sábado” nasceu de uma aposta com o ex-Ao Mirante Nelson, atual Tom O`Bedlam. Conversávamos pelo MSN sobre nossos blogs e ele me desafiou a manter, no final de semana, a mesma visitação dos chamados dias úteis. Fui à luta e consegui. Ele disse que aquilo não valia, que foi um golpe abaixo da cintura. Ora, tal fato é visível. Mas a verdade é que não costumo mostrar pelos pubianos. É uma seção família do blog, destinada às grandes atrizes, seus rostos e seios. Adoro seios. E atrizes. Mulheres também.

L.O. Por que mudou para o Sul21?  Sei que a resposta parece óbvia, mas…

M.R. Bem, eu sou um dos editores do Sul21. Era natural que colocasse meu blog no condomínio de blogs do site, não?

L.O. Aí não vale…mas, acredito que a sua maior satisfação com as artes é mesmo na condição de alguém que contempla, na condição de um apreciador, de um fruidor. Nesse contexto, acredita que existem regras para o “gosto”, o “fruir” estético? Há parâmetros exigíveis e/ou necessários para isso?

M.R. Não. Mas o há o bom e o mau gosto. O bom gosto se forma com a vivência. Há que dar acesso às pessoas. Por exemplo, duas semanas de tratamento intensivo de PQP Bach impedem Michel Teló na terceira semana. O problema é que recebemos uma enchente de “Vingadores” e pingos de “A Separação”. Mas é claro que sou um fruidor de arte. E feliz.

L.O. Existe uma hierarquização das artes? Ao menos, existe uma hierarquia na sua cabeça? Percebo que se emociona mais com a música erudita…é verdade? Por quê?

M.R. Creio que exista uma hierarquia diferente para cada pessoa. Há algumas emoções só alcançáveis pelo cinema, outras pela literatura, mas a mais completa das artes é a música. Como Shostakovich comprovou, ela exprime tudo – até a situação política – em linguagem universal, sem palavras.

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O Google homenageou Dickens ontem

E ficou muito legal.

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Coisa linda o Google ontem, né?

Eu estava saindo de Paris para Porto Alegre quando vi esta beleza de homenagem. Mark Twain nasceu em 30 de novembro de 1835. Grande escritor.

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Palocci e os seios

No meu Google Reader, uma imagem seguiu imediatamente a outra. Eram duas pessoas diferentes, certamente em circunstâncias diferentes, mas o gesto era o mesmo. Curioso. Vieram de dois grandes blogs que todos deveriam conhecer. A primeira imagem veio do blog de Lucas Figueiredo e o título do post é Palocci é passado. A segundo veio do Ateísmo e peitos e o post não tinha título. Mas confesso que fiquei assustado com a ligação gestual. Tenho certeza de que um de meus sete leitores decifrarão o que há mais em comum entre as duas imagens, além do simples abaninho…

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Idelber voltou

O Ramiro Conceição me avisou e tudo indica que é verdade: o Idelber voltou, está bem aqui. Mas acho que mudou. Agora o formato é o do ensaio ou da revista cultural. Ou seja, ele não precisará mais apresentar sua participação (ou opinião) inteligente no (sobre o) bloqueio a Cuba, nem opinar acerca da crise do MinC. É um blog, mas não é. Chuto que vai escrever apenas sobre o que gosta, sem grande pressão dos fatos externos. Muito bom.

Eu, Alexandre (filho do Idelber) e o próprio num jogo do Inter

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O vídeo mais engraçado que vi até hoje, acho

No tenemos ni la mas puta idea en que puesto estamos en el ranking de faros españoles… Sensacional !!!!

http://youtu.be/foYBsV4BesQ

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