Enlouquecendo e morrendo

Enlouquecendo e morrendo

No Brasil — ou ao menos em Porto Alegre — existe o Imposto Sotaque. Se eu peço um serviço, ele custa mais ou menos R$ 25 por hora. Se a Elena pede, custa R$ 60. Não estou brincando. Aconteceu ontem e hoje, com a mesma pessoa.

Também se a Elena, que é bielorrussa, usa um táxi, tem que explicar o itinerário. Se não faz isso, o cara vai de um bairro a outro da cidade pelo Canal do Panamá.

Isso faz com que eu seja o porta-voz do casal para efeito de contato com prestadores de serviços. Marceneiros, hidráulicos, pintores, eletricistas, pessoas que arrumam ar condicionado, tudo tem que ser comigo. O que é muito chato, pois a maioria dessas pessoas presta maus serviços e tudo acaba em reclamação. Semana passada contratei um marceneiro para arrumar nossas venezianas.

— O Sr. também pode pintá-las?
— Sim, claro.

Pintura feita, vemos que o serviço ficou uma porcaria.

— É que o Sr. sabe, eu sou marceneiro. Pintei só porque o Sr. pediu. Na verdade, não sou pintor.

E eu não pedi absolutamente nada, apenas perguntei. Assim, enganado desta forma, vou lentamente enlouquecendo e morrendo. Para não matar.

Foto: Divulgação.

 

Mais Médicos (por Thiago Silva, médico recifense radicado em São Paulo)

Mais Médicos (por Thiago Silva, médico recifense radicado em São Paulo)
Médico cubano batendo perna por aí | Foto: Araquém Alcântara, do fundamental livro “Mais Médicos”

1- Salário dos Médicos

A- Cuba faz cooperação com 66 países em todo o Globo, inclusive europeus. Sabe como isso começou? Com a brigada Henry Reeve criada em 2005 como forma de ajuda humanitária pra atender as vítimas do Furacão Katrina nos EUA. Fidel chamou centenas de médicos e pediu que se organizasse a brigada. EUA negaram a ajuda. A brigada permaneceu mobilizada pois em pouco tempo haveria a crise em Angola e terremoto no Paquistão.

Na maioria dos países que faz parceria, Cuba envia médicos e medicamentos DE GRAÇA, sem cobrar dos países. Isso aconteceu em Angola, no Nepal, Haiti, Congo, e tantos outros países pobres do Mundo. Quem arcava com os custos? O próprio governo cubano

B – E como o governo Cubano fazia, já que é vítima de um Bloqueio Econômico há décadas, uma ilha pequena do Caribe que não consegue nem produzir a própria energia, pelas características de seu território? Alguns países começaram a oferecer trocas pela Força de Médicos.

A Venezuela ofereceu petróleo. Alguns países europeus começaram a pagar diretamente pro governo Cubano. E essa parceria virou uma fonte de renda pra Ilha, com impacto em suas contas públicas, dado o volume de médicos atuando no mundo todo.

C- E como funciona o pagamento?
Cuba abre edital via uma empresa Estatal para contratar os médicos. Eles podem se oferecer ou não. As condições salariais e os países são conhecidos PREVIAMENTE por todos ANTES de assinarem contrato. Contrato. Conhecem? Pois é.

Foto do livro “Mais Médicos”, de Araquém Alcântara

A maior parte do “salário” pago fica com o governo Cubano? Sim e não.

Sim porque se você pegar o total de recurso destinado ao programa e dividir pelo número de médicos vai ser menor. Mas NÃO porque não são os governos CONTRATANTES os responsáveis pelo salário dos Cubanos

Quem é responsável pelo salário dos Cubanos é…. a Estatal com a qual eles assinaram contrato! Simples! Ela é responsável por lesão corporal, por invalidez , por seguro, por assistência a família em caso de morte, etc . Cubanos morreram aqui. Sabe o que fez o governo brasileiro?

Nada. Pois é. Quem cuida das famílias e repassa dinheiro para famílias é a estatal. Além disso, o “diferença salarial” não vai pra financiar outra coisa que não a Saúde e Educação de todo povo cubano. Detalhe, eles tem isso DE QUALIDADE e de GRAÇA pra todos lá viu?

Foto: Araquém Alcântara, do fundamental livro “Mais Médicos”

Ou seja

O “salário” dos médicos fora de Cuba (quando estão em países que pagam, que não são a maioria) sustenta os direitos sociais de todos os moradores da ilha. É uma fonte de renda pro povo. Impacta o PIB. Como vender nióbio a preço de banana pra canadense, saca?

Sabe quantos médicos Cubanos saíram do programa revoltados com o que é feito com o salário? Um total de… 1! Isso mesmo.

Houve algumas deserções, como sempre há, já que tem médicos cubanos que acham que vão enriquecer de medicina nos EUA. Claro que tem. Mas foram uma minoria irrisória.

2- Revalidação de diplomas

Essa é uma piada. Cuba manda médicos pra 66 países, sabe o único que teve gente cobrando isso? Pois é, o Brasil. Ainda tem o disparate de dizer que eles não dão médicos, quando tem norte-americano pegando lancha e indo pra Cuba se tratar.

Mesmo assim, por conta dessa pressão, os cubanos foram avaliados quando chegaram aqui, com a aprovação da lei. Avaliados pela fluência no Português e questões de Medicina. Foram avaliados por Professores e Preceptores de medicina brasileiros, a maioria de Universidades federais.

É claro que teve gente reprovada. É claro que vieram no meio dos 14 mil médicos ruins, medianos, bons e excelentes. Mas você acha que entre 14 mil brasileiros viriam apenas médicos bons? Anham. Sou Chefe de um pronto socorro do SUS onde só tem brasileiro, e vejo isso todo dia …

Foto: Araquém Alcântara, do fundamental livro “Mais Médicos”

3- Impacto.

700 municípios brasileiros não tinham uma ALMA DE LENÇOL BRANCO nem pra confundir com Médicos. Os números do mais Médicos são ACACHAPANTES. 63 milhões de pessoas cobertas. 4 mil municípios. Hoje em mais de 1500 municípios só tem Cubano.

Parabéns aos envolvidos.

Quando Alexandre Frota intervém

Quando Alexandre Frota intervém

Estava eu no Fronteiras do Pensamento — palestra de Ai Weiwei — ao lado de uma finíssima senhora, quando recebo um Whats da Elena. Tudo bem, as mensagens dela são sempre tranquilas, poderia estar me pedindo para dar uma passadinha no super, por exemplo. Só que aquela era muito diferente, trazia uma foto de Alexandre Frota nu com uma espiga de milho na mão, acompanhado da legenda ELEITO. Me senti como o menininho que é descoberto olhando nudes na Internet. Virei o telefone para o outro lado, onde vi uma outra pessoa chegando. Uma amiga, baita leitora, cliente da Bamboletras… Pô, Elena.

ONU: Brasil cai e fica em 22º lugar em ranking de felicidade; a fria e ateia Noruega lidera

ONU: Brasil cai e fica em 22º lugar em ranking de felicidade; a fria e ateia Noruega lidera

Noruega

Com informações da BBC Brasil

Não tinha escapatória, né? Com os Temer e seus coxinhas indiciados no poder, o Brasil ficou ainda mais triste, agora segundo as Nações Unidas.

A liderança passou da fria Dinamarca — país com maioria ateia — para a Noruega, que é bem parecida. Uma pesquisa de 2016 revelou que 39% dos noruegueses não acreditam em Deus, contra 37% de crentes, e 23% que responderam não saber. Se Deus não os deixa mais felizes, também o sol e calor não parecem ter muita influência positiva na felicidade das pessoas. Mas isso nós, gaúchos, sabemos.

O Relatório Mundial da Felicidade de 2017 foi divulgado nesta segunda-feira (20) pela ONU. O período compreende os anos de 2014 a 2016. O Brasil caiu cinco posições e está agora no 22º lugar entre 155 países. É a segunda queda consecutiva. Na edição de 2016, referente ao período de 2013 a 2015, o país já havia caído do 16º para o 17º lugar.

O ranking de 2017 é encabeçado pela Noruega, que tirou a liderança da Dinamarca. Islândia, Suíça e Finlândia completam a lista das nações mais felizes do mundo. Portugal é o quarto país menos feliz da Europa.

Na outra ponta, as mais tristes são Ruanda, Síria, Tanzânia e Burundi. A República Centro-Africana ocupa a lanterna.

A Europa Ocidental e a América do Norte dominam o topo do ranking, com os Estados Unidos e o Reino Unido nas 14ª e 19ª posições, respectivamente.

Já países na África Subsaariana e atingidos por conflitos tiveram notas previsivelmente mais baixas. A Síria em guerra ficou no 152º lugar entre 155 países, e Iêmen e Sudão do Sul, que estão enfrentando fome iminente, estão nas 146ª e 147ª posições, respectivamente.

O Relatório Mundial da Felicidade foi divulgado para coincidir com o Dia Internacional da Felicidade da ONU.

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O levantamento é baseado em uma única pergunta simples e subjetiva feita a mais de 1 mil pessoas todos os anos em mais de 150 países: “Imagine uma escada, com degraus numerados de zero na base e dez no topo”, diz a pergunta. “O topo da escada representa a melhor vida possível para você e a base da escada representa a pior vida possível para você. Em qual degrau você acredita que está?”

O resultado médio é a nota do país – que, neste ano, variou de 7.54 (Noruega) a 2.69 (República Centro-Africana).

Mas o relatório também analisa as estatísticas para explicar por que um país é mais feliz do que o outro. Entre os dados observados, estão o desempenho da economia (medido pelo PIB per capita), apoio social, expectativa de vida, liberdade de escolha, generosidade e percepção de corrupção.

Porque hoje é sábado e deixamos passar em branco a Semana da Pátria

Porque hoje é sábado e deixamos passar em branco a Semana da Pátria

Nossa vida, no teu seio, mais amores

Gigante pela própria natureza

És belo, és forte, impávido colosso

Em teu seio, ó liberdade

Desafia o nosso peito a própria morte!

Verás que um filho teu não foge à luta

Nem teme, quem te adora, a própria morte

Brasil, de amor eterno seja símbolo

Ó Pátria amada, idolatrada, salve! salve!

Deitado eternamente em berço esplêndido

Ao som do mar e à luz do céu profundo

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Ao som do mar e à luz do céu profundo (opa, de novo?)

Brilhou no céu da pátria nesse instante

Terra adorada (ou dourada, segundo Sartori), entre outras mil, És tu, Brasil, Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil, Pátria amada, Brasil!

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Mas… e se ergues da justiça a clava forte? Hein?

3 parágrafos olímpicos numa quarta-feira chuvosa

3 parágrafos olímpicos numa quarta-feira chuvosa

As desclassificações sem medalhas do futebol e do vôlei feminino encheram Porto Alegre de nuvens. Eu compreendo perfeitamente a derrota no futebol. Já a do vôlei é bem mais complicada de engolir.

Cá pra nós, o time de Marta e Cia. era uma bagunça. Postava-se bem defensivamente e deixava o resto para as individualidades. Isto é o velho e conhecido futebol brasileiro… A gente não acredita ao mesmo tempo que sabe que vai perder. Para completar, houve aquela partida contra a África do Sul. Já classificadas para as quartas-de-final, fomos jogar na quentíssima Manaus com as titulares. E elas fizeram um supremo esforço. Acabou 0 x 0. Nas quartas, um time cansado conseguiu um novo 0 x 0 contra a Austrália. Ganhou nos pênaltis com o sinal vermelho de alerta já piscando. Ontem, tivemos o terceiro 0 x 0 seguido de derrota nos pênaltis. As adversárias suecas, após levarem 5 x 1 na primeira fase, mapearam tudo direitinho e enfim… Tchau. Cristiane disse que “é a segunda ou terceira Olimpíada que só dá a gente e no final saímos eliminadas”. Pois é, conheço isso. Chamem um(a) técnico(a) de verdade na próxima.

brasil Suécia futebol feminino

O vôlei caiu fora criminosamente. Melhor time da competição, bicampeãs olímpicas, nossa equipe relaxou após vencer facilmente as chinesas no primeiro set. Perdeu o segundo set e simplesmente não conseguiu retomar as rédeas do jogo. O que parecia um passeio transformou-se em pesadelo. As chinesas se empolgaram, tudo começou a dar certo para elas — pouco para nós –, o nervosismo foi tomando conta de jogadores e de nós na frente da TV e… É triste ter o melhor time disparado e ver outras comemorarem. Altamente digno de análise é o desequilíbrio emocional brasileiro. Está em todo o lugar, até no trabalho da gente. E sempre acaba mal. O que era alegria transformou-se rapidamente em descontrole e choro, vide Thiago Silva na Copa de 2014.

volei Brasil chinaPara terminar: que absurdo foi a vaia para o francês Lavillenie na hora da entrega das medalhas. Os apupos na hora do salto podem até serem admitidos em razão de ter um brasileiro como adversário, mas na hora das medalhas? Lavillenie ficou chorando em silêncio em pleno pódio. O mesmo vale para a vaia a Gatlin, adversário de Bolt. Para demonstrar amor a Bolt, temos que massacrar quem passe no seu caminho? Há muito ódio e desejo de linchamento no Brasil. Uma vergonha completa. Ao menos mostramos ao mundo que linchamento é a modalidade brasileira preferida.

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Anotações sobre censura. Ou autocensura

Anotações sobre censura. Ou autocensura

Isto é mera anotação, então, para efeito de organização, vou dividir o texto em três partes: a dos grandes jornais, presentes na mídia impressa e na eletrônica; a das mídias nanicas ou alternativas, muito mais presentes na mídia eletrônica do que na impressa; e a liberdade de expressão artística. Só pitacos.

censuraA censura no Brasil acabou oficialmente no dia 3 de agosto de 1988, quando foi votada a Constituição Brasileira ainda em vigor, porém, dificilmente alguém poderá falar em plena liberdade de expressão, seja ela impressa ou eletrônica.

Falemos um pouco sobre a liberdade de expressão dentro da mídia tradicional. Boa parte do trabalho da grande imprensa é o de acomodar interesses, próprios e de anunciantes. As famílias Marinho, Civita, Mesquita, Frias, Abravanel, Sirotsky, Sarney e outras têm suas visões particulares estampadas em suas publicações. O jornalista que trabalha nestes órgãos necessita ter cuidado para não elogiar políticos ou políticas de esquerda, nem atacar anunciantes.

Os anunciantes. Dificilmente um grande anunciante do jornal será criticado. Ele sustenta o jornal e quem paga a festa escolhe a música. Então, a loja ou o fabricante que tem anúncios de página inteira dificilmente será criticado por alguma ação, postura ou fato que o envolva. Mas há mais. Às vezes, os próprios grupos de comunicação têm outras empresas associadas, tais como construtoras, vinícolas e outras. E o jornal protegerá os produtos de seus afilhados, obviamente.

E há algumas coisas que acho duvidosas, apesar de permitidas.

Um grande jornal de Porto Alegre começou a veicular “gratuitamente” uma série de anúncios de uma determinada loja sob a condição de que tivesse participação nos lucros. É claro que os concorrentes desta loja reagiram, pagando anúncios… no mesmo jornal. E o jornal passou a ganhar dos dois lados. Eles chamam isto de “abrir mercado”. Não é proibido fazê-lo, mas talvez não seja uma interferência lá muito ética.

Para deixar a vida da grande imprensa mais confortável, o grosso das verbas publicitárias federais – mesmo durante os governos do PT – continuaram em seu caminho para os grandes grupos, que apenas não cresceram durante este período em razão do surgimento da internet.

E estes oligopólios existem incrivelmente à margem de uma Constituição que não regulamenta a atuação da mídia. A Constituição diz, vagamente, que “os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio” (parágrafo 5º do artigo 220), porém apenas uns poucos grupos privados controlam os meios de comunicação através de “redes” de afiliadas cuja “formação” não obedece a qualquer regulação. Só a RBS tem doze emissoras de tevê no RS. Tinha mais nove em SC. E apresenta boa parte da programação da Globo.

Evidentemente, a concentração dos meios de comunicação resulta em pouca pluralidade de informação. Para piorar, assim concentrada, a informação vem de uma elite econômica que não costuma ter horizontes muito longínquos de si.

Já a mídia alternativa caracteriza-se principalmente por sua pobreza. Ela não tem TVs ou rádios e poucas são impressas. Usam a internet, onde também os grandes grupos trabalham. Os anunciantes não lhe dão muita importância. As próprias agências de propaganda dizem que a diferença do discurso dela em relação à grande mídia é assustadora para seus clientes. O jornal onde trabalho tem 100 mil seguidores no facebook e 1,5 milhão de acessos mensais. Não é pouca coisa e não houve mês em que não tenhamos crescido. Mesmo assim, poucos anunciantes se arriscam.

Como são empresas sem muito capital, tudo o que não desejam são processos na Justiça. Mesmo que os ganhem, o custo dos advogados podem ser fatais para seus modestos fluxos de caixa. Esta é a forma de intimidação que sofrem.

Imaginem que já vi processos movidos por brigadianos cujos rostos apareceram em matérias de jornal. Eles estavam fardados, trabalhando, mas disseram que suas imagens foram utilizadas e prejudicadas. Já ouvi alguns autores de ações deste tipo serem questionados por juízes. E fica claro que quem sugeriu o processo a eles foram seus superiores.

O próprio ministro do STF, Gilmar Mendes, processou por danos morais Guilherme Boulos, coordenador do MTST, por um artigo que este escreveu criticando a atuação do magistrado. Gilmar pedia R$ 100 mil. Perdeu a ação, mas poderia ter ganho. E Boulos deve ter gastado o que não tem com advogados.

Já eu fui processado pela atual vereadora Mônica Leal. Não vou entrar em detalhes, mas perdi. Paguei 11 mil. Adivinhem se sigo criticando e rindo de Mônica. É óbvio que não.

Depois disso me senti como ela queria: intimidado. Não tenho 11 mil para distribuir a cada texto que publico. Muita gente sentiu peninha e até pensei em pagar por vaquinha virtual (crowdfunding ou financiamento coletivo). Mas não tive cara de pau suficiente. Paguei do meu mesmo. Ou seja, aqui a falta de liberdade de expressão é estabelecida pela intimidação.

E creio que outro gênero de pressão é feita sobre os artistas. Se um escritor combativo escrever contra um prefeito ou governador, poderá perder rendimentos. É que hoje uma das principais fontes de renda de escritores e músicos são os festivais e feiras. Os autores passaram a viver de suas participações em eventos. Não há mal nenhum nisso. Porém, quando um deles se posiciona, acaba por decepcionar 50% e fecha mercado para si mesmo.

Se você, por exemplo, for convidado por uma Secretaria de Cultura do PSDB e se declarar eleitor do PSOL, deixará de ser convidado. Então, atualmente, boa parte dos autores brasileiros são chapa branca, isto é, agradam a quem estiver no poder. A maioria demitiu-se da nobre posição histórica de serem uma espécie de consciência de suas sociedades. Eles não opinam e, obviamente, não influenciam suas sociedades. Vários deles são especialistas em aderir ao novo Secretário de Cultura. Claro que, se conseguem uma boa relação com PT, PMDB e PP, significa que nunca fizeram comentários políticos públicos, ou seja, sempre praticaram a autocensura.

25 imagens fundamentais de nosso tempo (uma antologia pessoal)

25 imagens fundamentais de nosso tempo (uma antologia pessoal)

Muito pessoal. A ideia e algumas fotos — e discordâncias — vieram do site mundo.com. Retirei algumas imagens sugeridas pelo site, coloquei outras, e ampliei a seleção de 20 para 25 fotos. Acho que ficou aceitável.

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1. Os soviéticos hasteando a bandeira no Reichtag. A foto foi tirada com uma Leica pelo fotógrafo Yevgeni Khaldei, da Agência Tass.

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2. O avião 14 Bis levantando voo. No começo do século 20, Alberto Santos Dumont concluiu a construção de seu avião 14 Bis e com ele alçou voo, fazendo deste o primeiro objeto mais pesado que o ar a voar sem a ajuda de impulsos externos.

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3. Erguendo a bandeira em Iwo Jima. A intenção norte-americana ao invadir a ilha era obter uma localização estratégica para o reabastecimento das tropas norte-americanas no avanço até o Japão. Após a vitória, os EUA ficaram com o local para si, claro.

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4. Dia da Vitória em Times Square. O final da Segunda Guerra. O fotógrafo Alfred Eisenstaedt tirou a famosa fotografia de um marinheiro norte-americano beijando uma jovem enfermeira na Times Square em Nova York. A mulher foi identificada mais tarde, na década de 1970, como Edith Shain, porém a identidade do marinheiro continua desconhecida.

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5. Che Guevara, é claro. O famoso retrato de Che Guevara, intitulado Guerrilheiro Heroico, foi tirado em 5 de março de 1960 em Havana, Cuba. Guevara comparecia à inauguração de um memorial.

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6. A capa de Abbey Road. Os Beatles se juntaram nos estúdios da Abbey Road, em Londres, na quente manhã de 8 de agosto de 1969 para tirar a foto da capa do disco que estavam gravando.

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7. O protesto do Monge. Em 11 de junho de 1963, Thich Quang Duc, um monge budista vietnamita, ateou fogo ao próprio corpo e queimou até a morte em uma rua movimentada no centro de Ho Chi Minh.

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8. O desastre do Hindenburg. O desastre do Hindenburg ocorreu em 6 de maio de 1937, quando o gigantesco dirigível alemão pegou fogo e foi destruído durante uma tentativa de pouso na base naval de Lakehurst, em Nova Jersey, nos Estados Unidos.

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9. Na Praça da Paz Celestial. Este misterioso homem tornou-se famoso em todo o mundo após o fotografo Jeff Widener registrá-lo em pé, frente a uma coluna de tanques chineses durante os protestos na Praça da Paz Celestial em Pequim, no dia 5 de junho de 1989.

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10. A imagem do corpo do jornalista Vladimir Herzog enforcado em cela do II Exército é uma das mais emblemáticas do período ditatorial.

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11. Menina afegã. Sharbat Gula tinha 12 anos quando foi fotografada pelo jornalista Steve McCurry durante uma reportagem para a revista National Geographic, publicada em junho de 1985. Quando foi fotografada, a menina afegã vivia como refugiada no Paquistão durante a ocupação soviética no Afeganistão.

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12. O monstro do Lago Ness. Foto de 1934. As histórias sobre o monstro do Lago Ness têm sido contadas desde aproximadamente 565 d.C. Os defensores de sua existência acreditam que a criatura venha de uma linhagem de Plesiossauros… Tudo negado pela comunidade científica, obviamente.

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13. Guerra Fria. Explosão da bomba atômica nas Ilhas Marshall. Era um teste nuclear comum em meados do século XX. A foto é de 25 de julho de 1946, quando da primeira detonação de uma bomba atômica embaixo d’água. Foi liberada uma nuvem de vapor com quilômetros de altura, coroada por jatos de água.

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14. Nascer da Terra. Na noite de Natal de 1968, nenhum dos astronautas a bordo da Apollo 8 estava preparado para o momento em que veriam seu planeta surgir atrás no horizonte lunar. O Nascer da Terra é o nome dado à imagem da NASA tirada pelo astronauta William Anders durante a primeira viagem tripulada a orbitar a Lua.

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15. Einstein mostrando a língua. É uma das imagens mais conhecidas de Einstein. O cientista aprovou a foto e pediu nove cópias dela. Após autografar uma das imagens, ele a presenteou a um repórter. Em 19 de junho de 2009, a imagem assinada foi leiloada por mais de US$ 70 mil.

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16. Almoço no topo de um arranha-céu. 20 de setembro de 1932. Almoço no topo de um arranha-céu é uma famosa fotografia em preto e branco tirada durante a construção de um edifício na cidade de Nova York.

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17. Maio de 1968, Paris. Em 13 de Maio de 1968, em Paris, o fotógrafo Jean-Pierre Rey imortalizou uma jovem de 23 anos. A foto foi publicada pela revista Life. A protagonista da dessa célebre imagem foi posteriormente identificada como sendo a jovem aristocrata e modelo inglesa, Caroline de Bendern, que vivia em Paris depois de ser expulsa de vários colégios na Inglaterra. Ela estava sobre os ombros de um amigo, porque seus pés estavam doloridos. O avô viu a foto e ficou escandalizado. Por conseqüência desta fotografia, Caroline perdeu a mesada milionária e acabou sendo deserdada pelo avô. Caroline passou o resto de sua vida processando Jean-Pierre Rey pelos direitos da fotografia.

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18. Fotografia icônica mostra as cabeças de Lampião (última de baixo), Maria Bonita (logo acima de Lampião) e outros cangaceiros do bando.

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19. No dia 29 de junho de 1973, durante os confrontos que culminaram com a deposição do presidente do Chile, Salvador Allende, o cinegrafista sueco-argentino Leonardo Henricksen, do canal 13 de Buenos Aires, deixou seu hotel, no Centro de Santiago, ao ouvir rajadas de metralhadoras. Era o Regimento de Blindados, que se sublevara e atacava o Palácio de Governo. Henricksen conseguiu se posicionar a apenas duas casas do palácio. Militares determinaram que a rua fosse desimpedida, mas ele não saiu do lugar. Um oficial apontou uma arma para o cinegrafista. E atirou. A imagem treme, mas ele continua filmando. Um soldado, então, deu um tiro de misericórdia, de fuzil. A câmera continua registrando a cena até que tudo fica branco na tela.

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20. O impacto. A fotografia foi considerada pela National Geographic uma das 25 mais importantes imagens dos ataques de 11 de setembro. Às 9 horas da manhã do dia 11 de setembro de 2001, o voo 175 da United Airlines colidiu contra a torre sul do World Trade Center.

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21. Execução em Saigon. Esta foto foi tirada por Eddie Adams durante a guerra do Vietnã. O major General Nguyen Ngoc Loan, à esquerda mata o vietcongue Nguyen Van Lem à direita.

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22. Dali atomicus. O fotógrafo Philippe Halsman informou que tentou obter a imagem 28 vezes até ficar satisfeito com o resultado. Antes das técnicas modernas e computadorizadas de manipulação de imagens, ele conseguiu tirar esta fotografia do artista surrealista Salvador Dali suspenso no ar.

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23. Menina de 9 anos fugindo após ataque em uma aldeia no Vietnã. Ela sobreviveu, apesar de suas roupas terem queimado sobre seu corpo.

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24. Um homem judeu, ajoelhado diante de um poço cheio de corpos, está prestes a ser morto por um soldado alemão. Esta fotografia foi encontrada no álbum de fotos de um soldado alemão, e na parte de trás estava escrito o título de “O Último Judeu de Vinnitsa”.

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25. Foto de Mike Bem, esta imagem mostra-nos a mão de um menino ugandense na mão de um médico da Cruz Vermelha.

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Ao comentar o golpe no Paraguai, em 2012, Galeano descreveu o golpe no Brasil

Ao comentar o golpe no Paraguai, em 2012, Galeano descreveu o golpe no Brasil

Faltando poucas horas para a deposição de Dilma pelo Senado, vale recordar as palavras do já falecido Eduardo Galeano registradas em 2012. Ao tratar do golpe realizado no Paraguai, o intelectual fez ponderações dignas de um exímio observador político e que se aplicam perfeitamente ao atual quadro brasileiro. Os processos são idênticos, assim como as forças que os regem. Seria o Brasil capaz de trilhar outro destino, ou se trata de uma luta perdida contra poderes inabaláveis?

Eduardo Galeano, teria muito a ensinar sobre o golpe em curso no Brasil
Eduardo Galeano, teria muito a ensinar sobre o golpe em curso no Brasil

Do Pragmatismo Político

Neste momento é bom recordar uma entrevista de Eduardo Galeano, do ano de 2012, para a revista La Garganta.

Ao tratar dos golpes realizados no Paraguai e em Honduras, quando os presidentes Fernando Lugo e Manuel Zelaya foram depostos, o falecido escritor fez ponderações dignas de um exímio observador político e que se aplicam perfeitamente ao atual panorama brasileiro. Os processos são muito semelhantes, assim com as forças que os regem.

Neste contexto, considerando que Dilma ainda terá 180 dias para se defender e tentar voltar à Presidência, cabe a reflexão: seria uma Brasil capaz de trilhar outro destino, ou se trata de uma luta perdida contra poderes inabaláveis?

Relembre as palavras de Eduardo Galeano:

Historicamente, o Paraguai foi arrasado por crimes de independência por ser o único país de fato livre, de fato independente, que não nasceu da dívida externa como nasceram outros países da América Latina.

Paraguai tinha uma organização interna do trabalho e dos direitos dos trabalhadores, que era inviável para o resto dos latino-americanos.

No Paraguai, não havia fome, nem analfabetismo e o que havia era um sentido de dignidade nacional. Depois da derrota, quando a Tríplice Aliança arrasou o país, perderam isso. Os poucos sobreviventes do extermínio do Paraguai receberam o país mais heroico de todos. E os invasores desenvolveram uma enorme dívida com os banqueiros que financiaram o extermínio.

O golpe que acontece agora [2012] no Paraguai ocorre porque houve um governo que quis recuperar essa tradição de dignidade, que como dissemos, não estava morta.

Então Fernando Lugo [presidente deposto] tentou, muito timidamente, iniciar algumas tímidas mudanças para que o Paraguai voltasse a ser o país mais independente, mais justo, e isso foi um pecado imperdoável, do ponto de vista dos donos do poder.

Simplesmente ocorre algo similar cada vez que há tentativas de mudar as coisas, porque isso se vive como uma ameaça sob o enfoque dos donos da ordem estabelecida, que não querem que nada mude.

Eles vêem como um perigo, uma ameaça, ainda que na realidade não fosse um perigo grave, porque nem em Honduras, nem no Paraguai havia presidentes envolvidos em revoluções muito profundas.

Apenas anunciaram que começavam a fazer, ou que tinham a intenção de fazer alguma reforma. Se isso bastou para derrubá-los, o que quer dizer é que é um veto, que suponho que vem de cima, que está para além dos governos, ou que há quem governe esses governos, governados do exterior e de cima.

Os golpes vão se incubando aos poucos e com o apoio dos meios dominantes de comunicação.

Recuperação da esquerda brasileira levará anos, diz professor

Recuperação da esquerda brasileira levará anos, diz professor
O professor Idelber Avelar | Foto: Facebook
O professor Idelber Avelar | Foto: Facebook

Da BBC Brasil

A crise política deverá ser seguida por um longo período de domínio da direita, diz Idelber Avelar, professor na Universidade Tulane (EUA), à BBC Brasil.

Nesse cenário, ele afirma que a esquerda e os movimentos sociais podem levar anos para se reagrupar.

Brasileiro, Avelar leciona literatura latino-americana e estudos culturais nos Estados Unidos desde 1999, mas se tornou conhecido entre muitos compatriotas por seus posicionamentos políticos nas mídias sociais.

Crítico do PT, ele não vê razões para se associar aos grupos que defendem a permanência de Dilma Rousseff na Presidência e rejeita a descrição do cenário político brasileiro como uma “briga de duas torcidas ante a qual você tem de se posicionar ao lado de uma delas”.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

BBC Brasil – Com a crise houve alguma mudança na forma como o Brasil é encarado nos EUA?

Idelber Avelar – Cinco anos atrás o Brasil era o modelo de como crescer com instituições democráticas fortes e reduzindo a desigualdade. Neste momento perdemos as três coisas: não estamos crescendo, não estamos reduzindo desigualdade e as instituições democráticas estão em perigo, pelo menos.

Chama atenção a rapidez com que se desmoronou esse modelo. Há um cenário político marcado por tremenda instabilidade, com uma classe política na situação e oposição completamente desmoralizada, e não há perspectiva de transformação desse quadro em longo prazo. Vivemos uma grave crise econômica, institucional, política e ambiental.

BBC Brasil – Por que ambiental?

Avelar – Uma das características essenciais dos governos petistas tem sido o desenvolvimentismo arrasa quarteirão. Ambientalistas, lideranças indígenas e ribeirinhas na Amazônia dizem que o PT foi pior para a região que o PSDB. O PSDB implantou aquele modelo de estado mínimo, deixando que a iniciativa privada resolvesse.

O governo petista apostou num modelo através do qual o Estado gera mecanismos para que as grandes construtoras realizem negócios e (em troca) financiem campanhas eleitorais.

Sou a favor de que se estabeleça algum tipo de requisito dentro do nosso aparato educacional para que pessoas do Sul e Sudeste possam visitar a Amazônia e ver o que aconteceu no Xingu com a construção da usina de Belo Monte, o que aconteceu no rio Madeira, para ver o que é a expansão da soja.

Isso lhes daria uma leitura diferente da realidade e desmontaria uma noção de crescimento que muita gente da esquerda fetichiza.

BBC Brasil – Não é inviável se opor ao crescimento num momento em que o Brasil enfrenta uma grave crise econômica, com crescente desemprego?

Avelar – Não existe possibilidade lógica de crescimento infinito num planeta com recursos finitos. Poderíamos estar numa sociedade em que optássemos por um crescimento zero, há até marxistas falando nisso.

É um debate difícil, porque há uma mentalidade que associa a redução da desigualdade ao crescimento do PIB. Mas não há relação automática entre as duas coisas: pode haver crescimento extremo sem redução de desigualdade e pode haver redução de desigualdade sem ritmo frenético de crescimento.

Claro que para isso teríamos mexer em políticas redistributivas, na dívida pública, no sistema bancário, numa série de vespeiros em que nosso sistema político não está pronto para mexer, mas é uma conversa urgente.

BBC Brasil – A Lava Jato põe em xeque o modelo de relação entre o Estado e empreiteiras?

Avelar – A Lava Jato tem consequências que fogem ao controle inclusive dos procuradores e juízes envolvidos. Não acredito que haja limpeza completa da política brasileira, mas também não acredito que ela vá simplesmente decapitar algumas lideranças do PT, derrubar o governo da Dilma para depois se restabelecer tudo como era antes.

Existe uma nova geração de procuradores imbuída de um espírito que pode ser criticado como meio salvacionista ou messiânico, mas esse grupo claramente não está interessado em pegar lideranças de um só partido político. Alguma coisa se quebrou no pacto oligárquico. Ele vai ser restabelecido, mas em outras bases.

BBC Brasil – Embora milite à esquerda, você não tem apoiado as manifestações em favor da manutenção de Dilma na Presidência. Por quê?

Avelar – A descrição do quadro político brasileiro como uma briga de duas torcidas ante a qual você tem de se posicionar ao lado de uma delas é um quadro não apenas simplista, mas chantagista.

Não cedo à chantagem de que a direita vai tomar poder se não nos alinharmos com a defesa do governo. Em primeiro lugar, porque a direita já está no poder num país em que Kátia Abreu controla o Ministério da Agricultura, em que cargos são regularmente loteados ao PMDB. Há uma coalizão que implementa cotidianamente políticas de direita.

Não bato bumbo pelo impeachment. Acredito que a melhor saída seria a renúncia da Dilma. A situação de descalabro não é só produto da Lava Jato, mas de uma série de fatores, incluindo a inépcia dela em dialogar com a própria base no Congresso.

BBC Brasil – Há uma ofensiva do Judiciário contra o governo do PT?

Avelar – O Judiciário sempre teve a natureza oligárquica e punitivista que está se revelando agora, mas o governismo não se preocupou quando manifestantes contra a Copa ou líderes ambientalistas foram criminalizados, nem com as prisões arbitrárias feitas a rodo nas manifestações de 2013.

O governo não ficou neutro nestas histórias. Ele foi partícipe dessas operações. A draconiana lei antiterrorismo sancionada recentemente foi enviada ao Congresso pelo Executivo, é uma lei da Dilma. Quando alguns desses mecanismos se voltam contra o PT, o governismo grita, mas o PT fortaleceu esses mecanismos ao longo da última década.

BBC Brasil – Diante da fragilização do PT, há margem para a articulação de uma nova frente de esquerda?

Avelar – Sou bastante pessimista. Houve nos últimos 14 anos uma cooptação brutal dos movimentos sociais. O único partido consistentemente à esquerda do PT e com alguma presença no cenário nacional, o PSOL, tem funcionado mais como linha auxiliar do governo do que como alternativa a ele.

Temos algumas faíscas do que poderia ser a esquerda pós-PT, mas acho que vai demorar muito tempo para que ela se reagrupe e faça a crítica necessária da experiência petista. Acho mais provável que a direita clássica volte ao poder e a gente tenha um longo e tenebroso inverno.

Brasil empata no fim e quase vira: 2 x 2 com o Paraguai (veja os melhores lances)

Brasil empata no fim e quase vira: 2 x 2 com o Paraguai (veja os melhores lances)

hulk e Dani alvesO Paraguai controlava o jogo com facilidade, ganhava por 2 x 0 desde o início do segundo tempo. Desenhava-se uma goleada no Defensores del Chaco, de ótimo gramado, como não era antigamente. Ao final da partida, quando parecia que teríamos uma derrota nossa — e eu a desejava –, ocorreu um fato que foi muito mal administrado pelos paraguaios: faltou preparo físico ao time de Ramón Díaz. Tal fato foi acompanhado da postura mais errada e comum para este tipo de situação. O Paraguai recuou e começou a dar chutões pra frente.

Ora, sabe-se que (1) o time que não tem a bola é obrigado a correr muito mais a fim de marcar o adversário — tarefa muito mais penosa — e (2) o time que só chuta pra frente multiplica o número de oportunidades do adversário. Tal postura fez com que o Brasil passasse a amassar o Paraguai. Ficamos inteiramente no campo deles e quase que viramos o placar.

Agora, a Seleção Brasileira passará cinco meses em sexto lugar entre 10 times, fora até da repescagem, transcorrido 1/3 das eliminatórias. A próxima rodada é só no início de setembro, quando teremos dois jogos bem legais para seguirmos mal. Equador em Quito e Colômbia no Brasil, sabe-se lá com quem na Presidência da República.

Ok, eu sou meio sádico. Gosto de ler sobre qualquer gênero de decadência — exceto a física — e adoro quando grandes planos que não me incluem e que são de visibilidade municipal, regional, federal ou mundial dão errado. Nunca disse que sou boa pessoa. Um de meus projetos atuais é o de acompanhar o Brasil caindo fora da Copa da Rússia. Estamos no início das Eliminatórias, mas tenho enorme fé.

https://youtu.be/L2JZG4VMBiw

Um texto sobre tributação viraliza em pleno Carnaval

Um texto sobre tributação viraliza em pleno Carnaval

Por Rogério Godinho, texto retirado de seu perfil do Facebook

imposto

A carga tributária do Brasil é de 34,4%.

O que isso quer dizer?
Nada.
A do Chade é 4,2%, de Angola 5,7% e Bangladesh 8,5%.
A do Reino Unido é 39%, da Áustria 43,4% e da Suécia 47,9%.

Alguém pode vir com alguns poucos exemplos de países que pagam menos do que nós e estão melhor, mas isso também não quer dizer NADA.

O problema real tem muito mais a ver com a forma como é cobrado. Como já escrevi em vários textos, o Brasil cobra
– muito no consumo e
– pouco na renda.

Isso na média. Porque mesmo na renda se cobra
– pouco de quem está em cima
– muito de quem está embaixo.

Resultado:
– A galera de baixo é a que mais sente,
– A galera do meio é a que mais paga,
– A galera de cima não sente e (quase) não paga.

Como assim?
Se você ganha até R$ 1900, como 66% dos brasileiros, não paga imposto de renda. Mas todo o seu dinheiro vai para a subsistência, que é taxada. Absurdamente taxada.
Sobra nada.
E ainda usa um serviço público ruim.

Se você ganha entre R$ 2000 e R$ 6800, como 25% dos brasileiros, pode pagar até 27,5%. E também gasta muito para sobreviver, então paga alto.
Sobra pouco.
E não quer usar o serviço público ruim, então sobra menos ainda.

Bom mesmo é quem ganha muito.
Mas muito, aquele 1% de cima, sabe?
Esse reclama porque a empresa dele é taxada, mas embute isso no preço dos produtos – aquele imposto que mata o resto dos brasileiros – enquanto tem sua renda isenta. Chamam de lucros e dividendos.
Sabe quantos países isentam lucros e dividendos?
Dois.
Brasil e Estônia.
Quando muito, essa galera de cima paga aquela média de 3% sobre o patrimônio, enquanto a média mundial está entre 8% e 12%.
E aí ficamos discutindo se a CPMF é boa ou ruim.
E por quê?
Porque a galera do meio compra facinho o discurso de que a carga tributária é alta.
Só que a Suécia tem 7 vezes mais dinheiro por habitante para gastar no serviço público.
Mas a galera de cima não usa serviço público.
Ela quer mesmo é pagar ainda menos imposto.

Então, vende esse discurso para a galera do meio, que passa a querer
– imposto baixo angolano e
– serviço público sueco.

É isso.
Reflita.

.oOo.

P.S. — Os negritos são do blog.

Um estranho Campeonato Gaúcho para a dupla Gre-Nal

Um estranho Campeonato Gaúcho para a dupla Gre-Nal

Acho cômico o narrador Paulo Britto insistir em chamar o Gauchão 2015 de “charmoso”, mas seu início dá indícios de que esta edição talvez vá se tornar a melhor desde os anos 80. Finalmente a dupla Gre-Nal tem penado. E muito. De resto, meus sete leitores conhecem minhas opiniões sobre os campeonatos regionais.

Não vi Grêmio 0 x 1 Brasil, mas quem assistiu o jogo do tricolor contra o Avenida sabe que o resultado não é surpreendente. O Brasil é um time consolidado, cheio de veteranos que sabem jogar. Já o Grêmio é um grupo jovem, talvez de futuro. O resultado não surpreende a um macaco velho como eu. Entendo o que Grêmio quer fazer. Quer botar a base para jogar a fim de que apareçam os bons jogadores. Depois, antes do Brasileiro, procurará no mercado as reposições para aquelas posições onde não aparecer ninguém. Está pensando de forma lógica e econômica. O problema é que o futebol pode ser mais rápido do que a estratégia e — pelamor — a base parece ser fraca demais. A impressão que tenho é a de que será necessário contratar muita gente. E justo quando a janela estiver fechada. Acho melhor a diretoria abrir o olho. Nós, colorados, adoramos quando o Grêmio vai para a Segundona. E, se o Romildo não se mexer, vai novamente. Seria o Nirvana. Um conselho a Romildo: esqueça os delírios de Campeonato Brasileiro mata-mata e faça um time de futebol.

E Cruzeiro 0 x 0 Inter? O Cruzeiro é um desses times de empresários, ao que tudo indica. Já o Inter leva jeito de time de futebol. Só o jeito, porque não acontece nada. Deixamos de levar gols, mas paramos de fazê-los. Nilmar está prontinho para ser vaiado. Mas ao menos ele, D`Alessandro, Vitinho e Sasha já entenderam uma coisa: Numa equipe de futebol, o goleiro é o primeiro atacante e o atacante, o primeiro defensorOu seja, eles começaram a marcar. Porém, o Inter é um enigma a ser decifrado. Ninguém sabe onde pode chegar, mas seu futebol sabe melhor do que o do Grêmio.

Contrariamente ao que li na imprensa, gostei da estreia de Anderson. Boas viradas de jogo, bons passes. Ele deu nova inteligência ao setor. Poderia treinar mais as cobranças de pênaltis, não?

Meu segundo time no RS é o líder do Gaúcho. Merece.

Nena comemora o Gol do Brasil de Pelotas e a liderança | Foto: Vinícius Costa / Futura Press
Nena comemora o gol do Brasil de Pelotas e a liderança | Foto: Vinícius Costa / Futura Press

É claro que o IDH de Porto Alegre só pode ser baixo

É claro que o IDH de Porto Alegre só pode ser baixo

O conceito de desenvolvimento humano foi criado para definir o processo de ampliação das escolhas das pessoas a fim de elas possam se capacitar àquilo que desejam ser. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma medida resumida do progresso a longo prazo das três dimensões básicas do desenvolvimento humano: renda, educação e saúde. O objetivo da criação do IDH foi o de oferecer um contraponto a outro indicador muito utilizado, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, que considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento. O IDH foi criado por Mahbub ul Haq com a colaboração do economista indiano Amartya Sen, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 1998.

Hoje, a Região Metropolitana de Porto Alegre ostenta o pior IDH das regiões Sul e Sudeste (ver tabela ao final do post) e quem anda por nossas ruas, notando as ações de nossos conterrâneos, concluem facilmente que nosso IDH é o que é em razão de uma das três dimensões básicas aferidas: a educação. Isso se nota até quando ouvimos o som de um conteiner sendo virado num caminhão de lixo. Lá parece só haver garrafas. Lendo detidamente a pesquisa sobre o IDH das regiões, fica claro: Porto Alegre está onde está por culpa de nossa péssima educação.

sala de aula

Anos atrás, eu fazia trabalhos comunitários como professor de qualquer coisa — mas principalmente de matemática — e ficava pasmo com o pouco que sabiam os estudantes da periferia da cidade. Como chegaria a usar suas potencialidades alguém que… Uma pergunta muito séria: como é que eles puderam chegar à sétima ou à oitava série do primeiro grau – e alguns já estavam no segundo grau – sem saber dividir 65.536 por 1000? Pois bem, exatamente este cálculo gerou um enorme debate em aula.

— Para onde vai a vírgula? Para a esquerda ou para a direita? – disse o mais culturalizado.
— Porra, que vírgula? Hahahahaha.
— Professor, isso é muito trabalhoso, vou ficar horas fazendo.
— Bota três zeros lá atrás e pronto!
— Mas tu tá dividindo, meu! O resultado não vai ser maior.
— Não, bota um zero só! Lá atrás.

Foram trinta minutos de exercícios só de multiplicação e divisão por múltiplos de 10. Uma dificuldade.

Esta é nossa educação. E nos colégios públicos da zona central não é muito diferente, tanto que uma vizinha cujos filhos só vestem roupas de grife, me disse que, na aula de seus guris, ninguém ouve a professora pois todos gritam e conversam ao mesmo tempo. (Colégio Anne Frank, Bonfim, Porto Alegre). Claro que é um absurdo pagar impostos e ainda a educação e a Unimed, mas quem considera que educar é um bom investimento morre com mais de R$ 1000 mensais por uma educação que mereça este nome. E nem sempre merece, mas esta é outra história.

Nos longos intervalos de minhas aulas, a pedido dos alunos, dava aula de matemática sobre os temas do colégio de cada um: um pedia auxílio nas equações de primeiro grau, nas de segundo grau, na divisão de polinômios, o diabo… Mas como é que iam dominar tais tópicos se não dominavam conceitos muito mais básicos? Olha, era complicado e, se eu extraía algum prazer em ajudá-los, sentia enorme cansaço e desconsolo quando saía de lá – e eu tinha escolhido um trabalho simples e útil para mudar de ares e descansar… Era um trabalho de Sísifo e se, com alguns de meus alunos buscava minha pedra um pouco mais acima, com outros a coisa parecia piorar de semana para semana.

Saía de lá pensando na inutilidade do que fazia. Alguns riam quando lhes dizia que ele tinham que estudar e praticar em casa. Passei a lhes dar meus conselhos rindo, meio sem acreditar em minhas palavras. Havia bons e esforçados alunos, mas estes eram uma minoria que sentava bem na frente a fim de me ouvir. O resto permanecia em suas conversas e acertos pessoais.

O que quero dizer é que nossa educação é um imenso fracasso. É algo que, para ser alterado, demandará anos. Pois quem está sendo educado hoje nas escolas públicas serão pais de alunos que aprenderão em casa que a escola não é tão importante assim. Mais: lendo os cadernos de meus alunos, podia espreitar a baixa qualidade do professor que ensinava coisas erradas ou pelo método mais difícil e decorado. Sim, fico meio puto ao lembrar de alguns contatos que tive com estes mestres. Eram pessoas desinteressadas que apenas se preocupavam com a disciplina formal de seu aluno e não com a disciplina cabal do aprendizado. Era como se uma coisa não estivesse associada à outra. Ficavam desconcertados ou achavam graça quando eu lhes perguntava como tinham abordado determinado tópico. E o maior problema é que também sabiam pouco. Era de chorar. E, céus, como estes alunos passavam de ano, chegando ao segundo grau sem entender uma Regra de Três? Olha, não sei. E como se faz um país com esses alunos?

Na prática, sei que a educação é o entrave para nosso desenvolvimento. O estudo diz: nas três dimensões que compõem o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), a educação está estagnada, enquanto avançam os indicadores de renda e saúde, que não deixar de crescer se o primeiro item não melhorar. É uma situação gravíssima no país e a situação da Região Metropolitana de Porto Alegre é especialmente triste, pois, sem educação, vamos continuar como estamos, ladeira abaixo.

1 Região Metropolitana de São Paulo  São Paulo 0,794
2 Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno  Distrito Federal 0,792
3 Região Metropolitana de Curitiba  Paraná 0,783
4 Região Metropolitana de Belo Horizonte  Minas Gerais 0,774
5 Região Metropolitana de Vitória  Espírito Santo 0,772
6 Região Metropolitana do Rio de Janeiro  Rio de Janeiro 0,771
7 Região Metropolitana de Goiânia  Goiás 0,769
8 Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá  Mato Grosso 0,767
9 Região Metropolitana de Porto Alegre  Rio Grande do Sul 0,762
10 Região Metropolitana de São Luís  Maranhão 0,755
11 Região Metropolitana de Salvador  Bahia 0,743
12 Região Metropolitana de Recife  Pernambuco 0,734
13 Região Metropolitana de Natal  Rio Grande do Norte 0,734
14 Região Metropolitana de Fortaleza  Ceará 0,732
15 Região Metropolitana de Belém Pará Pará 0,729
16 Região Metropolitana de Manaus  Amazonas 0,720

As razões para a derrota: CBF, Felipão e uma geração de jogadores nem tão brilhante assim

As razões para a derrota: CBF, Felipão e uma geração de jogadores nem tão brilhante assim

Tudo começou lá em 2010, mais exatamente no dia 23 de julho, quando Muricy Ramalho foi convidado para assumir como técnico da Seleção Brasileira. A CBF avisou todo mundo, anunciou Muricy antes de um acerto que não aconteceu. Muricy preferiu honrar seu contrato com o Fluminense. Em seu lugar, entrou Mano Menezes já com o estigma de ser a segunda opção.

Mano permaneceu dois anos. Parecia estar fora de seu habitat e só colecionou maus resultados. Alguns já falavam o óbvio: a Copa no Brasil coincidiria de modo perverso com uma das piores gerações de jogadores brasileiros. Neste ínterim, em fevereriro de 2012, Ricardo Teixeira renunciou dando lugar a José Maria Marin, um esbirro da ditadura que, em novembro de 2012, fez retornar Felipão. Luiz Felipe Scolari não ganha títulos de importância desde que retornou ao país de sua aventura europeia. A meu ver, comprovou no Palmeiras estar desatualizado em tudo, desde a parte tática até a relação com a imprensa.

Marin e Felipão: o esbirro da ditadura e obsoleto
Marin e Felipão: o esbirro da ditadura e obsoleto

E Felipão retornou com o coordenador técnico Carlos Alberto Parreira, que tinha sido condenado pela imprensa brasileira em 2006 por apenas isso: ele não dava treinamentos. Tal acusação não era vazia, pois os treinos eram televisionados. Lembram dos jogadores caminhando de um lado para outro, uns conversando, outros batendo bola?

Os resultados de Felipão foram melhores que os de Mano, ele ganhou a Copa das Confederações, mas o futebol da Seleção não empolgava ninguém. Havia uma vida nas propagandas — Felipão tornou-se o maior garoto-propaganda do país —  e outra dentro de campo, bem menos brilhante. A administração cabia à anacrônica CBF, com suas várias seleções, técnicos, convocações a toda hora e outras posturas caça-niqueis. A coisa não sabia bem até para quem, como eu, deixara de lado os assuntos deprimentes da CBF.

E chegamos à 2014. A convocação dos jogadores me pareceu uma piada. É estranho que um país do primeiro mundo do futebol vá a uma Copa com Fred e Jô de centroavantes. Por exemplo, em 1970, Zagallo, après João Saldanha, escalava um time sem centroavante. Na época, o único centroavante era o reserva era Dario, um bom centroavante convocado “a pedido” do ditador Emílio Médici e que nunca foi utilizado por Zagallo. Dario, Fred, Jô, etc. eram / são jogadores que nunca foram unanimidades como craques no país. O time teria que ser redesenhado, mas Felipão, desde Jardel, parece não saber jogar sem centroavante.

Na Copa do Mundo, fomos até longe demais. O Chile poderia ter eliminado o Brasil, que conseguiu a vaga nos pênaltis pelo fato de um chileno ter errado seu chute. O nervosismo dos jogadores — patente em suas lágrimas — demonstrava alguma coisa que não era repercutida pelo ufanismo das propagandas e dos locutores de TV.

É claro que os 7 x 1 para a Alemanha foram inesperados. Um primeiro tempo que termina em 5 x 0 é anormal até no Campeonato Gaúcho e nas primeiras fases da Copa do Brasil. É um resultado que só se obtém se o adversário ficar parado, pasmo. Foi o nosso caso. Fomos um grupo mal treinado que não soube o que fazer contra a organizada Alemanha. Mas tudo continuará igual. A partir de abril de 2015, o atual presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Marco Polo Del Nero — homem que tem o mesmo estilo e ideias de Teixeira e Marin –, será o novo manda-chuva da CBF. E tudo seguirá assim até que uma grande geração de jogadores nasça, entre em campo e vença, não obstante a CBF.

Conferindo meus palpites para as oitavas e projetando as quartas-de-final da Copa

Conferindo meus palpites para as oitavas e projetando as quartas-de-final da Copa
Arjen Robben: acho que seu time é o único que se classificará facilmente, entrando descansado nas semis.
Arjen Robben: acho que seu time é o único que se classificará facilmente, entrando descansado nas semis.

Dos oito jogos das oitavas, acertei sete vencedores. Errei apenas o Brasil, como vocês podem conferir ao final deste post. Vamos dar nossos chutes para as quartas? Diferentemente das oitavas, onde simplesmente escolhi o melhor time, agora entra um pouco do torcedor em campo. Os confrontos são muito equilibrados. Creio que só a Holanda terá vida fácil contra a Costa Rica. O Brasil? Está ainda vivo e, após passar criminosamente pelo Chile, acho que irá até as semi-finais.

França x Alemanha, no Rio de Janeiro (RJ), sexta (4), às 13 horas.
—> Duríssimo, não tenho a menor ideia: passa a França.

Brasil x Colômbia, em Fortaleza (CE), sexta (4), às 17 horas.
—> Passa o Brasil: acho que, apesar do time superior, falta tradição à Colômbia.

Holanda x Costa Rica, em Salvador (BA), sábado (5), às 17 horas.
—> Passa a Holanda fácil.

Argentina x Bélgica, em Brasília (DF),sábado (5), às 13 horas.
—> Passa a Bélgica.

.oOo.

Os palpites para as oitavas com o “gabarito”.

Brasil x Chile (Belo Horizonte, 28 de junho, às 13h)
—> Passa o Chile. ERRADO.

Colômbia x Uruguai (Rio de Janeiro, 28 de junho, às 17h)
—> Passa a Colômbia. CERTO.

Holanda x México (Fortaleza, 29 de junho, às 13h)
—> Equilibrado, mas passa a Holanda. CERTO.

Costa Rica x Grécia (Recife, 29 de junho, às 17h)
—> Costa Rica, fácil. NADA FÁCIL, MAS CERTO.

França x Nigéria (Brasília, 30 de junho, às 13h)
—> França, infelizmente. CERTO.

Alemanha x Argélia (Porto Alegre, 30 de junho, às 17h)
—> Passa a Alemanha. CERTO.

Argentina x Suíça (São Paulo, 1º de julho, às 13h)
—> Passa a Argentina. CERTO.

Bélgica x EUA (Salvador, 1º de julho, às 17h)
—> Complicado… Passa a Bélgica. CERTO.

Propostas de manchetes para o próximo sábado

Propostas de manchetes para o próximo sábado

— “Brasil capota aos pés da Cordilheira”
— ‘Saudades de junho de 2013″
— “Brasil perde e jogadores voltam para suas casas — no exterior”
— “Cone Sul avança na Copa com gols gaúchos” (obrigado, Francisco Marshall)

Ou, se for com gols de Vargas ou Aránguiz:

— “Gaúchos eliminam Brasil ‪#‎RSmelhoremtudo”‬

Tudo isso, pois

Valdívia: meu deus, que boca grande tem esse rapaz
Valdívia: meu deus, que boca grande tem esse rapaz

Sim, vou torcer para o Chile, e daí?

Sim, vou torcer para o Chile, e daí?

Sim, eu sou brasileiro e me preocupo com o Brasil mais do que a maioria de nós, acho. Não que tenha passado noites em claro após as vaias pouco gentis dirigidas à Dilma, não que tenha me indignado muito durante a AP 470 — o mensalão –, mas fico feliz com o fato de sermos a sétima maior economia do mundo, com nossa recém adquirida e pouco testada estabilidade, com o reconhecimento do mundo, etc. e infeliz com nosso Complexo de Vira-Latas, com o Fator Previdenciário e com a baixíssima qualidade de nossa educação. Ou seja, sou um brasileiro normal, daqueles que se ufanam de forma contida. Por exemplo, vou ao exterior e gosto de dizer que sou brasileiro; fico no Brasil e não me sinto inferior por ter nascido nessa terra.

O patriotismo é o último refúgio do canalha.
Original: Patriotism is the last refuge of a scoundrel.

Samuel Johnson. Fonte: The Life of Samuel Johnson, de James Boswell (1791)

Mas tem uma coisa: não me peçam para torcer para a Seleção Brasileira. Isso eu não faço. O Ricardo Teixeira, o Marín e a CBF não me representam e há anos sinto-me liberado para torcer para qualquer outro time. (Notem: escrevi “time”, não país). Vejam bem, não sou ingênuo a ponto de achar que uma derrota vai mexer na eleição, na estrutura do futebol do país ou na política de uma forma geral, nada disso. Apenas, repito, sinto-me liberado.

O mundo jamais será tranquilo enquanto não se extinguir o patriotismo da raça humana.
Original: You’ll never have a quiet world till you knock the patriotism out of the human race.

Bernard Shaw. Fonte: “Heartbreak house: Great Catherine, and playlets of the war”, Volume 7 (1919)

Torci contra o Brasil em 1974, preferia a Holanda. Torci a favor em 1978, pois não queria ver a Argentina campeã. Novamente torci a favor em 1982, tudo pela beleza do futebol. Torci contra em 1986, era Argentina e Maradona, como no? Não lembro o que fiz em 1990, mas, em 1994, só torci para o Brasil na final. Não vou citar todas as Copas, mas na de 2002, vejam só, fui brasileiro.

Eu também já fui brasileiro
Moreno como vocês.
Ponteei viola, guiei forde
e aprendi na mesa dos bares
que o nacionalismo é uma virtude
Mas há uma hora em que os bares se fecham
e todas as virtudes se negam.
(…)

Carlos Drummond de Andrade. Também já fui brasileiro. Fonte: Alguma Poesia (1930)

Agora eu ligo a TV e vejo Ronaldo Nazário ao lado de Galvão Bueno. Ouço o narrador torcer loucamente e ver coisas sobrenaturais que justificam qualquer erro de arbitragem. Como posso me agregar àquilo? Por outro lado, vejo um time de um pequeno país, com um jogador brilhante que joga no meu Internacional de Porto Alegre (Aránguiz), com um esquema de jogo que varia de jogo para jogo e que nunca deixa o centroavante isolado (3-5-2, 3-4-3 e 4-3-3), bem, aí eu me apaixono, entende?

Patriotismo é a convicção de que o país da gente é superior a todos os demais, simplesmente porque ali nascemos.
Original: Patriotism is your conviction that this country is superior to all other countries because you were born in it.

Bernard Shaw. Fonte: “The Public: A journal of democracy”, Volume 13 (1910)

Sim, sábado, vou torcer para o Chile, e daí? Depois, talvez torça para a Holanda ou outro. Comigo não funciona esse troço rodrigueano da “Pátria de Chuteiras”. E eu desafio meus sete leitores a dizerem que trocariam um campeonato de seus times pelo hexacampeonato do Brasil. Eu não trocaria nem o Gauchão deste ano com suas duas vitórias sobre o Grêmio.

Charles Aránguiz
Charles Aránguiz

A única coisa que me dá orgulho nacionalista nesta Copa é que somos excelentes anfitriões e vai dar tudo certo em termos de organização. Sim, sei que construção, no Brasil, é sinônimo de corrupção, mas sou assim mesmo, confusamente volúvel.

Sou Internacional e Benfica. De resto, no futebol, sou coisa nenhuma. (Aliás, sou é a líder estudantil e deputada chilena Camila Vallejo).

Camila Vallejo
Camila Vallejo

E nada tenho contra quem torcerá a favor. Por que teria?