Bom dia, Renato (com os melhores lances da decisão de ontem)

Samuel Sganzerla (*)

Pois é, Renato! Não deu! A gente sabia que era extremamente difícil. E entramos em campo pensando isso mesmo, sabendo que o impossível precisava acontecer para sermos campeões mundiais pela segunda vez. Sou um gremista apaixonado, mas sou bastante realista.

Kannemann foi uma das grandes afirmações gremistas | gremio.net

Kannemann foi uma das grandes afirmações gremistas | gremio.net

Ontem lembrei no meu Facebook que, nas oito primeiras participações no Mundial de Clubes, apenas duas equipes bateram o Real Madrid: o lendário Peñarol de 1966 e o fantástico Boca Juniors de 2000. É a filosofia do clube Merengue: vencer sempre, ganhar tudo que for possível. Era um pentacampeão mundial que enfrentávamos.

De fato, Renato, muitos têm dito que o Grêmio poderia ter ousado mais, arriscado mais. Talvez nessa postura estivesse a nossa chance, mas acredito que nela teria espaço para a goleada que não levamos. A nossa estratégia foi pensada para fazer o que todo clube sul-americano tem feito para tentar ganhar de um europeu: jogar por uma bola.

Desde a década de 90, começou-se a perceber a dificuldade que a diferença de orçamento impunha em campo (quando você Gareth Bale saindo do banco, fica evidente como o mundo é desigual). Isso tudo se acentuou ao longo dos anos seguintes, claro. Mas tem algo que piorou bastante na era pós-Guardiola.

Não só porque o técnico catalão revolucionou o mundo da bola, a ponto de todos correrem atrás dos europeus mais uma vez. É que os anos 2010 têm sido o retrato dessa desigualdade, como se vê a cada edição do Mundial de Clubes, demandando cada vez mais recursos para começar a pensar em montar um time vencedor.

O Corinthians campeão de 2012 foi a grande exceção. Venceu um Chelsea que ganhou a Liga dos Campeões na base de uma versão inglesa do CATENACCIO (o que não tira os méritos dos paulistas, obviamente). Mas a regra foi os sul-americanos levando uma SURRA desde o início da década. O melhor desempenho SUDACA de um não campeão nessa década foi o nosso ontem.

Evidentemente, Renato, que, como gremista, vão dizer que minha análise é enviesada. Mas o amor pelo Tricolor é parte da paixão pelo futebol que eu acompanho com afinco desde que me conheço por gente. Faz anos que venho dizendo isso tudo. Por isso não me abati com o resultado de ontem.

Claro, falemos do Grêmio. Geromel e Kannemann foram gigantescos. Que absurdo o que esses dois jogaram. Marcelo Grohe também foi muito bem. É outro que merece todas as honras. Luan, nossa referência técnica, deixou a desejar. Mesmo sendo difícil tentar articular jogadas contra um time que parece ter 18 em campo. Barrios foi decepcionante. Acho que sua carreira chegou ao fim mesmo.

Tivemos apenas uma finalização no jogo, de bola parada. Ironicamente, porque foi também numa falta que saiu o gol que nos tirou a chance do título (barreira não pode abrir, Luan e Barrios!). Mesmo sendo parado pela nossa zaga, Cristiano Ronaldo sempre aparece para mostrar porque foi o a melhor do mundo pela quinta vez neste 2017. No fim do jogo, senti falta do bom e velho CHUVEIRINHO na área, mas a verdade, Renato, é que parece que o Grêmio não tinha espaço nem para isso.

No final, fica de positivo a boa postura defensiva do time, especialmente no primeiro tempo. Para o futuro, fica a esperança de logo voltarmos ao Mundial de Clubes, em busca do Bicampeonato, mas numa realidade que nos permita olhar e ver que é possível (mesmo que com uma seleção internacional do outro lado).

De toda forma, Renato, a recente conquista do Tricampeonato da Libertadores nos deixou de sangue doce para o confronto de ontem. Por óbvio, hoje é dia de aguentar um pouco de corneta dos amigos – só observando a regra de não discutir futebol com quem equipara Kroos a Deco ou Modric a Giuly, claro (aqueles, quando muito, poderiam ser comparados a Magath ou Wuttke). Questão de bom senso intelectual.

O que importa, Renato, é que foram dois anos fantásticos, que a imensa e ensandecida Nação Tricolor só tem a te agradecer. Por favor, renova mais uns anos com a gente, que 2018 já está aí. Vem a Recopa. Tem a busca pelo hexa da Copa do Brasil. Tem o Brasileirão, que podemos levar a sério desta vez. E tem a busca pelo Tetra da América, obviamente.

Que venha o próximo ano! Que venham as próximas alegrias!

Saudações Tricolores!

E segue o baile…

(*) Advogado, palpiteiro, caxiense radicado na capital e GREMISTA de quatro costados.

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Minha camisa do Zidane, ou não

Thomaz Santos (*)

Sempre fui fã de jogadores elegantes, daqueles que pareciam dominar uma bola sem esforço e seguiam a jogada com olhos abertos e cabeça erguida. Caras como Dennis Bergkamp e Juan Román Riquelme, por exemplo, sempre me encantaram, pelo ar de simplicidade que davam a uma jogada que eu jamais conseguiria realizar ao vivo (talvez nem no videogame). Em suma, sempre admirei os jogadores elegantes por ser eu próprio uma mistura de um troll e de um visigodo com a bola nos pés, dono de um jogo tão elegante quanto uma briga de rua entre bêbados.

Um voleio mágico de Zidane numa final de Champions aí.

Um voleio mágico de Zidane numa final de Champions aí.

Mas, de todos os jogadores considerados elegantes no futebol (e são muitos), nenhum me encantou tanto quanto Zinedine Yazid Zidane, a quem um dia nunca chamarei pessoalmente de Zizou, embora quisesse. Depois de vê-lo destroçar a Seleção Brasileira na final da Copa de 1998 juntamente com seus companheiros franceses, passei a acompanhar mais de perto a carreira dele, sobretudo a partir da sua ida para o Real Madrid. Embora nutrisse uma paixão já um tanto antiga pelo FC Barcelona (desde meados dos anos 1990, graças a Romário e Ronaldo, entre outros, e a minha mãe, que frequentemente viajava para um congresso internacional de hepatologia em Barcelona e me trazia lembranças blaugranas), passei a torcer pelo time merengue, mas apenas e tão-somente quando Zizou estivesse em campo.

Com o tempo, obter uma camisa do craque francês tornou-se um desejo, quase uma obsessão. Percebendo isso, minha (então) namorada (e hoje esposa), viu que eu havia me encantado com uma camisa branca do Real Madrid que havia encontrado em uma loja de material esportivo de Porto Alegre, pois ela estava estampada com o nome “Zidane” sobre o número 5 às suas costas. Era a camisa da temporada 2005-2006, que seria a última dele como jogador profissional. Ou seja, uma camisa já histórica.

Pois bem, no meu aniversário de 25 anos, fiquei feliz ao ver que o pacote era da loja em questão e que seu conteúdo era uma camisa. Ao abrir o pacote, esbocei um enorme sorriso, que ficou só no esboço quando vi que no verso da camisa não constava qualquer estampa. Ante a chocante descoberta, minha companheira disse que havia algo errado, pois ela mesma tinha pego a camisa do varal e levado para o caixa. Quando fomos à loja para trocar o item, descobrimos que o vendedor havia passado a camisa errada a ela, inclusive mais barata que a originalmente escolhida (na hora a atendente do caixa deve ter dado a entender a minha amada que o preço menor que o original seria devido a um desconto pelo pagamento à vista), e que a minha tão sonhada camiseta do Zidane já sido vendida.

Vendo minha tristeza quase infantil, com beiço e tudo, minha querida companheira perguntou se não havia outra camisa com nome e número de jogador dos Merengues para me dar. Não tinha a 7, do Raúl, capitão e ídolo maior daquela geração dos Galácticos? Talvez a 10, que já fora do Figo mas que àquela altura devia ser do Robinho? Quem sabe a 9, do Ronaldo, que também jogaria sua última temporada em Madri? Nenhuma dessas: a única que a loja tinha disponível era a de David Beckham, com o anódino número 23 às costas. Pensei que podia ser pior, podia ser a do Helguera ou, ainda mais triste, a do Gravesen.

Enfim, admirado que estava com o esforço da minha digníssima, aceitei a camisa do craque (?) inglês, que tenho até hoje, embora o branco original do seu tecido esteja hoje mais perto de um cinza, em parte devido à inadvertida e frequente decisão de lavar roupas brancas e pretas ao mesmo tempo na máquina. Sim, sou um péssimo dono de casa, quase tão ruim quanto sou jogador de futebol. Talvez até pior, devo ser algo como um Gravesen do lar.

Assim, obtive minha camisa que era para ser do Zidane mas acabou sendo do Beckham. E será com essa camisa que torcerei para o time hoje treinado por um dos meus maiores ídolos esportivos na final do Mundial de Clubes da FIFA contra o time que mais detesto na face da Terra, treinado por alguém que suporto menos ainda. Sou colorado e secador, sem vergonha nem pudor.

As estatísticas esportivas e demais dados jornalísticos frios podem desmentir o que vou escrever, mas é possível que Zizou seja o primeiro homem na história do futebol a conquistar títulos nacionais, continentais e mundiais como jogador e técnico pela mesma equipe. Só espero que ele não permita que o Renato seja o próximo dessa lista. Que ela seja, portanto, apenas o vice.

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(*) Thomaz Santos é bacharel em Direito (UFRGS), mestre em Relações Internacionais (UnB), doutor em Direito (UFSM) e professor adjunto do curso de Relações Internacionais da UFSM.

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Bom dia, Renato (com os lances de Grêmio 1 x 0 Pachuca e a agonia do Planeta)

Por Samuel Sganzerla

Como estamos todos aí nos Emirados? Aqui em Porto Alegre (e em toda América do Sul), ontem estivemos todos em transe, aguardando o momento derradeiro que nos permitiu sorrir e achar que, sim, ainda vamos acabar com o Planeta! O Coração Tricolor é muito forte, Renato! Teste após teste, ele resiste firmemente, quando muito se socorrendo do desfibrilador da LOUCURA LUDOPÉDICA. Não foi diferente ontem!

Foto: gremio.net

Foto: gremio.net

O jogo ontem, contra o Pachuca, foi de grande tensão. Pairava no ar aquele clima de OBRIGAÇÃO que se criou sobre os clubes sudacas, especialmente os brasileiros, desde que o coirmão e o Galo sucumbiram na semifinal do atual formato do Mundial de Clubes. Em verdade, é a dignidade do futebol sul-americano que entra em jogo: quem ainda tem a pretensão de fazer frente ao multimilionário e poderoso futebol europeu necessita prevalecer sobre os demais.

O problema, Renato, é deixar a pretensão se confundir com a arrogância. Porque, como eu disse no outro dia, histórico não entra em campo. Felizmente, não foi o nosso caso ontem. Mesmo diante de tantas dificuldades contra um adversário que, no último sábado, aparentou (enganosamente) ser mais fraco do que se apresentou ontem, a ansiedade não virou desespero e a aflição não se abateu a ponto de virar tragédia.

Tivemos problemas no meio campo, nitidamente sentidos na ausência do Rei Arthur. Os mexicanos detiveram maior posse de bola, que, diante de uma boa postura de nosso sistema defensivo, não se converteu em volume de jogo. Cabe destacar a boa atuação da nossa sempre valorosa dupla de zaga. Mas o elogio especial vai mesmo para Bruno Cortez, salvando o time em duas ocasiões, com botes precisos como um CÃO DE GUARDA abocanhando um naco de vazio mal passado.

Luan, mesmo muito marcado e com o homem do apito deixando Hernandez lhe surrar à vontade, aparecia bem na articulação. Foi dele o chute que quase abriu o placar, não fosse a defesa de Perez (o arqueiro com porte de jogador de fim de semana e vasta experiência), que ainda permitiu a bola triscasse a trave. Barrios apagado deu lugar a Jael, o centroavante que revoluciona o jogo mesmo sem fazer gol (foi um elogio, OK!?). Mesmo com a melhora e com o domínio da partida, persistiu a igualdade e fomos para a prorrogação.

Eis que Everton Cebolinha, o TALISMÃ TRICOLOR, encarnou o seu melhor espírito para infernizar a defesa mexicana e soltar um petardo no canto oposto da meta mexicana. Claro, um tento logo no início da prorrogação era apenas a confirmação do bom presságio que se desenhará sempre que, numa partida do Mundial, o nosso camisa 7 sentir cãimbra nas pernas aos 45 do segundo tempo. Sabes de quem falo, né, Renato?!

Enfim, foi o grito de gol desengasgado, a alegria de uma tarde de terça-feira fugaz, que seria só mais um dia banal se não fosse o Grêmio. Desenhou-se ali a nossa vitória, e depois tudo foi alívio e festa. Estamos na final, mantendo vivo o sonho de atingir o topo do mundo novamente. Acompanharemos hoje a definição do nosso adversário, na partida em que o time do país-sede recebe o famigerado campeão europeu.

Evidentemente, a lógica nos obriga a afirmar que o Real Madrid já é nosso adversário (mesmo que, no futebol, a lógica às vezes passe fome). E, contra os Merengues, não temos nada a perder. Agora, o favoritismo, convenhamos, é todo deles. Até os quero-queros que voam sobre o crescido gramado do saudoso estádio Olímpico sabem disso. O que vier para nós será lucro. Lembremos que, daquele lado, está o maior clube da história do futebol (por méritos ou por razões escusas, como tanto acusam).

O Real É o maior vencedor do Mundial de Clubes, com cinco títulos. O maior campeão da Liga dos Campeões da UEFA, sendo também o único clube a ter vencido duas edições seguidas nas últimas três décadas. Chega com o time completo, recheado de jogadores que são titulares absolutos em suas seleções. A estrela do time já escreveu seu nome no rol dos grandes jogadores da história – e não apenas acaba de vencer sua quinta Bola de Ouro, como é um atleta ambicioso, sempre obcecado com a vitória, com quebrar recordes e marcas pessoais.

Com certeza, não é nada fácil. Como nunca foi para nós! Este será o maior desafio da gloriosa história de 114 anos do Imortal. Mas eu repito: não temos nada a perder. Se a realidade é dura, que nos alimentemos de sonhos e de loucura. É assim que vivemos desde sempre, foi graças a esse delírio apaixonado pelas três cores que chegamos tão longe. E a inspiração, Renato, pode ser numa tarde em Tóquio da qual tu lembras muito bem,

Como tu sabes, Renato, eu sou gremista desde a tenra infância. Desde que me conheço por gente, já ouvia dizer: “o Grêmio é Campeão do Mundo”. A vitória sobre o Hamburgo ocorrera em 11 de dezembro de 1983, quase quatro anos antes de eu nascer, é verdade. Devido aos canais de televisão a cabo, lembro quando vi pela primeira vez um compacto com imagens raras do jogo. Depois veio a era da internet, de modo que a tecnologia me permite rever a partida completa do meu celular agora, se eu quiser.

Graças a isso, acho que já assisti ao jogo inteiro do Mundial de 83 umas seis ou sete vezes. E sabe o que é sentimento de torcedor gremista mesmo, Renato? É que eu sei desde desde sempre qual o placar final daquela partida… Mas toda vez que o Magath levanta a bola na área, e o Jakobs a escora para o Schröder empatar, aos 40 do segundo tempo, eu fico nervoso. E sempre que tu fazes aquele golaço na prorrogação, deixando o mesmo Jakobs na saudade e batendo no contrapé do Stein, uma lágrima escorre.

Esse sentimento é o que define o Grêmio: ele é intenso, vibrante, eterna e constantemente apaixonante. Ele é Imortal!

Vai lá, Homem-Gol! Digo e repito: nada temos a perder contra o Real Madrid! Quando os fatos são improváveis, lembremos que nós somos feitos de batalhas heroicas e feitos inacreditáveis! Se a vida é dura, sonhar não custa nada!

Que venha o Bi-Mundial!

Saudações Tricolores!

E segue o baile…

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Boa noite (aí em Abu Dhabi, no caso), Renato!

Por Samuel Sganzerla

Há coisas, Renato, que é difícil de se colocar em palavras. Faltando cerca de 72 horas para entrarmos nos campos árabes, há uma imensidão de gremistas deste lado do planeta que ainda não sabe muito bem como se sentir em relação à estreia iminente no Mundial de Clubes. A embriaguez do Tri ainda é o único remédio possível para a angústia dos que fogem de quaisquer projeções.

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Agora há pouco foi definido nosso adversário na semifinal. O Pachuca derrotou o Wydad Casablanca. Um jogo feio, que fez todos os comentaristas nos cravarem como grandes favoritos – e os secadores saírem se vacinando de CORNETA PREVENTIVA. Deixe que digam, que pensem, que falem.

Nós gremistas sabemos que não tem jogo jogado. Analisando friamente e racionalmente falando, poderíamos dizer que temos a obrigação de ganhar terça. Mas futebol não seria o esporte mais popular do mundo se não fosse o palco perfeito para tragédias e glórias inesperadas.

Aprendemos a olhar com cautela para esse jogo que precede a grande decisão do Mundial com nosso próprio coirmão (da melhor forma, diga-se). A histórica superioridade Europa/América do Sul no mundo da bola não entra em campo sozinha – e erros evidentes estão aí para não serem repetidos. Espero que os mexicanos estejam sendo muito bem estudados e que os jogadores estejam focados no treino neste momento.

Para ser bem sincero, Renato, não sei o que pensar ainda do destino que o calendário da CONMEBOL deste ano nos traçou. Otimistas, por um lado, falam no lado positivo do intervalo curto: o time preservado, encaixado, em ritmo de jogo. “Se tivesse meio ano pela frente, perderíamos metade dos jogadores”, afirmam.

Não lhes tiro a razão. Apenas gostaria de passar mais umas semanas me regozijando em loucura, alento, trago e amizade. Dez dias depois da glória libertadora e já estamos nos preocupando com o próximo desafio. Faz parte, claro! Ser gremista e não ser ambicioso é uma incoerência, um paradoxo existencial.

De toda forma, Renato, como não consegui ir ao aeroporto durante a semana, vim te desejar boa sorte. A ti e a todos os jogadores. Que estejam ENDIABRADOS como estiveram em Lanús. Que os deuses da bola estejam sorrindo novamente para nós.

Pode haver meio mundo de distância entre nós que não pudemos ou não conseguimos embarcar para os Emirados Árabes e vocês, mas estaremos todos nas milhares de vozes que estarão nas arquibancadas do Hazza Bin Zayed. Porque é como Nigri e Lupi imortalizaram: com o Grêmio, onde o Grêmio estiver.

Que seja o primeiro passo para o Bi!

Saudações Tricolores!

E segue o baile…

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Bom dia, Renato! (com os principais lances de Atlético-MG 4 x 3 Grêmio)

Por Samuel Sganzerla

Como foi o fim de semana no Rio de Janeiro? Estava boa a praia de Ipanema? E o futevôlei? Merecido descanso depois desse baita ano de trabalho e conquistas. Agora é pensar no embarque para Abu Dhabi, né?! Lamentavelmente, perdemos o Arthur. Dizem que Geromel também virou dúvidas e não se sabe ainda ao certo as condições em que Maicon voltará.

Foto: gremio.net

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Não que eu tenha a ilusão de que, passando pela semifinal, vamos propor nosso jogo contra o Real Madrid. Foi provavelmente no início do milênio que se viu um sul-americano  encarar um milionário europeu de igual para igual (aquele lendário Boca Juniors de Riquelme e Palermo, que ganhou três Libertadores em quatro edições, dois mundiais em três), sem jogar por uma bola. Mas divago!

Alheio a tudo isso, ontem foi o dia da última rodada do Brasileirão, Renato. Fomos a Belo Horizonte encarar o Atlético Mineiro, com nossa terceira equipe. A torcida do Galo, que sempre nos recebe com muita cordialidade e amizade, se fez presente no estádio, para assistir a um grande jogo, disputado do início ao fim, com sete gols e direito até a um apagão dos refletores, lembrando aquele futebol-raiz dos anos 90 de que tanto se fala saudosamente.

Entretanto, numa coisa os atleticanos irão concordar comigo: o time deles, por tudo que fez nos últimos anos e pelo elenco que montou para essa temporada, foi uma das grandes decepções de 2017. Não era para uma equipe que deveria ter brigado pelo título terminar o campeonato em nono lugar e ainda depender do resultado da final da Copa Sul-Americana para ir à Libertadores de 2018. Mas nossa gurizada, que não tem nada a ver com isso, foi lá e fez bonito, apesar de não ter saído com a vitória.

Mesmo com o resultado desfavorável, Renato, valeu a pena para nós, ainda de ressaca pelas comemorações do Tri da América, vermos o chamado “time de transição” mostrar o padrão de jogo e o toque de bola de qualidade do futebol que nos conduziu de volta à nossa alegria. Ainda que um tanto “crus”, pela idade, é bom ver Jean Pyerre, Pepê e outros nos mostrando que a base vem forte, sendo capaz de fazer frente a um Galo, em pleno Independência, que conta com muitos jogadores experientes e de renome internacional.

Agora, lembra que eu disse há algumas semanas que ainda conversaríamos sobre o Brasileirão 2017, Renato?! Então… Chegamos ao final com 63 pontos, num quarto lugar que não reflete a nossa campanha (por três momentos ontem, o vice-campeonato esteve em nossas mãos). O Corinthians foi campeão com 73 pontos. E não é preciso muito esforço para lembrar de 11 ou 12 pontos perdidos pelo time reserva ou “de transição”).

O fato é que o Grêmio foi muito criticado por ter deixado o campeonato nacional em segundo plano ainda lá no seu início. A imprensa e torcedores dos mais diversos clubes muito bateram na tecla de que teríamos plenas condições de ter disputado esse título também. Eu não julgo nem reclamo. Claro, acaso não tivéssemos ganhado a Libertadores, haveria uma inundação de críticas. Felizmente, o desfecho foi de muita comemoração para nós.

Quando a CONMEBOL e a CBF fecharam o calendário deste ano, uma coisa ficou claro (para qualquer um que entenda um pouco de futebol): não há time brasileiro com elenco para disputar as três principais competições – Copa do Brasil, Brasileirão e Libertadores. Não, não há! Porque toda comparação com os grandes europeus que disputam o triplete sem poupar jogadores ignora o abismo que existe entre nós e eles hoje. O mesmo que eu mencionei antes, pensando no possível confronto com o Real Madrid.

E não apenas é apenas uma questão de dinheiro. Toda a organização do futebol europeu já passa pela ideia de sincronia entre suas competições nacionais. Nenhum país do Velho Mundo possui campeonatos estaduais (para lembrar que o Brasil sozinho é do tamanho da Europa), e, se não me engano, somente a Inglaterra possui mais de duas competições (a liga e duas copas). Isso sem nem falar na questão da infraestrutura, que traspassa o mundo do futebol.

Quando algum “especialista” enche a boca para falar que o Barcelona jogou em Bilbao no domingo, pelo campeonato nacional, e, na quarta-feira seguinte, entrou em campo em Milão, pela Liga dos Campeões, com o mesmo time, eu penso como que ele pode ignorar que a ida e a volta dessas duas viagens somadas são mais curtas do que um trecho da que o Grêmio faz quando vai ao Recife. E nem comparemos os sistemas de transporte, por favor.

Renato, tu, que és técnico, sabes o quanto um dia de treino faz diferença. Uma viagem a Guayaquil, a Caracas ou a Medellín significa uma semana perdida somente em torno desse confronto. Essa é a Libertadores e a realidade latino-americana (e olha que os mexicanos nem disputam mais a Copa). A direção também sabia disso. A opção feita foi pelo título continental. E o outro torneio que poderia ser beliscado seria a Copa do Brasil (infelizmente não deu, apesar da boa campanha).

O Corinthians de Fabio Carille, que não tinha nada a ver com isso, fez por onde merecer o título. Realizou o melhor turno da história dos pontos corridos, administrou a grande vantagem e, quando decaiu, soube se mobilizar para assegurar o caneco. Ainda assim, lamentamos que esses 11 pontos que nos distanciaram, ao pensarmos naqueles perdidos de forma boba pelo próprio time titular ou nas tantas partidas em que jogamos com os reservas (que nunca haviam feito uma partida como a de ontem).

Poderíamos ter disputado o Brasileirão do início ao fim e vencido? Até poderíamos! Mas também poderia ter significado um ano sem conquistas, apesar do bom futebol construído e toda expectativa criada. 2017 já valeu pelo Tricampeonato da Copa Libertadores, por termos mostrado que resgatamos e honramos a nossa tradição copeira. E ainda não acabou! Que venha mais!

Até o Mundial!

Saudações TRIcolores!

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Boa tarde, Renato (com os melhores lances do jogo que levou o Grêmio ao Tri da Libertadores)

Por Samuel Sganzerla

Sim, boa tarde! Porque eu avisei o Milton que, confirmado o título que consagrou essa campanha espetacular que nosso Grêmio fez, não existiria manhã no dia de hoje. A madrugada de ontem ainda não terminou, apesar desse céu AZUL. Ainda não sei se já acordei mesmo, na verdade. Mas me deixem continuar sonhando, então.

Foto: gremio.net

Foto: gremio.net

Renato, ontem estávamos nas arquibancadas de Lanús, nas ruas de Buenos Aires, na Goethe, na Arena, em todos os lugares. Todos vivendo e revivendo esse momento da glória libertadora que nos consome por inteiro nestes momentos de sonho delirante – para lembrar do saudoso Sant’Ana. Ontem, Renato, expurgamos os fantasmas que nos assombraram por vinte e um anos.

Não cedemos à pressão endiabrada em Cáli. O Zagallo não tirou nosso melhor jogador de uma decisão para ficar no banco da Copa América. Não tinha um Pedrinho encarnado em São Januário. Não teve juiz ladrão mandando voltar pênalti defendido pelo Martini. Danrlei não falhou na saída de gol na Colômbia (mas ele pode, ídolo eterno).

Não cruzamos com o melhor Boca da história com um time esforçado. A dupla de ataque não perdeu uma série de gols feitos no Mineirão. Lucas Pratto não teve uma noite de brilho no Olímpico. O Cris não fez um pênalti idiota. O zagueiro do San Lorenzo não tirou aquela bola em cima da linha. Não tomamos uma aula de futebol do Rosário Central.

Ontem, Renato, tudo era alegria. Todos tivemos nossas próprias vitórias. Nunca mais dirão que tu és só um motivador, mas não técnico. Fernandinho justificou como nunca a confiança que tu depositaste nele. Quem um dia já chamou o Luan de pipoqueiro que nem cruze por mim hoje – que atuação e QUE GOLAÇO! E ele não pegou o pênalti para fechar com chave de ouro, mas quero deixar registrado: mil desculpas pela corneta de outrora, Grohe!

Renato, já nem tenho mais palavras para descrever o tamanho da idolatria que a Nação Tricolor tem por ti. O Grêmio é campeão e hoje não importa mais nada! Todos os anos de sofrimento devidamente acompanhados (porque “una pasión es una pasión”, para lembrar Campanella) parecem recompensados.

Hoje a gente segue comemorando. Amanhã começamos a pensar em campeonato mundial. Já manda o drone para Madrid!

O GRÊMIO É TRI! A AMÉRICA É NOSSA DE NOVO! E VAMO COM O PLANETA!

Saudações Tricolores!

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Lanús supera Grêmio por 2 x 0 e é o Campeão da Libertadores 2017

O Grêmio foi bravíssimo hoje à noite na Argentina, mas não deu. O time gaúcho lutou muito e até poderia ter vencido a decisão nos primeiros minutos da batalha, porém o Lanús, com gols de Acosta e Sand, fez 2 x 0 e é o novo campeão da Libertadores da América. O título inédito, conquistado frente à 42 mil torcedores no estádio La Fortaleza, fez com que uma multidão alucinada adentrasse a madrugada nas ruas do pequeno município homônimo de pouco mais de 200 mil habitantes, localizado na província de Buenos Aires.

O tricolor começou jogando bem e perdeu as melhores chances no início do jogo. Porém, paulatinamente, o Lanús passou a dominar as ações e, a partir da metade do primeiro tempo, já fustigava impiedosamente a zaga tricolor, que se safava como podia. A aposta na imortalidade sucumbiu aos 41 min do primeiro tempo, quando, em rápido contra-ataque — nós ficamos putos com um gol tomado deste modo numa disputa onde o tricolor estava em vantagem de ter vencido o primeiro jogo –, Lautaro Acosta venceu Bressan na corrida e chutou da entrada da área. O tiro deixou impotente o milagreiro goleiro do time do Humaitá. A bola, após passar por Marcelo Grohe, ainda bateu caprichosamente no poste e foi morrer inexoravelmente nas redes do mosqueteiro. Mas por que o Grêmio atacava? Por que não se acautelou, meu deus?

Acosta comemora o primeiro tento do Lanús | Foto: SC Internacional

Acosta comemora o primeiro tento do Lanús | Foto: SC Internacional

O gol enlouqueceu a torcida do Lanús, que fazia grande alarido no La Fortaleza. Mas a massa granate não soltou sinalizadores — os argentinos não são trouxas e não esfriaram seu time. Muito pelo contrário: a primeira etapa foi finalizada com os argentinos fervendo. O pequeno estádio era uma panela de pressão com carne gaúcha dentro. Mas, apesar da, repetimos, grande pressão, os times voltaram ao vestiário durante o intervalo com um placar que levaria a decisão aos pênaltis, 1 x 0 para o Lanús.

No início do segundo tempo, o Grêmio começou tocando a bola sem objetivo, com a finalidade de calar a hinchada. E estava tendo sucesso até o momento em que Renato resolveu reforçar o sistema de marcação colocando Michel em campo.  Por que fez isso? Por quê, carajo?

Esta foi a senha para que o time comandado por Jorge Almirón adentrasse o campo azul e não se retirasse mais dele. O imortal agonizava. Então, aos 33 minutos, um chute de José Sand de fora da área definiu o jogo. Foi um chute de aparência despretensiosa, quase delicado, mas a bola, essa prostituta ingrata, essa víbora corrosiva, essa bêbada sem noção, descreveu uma linha curva como as dos quadros de Pablo Picasso, afastando-se das mãos salvadoras de nosso querido Grohe, como vemos na foto abaixo. 2 x 0.

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Não deu, mas fomos dignos do estado de Sartori. Nosso zagueiro Geromel, o moleque facínora, acabou a partida com lágrimas nos olhos. Para desopilar, deu uma de suas bordoadas num argentino lá e foi finalmente expulso. O jogo acabou com a torcida granate, a do maior clube de bairro do mundo, cantando, pulando e tripudiando sobre nossos meninos do Humaitá que, com dez homens, não tinha forças para reagir.

Ao final do jogo, os gremistas deram declarações culpando o árbitro da partida.

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O sonho acabou. Renato repete sua história na Libertadores. É bi-vice. Enlutados, os drones não voarão no dia de hoje e o planeta não vai acabar, vai continuar assando em mudanças climáticas cada vez piores.

Inter, vice do América; Grêmio, vice da América.

.oOo.

P.S. — Cá pra nós, o Lanús é um time bem ruim, só que organizadinho. Parabéns ao Grêmio, Tri-Campeão da América! (Ou vocês ganham ou serão fuzilados por milhares de memes).

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Bom dia, Renato (com os gols de Grêmio 1 x 1 Atlético-GO)

Por Samuel Sganzerla

Ontem, estava prevista a partida MENOS IMPORTANTE de nosso ano: o Grêmio entraria em campo, na Arena, em jogo válido por um campeonato com campeão definido, contra um adversário já rebaixado. Tudo isso num domingo que intercala as duas quartas-feiras mais significativas da última década.

Retrato da pelada que deve anteceder à glória | gremio.net

Retrato da pelada que deve anteceder à glória | gremio.net

Dizem os que foram até o Humaitá que o jogo realmente aconteceu, que a partida foi uma verdadeira PELADA e que acabamos empatando com o Atlético Goianiense, pela 37ª rodada do Brasileirão. Eu, que aproveitei o domingo para subir a serra e comemorar que cheguei na casa dos 30 anos com a minha família, acredito neles.

O jogo? Nem vi! O jogo que importa mesmo é o de quarta-feira. A partida que vale o sonho cultivado desde que eu era criança. A decisão que vale a nossa alegria regada a trago, alento e DELÍRIO. Renato, a gente nem tem dormido direito desde a vitória da semana passada.

Porque só o torcedor apaixonado entende perfeitamente o que é esse misto indistinto de angústia, otimismo, nervosismo, expectativa e outros sentimentos mais que a literatura e a filosofia ainda não encontraram palavras para descrever. O gremismo é um estágio avançado e constante disso, ora elevado exponencialmente a um nível que a ciência e a religião ainda desconhecem.

Como diz uma faixa que surgiu nas muretas do Olímpico Monumental há mais ou menos doze anos, “Vivemos de loucura”. E se nada pode ser maior que esse amor que temos pelo Imortal, Renato, tu deves imaginar bem como estamos todos.

Serão cinco mil de nós nas arquibancadas de La Fortaleza daqui a dois dias, talvez muito mais em toda a grande Buenos Aires. Mas serão dezenas de milhões em campo, junto com os onze que entrarão fardando o sagrado manto Tricolor. Os que ainda habitam este plano e todos os demais que já passaram para outros. Tu não os vê, tu não os toca, mas estão presentes.

E este é o último recado antes da final, de um fã para um ídolo, de um torcedor para o técnico, de um GREMISTA para outro: queremos a Copa, Renato! Queremos alcançar o sonho LIBERTADOR pela terceira vez! Queremos a Copa!

Saudações Tricolores!

Segue o baile…

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Bom dia, Odair (com os melhores lances de Inter 2 x 0 Guarani)

Ao final deste jogo, Odair Hellmann, foste confirmado como técnico do Inter para 2018. Só invejo teu salário.

Eu já achava que serias anunciado. Os diretores não contratam jogadores sem a presença do treinador — não acredito que sempre ouçam a opinião do mesmo, mas é bom manter o fingimento — e, na semana passada, Gabriel Dias (volante do Paraná) e Roger (centroavante do Botafogo) foram praticamente confirmados.

Para meu gosto, Nico e Camilo deveriam ser melhor aproveitados em 2018 | Foto: Ricardo Duarte

Para meu gosto, Nico e Camilo deveriam ser melhor aproveitados em 2018 | Foto: Ricardo Duarte

Fizeste algumas coisas boas do ponto de vista tático. Recuaste laterais e volantes. Deixaste Dale sem funções defensivas. Colocaste Nico de centroavante e ele respondeu à altura com dois gols ontem. Também Pottker subiu de produção quando sua velocidade foi explorada por lançamentos em profundidade.

Pois, antes de ti, jogamos fora o ano de 2017 com técnicos de segunda linha como Zago e Guto. Pouca coisa fez sentido no trabalho deles. A única coisa que sobrou de bom foi nossa medíocre classificação em segundo lugar para a Série A. Isso acabou, mas pode voltar se não melhorarmos. Nosso ano foi fraco, fraquíssimo.

Projetando 2018, um resuminho de 2017, jogador a jogador

Os zagueiros: só Klaus e Cuesta se salvam. Jamais vou entender a insistência com Léo Ortiz e Danilo Silva. Até Ernando é superior. Melhor que estes dois saiam logo. Thales é um boa opção para a reserva. Ele não inventa. Precisamos de mais um bom zagueiro.

Os laterais: o péssimo Cláudio Winck foi nosso lateral durante todo o ano. Alemão é ruim demais e a diretoria nem se coçou para melhorar o nível. Uma irresponsabilidade, pois nenhum dos dois é digno de um time médio. Porém, o contrato de Winck, de forma incompreensível, foi renovado… Na esquerda, Uendel é razoável, mas gostaria de ver mais Iago. Carlinhos não dá. Precisamos de um bom lateral direito com urgência.

Os volantes: Dourado e Edenílson são ótimos, mas não têm substitutos. Charles é verde e Gutiérrez teve uma passagem opaca pelo setor. Dizem que Gabriel Dias está chegando. Não conheço,

Os armadores: só Dale se salva, mas completará 37 anos em 2018. Eu observaria melhor o “reserva de Sasha”, Camilo. Já Sasha passou 15 jogos sem dar nenhuma assistência para lance de gol, além de não ter feito gols. Foi auxiliar de lateral por todo o ano. Um escândalo! Deve ter um baita empresário. Deveria ser negociado ontem. Ninguém suporta mais o cara. E Juan? Depois de alguns bons jogos, sumiu. Precisamos de mais qualidade no setor.

Os atacantes: Damião provou sua utilidade no Inter, um time que cruza ergue exageradamente a bola para a área adversária. Tanto que contrataram Roger, outro centroavante de mesma característica. Se não for para a China, Pottker deverá crescer e Nico é o grande injustiçado do ano. Entrando para jogar 20 minutos em cada jogo, foi um dos goleadores da temporada. Um atacante realmente bom seria uma necessidade, ainda mais se Pottker sair. Contratar para grupo seria apenas empilhar jogadores.

Dos 22 (!) emprestados que retornam, eu só observaria com mais cuidado Eduardo, Andrigo e Marcinho, que está barbarizando no Brasil-Pel.

O que me preocupa é a falta de profissionalismo da gestão de futebol do Inter. Marcelo Medeiros e sua trupe — da qual faz parte Fernando Carvalho — são um bando de patetas. Vamos precisar de sorte e da incompetência maior dos outros.

Voltaremos a escrever sobre futebol só 2018, quando os jogos reiniciarem. A menos que o Lanús nos cause uma enorme euforia na próxima quarta-feira.

Tiau.

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Bom dia, Renato (com os principais lances de Grêmio 1 x 0 Lanús)

Texto de Samuel Sganzerla

E bom dia também, drone que nos observa!

Sabe, Renato, o futebol tem dessas coisas fantásticas. Ontem, dava para sentir que Porto Alegre PULSAVA. Havia uma aura mística pairando nos ares da cidade. Uma massa ensandecida de gremistas não apenas lotava a Arena, mas se fazia presente em cada canto. Uma loucura que só uma final de Copa Libertadores pode nos proporcionar.

Foto: gremio.net

Foto: gremio.net

O primeiro passo foi dado, Renato, ainda que timidamente. Ontem à noite, a imprensa gaúcha descobriu o que eu e tu já sabíamos: o Lanús não chegou até aqui de graça. Passei o dia ouvindo a programação esportiva, e o que não faltou foram “especialistas” colocando a taça na mão do Grêmio antes da bola rolar. Como tenho pavor disso, usei minhas redes sociais para pedir educadamente que todos eles introduzissem suas opiniões onde bem entendessem.

Porque no futebol não existe jogo jogado, Renato. É o esporte mais popular do mundo justamente porque é o único que proporciona que um time de bairro possa encarar um gigante tradicional de igual para igual. Surpreende-me que esqueçam disso. Nós, pelo menos, não esquecemos. Pois ficou claro, em campo, que o Grêmio respeita o Lanús. Procuramos nos impor, mas sabendo que do perigo que os argentinos podem proporcionar.

Quando a bola rolou, logo quisemos buscar nosso jogo embasado no toque de bola. Só que, do outro lado, tem uma das equipes mais bem treinadas que eu vi na história recente da América do Sul. O posicionamento e a saída de bola do Lanús são taticamente impecáveis, até bastante inovadores. Quem achava que o Granate era apenas superação, por conta da grande virada para cima do River Plate, na semifinal, surpreendeu-se.

Entretanto, parece que essa gente toda que ou quis comemorar antecipadamente, ou quis fazer uma espécie de ZICA REVERSA esqueceu o que aconteceu nas últimas edições da Libertadores. Fazia quatro anos que um clube brasileiro não chegava à final da competição. Sem contar nas tantas eliminações inesperadas que os grandes do futebol tupiniquim sofreram. Não sei se pensam que só a grife e a gigantesca sala de troféus de um Boca Juniors ou de um Peñarol da vida entram em campo. Mas a soberba do futebol nacional custou muito caro a seus clubes. E muitos não aprenderam.

Eu e tu, por outro lado, sabíamos que não tinha jogo fácil. Nunca é. Ali joga um campeão argentino. E isso é muita coisa! A gente buscou se impor em campo, valendo-se da força da nossa casa. No início, quase sem nenhum efeito, é verdade. Até o Lanús começou a gostar do jogo, levando à nossa meta o perigo que não oferecemos. Mais uma vez, Marcelo Grohe (que um dia me perdoará por toda a corneta) surge no momento em que o time mais precisou dele, salvando-nos novamente.

Arthur muito se movimentava no meio campo, sendo nosso melhor jogador na articulação. Luan, muito marcado, não produziu muito, tendo uma atuação um pouco apagada ontem. Mesmo assim, no final do primeiro tempo conseguimos voltar a prevalecer em campo, retomando a posse de bola e levando o jogo para o campo do adversário. A melhora não foi o suficiente, mas já era sinal de que o filme de terror que tivemos naqueles últimos 15 minutos não duraria a partida inteira.

No segundo tempo, todavia, só deu nós. O Lanús mal entrou no campo do Grêmio e pouco ficou com a bola. Marcelo Grohe foi mais um espectador da etapa complementar. Para dar mais movimentação pelo lado esquerdo, Everton entrou no lugar de Fernandinho, que novamente não esteve bem (a despeito de eu saber que tu segues escolhendo ele porque ele busca cumprir a função tática do Pedro Rocha).

Eis que, para vencer, esse Grêmio do TIKI-TAKA DOS PAMPAS precisou esquecer um pouco de sua atual filosofia de futebol mais refinado, preciso e bem jogado para relembrar o velho Imortal Tricolor. Foi o momento de lembrar que uma Libertadores se ganha com sangue, suor e lágrimas. E a tua estrela entrou em campo, Renato! Foi como tu vestindo a lendária camisa 7, azucrinando os gringos e tirando um cruzamento da cartola para o César.

Quando Cícero e Jael entraram em campo, pouco se poderia acreditar que fariam a diferença. A bem da verdade, àquela altura, estávamos todos tão nervosos que nem pensávamos direito. Vai que a aura mística copeira quisesse que dois jogadores criticados fizessem a diferença. E foi assim mesmo, num grande lançamento de Edilson, que Jael deu a assistência para Cícero fazer a Arena, Porto Alegre e o Rio Grande do Sul EXPLODIREM em alegria.

Poucas coisas são tão espetaculares nessa vida quanto um gol numa decisão nervosa e truncada. Certa vez, Ilie Dumitrescu, centroavante da lendária Romênia de 94, disse que fazer um gol numa Copa do Mundo era algo tão inesquecível quanto a primeira transa. Não são poucas as pessoas que fazem metáforas com futebol e sexo. Aquele gol do Cícero foi um orgasmo coletivo, daqueles que libertam nossas almas. Foi escrita a primeira página para libertarmos a América pela terceira vez.

Fim de jogo. O destaque negativo da partida vai para a arbitragem do senhor Júlio Bascuñan. Kannemann levou amarelo POR TER SIDO EMPURRADO (uma das coisas mais ridículas que eu já vi), o que o tirou do jogo de volta. Além disso, foram-nos sonegados dois pênaltis (um deles claríssimo!). O tal do árbitro de vídeo só existe para enfeite na Libertadores, pelo visto. Simplesmente péssimo.

Sinceramente, Renato, depois da semifinal e de ontem, toda vez que um chileno desembarcar no Salgado Filho para apitar uma partida na Arena, ficarei desconfiado que a CONMEBOL está mal intencionado. Na verdade, vou convidar quem quiser ir até lá comigo para dar uma SURRA no infeliz. Porque até podemos não saber o porquê de estarmos batendo, mas ele com certeza saberá o porquê de estar apanhando.

Enfim, o que importa ontem, mesmo, foi a vitória. Lá em La Fortaleza, semana que vem, será páreo duro. Os argentinos é que terão que sair para o jogo e tentar colocar pressão. Já mostraram que são capazes disso. E nós já mostramos que nosso melhor futebol aparece nessas circunstâncias de jogo. Que essa semana passe devagar o suficiente para todos os jogadores estarem devidamente preparados para a grande decisão, mas rápido o bastante para não deixar que essa ansiedade nos mate.

Que venha o Tri! Como sempre cantamos, Renato: queremos a Copa!

Saudações Tricolores!

Segue o baile…

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Bom dia, Renato (com os melhores lances de Santos 1 x 0 Grêmio)

Ontem a gurizada nos representou lá em Santos. O time B foi à Vila Belmiro apenas com o objetivo de cumprir tabela, mas, apesar da derrota, teve boa atuação no primeiro tempo, criando diversas chances (e até perdendo de forma inacreditável um jogo fácil). Infelizmente, volume de jogo, chutes a gol e bola na trave não alteram o placar – já dizia a música do meu xará.

Foto: gremio.net

Foto: gremio.net

Dito isso, a verdade é que ninguém da nação Tricolor se importava de verdade com o jogo de ontem. Tu até ficaste em Porto Alegre, para comandar os últimos treinos com os titulares. Toda a nossa atenção está voltada para o jogo de quarta-feira, contra o Lanús. O time tem que entrar focado, decisivo e mortal, tal qual fez na última final que disputamos. E nós torcedores temos que fazer da Arena uma panela de pressão para os argentinos.

Renato, estamos enlouquecidos aqui! Andamos num passo descompassado e angustiado na caminhada cotidiana, somente esperando o apito que permitirá a bola rolar. A Copa Libertadores é o nosso sonho! Almejamos o Tri da América há mais de duas décadas. Foram tantas batalhas árduas, intempéries da bola e sonhos que desvaneceram no meio do caminho durante todos esses anos que nossas ganas de voltar a ganhar a Copa estão maiores do que nunca.

O Grêmio tem longa história nessa competição. Levantou a taça por duas vezes com muito sangue, suor e lágrimas. Não poderá ser diferente desta vez! Entremos com humildade e raça, com força, coragem e inteligência. E sejamos mais aguerridos do que nunca! Sejamos Grêmio! Lembremos que é em cada jogo, em cada lance disputado que mostramos que somos gigantes, que nossas grandeza e imortalidade não são títulos divinos que ficamos ostentando.

“Para que percorres inutilmente o céu inteiro à procura da tua estrela? Põe-na lá.” (Vergílio Ferreira)

QUEREMOS A COPA, RENATO!

Saudações Tricolores!

Segue o baile…

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Bom dia, Odair Hellmann (com os gols de Goiás 0 x 2 Inter)

Um amistoso interessante. Não valia nada, só um inútil primeiro lugar na B. O time não jogou bem, claro, isso não acontece há quase dois anos, mas foi divertido ver Odair Hellmann humilhando Guto Ferreira em seu segundo jogo. O técnico interino segurou mais os laterais — que são mesmo muito ruins e não precisam subir –, recuou Edenílson e adiantou Dale. Só isso já fez melhorar muito o time.

Dois gols de Pottker em dois passes de Camilo. | Foto: Ricardo Duarte

Dois gols de Pottker em dois passes de Camilo. | Foto: Ricardo Duarte

É melancólico este final de ano. Nosso time não demonstrou evolução, apesar de algumas contratações bem caras. Tudo terá de ser refeito. Novamente iniciaremos o ano de um ponto bem próximo do zero, inclusive sem saber qual será o técnico de 2018.

Como já disse, o Inter chega ao fundo do poço após ter Argel, Falcão, Roth, Lisca, Zago e Guto como técnicos. Esta é uma nominata de profissionais que aceitam intromissões da direção. Claramente, há alguém(ns) escalando o time de fora da casamata. Não faz sentido escalar Sasha. É suicídio. O filha da Xuxa fez 16 jogos sem marcar gols nem dar nenhuma assistência. Sua ruindade é escandalosa. Hoje, Camilo entrou em seu lugar — Sasha sempre é retirado. Pois logo Camilo deu passes para nossos dois gols. Regida pela política e pelos interesses extra campo, nossa baixa produtividade não chega a surpreender.

Sasha: xô! | Ricardo Duarte

Sasha: xô! | Ricardo Duarte

William Pottker marcou os dois gols. Ele não fez um grande ano, mas o fato que me surpreende é que os caras vêm para o Beira-Rio após brilharem em outros clubes e afundam. Aquela coisa de jogadores profissionais viverem seu auge no Inter parece coisa do passado. Não somos mais um lugar de bom futebol. Talvez o ambiente nao seja favorável.

Nosso último jogo será contra o Guarani no Beira-Rio, dia 25. Depois, férias e Série A. Na B, já está tudo definido: Sobem América-MG, Inter, Ceará e Paraná. Caem para C Luverdense, ABC, Santa Cruz e Náutico. Foi um ano barbada, mas medíocre.

Hoje, temos 36 jogadores disponíveis. Mas vejam quem volta. Voltam 22 nabas com contrato em vigor. Destes, eu só pensaria em testar Andrigo e Eduardo. Os outros, por favor…:

Paulão — Vasco
Aylon — Goiás
Artur — Ponte Preta
Fernando Bob — Ponte Preta
Anderson — Coritiba
Seijas — Chapecoense
Alan Ruschel — Chapecoense
Geferson — Vitória
Alan Costa — Vitória
Andrigo — Atlético-GO
Eduardo — Atlético-GO
Eduardo Henrique —  Atlético-PR
Marquinhos — Sport
Anselmo — Sport
Jair — Rio Verde
Raphinha — São Paulo-RS
Jacsson — Santa Cruz
Mike — América-MG
Gustavo Ferrareis — Bahia
Marcinho — Brasil de Pelotas
Silva — Atlético-GO
Vilela — Desportivo Brasil

Os empresários vão se divertir bastante.

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O Bola em Transe Nº 28, com este que vos escreve, fala sobre o futebol e a Revolução Russa

Para fanáticos por futebol com um parafuso a mais. Neste programa há um momento histórico, quando Moysés Pinto Neto refuta a Tese do Socialista de iPhone. Começa aos 31min20.

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Bom dia, Renato (com os gols do esquenta Grêmio 1 x 0 São Paulo)

Texto de Samuel Sganzerla

Sabe, ontem eu fui sequestrado pela NOSTALGIA. Pedalava pela orla do Guaíba em meio à belíssima e ensolarada tarde, quando lembrei que, lá em 2012, num domingo de novembro muito parecido com o dia de ontem (que inclusive tinha cara de domingo), enfrentamos o São Paulo, no (que deveria ter sido) nosso penúltimo jogo no Olímpico.

A comemoração do gol de Kannemann | gremio.net

A comemoração do gol de Kannemann | gremio.net

Não sei quanto a ti, Renato, mas minhas memórias com o futebol são fortes, impactantes, potentes. Quando penso na minha vida no Velho Casarão (minha segunda casa em Porto Alegre, desde que vim morar aqui em 2006), lembro da frase que dizia emocionado na época da despedida: “Nas arquibancadas do Olímpico eu pude sentir todas as sensações que já experimentei na vida” (ou QUASE todas, antes que maliciem).

Isso tudo fez passar um filme na minha cabeça: desde tudo que se passou com o Grêmio nesses cinco anos que separaram esses dois confrontos com o Tricolor Paulista até um pouco sobre a nossa cidade hoje. E quer saber, Renato? Todas essas coisas têm tudo a ver umas com as outras e com a decisão da semana que vem.

Porque é impossível não voltar no tempo e reviver todos os sentimentos que carregamos impreterivelmente a cada vez que seguimos o Grêmio, onde ele estiver. Nunca me foi fácil deixar o Olímpico. Lamentava que não sentia aquela “alma pulsante” ao sentar nas confortáveis cadeiras da Arena. Até o ano passado.

Quando tu chegaste em Porto Alegre, para tomar a dianteira de nossa casamata pela terceira vez, Renato, nem mesmo eu, que nunca escondi o quanto sou teu fã (o Homem Gol, o Santo Portaluppi), fiquei otimista. Eis que um baita time (demos os méritos devidos ao Roger) que se encontrava desmotivado encontrou um futebol estupendo na tua liderança.

E quando, depois de 15 anos de jejum, sofrimento, lamúrias e “quases” que viraram fracassos, voltamos a erguer uma taça e tivemos de volta a nossa alegria, aqui na nossa nova Casa, todos gremistas sentimos que ali agora é o nosso lugar. Os mais resistentes, como eu, se renderam: a Arena é nosso lar, Humaitá/Vila Farrapos é nossa vizinhança. Assim como o Olímpico e Azenha eram antes.

Aí eu pensei também, Renato, em como nesses mesmos cinco anos Porto Alegre decaiu. Não começou em 2012, claro, mas aquela cidade do qual tanto nos orgulhávamos e curtíamos anda descuidada e vilipendiada por seus próprios filhos. Fiquei pensando em como gostaria de voltar a sentir aquelas coisas positivas e otimistas sobre a Capital (e o mundo todo, na verdade) que sentia nos tempos de faculdade.

Eis que, parado em cima da bicicleta em frente ao Iberê, e observando aquela beleza toda, vi mais uma vez o porquê de, apesar dos tantos pesares, ainda dizer que a Capital dos Gaúchos é demais – e sentir a dor infinita das suas ruas por onde jamais passarei. Amor é amor, com todas as suas qualidades e defeitos, mesmo que seja por um lugar, Porto Alegre, o Olímpico ou a Arena. Que POA se reerga como se reergueu o Grêmio. Mas já divago demais aqui.

O fato é que tudo isso traz toda a história de uma vida relacionada ao Imortal, que fez com que o jogo de hoje fosse o gatilho de uma lembrança (que virou uma refestelada mexida pelas memórias). Afinal, neste exato momento, tudo se volta em nossas vidas gremistas para a decisão da próxima quarta-feira, contra o Lanús. Eu não sei os outros, Renato, mas eu só consigo pensar nisso.

Daí que, em meio a esse turbilhão de sentimentos, parei para assistir à partida com uns amigos em dois barezinhos da Cidade Baixa (cada tempo em um deles). E o jogo? O jogo foi um mero detalhe, tal qual o sortudo gol do Kannemann. Claro, não que eu estivesse tão BLASÉ a ponto de não xingar o juiz ou o Jael (que entrou mal, para variar).

Não fui à Arena não por falta de vontade ou de disponibilidade, Renato, mas olha… Se dependesse de mim, esse jogo de hoje nem tinha acontecido. Nem a próxima partida contra o Santos. A verdade é que, por mim, essa próxima SEMANA seria eliminada da EXISTÊNCIA, e hoje já seria o dia 22.

Pode ser qualquer jogo, em qualquer lugar, a qualquer horário, válido por qualquer campeonato, eu sigo acompanhando o Grêmio, Renato. Mas só me interessa a primeiro partida da final da Libertadores contra o Lanús. O único canto que ocupa minha cabeça incessantemente é aquele “Vamos Tricolor, queremos a Copa!”. QUEREMOS A COPA, RENATO!

FORA, FIM DE SEMANA! A vida que espere pela decisão, não o contrário!

Saudações Tricolores!

Segue o baile…

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Bom dia, Odair Hellmann (com o compacto de Oeste 0 x 0 Inter)

Não tenho vontade de te dar os parabéns nem de comemorar. Foi uma classificação que me deixou aliviado mas também melancólico. Achei estranha minha reação e fui ver o que outros pensavam. Li vários grupos esclarecidos de redes sociais — eles existem! — e não sou o único: muitos, mas muitos mesmo, diziam que nosso time passou facilmente para a Série A mais por demérito dos adversários do que por alguma qualidade nossa. Entramos porque temos mais dinheiro, quadro social, patrimônio e torcida. Entramos porque nossos jogadores são pouca coisa melhores, apesar de nossa folha de pagamento ser 30 vezes superior a de alguns times da B. Ou seja, estamos de volta à Série A com uma estrutura pesada e nem um pouco moderna, prontíssimos para dar fiasco novamente. Fomos para a Série A tendo perdido o ano de 2017.

Torcida ontem em Barueri: merecendo coisa melhor | Foto: Ricardo Duarte

Torcida ontem em Barueri: merecendo coisa melhor | Foto: Ricardo Duarte

Nossos seis últimos técnicos foram reflexos de uma diretoria desatualizada, que não entende o futebol moderno. Argel, Falcão, Roth, Lisca, Zago e Guto não foram impostos ao clube, foram procurados e contratados. Então, a culpa maior é da diretoria que os trouxe a alto custo. Já citei nomes de técnicos que me agradam, mas não adianta nada se não houver profissionais competentes para dar nos apontar novos rumos. Temos que voltar a formar jogadores, parar de gastar em contratos longos com jogadores de qualidade duvidosa, precisamos dar um mesmo padrão de jogo do time titular até a escolinha rubra mais jovem.

É um trabalho para profissionais, não para gente que só pensa em forrar o bolso. A mediocridade, os negociantes e os interesses estão instalados no clube. Técnicos e jogadores são a ponta visível de uma estrutura medieval e personalista de futebol. É cômico o clube só viajar em voos fretados levando jogadores que se desvalorizam devido à invisibilidade da B. E, pior, nada de bom aparece no campo. Foi um retorno humilhante, sem graça.

Espero demonstrações de competência que gerem algum entusiasmo em 2018. Pois com um quadro de sócios decrescente, a tendência é piorar tudo.

Nem vou perder tempo comentando o jogo de ontem. Que coisa feia. Que triste aquilo ser o Inter. Uns instantâneos bastam: Camilo batendo uma lateral contra sua própria cabeça, a insegurança de Léo Ortiz, a inutilidade de Sasha, Pottker jogando de cabeça baixa, como se não tivesse companheiros…

Se estou feliz com o retorno? Claro que estou. Vou até soltar um foguete. Bum.

E agora, ao trabalho, tá? Amanhã não é mais feriado.

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Bom dia, Renato! (com os lances do Grêmio 1 x 1 Vitória na serra)

Por Samuel Sganzerla

Como foi a estada lá na terrinha? Acabei não subindo a serra, como havia cogitado – em que pese ter honrado a tradição de almoçar galeto e polenta no domingo. Terminei acompanhando o jogo pela televisão e pelo rádio (sim, os dois simultaneamente, perdoem-me, ambientalistas). Tive que ouvir o pessoal da imprensa reclamar, ao cair da tarde, do “frio” de 20 ºC que fazia em plena metade da primavera em Caxias, apesar do sol. Bando de gente fresca, tchê!

Fernandinho: usando a cabeça na serra

Fernandinho: usando a cabeça em empate chocho (ou CHOCHO) | gremio.net

Bueno, sobre o jogo, aparentemente segue a pleno vapor o projeto de eliminar a EUFORIA para o final da Copa Libertadores. Após uma boa vitória contra o Flamengo no domingo passado e o sucesso dos suplentes lá em Campinas no meio da semana, entramos em campo com o time titular hoje para fazer uma apresentação morna tal quais os dias ensolarados da serra. Não que o time tenha sido de todo ruim, mas, no atual estágio, enfrentar uma equipe de qualidade técnica inferior que está na zona da degola era expectativa de vitória.

Lembra que eu te disse que o Grêmio tem dificuldades imensas contra equipes que se fecham lá atrás, Renato? Então, pareceu ser essa a proposta do Vitória, quando, mesmo no primeiro, mal teve um terço da posse de bola. Entretanto, o que se viu foi uma equipe que, quando detinha a pelota, atacava com intensidade e objetividade. Após 10 minutos que pareciam um treino nosso, eles nos surpreenderam, vindo para cima de nós com qualidade até encontrarem o gol.

Na televisão e no rádio, disseram que o Patric (aliás, PATRIC CABRAL LALAU, que baita nome!) estava impedido no momento em que recebeu a bola na cara de Paulo Victor. Eu, sinceramente, não vi nenhuma irregularidade no gol do rubro-negro baiano (um salve a Ivete, Daniela, João Ubaldo e Franciel Cruz!). Achei que estava na mesma linha. Entretanto, se é contra o Grêmio, reclamemos: xingar o juiz é o que nos une no futebol, uma tradição salutar a ser seguida (e se algum árbitro reclamar, pergunte-lhe quando foi a última vez que ele elogiou um torcedor).

Bom, mas sem nem dar tempo de arranjar desculpas, numa boa jogada pela esquerda, que terminou com cruzamento de Leonardo, Fernandinho marcou de cabeça, para empatar o jogo. O grande lance desta tarde, para ver um Alfredo Jaconi lotado e pintado de azul, preto e branco explodir. Pena que a torcida que compareceu em peso não pode sair dali mais alegre, alguns até proferindo suas vaias. Eles não entenderam o projeto PÉS NO CHÃO ainda. Como eu gosto de dizer, antes de uma decisão, só existem dois tipos de torcedores que me irritam profundamente: os otimistas que cantam vitória antes da hora e os pessimistas que chamam derrota. Mas divago!

O fato é que, à exceção de um ou dois lances do Vitória (um deles em uma falha quase fatal de Geromel, salva pelo impedimento bastante claro desta vez), a partida foi toda nossa. Principalmente a partir dos 13 minutos da segunda etapa, quando da expulsão de Fillipe Souto (ninguém mais dá o nome de Felipe ao filho sem fazer FIRULAS!?) após entrada dura em Ramiro. Mas o fato é que não soubemos aproveitar. Estávamos com um a mais, sendo que a disposição em campo aparentava que nossa superioridade numérica era de dois ou três jogadores.

Empilhamos jogadores na linha ofensiva, até aumentando um pouco a criação, mas sem transformar isso em gols. Vagner Mancini ESTACIONOU UM ÔNIBUS na frente da área (como gostam de dizer os antigos) e armou um FERROLHO bastante eficaz. Se Galeano dizia ser um “mendigo do bom futebol”, eu sou um PEDINTE DOS CHUTES DE FORA DA ÁREA. Por que todas as equipes que querem jogar esse futebol moderno Tiki-taka só buscam finalizar da pequena área? Será que ninguém mais sabe chutar da meia-entrada?

Daí o jogo terminou como se anunciou na metade do segundo tempo: um empate CHOCHO. Porém, se nós praticamente abandonamos o Brasileirão lá na 11ª rodada (falaremos sobre isso outra hora), não era faltando cinco partidas, com o Corinthians disparado lá na frente, que iríamos pensar que esse jogo valia disputa por título. O próximo confronto, quarta-feira, na Arena, contra o São Paulo, será a última partida de preparação para a final da Libertadores. Reitero, pois: cabeça lá no dia 22. É a Copa que importa!

Por fim, Renato, terminarei meu fim de semana assistindo novamente a “Tropa de Elite”, de José Padilha. Gosto de relembrar os famosos bordões do Capitão Nascimento (“Não vai subir ninguém!”). Se bem que, a despeito desta provocação BARATA, temos que cumprimentar o primeiro clube a ter confirmado seu acesso para a elite do futebol brasileiro no ano que vem, não!? Meus parabéns, América Mineiro! (Quem diria que Enderson Moreira levaria alguma equipe a algum lugar…)

Saudações Tricolores!

E segue o baile…

.oOo.

P.s.: Cornetas à parte, registro aqui a minha VAIA SIMBÓLICA para a sempre desastrosa atuação das forças policiais nos estádios brasileiros. Por piores que sejam alguns torcedores, os excessos, o abuso de autoridade e as agressões descabidas de “agentes de segurança” somente causam ainda mais revolta (ainda mais quando alguém alheio às confusões é detido e agredido, como já aconteceu muitas vezes).

Brigões e policiais truculentos apenas se retroalimentam, justificando sua existência uns nos outros. Nada que justifique ações intoleráveis por parte daqueles e arbitrariedades por parte destes. Contudo, um país violento como o nosso necessita de forças policiais preparadas, não de gente mal remunerada e despreparada achando que cassetete na cabeça e pisoteamento de cavalo é a única forma de resolver conflitos.

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Bom dia, Guto (In memoriam e com os lances de Inter 1 x 1 Vila Nova)

Espero um técnico melhor após o Sexteto Fantástico que acabou com o futebol do Inter. Eles são Argel, Falcão, Roth, Lisca, Antônio Carlos e Guto Ferreira. Eles fizeram o que eu esperava deles. Porém e muito mais importante: os culpados foram quem os contrataram. Nesta tarefa, eles foram apenas emissários dos chefes Fernando Carvalho — que ainda nos desgraça com sua influência deletéria –, Vitório Piffero, Carlos Pellegrini, Marcelo Medeiros e Roberto Mello.

Adeus, Guto. Foi horrível enquanto durou. Foto: Ricardo Duarte/ SC Internacional

Adeus, Guto. Foi horrível enquanto durou. Foto: Ricardo Duarte/ SC Internacional

Ontem, no empate em 1 x 1 contra o Vila Nova, o Inter mostrou um futebol igual ao que vinha mostrando. A saída de bola é sempre na base do chutão. Os zagueiros não parecem se conhecer, sendo que Léo Ortiz é das piores coisas que vi vestir nossa desonrada camiseta. Os laterais são jogadores incapazes de surpreender. Os volantes, quando se voltam para a defesa, têm de usar binóculos para verem os zagueiros, pois há ali um enorme buraco onde os adversários se lambuzam à vontade. A armação fica à cargo de um senhor tatuado de 36 anos. A seu lado, vemos Sasha, um jovem que a 15 jogos não faz gol nem dá assistência e que é merecida e sistematicamente substituído. Por que então é sempre escalado? Não sei. Pottker é um cara que joga de cabeça baixa e Damião, coitado, é um centro-avante que precisa de passes para sobreviver. Mas não recebe nem bons cruzamentos, nem passes para fazer parede. Resta-lhe marcar os zagueiros adversários que insistem em sair jogando com bola no chão. (Pottker também gosta de chutar em zagueiros parados à sua frente, sem tentar o drible ou se esquivar. Apenas chuta. Normalmente, dá contra-ataque para o adversário.)

A saída de Guto Ferreira, confirmada após o glorioso 1 x 1 de ontem, já devia ter ocorrido há bastante tempo. Fala-se em Abel Braga. Acho que ele só serviria para formar um Septeto Fantástico. É decadente e ama manter seus amigos bruxos no time, sem interessar a produção deles. Meus preferidos são mais modernos. Prefiro, obviamente, Roger Machado ou Jair Ventura. São caros? Por favor, nem me venha com esta conversa, o Inter paga bem demais. Sasha recebe 250 mil mensais, se não me engano e, dia desses renovaram com Cláudio Winck e Carlinhos. Jogar dinheiro pela janela é nossa especialidade. Quem sabe a gente para e experimenta pagar pela competência?

Nosso técnico para estes 3 jogos será Odair Hellmann. Ele já deu mostras de ser melhor do que Guto. Aliás, se não arranjarem um bom nome, fiquem com Hellmann`s que acho que a maionese não desanda.

Estamos em segundo lugar com 64 pontos e nos falta 1 para confirmar a classificação. Um ponto. Mas está complicado. O líder América-MG já está classificado com 66 pontos. Próximos jogos:

14/11 (terça-feira, às 20h30) – Oeste x Inter
18/11 (sábado) – Goiás x Inter
25/11 (sábado) – Inter x Guarani

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Bom dia, Renato (com os melhores lances de Ponte Preta 0 x 1 Grêmio)

Por Samuel Sganzerla

Bom dia, Renato!

De cara, deixa eu te confessar uma coisa: como ontem me liberei dos compromissos profissionais um pouco mais tarde, acabei perdendo os primeiros 20 minutos do jogo. Eu poderia ter escutado no rádio o início da partida, mas tive que sentir aquele GOLPE DIÁRIO na vida do trabalhador brasileiro: deixar de ouvir o futebol, o noticiário de sua preferência ou uma música para aguentar aquele RESQUÍCIO DE ESTADO NOVO chamado “Voz do Brasil”. Mas divago.

O fato é que era um joguinho com o time quase todo reserva ontem, né!? Então já sabíamos: seria uma partida bem feia. Sem decepções quanto a isso, pois. Um sistema defensivo que conta com Bressan, Thyere, Marcelo Oliveira e Jaílson para enfrentar um adversário que não vencemos em seu estádio pelo Brasileirão há quase quatro décadas. Ou seja: TE VIRA, MARCELO GROHE! No final, foi ele mesmo o homem do jogo, fechando a meta nas várias oportunidades criadas e desperdiçadas pela Ponte Preta.

Por óbvio, temos que agradecer também a RUINDADE do time campinense. Não é à toa que estão seriamente ameaçados de rebaixamento. O meio campo deles tinha dificuldades de trocar três passes certos. Quando conseguiam acertar, contando também com nossos erros (de posicionamento da equipe e individuais), parecia que nada dava certo para eles. “Quando a fase é ruim…”, já diria algum filósofo de mesa de bar. Mesmo assim, não foram poucos os sustos que tomamos, e temos que agradecer à deficiência técnica de Léo Gamalho por termos saído de Campinas sem levar gol.

Agora, Renato, eu acredito que o Jael deva jogar muito nos treinos, ter bons indicadores avaliados pela equipe técnica e ser da tua confiança. Todavia, ontem novamente ele alternava um lance em que demonstrava boa visão de jogo, como foi o passe para Léo Moura no lance do gol, com vários outros em que fica evidente que ele e a bola não andam vivendo uma relação muito harmoniosa. Convenhamos: os números dele ainda são piores do que os do Braian Rodríguez e de “Chengue” Morales (para só ficar nesses dois no assunto “contratações gremistas que foram um fiasco”). Se Jael pretende ganhar o título de pior centroavante da história do Grêmio, está no caminho certo, mas não creio que seja um bom momento para isso.

Ramiro comemora seu gol de cabeça | gremio.net

Ramiro comemora seu gol de cabeça | gremio.net

No mais, merece destaque o lance do nosso gol. Léo Moura, do alto de seus 39 anos, mostrou uma qualidade de um lateral à moda antiga: saber fazer um cruzamento na área. Foi uma bola PERFEITA na cabeça de Ramiro, o nosso PEQUENO-GIGANTE, que mal precisou sair do chão para marcar o tento da vitória. Mesmo sendo o time reserva, o que me satisfaz num lance como esse é ver que o Grêmio tem padrão de jogo, que basta acertar a troca de passes e o posicionamento que boas chances são criadas. Claro, quando a qualidade da equipe em campo não é a mesma, isso já fica mais raro, mas pouco importa.

De resto, Renato, foi um jogo bem medíocre. Não que se esperasse muito mais coisa, vide os tenebrosos jogos que tivemos no Campeonato Brasileiro com os suplentes. Pelo menos ontem saímos com a vitória do Moisés Lucarelli, quebramos um tabu de 36 anos sem vencer lá pelo Brasileirão e a equipe segue trabalhando com confiança para nossos objetivos maiores. Vale ressaltar a boa atuação de Michel ontem, mostrando que está de volta ao seu ritmo de jogo.

De notícia ruim, Marcelo Oliveira e Beto da Silva saíram do jogo machucados. O lateral pode ter suas deficiências, mas é suplente imediato, uma pessoa da tua confiança e uma liderança no vestiário. Seria muito ruim perder. E preocupa também a possível ausência do atacante peruano, já que o garoto tem entrado bem há vários jogos e é um dos inscritos para a final da Libertadores. É trabalhar para que estejam bem para o dia 22.

Por fim, Everton teve sua chance como titular, como tanto te pediram depois da atuação estupenda dele no domingo. Mas ontem ele não apareceu muito, tendo uma atuação bem discreta. Agora, não que isso seja de alguma relevância, pois só será possível avaliar seu desempenho em um jogo de 90 minutos quando jogar com o time titular (do contrário, seria sacanagem com o garoto). Nós torcedores continuamos confiando no Cebolinha, que há tempos vem sendo fundamental para a equipe, esteja ele em campo desde o início ou entrando ENDIABRADO na segunda etapa, para infernizar os marcadores.

Nosso próximo jogo será contra o Vitória, lá na minha terra natal. Iremos a Caxias do Sul mandar a partida no estádio Alfredo Jaconi, visto que no sábado a Arena receberá o Coldplay para um grande show (até pensei em ir, mas muito o ingresso está muito caro para uma banda que até gosto, mas nem acho lá tudo isso). Talvez eu suba a serra, aproveitando para ir visitar a família e ir encher a tua paciência lá do alambrado (mentira, já deu para perceber aqui que sou bem chapa-branca contigo, né?!). Se quiser chegar lá na casa da família para tomar um vinho e comer queijo serrano e salame, já fica o convite, Renato. Convida a Carol também, se ela estiver por aí.

Saudações Tricolores!

Segue o baile…

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Bom dia, Guto (com os gols de Luverdense 2 x 2 e a grande frase de Guto)

Na entrevista de final de jogo, tu estavas contrariado, Guto. Talvez com tua própria impotência. Então resolveste atacar os jornalistas. Primeiro, fingiste pasmo com o fato de eles não terem notado a “profunda mudança” de esquema do 4-1-4-1 para o 4-2-3-1. Sim, recuaste Edenílson, coisa que até eu notei. Mas que tremenda alteração, Guto! E que grande mérito! Não mudou absolutamente nada, até piorou.

Mas depois tu disseste tua obra-prima, algo que vai para os anais deste implacável blog. Perguntado sobre as enormes falhas defensivas, respondeste com esta pérola: “Só toma gol o time que está em campo. Eu não tenho como tomar“.

Ninguém sabia que Camilo (foto) e Nico entrariam... | Foto: Ricardo Duarte

Ninguém sabia que Camilo (foto) e Nico entrariam em campo… | Foto: Ricardo Duarte

Brilhante. Quem está na chuva é para se queimar. Se não jogar não perde. Só bate quem erra.

Espero que a tal frase te faça cair. Queimaste os jogadores.

A verdade é que o Inter tomou sufoco do Luverdense e esta outra frase diz mais sobre o que vimos ontem. O repetido adiamento da confirmação da vaga, isso na retinha final, jogando contra times deficientes, mostra o que somos neste final de Série B. A ruindade é assustadora.

Quando nós avançávamos, os volantes Dourado e Edenílson — bons jogadores com certa vocação ofensiva — iam à frente sem serem acompanhados pela defesa. Ficava um enorme buraco entre eles e os zagueiros. Ali trabalhava o Luverdense. Isso tu não viste. Creio que estavas encantado, observando o “funcionamento” de teu novo esquema.

Novamente, todos sabiam o que ia acontecer. Entramos com Sasha, Pottker — que até fez um bom cruzamento para o primeiro gol de Damião — , Winck e Léo Ortiz, o que esperar? Sobram sete. E a incompetência contagiou Dourado e Uendel, etc. Sobram cinco.

Então sabíamos que colocarias Nico e Camilo para tentar salvar o time, coisa que eles deixaram de fazer nos últimos três jogos, pois todos os adversários já sabem o que farás.

Sasha… O que dizer dele? E é mantido.

Coitado do zagueiro Thales, que fez a sua reestreia hoje e até jogou bem. Jogar ao lado de Léo Ortiz deve ser aterrorizante. Vocês viram a falha de Ortiz no primeiro gol? Um cruzamento passa debaixo do seu pé e o cara faz o gol… Espero que a diretoria repense o grupo de jogadores para 2018. Tarefa complicada: receberemos de volta 23 atletas emprestados e outros clubes. Tudo gente contratada por Piffero. Meu deus. É nossa herança maldita.

Nada sobrevive a Argel, Falcão, Roth, Lisca, Zago e Guto.

Os próximos 4 jogos.

11/11 (sábado, às 16h30) – Inter x Vila Nova
14/11 (terça-feira, às 20h30) – Oeste x Inter
18/11 (sábado) – Goiás x Inter
25/11 (sábado) – Inter x Guarani

Temos 63 pontos e não podemos ser ultrapassados na liderança nesta rodada. Se o América-MG vencer hoje, fica com os mesmo 63, mas com uma vitória a menos. O Infobola permanece dando 99% de chances de classificação.

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Bom dia, Renato (com os principais lances de Grêmio 3 x 1 Flamengo)

Por Samuel Sganzerla

Bom dia, Renato!

Deixa eu te contar antes: no sábado, saí para tomar uma cerveja com um amigo que foi morar em São Paulo e que eu não o via há muito tempo; fomos num barzinho da Cidade Baixa para, como ele gosta de dizer, “zerar a comanda”. Uma RESENHA digna de um conto de Bukowski, eu diria. Dito isso, fui para o jogo ontem pensando se o Grêmio estaria ainda sob esse efeito de “ressaca”, após a classificação para a final da Libertadores (já que o Brasileirão não vale mais nada para nós há rodadas). Fui inclusive de espírito leve, só esperando ver uma boa atuação da equipe e torcendo para que voltássemos a vencer em casa.

Luan abraça o Cebolinha Éverton, que entrou e marcou dois gols

Luan abraça o Cebolinha Éverton, que entrou e marcou dois gols

Bueno, no início do jogo, quem parecia estar de ressaca era o Marcelo Oliveira (a despeito de as boas línguas falarem por aí que o rapaz não é de beber) – mas ele não comprometeu, sejamos justos. O Flamengo abriu mão de seu estilo mais cadenciado de jogo, focando o time na marcação e na busca de espaços pelo contra-ataque. A formação espelhada das duas equipes facilitou um jogo truncado, de muita movimentação no meio campo, mas quase nada de oportunidades criadas – teve horas que estava ruim de segurar o SONO, eu confesso. Novamente o Grêmio apresentou dificuldades para jogar contra equipes que vêm a Porto Alegre para se defender e esperar pelas nossas falhas.

Olha, Renato, por mais que eu goste de ver o Luan bem, como ele estava no primeiro tempo, fico preocupado quando o time parece depender em demasia dele. Ele flutuando na meia cancha, de uma ala a outra, mas muito sozinho, sempre com no mínimo dois nas costas. Ainda assim, ele conseguiu desferir um bom chute, defendido por Diego Alves. Jael alternou lances em que demonstrou ter certa dificuldade para dominar a bola com outros em que soube fazer o pivô e até PIFAR Ramiro, que não aproveitou o que seria a primeira assistência do CRUEL, novamente parando no goleiro rubro-negro.

O Flamengo, por sua vez, somente deu chutes à distância na primeira etapa, nenhuma no gol de Paulo Victor. Os cariocas seguiam naquele estilo de apostar nas aberturas deixadas por nós, quando subíamos para o ataque, o que poderia ter trazido mais perigos, se Márcio Araújo soubesse acertar um passe. No final do primeiro tempo, eu gostei quando tu disseste para Arthur e Ramiro subirem um pouco mais na marcação, retomando a bola com mais velocidade e compactando mais a equipe, o que permitiu impor o nosso jogo de passes trocados em velocidade. Mesmo que nada tenha ocorrido, fomos com um 0 a 0 para o vestiário que ao menos indicava que deveríamos esperar um segundo tempo melhor para nós.

Pois bem, Renato! Assim como uma pessoa que extrapola o número máximo de cervejas que sabe que deveria beber, parece que todos temos dificuldades de aprender com os próprios erros, não?! Um minuto de jogo no segundo tempo, e tudo que o Flamengo tentou fazer na primeira etapa toda ele conseguiu com um minuto da segunda etapa, esperando um erro nosso para aproveitar todos os espaços deixados abertos para o contra-ataque, e Everton Ribeiro marcando o seu gol de cabeça totalmente desacompanhado. É o que o Muricy Ramalho sempre diz, não?! “A bola pune!”

De toda forma, parece que bastou tomar o gol para que nós mudássemos de atitude. 1 a 0 nas costas e o perigo da quarta derrota consecutiva em casa (a terceira pelo campeonato nacional) fizeram com que fôssemos ao ataque e aproveitássemos o recuo do Flamengo. Entretanto, apesar da nova energia e de um time mais conectado, não fomos efetivos na primeira metade do segundo tempo. Luan e Arthur não estavam bem. Ramiro errava a pontaria. Fernandinho até deu um bom chute, mas foi tudo que ele fez enquanto esteve em campo também (outra má atuação de um dos jogadores mais contestados pela torcida presente). Logo em seguida, Marcelo Oliveira se redimiu, salvando o que poderia ter sido o segundo gol dos cariocas.

Foi aí que tu acertaste a mão, Renato, e salvou o dia! Duas mexidas certeiras, colocando Beto da Silva e Everton nos lugares de Jael e Fernandinho. Nem precisou aguardar para ver a movimentação que os dois trariam: no primeiro lance em que eles participaram, veio o gol de empate. Michel lançou na ponta, Ramiro (o pequeno-gigante) pulou mais alto para cabecear para o meio da área, Beto da Silva FUROU (propositadamente, óbvio) e Everton, o iluminado do dia, se antecipou entre Rhodolfo e Pará para tirar a tocar a bola de leve no canto oposto de Diego Alves. 1 a 1 e um alívio enorme!

Daí, nem dois minutos depois, Edilson resolveu EMULAR Gérson, numa versão destra, e fazer um lançamento EXCEPCIONAL de 40 metros para Everton entrar livre e dar uma cavadinha no canto do goleiro, virando o jogo e fazendo a Arena explodir em festa. Tudo bem que o lateral-direito flamenguista colaborou fazendo o que sabe fazer de melhor (falhar), mas isso não tirou a beleza do lance e a grandeza daquela virada. E ali apenas se consolidou o fato de que CEBOLINHA (apelido curiosamente dado a ele pelo próprio Pará, que hoje certamente terá pesadelos CHOROSOS) seria o homem do jogo e o cara deste domingo.

Dez minutos depois, veríamos Beto da Silva fazer grande jogada, também demonstrando porque a torcida flamenguista corretamente não tem mais paciência alguma com Rafael Vaz, e servindo Luan, para que o craque deixasse o seu. Ele ainda perderia um gol de cabeça relativamente fácil, mas como tem crédito com a torcida e o placar estava construído, ninguém se importou. Na verdade, naquela altura do jogo, eu até já havia esquecido da MALEMOLÊNCIA que acometia meu corpo, porque o espírito contagiante que sói pairar por cada alma Tricolor já falava mais alto do que tudo.

Nós gremistas pulávamos na arquibancada, e a emocionante virada já tinha me feito desistir de ver o jogo mais “tranquilamente”, pouco interessando a minha cabeça CANSADA. Enquanto já esperávamos o final do jogo, o Flamengo ainda colocou uma bola na nossa trave, ainda com a boa intervenção de Paulo Victor. Mas isso já não importava mais. Foi muito bom voltar a vencer na Arena, Renato. A gente precisava disso, precisava de uma vitória com uma atuação como a de hoje: um time que mostra que pode mudar a postura e a forma de jogar quando necessário e reverter um placar numa partida que se apresenta difícil.

As nossas cabeças certamente já estavam todas lá no próximo dia 22, na primeira partida da final contra o Lanús, aqui em Porto Alegre. Mas nada impediu que sentíssemos o sofrimento de quando o time foi mal e a alegria de quando se recuperou e venceu. Queremos essa confiança e esse ímpeto daqui até o dia 29. Porque, após o apito final de hoje, tudo era uma grande festividade, e nada mais poderia nos tirar aquele belo final de tarde, em que bastava olhar para cima para lembrar o quão belo é o céu AZUL.

“No meio da alegria, não teve aquele que não bebeu!”, já se entoava o canto na saída. Bom, na verdade até teve, porque eu só volto a beber no próximo final de semana mesmo – a menos que algumas Cocas-Colas valham para acompanhar a música. Mas a música que está presente em nossas mentes 24 horas por dia é outra: “Queremos a Copa”. Queremos a Libertadores, Renato! Queremos o Tri! Saudações Tricolores!

Segue o baile…

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