Um trecho de Karl Ove Knausgård

Um trecho de Karl Ove Knausgård

Há um trecho de “Um Outro Amor (Minha Luta 2)”, de Karl Ove Knausgård, que só é bem entendido pelos amantes de futebol. O autor estava jogando uma pelada quando caiu violentamente sobre o próprio ombro.

Como as dores eram lancinantes, seus colegas levaram-no a um hospital. Ele ficou aguardando por uma hora numa sala de espera — sim, em Estocolmo, Suécia — sentindo dores horríveis e sem conseguir uma posição confortável. Um inferno.

Chega então a médica e diz que provavelmente ele quebrara a clavícula, mas que ela teria que examiná-lo melhor. Sai da sala e retorna com uma tesoura na mão.

— O que a Sra. vai fazer?

— Vou cortar sua camiseta porque com essas dores que Sr. sente não é adequado mexer os braços.

— Cortar a minha camiseta da Seleção da Argentina?

Bom dia, Odair (com os gols de Inter 2 x 1 Vitória)

Bom dia, Odair (com os gols de Inter 2 x 1 Vitória)

Deliciosa entrevista de Dale após o jogo:

— Vc era o mais velho hoje em campo.
— Não, acho que o juiz era mais velho.
— Ele tem 33 e vc 37.
— Porra, vcs querem me matar! Mas os treinadores eram mais velhos. O Carpeggiani e o Papito (Odair) têm mais que 37!

Ele falou também sobre a nova fase de sua vida. Como encara a reserva.

— Olha, fico no banco sem poder falar com o juiz, é difícil! Tava com saudade. Hoje falei bastante.

Dale foi perfeito na sua entrevista. Disse que o que se fala dentro de campo morre dentro de campo senão os torcedores se matariam.

Ah, sobre a partida, Odair: na última segunda-feira, Pai Milton da Bambô já tinha dito:

Não sou apocalíptico, sei que ainda estamos bem, mas acho que temos que melhorar. As últimas atuações não apontam para um futuro brilhante. São muitos passes errados, jogo atabalhoado e uma notável dificuldade na criação de jogadas de ataque. Teremos muito trabalho nos jogos no Beira-Rio contra os pequenos times retrancados. Aí vem o Vitória, Odair!

Agora, imaginem a dificuldade do Inter após fazer um ridículo gol contra aos dois minutos de jogo?

Quem, neste momento, não lembrou do pênalti mal batido contra a Chapecoense? Poderíamos ser líderes isolados, Odair… | Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional

Foi um parto ganhar do Vitória, ainda mais com um árbitro fraco que anulou um gol legal e depois inventou um pênalti que nos salvou. Eu achei que “os boi já tinham ido embora com a corda toda” e que não viriam os três pontos. No início do segundo tempo, com o Vitória ainda na frente, já estava puto com todo mundo. Depois empatamos — linda cabeçada de Damião! –, mas voltei a me enfurecer com a anulação do gol de Nico López, uma pintura. Mas a sorte tem-nos sorrido mais do que merece nosso rostinho comum e desajeitado. Aquele pênalti… Nem vou falar nele.

Odair, acertaste ao preencher a ausência de Patrick por um D`Alessandro esforçado e um pouco fora de embocadura, mas que permaneceu em campo para bater o pênalti da virada. Acho que, como Edenílson receber o terceiro cartão amarelo, nosso jovem de 37 anos merece mais uma chance contra o Sport fora de casa, não?

Depois quando todos estiverem aptos, Dale poderia entrar no lugar de Pottker, né Odair? Pottker não está jogando nada assim como Zeca não jogava. Zeca saiu e olha que bela partida fez Fabiano na lateral direita! Quem não produz merece banco, não achas?

Agora temos 53 pontos em 27 jogos. Somos líderes ao lado do Palmeiras, que nos vence no saldo por 23 a 18. Logo atrás vêm São Paulo (52), Grêmio (50) e Flamengo (49).

Nosso próximo jogo é contra o Sport, sexta-feira, às 19h, fora de casa, sem Cuesta e Edenílson, ambos suspensos por um jogo. No dia seguinte, em São Paulo, no Morumbi, jogam São Paulo e Palmeiras, o que torna importantíssima nossa partida em Recife.

Bom dia, Odair (com os principais lances de Corinthians 1 x 1 Inter)

Bom dia, Odair (com os principais lances de Corinthians 1 x 1 Inter)

Vamos começar pela matemática. Jogamos 12 jogos em casa (faltam 7) e 14 fora (faltam 5). Se tivéssemos ganho TODAS as partidas em casa, faríamos 36 pontos. E se tivéssemos empatado TODAS as fora de casa, faríamos mais 14. Total: 50 pontos. Quantos pontos temos hoje? 50 (terceiro lugar no campeonato, o líder São Paulo tem 51).

Ou seja, uma campanha de quem vence em casa e em empata fora não é uma campanha de campeão, porém é excelente e nos levará certamente a Libertadores, se a mantivermos.

Bem, não fazemos um Brasileirão triunfante, mas estamos muito bem. O que me preocupa é a queda de rendimento de alguns atletas.

Zeca está num buraco, ataca mal e defende pessimamente. É uma substituição certa. Fabiano sempre entra melhor. É bom pensar nisso, Odair. Iago errou todos os cruzamentos ontem.

Ambos são laterais e bons laterais são importantíssimos para levar a bola ao ataque, principalmente quando não há bons armadores.

Também Patrick piorou muito e, como já disse, o setor de armação só funciona com o velho Dale, que só entra nos finais dos jogos a fim de ser marcado furiosamente pelos adversários. Por que não entra mais cedo, Odair?

E Pottker? Não arma, não marca gols, não marca laterais, o que faz?

Não sou apocalíptico, sei que ainda estamos bem, mas acho que temos que melhorar. As últimas atuações não apontam para um futuro brilhante. São muitos passes errados, jogo atabalhoado e uma notável dificuldade na criação de jogadas de ataque. Teremos muito trabalho nos jogos no Beira-Rio contra os pequenos times retrancados. Aí vem o Vitória, Odair!

Damião mostrou toda a sua inabilidade ontem, mas guardou o seu | Foto: Ricardo Duarte

O Brasileiro tem 5 postulantes ao título. Os 5 primeiros terão mais de um confronto direto, mas o Inter enfrentará apenas o São Paulo no Beira-Rio. O São Paulo vai enfrentar os 4 concorrentes diretos, o Palmeiras 3, o Grêmio 3 e o Flamengo 3. Eles vão trocar pontos, a menos que o Palmeiras — melhor time do campeonato — ganhei de todos, o que acho improvável. Com 74 pontos o Inter poderá ser campeão, mas tem que ganhar as 7 em casa e uma fora. Domingo, contra a touca Vitória, é jogo para vencer.

Vejam o levantamento a seguir com os jogos que virão:

São Paulo: 51 Pontos

Botafogo (F)
Palmeiras (C)
INTER (F)
CAP (C)
Vitória (F)
Flamengo (C)
Corinthians (F)
Grêmio (C)
Cruzeiro (C)
Vasco (F)
Sport (C)
Chape (F)

Palmeiras: 50 pontos

Cruzeiro (C)
São Paulo (F)
Grêmio (C)
Ceará (C)
Flamengo (F)
Santos (C)
CAM (F)
Fluminense (C)
Paraná (F)
América (C)
Vasco (F)
Vitória (C)

Inter: 50 pontos

Vitória (C)
Sport (F)
SP (C)
Santos (C)
Vasco (F)
CAP (C)
Ceará (F)
América (C)
Botafogo (F)
CAM (C)
Fluminense (C)
Paraná (F)

Flamengo: 48 pontos

Bahia (F)
Corinthians (F)
Fluminense (C)
Paraná (F)
Palmeiras (C)
SP (F)
Botafogo (F)
Santos (C)
Sport (F)
Grêmio (C)
Cruzeiro (F)
CAP (C)

Grêmio: 47 pontos

Fluminense (F)
Bahia (C)
Palmeiras (F)
América (F)
Sport (C)
CAM (F)
Vasco (C)
SP (F)
Chape (C)
Flamengo (F)
Vitória (F)
Corinthians (C)

O jogo contra o Vitória é no próximo domingo, no Beira-Rio, às 16h.

Bom dia, Odair (com os equívocos de Chapecoense 2 x 1 Inter)

Bom dia, Odair (com os equívocos de Chapecoense 2 x 1 Inter)

Prezado Odair, foram muitos erros para um jogo só. Muitos. Mas o que nos matou ontem foi o erro final — o do pênalti batido por quem não treina cobranças. O Inter não aprende. Já caímos fora de uma Libertadores, com Dátolo, por esse negócio de alguém decidir que vai bater o pênalti e fim, bate mesmo e erra. Já caímos para a segunda divisão pelo mesmo motivo (Paulão e Valdívia). Já perdemos pênalti porque o filho do Christian estava de aniversário e ele queria “dar-lhe um presente”. O presente nunca chegou. E hoje Damião decidiu bater quando quem treina cobranças são Dale e Camilo.

Falta uma coisa simples no Inter: profissionalismo. Talvez falte comando da tua parte, meu amigo. E também respeito ao clube por parte dos jogadores.

Jogamos muito mal. É impossível vencer quando apenas dois atletas atuam bem (Nico López e Edenílson) e depois entram mais dois jogando decentemente (D`Alessandro e Damião), sendo que Dale entrou no lugar de Nico, lesionado.

Jonatan Álvez é realmente uma piada. Qualquer outra alternativa é melhor do que esta ferida uruguaia.  Mantê-lo no time é jogar com um cara sem as mínimas condições técnicas, que não domina uma bola, que não ganha disputas com os marcadores e que erra passes. Jogar com ele é saber que haverá uma substituição. É planejar mal.

Jonatan Álvez: melhor emprestá-lo para o Grêmio | Foto: Ricardo Duarte

Rodrigo Dourado fez uma falta tremenda e Patrick andou desaparecido do jogo. Seu futebol está claramente encolhendo. Iago esteve em campo?

Desta forma, perdemos por 2 x 1, com direito a pênalti batido ridiculamente nos descontos do segundo tempo e com incríveis gols perdidos.

Permanecemos com 49 pontos após 25 rodadas. No próximo domingo, às 16h, teremos o confronto contra o Corinthians, em São Paulo. Faltam 13 jogos, dos quais sete (21 pontos) serão no Beira-Rio. Ainda dá pra ser campeão, mas eu não acredito neste time.

Espero que a atuação de ontem à noite seja esquecida, pois se passarmos a repetir o que fizemos ontem, nem Libertadores.

Djokovic e o Inter

Djokovic e o Inter

Como vocês sabem, o futebol e o tênis são esportes onde a tática é FUNDAMENTAL. Djokovic, por exemplo, tomou pau num monte de jogos em Cincinnati e o US Open e ganhou ambos os torneios. Acontece que ele conseguia quase sempre e a duras penas manter seu saque e vencer os pontos decisivos. E seguia aos trancos, em jogos longuíssimos contra adversários que jogavam mais e que perdiam. O Inter anda assim. Tem uma defesa sensacional, mesmo quando erra passes e mais passes quando está com a bola. E é um time que nunca, mas nunca mesmo, ENCANTA. Apenas GANHA. Isto, nossa tática, nosso jeito de bem explorar o que temos de bom, tem deixado muita gente nervosa e de olhos esbugalhados aqui no sul. Até em entrevistas coletivas.

Bom dia, Odair (com os melhores lances de Inter 1 x 0 Grêmio)

Bom dia, Odair (com os melhores lances de Inter 1 x 0 Grêmio)

O domingo vinha bem calmo, bom e rotineiro, Odair, até a entrevista de Renato. Aquele retrato de dor, frustração e despeito me animou de tal modo que acho que bebi demais com a maravilhoso borscht que os filhos da Elena fizeram. Obrigado, Renato! Ao menos hoje, estou agradecido a ti. Tu deste a nossa vitória uma dimensão que ela não tinha — afinal de contas, era só mais um Gre-Nal vencido por nós. Agradecemos.

Pois é, doeu neles e eu nem sei bem por quê.

Antes do jogo, escrevi o que segue: “Se der a lógica, será 0 x 0. São as duas melhores defesas do campeonato. Deverá ser um jogo de poucos gols, com vitória nossa, espero”. E deu 1 x 0 pra nós. Acho que o Grêmio tem que ser MUITO melhor para ganhar um Gre-Nal no Beira-Rio. E atualmente não é.

Edenilson comemora o único gol do jogo | Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional

A entrevista do Renato após o jogo foi a pior e mais primária que ouvi dele como técnico. Cruzei com o gremistão Moysés Pinto Neto no super e ele disse que o técnico tinha ligado o “modo jogador”. Pode ser, e concordo com meu filho Bernardo Jardim Ribeiro que, chutando mais forte, disse quarta-feira que achava uma penitência para os gremistas terem Renato como ídolo.

O jogo foi o esperado. Tudo muito trancado, com os ataques produzindo pouco. Seguimos com um departamento de criação muito insatisfatório. Após o belo gol de Edenílson, a coisa ficou mais aberta e tivemos um bom jogo com grande pressão do Grêmio.

Dourado e Moledo e Cuesta e Lomba voltaram a jogar muito. Zeca voltou a decepcionar e Uendel entrou muito bem no lugar do suspenso Iago, tendo inclusive dado o passe para o gol de Edenilson. Sabemos, nosso time tem uma excelente defesa, mas sua armação e ataque funcionam apenas mais ou menos.

A estatística atualizada do Gre-Nal agora tem 417 jogos, com 156 vitórias do Inter, 131 empates e 130 derrotas. A disputa está no Gre-Pate, como veem.

O Inter segue em primeiro lugar com 49 pontos em 24 jogos, — 68% de aproveitamento. O São Paulo está grudadinho em nós, perde por um gol no saldo, 18 a 17. Acho que o Palmeiras (3º com 46 pontos) é o melhor time do campeonato e será o campeão com Inter e São Paulo na cola. Mas não custa tentar, né?

Os três líderes jogam fora de casa na próxima rodada: o Palmeiras pega o Bahia (domingo, às 16h), o São Paulo o Santos no mesmo dia e horário, e o Inter a Chapecoense na segunda-feira, às 20h.

.oOo.

De olho no título, o amigo Mahrcos Caniggia dá uma passada nas rodadas até o final:

Tava analisando as rodadas. Em 2016 comecei a analisar as últimas 13 pra não cair, hoje as últimas 14 pra ganhar.

Inter, São Paulo e Palmeiras são os 3 candidatos. Pra mim, eliminamos Flamengo e Grêmio na mesma semana. A partir de agora, cada um tem 7 jogos em casa e 7 fora.

Analisando os jogos fora, os do Inter são os mais acessíveis. Contei 6 vencíveis, contra 5 do São Paulo e 4 do Palmeiras.

Nota: o São Paulo ainda joga os três clássicos, o Palmeiras dois. Ambos jogam contra o Santos fora, São Paulo pega o Corinthians fora e o Choque-Rei entre eles é no Morumbi. No meio disso tudo, Palmeiras tem uma agenda absurda. Porém, não esquecer que os dois pegam o Grêmio em casa e obviamente LOUCO pra entregar, como sempre fazem.

A reta final de São Paulo e Palmeiras é ruim de secar, começa a ficar fácil. Então a ideia é mesmo abrir margem agora.

Se der pra ser campeão com 76 pontos, o Inter precisaria vencer 9/14. 7 em casa + 2 fora. Ou 6 em casa + 3 fora + 2 empates + 3 derrotas = 78.

Bom dia, Odair (com os melhores lances de Inter 2 x 1 Flamengo)

Bom dia, Odair (com os melhores lances de Inter 2 x 1 Flamengo)

Quinta-feira pré-feriado. Dia de muito trabalho para um livreiro como eu e de curtir nossa efêmera liderança do Brasileiro. Afinal, Renato disse que somos um time de segunda divisão. Sinto-me como uma tartaruga lá no alto de um galho de árvore. Sei o que vai acontecer, mas hoje sou uma tartaruga feliz. Bom dia, Odair!

Um flamenguista amigo diz que a tartaruga não subiu na árvore; por lerda, praticamente parada, viu a árvore crescer sob ela, até que se viu na condição de passarinho. Qual é a árvore que sustenta o Inter? Bem, até arriscaria uma resposta — Lomba, Moledo, Cuesta, DOURADO — , mas deixa pra lá.

Dourado após marcar o segundo gol do Inter. O cara defendeu demais e ainda marcou | Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional

Bem, após 23 jogos e 46 pontos, podemos afirmar que não cairemos em 2018. Uma queda já é uma impossibilidade matemática. A liderança? Isso é um detalhe.

Foi uma excelente e emocionante partida que assisti com meu filho. Digo isso porque somos uma dupla de sorte. E o Inter venceu o Flamengo com 33,6 mil pessoas no Beira-Rio. Com a vitória por 2 a 1, ficamos com 66% de aproveitamento e assumimos a liderança da Brasileiro, superando o São Paulo no saldo de gols (17 contra 16).

Saímos na frente com William Pottker aos 5 minutos. No segundo tempo, tomamos um golaço de Vitinho — coisa típica nossa isso de sempre levar gols de ex-jogadores do clube. Foi o primeiro gol sofrido pela defesa colorada após 621 minutos. Mas Vitinho, um baita jogador, merece. A reação foi instantânea. Na jogada seguinte, Nico cavou um escanteio que ele mesmo bateu para Rodrigo Dourado subir alto e decretar a vitória.

O quarteto final — os citados Lomba, Moledo, Cuesta e DOURADO — novamente jogou demais. Zeca foi decepcionante, passando enorme trabalho com Vitinho e Moreno. Atualmente, ele é o furo em nossa defesa. Iago foi discreto e Jonatan Álvez fez boa partida, se considerarmos sua média. Patrick alternou bons e maus momentos e Edmílson, apesar de ter jogado bem, deixou de chutar uma bola decisiva para tentar dribles e simular um pênalti. Aquele lance poderia determinar o terceiro gol do Inter.

Agora é Gre-Nal. Neste domingo, às 16h, o estádio Beira-Rio recebe o clássico de número 417 na história. Nos 416 anteriores, o Inter tem 155 vitórias, enquanto que o excelso Grêmio tem apenas 130. O empate, que ocorreu 131 vezes, está na frente do tricolor. Deve ser duro perder até para os empates.

Bom dia, Renato (com os melhores lances de Grêmio 2 (5) x 1 (3) Estudiantes)

Bom dia, Renato (com os melhores lances de Grêmio 2 (5) x 1 (3) Estudiantes)

Por Samuel Sganzerla

Bom dia para todos aqueles que têm o coração forte para sobreviver às provações que o Grêmio nos traz, que carregam o azul, o preto e o branco na alma. Renato, 28 de agosto de 2018 será um desses dias para se guardar na memória da imortalidade Tricolor.

A derrota por 2 a 1 para o Estudiantes na Argentina, no jogo de ida, acabou não sendo dos piores resultados, graças ao gol qualificado. Entramos ontem à noite em campo sabendo que uma vitória mínima bastaria, que nos colocaria nas quartas e manteria vivo o sonho do Tetra.

Foto: gremio.net
Foto: gremio.net

E o Grêmio começou com todo ímpeto e gana de quem queira buscar o resultado. Porque, te confesso, Renato, eu não vi os primeiros cinco minutos do jogo. Ainda estava entrando na Arena, quando só ouvia os gritos da gurizada nas arquibancadas.

A sagrada cerveja pré-jogo ignorou a possibilidade de haver fila, assim como eu negligenciei o efeito diurético do álcool. No que finalmente ingressamos no estádio, fui reto atender às minhas necessidades fisiológicas.

Estava lavando as mãos quando ouvi a explosão da nação Tricolor, naquele início envolvente que me deixou mais uma marca na data de ontem: foi o primeiro gol que comemorei num banheiro da Arena. E quer saber? Pouco importa!

Importou, na verdade, que, quando finalmente tomamos nossos lugares, no lance seguinte, o primeiro que acompanhamos visualmente, veio o empate deles. Falha rara do Geromito, depois de Jaílson (que, registre-se, jogou muito bem ontem) ter perdido a bola.

“Bom, temos mais de 80 minutos”, pensei eu. E, Renato, foi um verdadeiro massacre Tricolor ontem. O Estudiantes não viu mais a bola depois do empate. E o Grêmio, que tem tido dificuldades para ser efetivo e errado batente na definição dos lances, ontem criou bastante e foi impecável.

Os números me impressionaram, Renato. 82% de posse de bola, 90% de acerto nos passes, 25 finalizações. O problema era aquele: 8 chutes a gol contra 1 único deles. E estava tudo empatado. Mesmo reconhecendo que o Grêmio estava jogando muita bola, a filha da mãe teimava em não entrar. E o tempo passava. Aqueles 80 minutos foram se esvaindo.

Sei lá, Renato! Teve um momento em que tudo era nervosismo. Um filme se passou na minha cabeça: um mês de agosto que ia se desenhando trágico; talvez o fim dessa boa fase do Grêmio; a maldição das oitavas da Libertadores; a corneta de que não ganhávamos de um campeão no mata-mata continental desde 2007 buzinando nos meus ouvidos. Olha, tanta coisa se passou ali…

Só que, com o perdão devido, às vezes essa fase de time que ganha jogando um futebol envolvente e tal nos faz esquecer por um breve momento do que é feita a essência de ser gremista. Como se eu ter encontrado o Galatto antes do jogo não fosse para me lembrar de qual a forma em que se forja a alma azul celeste.

Já estávamos nos acréscimos, quando Cebolinha sofreu a falta na lateral da área. Luan, que ontem jogou demais, colocou a bola lá no meio da confusão – o chuveirinho, a JOGADA SUPREMA do futebol. E Alisson, esse menino maravilhoso, desviou com a cabeça, fazendo com que a pelota caprichosamente batesse no travessão antes de entrar.

Cacete, que explosão, que loucura, que sentimento! O CORAÇÃO TEM QUE SER FORTE DEMAIS, RENATO! Porque todos comemoramos aquele gol como se fosse o último de nossas vidas. Como se não houvesse amanhã! Só que ainda restavam os pênaltis, né?! Eu achei que iria ter algum troço que a medicina ainda não denominou, mas fiquei firme.

Firme atrás do gol onde foram cobradas as penalidades. E, Renato, obrigado por ter colocado a gurizada treinar pênaltis! Deu certo ontem! O Grêmio converteu todas as suas cobranças. E eu, atrás do gol, fiz meu papel de xingar, vaiar, sinalizar e tudo o mais que pudesse tentar atrapalhar os jogadores argentinos.

A verdade é que não deram certo as minhas MANDINGAS. Porque o único jogador deles que eu não xinguei até a oitava geração da família foi o que parei para comentar com o desconhecido ao meu lado: “Zagueiro, canhoto e tomou pouca distância: vai bater um tiro de meta na torcida”. Como eu estar certo nessas horas, Renato!

Agora, eu queria destacar a última cobrança. Quando Lugüercio foi bater a quarta penalidade dos argentinos, o erro nos classificaria. Mas ele bateu muito bem. E comemorou muito, saiu em direção ao meio campo olhando para a torcida deles e vibrando. Quando passou pelo André, que já caminhava em direção às área, deu dois tapinhas na cabeça dele, provocando. Fez de tudo para reverter a pressão.

Confesso, Renato, que fiquei com uma raiva desgraçada daquele gringo; mas com receio de que a má fase do André pesasse na perna. Quando nosso centroavante foi ajeitar a bola, o goleiro argentino fez o mesmo gesto: se aproximou dele, provocou, deu dois tapinhas na sua cabeça.

E o André, frio, sem expressar nenhum medo, foi para a bola… E bateu com EXTREMA categoria, esperando o goleiro definir o canto no último centésimo, rolando a bola suavemente para o outro lado da goleira! Gol da classificação! E que mostrou que o André tem bola! Ainda pode jogar o que sabe no Tricolor!

Grêmio nas quartas de final da Libertadores da América 2018. Milhões de corações Tricolores testados ao seu limite. A redenção de um mês muito ruim para as pretensões que criamos com esse baita time. Que venha setembro! Que venha o Tucumán! Que venha o Tetra!

Saudações Tricolores, Renato!

E segue o baile…

Bom dia, Odair (com o melhor de Inter 0 x 0 Palmeiras)

Bom dia, Odair (com o melhor de Inter 0 x 0 Palmeiras)

Desta vez, tivemos muita sorte, não, Odair? Aquele primeiro tempo era para ter terminado uns 2 x 0 pro Palmeiras, só que não é culpa nossa se as bolas passavam raspando o poste do Lomba, que só olhava, totalmente batido. O placar do jogo foi muito injusto, Odair.

Foste surpreendido pelo meio de campo do Palmeiras, muito mais ativo, marcador e hábil que o nosso. Foi até bom ver aquilo, pois talvez sirva para baixar a crista de certos jogadores — como Patrick — que já se considera craque de bola. Há que estar sempre atento e forte, gente. Acho que erraste feio ao não colocar D`Alessandro logo de cara no início do segundo tempo. A entrada do argentino fez com que mantivéssemos mais a bola e equilibrássemos a partida.

Foi um jogo de 0 x 0 entre duas das melhores defesas do campeonato (a outra é a do Grêmio): não podemos esquecer que o Palmeiras não toma gols há dez jogos consecutivos e o Inter há seis.

Rodrigo Moledo: desta vez, os dois times tinham solidez defensiva | Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional
Rodrigo Moledo: desta vez, os dois times tinham solidez defensiva | Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional

O fato é que entregamos o miolo do campo para o Palmeiras. O fato é que Zeca jogou muito mal, levando um banho de bola de Hyoran. O fato é que Jonatan Álvez fracassou totalmente e a entrada de Brenner… O fato é que um time que faz a substituição de Jonatan Álvez por Brenner pode ficar feliz de conseguir um 0 x 0, como escreveu o Corneta Colorada.

Então, Odair, abra o olho. Teu time fez uma partida pobre contra o Bahia e ontem, meu deus… Acho que Brenner é um braço roubado à agricultura e pode ser arquivado por um longo tempo. Álvez também é muito fraco. Já que Guerrero está impedido, talvez seja o caso de recolocar Pottker de centroavante.

Sobre o Palmeiras: o time de Felipão me animou muito. Está na Libertadores e é bem melhor do que o Grêmio.

Agora, o Inter tem 42 pontos em 21 jogos, ou seja, exatos e periódicos 66,6% de aproveitamento. Temos ainda 17 partidas por jogar. Dentre estas, 9 em casa e 8 fora. Faltam apenas 3 pontos para passarmos a linha dos rebaixados e 23 para a classificação direta à Libertadores.

O próximo jogo é no dia 2 de setembro, domingo, às 19h, contra o Cruzeiro em BH. Sim, este anos os inícios de turno são complicadíssimos. Na sequência, virão Flamengo e Grêmio no Beira-Rio.

E, já disse, cuide muito bem do time, Odair. Estamos claramente decaindo.

Morreu Claudiomiro, o maior centroavante que vi jogar no Inter

Morreu Claudiomiro, o maior centroavante que vi jogar no Inter

Há poucos dias, publiquei o que segue: “Já se passaram quase 50 anos e não vi ninguém melhor que Claudiomiro na centroavância do Inter. Um monstro”.

Não sabia se estava doente e ontem recebi de surpresa a notícia de sua morte aos 68 anos. Fez 210 gols com a camisa do Inter, sendo o terceiro maior artilheiro da história do clube, ficando apenas atrás de Carlitos e Bodinho.

Observado por Valdomiro, Claudiomiro comemora mais um gol | Foto: CP Memória
Observado por Valdomiro, Claudiomiro comemora mais um gol | Foto: CP Memória

Claudiô era um centroavante completo, forte e hábil, capaz de derrubar ou desconcertar zagueiros com dribles. Não era alto, mas era bom cabeceador. Fez o primeiro gol da história do Beira-Rio de cabeça. Seu apelido era bigorna em razão dos ombros largos e da farta musculatura, depois transformada em gordura.

Lembro especialmente de um gol contra a Ponte Preta. O drible que ele deu no goleiro foi uma obra de arte.

Como jogador, foi derrotado pelo peso. Jogou poucos anos, entre 1967 e 73. Em 73, eu tinha 16 anos. Jamais esquecerei de nosso maior centroavante.

Bom dia, Odair (com os melhores lances de Bahia 0 x 1 Inter)

Bom dia, Odair (com os melhores lances de Bahia 0 x 1 Inter)

O futebol não é justo, felizmente. O Bahia jogou mais, esteve mais com a bola, rondou, rondou, até chutou, mas quem fez o gol foi o Inter. Nosso time se segura com um goleiro que está pegando tudo, uma dupla de zaga sensacional e um volante em fase iluminada. Não sofre gol há 529 minutos. O resto é bom, mas não impressiona. Então, como voltou a acontecer ontem, fazemos um gol e o jogo acaba. O problema é quando temos que tomar a iniciativa, como fomos obrigados que fazer contra o Ceará e o Paraná.

Patrick recebeu passe de Rossi para marcar o gol da vitória | Foto: Ricardo Duarte (SC Internacional)
Patrick recebeu passe de Rossi para marcar o gol da vitória | Foto: Ricardo Duarte (SC Internacional)

O Bahia começou levando mais perigo a nosso gol. Mas uma coisa é chutar, outra é marcar. E, logo após Camilo perder um gol feito, Patrick marcou em cruzamento de Rossi. Destaque para o lançamento espetacular de Edenílson para Rossi. O goleiro do Bahia saiu desesperado e ficou no meio do caminho, naquele gênero de erro que não tem acontecido conosco.

Jogar com Dudu é sempre um perigo. O Bahia pressionava o lado direito de nossa defesa, mas a coisa parecia mais ou menos controlada. O juiz estava estranho, mas minha confiança, assistindo ao jogo num bar, era ainda firme. (O Bahia é bom, não é o Vitória, o Bahia é um time de futebol).

Sem Nico López e Jonatan Álvez, suspensos pelo terceiro amarelo, tu, Odair, colocaste Pottker na frente, Camilo no meio e Rossi na direita, com dupla função: atacar e ajudar Dudu.

A partir do gol, o Inter fez o que detesto: recuou e deixou a bola com o Bahia, esperando a chance do contra-ataque. A dupla Rodrigo Moledo e Cuesta segurou tudo com certa folga.

Em toda esta fase, o Bahia teve apenas uma chance, quando Gilberto, livre, cabeceou desviado.

E seguramos a barra. Com isso, permanecemos no segundo lugar e ainda reduzimos a diferença para o líder São Paulo, que ficou no empate em Curitiba contra o Paraná.

Agora, o Inter chega a 41 pontos ganhos. Foi a quinta vitória consecutiva e a quinta fora do Beira-Rio.

Voltaremos a campo domingo, às 16h, contra o Palmeiras no Beira-Rio. Vamos lotar a casa, certamente. Teremos as voltas dos suspensos, mas Paolo Guerrero não vai jogar. A justiça suíça revogou nesta quinta-feira o efeito suspensivo que o liberava para jogar futebol. Com a decisão, o atacante peruano está impedido de atuar pelo Inter pelos próximos oito meses. E quem comprou a camisa 79, como é que fica? Que fiasco…

Bom dia, Renato (com o que de importante ocorreu em Grêmio 1 x 1 Cruzeiro)

Bom dia, Renato (com o que de importante ocorreu em Grêmio 1 x 1 Cruzeiro)

Por Samuel Sganzerla

Renato, eu vou definir a meu comentário sobre a praia hoje a partir em uma simples colocação: BOTA ESSE TIME TREINAR PÊNALTI, CACETE!

Mais dois pontos perdidos em casa, Renato! Se somar com as outras vezes em que eu disse exatamente isso neste ano, já valia a liderança! Não dá!

Éverton, uma onda irresistível de bom futebol pela esquerda. Já os pênaltis... | gremio.net
Éverton, uma onda irresistível de bom futebol pela esquerda. Já os pênaltis… Bem, isso não é com ele.| gremio.net

Renato, eu te pergunto: por que o Grêmio não quer ganhar o Brasileirão?! Até aquele time MEDÍOCRE do coirmão faz sua parte, mesmo que seja até MENTIROSA a colocação e os resultados recentes, pelo futebol que joga!

Agora, a gente não faz nem isso! Não! O Grêmio se tornou o time que gosta de perder chance atrás de chance de ir à luta, ÀS GANHA, pelo título nacional. Por favor!

E, mais uma vez, lembro o porquê de depois de o Everton Ribeiro ter abrido o placar lá no Maracanã, quarta passada, eu só acreditava se fosse na virada. Porque, se deixar para os pênaltis, a derrota é certa!

Pelamor, Renato! Mais dois pontos perdidos! “O Grêmio tem a posse, é melhor, mas não consegue fazer o gol”: já não aguento mais ver e ler esse comentário

“Pênalti perdido pelo Grêmio”, então, nem se fala! Sério, Renato, tu conheces algum time na história do futebol que perde tanto pênalti?! Eu não!

E um recado final: LUAN, TOMA JEITO, MOLEQUE!

Parece que o negócio mesmo é focar na terça que vem. O São Paulo, mais uma vez, vai levar esse caneco que a gente fica de olho, ali flertando, fazendo carinho, mas nunca pega mesmo! Mas que inferno!

Saudações Tricolores!

E segue o baile!

Bom dia, Odair (com os melhores lances de Inter 1 x 0 Paraná)

Bom dia, Odair (com os melhores lances de Inter 1 x 0 Paraná)

Em jogo emocionante, decidido nos descontos, o Internacional fez 1 x 0 no Paraná na manhã deste domingo (19/08), em partida válida pela 19ª rodada, a última do primeiro turno do Brasileiro. O resultado deixa-nos na segunda colocação, com 38 pontos, ou seja, com exatos 66% de aproveitamento. O líder São Paulo tem 41 e somos seguidos por Flamengo (37), Grêmio (36), Atlético e Palmeiras (ambos com 33).

A partida de ontem foi uma loucura absoluta, de cabo a rabo. Aliás, antes já estava espetacular. Quando saí de casa fiquei uns 20 min na calçada da Rua Santo Antônio, com minha camiseta vermelha, na parada de ônibus esperando o T5. Ia pro Beira-Rio, claro. Então passou um carro, parou, perguntaram-me para onde estava indo e me ofereceram carona. Devia ser sorte de aniversariante. Agradeço aos Drs. Glayton e Arthur, seu filho. Pessoas gentis, que não conhecia, gente de primeiríssima linha.

No primeiro tempo, dominamos inteiramente o jogo. Perdemos muitos gols em situações bem construídas, mas não marcamos. É claro que, com o passar do tempo, o Paraná foi ficando alegrinho e acabou criando algumas situações complicadas para nós.

O segundo tempo foi um horror, passamos 30 minutos sem dar um chute a gol até que a entrada de Rossi começou a fazer a diferença. Nem falo agora de Camilo e Lucca: ambos entraram mal, só que Camilo bateu uma falta e…

O gol de Camilo, que deu o segundo lugar ao Inter | Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional
O gol de Camilo, que deu o segundo lugar ao Inter | Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional

Como disse, o problema foi termos perdido aquele monte de gols no primeiro tempo. O time estava bem. No segundo tempo, o excelente Patrick afundou, Nico e Pottker desanimaram, Jonatan Álvez nem tocava na bola, estávamos sem jogadas e, pior, sem rebotes. A entrada de Rossi empurrou o time e a torcida e a de Camilo colocou um cara num local que era de amplo domínio do Paraná. Com ele, passamos e lutar pela segunda bola. Lucca nada fez.

Em outras palavras, meu caro Odair, tu mexeste bem no time. Mesmo a a ideia de Lucca foi boa, apesar de não ter funcionado.

O time está bem ajeitado, jogando com segurança defensiva e boas soluções na frente. Apenas demonstrou ontem que se deprime com as chances perdidas. Há que treinar essa pontaria. Parece que o Camilo treina. Que golaço de falta!

Jonatan Álvez — três cartões em três jogos e o cara é centroavante… –, Fabiano, Nico López receberam o terceiro cartão amarelo e não jogam a próxima rodada contra o Bahia em Salvador, no dia 22, às 19h30, na Fonte Nova. O negócio é manter a defesa fechadinha e especular lá na frente. Hoje, somos um adversário muito chato. Sigamos assim!

(Viste como o Grêmio adiar o Gre-Nal, Odair? Viste que eles recém descobriram que as rodadas do Brasileiro às vezes coincidem com as datas da FIFA? Ou estariam com medinho de nosso time, ao qual Renato chamou de “time de segunda divisão”?).

Bom dia, Renato (com os lances de Corinthians 0 x 1 Grêmio)

Bom dia, Renato (com os lances de Corinthians 0 x 1 Grêmio)

Por Samuel Sganzerla

Foi no sábado, então, que fomos até Itaquera, São Paulo, jogar contra o Corinthians a última partida do primeiro turno do Brasileirão 2018. Mais uma vitória na conta, com uma boa atuação do time. Mas vamos falar um pouco sobre as pretensões do Grêmio neste campeonato.

Renato, a eliminação na Copa do Brasil fez com que não pudéssemos mais simplesmente fingir que o Brasileirão não era um título a ser buscado. Sabíamos que era praticamente impossível se dedicar a três competições simultaneamente. Agora, ainda temos a Libertadores, mas o nacional está aí, para se pleitear algo mais neste ano.

Neste sábado, o Grêmio venceu o Corinthians fora de casa | Foto: gremio.net
Neste sábado, o Grêmio venceu o Corinthians fora de casa | Foto: gremio.net

Quando olho para a tabela, 5 pontos de distância para o São Paulo, líder e campeão simbólico do Turno, não parecem muita coisa, pensando que ainda faltam 19 rodadas. Agora, por mais que todos os times possam fazer o mesmo exercício, confesso que vejo que o Grêmio perdeu está liderança para ele mesmo.

Não quero parecer arrogante, Renato, mas, com exceção do Palmeiras, nenhum time da parte de cima da tabela nos derrotou. Basta lembrar lá do início do campeonato, daqueles pontos bobos perdidos em casa. Saímos da Arena, depois de ficar no 0 a 0 contra o Atlético-PR, o coirmão e o Fluminense, com a sensação de que aqueles empates foram vitórias desperdiçadas.

Foram muitos jogos com o time reserva também (incluindo aquela derrota para o Botafogo), o que só foi mais produtivo
depois volta da Copa. Aliás, considerando só este último mês do campeonato, foram 16 pontos em 21 disputados. Um aproveitamento excelente, mas que ainda leva em conta aquela derrota patética para o Vasco e o empate contra a Chape, num jogo que poderíamos ter matado no primeiro tempo.

O que eu quero dizer, Renato, é que poderíamos muito bem estar no topo da tabela. Sei que tu sabes disso também. Mesmo com esse baita campeonato que o Tricolor Paulista está fazendo, sob a batuta de Diego Aguirre, e com o grande elenco que o Flamengo tem, são adversários possíveis de se superar, por mais difícil que seja.

Palmeiras e Cruzeiro eu acredito que se dedicarão mais às outras competições, como fizemos ano passado, até pelo que os dois vêm apresentando no Brasileirão. E, quanto aos demais, não vejo que tenham time e futebol para buscar o título. Claro, vão dizer que é clubismo eu colocar nesse grupo o coirmão, que surpreendeu a todos no primeiro turno – inclusive seus próprios torcedores. Mas é corneta só porque é o rival, já que, caso fosse outro time, seria ANÁLISE. Deixo a metáfora do elefante em cima da árvore para eles, então.

De qualquer forma, Renato, o que a gente espera é que o time mantenha a boa forma e consiga buscar mais 6 pontos nas partidas desta próxima semana. Começamos com o desafio contra o Cruzeiro na Arena, na quarta-feira, e no final de semana vamos a Curitiba, encarar o Furacão – que melhorou bastante, é verdade, mas precisamos recuperar os pontos que perdemos para eles no turno.

Seguimos na luta, acreditando que 2018 pode trazer ainda mais alegrias para o Grêmio do que já trouxe!

Saudações Tricolores!

E segue o baile…

Bola em Transe #54: O Caso Ursal — Devaneios sobre Geopolítica e Futebol

Bola em Transe #54: O Caso Ursal — Devaneios sobre Geopolítica e Futebol

Bola em transeNo Bola em Transe dessa semana, analisamos a revelação bombástica feita pelo candidato à Presidente da República Cabo Daciolo sobre a conspiração e a formação da Ursal e suas implicações políticas e esportivas. Nossa, que Seleção teríamos! Também tem Brasileirão e Copa do Brasil. Com Francisco Éboli e Milton Ribeiro.

Bom dia, Renato (com os melhores lances de Flamengo 1 x 0 Grêmio)

Bom dia, Renato (com os melhores lances de Flamengo 1 x 0 Grêmio)

Por Samuel Sganzerla

Pois é, Renato, desde que comecei a escrever por aqui, no final do ano passado, é a primeira vez que venho conversar contigo sobre uma eliminação. Nos mata-mata desta vida, as únicas desclassificações que o Grêmio havia sofrido nesta tua terceira (e vencedora) passagem como técnico haviam sido nos pênaltis. Ontem, foi no campo.

Everton bem marcado. Grêmio chutou pouco no gol do Fla | Foto: gremio.net
Everton bem marcado. Grêmio chutou pouco no gol do Fla | Foto: gremio.net

Se eu quisesse resumir a nossa derrota a chavões de torcedor, Renato, poderia dizer que passou quem errou menos. Diferentemente da primeira partida, o jogo de volta acabou sendo morno. Muito graças ao gol deles, logo no início. Falha infeliz do Cortês, mas também sorte deles. Nada de crucificação.

Porque o Grêmio foi um tanto APÁTICO na maior parte do jogo, Renato. Quando tivermos mais intensidade e velocidade, não conseguimos produzir muito. Predominamos na partida, mas praticamente não criamos chances de gol – e a entrada do Marlos no lugar do Vitinho neutralizou nosso meio campo. Foi um jogo de poucas finalizações.

Enfim, Renato, que bom que não foste teimoso em relação ao Cícero (que vem jogando bem sim, diga-se), colocando Jailson para dar mais velocidade na meia cancha e reforçar a marcação. Tu insististe, porém, com André, que ainda não justificou sua contratação. Ele está precisando não apenas ir para o banco, Renato, mas tomar uma boa chamada do departamento de futebol também.

Enfim, parabéns aos flamenguistas, que fizeram por merecer a classificação, em especial pelo segundo tempo que fizeram aqui na Arena. E, para nós, que esta eliminação, a exemplo daquela do ano passado, traga as lições necessárias.

Temos outras duas competições para nos dedicarmos e buscarmos mais uma taça em 2018. Basta seguir o trabalho, com pé no chão e humildade para corrigir os erros, Renato. Sabemos que é possível. Tenho fé!

Saudações Tricolores!

E segue o baile…

Bom dia, Odair (com os lances de Fluminense 0 x 3 Inter)

Bom dia, Odair (com os lances de Fluminense 0 x 3 Inter)

O Inter não fez uma partida de encher os olhos contra o Fluminense e, mesmo assim, fez muito mais do que o suficiente. O placar é claro. Nosso início foi frouxo e com muitos erros de passes, no que era respondido à altura pelo Fluminense. E o primeiro gol saiu justamente num erro de passe do Flu. Rodrigo Dourado interceptou uma saída errada de bola e passou a Nico López, que está numa fase tão boa que simplesmente não perde gols. Depois, ainda no primeiro tempo, fizeram Álvez e novamente Nico. Só gols uruguaios, como veem.

Fotos: Ricardo Duarte
Jonatan Álvez e Iago comemoram o segundo gol, obra deles | Fotos: Ricardo Duarte

E o Fluminense desmanchou, é óbvio. Com 0 x 3, o clima não ficou dos melhores. Então, o Inter tirou o pé do acelerador. Tirou tanto que Marcelo Lomba acabou como uma das maiores figuras da partida. Fez defesas incríveis, deixando certamente Danilo Fernandes preocupado em casa. Aliás, Danilo… Deixa pra lá. Afinal, ontem foi dia de vitória das grandes e não vou criticar ninguém.

A vitória é um bom costume e esta não é apenas uma frase sem noção. A vitória acostuma. Depois daquele retrancão no Gre-Nal, o Inter fez 13 jogos. Venceu 9, empatou 3 e perdeu 1. Foram 30 pontos, 24 gols a favor e 9 contra. A gente vem se habituando às vitórias e achando estranho perder. Sabemos que tudo o que é bom acostuma rápido.

Mas é importante saber porque estamos vencendo. A solidez defensiva é fundamental neste processo. Um time que quase não leva gols acaba conseguindo alguma coisa lá na frente. E, quando falo em nossa defesa, digo que ela começa na marcação dos homens da frente, passa pelo meio de campo e chega até os zagueiros. Todo mundo participa e se diverte, principalmente Dourado e Moledo, que têm sido soberbos.

Estamos em terceiro lugar, a três pontos do primeiro colocado. Nesta 18ª rodada, todos os 5 líderes venceram. Temos 35 pontos, e se vencermos a próxima partida, chegaremos à 66% de aproveitamento nestas primeiras 19 rodadas — todo o primeiro turno. Nosso jogo no domingo, às 11h, no Beira-Rio, é contra o lanterna (e touca) Paraná. Não pensem que acho que será fácil.

Bom dia, Renato (com os lances da goleada de 4 x 0 do Grêmio sobre o Vitória)

Bom dia, Renato (com os lances da goleada de 4 x 0 do Grêmio sobre o Vitória)

Por Samuel Sganzerla

Renato, confessa: tu não alternas os times titular e reserva conforme a competição. Tu tens dois times MISTOS, montados para terem bastante equilíbrio e tentarem ir com força máxima em todos os torneios que disputamos. Só pode!

Gols de Douglas e de Jaílson foram comemoradíssimos | gremio.net
Gols de Douglas e de Jaílson foram comemoradíssimos | gremio.net

Porque nada explica a intensidade e a facilidade com que os jogadores “reservas” do Grêmio jogaram nas últimas duas partidas. Está certo que o Vitória não anda lá muito bem das pernas ultimamente. Mas no sábado passado a vítima foi o mesmo Flamengo com que nos preocuparemos até quarta-feira.

O início avassalador do Grêmio ontem deixou a impressão de que, com nem 10 minutos, já poderíamos ter construído uma boa vantagem no placar. E ela veio logo mesmo! Nesse ritmo, não precisamos nem chegar na metade do primeiro para já ter feito 2 a 0.

Depois, o time encaminhou com naturalidade a partida, para ampliar o escore. Sabe como é, Renato, goleada nossa na Arena, no Dia dos Pais, já virou tradição. Algumas delas, inesquecíveis – ontem, só faltou o zagueiro deles marcar um gol contra para fecharmos a mão.

A grande vitória de ontem à noite nos deixa a cinco pontos do líder. Sempre ressaltei que o Brasileirão é extremamente difícil de ser disputado quando se está mirando também a Copa do Brasil e a Libertadores. Mas é bom se manter próximo ao topo. Daqui a pouco, VAI QUE…

Enfim, cumprido o nosso compromisso, o foco agora é depois de amanhã, lá no Rio de Janeiro. Queremos todos, Renato, ver o time “titular” com essa mesma intensidade e brilho de ontem. É difícil, mas é possível. Já fizemos o crime mais de uma vez lá no Maraca.

Que já comecem por lá a acender o braseiro, espetar a carne, ferver a água do chimarrão e gelar a ceva: porque a Nação Tricolor está chegando em terras cariocas para copar, sempre no ritmo do trago, alento e amizade. Que voltemos de lá com a classificação!

Saudações Tricolores, Renato!

E segue o baile…

P.s.: Matheus Henrique é diferenciado. Só manda pararem de comparar o guri com o Arthur. O Rei está lá, começando a brilhar no Barcelona; nossa mais nova prata da casa está começando a escrever sua história com o Manto Tricolor agora. Deixa ele seguir o seu tempo!

Bom dia, Renato (com o melhor de Estudiantes 2 x 1 Grêmio)

Bom dia, Renato (com o melhor de Estudiantes 2 x 1 Grêmio)

Por Samuel Sganzerla

Renato, na bacia das almas que se encontra na foz do Rio da Prata, repousam alguns dos espíritos mais fortes do COPEIRISMO continental. Tu, que já cruzaste tanto estes pagos, fardando os mantos tupiniquins que se atreveram a desbravar América a dentro, deverias saber bem disso.

Maicon em ação: com Cícero ao lado, pouca mobilidade para marcar | Foto: gremio.net
Maicon em ação: com Cícero ao lado, pouca mobilidade para marcar | Foto: gremio.net

Porque, Renato, não se encara o Estudiantes de La Plata, mesmo quando condenado pela imprensa desportiva por “não viver seu melhor momento”, sem considerar que o time dará o sangue e a alma para tentar buscar a vitória. Assim como na semana passada, vimos os jogadores jovens fazerem os nossos “velhos” sofrerem, coisa típica destes tempos em que não se respeita mais nada.

A noite fria em Quilmes – e infelizmente não falamos daquela loira gelada que importamos dos hermanos – viu, num primeiro tempo, um adversário que compensava suas deficiências técnicas com muita vitaliciedade e entrega. Quando parecia que o Estudiantes não teria muito mais recursos do que o “vamo que vamo, que se puede”, o jovem Apaolaza emplaca um chute de raríssima felicidade, abrindo o placar para os donos da casa logo no início da partida.

O primeiro gol deles, Renato, saiu de uma bola retomada da nossa defesa, na marcação pressão que eles aplicavam sobre nós. Mesmo tendo muito mais posse de bola já naquele momento, o Grêmio não raro se via apertado na saída, precisando dar chutões para a frente. E, sem o Jael, fica muito difícil ganhar a segunda bola. Pouco conseguíamos criar (a ausência do Everton foi gritante, especialmente porque Pepê pareceu sentir um pouco a pressão do jogo). De outro lado, víamos os contra-ataques impetuosos daquela voraz juventude platense.

Se a coisa já não ia bem, ficou ainda pior, quando, na cobrança de escanteio, Campi cabeceou no canto oposto de Marcelo Grohe, aos 38 do 1º tempo. Gol de manual, mas que contou com a falha da marcação na bola aérea – era daquelas noites em que até os problemas que pareciam estar resolvidos voltam a nos assombrar. O momento seguinte foi horrível: com dois gols à frente no placar, o Estudiantes encaixava contra-ataques perigosos. Parecia que o que era ruim iria piorar. Eu temi pelo pior por alguns instantes, Renato.

Entretanto, eis que a copeira bola aérea que pune também salva, liberta e dá esperanças. No apagar das luzes da primeira etapa, Luan bateu escanteio com precisão, André desviou de cabeça, Andújar fez grande defesa, mas Kannemann, nosso melhor jogador em campo, estava lá para completar para o fundo das redes, também de cabeça. 2 a 1, o alívio e a certeza de que dava para reverter a desvantagem ainda no jogo de ida.

No segundo tempo, contudo, o Grêmio até foi melhor, mas pouco efetivo. Perdemos boas chances e não soubemos aproveitar o fato de ter jogado os 15 minutos finais com um homem a mais, depois que Zuqui levou o segundo amarelo, numa falta infantil que mostrou que, para boa parte da equipe deles, ainda falta maturidade. O jogo terminou com o mesmo placar do primeiro tempo, o gol qualificado faz com que a vantagem deles não seja tão grande; mas ficamos com a sensação de que o Tricolor ficou devendo em campo, Renato.

O que eu gostaria de te dizer é que espero que não seja preciso uma eliminação precoce para que tu aceites que algumas mudanças precisam ser feitas no time. Cícero e Maicon são uma boa dupla de volantes, os dois têm qualidade, claro; porém, não está dando mais para jogarem juntos, porque são veteranos, não têm pernas para correr atrás na marcação (especialmente quando a velocidade do adversário no contra-ataque é uma arma). Mesmo que perca em qualidade técnica na armação, o time ganharia com Jaílson na marcação.

Da mesma forma, Leo Moura é um baita lateral. Mesmo quase beirando os 40 anos, ainda tem muita qualidade. Ontem deu conta de jogar toda a partida e foi bem. Mas sabemos que não será sempre assim, Renato. E, por falar em qualidade, não duvido da capacidade técnica do André, porém já não há mais justificativa para que Jael fique no banco. Toda vez que ele entra, o time ganha em movimentação, bola aérea, e segunda bola. E eu espero que o Bruno Cortês retome logo a posição do Marcelo Oliveira, que ontem foi MUITO mal.

Enfim, não precisamos apelar para clichês como “não tá morto quem peleia” ou discursos motivacionais que invocam a garra do gremismo. A desvantagem no confronto é totalmente reversível, sabendo que precisamos da vitória mínima aqui na Arena, quando tenho certeza que nossa torcida a lotará mais uma vez, para fazer com a bola entre nem que seja pela força do ALENTO. Mas eu gostaria, Renato, que tu abrisses mão de certas convicções – e PARA COM ESSA COISA DE ESCANTEIO CURTO, por favor (nosso único gol ontem saiu de uma bola cruzada, Renato!).

E vamos que vamos, que a busca pelo Tetra da Libertadores começou neste mata-mata com o pé esquerdo, mas a gente nunca para de acreditar. Vamos adiante, agora pensando no jogo em casa que termos contra o Vitória, no domingo. Aliás, como só voltarei a falar contigo na segunda-feira, já deixo aqui meu parabéns pra ti, pelo dia dos pais vindouro. Manda um beijo pra Carolzinha!

Saudações Tricolores!

E segue o baile…

https://youtu.be/OiADkFKyMMo