Porque hoje é sábado, Marilyn Lange

Creio que em 1975, durante inocente pesquisa bibliográfica nas revistas de meu pai,

descobri que ele tinha uma Playboy (EUA) de 1974, dedicada a Marilyn Lange.

Logo peguei a revista a fim de mostrá-la a meus colegas do

Colégio Estadual Júlio de Castilhos, que me consideraram a mais feliz das criaturas

naqueles tempos onde o acesso à pornografia era limitado.

Com efeito, Marilyn Lange tinha grandes qualidades naturais

que podiam ser identificadas ao primeiro olhar.

Eram outros tempos. Havia muitos Fuscas e Corcéis nas ruas.

Os mais ricos andavam de Maverick ou Opala, os ricaços de Landau.

Estávamos no último ano do segundo grau, eu não tinha carro e

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Uma diversão

Era o início dos anos 70. Eu, todas as manhãs, ia para o Colégio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre. Aquele dia estava frio demais, perto de zero grau e lembro que estávamos encolhidos de frio (dir-se-ia “encarangados”, no RS), sentados, duros, assistindo a uma aula. Não lembro qual era a matéria e nem interessa ao que vou contar. As salas de aulas não recebiam o sol matinal. Este, de modo perverso, vinha pelo outro lado, invadindo a enorme sacada do colégio, ultrapassando seus vidros, batendo no chão de lajotas de cerâmica hexagonais e subindo pela parede de nossa sala, mas não alterando sua temperatura interna. E então as explosões começaram.

Todos nós ficamos assustados. O que seria aquilo? Eram explosões sucessivas e devo ter sido um dos primeiros a sair correndo da sala, pois lembro do corredor vazio com o chão desmanchando-se. Provavelmente as lajotas dilataram-se mais rapidamente do que aquilo que as mantinha coladas ao chão e elas simplesmente voavam pelos ares, fazendo grande barulho. Claro que a saída dos alunos das salas para o corredor fazia com que mais lajotas se quebrassem. Logo houve aquele descontrole típico de quem tem 13 ou 14 anos. Os professores e monitores não eram mais ouvidos e, pior, estavam igualmente pasmos, observando o fenômeno, que já passara do terceiro para o segundo andar. Todos corriam. Eu lembro das caras felizes dos colegas e da cara de o-que-está-acontecendo de quem deveria manter a ordem. Ninguém temia os estilhaços.

Não tivemos mais aula naquele período. A ordem custou a ser restabelecida. Um professor de física foi de sala em sala explicar o fenômeno. Não fora um ataque militar, nem algo sobrenatural. Fora apenas diversão.

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