Bom dia, Guto (com uma seleção especial dos melhores — :¬) — lances de Inter 0 x 0 Paraná)

Ontem, quando li a escalação do Inter, já comecei a brincar no Facebook: “E daí, coloradagem? Preparados para o bom futebol?”. Pois não há o que resista a um time daqueles, ainda mais sem preparo físico. (Aliás, ontem foi a vez de Nico López ter sua lesão muscular. É um ou dois lesionados por jogo, como aviso há semanas… E lesão muscular é um mês fora, como todos sabem).

Não teve nem pressão inicial, o time apenas sucumbiu contra um Paraná que consegue ser igual. Passes errados, um buraco no meio de campo, nervosismo e, infelizmente, a regra é clara: são apenas 3 substituições.

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Quer saber o que eu faria, Guto? Contrataria um preparador físico de primeira linha, colocaria o sub 23 em campo e prepararia os chamados titulares para poderem correr, saltar, amar, viver e sonhar. Treinaria posicionamento e tentaria dar aquele pouquinho de futebol que seria suficiente para disparar num campeonato de nível técnico rasante. E o sub 23 está voando nos campeonatos que disputa. Não pode ser pior que o que vimos ontem. Nada pode ser pior. Fomos derrotados, apesar da sorte de termos somado um ponto. Não há o que comentar. Ninguém joga nada. E temos bons jogadores. Danilo Fernandes, Cuesta, D`Alessandro — coitado, não consegue nem correr –, Pottker, Dourado, Nico, Uendel, etc.

Não creio que tu sejas o cara que escala o time, Guto. Senão, Juan jogaria. Toda vez que ele entra, entra bem. Ontem, eu dava gargalhadas cada vez que Cirino pegava a bola. O cara é um completo inútil! Certamente um empresário o escala. Tu disseste que ele é competitivo… Não seja ridículo, por favor. E ri também quando Nando Gross lembrou Cláudio Cabral e disse: “O Inter treina para aprimorar a ruindade”.

Contratações erradas — nenhum armador, montes de zagueiros lamentáveis –, dispensa do preparador físico João Goulart e treinadores manipuláveis por interesses empresariais é o molho onde estamos nos afogando. Não estou vendo perspectivas sem que mude a diretoria. Não dá para impichar Marcelo Medeiros por vassalagem a Fernando Carvalho?

Olha, Guto, acho que teu reinado será breve. Ninguém escala assim sem ser odiado pela torcida. E sabe a TV? Pois é, todo mundo vê.

E os times da Série B são ridículos. Trata-se do Campeonato mais fácil que disputamos em anos. Era para disparar na frente e bocejar a cada nova vitória.

Menos mal que não há Gre-Nal marcado. Nosso próximo jogo é contra o Brasil-PE no Bento Freitas, sábado, às 16h30. Talvez eu TORÇA para eles. Gosto muito do Xavante.

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Bom dia, Guto (com os melhores lances de Santa Cruz 0 x 0 Inter)

Sabem como terminei meu último “Bom dia, Guto”? Assim ó:

O próximo jogo do desfalcado Inter é contra o Santa Cruz, sábado, em Recife, às 16h30. Aguardamos mais lesões musculares.

E tivemos mais duas: Danilo Silva e Ernando. Não, não sou brilhante nem tenho bola de cristal. É que não adianta, gente. Se o Inter contratasse o Messi e o Cristiano Ronaldo, eles encontrariam uma bagunça tão grande lá dentro que (1) não poderiam explorar todo seu potencial num time sem esquema e (2) iriam parar logo no Departamento Médico porque não há preparação física decente no Beira-Rio.

Agora, temos os zagueiros Víctor Cuesta, Danilo Silva e Ernando lesionados; o primeiro, com um problema na coxa esquerda, enquanto os outros dois, na direita. O atacante Pottker também está fora.

Em compensação, Cirino e Léo Ortiz conseguem não se machucar. E como seria bom se isso acontecesse! A zaga contra o Santa Cruz foi Klaus e Léo Ortiz. Sabem como Klaus saiu do time no tempo de Zago? O último jogo de Klaus foi há mais de quatro meses, na vitória por 2 a 0 sobre o Princesa do Solimões, pela Copa do Brasil, quando… Bem, apresentou uma lesão muscular na coxa direita.

Torcida do Inter no Arruda: super animados com o futebol de Marcelo Cirino | Foto: Ricardo Duarte (SC Internacional)

Torcida do Inter no Arruda: super animados com o futebol de Marcelo Cirino | Foto: Ricardo Duarte (SC Internacional)

Mas há, apesar de tudo, uma agenda positiva, certamente criada pela ruindade de nossos adversários, talvez maior que a nossa. Dos 8 jogos do Inter até agora, 5 foram fora de casa e 3 no Beira-Rio. Quando equilibrar, talvez, quem sabe, sabe-se lá, estejamos com mais pontos. Na 12ª rodada teremos 6 jogos em casa e 6 fora. Então, nossa posição na tabela será mais real.

O amigo Marcelo Furlan vem com outra análise positiva. No ano passado, pela Serie A, contra o Figueirense, America-MG e Santa Cruz, tivemos 3 derrotas (zero pontos) em três jogos fora. Esse ano, contra os mesmos adversários, jogando novamente fora de casa, foram 1 vitoria e 2 empates (5 pontos). Que coisa, né?

Marcelo Cirino

Está provado. Marcelo Cirino é o homem à prova de ruindade, que nunca sai do time. Guto Ferreira disse na entrevista coletiva que ele seria um jogador competitivo. Sim, para a Série C, claro. Por que Marcelo Cirino não pode ser sacado do time do Inter? É que o Inter é uma instituição de empresários, não é um clube de futebol. Sai Nico, saem quase todos, só não podem sair alguns escolhidos dos deuses, como o Cirino. É que ele tem um empresário mais forte dentro do clube, só pode.

Trouxemos Alex Santana de volta ele não ficou nem no banco. Juan é uma grande promessa e não joga. Winck enche os adversários de gols no sub-23 e não sobe para o time principal. Trocamos o técnico e seguimos jogando sem armadores. Quando Dale sai, por que não é substituído por ninguém da função como Alex, Juan ou Winck??? O que estão fazendo no Beira-Rio???

A torcida jamais quis Cirino. Mas nossa diretoria passou seis meses negociando, o cara chegou e foi titular na hora, mesmo sem jogar nada.

Barrios chega ao Grêmio como maior reforço da temporada e vai para o banco até mostrar merecimento para ser titular.

Jogador chega no Inter — titular mesmo jogando nada.

O jogo de sábado foi vagabundérrimo, sem chances de gols ou lances de emoção. Um horror num campo ruim. Vejam se vocês aguentam ver até o final desses três enormes minutos.

Na terça-feira (20), às 21h30, o Inter pega o Paraná. É para pontuar para entrar no G-4 ou ver a crise crescer.

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Bom dia, Guto (com os melhores lances de América-MG 1 x 1 Inter)

Não devo comentar o jogo de ontem por uma razão muito simples: não o vi. Escolhi ver a Ospa tocando o Concerto Nº 2 de Prokofiev com a maravilhosa Helena Berg. Fiz bem.

Mas soube da lesão de William Pottker — sua lesão e a de Cuesta são subprodutos de má condição física do grupo — e da loucura de não escalar Nico López. Nico entrou no lugar de Pottker e acabou marcando nosso gol, um golaço. É natural e é o que ele quase sempre faz. Ele trabalha muito, está em todas as jogadas de ataque, perde e faz muitos gols. É de seu ofício. Se não perdesse, seria um Romário e estaria na Europa ou na China.

Nico López ouvindo os críticos | Foto: Ricardo Duarte

Nico López ouvindo os críticos | Foto: Ricardo Duarte

Vi bem do gol do América-MG. Acho que Moledo é uma palavra muito poética.

Outra bobagem é o terceiro cartão de D`Alessandro. Nosso craque maior não se dá conta que não consegue controlar as arbitragens e segue falando e falando. E vou colocar na conta da coincidência o fato de ele NUNCA IR ao Nordeste, tá?

De resto, foi um alívio a multa de 720 mil reais pelos e-mails fraudados. Acho que Vitório Piffero e Fernando Carvalho deveriam dividir a conta, não? O Inter deveria pagar imediatamente a CBF e cobrar judicialmente a dupla de débeis. De resto, fiquemos quietinhos, pois o resultado foi bom (no Tribunal).

O próximo jogo do desfalcado Inter é contra o Santa Cruz, sábado, em Recife, às 16h30. Aguardamos mais lesões musculares.

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Bom dia, Guto (com os melhores lances de Inter 4 x 2 Náutico)

Guto, sábado, em Inter 4 x 2 Náutico, aconteceu algo que nunca vi. 4 pênaltis a favor do Inter, todos assinalados pelo juiz, todos no segundo tempo, todos legítimos. Só que o Inter errou 2 e converteu 2. Acho que já podemos fazer um DVD! Mas temos muito a melhorar para chegarmos a uma vida tranquila na B.

Léo Ortiz chega atrasado até em comemoração de gol | Foto: Ricardo Duarte

Léo Ortiz chega atrasado até em comemoração de gol | Foto: Ricardo Duarte

O Inter venceu e irritou seu torcedor. Foi um jogo daqueles bem porcaria, né Guto? O Inter deu um baile até os 30 minutos, depois teve o tradicional apagão, tomou o empate e acabou o primeiro tempo vaiado. Entrou no segundo tempo arrasador e fez 3 x 1 em dois pênaltis convertidos por Pottker e D`Alessandro. Aí o juiz marcou mais um e Cirino errou.

Isso merece um comentário. Cirino faz poucos gols, não tem tesão para marcar, chuta mal, não é bom jogador. Mas seus companheiros, tão legais, resolveram dar-lhe um prêmio. Ele errou. Parabéns pela seriedade com que as coisas são tratadas no Beira-Rio, Guto. No dia 19 de agosto estarei de aniversário e gostaria de bater um pênalti com o Beira-Rio lotado. Pode ser, Guto? Ah, deixa.

Perdido o pênalti, com os jogadores decepcionados e tristinhos, houve novo apagão, o Náutico descontou para 3 x 2 e um conhecidíssmo filme trash de terror começou a passar no Beira-Rio. Fomos salvos por um cruzamento de Pottker para um gol do inacreditável Cirino. Ah, houve ainda mais um pênalti, desperdiçado por Pottker, certamente em solidariedade a Cirino.

Como a maioria dos times da Série B, o Náutico não existe. É o mais legítimo e acabado candidato a cair para a C. Mas a gente conseguiu se atrapalhar com ele. Chato.

Tivemos volume de jogo, tivemos D`Alessandro jogando mal, um ataque mais ou menos bom e uma defesa que vou te contar. Léo Ortiz e Danilo Silva formaram uma dupla de zaga ridícula. A intenção deles não parece ser a de evitar gols dos adversários, mas matar o Danilo Fernandes do coração. E Edenílson na lateral é tua primeira piada. Acho melhor parar logo. Não teve graça.

Mas estamos subindo na tabela e, mesmo com as flagrantes deficiências, devemos ascender sem aflições, se me entendem.

Com o resultado, o Inter soma 11 pontos e ocupa a terceira posição na B. A próxima rodada nos trará o terrível América-MG. O embate será nesta terça-feira, às 21h30, no Independência, em Belo Horizonte. É jogo para pontuar, Guto. Nem vem.

E os quatro pênaltis, para quem tem dúvidas:

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Horror a intermediários

No dia 7 de novembro de 2001, saí da Feira do Livro e fui direto para o Beira-Rio. Jogavam Inter x São Paulo. Pelo Inter, entravam em campo João Gabriel; Barão, Gilmar Lima, Fábio Luciano e Wederson; Leandro Guerreiro, Carlinhos, Silvinho e Jackson; Daniel Carvalho e Luís Cláudio. Pelo São Paulo vinham Rogério Ceni; Reginaldo Araújo, Émerson, Júlio Santos e Gustavo Nery; Maldonado, Fábio Simplício, Kaká e Júlio Baptista; Luís Fabiano e França. E eu estava confiante.

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Começa o jogo e o Inter, cheio de entusiasmo, parte para cima do São Paulo. Dava pena de ver. Era um banho de bola. Aí Kaká puxou um contra-ataque e cruzou para França fazer 1 x 0. Um detalhe, claro, ainda mais que no minuto seguinte Silvinho empatava o jogo e nós, os trouxas que assistíamos a partida, nos preparávamos para ver a virada. Empilhávamos chances de gol, nossos gols estavam maduros, podres até, vários deles. O primeiro tempo terminou empatado. 1 x 1.

Começou o segundo tempo e Luís Fabiano cruzou para França desempatar. Uma sacanagem, jogávamos muito melhor. Continuamos perdendo gols quando Gustavo Nery cruzou para Luís Fabiano fazer o terceiro. Mas reagimos e parecia que parte da injustiça seria sanada porque nossa pressão era irresistível. Sim, chegaríamos ao empate. Só que Gustavo Nery bateu uma falta do meio da rua e ficou 4 x 1. Meu deus, que bosta, que injustiça.

No dia 30 de junho de 2002, entravam em campo Brasil e Alemanha. O Brasil trazia Marcos; Lúcio, Edmílson e Roque Júnior; Cafu, Gilberto Silva, Kléberson, Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos; Rivaldo e Ronaldo. A Alemanha vinha com Kahn, Linke, Ramelow, Metzelder e Frings; Hamann, Jeremies, Schneider e Bode; Neuville e Klose. Eu estava em Bento Gonçalves, curiosamente com um grupo de alemães. O jogo foi igual: o que a gente fazia aqui, eles faziam lá. Era uma partida perigosíssima, mas vocês lembram muito bem como terminou. Rivaldo, Ronaldo e Kahn fizeram a toda a diferença e os alemães discutiam entre si, dizendo que seu time igual ao nosso, só que…

É por isso que gosto dos jogadores decisivos. Você pode empilhar dez Luís Cláudios no seu time que eles não farão um Luís Fabiano. Pior, o São Paulo poderia enfiar 18 Maldonados em seu meio campo que eles não chegariam à eficiência de um França. Exagero? Claro que sim, os gregos criaram a figura da hipérbole para intensificar um fato até o inconcebível e os lógicos adoram hipérboles. Por isso, digo que 23 Rivarolas não fazem um Jardel, 34 Ramelows não criam fenômeno nenhum, 52 Edmílsons não superam um Rivaldo e 61 Baideks não fariam o que um Renato fez em Tóquio.

É por isso que gosto dos jogadores decisivos. No próximo jogo, podem estar em campo 43 armadores, mas os importantes serão os caras terminais, os atacantes e goleiros. Os goleadores, com frieza de toureiro e sangue frio de assassino esquizofrênico, são sempre os mais valiosos jogadores em campo. É por saber o momento do tiro ou por aproveitarem a passagem burra do touro descontrolado a sua frente, que vimos Romário jogar e fazer gols até os 68 anos, que vimos Túlio goleador aos 84 anos e é por isso que são tolos aqueles que criticam Nico López quando ele tantas vezes erra. Não me façam rir: depois daquela mal direcionada troca de cabeçadas, quem deu um balaço no canto do goleiro do Juventude, hein?

Romário, né?

Romário, né?

E é por isso que gosto também de grandes goleiros. O cara que fica ali não pode falhar, ainda mais num jogo decisivo. O mundo não lembrará de Kahn pelos 112 campeonatos alemães que levantou, mas nunca esquecerá que, quando Rivaldo chutou aquela bola, ele a soltou e ficou nadando no ar enquanto o matador Ronaldo Fenômeno chutava a bola para as redes com a certeza do toureiro matador que sabe que ou é o touro ou é ele mesmo (então, que seja ele!). O são-paulino mais fanático sempre lembrará de Ceni no Japão, mas nunca esquecerá que ele facilitou as coisas para Fabiano Eller naquele segundo de auto-suficiência. O colorado mais fanático sabe de seus títulos, porém sempre lembrará de Clemer como um goleiro milagroso que podia ser muito nervoso e hesitante. E sabe que só um doido varrido — preciso dizer seu nome? — esquizo alucinado e viciado teria a coragem e calma de pegar um escanteio batido por Nelinho com uma mão só, pois a outra tinha, naquele dia, escondidos sob a luva, seus dedos retorcidos novamente quebrados.

Num time campeão, até o roupeiro vence, mas só alguns são decisivos. Decisiva para a vida da batata é a mão que a planta e os dentes de quem a come. O resto são contingências. Decisivo na vida da galinha é quem a choca e minha avó que, caminhando e sem deixar de conversar comigo, pegava o bicho e, para meu horror, torcia docemente o pescoço de nosso almoço. O resto é milho, cacarejos e carregadores de pianos.

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Bom dia, Guto (com os melhores lances de Figueirense 1 x 2 Inter)

Guto, apesar do futebol singelo, o Inter mostrou três boas novidades no jogo de ontem:

(1) os reservas — tínhamos 6 no time — correram todo o tempo;
(2) tivemos contra-ataque;
(3) Juan.

E apenas isso parece ter sido suficiente contra o fraco Figueirense. Pois novamente jogamos miseravelmente. Mas digo com sinceridade, Guto: Parabéns! Tua estratégia de colocar reservas em forma para jogar deu certo. O futebol exige igualdade física para que possa aparecer quem tem mais futebol, mesmo que daquele nosso jeito desajeitado.

Diego: após chocar-se violentamente contra a trave, o forte Diego comemora seu gol | Foto: Ricardo Duarte

Diego: após chocar-se violentamente contra a trave, o forte Diego comemora seu gol | Foto: Ricardo Duarte

A suada vitória deixou-nos na quinta posição, com oito pontos, a três de distância do líder Juventude. No sábado (10/6), o jogo será contra o quase lanterna e aflito Náutico, às 16h30, no Beira-Rio.

Na noite chuvosa de ontem, em Porto Alegre, éramos uns dez cães molhados assistindo o jogo no bar de meu eterno sofrimento. O gol de Cuesta quase não foi comemorado. Olhamos uns para os outros e um colorado nada delirante disse: “Logo eles empatam”. Não deu outra. Em falha de Carlinhos — que, aliás, falhou durante todo o jogo –, o Figueira empatou ainda no primeiro tempo. E quis nos pressionar. Só que desta vez tínhamos o contra-ataque, figura tão ausente nos últimos meses quanto o bom futebol.

Não preciso descrever a partida, vocês todos sabem e há os melhores lances abaixo, então vou direto para as conclusões.

Carlos e Carlinhos… Olha, juntos, os nomes já indicam que talvez fizessem sucesso no sertanejo secundarista. Já como jogadores de futebol… Após perder aquele gol inacreditável contra o Juventude, Carlos mostrou-se rapidíssimo em estragar vários contra-ataques promissores com passes infantis. O bom Pottker do segundo tempo já estava puto com ele.

E Carlinhos é o clássico lateral que não marca, fato só aceitável se o cara atacar como um Júnior do Flamengo e da Seleção, um Marcelo do Real Madrid, um Roberto Carlos ou Marinho Chagas, porque estes exigiam serem marcados, o que inverte tudo.

Gostei da segurança de Danilo Silva na bola alta — acho que ele deve permanecer –, e da entrada de Juan, que fez um esplêndido lançamento para Pottker servir a Diego no segundo gol. Charles esteve mais ou menos bem e Brenner afundou de novo. O que houve com ele?

O resultado causa certo alívio, mas há que ter sequência. A Série B é uma barbada para quem joga futebol. O nível técnico é rasante. Só que, sem jogar futebol, até uma partida de Casados x Solteiros no Parque Saint-Hilaire é complicado, e nem falo dos assaltos. Então, Guto, o negócio é deixar o grupo no nível físico dos outros times e jogar um pouquinho. Ah!, e se esforçar como os adversários. Não é muito.

Mas é VITAL conseguir, entendeu?

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Bom dia, Guto (com os principais lances de Inter 1 x 1 Juventude)

Bem, Guto, o Inter está uma bagunça, a começar fora do campo. A única coisa positiva da gestão Piffero foi a decisão de que a preparação física não mais seria uma atribuição da equipe do técnico contratado, mas algo de responsabilidade do clube. Não temos nenhum grande futebol para mostrar, mas também não temos preparo físico.

Ortiz e Dourado sempre vigilantes, de olhos bem fechados

Ortiz e Dourado sempre vigilantes, de olhos bem fechados

Deves ter visto que o jogo de sábado foi apenas a continuidade do Inter sob Zago. Abrimos o placar contra o ABC e , no final, tomamos um sufoco e cedemos o empate. Contra o Paysandu não corremos nada e perdemos. Abrimos o placar contra o Palmeiras e, no final, tomamos um sufoco e cedemos o gol que nos desclassificou. E, contigo, abrimos o placar contra o Juventude e, no final, tomamos um sufoco e cedemos o empate. Ou seja, com Zago, repetimos a tragédia que já tinha ocorrido na época de Aguirre: estamos muito atrás dos outros times em termos físicos. E todos os adversários sabem disso.

Mas este é apenas o primeiro problema, talvez o principal, mas… Tu viste que, quando estamos bem fisicamente, no primeiro tempo, também não jogamos quase nada. Não temos dinâmica de jogo, aproximação, nossos cruzamentos são inúteis, todos para o goleiro adversário se consagrar, e isto até é compreensível tendo em vista os recentes fracassos de nossos treinadores, mas nada explica a insistência com Léo Ortiz. Trata-se de um bom rapaz colorado, mas isso eu também sou e quero ser escalado como zagueiro. Aliás, esse moço me parece mais dotado para ser volante. A direção não contratou o experiente Danilo Silva? Não seria a hora de ele entrar para formar a zaga ao lado de Victor Cuesta? Será que Danilo sabe que, nos cruzamentos, marca-se o jogador e só depois a bola?

Te desejo boa sorte, Guto. Espero que tu voltes a olhar para a base. O Inter B fez 15 jogos esse ano. Ganhou 13 e empatou 2. Deve ter uns dois ou três jogadores aproveitáveis lá. A direção gosta de gastar dinheiro, mas eu olharia para as divisões inferiores. É claro que agora seria sacanagem trazer gente de lá. Seria como tirar os guris de uma sala confortável para colocá-los em uma casa incendiando. Só o Winck poderia vir agora. Aliás, ele tem jogado como meia e tu sabes que só temos Dale e o improvisado Uendel para jogar ali, né?

E a Série B é uma barbada. É só jogar um pouquinho, só que sem jogar não vai mesmo.

Não sei como tu vais fazer. Não há tempo para treinar e, pelo que noto, nenhum projeto sério a não ser contratar loucamente. Vais precisar de sorte, repito.

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Bom dia, Odair (com os melhores momentos de Inter 2 x 1 Palmeiras)

O Inter voltou a jogar bem contra o Palmeiras, voltou a sentir a falta de preparo físico — o time morre aos 20 minutos do segundo tempo –, voltou a se retrair quando achou que estava classificado — maldito cacoete adquirido com Argel e que foi o responsável pela nossa queda para a Série B –, voltou a perder a disputa em razão do item anterior e Nico López voltou a desperdiçar oportunidades. O gol marcado pelo Palmeiras ao final da partida deu-lhes a vaga e agora nossa vida é a Série B e a Primeira Liga.

D`Alessandro após o marcar o primeiro. O passe de Edenílson foi um primor.

D`Alessandro após o marcar o primeiro. O passe de Edenílson foi um primor. | Foto: Ricardo Duarte

Por favor, esqueçam a Primeira Liga, nossa vida é a Série B.

E lá estamos com dificuldades de vencer em razão da falta de articuladores. Só D`Alessandro faz isso. Aliás, ontem Edenílson jogou muito e auxiliou Dale na função. É um caminho.

Mas a Copa do Brasil já era. Creio que Guto Ferreira possa ter feito boas observações no jogo de ontem. O preparo físico precisa melhorar, a dedicação tem de ser a mesma e o time tem que reaprender a evitar as viradas dos adversários tocando a bola e não recuando e dando chutões.

Afinal, reza a Lei de Marcelo Bielsa:

O time que abdica de jogar com a bola, multiplica o número de bolas que o adversário terá.

A qual pode ser completada pela Lei de Andrade. O ex-grande jogador e treinador do Flamengo dizia:

O time que está sem a bola corre o dobro.

Há também uma Lei de Cruyff, que diz:

Há apenas uma bola em campo, então você precisa tê-la.

Sem estas três considerações razoavelmente cumpridas e mais um bom preparo físico, vai ser complicado.

Agora as coisas estão bem claras. Há 35 jogos da Série B até o final do ano. O resto é bobagem.

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A carta de despedida de Totti: “Tira os calções e as chuteiras porque, a partir de hoje, és um homem”

Adaptado do Público.pt

Ontem, domingo (28/05/2017), Totti, o eterno capitão da AS Roma, despediu-se definitivamente da braçadeira de capitão e dos gramados. Il Capitano manteve-se fiel durante 24 anos à camisa do clube ao qual chegou ainda criança. Ele despediu-se dos torcedores e do mundo do futebol numa carta emocionada. Aos 40 anos, o jogador tinha anunciado a sua saída no início deste mês. O momento de despedida comoveu o Estádio Olímpico, cujos gramados pisava desde os 16 anos, disputando mais de 780 jogos pelo emblema romano, sempre com a camisola número dez da equipe italiana.

Ele foi torcedor desde sempre da Roma. Gandula do clube quando menino. Estreou entre os titulares aos 16 anos. Capitão do time onde jogou por 24 anos. Campeão italiano em 2000/2001. Campeão mundial pela Itália em 2006. Maior artilheiro da Roma.

A seguir, a carta de Totti:

Totti despedida

Obrigado, Roma. Obrigado mãe, pai, irmão, familiares e amigos. Obrigado à minha mulher e aos meus três filhos. Quero começar pelo fim, pelas despedidas, porque não sei se serei capaz de terminar estas linhas. É impossível resumir 28 anos (ele conta os anos nas divisões inferiores) em algumas frases.

Gostaria de fazer isto com uma canção ou um poema, mas não sou capaz de os escrever e tentei, ao longo de todos estes anos, expressar-me através dos meus pés, o que, desde que era criança, tornou tudo muito mais simples.

Por falar na infância, conseguem adivinhar qual era o meu brinquedo favorito? Uma bola de futebol, claro! Ainda é. Mas crescemos ao longo da vida. Foi isso que sempre me disseram e foi o que o passar do tempo decidiu. Maldito tempo.

O mesmo tempo que, no dia 17 de Junho de 2001, só queríamos que passasse mais rápido. Não aguentávamos esperar mais pelo apito final. Ainda fico arrepiado quando me recordo desse dia. Hoje, esse mesmo tempo bateu-me nas costas e disse: “Precisamos crescer. Amanhã serás um adulto. Tira os calções e as chuteiras porque, a partir de hoje, és um homem e não poderás continuar a sentir o cheiro do gramado, o sol a bater no rosto enquanto assistes ao golo dos rivais, a adrenalina a te consumir, a satisfação de celebrar’.

Nos últimos meses, perguntei à minha mulher porque é que eu estava acordando deste sonho. Imaginem que são crianças e estão a ter um bom sonho. De repente, a nossa mãe acorda-vos para ir para a escola. Querem continuar a sonhar, tentam dormir outra vez, mas já não é possível… Desta vez, não é um sonho. É realidade. E não posso voltar a dormir.

Quero dedicar esta carta a todos vocês. A todas as crianças que torceram por mim. Às crianças de ontem, que cresceram e hoje são pais, bem como às crianças de hoje que talvez gritem “Tottigol”. Gosto da ideia de que, para vocês, a minha carreira é um conto de fadas a ser contado. Agora acabou. Vou tirar esta camisa pela última vez. Ficará guardada, ainda que não esteja pronto para dizer “chega”. Talvez nunca esteja.

Desculpem por não dar entrevistas para esclarecer os meus pensamentos, mas não é fácil apagar a luz. Tenho medo. E não é o mesmo medo que se sente quando se está prestes a bater um pênalti. Desta vez, não posso ver o que está à minha frente como via pelos buracos da rede.

Permitam-me que tenha medo. Desta vez, sou eu que preciso de vocês e do amor que vocês sempre me deram. Com o vosso apoio, vou conseguir virar a página e começar uma nova aventura.

Agora, é hora de agradecer a todos os meus companheiros de equipe, treinadores, diretores, presidentes e todos os que trabalharam ao meu lado nesta jornada. Para os torcedores, digo que ter nascido romano e romanista é um privilégio. Ser o capitão desta equipe é uma honra.

Vocês são e sempre serão a minha vida. Os meus pés vão deixar de vos emocionar, mas o meu coração estará sempre com vocês. Vou descer as escadas e entrar no vestiário que me acolheu ainda criança e que agora deixarei com um homem.

Estou orgulhoso e feliz de ter dado ao Roma 28 anos de amor. Amo vocês todos.

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Bom dia, Zago (com os “melhores lances” de Paysandu 1 x 0 Inter)

Parabéns, Zago. Ficarás recebendo um bom salário até dezembro sem precisar mexer um dedo para isso. A semana passada foi só de treinos e… Teu time foi uma bagunça tal que copiei a imagem abaixo. É o que farias se quisesses fritar um ovo.

Zago preparando um ovo frito (Imagem, idem...)

Zago preparando um ovo frito | Imagem roubada de alguém do Facebook. Esqueci de quem…

A diretoria está numa sinuca de bico. Novamente. Há quase dois anos sem um bom técnico —  Argel, Falcão, Roth, Lisca e Zago foram brincadeiras, né? –, só posso concluir que nossos queridos diretores estejam induzindo escalações a fim de satisfazer empresários. Só isto explica as verdadeiras loucuras de alguns times de Zago. Era um bota este, saca aquele que não podia dar certo. Era um time diferente e cada jogo. Vejamos quem será a próxima vítima. Acho que Marcelo Oliveira não viria porque é complicado mandar nele. E Levir?

Assisti ao jogo do Inter somente sábado à noite. Um ser humano tem que ter valores. Guinga estava se apresentando e o show foi tão bom que nem ver a derrota do Inter me tirou a boa sensação de musicalidade. Mas, meu deus, que desastre esse teu time.

D`Alessandro não jogou. Ele é o único armador DE TODO O GRUPO. Com a ajuda de Alexandre Perin, vamos revisar aos 13 contratados de 2017.

Quatro zagueiros: Neris (que já foi embora), Cuesta, Klaus e Danilo Silva
Um lateral-direito: Alemão
Dois laterais-esquerdos: Uendel e Carlinhos
Dois volantes: Edenílson e Felipe Gutierrez
Quatro atacantes: Róberson, William Pottker, Marcelo Cirino e Carlos.

Nenhum armador.

E dispensamos seis jogadores desse setor: Anderson, Andrigo, Alex, Valdívia, Gustavo Ferrareis e Seijas. É claro que apenas Valdívia poderia render, mas digam-me se faz algum sentido dispensar tantos jogadores do mesmo setor sem reposição. E Dale tem 36 anos. É uma piada. Isto só reforça minha impressão de que estamos seguindo as ondas dos negócios dos empresários, sem maior planejamento.

Contra o Paysandu, formou-se um latifúndio entre os três volantes e os três atacantes. Desculpem, mas chegou a ser engraçado. Lembrei de Gainete como técnico em 1977. O time apresentava o mesmo problema e a torcida vaiando loucamente o colorado num jogo no Beira-Rio (Inter 1 x 4 São Paulo). Eu estava lá. Vi o jogo e depois fui para o famoso Portão 8 com aquela imagem na cabeça: o meio-de-campo povoado só por são-paulinos… Tanto naquele longínquo 77 quanto no último sábado, nós entregávamos o meio.

Imagem roubada de alguém do Facebook. Esqueci de quem...

Imagem idem…

Mas não adianta falar muito. Zago foi embora e desejo sorte à diretoria na escolha da nova vítima. Será que alguém vai pensar na boa ideia de dar autonomia ao novo treinador?

Ah, e o preparador físico do Zago deixou o time muito mal fisicamente. No final da partida, o Inter se movimentava como um time de masters.

Permaneço achando que a Série B é uma barbada, mas temos que levá-la a sério antes que sejamos engolidos por crises e nervosismo. E por favor, contratem ARMADORES.

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Bom dia, Zago (com os gols perdidos e feitos de Inter 1 x 1 ABC)

Zago, dizer que o Inter perdeu seis ou sete gols feitos (ver melhores lances abaixo) é verdade. Dizer que o goleiro Edson do ABC foi o melhor em campo também. Mas também é fato que o Inter parece ter cansado da incompetência de seus atacantes perdendo gols e mais gols e levou um sufoco da fraca equipe do ABC no segundo tempo. Perder tantos gols desmotiva. E Cirino e Nico López foram especiais no quesito.

Cirino erra mais uma conclusão | Foto: Ricardo Duarte

Cirino erra mais uma conclusão | Foto: Ricardo Duarte

Mas, sabe?, acho realmente inacreditável que, após os bons jogos que fizemos contra Londrina e Palmeiras — com três volantes (Dourado, Fabinho e Gutiérrez), D`Alessandro pela direita, Cirino pela esquerda e Nico no meio — tu tenhas mudado o esquema de jogo colocando Pottker no lugar de Dale, Dale no meio, com Fabinho fora e Edenílson no banco (?). Edenílson deveria entrar no lugar de Fabinho e  Pottker no de Cirino, sem mudar esquema de jogo. Nosso atacante pela direita é Dale.

A colocação de mais atacantes no início do jogo foi um erro. Perdemos a posse de bola, Dourado sumiu, a saída de trás ficou assustadora, o time passou a abusar de cruzamentos para atacantes de baixa estatura e… Cirino é tua mais nova paixão? Não vi nada que o justificasse. É um atacante rápido e pouco efetivo. Nico ao menos cria boas jogadas.

Quando fizeste substituições, Zago, erraste mais ainda. Deverias ter melhorado o meio, com Edenílson, mas preferiste trocar Cirino por Diego, outro atacante. Em seguida, substituíste Uendel por Carlinhos e, por fim, Felipe Gutiérrez por outro atacante, Roberson. Tudo errado, portanto.

Lamentáveis também foram as atuações de William e Léo Ortiz, que descem rapidamente a ladeira. Talvez seja bom considerar Danilo Silva.

Os torcedores que pediram tua saída estão cobertos de razão. Tu mudas o time com quem troca de cueca. Ganhamos apenas um jogo dos últimos sete, a diretoria adquiriu um bom time todo novo e tu não dás resposta.

Na tua entrevista coletiva, deste uma resposta no mínimo bizarra:

– O modelo é esse. (…) O time tem um padrão de jogo, um esquema já bem definido e esperamos trabalhar cada vez mais em cima disso.

Modelo? Padrão de jogo? Esquema definido? Como assim, se tu mudas o esquema a cada jogo? O torcedor não é trouxa, Zago. A Série B é uma barbada e tu estás complicando as coisas com tuas indecisões. Esta alteração de esquema dos jogos contra o Londrina e Palmeiras para o do ABC foi impossível de entender. A não ser que Cirino tenha um super-empresário.

Espero que o empresário de Edenílson tenha peso para que ele entre logo no lugar de tua nova paixão.

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Um breve momento entre deuses: Hobsbawn, Bolaño e Pasolini

A causa a que devotei boa parte da minha vida não prosperou. Eu espero que isto me tenha transformado em um historiador melhor, já que a melhor história é escrita por aqueles que perderam algo. Os vencedores pensam que a história terminou bem porque eles estavam certos, ao passo que os perdedores perguntam por que tudo foi diferente, e esta é uma questão muito mais relevante.

ERIC HOBSBAWN na contracapa do livro “Pessoas Extraordinárias”

Então, o que é um texto de qualidade? É o que sempre foi: ou seja, enfiar a cabeça no escuro, saber saltar no vazio, sabendo que a literatura é basicamente uma profissão perigosa. É correr ao longo da beira do precipício: de um lado do abismo sem fundo, de outro, os rostos que você ama, os rostos sorridentes que você quer ver, e livros, e amigos, e comida. É aceitar essa evidência, embora, por vezes, pese mais a laje que cobre os restos dos escritores mortos. A literatura, como diria um andaluz, é um perigo.

ROBERTO BOLAÑO

O futebol é a última representação sacra de nosso tempo. No fundo é um ritual, mesmo que seja um passatempo. Enquanto outras representações sacras, até a missa, estão em declínio, o futebol é a única que nos restou. O futebol é o espetáculo que substituiu o teatro.

PIER PAOLO PASOLINI

Abaixo, um “.gif” de Pasolini jogando futebol e uma foto de sua squadra:

Pasolini é o primeiro em pé, à esquerda. O time é o do Casarta, de sua cidade natal, de mesmo nome, na região Friuli.

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Bom dia, Zago (com os melhores lances de Londrina 0 x 3 Inter)

O Inter teve uma estreia tranquila sábado à tarde na Série B. Com três volantes — o fraco Fabinho, mais Dourado e Gutiérrez — e três atacantes móveis — Dale, Nico e Cirino –, o time saiu-se bem contra um adversário bem ruim. Ah, a Série B… Creio que vamos fazer um percentual bastante alto de pontos em casa, conquistaremos 50% dos pontos fora e vamos acabar líderes da joça.

Nico fez dois | Foto: SC Internacional

Nico fez dois | Foto: SC Internacional

É um campeonato muito fraco e os últimos grandes que caíram voltaram facilmente. Atlético-MG, Corinthians, Botafogo e até o Vasco voltaram no ano seguinte. O Grêmio quase não voltou em 2005, mas estava mal preparado com Sandro Goiano, Nunes, Domingos, Lipatín, Marcel, Escalona e outras peças sem explicação… Não é nosso caso. Então, 2017 será um ano de muitos pontos, futebol feio e algumas goleadas como a de sábado.

Preocupa-me ainda o fato de estarmos com tantos goleiros machucados. O quarto goleiro Daniel mostrou-se estabanado e até deixou passar uma bola que fora buscar sozinho fora da área. Meu deus, o que foi aquilo? Depois correu de volta a agarrou a coisa antes que algum atacante do Londrina chegasse. Já pensaram esse jovem contra o Palmeiras? Acho que teremos que lançar mão de Danilo Fernandes e de seu pé recém operado em São Paulo.

Tu, Zago, deste finalmente uma entrevista bem posicionada. Disseste que temos que antecipar a classificação o máximo possível. Concordo. Nada de sustos ou aflitos. Aquilo é para os fracos.

O próximo jogo será na quarta, contra o Palmeiras, em São Paulo, pela Copa do Brasil. Na Série B, voltamos a atuar no sábado, contra o ABC, no Beira-Rio.

Mas saiba, Zago, não jogamos bem. A ruindade do Londrina pegou em nós durante boa parte da partida. Só que era impossível acompanhá-los 100%.

Boa sorte!

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Bom dia, ou boa noite, Zago (com os melhores lances de NH 1(3) x 1(1) Inter)

O Novo Hamburgo mereceu ganhar o campeonato, claro. Foi líder de ponta a ponta. Porém, quando Ernando marcou o gol contra, imediatamente lembrei do Luís Eduardo Gomes, colorado e excelente repórter do Sul21. Desde o início do ano ele diz que os caras que afundaram o Inter em 2016 não deveriam ser escalados nunca mais. Nunca mais. E Ernando, Paulão, Andrigo, Ferrareis e Anselmo fazem parte da lista. Hoje, o Louis teve mais razão do que nunca. O lance do gol do NH foi patético. A impressão foi a de que Ernando quis fazer aquilo, tão perturbado entrou em campo. Pareceu 2016 invadindo 2017. E a cabeçada de Ernando foi a única bola a chegar ao nosso gol durante todo o jogo…

Já que o site do Inter teve o cuidado de não publicar fotos de Ernando, coloco uma foto de quem o escalou. | Foto: Ricardo Duarte

Já que o site do Inter teve o cuidado de não publicar fotos de Ernando, coloco uma foto de quem o escalou. | Foto: Ricardo Duarte

De onde tu, Zago, tiraste a ideia de trazer Ernando justo para o jogo final? Nada contra a dignidade pessoal dos atletas da lista, só que eles não têm mais ambiente e são detestados pela torcida. Devem seguir suas carreiras em plagas distantes. Por que insistir? E havia Ceará na reserva, lateral direito acostumado a ser improvisado do lado esquerdo. Não seria uma opção mais inteligente do que improvisar um zagueiro na posição?

Ao final do campeonato ninguém mais lembra dos pênaltis surrupiados — houve mais um hoje — e dos gols perdidos. Futebol é resultado. Ninguém hoje dá bola para o fato de que o lesionado Danilo Fernandes não tocou na bola durante os 48 minutos do segundo tempo, quando o Inter teve uma escalação sem invenções. Porque não adianta, é imbecilidade falar nisso.

Ah, as invenções… Na minha opinião, o Inter perdeu a disputa no domingo passado ao entrar com três volantes em campo. Ou seja, tudo começou com a escalação de Anselmo e foi coroado pela entrada de Ernando hoje. E a Lei de Luís Eduardo Gomes permanece válida. Tu, Zago, conseguiste perder uma decisão de campeonato para um time tecnicamente inferior. Nos momentos em que pressionamos, isso ficou escancarado. O NH passava a dar chutões. Só que isso só acontecia quando estávamos atrás no placar. (Aliás, nunca estivemos na frente).

E não venha me dizer que tu mudas o jogo no intervalo. Tu apenas corriges erros evidentes.

Era a vez dos azuis, fazer o quê?, mas será que um dia tu saberás te impor e ganhar? Sei não…

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Bom dia, Zago (com os melhores lances de Inter 2 x 2 Novo Hamburgo)

Três volantes para jogar no Beira-Rio, Zago? Três volantes no Beira-Rio para depois decidir fora? Quantos colocarás em Novo Hamburgo? Quatro? Está certo que é um time da região de imigração alemã do RS, mas, veja bem, não é a Seleção da Alemanha, não nos meteria 7 x 1 mesmo se jogássemos como um time grande. Com este esquema, já tínhamos jogado mal em Caxias. E o que fizeste? Repetiste tudo, deixando D`Alessandro sozinho na armação. Viramos o primeiro tempo perdendo e o que tu fazes? Ah, tiras o volante Anselmo. E ganhamos o segundo tempo por 2 x 1.

O volante Anselmo é um problema. Achei legal ele beijar a criança que levava no colo antes dos hinos, mas foi só. Ele atrapalha os avanços de Dourado e, quando recebe a bola para passar, erra. Ao escalar Anselmo, tu esculhambas boa parte da mecânica do time. Além disso, paradoxalmente, os três volantes batem cabeça no meio de campo, deixando largos espaços ao adversário. O time parece mais seguro com dois. Anselmo pode ser um substituto do Dourado mas não jogar ao lado dele. Melhor entrar com Valdívia ou mesmo Roberson.

O volante Anselmo: logo depois, ele deve ter entregado a bola para o contra-ataque do NH | Foto: Ricardo Duarte

O volante Anselmo: logo depois, ele deve ter entregado a bola para mais um contra-ataque do NH | Foto: Ricardo Duarte

Dizem que a Folha de Pagamento do Inter gira em torno dos 7 milhões de reais e que a do NH bate em 150 mil. Isto indica que a qualidade técnica de nossos jogadores deve ser melhor. E é, tanto que fizemos dois gols num time melhor organizado do que o teu. O gol de Nico López foi uma pintura a que o NH não pode aspirar fazer. Só que eles são muito competentes como equipe e tu ainda não acertaste o time, além de dar mostras de medo.

Já o goleiro Keiller é um terceiro goleiro de 20 anos que está jogando em razão da lesão dos dois titulares. Ele falhou lamentavelmente no segundo gol do Noia, talvez no primeiro também. Mas não podemos responsabilizá-lo. Era uma decisão e é normal que ficasse nervoso. Espero que Lomba ou Danilo possam jogar em NH, pois o guri não merece essa fogueira.

A propósito, o Inter pode fazer a final do Gaúcho sem goleiro profissional. Como sabemos, Danilo Fernandes quebrou o pé, Keiller, o braço, e Marcelo Lomba está com uma distensão grave. Só temos 3 goleiros inscritos e o adversário, consultado pela Federação (pois é um caso não previsto no regulamento), não permitiu que o Inter inscrevesse um quarto. Diversão para o domingo que vem.

E como gostamos de cruzamentos, não, Zago? Brenner já cabeceia mal e hoje estávamos com Carlos que é tudo menos cabeceador. Parece que tudo leva à bola alta. O goleiro do NH cansou de sair tranquilamente para agarrar a bola em cruzamentos para ninguém.

Não sei se seremos campeões no próximo domingo, não vai ser mole, ainda mais se tu seguires complicando.

(Ah, Argel, que é MUITO MAIS INCOMPETENTE do que tu, acaba de ser demitido do Vitória).

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Tô dizendo…

O super-gremista Mauro Messina, sócio do melhor sebo de Porto Alegre, o Ladeira Livros, ficou muito mal após a eliminação do Grêmio no Campeonato Gaúcho. Está agindo estranhamente. Imaginem que ele me mandou a foto abaixo, dizendo: “Parecem tu e a Elena”. Só que são Arthur Miller e Marilyn Monroe.

Mauro, foi só um jogo de futebol. Outras vitórias virão e, com elas, a recuperação. Afinal, vocês são imortais, lembra?

(E, incrivelmente, a Elena não sabe andar de bicicleta…).

Arthur Miller Marilyn Monroe

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Bom dia, Zago (com os lances da classificação e as alegrias que o Grêmio nos dá)

Zago, não creio que o Inter possa considerar-se favorito ao hepta-campeonato. Mas, com a inacreditável eliminação do Grêmio, deixamos a posição de azarões para vislumbrarmos certa possibilidade de título. Contudo, fizemos uma partida miserável no Centenário. O Caxias venceu o jogo pelo mesmo placar que perdera em Porto Alegre, só que jogou muito melhor do que nós, foi superior e mais organizado. Tivemos duas parcas oportunidades de gol com Edenílson e Uendel, uma em cada tempo, apenas isso. Creio que houve alguma ressaca pela vitória contra o Corinthians no meio de semana, mas, mesmo assim, o baile foi demasiado. Como tem acontecido no Costelão 2017, o árbitro nos prejudicou, só que nosso pouco futebol foi ainda mais claro que os repetidos erros contra nós. (O que foi aquele pênalti não marcado??? Hahahaha). Ademais, árbitros têm que ser superados. Faz parte.

D`Alessandro: não jogou nada, mas como é esperto!

D`Alessandro: não jogou nada, mas como é esperto…

A alegria nos veio do jogo do Grêmio. Apresentando mau futebol, técnico ainda mais fraco e estratégia equivocada, o Imortal foi eliminado pelo surpreendente e corajoso Novo Hamburgo. Porém, nosso tema é o Inter.

Com D`Alessandro sobrecarregado na armação — resultado da colocação de Uendel na lateral –, com Anselmo sem saber o que fazer com a bola, aquele objeto estranho –, com uma dupla de zaga bem atrapalhada — a sorte de Léo Ortiz é sobrenatural — e a ruindade do lateral Alemão, não havia mesmo como fazermos grande coisa. Aliás, a expulsão de Brenner me preocupa. O empurrão que ele deu no juiz não foi acintoso, mas pode ser transformado em agressão nos tribunais, sim senhor. Deve ser a terceira expulsão tola de Brenner que, por sinal, está louco para entrar na lista de ruindades do time, pois simplesmente parou de jogar.

Zago, não temos padrão de jogo. A bagunça defensiva é um fato e três volantes — Dourado, Anselmo e Edenílson — deixam a armação apenas para o velhinho Dale. Não dá.

A boa notícia é que vamos perdendo goleiros e vão aparecendo outros. Esse Keiller me pareceu muito bom! Só que agora não há mais reservas inscritos. Ele é o último da fila e a direção vai pedir para colocar Daniel (?) entre os inscritos. Duvido que consiga. Também merece elogios o atacante Diego, o jovem que bateu calmamente o último pênalti de série. Ele já havia batido — e marcado — em São Paulo, contra o Corinthians.

E parabéns a D`Alessandro por ter provocado a torcida do Caxias após marcar seu gol na decisão por pênaltis. É sempre bom irritar adversários quando de uma série de cobranças. Eu dava risada na frente da TV com aquele senhor indignado, querendo agredi-lo. Acho que o argentino tem que dar aulas de malandragem para o resto do grupo. Mas malandragem não se aprende, tem que ser inteligente mesmo e aí fica difícil.

Então, apesar das alegrias que o Grêmio nos dá, não podemos comemorar mais do que o merecido coral de flautas de ontem à noite. Renato é mesmo “O incrível caso do treinador que poupou titulares na Libertadores para a semi do Gauchão”. E acabou atropelado. Fica, Renato!

Aqui, os melhores lances do jogo do Inter:

E agora, as alegrias que o Grêmio nos dá:

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Bom dia, Zago (com os melhores lances de Corinthians 1 (3) x 1 (4) Inter)

Coloradagem reunida para ver o jogo ouvindo música: Francisco Marshall, Rovena Marshall, Paulo Moreira, Adriano Cunha, Norberto Flach, Lavard Skou Larsen, Milton Ribeiro e Cláudia Beylouni Santos | Foto: Elena Romanov

Coloradagem reunida para ver o jogo ouvindo música: Francisco Marshall, Rovena Marshall, Paulo Moreira, Adriano Cunha, Norberto Flach, Lavard Skou Larsen, Milton Ribeiro e Cláudia Beylouni Santos | Foto: Elena Romanov

Como já disse, o objetivo deste ano é o de voltar para a Série A, de onde saímos por obra e graça do quinteto Piffero-Carvalho-Pelegrini-Argel-Roth, com auxiliares. Porém, como é tranquilizador um resultado como o de ontem! Ele deixa claro o bom trabalho realizado por esta direção na reconstrução do time em campo. Pensar que, em 20 de abril do ano seguinte ao maior fiasco da história do clube, o Inter não está tomando 4 x 0 do Anapolina e não deverá passar pela vergonha de uma Batalha dos Aflitos é de entusiasmar. Ao contrário, ontem nós eliminamos o poderoso Corinthians na Copa do Brasil com dois empates, o segundo fora de casa.

Acho que todos os interessados em futebol viram a partida, então vou comentar apenas os fatos principais do Inter. Tivemos coragem e personalidade, tivemos a sorte de perder Roberson por lesão, tivemos um goleiro (Marcelo Lomba) seguro que dava tranquilidade ao time e tivemos Dourado, Uendel e Nico López realizando atuações grandiosas, não obstante a clara antipatia que tu, Zago, tens pelo uruguaio.

Há que considerar que jogamos sem Carlinhos e Edenílson, jogadores importantes, para não falar da ausência do fundamental D`Alessandro. Tais fatos, que serviriam de fácil justificativa para uma derrota em São Paulo, foram ignorados por um time que se comportou como o grande que é, não como aquele cãozinho com o rabo entre as pernas do quinteto citado no primeiro parágrafo. Ou seja, o Inter foi o Inter.

E repito: tanto faz se perdermos o hepta gaúcho, o importante é ter time para jogar a Série A em 2018. Porém, vocês nos conhecem: o que vier a mais, receberemos com alegria.

Espero que ontem tenhamos sepultado 2016.

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Bom dia, Zago (com os melhores lances de Inter 1 x 0 Caxias)

Nico pode ser o melhor em campo, mas sempre sai | Foto: Ricardo Duarte

Nico pode ser o melhor em campo, mas sempre sai, com a permanência do horroroso Roberson | Foto: Ricardo Duarte

Vi apenas o primeiro tempo de Inter x Caxias. Foi um massacre colorado. Me disseram que o segundo tempo foi de predomínio caxiense e de grandes dificuldades para o Inter. Eu acredito. Me apavorei só de assistir aos melhores lances do jogo. O que foi aquele gol bem anulado no final. Onde estava a marcação?

Vi mais do jogo do Grêmio ontem. Depois de Bolaños receber repetidos presentes para abrir o placar contra o Veranópolis e do ridículo Iquique, botaram um time de futebol para enfrentar o tricolor. E eles quase tomaram uma virada do NH, que perdeu gol sem goleiro e ainda teve um pênalti não marcado pelo querido Diego Real, o mesmo sujeito quer fez o Inter perder para o Juventude após todos os seus auxiliares terem lhe asseverado que não fora pênalti. Em Inter e Juventude ele viu o que não houve, mas, a favor do Grêmio, ele não viu isso.

No pênalti, a camiseta do cara rasgou. Desculpe, mas é muita vontade de ver o Grêmio campeão gaúcho. Muita vontade. Estava no Beira-Rio no primeiro jogo entre Inter e Cruzeirinho. Nem sei quem era o árbitro, mas já tinha sentido a má vontade gratuita do cara…

A verdade é que estou mais preocupado com quarta-feira. Acho que o Corinthians é favorito, mas temos boas chances. Espero que o Edenílson possa jogar e que Brenner volte a entrar em campo. Suas últimas atuações são de  matar. Assim como está, a gente fica com desejo imediato de Pottker, Brenner.

E, Zago, por favor. Repetir Roberson no meio campo? Tu tá louco? E aquelas substituições? Deixar Roberson em campo para tirar Nico López parece piada. Tu tens parte do passe dele e queres o lucro, não? Só pode. E Anselmo é um deboche com o torcedor colorado, como escreveu meu amigo Marcelo Furlan.

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Bom dia, Zago (com os melhores lances de Inter 1 x 1 Corinthians)

Dourado: ressurreição em plena Páscoa

Dourado: ressurreição em plena Páscoa | Foto: Ricardo Duarte

Vamos combinar algumas coisas bem simples. Sim, foi um jogaço. Foi eletrizante. Mas voltemos um pouco.

Qual é o objetivo do Inter em 2017?
Ora, sair da Série B.

Tem time para isso?
Sim, já tem e até possui alguns reservas interessantes. Ainda receberá Felipe Gutiérrez, que estreou ontem, e William Pottker, bom jogador da Ponte Preta que chega depois do Paulista.

Tem técnico para sair do buraco?
Aparentemente, sim. Ontem vimos até jogadas ensaiadas, coisa com a qual éramos proibidos até de sonhar com Argel e Roth.

O Inter tem obrigações no Gaúcho ou na Copa do Brasil?
Sim, um time grande sempre é altamente cobrado, porém, em 2017, após aquele fiasco comandado pelos incompetentes Piffero-Carvalho-Argel-Pellegrino-Roth, espera-se um mínimo. E o mínimo é sair da Série B.

Por isso tudo, achei maravilhoso o empate de ontem contra o Corinthians. Diante de 34 mil torcedores, o Inter jogou muito mais que o Corinthians durante todo o primeiro tempo. Teve pelo menos quatro chances claras de gol, desperdiçadas por Brenner, Nico López e Cuesta. Mas as duas maiores defesas foram do nosso goleiro Marcelo Lomba, em chutes de Romero, além de um milagre em chute de Maycon.

No início do segundo tempo, logo aos 7 minutos, o Corinthians marcou, fazendo voltar todos os fantasmas de 2016. Mas aos 11 um espetacular Rodrigo Dourado — jogando em sua verdadeira posição de volante-quase-zagueiro –, recebeu um cruzamento de Nico López e empatou o jogo de cabeça.

O que é animador é que jogamos bem, propondo o jogo e fazendo pressão. É provável que não consigamos a classificação, mas teremos sido dignos, algo que não fomos durante todo o 2016. Também podemos perder o Gaúcho, mas o importante é que façamos uma boa e tranquila Série B.

Mas ontem, Zago, tu voltaste a errar. A entrada de Carlos no lugar de Brenner tirou nossa possível contundência e a saída de Nico López foi pior ainda. Valdívia entroiu bem, mas Nico era nosso melhor atacante. Deveria ter saído Carlinhos, obviamente, com Ueldel indo para a lateral.

A propósito, que grande acerto foi a contratação de Edenílson! E como entrou bem o Marcelo Lomba!

Acho que a dupla Oriz e Cuesta ainda está insegura. Me dá medo.

Enfrentamos um time muito bem organizado de igual para igual. Se mantivermos esta evolução, chegaremos onde queremos chegar.

Ah, importante e rara grande atuação do árbitro Wagner Nascimento Magalhães (RJ). Acostumados que estamos aos juízes gaúchos, até ficamos surpresos com a boa qualidade do trabalho de Wagner.

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