Em Berlim (I)

A Latam fez tudo para atrapalhar, mas no final tudo deu certo. Um atraso de 1h10 na saída de São Paulo quase impediu que pegássemos a conexão para Berlim. Chegamos a Frankfurt 40 minutos após o previsto e fizemos a maior correria num dos maiores aeroportos do mundo antes de vermos a bendita fila de embarque para Berlim. Apreciamos algumas cenas de desespero protagonizadas por norte-americanos que vieram no mesmo voo conosco. “Fuck this airport”, diziam em voz alta dois rapazes de ar nova-iorquino que perderam sua conexão por uma razão muito simples: os alemães não os deixaram passar na frente da fila de imigração. Para os alemães fila é fila e se eles chegaram atrasados, paciência. Aqui ninguém passa na frente. Tá bom. Entendi.

A viagem foi difícil. Eu estava sentado na janela, Elena no meio e um enorme alemão mal-humorado no corredor. O homem grunhia quando queríamos ir ao banheiro. A coisa era ainda mais tensa porque li em sua tela que ele ouvia a integral das sinfonias de Dvořák sem parar. Foram mais de quatro horas. Ele não podia ser boa pessoa. Passada a tensão, a Elena até sentiu-se mal no dia seguinte.

Em Berlim, no aeroporto de Tegel, Bernardo nos esperava. Se não fosse ele, gastaríamos horrores na locomoção até o centro. Como ele, gastamos 4,50 euros. Chegamos rapidamente ao Hotel Prens Berlin — simples e ótimo — e jantamos maravilhosamente em sua companhia ao custo de 25 euros. Preço para os três.

No voo da Lufthansa entre Frankfurt e Berlim, fui ao banheiro — já tinha outras vezes é claro, mas esta ida foi especial. A porta sinalizava o recinto como livre. Abri a porta com a maior sem-cerimônia quando vi que, dentro, estava uma aeromoça de olhando-se no espelho. Detalhe: ela retocava a maquiagem ou ajeitava o cabelo com as saias no chão, só de calcinhas e o resto da roupa. Pode ser que aqui ninguém passe na frente da fila, mas as moças entram em banheiro público sem maiores cuidados. Fechei imediatamente a porta. A moça nem me olhava depois.

Pela janela do avião, fiquei impressionado com os número de captadores de energia solar e os cataventos de energia eólica. Eles estão por todo lado.

A conversa com o Bernardo foi calma e amorosa, apesar de nosso imenso cansaço. Amanhã é o aniversário de meu filho.

Elena e Bernardo conversando sobre a poética dos livros de fotografias.

Elena e Bernardo conversando sobre a poética dos livros de fotografias.

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“Seja bem-vindo entre nós”, dizem as três principais orquestras de Berlim aos refugiados

A Filarmônica de Berlim, a Konzerthausorchester Berlin e a Staatskapelle Berlin convidaram os refugiados, suas famílias e voluntários para um concerto na Philharmonie de Berlim, a casa da primeira. O concerto foi ontem à noite, 1º de março. Nele, as três orquestras com seus titulares Simon Rattle, Daniel Barenboim e Iván Fischer desejaram as boas-vindas às pessoas que foram obrigadas a fugir de suas casas e ao mesmo tempo agradeceram aos voluntários por seu trabalho.

Daniel Barenboim, Iván Fischer e Sir Simon Rattle assinam: “Como músicos, nos sentimos bem-vindos em todo o mundo. Esperamos que isso também se aplique a pessoas que são cruelmente atingidas pelo destino e que são forçadas pela guerra, fome ou perseguição, a deixarem suas casas. Com o nosso concerto conjunto, queremos desejar dar boas-vindas às famílias de refugiados e expressar nosso agradecimento e apreço aos voluntários”.

Bonito.

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