Porque hoje é sábado, a arte da dança com Aleska Diamond

Os princípios básicos do balé clássico são:

postura ereta,

uso do en dehors (o que será isso, meu deus?),

movimentos circulares dos membros superiores,

verticalidade corporal,

disciplina,

leveza,

harmonia e

simetria.

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Porque hoje é sábado, Sylvia Kristel

Meus sete leitores talvez fiquem escandalizados

mas não sou um apologista do pornô chique, gênero preferencial de Sylvia Kristel.

Também não que gosto do pornô ginecológico, nem de ver bate-estacas vagino-penianos.

Na verdade, prefiro uma foto como a acima

que faz funcionar a imaginação e aquelas coisas que os meninos sentem (ou eu sinto).

Mas entendo toda a babação por Sylvia Kristel: era uma libertária.

Num gênero onde o que mais interessa é o corpo

ela sempre foi um corpo e um rosto (e bunda também)

(e pernas)

(e mamilos)

(e elegância).

Mas tenho que contar uma coisa para vocês: desde a data da morte de Sylvia,

umas 15 pessoas, homens e mulheres, me pautaram: queriam a holandesa.

Uma amiga acadêmica, dessas cheias de PhDs

acaba de entrar no Facebook para me escrever a seguinte mensagem no chat, vejam só:

eu tenho um carinho especial por ela, tinha uns 8 anos e enganei meus pais para ver 

um filme com ela, anunciado na TV para a madrugada.

Eles não queriam que eu visse, desligaram a TV durante o anúncio do filme, não o deixaram terminar,

aí esperei todo mundo dormir e fui ver.

Foi meu primeiro filme erótico, escondida, no escuro e sem som, rsrsrs …

É esse tipo de coisa que faz dela um ícone. Foi um grande símbolo da libertinagem.

Sylvia Kristel (1952-2012): Essa coisa de RIP é uma besteira. Ela não está descansando. Mas digo que gostava dela e que fico com algumas boas lembranças.

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Caetano Veloso e sua homenagem a Carlos Marighella

Em seu último disco, Abraçaço, Caetano Veloso surpreende com uma canção dedicada a Carlos Marighella. É bastante longa e explicativa. Era desconhecida a admiração que Caetano e Gil tinham pelo também baiano Marighella. Ele e Gilberto Gil apareceram na capa de uma revista — onde eu li esta informação não dizia que revista foi –, dizendo “nós estamos mortos, ele está mais vivo do que nós”. Na mesma época, enviou ao jornal “Pasquim” um texto sobre Marighella. Caetano diz que, na época, ninguém no Brasil entendeu que a tristeza que expressava no texto, assim como na manchete da revista, não era apenas a tristeza do exílio, mas uma referência à morte de Marighella.

Montagem: http://paginadoenock.com.br/

http://youtu.be/otiZAYPP200

Um Comunista

Caetano Veloso, no CD Abraçaço, 2012

Um mulato baiano,
Muito alto e mulato
Filho de um italiano
E de uma preta uça

Foi aprendendo a ler
Olhando mundo à volta
E prestando atenção
No que não estava a vista
Assim nasce um comunista

Um mulato baiano
que morreu em São Paulo
baleado por homens do poder militar
nas feições que ganhou em solo americano
A dita guerra fria
Roma, França e Bahia

Os comunistas guardavam sonhos
Os comunistas! Os comunistas!

O mulato baiano, mini e manual
do guerrilheiro urbano que foi preso por Vargas
depois por Magalhães
por fim, pelos milicos
sempre foi perseguido nas minúcias das pistas
Como são os comunistas?

Não que os seus inimigos
estivessem lutando
contra as nações terror
que o comunismo urdia

Mas por vãos interesses
de poder e dinheiro
quase sempre por menos
quase nunca por mais

Os comunistas guardavam sonhos
Os comunistas! Os comunistas!

O baiano morreu
eu estava no exílio
e mandei um recado:
“que eu que tinha morrido”
e que ele estava vivo,

Mas ninguém entendia
Vida sem utopia
não entendo que exista
Assim fala um comunista

Porém, a raça humana
segue trágica, sempre
Indecodificável
tédio, horror, maravilha

Ó, mulato baiano
samba o referencia
muito embora não creia
em violência e guerrilha
Tédio, horror e maravilha

Calçadões encardidos
multidões apodrecem
Há um abismo entre homens
E homens, o horror

Quem e como fará
Com que a terra se acenda?
E desate seus nós
discutindo-se Clara
Iemanjá, Maria, Iara
Iansã, Catijaçara

O mulato baiano já não obedecia
as ordens de interesse que vinham de Moscou
Era luta romântica
Ela luz e era treva
Feita de maravilha, de tédio e de horror

Os comunistas guardavam sonhos
Os comunistas! os comunistas!

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Em 10 minutos e em ordem cronológica, todos os 91 gols de Messi em 2012

http://youtu.be/qXrltgfrrqw

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Senhores Conselheiros: não soneguem aos sócios a oportunidade da manifestação democrática

Por Bruno Zortea
Advogado e sócio colorado Nº 545.022, matrícula 087125.00

Estamos nos aproximando de uma decisão importantíssima para o Sport Club Internacional. Contudo, esta não passa pelo gramado, nem pelas hoje quase ausentes arquibancadas. Amanhã, quinta-feira (8), os rumos do clube serão decididos nas entranhas do Conselho Deliberativo, onde se dará a disputa entre as três chapas postulantes ao comando do clube no próximo biênio.

O evento de amanhã deveria ser apenas o prólogo da eleição real, aquela em que os associados do clube do povo decidem quem serão os merecedores de conduzirem sua paixão pelos dois anos seguintes. Porém, e há sempre um porém em tudo, corremos o seríssimo risco de vermos este inalienável e sagrado direito de escolha retirado de nós por questão burocrática. Com efeito, a previsão da chamada cláusula de barreira — a qual só dá acesso ao segundo turno a dois candidatos com mais de 25% dos votos no Conselho — visa evitar a participação no pleito final de algum “aventureiro” ou “cabeça-de-bagre” que pretenda apenas aparecer, tumultuar e dificultar a escolha do associado. Por falar em “cabeça-de-bagre”, lembramos que dirigente ruim é como jogador ruim, uma hora acabará jogando e comprometendo.

Entretanto, a meu juízo, não é o que se verifica entre os três postulantes ao cargo máximo do Colorado, vez que são pessoas sabidamente comprometidas com seus projetos para com o Internacional há muitos anos e que representam correntes consolidadas dentro do clube.

A grande questão é a possibilidade de apenas um dos candidatos romper a tal barreira e redundar numa patética eleição indireta, totalmente à revelia das bases democráticas de uma instituição que conta com mais de 100 mil sócios. Ou devemos considerar que o associado é tão somente uma massa de manobra que deve apenas pagar a mensalidade, torcer para que o conselho acerte na escolha e ser posteriormente convocado a apoiar o time de forma incondicional, até quando é derrotado por “rebaixatários” dentro do Beira-Rio?

Contra isso eu me ergo, como devem se insurgir todos os associados, sem procurar desafetos. Não podemos admitir que os escolhidos para o comando do glorioso Internacional não passem pelo crivo do voto direto. Essa eleição precisa ser decidida no pátio. Vivemos uma fase de transição e a próxima direção não pode iniciar a necessária reformulação no elenco sem o respaldo da torcida.

É inegável que muitíssimos erros foram cometidos, que este foi um ano perdido, mas se os dois próximos também o forem, só teremos outra oportunidade de mudar o presidente após a Copa de 2014! O grande problema que viceja no Internacional hoje parece ser uma deletéria mistura de ressaca, continuísmo e conformismo, na expectativa de que alguma solução mágica nos recoloque na senda de vitórias.

Não acredito que o atual modelo de gestão se encontre ultrapassado ou esgotado — pelo contrário, estratégias semelhantes se mostram altamente eficazes em outros clubes — , a questão é que os atuais mandatários não souberam ou não puderam traduzir seus atos e investimentos em um time. Alguém se aventura a lembrar a ultima atuação convincente do Internacional? Estamos tão saturados com o conformismo que já sabemos de antemão as desculpas para os constantes reveses. Ninguém mais aguenta o “pensar jogo a jogo”, as lesões, as convocações, a defesa dos atletas “com biografia”, etc.

As últimas notícias, por exemplo, confirmam a total falta de rumo no comando do futebol: um atleta que há pouco tempo foi nosso capitão (vai entender), hoje se especula que será dispensado; outro que também foi nosso capitão e que estava totalmente fora dos planos — talvez por decisão própria — deve jogar no próximo domingo. Cadê a convicção, onde está a política de futebol? Daqui a pouco deverão começar a falar em grupos dentro do vestiário. Da mesma forma, o modo como foi tratada a questão com a Andrade Gutierrez traduziu-se em meses de angústia da torcida, corneta e exposição negativa de nossa imagem.

Resumindo, a torcida colorada merece, após este ano medíocre, o direito de ir às urnas e indicar por quem pretende torcer, vaiar ou cornetear nos próximos dois anos. O momento é sim de união, mas não entre os diversos movimentos políticos do clube e sim entre este e a sua apaixonada torcida. É preciso que a próxima gestão possua legitimidade, e esta, convenhamos, não advém dos salões acarpetados do conselho, e sim do primitivo cimento do pátio, irmão da arquibancada, onde a torcida tantas vezes se somou ao time em suas conquistas.

Senhores Conselheiros, da mesma forma que não vamos a campo pelos jogadores e sim pela camisa, não iremos às urnas pelos senhores, mas sim pelo glorioso Sport Club Internacional.

Por favor, não nos soneguem a oportunidade desta importante manifestação democrática. Não aprontem mais essa. Segundo turno já!

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General Câmera: sorria, você está sendo filmado

A pressa com que a prefeitura faz nascer placas nesta época pré-eleitoral está prejudicando não somente a paisagem porto-alegrense, como também a correção do nome de suas ruas. Se todo mundo já chama a rua do Sul21 de Rua da Ladeira, agora corremos o risco de acentuar a confusão, pois foi criada uma nova forma de referir-se ao logradouro. Este envolve um ato falho, pois, se utilizarmos uma câmera, veremos que não há nada por trás da placa, nem um buraquinho…

A placa apareceu bem depois do dia 18 de julho, segundo o vigilante porteiro do prédio do Sul21

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Cansaço colorado, desânimo geral

Bolívar: sem seu apoio, o técnico cai

Darei meu recado rapidinho.

“Desânimo geral”, este é o titulo de uma das conversas que estamos travando em um dos grupos de discussões do Inter, justo naquele onde há mais conselheiros do clube. Mas a sensação estende-se aos outros grupos dos quais participo. Ninguém mais suporta falar sobre as escalações do time sabendo que estas são ditadas pela política do vestiário. Agora é Juan que provavelmente não iniciará o Gre-Nal — ou iniciará com mais dois outros zagueiros — tudo porque Bolívar, o líder do vestiário, o homem que avaliza treinadores, é inamovível.

Imaginem a vontade de treinar de um cara como, por exemplo, Rodrigo Moledo. Ele  conseguiu retirar o Bolívar do time num esforço supremo — na bola que jogou a mais — e saiu do time por lesão. Virou reserva novamente. Está lá, no banco. Não sou apaixonado por ele, mas Moledo foi sacaneado. Dia desses ressurgiu no lugar de Índio. E foi o melhor da defesa.

Desta forma, o melhor Inter não pode entrar em campo em função do grupo de Bolívar. As substituições comprovam. Sempre saem os mais jovens (Élton, Fred), com os confirmados permanecendo em campo. E não há como motivar aqueles que não são amigos do General. Quase todo mundo está de saco cheio: os outros jogadores e a torcida. A perspectiva é péssima, mesmo contra o time do Grêmio.

Esse Gre-Nal pode desaguar em nova e desnecessária crise, mesmo que o Grêmio seja um time de opereta. Bem treinado, mas de opereta.

Faz algum tempo que decidi: como sócio e colorado, sigo pagando o clube, mas não vou ao estádio até que veja que o vestiário não é de um grupo de ex-vencedores, porque até as vitórias têm prazo de validade no futebol.

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O Corinthians mereceu

Emerson: autor de dois gols na decisão

Como tínhamos previsto neste post (O Corinthians: dessa vez vai, acho), o Corinthians — “com um time de implacável pragmatismo, sem ilusões, dedicado à marcação e sem destacados protagonistas” — finalmente levou a Libertadores para casa. A conquista não incluiu as tradicionais arbitragens camaradas que acompanham o clube no Brasil, ela ocorreu limpamente no campo de jogo. Então, apesar de ter torcido para o Boca Juniors, reconheço a merecida vitória e deixo meus parabéns ao muitos e chatíssimos corintianos que conheço.

Na verdade, toda a tensão da torcida nem era justificada, tal a superioridade do time em campo. Mas sei como é, quando ganhamos a primeira Libertadores, meus amigos de outros estados diziam: “Mas foi fácil, vocês eram muito melhores que o São Paulo…” Tá bom, sofri horrores.

Para um sujeito como eu, que dá atenção residual ao futebol de seleções, a Libertadores é o torneio mais importante para ser acompanhado. Fico feliz que nossa versão da Champions League tenha se tornado uma paixão brasileira. É o terceiro título consecutivo de nosso futebol. O Inter ganhou em 2010, o Santos em 2011 e agora o Corinthians. Acho mais, acho que o espaço dado ao grande torneio fará crescer o interesse pelo Brasileiro, pela Copa do Brasil e apressará a morte dos regionais, pois é impossível manter os clubes que disputam a Libertadores fora de uma Copa do Brasil que pode levá-los novamente ao grande torneio. Em quase todos os países de futebol desenvolvido, há três grandes disputas anuais: o nacional com jogos de todos contra todos ida e volta, a Copa do país — com todos os clubes e eliminatória como a Copa do Brasil — e a competição continental. Só aqui temos estes anacrônicos regionais que atrapalham o calendário e nos fazem desrespeitar as datas Fifa. Vejam o efeito: agora, Inter e Santos perderão vários de seus principais jogadores em função das Olimpíadas. Culpa de quem? Ora, é só olhar o calendário.

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O Corinthians: dessa vez vai, acho

Liédson, Danilo e Paulinho após o empate corintiano

Pois eu acho que desta vez o Corinthians será finalmente o Campeão da Libertadores. Com um time de implacável pragmatismo, sem ilusões, dedicado à marcação e sem destacados protagonistas, o time mais popular de São Paulo deverá levar não apenas a lenda de mais chato da competição. Apesar do que significa o Boca — se este passar hoje pelo Libertad — , os argentinos estão muito abaixo do que vimos ontem.

Afinal, é o ano dos pragmáticos. O Chelsea já ganhou a Liga dos Campeões vencendo times com melhores jogadores. (Acho que um encontro entre Chelsea e Corinthians deveria ser encaminhado diretamente para os pênaltis, tais suas retrancas.) Mas, ah, há lições a tirar dos enfadonhos.

Se o Chelsea teve sorte contra o Barcelona e principalmente contra o Bayern, o Corinthians demonstrou notável segurança, mantendo distância de quaisquer possibilidades de reversão. Todos, inclusive os atacantes, marcam mesmo. É comum ver Jorge Henrique, Emerson e William atirando-se à marcação com ânimo de volantes de contenção. E o resto do time faz o mesmo. Tanta dedicação aponta para um vestiário fechado e motivado, sem dorivais a impor ordens sem sentido. A marcação é completada por uma excelente organização e sincronia quando com a bola nos pés, prova de que o time não faz apenas os rachões desatentos de dorivais. Se há tanta dedicação e obediência, não há apenas Tite para administrar o grupo , há certamente uma equipe — da qual participa Fabio Maseredjan, dispensado pelo Inter para dar lugar ao preparador da equipe de dorival. OK, apesar de justos, chega de ressentimentos.

Ao ver os torcedores com lágrimas nos olhos e nervosos no final da partida, pensava em quão idiotas somos quando sob grande tensão. Eles deveriam estar tranquilos, tal a serenidade e a segurança do time do Pastor Tite. Apesar da diferença de um gol, o Santos nunca chegou a ameaçar, nem mesmo quando encontrou, sob as camadas da marcação corintiana, aquele gol de Neymar. A coisa estava tão séria e complicada para o Peixe que Neymar comemorou o gol de verdade, sem aquelas dancinhas das suas mais que vulgares músicas.

O gol foi imerecido e acabou sendo corrigido logo no começo do segundo tempo de uma forma bem corintiana — explorando o erro do adversário, no caso, Durval. Pois os times vencedores são assim, punem, estão ligados, prontos para o bote, totalmente instruídos e focados em objetivos, a não ser que sejam formados por Messis e Xavis e não precisem de tanta atenção, só de treino mesmo.

Esqueci de dizer que a objetividade do Tite — tão desapiedada quanto a de um pastor ao retirar o dízimo de seus fiéis — também revela-se quando o Corinthians toma posse da bola. O time vem tocando quase sem dribles e errando poucos passes. Os maestros são o excelente Paulinho e nosso conhecidíssimo Alex. Na reserva, há jogadores do porte de William, Liédson, Douglas, etc. Ou seja, a receita do Corinthians — provável vencedor da Lib 2012 — é foco, organização, dedicação, jogadores experientes e rejeição aos protagonismos.

Quando comparo com aquele meu time do sul… OK, eu paro.

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Os pecados deste blog

Não ter não saudado Maria Sharapova, vencedora do Roland Garros de 2012. Parabéns. O blog aprecia e vibra com teus gritos, Maria.

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Hollande, Sarkozy, mas principalmente o fascismo de Le Pen

Le Pen: fascismo em alta na França.

Estive na França durante o ano passado. Foi apena uma semana, uma maravilhosa semana em novembro, mas vocês sabem, viajar a um outro país é estar com a sensibilidade à flor da pele. Recém saído da tranquila Inglaterra, a situação na França me pareceu tão pesada quanto a medonha Igreja de la Madeleine. Havia visível tensão social. Imigrantes eram procurados nos metrôs e mesmo o pessoal da esquerda reclamava da presença de árabes e africanos por todo lado. Muitos franceses diziam que “os negros não gostam de nós e os árabes são muito diferentes”. Quando aparecia alguém estuprando e matando — fatos que ainda causam surpresa na França — , os franceses conjeturavam se o culpado seria um negro indignado ou árabe fundamentalista. Era um ambiente propício à direita, obviamente, e, quando diziam que Mélenchon subia nas pesquisas encostando em Le Pen, eu pensava que tudo tinha mudado rapidamente em poucas semanas. Só que não tinha mudado.

O socialista Holande ganhou por 1,4%, aproximadamente. Sarkozy saiu-se melhor do é com 27,18%. Mélenchon sumiu com seus 11,1%. E Marine Le Pen, da extrema-direita, obteve 17,9% dos votos. Pois é. Aí está o fato principal destas eleições. Quando a extrema-direita xenófoba consegue mobilizar quase vinte por cento do eleitorado de um país como a França, algo vai mal. De 2007 e 2012, Le Pen quase duplicou a votação. A abstenção foi de 19%, superior à de 2007.

Se, no segundo turno, em 6 de Maio, Hollande acrescentar a seu percentual todos os votos da esquerda e extrema-esquerda (Mélenchon, Joly, Poutou e Arthaud), obterá 43,76% dos votos. Por seu turno, se os votos de Le Pen forem todos para Sarkozy, o atual presidente ficará com 45,08%.

Portanto, quem vai decidir a eleição é o eleitorado da centro-direita de François Bayrou (9,13%) e dos nanicos Dupont-Aignan (gaulista, 1,79%) e Cheminade (um católico que obteve 0,25%). Estes três candidatos somam 11,17%. O desfecho dependerá da percentagem que se deslocar para Hollande ou Sarkozy. Segundo pesquisa do instituto Ifop, 83% dos eleitores de Mélenchon votarão em Hollande, os de Bayrou iriam 38% para Hollande e 32% para Sarkozy e os de Le Pen, 48% para Sarkozy, 31 para Hollande e 21 não votariam ou votariam em branco.

Ou seja, tudo está em aberto e mesmo Sarkozy pode seguir no cargo.  Afinal, Hollande é um baita chato e tudo conta numa final apertada.

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Aprovado

Este é o cartaz do 65º Festival de Cannes. No próximo dia 5 de agosto, fará 50 anos da morte de Marilyn Monroe.

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Subestimar o outro não é o mesmo que se superestimar

Única alegria: Grêmio erra um passe e Inter empata o jogo em contra-ataque | Foto: Ramiro Furquim

O que alguns gremistas desejam hoje, após a indiscutível vitória no Gre-Nal de ontem, é que fique comprovado que o Inter não subestimou o Grêmio. Havia tal preocupação nas entrevistas de ontem depois do jogo e esta ainda permanece. A conversa ouvida no ônibus foi “e eles estavam lá com os titulares, para ganhar!”; a leitura de uma resenha escrita por um gremista sobre o jogo começa assim: “O Inter não subestimou o Grêmio. (…) O Grêmio foi, simplesmente, superior”. Sim, foi superior, e muito. Sobre a questão de subestimar ou não, creio que o erro começa pela palavra utilizada. Pois creio que o Inter encarou a partida de forma errada, jogou como se estivesse no Campeonato Gaúcho e não estava, estava num clássico. Aos 5 primeiros minutos de jogo, eu já dizia para minha companhia, “Dorival acha que vai ganhar o jogo só na banguela, como aconteceu contra o Caxias ou o Pelotas deve estar tranquilo, ignorando o Grêmio…”.

Pode parecer a mesma coisa, mas não é. O Inter não subestimou o Grêmio, o Inter seguiu superestimando sua própria capacidade de resolver os problemas de seus jogos. Queria jogar para o gasto, como tem feito sempre, independente de adversário. Acostumado a desequilibrar as partidas através da qualidade e alta efetividade de seus atacantes, enfrentava um adversário que sabia marcar. O Grêmio deu um narcótico para D`Alessandro, vigiou Oscar e Kléber e só teve problemas com Dagoberto. Apesar do placar apertado, foi um Gre-Nal extremamente fácil para os bananas. Parecia que os times tinham trocado de camisa. A qualidade do Inter só se fez presente no final, quando perdeu gols realmente incríveis.

Quando se entra com determinada postura, é muito complicado mudá-la. Não sei explicar, mas é. O Inter tentava engatar uma marcha, mas como fazê-lo se o Grêmio tinha a bola? Dizer que faltou esforço de nossa parte é bobagem. Como diz Andrade, justificando o Barcelona e o toque de bola do Flamengo dos anos 80 que tentava implantar em seus times, quem não tem a bola corre e cansa o dobro. O Inter correu muito, esforçou-se ao máximo, mas não engatou. A mobilização não dava resultados. Aos 10 minutos do primeiro tempo, minha companhia dizia “esse time precisa ouvir a palavra do vestiário” e dávamos risadas. Claro, sabíamos que haveria ainda 35 minutos de baile. Estávamos na mão do Grêmio e a coisa só melhoraria se eles afrouxassem. O pior é que empatamos o primeiro tempo e Dorival deve ter acreditado que, logo logo, alguém ia dar um jeito de fazer o segundo. Nada mudou depois do vestiário.

Bem, o fato é que tomamos um “arrodião” no Beira-Rio.

Três coisinhas para terminar:

1. O que gostaria de saber é o que Muriel e o treinador de goleiros pensam a respeito de espalmar as bolas para a frente. É um método de suicídio? Ele tem feito isso em TODOS os jogos.

2. Grande Roger. Acertou o time, escalou os melhores — livrando-se principalmente de Grolli — e entregou em paz o bastão para Luxemburgo. Um dia, não será mais um mero interino.

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