O Ruído do Tempo, de Julian Barnes

O Ruído do Tempo Julian BarnesO Ruído do Tempo usa o enorme drama que foi a vida de Dmitri Shostakovich como material ficcional. É um livro dividido em três seções maiores que contêm, cada uma delas, capítulos curtos e fora de ordem cronológica, muitas vezes de apenas um parágrafo. Tais capítulos vão adicionando informações curiosas ou estarrecedoras sobre o compositor, tudo com bastante invenção, mas sobre um esqueleto rigorosamente biográfico, verdadeiro.  As três seções mostram os três traumáticos encontros de Shosta com o poder, em 1936, em 1948 e em 1960. Todos em anos bissextos, todos separados por 12 anos. A ideia é boa, mas…

O livro é pouco sofisticado, extraordinariamente conservador e chega a ser “matado” em vários trechos, não fazendo jus às nem à arte de Shostakovich, nem a seus dramas. As críticas ao regime soviético são naturais e inteiramente razoáveis, não fosse a profusão de clichês bobos ao estilo da CIA. O pior é que a ficção de Barnes não faz a biografia ou os dramas vividos pelo compositor avançarem em qualquer direção.

FaulknerPara quem, como eu, acredita que só a ficção arranha a realidade, o livro foi uma decepção. Espécie de jornalista gonzo imaginário, Barnes vai ficando cada vez mais afastado da obra de seu biografado, perdido em detalhes triviais. Não há complexidade ou verdadeira tensão, apenas contradições — verdadeiras — e medo mal descrito. O livro de Barnes toma um baile das poucas páginas dedicadas a Shosta no clássico de Alex Ross O resto é ruído, de quem parece ter roubado o título.

O livro é, em parte, um exercício de nostalgia da Guerra Fria. Coisa muito inglesa para descrever um soviético. Seus melhores trechos são aqueles que examinam a natureza da integridade pessoal. A ótima arte pode nos resgatar do “ruído do tempo”, superar tudo e, portanto, desculpar o comportamento ruim? E era possível comporta-se melhor? Acho que faltou a Barnes alguma vivência sob regimes ditatoriais. Sua descrições são de um tranquilo inglês que examina à distância um Shostakovich que é muito mais herói — e concordamos nisso, Mr. Barnes — do que Mephisto.

(Livro comprado na Ladeira Livros).

Julian Barnes

Julian Barnes

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Almoço Clio Musical vai para a segunda rodada

Me disseram que foi bom o primeiro Almoço Clio Musical. Ainda estou rindo daquela senhora que disse que jogaria fora todos os Concertos de Brandenburgo que comprara em sua vida, após ouvir a Orquestra Barroca de Freiburg, que apresentei junto da contextualização da obra e de detalhes da vida de Bach e suas margens. O próximo será sobre As Quatro Estações de Vivaldi, uma obra lotada de histórias, desde o Ospedale della Pietà e sua orquestra de mulheres, passando pelas Rodas dos Expostos, pela provavelmente fingida asma do compositor, indo até o poema que acompanha a partitura do solista e que descreve cada trecho. A próxima edição será  no dia 13 de junho, às 12h20, no StudioClio e estou juntando material para a função. Digamos que este inábil palestrante está feliz com o novo projeto.

E, hoje, quando elaborava mentalmente meu discurso cheio de fofocas sobre Vivaldi, dei de cara com este artigo. É um desses artigos que leio sempre com algum ceticismo, mas e se for correto?

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Ouvir música alegre melhora capacidade cognitiva, afirma estudo

Da Revista Prosa Verso e Arte

O estudo britânico teve como base os concertos da série As Quatro Estações de Vivaldi e revelou benefícios ao nível da atenção e da memória.

A Universidade de Northumbria, no norte do Reino Unido, levou a cabo um estudo que concluiu que ouvir música alegre pode melhorar as capacidades cognitivas, aumentando o “estado de alerta” do cérebro.

O estudo britânico teve como base os concertos da série As Quatro Estações de Vivaldi e revelou benefícios ao nível da atenção e da memória. Desenvolvido por Leigh Riby e publicado este mês na publicação Experimental Psychology, a investigação envolveu 14 jovens adultos aos quais foi pedida a realização de uma tarefa de concentração. O objetivo era carregar na barra de espaço de um teclado quando aparecesse um quadrado verde no ecrã do computador, ignorando os círculos de várias cores e outros quadrados que surgiam de forma intermitente.

Arcimboldo, As Quatro Estações

Arcimboldo, As Quatro Estações

A tarefa teve duas fases, onde primeiro foi desempenhada em silêncio e depois enquanto se ouvia cada um dos quatro concertos do compositor italiano. Durante o processo, a atividade cerebral dos jovens foi medida através de eletroencefalografia (uso de elétrodos no couro cabeludo para analisar as correntes elétricas do encéfalo), segundo o comunicado da Universidade da cidade de Newcastle, no seu site.

O estudo mostrou que, em média os participantes responderam de forma correta e com mais rapidez enquanto ouviam a Primavera de Vivaldi. Durante a música, o tempo médio de resposta foi de 393,8 milissegundos, e em silêncio, levaram, em média, 408.1 milissegundos a completar a tarefa.

Já com a composição Outono, música mais lenta e sombria, o tempo de resposta aumentou para os 413.3 milissegundos quando, indicando uma diminuição da capacidade mental.

Após o estudo, Leigh Riby concluiu que a Primavera de Vivaldi pode ser usada como terapia pois “melhorou a atividade geral do cérebro e provocou um efeito exagerado na área cerebral que é responsável pelo processamento emocional”. Riby concluiu ainda que o estudo forneceu “evidências de que há um efeito indireto da música na cognição que é criado pelo estado de alerta, humor e emoção”.

As Quatro Estações

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Horror a intermediários

No dia 7 de novembro de 2001, saí da Feira do Livro e fui direto para o Beira-Rio. Jogavam Inter x São Paulo. Pelo Inter, entravam em campo João Gabriel; Barão, Gilmar Lima, Fábio Luciano e Wederson; Leandro Guerreiro, Carlinhos, Silvinho e Jackson; Daniel Carvalho e Luís Cláudio. Pelo São Paulo vinham Rogério Ceni; Reginaldo Araújo, Émerson, Júlio Santos e Gustavo Nery; Maldonado, Fábio Simplício, Kaká e Júlio Baptista; Luís Fabiano e França. E eu estava confiante.

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Começa o jogo e o Inter, cheio de entusiasmo, parte para cima do São Paulo. Dava pena de ver. Era um banho de bola. Aí Kaká puxou um contra-ataque e cruzou para França fazer 1 x 0. Um detalhe, claro, ainda mais que no minuto seguinte Silvinho empatava o jogo e nós, os trouxas que assistíamos a partida, nos preparávamos para ver a virada. Empilhávamos chances de gol, nossos gols estavam maduros, podres até, vários deles. O primeiro tempo terminou empatado. 1 x 1.

Começou o segundo tempo e Luís Fabiano cruzou para França desempatar. Uma sacanagem, jogávamos muito melhor. Continuamos perdendo gols quando Gustavo Nery cruzou para Luís Fabiano fazer o terceiro. Mas reagimos e parecia que parte da injustiça seria sanada porque nossa pressão era irresistível. Sim, chegaríamos ao empate. Só que Gustavo Nery bateu uma falta do meio da rua e ficou 4 x 1. Meu deus, que bosta, que injustiça.

No dia 30 de junho de 2002, entravam em campo Brasil e Alemanha. O Brasil trazia Marcos; Lúcio, Edmílson e Roque Júnior; Cafu, Gilberto Silva, Kléberson, Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos; Rivaldo e Ronaldo. A Alemanha vinha com Kahn, Linke, Ramelow, Metzelder e Frings; Hamann, Jeremies, Schneider e Bode; Neuville e Klose. Eu estava em Bento Gonçalves, curiosamente com um grupo de alemães. O jogo foi igual: o que a gente fazia aqui, eles faziam lá. Era uma partida perigosíssima, mas vocês lembram muito bem como terminou. Rivaldo, Ronaldo e Kahn fizeram a toda a diferença e os alemães discutiam entre si, dizendo que seu time igual ao nosso, só que…

É por isso que gosto dos jogadores decisivos. Você pode empilhar dez Luís Cláudios no seu time que eles não farão um Luís Fabiano. Pior, o São Paulo poderia enfiar 18 Maldonados em seu meio campo que eles não chegariam à eficiência de um França. Exagero? Claro que sim, os gregos criaram a figura da hipérbole para intensificar um fato até o inconcebível e os lógicos adoram hipérboles. Por isso, digo que 23 Rivarolas não fazem um Jardel, 34 Ramelows não criam fenômeno nenhum, 52 Edmílsons não superam um Rivaldo e 61 Baideks não fariam o que um Renato fez em Tóquio.

É por isso que gosto dos jogadores decisivos. No próximo jogo, podem estar em campo 43 armadores, mas os importantes serão os caras terminais, os atacantes e goleiros. Os goleadores, com frieza de toureiro e sangue frio de assassino esquizofrênico, são sempre os mais valiosos jogadores em campo. É por saber o momento do tiro ou por aproveitarem a passagem burra do touro descontrolado a sua frente, que vimos Romário jogar e fazer gols até os 68 anos, que vimos Túlio goleador aos 84 anos e é por isso que são tolos aqueles que criticam Nico López quando ele tantas vezes erra. Não me façam rir: depois daquela mal direcionada troca de cabeçadas, quem deu um balaço no canto do goleiro do Juventude, hein?

Romário, né?

Romário, né?

E é por isso que gosto também de grandes goleiros. O cara que fica ali não pode falhar, ainda mais num jogo decisivo. O mundo não lembrará de Kahn pelos 112 campeonatos alemães que levantou, mas nunca esquecerá que, quando Rivaldo chutou aquela bola, ele a soltou e ficou nadando no ar enquanto o matador Ronaldo Fenômeno chutava a bola para as redes com a certeza do toureiro matador que sabe que ou é o touro ou é ele mesmo (então, que seja ele!). O são-paulino mais fanático sempre lembrará de Ceni no Japão, mas nunca esquecerá que ele facilitou as coisas para Fabiano Eller naquele segundo de auto-suficiência. O colorado mais fanático sabe de seus títulos, porém sempre lembrará de Clemer como um goleiro milagroso que podia ser muito nervoso e hesitante. E sabe que só um doido varrido — preciso dizer seu nome? — esquizo alucinado e viciado teria a coragem e calma de pegar um escanteio batido por Nelinho com uma mão só, pois a outra tinha, naquele dia, escondidos sob a luva, seus dedos retorcidos novamente quebrados.

Num time campeão, até o roupeiro vence, mas só alguns são decisivos. Decisiva para a vida da batata é a mão que a planta e os dentes de quem a come. O resto são contingências. Decisivo na vida da galinha é quem a choca e minha avó que, caminhando e sem deixar de conversar comigo, pegava o bicho e, para meu horror, torcia docemente o pescoço de nosso almoço. O resto é milho, cacarejos e carregadores de pianos.

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Aprendendo a lidar com os russos (ou com a russa)

Certa vez, em Pelotas, eu ia dar uma palestra para um grupo de alunos junto com um professor da Unisinos. Ele fora dirigente do PCB, viajara para a URSS várias vezes, estudara lá, etc. Quando ele soube que minha mulher era bielorrussa e não viera “através da internet”, mas concursada e aprovada por sua competência como musicista, logo me disse: “Nossa, deve ser dureza”. Eu logo entendi que ele estava se referindo ao fato dos russos serem diretos diretíssimos, de dizerem o que acham na lata. Às vezes, no começo, a Elena me assustava. É incrível que nossa sociedade, tão violenta, tenha dificuldades para ouvir opiniões francas. As pessoas, eu incluído, parecem não reconhecer o bom espírito por trás da franqueza. Por exemplo, ela foi a única pessoa que criticou minha palestra no StudioClio, tão elogiada pelo restante das pessoas. Ela disse que o conteúdo fora ótimo, mas eu estava fora inteiramente do meu normal, sério demais, destituído de humor. E disse isso logo após a apresentação, sem preparação ou delongas. Agora já me acostumei. Aprendi a gostar disso e também de apreciar o pasmo dos outros quando ela emite uma opinião daquelas, dizendo BEM o que acha, sem políticas nem voltinhas.

É. Eu adoro ela.

Elena Romanov no Rijksmuseum de Amsterdam| Foto: Milton Ribeiro no

Elena Romanov no Rijksmuseum de Amsterdam| Foto: Milton Ribeiro

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Bom dia, Guto (com os melhores lances de Figueirense 1 x 2 Inter)

Guto, apesar do futebol singelo, o Inter mostrou três boas novidades no jogo de ontem:

(1) os reservas — tínhamos 6 no time — correram todo o tempo;
(2) tivemos contra-ataque;
(3) Juan.

E apenas isso parece ter sido suficiente contra o fraco Figueirense. Pois novamente jogamos miseravelmente. Mas digo com sinceridade, Guto: Parabéns! Tua estratégia de colocar reservas em forma para jogar deu certo. O futebol exige igualdade física para que possa aparecer quem tem mais futebol, mesmo que daquele nosso jeito desajeitado.

Diego: após chocar-se violentamente contra a trave, o forte Diego comemora seu gol | Foto: Ricardo Duarte

Diego: após chocar-se violentamente contra a trave, o forte Diego comemora seu gol | Foto: Ricardo Duarte

A suada vitória deixou-nos na quinta posição, com oito pontos, a três de distância do líder Juventude. No sábado (10/6), o jogo será contra o quase lanterna e aflito Náutico, às 16h30, no Beira-Rio.

Na noite chuvosa de ontem, em Porto Alegre, éramos uns dez cães molhados assistindo o jogo no bar de meu eterno sofrimento. O gol de Cuesta quase não foi comemorado. Olhamos uns para os outros e um colorado nada delirante disse: “Logo eles empatam”. Não deu outra. Em falha de Carlinhos — que, aliás, falhou durante todo o jogo –, o Figueira empatou ainda no primeiro tempo. E quis nos pressionar. Só que desta vez tínhamos o contra-ataque, figura tão ausente nos últimos meses quanto o bom futebol.

Não preciso descrever a partida, vocês todos sabem e há os melhores lances abaixo, então vou direto para as conclusões.

Carlos e Carlinhos… Olha, juntos, os nomes já indicam que talvez fizessem sucesso no sertanejo secundarista. Já como jogadores de futebol… Após perder aquele gol inacreditável contra o Juventude, Carlos mostrou-se rapidíssimo em estragar vários contra-ataques promissores com passes infantis. O bom Pottker do segundo tempo já estava puto com ele.

E Carlinhos é o clássico lateral que não marca, fato só aceitável se o cara atacar como um Júnior do Flamengo e da Seleção, um Marcelo do Real Madrid, um Roberto Carlos ou Marinho Chagas, porque estes exigiam serem marcados, o que inverte tudo.

Gostei da segurança de Danilo Silva na bola alta — acho que ele deve permanecer –, e da entrada de Juan, que fez um esplêndido lançamento para Pottker servir a Diego no segundo gol. Charles esteve mais ou menos bem e Brenner afundou de novo. O que houve com ele?

O resultado causa certo alívio, mas há que ter sequência. A Série B é uma barbada para quem joga futebol. O nível técnico é rasante. Só que, sem jogar futebol, até uma partida de Casados x Solteiros no Parque Saint-Hilaire é complicado, e nem falo dos assaltos. Então, Guto, o negócio é deixar o grupo no nível físico dos outros times e jogar um pouquinho. Ah!, e se esforçar como os adversários. Não é muito.

Mas é VITAL conseguir, entendeu?

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O Tempo e Ignacio Iturria: “Todos siempre correndo como locos”

É mais ou menos como eu me sinto todos os dias, à exceção dos finais de semana. Um cara correndo como um louco contra um fundo escuro.

Ao meio-dia, almoço rapidamente para subir até a Biblioteca Pública a fim de ler por 30 min. É a salvadora “pausa de mil compassos”, mas sem ver a meninas e com um livro nos braços (Obrigado, Paulinho da Viola!). E sigo vivendo com a impressão de que, de certa forma, sou sempre ultrapassado por minha pressa, e que vou apenas existindo dentro dos dias.

Hoje pela manhã, vi o e-mail da Lu Vilella indicando a compra de “A Montanha Mágica”, relançado pela Companhia das Letras. Lembro vagamente das reflexões sobre o tempo que há no início do romance e de como este se move, estica e contrai-se. Atualmente, ele parece diminuto, mas agora, terça-feira ao meio-dia, parece que já estou há uns quatro dias nesta semana. E faltam horas. E sobra cansaço.

Foto: Milton Ribeiro, em julho de 2015 (Montevidéu).

Foto: Milton Ribeiro, em julho de 2015 (Montevidéu).

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Um parágrafo sobre o “Se nada mais der certo” da escola de Novo Hamburgo

Muita gente lamentando a “atividade” do Colégio Luterano de Novo Hamburgo (IENH) “Se nada mais der certo”. Tem gente reclamando até porque o Colégio é gaúcho e isto seria uma vergonha para o Estado… Olha, tem tanta coisa ruim no RS além do elitismo cafona… Tanto, mas tanto atraso — e me incluo nisso! E vejam bem: o ensino particular do IENH é tão ruim que os caras não vieram vestidos de professores ou jornalistas, só de lixeiros, atendentes do McDonalds, mecânicos, petistas, etc. Alguém diga a esses adolescentes que eles não precisam se preocupar, só os pobres se ralam no Brasil. Eles nasceram a salvo das profissões que consideram degradantes. Beijos nos corações de todas essas crianças!

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Bom dia, Guto (com os principais lances de Inter 1 x 1 Juventude)

Bem, Guto, o Inter está uma bagunça, a começar fora do campo. A única coisa positiva da gestão Piffero foi a decisão de que a preparação física não mais seria uma atribuição da equipe do técnico contratado, mas algo de responsabilidade do clube. Não temos nenhum grande futebol para mostrar, mas também não temos preparo físico.

Ortiz e Dourado sempre vigilantes, de olhos bem fechados

Ortiz e Dourado sempre vigilantes, de olhos bem fechados

Deves ter visto que o jogo de sábado foi apenas a continuidade do Inter sob Zago. Abrimos o placar contra o ABC e , no final, tomamos um sufoco e cedemos o empate. Contra o Paysandu não corremos nada e perdemos. Abrimos o placar contra o Palmeiras e, no final, tomamos um sufoco e cedemos o gol que nos desclassificou. E, contigo, abrimos o placar contra o Juventude e, no final, tomamos um sufoco e cedemos o empate. Ou seja, com Zago, repetimos a tragédia que já tinha ocorrido na época de Aguirre: estamos muito atrás dos outros times em termos físicos. E todos os adversários sabem disso.

Mas este é apenas o primeiro problema, talvez o principal, mas… Tu viste que, quando estamos bem fisicamente, no primeiro tempo, também não jogamos quase nada. Não temos dinâmica de jogo, aproximação, nossos cruzamentos são inúteis, todos para o goleiro adversário se consagrar, e isto até é compreensível tendo em vista os recentes fracassos de nossos treinadores, mas nada explica a insistência com Léo Ortiz. Trata-se de um bom rapaz colorado, mas isso eu também sou e quero ser escalado como zagueiro. Aliás, esse moço me parece mais dotado para ser volante. A direção não contratou o experiente Danilo Silva? Não seria a hora de ele entrar para formar a zaga ao lado de Victor Cuesta? Será que Danilo sabe que, nos cruzamentos, marca-se o jogador e só depois a bola?

Te desejo boa sorte, Guto. Espero que tu voltes a olhar para a base. O Inter B fez 15 jogos esse ano. Ganhou 13 e empatou 2. Deve ter uns dois ou três jogadores aproveitáveis lá. A direção gosta de gastar dinheiro, mas eu olharia para as divisões inferiores. É claro que agora seria sacanagem trazer gente de lá. Seria como tirar os guris de uma sala confortável para colocá-los em uma casa incendiando. Só o Winck poderia vir agora. Aliás, ele tem jogado como meia e tu sabes que só temos Dale e o improvisado Uendel para jogar ali, né?

E a Série B é uma barbada. É só jogar um pouquinho, só que sem jogar não vai mesmo.

Não sei como tu vais fazer. Não há tempo para treinar e, pelo que noto, nenhum projeto sério a não ser contratar loucamente. Vais precisar de sorte, repito.

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Neste momento, o bairro Anchieta está mais tranquilo do que água de poço

Confiram abaixo, nas fotos do meu amigo Fernando Guimarães, a tranquilidade do bairro neste momento, 24h após o término de chuvas que, ao menos no Bomfim, não causou falta de luz. Uma raridade. Fernando tirou a foto desde sua janela, de onde pode ver a placidez da paisagem.

Foto: Fernando Guimarães

Foto: Fernando Guimarães

Foto: Fernando Guimarães

Foto: Fernando Guimarães

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O efeito Mozart

bebe fofinho

Há algum tempo, li esta notícia:

KOSICE, Eslováquia – Sobre suas pequenas cabeças, os recém-nascidos na sala de maternidade usam fones de ouvido estereofônicos e suas minúsculas mãos parecem se movimentar no ritmo da música. Desde as primeiras horas de suas vidas, os bebês estão sintonizados com Mozart dentro do hospital Kisica-Saca, leste da Eslováquia.

Não se trata de uma experiência para a criação de uma geração de gênios musicais. As crianças escutam o compositor clássico para o estímulo de suas funções físicas e mentais graças aos benefícios da musicoterapia. O trauma do nascimento é “extremamente estressante para o bebê”, disse Slanka Viragova, médica responsável pela unidade de maternidade do hospital que lançou o projeto de música. “No útero, a criança ouve o coração da mãe bater, o que representa uma fonte de proteção e boas sensações. Colocamos o bebê para ouvir a música, assim ele pode se lembrar de sua mãe no período imediatamente após o seu nascimento, quando já não está mais com ela”, disse.

Numa sala onde as paredes e as janelas são cobertas de desenhos de animais de contos-de-fada, cerca de vinte crianças em duas filas de berços ouvem música e dormem calmamente. Perto de um outro quarto com incubadoras, crianças prematuras e aquelas com problemas de saúde também são expostas à música de Mozart, que tem se mostrado útil na estabilização de suas respirações, disse Viragova. “Em geral, a musicoterapia ajuda o bebê a ganhar peso, a se livrar do estresse e a lidar melhor com a dor”, afirmou.

Viragova disse ter usado a terapia da música com seus próprios filhos, que agora são adolescentes, quando eram bebês. Novamente a escolha musical foi Mozart. “Descobriram que a música de Mozart produz um efeito muito positivo no desenvolvimento do quociente de inteligência (QI)”, disse ela. No hospital, os recém-nascidos ouvem diariamente de cinco a seis vezes ao dia um trecho de 10 minutos de um dos trabalhos clássicos de Mozart, uma composição para piano executada pelo pianista francês Richard Clayderman (COMO É QUE É????), ou uma mistura de sons naturais da natureza ou qualquer outra música calma.

Flagrante de uma criança submetida ao pianista Clayderman

Flagrante de uma criança submetida ao pianista Clayderman

“A música é muito leve e relaxante. Sua intensidade está entre 30 a 50 decibéis, que podem ser comparados ao som de passos normais ou de uma porta sendo aberta”, disse. Na maior parte do tempo, a música é reproduzida no aposento inteiro e também ajuda a aliviar o estresse das enfermeiras, que cuidam de 20 a 30 bebês.

Mas os aposentos do hospital também são equipados com um conjunto sistemas estereofônicos; assim, quando as crianças estão com suas mães, podem ouvir juntos a músicas calmas escolhidas pela mãe. O projeto de musicoterapia começou cerca de dois anos atrás e foi bem recebido pelos expectantes e novas mães.

“Certamente trata-se de uma ideia muito boa e que afeta o bebê de uma forma muito positiva”, disse Lívia Oliarova, 30, que acabou de dar à luz a seu segundo filho, Adrian. “Definitivamente continuaremos a fazê-lo ouvir música em casa”, acrescentou. Atualmente, o hospital Kosice-Saca está fazendo bastante barulho. Algumas mulheres estão preparadas para viajar muitos quilômetros para darem à luz neste hospital.

Seria Viragova apenas uma mozartófila ou há ciência nisto?

Tudo certo, mas se agora você já sabe tudo sobre o Efeito Mozart — o poder transformador da música na saúde, educação, bem-estar, etc. –, aposto não ouviu falar destes outros efeitos que encontrei há anos num site.

Importante: acabo de dobrar o número de efeitos do site e de apimentar os originais:

EFEITO PAGANINI: a criança fala muito rápido e em termos extravagantes, mas nunca diz nada importante.

EFEITO BRUCKNER: a criança fala bem devagar e se repete com frequência. Adquire ureputação de profundidade.

EFEITO WAGNER: a criança se torna megalomaníaca e sonha com coleguinhas narigudos e cinzeiros. Há a chance de que se case com sua filha (ou irmã).

EFEITO MAHLER: a criança grita sem parar – a plenos pulmões e por várias horas -, dizendo que vai morrer.

EFEITO HAYDN: a criança é feliz, felicíssima. Mesmo quando vai à missa.

EFEITO SCHOENBERG: a criança nunca repete uma palavra antes de usar todas as outras palavras de seu vocabulário. Às vezes fala de trás para diante. Com o tempo, as pessoas param de lhe prestar atenção. A criança passa a reclamar da burrice dos outros, que são incapazes de entendê-la.

EFEITO RICHARD STRAUSS: a criança sempre pede para comer o último doce. Quando termina procura por mais últimos.

EFEITO BOULEZ: a criança balbucia bobagens o tempo todo. Depois de um tempo, as pessoas param de achar bonitinho. A criança não está nem aí, porque seus colegas acham que ela é o máximo.

EFEITO TCHAIKOVSKI: os meninos abandonam seus carrinhos e passam a brincar de boneca.

EFEITO IVES: a criança desenvolve uma habilidade fenomenal para manter várias conversas diferentes ao mesmo tempo.

EFEITO PHILIP GLASS: a criança costuma dizer tudo de novo de novo de novo de novo de novo de novo de novo de novo de novo de novo de novo de novo.

EFEITO STRAVINSKY: a criança tem uma pronunciada tendência a explosões de temperamento selvagem, estridente e blasfemo, que frequentemente causam pandemônio na escolinha.

EFEITO NYMAN: a criança começa bem mas depois só repete o que os coleguinhas de aula disseram. Ao final, você nunca sabe o que saiu de sua cabecinha e o que saiu da dos outros.

EFEITO BRAHMS: a criança fala com maravilhosa gramática e vocabulário desde que suas frases contenham múltiplos de 3 palavras (3, 6, 9, etc.). No entanto, suas frases de 4 ou 8 palavras são bobas e pouco inspiradas.

EFEITO STOCKHAUSEN: a criança chama Osama bin Laden de tio.

E, claro, o EFEITO JOHN CAGE: a criança não fala nada por 4 minutos e 33 segundos. É a criança preferida por 9 entre 10 professores.

John Cage

John Cage

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‘It was fifty years ago today’ — Sgt. Pepper`s completa 50 anos hoje

It was twenty years ago today
Sgt. Pepper taught the band to play
Início da letra da canção “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”

Lembro da virada dos anos 60 para os 70. Eu tinha 12 anos e lia uma monte de revistas sobre música. E elas diziam que os melhores discos da década que findava eram Sgt. Pepper’s, dos Beatles, Tommy, do The Who e Days of Future Passed, dos Moody Blues. The Who fez Quadrophenia em 1973, limpando Tommy da memória. Os Moody Blues sumiram no esquecimento e há muita gente boa que prefere os álbuns do Pink Floyd da época de Syd Barrett, ou Ummagumma ou mesmo o White Album, Revolver, Rubber Soul ou Abbey Road, dos Beatles, como os melhores daquela década.

O fato é que Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band não foi simplesmente o oitavo disco de uma das principais bandas de todos os tempos, foi aquele que se cristalizou em nossa memória com aquela coloridíssima e maravilhosa capa — uma das mais fortes marcas iconográficas da banda. Foi o disco que deu respeitabilidade ao rock em 1967, ano dos discos de estreia dos The Doors, dos Velvet Underground, de Jimi Hendrix e do Pink Floyd. Um grande ano.

A famosa capa. Que não conhece?

A famosa capa. Que não conhece?

Paul McCartney disse que Sgt. Pepper`s foi um álbum tão importante que, por vezes, as pessoas conhecem mais sua reputação do que a própria música que ele contém.

Como é comercialmente inevitável, 50 anos depois Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band ressurge em nova edição remasterizada, trabalho de Giles Martin, filho do produtor dos Beatles, George Martin, falecido em 2016, aos 90 anos. Como é habitual nestas ocasiões, será redistribuído em vários formatos: em disco único (vinil ou CD), em álbum duplo cheio de extras e em seis CDs — com mais extras ainda — mais um DVD chamado The Making of Sgt. Pepper.

Tudo era mono quando Sgt. Pepper foi lançado. O estéreo era uma novidade. Em 1967, foram dedicados três meses para encontrar o equilíbrio sonoro perfeito do álbum – em mono. Mas o disco foi lançado em estéreo após um trabalho de apenas três dias. Não ficou muito bom, mas o trabalho foi refeito só agora.

A foto interna do vinil original

A foto interna do vinil original

Em abril de 1967, finalizadas as 700 horas de produção do álbum (quatro anos antes, Please, Please Me, o primeiro álbum, demorara somente treze horas para ser gravado), pouco restava do conceito original. Da ideia inicial ficara somente Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, a canção de abertura em cujo final era apresentado o único personagem, Billy Shears (e Ringo entra cantando With a little help from my friends) e a famosa capa, criada por Peter Blake.

O álbum foi lançado em 1º de junho de 1967 e o incrível foi que, no dia 4 de junho, no teatro Saville em Londres, Jimi Hendrix abriu seu show cantando Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. O próprio Paul McCartney dera-lhe uma cópia do disco no dia anterior… Hendrix enlouquecera ouvindo o álbum.

Sgt. Pepper`s foi o primeiro disco em que os artistas tiveram tempo ilimitado de estúdio. Sem shows, livres dos constrangimentos impostos pela vida ultra pública e por serem “mais famosos do que Jesus Cristo”, eles tiveram calma para explorar o orientalismo em Within you and without you, o psicodelismo em Fixing a hole, o LSD em Lucy in the sky with diamonds. Voltaram-se para a Inglaterra de ontem e transformaram um velho cartaz de circo do século XIX no carnaval surrealista da admirável Being for the benefit of Mr. Kyte. Viraram-se para a Inglaterra do seu tempo e nasceu o rock fundado em tédio urbano de Good morning (“I’ve got nothing to say, but it’s ok”, canta Lennon). E nasceram as obras-primas With a little help from my friends e She`s leaving home, além de um esplêndido foxtrot nostálgico, When I`m sixty-four. E esse portento, ainda hoje inacreditável pelo gênio da produção e composição, que é A day in the life (versos inspirados na leitura do Daily Mail).

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band foi elogiado e reverenciado pelas engenhosas técnicas de estúdio e pela forma como conjugava diferentes expressões musicais – rock’n’roll, pop music-hall, psicodelismo, música concreta, música indiana, pop. Impôs o álbum como unidade, não como conjunto de canções sem ligações entre si, e deu respeitabilidade às palavras cantadas – as letras surgiram impressas na contra-capa pela primeira vez.

A não menos famosa contracapa

A não menos famosa contracapa

Enquanto marco musical e cultural, manteve-se incontestado durante longos anos, surgindo uma vez após outra no topo das listas de melhores discos de sempre. Com o tempo, porém, começaram a surgir as fissuras. Revolver, Rubber Soul e Abbey Road, ainda no século passado, ganhavam vantagem como álbuns superiores.

Ainda assim, em 2017, seu simbolismo mantém-se incontestável. Tentemos ouvi-lo simplesmente. Teremos perante nós o álbum de uma banda que conjugou de forma admirável o pulsar do presente com uma profunda nostalgia. Numa época em que se utilizava como slogan contracultural o “não confie em ninguém com mais de 30 anos”, os Beatles gravavam She’s leaving home, desarmante de tão comovente, com tanta empatia pela filha que foge quanto pelos pais destroçados que ficam para trás.

Vamos ouvi-lo 50 anos depois. Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, esse “momento decisivo na história da cultura ocidental”, pode ser simplesmente um disco, como diz Paul McCartney. Um magnífico disco.

Foto não utilizada no disco

Foto não utilizada no disco

Escrito with a little help from Publico.pt

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Bom dia, Odair (com os melhores momentos de Inter 2 x 1 Palmeiras)

O Inter voltou a jogar bem contra o Palmeiras, voltou a sentir a falta de preparo físico — o time morre aos 20 minutos do segundo tempo –, voltou a se retrair quando achou que estava classificado — maldito cacoete adquirido com Argel e que foi o responsável pela nossa queda para a Série B –, voltou a perder a disputa em razão do item anterior e Nico López voltou a desperdiçar oportunidades. O gol marcado pelo Palmeiras ao final da partida deu-lhes a vaga e agora nossa vida é a Série B e a Primeira Liga.

D`Alessandro após o marcar o primeiro. O passe de Edenílson foi um primor.

D`Alessandro após o marcar o primeiro. O passe de Edenílson foi um primor. | Foto: Ricardo Duarte

Por favor, esqueçam a Primeira Liga, nossa vida é a Série B.

E lá estamos com dificuldades de vencer em razão da falta de articuladores. Só D`Alessandro faz isso. Aliás, ontem Edenílson jogou muito e auxiliou Dale na função. É um caminho.

Mas a Copa do Brasil já era. Creio que Guto Ferreira possa ter feito boas observações no jogo de ontem. O preparo físico precisa melhorar, a dedicação tem de ser a mesma e o time tem que reaprender a evitar as viradas dos adversários tocando a bola e não recuando e dando chutões.

Afinal, reza a Lei de Marcelo Bielsa:

O time que abdica de jogar com a bola, multiplica o número de bolas que o adversário terá.

A qual pode ser completada pela Lei de Andrade. O ex-grande jogador e treinador do Flamengo dizia:

O time que está sem a bola corre o dobro.

Há também uma Lei de Cruyff, que diz:

Há apenas uma bola em campo, então você precisa tê-la.

Sem estas três considerações razoavelmente cumpridas e mais um bom preparo físico, vai ser complicado.

Agora as coisas estão bem claras. Há 35 jogos da Série B até o final do ano. O resto é bobagem.

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Em Berlim (XIII)

Então, finalizando o dia 12 de janeiro, fomos assistir a Orquestra Filarmônica de Berlim interpretando o Réquiem de Verdi. Uma semana antes do concerto fora anunciada a substituição do regente Riccardo Chailly por Marek Janowski, em razão de doença do italiano. O Réquiem de Verdi é uma peça única na história da música. A intenção de Verdi não era transmitir a transcendência da morte, mas sim tristeza e emoção, como em suas grandes obras para o teatro. Janowski não conduzia a Berliner Philharmoniker há mais de vinte anos e sua volta, bem, na nossa opinião, foi sensacional.

Talvez não seja surpreendente para um compositor de óperas como Verdi que o Dies irae seja a peça principal central em seu Réquiem: nada é mais lembrado quando falamos da obra. É uma visão apocalíptica, cujo cenário adquire traços expressionistas — o tremor da Terra, o tremor de todos os mortais, o julgamento final.

Mas isso são considerações musicais, vamos às pessoais ou turísticas. Compramos os ingressos na Internet. Eles nos mandaram pelo Correio, mas não chegaram a tempo. Então, fomos com o e-mail da confirmação de pagamento até a bilheteria para retirar uma segunda via dos ingressos. Tudo muito rápido e alemão.

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A sala principal da Filarmônica é impressionante. Ela nega o pouco que sei sobre boa acústica — não tem o formato clássico de caixa de sapato — , mas o fato é que a coisa é miraculosa. Ouve-se tudo. Como curiosidade, nota-se mil fios que atravessam o teto. Por ali circulam as câmeras e microfones que registram e transmitem ao vivo os concertos. (Conhecem o Digital Hall do site da Filarmônica de Berlim? Pois é).

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Era nosso último dia na cidade e a despedida foi, por assim dizer, monumental.

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Vejam como a sala é inteiramente assimétrica, bonita, estranha. O projeto é lá do início dos anos 60, quando Karajan reinava.

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Chegamos cedo para observar tudo com o olhar curioso dos turistas.

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Na foto acima, tentei pegar detalhes dos fios.

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Tudo preparado para a entrada da orquestra.

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Quando começou o Réquiem, o que ouvíamos era tão, mas tão musical que a Elena deixou algumas lágrimas na famosa sala. Do jeito dela, sem que ninguém percebesse. Não era para menos. Foi algo inesquecível ouvir orquestra e coro tão perfeitos, tão musicais e com tanto tesão.

A Elena me fez tirar a foto abaixo porque esse rapaz loiro de óculos era muito parecido — ao menos de longe — com seu filho Nikolay.

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Abaixo, o maestro Janowski em ação.

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No dia seguinte, fomos para Praga de trem. Desde então, não vi mais uma das pessoas que mais amo no mundo.

Bernardo em Berlim

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A Noiva Jovem, de Alessandro Baricco

A Noiva Jovem Baricco(Sem spoilers). De escrita primorosa e de grande originalidade, A Noiva Jovem deixou-me verdadeiramente embasbacado. Em entrevista que li agora, concedida ao Estado de S. Paulo, Alessandro Baricco afirma que se propôs a escrever um livro com 20% de realismo mágico, 20% de Lampedusa e 60% dele mesmo. Deu razão a este leitor que, sem entender de onde vinha aquele argumento, pensou em uma mistura de García Márquez e Lampedusa. Uma mistura altamente poética e potente. Só que ainda predominam, é claro, os 60 % de Baricco, com as constantes e curiosas intervenções do escritor no texto, que fala até num notebook perdido e numa namorada que critica a obra que está sendo escrita, além das perfeitas mudanças de foco narrativo. Também há Baricco na criação de um clima estranho, que faz com que o livro grude em nossas mãos, como já me acontecera na leitura de Mr. Gwyn.

Tudo acontece em um ambiente familiar muito curioso. Não há nomes, mas um Pai, uma Mãe, um Filho, uma Filha, um Tio. E a Jovem Noiva. O único que ganha nome é Modesto, o gentil mordomo que tudo vigia para que a felicidade seja um estado permanente. As relações são delicadamente insanas, as manias e medos são muitos.

O Filho conhece a Jovem Noiva ainda adolescente e ela é prometida a ele. Conheceram-se na Europa, mas a família dela, falida, foi tentar a sorte na Argentina. Quando completa 18 anos, a Jovem Noiva atravessa o oceano de volta para chegar a uma paisagem que parece a Sicília de Lampedusa. Vem para juntar-se ao Filho. Ela entra numa casa que parece cheia de personagens de García Márquez, todos eles docemente malucos, dando respostas e tomando atitudes entre o desconcertante e o poético, mas de um realismo mágico altamente racional.

Mas o Filho não está lá e demora. Entre os mil fatos, novidades e experiências que a casa oferece, o far niente começa trabalhar. Passam-se meses e a tensão cresce. E o Filho não chega. Isto atormenta e faz amadurecer a Jovem Noiva. Ela mantém a certeza de que ele virá.

Parabéns para a excelente tradutora Joana Angélica d`Avila Melo. Não deve ser fácil traduzir um livro que muda tantas vezes seu foco narrativo.

Baricco é um escritor altamente sofisticado que também faz crítica musical de música erudita, é pianista e apresenta um programa na televisão italiana. Seria bom iniciar correntes de orações para que tivéssemos alguém tão talentoso por aqui.

Recomendo fortemente!

Livro comprado na Bamboletras.

Baricco também faz critica musical. De eruditos, claro.

Baricco também faz critica musical. De eruditos, claro.

 

 

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A carta de despedida de Totti: “Tira os calções e as chuteiras porque, a partir de hoje, és um homem”

Adaptado do Público.pt

Ontem, domingo (28/05/2017), Totti, o eterno capitão da AS Roma, despediu-se definitivamente da braçadeira de capitão e dos gramados. Il Capitano manteve-se fiel durante 24 anos à camisa do clube ao qual chegou ainda criança. Ele despediu-se dos torcedores e do mundo do futebol numa carta emocionada. Aos 40 anos, o jogador tinha anunciado a sua saída no início deste mês. O momento de despedida comoveu o Estádio Olímpico, cujos gramados pisava desde os 16 anos, disputando mais de 780 jogos pelo emblema romano, sempre com a camisola número dez da equipe italiana.

Ele foi torcedor desde sempre da Roma. Gandula do clube quando menino. Estreou entre os titulares aos 16 anos. Capitão do time onde jogou por 24 anos. Campeão italiano em 2000/2001. Campeão mundial pela Itália em 2006. Maior artilheiro da Roma.

A seguir, a carta de Totti:

Totti despedida

Obrigado, Roma. Obrigado mãe, pai, irmão, familiares e amigos. Obrigado à minha mulher e aos meus três filhos. Quero começar pelo fim, pelas despedidas, porque não sei se serei capaz de terminar estas linhas. É impossível resumir 28 anos (ele conta os anos nas divisões inferiores) em algumas frases.

Gostaria de fazer isto com uma canção ou um poema, mas não sou capaz de os escrever e tentei, ao longo de todos estes anos, expressar-me através dos meus pés, o que, desde que era criança, tornou tudo muito mais simples.

Por falar na infância, conseguem adivinhar qual era o meu brinquedo favorito? Uma bola de futebol, claro! Ainda é. Mas crescemos ao longo da vida. Foi isso que sempre me disseram e foi o que o passar do tempo decidiu. Maldito tempo.

O mesmo tempo que, no dia 17 de Junho de 2001, só queríamos que passasse mais rápido. Não aguentávamos esperar mais pelo apito final. Ainda fico arrepiado quando me recordo desse dia. Hoje, esse mesmo tempo bateu-me nas costas e disse: “Precisamos crescer. Amanhã serás um adulto. Tira os calções e as chuteiras porque, a partir de hoje, és um homem e não poderás continuar a sentir o cheiro do gramado, o sol a bater no rosto enquanto assistes ao golo dos rivais, a adrenalina a te consumir, a satisfação de celebrar’.

Nos últimos meses, perguntei à minha mulher porque é que eu estava acordando deste sonho. Imaginem que são crianças e estão a ter um bom sonho. De repente, a nossa mãe acorda-vos para ir para a escola. Querem continuar a sonhar, tentam dormir outra vez, mas já não é possível… Desta vez, não é um sonho. É realidade. E não posso voltar a dormir.

Quero dedicar esta carta a todos vocês. A todas as crianças que torceram por mim. Às crianças de ontem, que cresceram e hoje são pais, bem como às crianças de hoje que talvez gritem “Tottigol”. Gosto da ideia de que, para vocês, a minha carreira é um conto de fadas a ser contado. Agora acabou. Vou tirar esta camisa pela última vez. Ficará guardada, ainda que não esteja pronto para dizer “chega”. Talvez nunca esteja.

Desculpem por não dar entrevistas para esclarecer os meus pensamentos, mas não é fácil apagar a luz. Tenho medo. E não é o mesmo medo que se sente quando se está prestes a bater um pênalti. Desta vez, não posso ver o que está à minha frente como via pelos buracos da rede.

Permitam-me que tenha medo. Desta vez, sou eu que preciso de vocês e do amor que vocês sempre me deram. Com o vosso apoio, vou conseguir virar a página e começar uma nova aventura.

Agora, é hora de agradecer a todos os meus companheiros de equipe, treinadores, diretores, presidentes e todos os que trabalharam ao meu lado nesta jornada. Para os torcedores, digo que ter nascido romano e romanista é um privilégio. Ser o capitão desta equipe é uma honra.

Vocês são e sempre serão a minha vida. Os meus pés vão deixar de vos emocionar, mas o meu coração estará sempre com vocês. Vou descer as escadas e entrar no vestiário que me acolheu ainda criança e que agora deixarei com um homem.

Estou orgulhoso e feliz de ter dado ao Roma 28 anos de amor. Amo vocês todos.

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Bom dia, Zago (com os “melhores lances” de Paysandu 1 x 0 Inter)

Parabéns, Zago. Ficarás recebendo um bom salário até dezembro sem precisar mexer um dedo para isso. A semana passada foi só de treinos e… Teu time foi uma bagunça tal que copiei a imagem abaixo. É o que farias se quisesses fritar um ovo.

Zago preparando um ovo frito (Imagem, idem...)

Zago preparando um ovo frito | Imagem roubada de alguém do Facebook. Esqueci de quem…

A diretoria está numa sinuca de bico. Novamente. Há quase dois anos sem um bom técnico —  Argel, Falcão, Roth, Lisca e Zago foram brincadeiras, né? –, só posso concluir que nossos queridos diretores estejam induzindo escalações a fim de satisfazer empresários. Só isto explica as verdadeiras loucuras de alguns times de Zago. Era um bota este, saca aquele que não podia dar certo. Era um time diferente e cada jogo. Vejamos quem será a próxima vítima. Acho que Marcelo Oliveira não viria porque é complicado mandar nele. E Levir?

Assisti ao jogo do Inter somente sábado à noite. Um ser humano tem que ter valores. Guinga estava se apresentando e o show foi tão bom que nem ver a derrota do Inter me tirou a boa sensação de musicalidade. Mas, meu deus, que desastre esse teu time.

D`Alessandro não jogou. Ele é o único armador DE TODO O GRUPO. Com a ajuda de Alexandre Perin, vamos revisar aos 13 contratados de 2017.

Quatro zagueiros: Neris (que já foi embora), Cuesta, Klaus e Danilo Silva
Um lateral-direito: Alemão
Dois laterais-esquerdos: Uendel e Carlinhos
Dois volantes: Edenílson e Felipe Gutierrez
Quatro atacantes: Róberson, William Pottker, Marcelo Cirino e Carlos.

Nenhum armador.

E dispensamos seis jogadores desse setor: Anderson, Andrigo, Alex, Valdívia, Gustavo Ferrareis e Seijas. É claro que apenas Valdívia poderia render, mas digam-me se faz algum sentido dispensar tantos jogadores do mesmo setor sem reposição. E Dale tem 36 anos. É uma piada. Isto só reforça minha impressão de que estamos seguindo as ondas dos negócios dos empresários, sem maior planejamento.

Contra o Paysandu, formou-se um latifúndio entre os três volantes e os três atacantes. Desculpem, mas chegou a ser engraçado. Lembrei de Gainete como técnico em 1977. O time apresentava o mesmo problema e a torcida vaiando loucamente o colorado num jogo no Beira-Rio (Inter 1 x 4 São Paulo). Eu estava lá. Vi o jogo e depois fui para o famoso Portão 8 com aquela imagem na cabeça: o meio-de-campo povoado só por são-paulinos… Tanto naquele longínquo 77 quanto no último sábado, nós entregávamos o meio.

Imagem roubada de alguém do Facebook. Esqueci de quem...

Imagem idem…

Mas não adianta falar muito. Zago foi embora e desejo sorte à diretoria na escolha da nova vítima. Será que alguém vai pensar na boa ideia de dar autonomia ao novo treinador?

Ah, e o preparador físico do Zago deixou o time muito mal fisicamente. No final da partida, o Inter se movimentava como um time de masters.

Permaneço achando que a Série B é uma barbada, mas temos que levá-la a sério antes que sejamos engolidos por crises e nervosismo. E por favor, contratem ARMADORES.

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Hoje teve Guinga no Santander Cultural

Infelizmente, Porto Alegre não parou porque Guinga se apresentava. Teve abobados, inclusive gremistas, que ficaram em casa para ver aquele Inter do Zago na TV. Tudo porque Guinga não é uma figura nacional — talvez fosse, se tivesse nascido antes –, mas mesmo assim sobrou gente para lotar o Santander Cultural na tarde chuvosa deste sábado. Muitos ficaram na rua, suplicando por um ingresso. Perderam muito. Afinal, foram 90 minutos com um grande compositor, violonista e cantor. Foi um show leve e sensível, alternando momentos festivos ou decididamente engraçados, como a magistral Chá de Panela, dedicada a Hermeto Pascoal, momentos líricos como a clássica Catavento e Girassol e temas mais pesados, como o Choro-RéquiemMeu Pai. Assim, vou mostrando para minha Elena o que temos de melhor. No ano passado, ela encantou-se com Mônica Salmaso e este ano com Guinga, de quem disse não ter voz de cantor, fato que é compensado com afinação perfeita, fruto de um ouvido miraculoso. Elena tem isso: é muito exigente em termos musicais, torce o nariz para coisas que não sejam de primeira linha. E eu vou tentando contornar eventuais vulgaridades. Ela chamou minha atenção para os inusitados e belíssimos acordes com os quais Guinga tratou Lígia, de Tom Jobim. Que arranjo ele fez! Hoje foi barbada garantir boa música para ela.

Hoje, Guinga apresenta-se mais fora do país, como quase todo mundo que é bom. É nossa decadência, fazer o quê? Ao final, cansado do show depois de dar uma master class à tarde — sacanagem dos organizadores, né? — acompanhou, com seus melhores acordes, a plateia cantando Carinhoso e Cadeira Vazia. Então, posso dizer que Guinga me acompanhou enquanto eu cantava Pixinguinha e Lupicínio e só estarei mentindo um pouquinho.

(Não fosse a gentileza de Günther Natusch, este modesto post e grande felicidade simplesmente não aconteceriam).

Guinga em ação | Foto de Elena Romanov (celular)

Guinga em ação | Foto de Elena Romanov (celular)

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Chove muito neste momento em Porto Alegre

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Parágrafo 570 da sentença que absolveu Cláudia Cruz. Dizer o quê?

Com a colaboração (imagem) de Miserere.

570

Será que Moro absolveria Marisa Letícia se encontrasse milhões em contas na Suíça e gastasse dinheiro público com luxos na Europa? Marisa é de uma classe, Cláudia é de outra. O juiz considerou em seu despacho que, “embora tal comportamento seja altamente reprovável, ele leva à conclusão de que a acusada Cláudia Cruz foi negligente quanto às fontes de rendimento do marido e quanto aos seus gastos pessoais e da família”. Pra que discutir com madame tão distraída, né?

O problema, gente, é que gastar dinheiro do marido corrupto não é crime.

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Pedaços de textos sobre Bergman que estavam há anos nos rascunhos do blog

Bergman e Bengt Ekerot (a morte) durante as filmagens de O Sétimo Selo

Bergman e Bengt Ekerot (a morte) durante as filmagens de O Sétimo Selo

Post que escrevi em 12/07/2003:

Depois de declarar uma aposentadoria meio falsa, pois permanecia parindo roteiros e outros trabalhos, Ingmar Bergman confessou:

Não teve jeito, anos atrás fiz uma descoberta devastadora: eu estava grávido! Dentro de mim estava crescendo e chutando um filme. Era impressionante e inesperado como o episódio de Sara na Bíblia, que engravida aos 89 anos. Depois do período de náuseas pela manhã, acabei gostando da idéia.

Bergman, que completa 85 anos na próxima segunda-feira, estreará seu novo filme, chamado Sarabanda, no Festival de Veneza, ao final de agosto. Outra boa notícia: suas filhas Eva e Linn estão organizando os arquivos pessoais do mestre para disponibilizá-los na Internet.

Ingmar Bergman e seu fotógrafo de sempre, Sven Nykvist

Ingmar Bergman e seu fotógrafo de sempre, Sven Nykvist

Em 30/07/2007:

Após produtiva existência, faleceu hoje pela manhã o maior diretor e autor de cinema de todos os tempos, Ingmar Bergman. O anúncio foi feito pelo Real Teatro Dramático da Suécia. Ele morreu em sua casa, em Faro. Pior notícia é difícil.

Nascido a 14 de Julho de 1918 em Uppsala, a norte de Estocolmo, Ingmar Bergman realizou ao longo da sua extensa carreira mais de 40 filmes, entre os quais se destacam Mônica e o Desejo (1951), “O Sétimo Selo” (1956), “Morangos Silvestres” (1957), “O Rosto” (1958), “Persona” (1966), “Gritos e Sussurros” (1972), “Sonata do Outono” (1978), “Fanny e Alexander” (1982) e “Sarabanda” (2003), além do esplêndido roteiro de “Infiel” (2000), de Liv Ullmann.

O cinema de Bergman vai muito além da simples diversão ou deleite, ele desperta reflexões sobre a vida, suas representações e o próprio homem. Eram os atores quem faziam os filmes de Bergman, eram eles quem davam vida a seus filmes e poderíamos dizer que eram suas feições a razão de seus filmes.

Além da sua obra cinematográfica, Bergman foi durante toda a vida um homem de teatro, tendo encenado numerosas peças, nomeadamente as do seu ídolo de juventude, August Strindberg. Foi no entanto o cinema o seu meio de expressão de eleição. “Fazer filmes é para mim um instinto, uma necessidade como comer, beber ou amar”, declarou em 1945.

Cineasta das mulheres, como alguns o consideravam, proporcionará os melhores papéis a atrizes como Maj Britt Nilsson, Harriet Andersson, Bibi Andersson, Ingrid Thulin, Eva Dahlbeck, Ulla Jacobsson e Liv Ullmann. Teve casos amorosos com várias das suas atrizes, casou-se cinco vezes e teve nove filhos.

Que o cinema seja o meio que me expresso é absolutamente natural. Fiz-me compreender numa língua que passava ao lado da palavra de que carecia, da música que não sabia tocar, da pintura que me deixava indiferente. Subitamente tive a possibilidade de me corresponder com o mundo numa linguagem que literalmente fala da alma para a alma, em termos que, quase de maneira voluptuosa, escapam ao controle do intelecto.

Filmografia principal:

2003 – Sarabanda
1986 – Documentário sobre Fanny and Alexander
1984 – Depois do ensaio
1982 – Fanny e Alexander
1980 – Da vida das marionetes
1978 – Sonata do outono
1977 – O ovo da serpente
1976 – Face a face
1974 – A flauta mágica
1973 – Cenas de um casamento
1972 – Gritos e sussurros
1971 – A hora do amor
1969 – O rito
1969 – A paixão de Ana
1968 – Vergonha
1968 – A hora do lobo
1966 – Persona (Quando duas mulheres pecam)
1964 – Para não falar de todas essas mulheres
1963 – O silêncio
1962 – Luz de inverno
1961 – Através de um espelho
1959 – A fonte da donzela
1958 – O rosto
1957 – Morangos silvestres
1956 – O sétimo selo
1955 – Sorrisos de uma noite de amor
1955 – Sonhos de mulheres
1953 – Noites de circo
1952 – Mônica e o desejo
1952 – Quando as mulheres esperam
1949 – Prisão
1948 – Música na noite
1946 – Chove em nosso amor
1945 – Crise

Ingmar Bergman

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