Vera Rodrigues desenha pra nós:

Vera Rodrigues desenha pra nós:

Onze partidos declararam “neutralidade” no segundo turno. Preciso dessa lista para nunca mais votar em nenhum deles. Não existe neutralidade em política. Não dá pra aceitar “neutralidade”, quando um lado da disputa faz apologia à tortura, tem como referência teórica um dos maiores torturadores do regime, afirma que o erro da ditadura foi ter torturado e não matado, pretende condecorar a PM e o Exército pelo extermínio de parte da população. Não dá. Paradoxalmente, para fazer oposição ao PT, será preciso votar nele, buscando garantir a permanência da democracia que, mesmo fragilizada, é melhor do que um regime totalitário. Nem se trata do PT, mas da sobrevivência do país. Essa não é uma eleição Aécio x Dilma.

Fotos Públicas

Negligência de governos destrói o Museu Nacional: acompanhe a sequência do corte de verbas

Negligência de governos destrói o Museu Nacional: acompanhe a sequência do corte de verbas

Um incêndio consumiu quase todo o Museu Nacional do Rio de Janeiro. Há apenas dois meses, a instituição tinha comemorado os 200 anos de sua criação.

O Museu foi fundado por Dom João VI em 1818 e possuía o quinto maior acervo do mundo, com mais de 20 milhões de peças, e era referência para pesquisadores de várias áreas. Suas obras contavam uma parte importante da história antropológica e científica da humanidade.

Lá estava o fóssil — com mais de 11 mil anos — de Luzia, a mulher mais antiga das Américas, cuja descoberta nos anos 1970 alterou todas as pesquisas sobre a ocupação da região.

Também havia a reconstrução do esqueleto do Angaturama Limai, o maior dinossauro carnívoro brasileiro, com quase todas as peças originais, algumas com 110 milhões de anos.

Foi queimado igualmente o sarcófago da sacerdotisa Sha-amun-em-su, mumificada há 2.700 anos e presenteada a Dom Pedro 2º em 1876, e que nunca tinha sido aberto. A coleção de múmias egípcias e a de vasos gregos e etruscos evidenciam o perfil mundial do acervo, que também abrigava o maior conjunto de meteoritos da América Latina.

Porém Bendegó, o maior meteorito já encontrado no país com mais de 5 toneladas, sobreviveu intacto.

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O Museu Nacional encontrava-se sob a guarda da UFRJ, ou seja, sofrendo com os cortes da Educação, recebendo apenas R$ 13.000 de manutenção mensal para seus 20 milhões de itens de História e Arte brasileira. Não me digam que o incêndio de hoje não é resultado das políticas da quadrilha — com Supremo, com tudo — que atualmente ocupa o Planalto, que não é resultado do Centrão que está destruindo o país há bem mais de um governo. Claro, o governo anterior igualmente não tratou nada bem a cultura — imaginem que o Museu teve de fechar as portas, em 2015, por falta de verbas para o pagamento dos funcionários, em pleno governo Dilma. Mas é agora que se orquestra um grande ataque à cultura. Os governos estaduais e municipais começaram a combater o meio cultural do país que não os apoia. Sartori e Marchezan estão fazendo o seu tanto do RS e em Porto Alegre, assim como Pezão e Crivella no RJ.

Aliás, no mesmo sentido, Bolsonaro defende a extinção do Ministério da Cultura… Ele pensa que uma secretaria seria o suficiente para tratar do assunto.

Vejamos: em 2014, ano em que as atenções estavam voltadas para as arenas da Copa do Mundo, foram repassados apenas R$ 427 mil para o Museu. Em 2015 foi ainda pior: R$ 257 mil. Subiu um pouco em 2016, R$ 415 mil. No ano passado, foram 246 mil e agora, no ano do bicentenário, somente R$ 54 mil. A estrutura apresentava sinais visíveis de má conservação, como fios elétricos expostos e paredes desencascadas, rachaduras na estrutura, sem falar na falta de dispositivos anti-incêndio. A Petrobras, através da Lei Rouanet, ajudou a manter o museu até a Lava a Jato. Com a crise da empresa, cessou o patrocínio.

Bem, o dinheiro destinado para a manutenção do Museu Nacional era equivalente a 10 auxílios-moradia do Judiciário. Agora, nem precisam mais ter esse gasto. Me apavora o fato de que o Theatro Municipal, o MAM, o Jardim Botânico, o Real Gabinete Português, a Biblioteca Nacional, etc., — para não falar em instituições de outros estados –, estejam sob as mãos de governantes como os nossos. Já o STF e o Congresso Nacional devem estar limpíssimos e conservadíssimos, ao menos seus prédios.

Foto: Mídia Ninja

Resumo da palestra de Bolsonaro e uma pergunta: o que Vladimir Herzog acharia disto?

Resumo da palestra de Bolsonaro e uma pergunta: o que Vladimir Herzog acharia disto?

Pois ele foi convidado da Hebraica… Desde quando uma entidade judaica chama um fascista para falar? Judeu apoiando intolerância? Que tipo gente é essa da Hebraica do Rio?

Bem, vamos ao resumo:

Bolsonaro: o show da estupidez.
Bolsonaro na Hebraica: o show da estupidez.

“Eu tenho 5 filhos. Foram 4 homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio uma mulher”.

“Eu fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Nem pra procriar ele serve mais”.

“Alguém já viu um japonês pedindo esmola por aí? Não, porque é uma raça que tem vergonha na cara. Não é igual a essa raça que tá aí embaixo, ou como uma minoria que tá ruminando aqui do lado”.

“Se eu chegar lá não vai ter dinheiro pra ONG. Esses vagabundos vão ter que trabalhar. Pode ter certeza que se eu chegar lá (Presidência), no que depender de mim, todo mundo terá uma arma de fogo em casa, não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena ou para quilombola”.

“Tínhamos na presidência um energúmeno que só sabia contar até 10 porque não tinha um dedo”.

“Eu não tenho nada a ver com homossexual. Se bigodudo quer dormir com careca, vai ser feliz”.

Terminou sob aplausos e gritos de “Mito, mito, mito”.

Realmente, a ignorância grassa em todos os extratos. Fico pensando em Herzog, grande jornalista, professor e dramaturgo brasileiro, judeu naturalizado que foi torturado e assassinado pela ditadura civil-militar brasileira nas instalações do DOI-CODI.

Algumas ponderações sobre a pesquisa que coloca Lula como favorito à presidência em 2018

Algumas ponderações sobre a pesquisa que coloca Lula como favorito à presidência em 2018

Por Luís Eduardo Gomes

lula bolsonaro

1) Se o Lula concorrer, vai para o segundo turno. EU, friso bem, EU, ACHO que ele não ganha, porque o anti-lulismo é muito forte e as forças contrárias vão se unir com QUALQUER candidato, da Marina a Bolsonaro, em 2018. Esse clima de “já ganhou” que eu andei vendo hoje é a mesma loucura de quem achava que ia ser Pont e Luciana no segundo turno.

2) É muito apavorante esse crescimento do Bolsonaro, mas é esperado. Cada vez mais eu acho que ele vai ganhar, ainda mais porque não se leva a sério essa possibilidade, especialmente A DIREITA não leva a sério, o que me leva ao item 3…

3) Aécio vai entrar para a história como o MAIOR OTÁRIO que o Brasil já viu. Se ele tivesse ficado quieto, sem querer lá atrás contestar o resultado das urnas, era o franco favorito em 2018. Foi o pai da crise política, deu o poder pro Temer, hoje nem a direita o respeita mais e ele pode ter criado o cenário pra vitória do Bolsonaro ou para a volta do Lula (Duvido que o PT faria um quinto mandato consecutivo se a Dilma não tivesse sido derrubada).

4) Eu não sei se a nossa mídia nacional se faz de louca, se é manipulação, se é iludida ou se é burra mesmo, mas essas notícias que sempre circulam sobre expectativa do Temer se candidatar, do Henrique Meirelles ou coisa do tipo, são totalmente descabidas nesse momento. A menos que haja um crescimento muito acima da expectativa em 2017 e no início de 2018, eles não têm nenhuma chance.

5) Ainda acho que há um cenário para uma disputa entre Marina (ou Ciro) e Alckmin, mas isso passaria por uma diminuição do extremismo, o que não estamos vendo hoje, e o Lula não disputar.

6) Para fechar, é preciso levar muito a sério o Bolsonaro e não tirar ele para louco. Tem muita gente que QUER MUITO votar nele e serem ridicularizados como boçais só aumentará a vontade dessas pessoas de abraçar o ex-militar. É preciso trazer essas pessoas para o nível da argumentação, para o debate, especialmente com quem é de direita e defende outras posições.

Governador Cabral, só uma coisinha

Sempre achei que nossos defeitos eram apenas aquilo que consideramos nossas qualidades, só que levado a extremos. Chamar o autor no massacre e ontem no Rio de “animal”, além de outras ofensas, é bastante tolo. Este Wellington Menezes de Oliveira cometeu um crime absurdo, brutal e inaceitável, mas é um produto de nossa sociedade. Ele fez um perfil falso de Bolsonaro no twitter e talvez pensasse em defender a família brasileira. E por que matou tantas meninas? Certamente pelos mesmos motivos de purificação religiosa que o fizeram escrever aquelas cartas alucinadas que lemos ontem. E este Wellington sofria bullying na escola, governador. Coisa normal por aqui. E conseguiu armas pesadas. Ou seja, Wellington está bem próximo e tinha acesso às mesmas coisas que nós.

Só que era louco e levou o que temos aí ao paroxismo. Muita religião, fácil acesso à armamento, violência escolar, super-exposição de Bolsonaros… Convivemos com tudo isso, tudo é permitido, até incentivado. Acho que o debate é se teremos uma sociedade tão doente quanto a americana — aquela mistura de deus, culpa, pólvora e irreflexão — e por quê.