Bom dia, presidente Derrotório Piffero. Quem sabe passamos com o trator sobre o Argélico?

A gente acordou cedo pra ver uma merda de jogo

Teve muita gente que acordou cedo em pleno domingo para ver uma merda de Gre-Nal

Fui ao jogo acompanhado do amigo atleticano Idelber Avelar que, ao sair do estádio, escreveu no Facebook: Algum douto boleiro me explique como a dupla Gre-Nal está no G-4 do Brasileirão? Céus, como são ruins!

São realmente péssimos, mas o Inter é pior. É inacreditável que Argélico esteja nosso técnico há quase um ano. Mas vamos ao jogo.

O primeiro tempo não teve nenhuma chance de gol do Inter — um time sem armadores, dependente de chutões, de seu bom preparo físico e da sorte — e teve uma do Grêmio, nascida depois de Sasha jogar-se ao chão sem ter sido tocado. No contra-ataque, um chute à queima-roupa bateu no peito de tábua de Muriel e sobrou para Douglas marcar. Depois do gol do Grêmio, Argélico tratou de queimar mais um, desta vez Fernando Bob, colocando Gustavo Ferrareis. Não há muito mais o que dizer além daquilo que repetimos há meses. Não temos toque de bola, padrão de jogo, tomamos contra-ataques atuando com três volantes, reforços duvidosos estão chegando após passar 1/3 do Brasileiro, etc.

Se eles sempre jogassem de olhos fechados, talvez acertassem o mesmo número de passes | Foto: Ricardo Duarte

Se eles jogassem todo o tempo de olhos fechados, talvez acertassem o mesmo número de passes | Foto: Ricardo Duarte

E assim o time vai se encaminhando para o seu lugar habitual, algo entre o 8º e o 12º lugares. É uma vida no limbo. Espero apenas que não caia mais.

No segundo tempo, fizemos uma pressão. Pressãozinha, bem entendido. Perdemos gols claros com Paulão, Anderson e Vitinho, mas de resto fomos controlados com tranquilidade por nosso medíocre adversário, que não apareceu mais no ataque.

As entrevistas dos dirigentes do Inter após as vitórias — sim, faz tempo — são mais claras que as das derrotas. E o incrível é que a Comissão Técnica parece efetivamente não saber o motivo pelo qual estava ganhando, comportando-se como ufanistas vazios. Devem estar muito desconcertados pelo fato do time ter passado a perder e perder.

Não temos meio-de-campo, apenas uma boa defesa e um ataque que não funciona devido ao meio. A história nos mostra que técnicos motivadores têm data de validade curta e a de Argel já está pra de vencida. Só Derrotório Piffero não vê.

Este meio de semana sem jogos seria boa para trocar de técnico. É sempre complicado decidir uma troca, mas o que temos é um zero à esquerda e mundo e a bola estavam gritando que iríamos dar com os burros n`água imediatamente. Se não estavam vendo o mercado, mais uma mancada. Se nossa direção tivesse alguma… direção, Marcelo Oliveira estaria em nosso banco ontem, mas este o Galo do Idelber já pegou.

https://youtu.be/so0XPNRzgZs

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Na hora de decidir, o Grêmio… :)

arenaÉ claro que o Grêmio é nossa diversão. Ainda mais que sabemos que eles tinham o melhor time do Picanhão 2016. Só que desaprenderam o caminho das taças. A única coisa de imortal no Grêmio são as piadas (*). Ontem, eu dava risadas assistindo o jogo. Quando o Roger tirou o Douglas, o Grêmio começou a minguar e logo vi que ia mesmo ficar faltando um gol. Lembrei-me de jogos de tênis nos quais tenistas menores batem e batem em Djokovic, Federer e Nadal, mas perdem o jogo. Mantém brilhantemente seus saques e estão sempre quase quebrando o do adversário. Mas, na hora da decisão, ficam nervosos e encolhem o braço, deixando a vitória para… quem está acostumado a vencer. O Grêmio também é assim. Na hora de dar o golpe fatal, encolhe o braço. É a psicologia da Arena e há que respeitá-la.

E o Campeonato Gaúcho será decidido por dois times bem vagabundinhos. Ver o Inter jogar é um suplício. Um pega a bola e ninguém se desmarca para receber. Dois bons jogadores, como Sacha e Andrigo, não conseguem jogar pela falta absoluta de esquema. Nosso técnico — além de de ignorar os plurais e a concordância na entrevistas — não consegue aplicar nenhuma tática. Ênio Andrade também falava muito mal, mas era um baita treinador de boleiros.

E vamos para uma decisão imprevisível. Hoje, o Inter é realmente o quarto melhor time do RS, porém tem camiseta e naturalidade na hora de levantar e guardar taças, mesmo uma pequenininha como essa. A gurizada do Ju é boa e até seria simpático vê-los dar a volta olímpica. Mas são o Juventude. O primeiro jogo, no Jaconi, será domingo que vem. O Inter decide em casa e, sabemos, é só ver um time retrancado que paramos. Não há dinâmica de jogo para abrir uma retranca. Temos só Paulão.

A semana terá Grêmio x Rosario Central quarta-feira. Não vi o RC jogar, mas espero que seja melhor do que a LDU e aquele ridículo time do Papa. O presidente Bolzan disse uma frase verdadeiramente notável após a desclassificação de ontem: Se for como hoje podemos fazer cinco no Rosario Central, como fizemos 4 a 0 na LDU. Ou seja, ele acha que perder gols é uma categoria à parte do jogar bem.

Vou poupar vocês dos melhores lances de Inter 1 x 0 São José, pois quase não houve isso. Fiquem com Grêmio 3 x 1 Juventude. Teve futebol na Arena.

https://youtu.be/24SrNzAo–A
(*) Frase roubada do twitter de Sandro Sotilli (@sandrosotigol).

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Para meus companheiros secadores (com os gols de Grêmio 1 x 1 San Lorenzo)

Guardrroger: metendo os pés pelas mãos no segundo tempo

Guardrroger: metendo os pés pelas mãos no segundo tempo

Nós, colorados, adoraríamos estar na Libertadores. Ver o Grêmio jogá-la é uma tortura. Ou nem tanto. Eles fizeram apenas 4 pontos nos primeiros três jogos, jogando duas em casa. Para dormirem bem, precisariam ter feito 6 ou 7. 4 é pouco e a perspectiva de uma desclassificação precoce enche de ânimo nossos maus corações. A campanha ideal foi a que Fossatti fez em 2010 antes de ver sua cabeça ceifada por Piffero: 3 vitórias em casa e 3 empates fora. Total: 12 pontos. Perfeito. O Grêmio descumpriu a Lei de Fossatti em dois jogos: perdeu uma fora e empatou uma em casa. E as luzes de alerta se acenderam.

Hoje, jogam LDU e Toluca em Quito. Nenhum dos dois é grande coisa — fora de casa, a LDU é pior que o Veranópolis. O melhor é uma vitória da LDU, pois os equatorianos irão perder inevitavelmente em Toluca e ambos fariam 3 pontos nessas duas rodadas. Neste caso, se o Grêmio perdesse em Buenos Aires, dia 15, no Nuevo Gasómetro, acabaria a quarta rodada como último do grupo. E o dia 6 de abril, após Toluca e LDU jogarem no México, seria de plena felicidade!

Ontem, vi o jogo conversando com um grupo de colorados no WhatsApp. Alguns são conselheiros do clube e levam a secação como se fosse uma religião. Dois destes fundamentalistas previram que Guardrroger desmontaria o time no segundo tempo. Era só a coisa ficar empatada até os 15 min do segundo tempo que ele teria o tradicional chilique, dando toda a chance para o San Lorenzo virar. E quase aconteceu. O Grêmio teve chances, mas “El Ciclón” quase fez o crime. Imaginem que o cara tirou o Luan para colocar Bobô! O Grêmio também me pareceu cansado ontem. Olha só, mais uma mancada: jamais deveriam ter entrado com os titulares no Gre-Nal. Enfim…

Levo medo neste jogo do dia 15. O SL jogou muito mal em casa contra o Toluca e não me parece muito capaz de espremer adequadamente nosso co-irmão dentro do Gasómetro. Porém permanecemos estamos alertas e esperançosos. Tudo há de dar errado!

https://youtu.be/X8FH4bJFPjM

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Após as férias, o futebol retorna nesta quarta-feira

Estava tudo tranquilo até ontem, só que o Grêmio faz questão de atrair problemas

Estava tudo tranquilo até ontem, só que o Grêmio faz questão de atrair problemas

Grêmio e Inter não fizeram grandes contratações. Com as finanças deprimidas, nenhum dos dois clubes trouxe jogadores de lotar o aeroporto. As contratações foram poucas e discretas. Tudo foi feito com cuidado para não comprometer as finanças. É correto. Melhor é navegar no superávit, gastando um pouquinho menos do que se ganha, sem perigosos voos perdulários. O Grêmio deverá ter um primeiro semestre bem mais competitivo do que o Inter. Afinal, está classificado para o filé de emoções da Copa Libertadores da América, coisa que o Inter não obteve. O time caiu em um grupo complicado. Como colorados, esperamos muita disputa entre o tricolor de Humaitá e o Toluca (México), a LDU (Equador) e o San Lorenzo (Argentina). São duas vaguinhas. O Grêmio costuma passar bem pela primeira fase, mas nossa esperança é de uma desclassificação precoce. É uma chave que obrigará o Grêmio a viagens longas. Quito tem a altitude, não é La Paz mas é chato. O México fica em outro hemisfério e o San Lorenzo tem a mística. O negócio é vencer em casa e conseguir alguma coisa fora.

Nome do partido, nome do estádio, e uma claque...

Nome do partido, nome do estádio e uma claque de última…

Mas antes, amanhã (28), o Grêmio estreia fora de casa na Copa Sul-Minas-Rio contra o Avaí. O jogo será às 21h45. Sua primeira partida no Picanhão 2016 será no próximo domingo (31), contra o Brasil de Pelotas, às 17h. Joga o time reserva amanhã e o titular domingo. O time-base de 2015 foi mantido e não deve fugir muito disso: Marcelo Grohe; Wallace Oliveira, Geromel, Kadu e Marcelo Oliveira; Wallace, Maicon, Giuliano, Douglas e Everton; Luan. Ramiro pode entrar tanto na lateral direita como numa das volâncias. A folha de pagamento de 2016 está um pouco mais alta, beirando os 6 milhões de reais. Mudo de assunto desejando um péssimo ano para o Grêmio.

Ah, ontem, o deputado Jair Bolsonaro mostrou uma camisa do Grêmio na Assembleia Legislativa. O clube não tem culpa se um imbecil entregou a camisa ao deputado, mas os gremistas estão sofrendo a maior gozação. A coisa certamente partiu de algum torcedor de índole racista, fascista ou machista. Ou tudo isso junto.

Chico LFV

Já o Inter vive dias de tranquilidade. Fez pré-temporada na Flórida e também não contratou quase ninguém. Mas fez bons negócios livrando-se de Dida, Juan, Nico Freitas, Lisandro López, Rafael Moura, Leo e Wellington Martins. Foi uma limpeza e tanto. A folha de pagamento em 2015 estava próxima dos 9 milhões mensais, um verdadeiro absurdo se comparada com a produtividade do time em campo. Este valor caiu para 7 milhões no começo deste ano e não creio que tenha havido queda na qualidade. Permanece razoável, o que nos deve garantir o 9º lugar no Brasileiro de 2016.

olivioInfelizmente, o Inter não terá a Libertadores. Suas prioridades estão todas no Brasil: Churrascão, Brasileirão e Copa do Brasil. Campeão de tudo, mas sem um título brasileiro há 24 anos — e há 37 anos sem ganhar um Brasileirão! — seria a hora de tratar com carinho dos grandes campeonatos da corrupta CBF. Acho que o clube tem a obrigação de vencer o regional, pois não terá outra diversão nos primeiros meses do ano que não seja a Sul-Minas-Rio. O time estreia hoje (27) neste torneio contra o Coritiba no Beira-Rio, às 21h45. Seu primeiro jogo no Costelão será domingo (31) às 19h30, também no Beira-Rio, contra o Ypiranga de Erechim. O time-base para iniciar o ano é este: Alisson; William, Paulão (Jackson), Réver (Ernando) e Artur; Fernando Bob, Rodrigo Dourado, Anderson e D’Alessandro; Eduardo Sasha e Vitinho. Como veem, falta-nos um centroavante.

hitler bolsonaro

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Quando o Grêmio debutar em 2016, nossa criança terá 5 aninhos

A foto de Ricardo Duarte mostra o melhor do Inter -- Dourado e Vitinho. Já o resto...

A foto de Ricardo Duarte mostra o melhor do Inter: Dourado e Vitinho. Já o resto…

É uma pena que a longa agonia do Inter mascare sua absoluta ruindade neste péssimo ano. Se, nesta altura, estivéssemos sem chances de Libertadores no Brasileirão 2015, talvez a diretoria já trabalhasse planejando algo de mais consistente para o ano que vem. O jogo de ontem demonstrou como o se joga fora uma classificação. O Fluminense — com um time misto — pediu para ser derrotado. Viramos o primeiro tempo com vantagem de 1 x 0, jogamos todo o segundo contra 10 e… cedemos o empate. Demos um tal banho de bola no primeiro tempo, o jogo estava tão fácil que escolhemos relaxar no segundo.

2015 pode ser resumido assim: problemas com o preparo físico, com doping, contratação no meio do ano de um treinador inadequado, mais problemas físicos (agora com os velhos D`Alessandro, Alex, Juan, Réver e Anderson, que, aos 27, parece ter 40) e nada de títulos importantes. E assim vamos seguindo o Grêmio. Se eles completarão 15 anos sem eles e debutarão em 2016, nossa criança terá já 5 anos. Mas, incrivelmente, vamos para a última rodada ainda com chances, o que servirá para esconder o fracasso por mais uma semana..

A conclusão a que chego às vésperas da última rodada do campeonato não pode ser mais desalentadora para o futebol brasileiro. Dos 5 melhores classificados, 4 são péssimos, o que explica enorme a distância do Corinthians na primeira colocação. Os times atuais de Atlético-MG, Grêmio, São Paulo e Inter são piadas que deveriam estar na segunda metade da tabela se o Brasileiro tivesse um mínimo de qualidade. Mesmo sem grandes contratações, a base do Inter deveria garantir uma classificação, mas esta também não funciona direito e hoje toma goleadas do pessoal do uma e tá.

Reclamar de arbitragem? Dizer que o pênalti a favor do Flu foi mal marcado? Também acho, mas ora, colorados, deixem essas circunstanciazinhas de lado. Era um jogo fácil que se complicou por nossa incapacidade de manter uma mínima compostura em campo.

Nosso time resume-se aos chutes do emprestado e Vitinho e, olha, nem dá para ver corretamente o que mais serve com tanta desorganização em campo. Dourado e Alisson, certamente. O resto eu não sei.

https://youtu.be/3ajpkkUe3aI

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Hoje, os 10 anos da patética Batalha dos Aflitos

Sou colorado, mas sei que neste 26 de novembro de 2015, comemora-se os 10 anos de um dos momentos mais sensacionais, nervosos e patéticos da história do futebol gaúcho. Revendo o jogo, acho que, antes de uma epopeia, foi um inconfundível jogo de Segunda Divisão em um estádio e com jogadores típicos da categoria. Não sei como o Grêmio chegou àquilo. Atualmente, é muito outro. Ver em ação Sandro Goiano, Nunes, Galatto, Escalona, Lipatin, Marcel, Domingos e outros menos votados é uma alegria indizível para qualquer colorado. E, bem, a verdade é que a grande vitória gremista passa muito mais pelo despreparo e ruindade do Náutico do que pela atuação do tricolor gaúcho.

O Grêmio precisava apenas do empate para voltar para a Série A, mas jogava muito mal no primeiro tempo. Lá pelo final desta etapa, Domingos cometeu um pênalti em Paulo Matos. O lateral Bruno Carvalho chutou no canto direito de Galatto, acertando o poste. Até hoje, o goleador Kuki recusa-se a falar no assunto, mas os jornais do dia seguinte disseram que o terceiro maior artilheiro da história do clube pernambucano amarelou e acabou não batendo o pênalti. Bateu o tal Bruno.

No segundo tempo, o time gaúcho voltou melhor. Aos 15 min, entrou o jovem Anderson, de 17 anos, que seria decisivo apenas no rumo da partida, pois o empate era suficiente. Aliás, não dá para explicar as escalações de Marcel e Ricardinho tendo Anderson no banco. Com o menino em campo, o Grêmio logo ganhou velocidade e contra-ataques, diminuindo um pouco a pressão do Náutico. Não obstante, o Náutico seguia perdendo gols, alguns com Kuki, que jogava bem.

Aos 30 min do segundo tempo, Escalona, o lastimável lateral esquerdo do Grêmio, tomou cartão vermelho e, logo depois, houve um pênalti não marcado contra o Grêmio, como pode ser visto aos 14`27 do vídeo abaixo. Para compensar, o árbitro Djalma Beltrami, logo depois, marcou outro numa bola que bateu no cotovelo de Nunes. Hoje, aquilo é pênalti; na época não seria, pois o toque não fora intencional. Os jogadores e a comissão técnica do Grêmio indignou-se e começou uma confusão varzeana. Parecia o campo de futebol do Parque Saint-Hilaire. E é disso que o Grêmio se ufana nesta data. Todo mundo entrou em campo. Patrício, Nunes e Domingos foram expulsos e Odone ameaçou ir embora várias vezes. Estávamos na Segunda Divisão, não esqueçam.

Após 25 minutos de chinelagem, a torcida pedia Kuki, mas ele — ou o técnico, que diz que o artilheiro estava com as pernas pesadas — deixou a tarefa para o lateral-esquerdo Ademar. A cobrança foi no meio do gol e Galatto, que caía para o lado esquerdo, defendeu com a perna.

O Grêmio comemora e Kuki, deitado, desespera-se | Foto: gremio.net

Ademar (6) erra, o Grêmio comemora e Kuki (deitado) desespera-se | Foto: gremio.net

Na continuação do lance, o zagueiro Batata, do Náutico, cometeu falta violenta em Anderson e recebeu cartão vermelho. Na cobrança, Anderson aproveitou a perturbação do Náutico e fez o gol da vitória, que valeu também o título da Série B. Entre o erro de Ademar e o gol de Anderson, passaram-se 71 segundos. O conto diz que foram decisivos, mas repito: o empate bastava.

No momento do gol, eram 10 jogadores do Náutico contra 7 do Grêmio.

Tive a sorte de não ver tudo isso ao vivo. Estava viajando. Lembro apenas que calculei o horário do final da partida e entrei numa lan house romana, louco para confirmar que o Grêmio ficara pelo segundo ano consecutivo na Segundona. Mas o site do Terra estava estranho: dizia que eram 57 minutos do segundo tempo e estava 0 x 0. Devia estar errado. Um bug, com certeza. Fui fazer outra coisa. Quando retornei a Porto Alegre, tudo já era uma grande lenda.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

É pura matemática, o Grêmio detém o recorde de maior jejum de títulos importantes da história do RS

No início de 2015, o Grêmio roubou uma marca indesejável que era do Inter. O tricolor passou a ostentar o indesejável título de Campeão de Jejum da história do futebol do Rio Grande do Sul desde a primeira conquista nacional, em 1975. Leia abaixo.

 Matéria de Marinho Saldanha, publicada no UOL em 25/12/2014. Adaptada e atualizada.

gremista chorando

Até 1975, a dupla Gre-Nal valorizava muito mais a disputa regional do que os títulos brasileiros ou mesmo continentais. O Gauchão era motivo de orgulho de parte a parte, com disputas, brigas e discussões intermináveis que rompiam o campo de jogo. Não mudou muito no que diz respeito a dualidade entre azuis e vermelhos, o que foi alterado a partir de 1975 foi a importância dada às conquistas.

O Internacional abriu caminho com a conquista do Brasileirão daquele ano. Em seguida, ganhou de novo em 1976 e foi tricampeão em 1979. Até conhecer o primeiro grande jejum de conquistas relevantes. Depois daquela taça, a próxima viria apenas em 1992, com a Copa do Brasil. Foram 13 anos de espera, precisamente 4.739 dias entre 23 de dezembro de 1979, final daquele Brasileiro, e 13 de dezembro de 1992, final da Copa do Brasil.

Mas com o gol de Célio Silva, o Internacional superou o Fluminense e quebrou a marca. Até então, maior período sem conquistas de clubes gaúchos. Mal sabia o Inter que um jejum ainda maior estava à caminho. Entre 1992 e a conquista da Libertadores de 2006 foram 14 anos. Exatamente 4.994 dias até o 16 de agosto quando o time de Fernandão e companhia derrotou o São Paulo no Beira-Rio consolidando a primeira conquista continental do clube.

Os anos que seguiram deram ao Inter o apelido de ‘campeão de tudo’. Veio o Mundial em 2006 a Recopa em 2007, a Sul-Americana em 2008, o bicampeonato da Libertadores em 2010 e o bi da Recopa em 2011. Depois, as conquistas fora do âmbito estadual pararam até os dias de hoje.

Mas a marca negativa entre 1992 e 2006 está prestes a ser rompida. O Grêmio jamais teve jejum sequer próximo dos do Inter, mas quando resolveu parar de conquistar, o fez em larga escala.

O primeiro título nacional gremista ocorreu em 1981. Depois a Libertadores e o Mundial de 1983, a primeira edição da Copa do Brasil em 1989, novamente a Copa em 1994, a Libertadores de 1995, a Recopa de 1996, o tricampeonato da Copa do Brasil em 1997, e no dia 17 de junho de 2001, ao fazer 3 a 1 no Corinthians em São Paulo os comandados de Tite levantaram a Copa do Brasil daquele ano, o último título relevante gremista fora do Estado.

No período que seguiu, apenas a Série B de 2005 foi erguida fora do Rio Grande do Sul. E mesmo com a epopeia conhecida como ‘Batalha dos Aflitos’, o título que recolocou o Tricolor na primeira divisão é pequeno para um clube de tamanha grandeza.

E com isso, o Grêmio chega, na data de hoje, 27 de outubro de 2015, a precisos 5.247 dias sem conquistas. Está mais do que batido o recorde do maior jejum do futebol gaúcho em conquistas relevantes desde o primeiro título nacional.

Cabe ao Grêmio interromper a série negativa a fim de não ampliar o recorde negativo. E torcer para o Internacional ficar novamente um longo período sem levantar taças importantes, para que a marca deixe de pesar no histórico do clube. Lembremos que, se o jejum do Grêmio vem desde 2001, o Inter também não ganha nada de importante desde 2011, quando ganhou a Recopa Sul-Americana.

Imagem meramente provocativa.

Imagem meramente provocativa.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Bom dia, Argel Fucks (com o gol de Vitinho contra o Coritiba)

O salvador Vitinho | Foto: Fotos: Ricardo Duarte / SC Internacional

O salvador Vitinho | Foto: Fotos: Ricardo Duarte / SC Internacional

Argel, fiquei feliz sábado. Gostei de ser corintiano. Tu viste o pênalti que o maluco do Rafael Moura fez no Kléber, Argel? E o juiz não deu! Curti muito! De resto, jogamos horrivelmente e até agora não entendi como ganhamos. Fizemos tudo errado — chamamos o Coritiba para o nosso campo, abdicamos da bola para só marcar — , mas é que o adversário era ruim demais. Tem muitos candidatos à segunda divisão este ano. A briga é dura, todos querem cair. Seguimos jogando mal fora de casa, mas o juiz nos salvou de um humilhante empate dessa vez. Dei gargalhadas enquanto lavava a louça lá em casa. Tu disseste, Argel, que nossa vitória foi convincente… Que bom humor que tu tens!

Nem vou falar do esquema de jogo, essas coisas. Não dá para chamar aquilo de esquema de jogo, né? O William estava bem alegrinho, tentando dribles e perdendo bolas na nossa intermediária. O Vitinho é que voltou a jogar bem.

Agora temos três jogos em casa. Corinthians, Figueirense e Palmeiras, este pela Copa do Brasil. Bem, se jogarmos como temos jogado, melhor focar a atenção sobre Figueirense e Palmeiras. Temos perdido sistematicamente para o Corinthians. E temos perdido na bola mesmo, sem intervenções do apito.

O Grêmio é que parece estar de flanelinha no G-4. Agora, eles pegam o Patético-PR e o Palmeiras. Acho que levam um ponto e verão a aproximação de São Paulo e Flamengo. Esses estão com os dias contados.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Gremista por um dia: sim, me aconteceu

O vô Manuel

O vô Manuel

Eu era muito pequeno, tinha uns 4 anos. Meu avô faleceu quando eu tinha cinco. Eu adorava o velho Manuel que, hoje sei, não podia ser mais típico. Era chamado Manuel, dono de uma padaria chamada Lisboa, na Av. Azenha. Ele só seria mais típico se tivesse ficado no Rio de Janeiro. Chegara da região de Aveiro, fora primeiro estivador no porto, era brincalhão, tinha inesgotável paciência comigo e habitava um lugar cheio daquelas maravilhas às quais meus pais dificultavam o acesso — balas, refrigerantes, doces, sonhos e pães, os pães que amo até hoje.

Hoje sei o que significa a palavra que minha mãe dizia a respeito dele, a palavra terrível. Ele era mulherengo. Com enorme sucesso, fazia graça para as moças atrás do balcão. A mãe dizia que minha vó Maria era uma santa para aguentar tudo aquilo do marido.

Um dia cheguei com meu pai à padaria e ele pediu para que eu contasse a última novidade para meu avô.

— Vô, sou gremista!

Ele ficou imediatamente sério e tudo o que eu não queria era deixá-lo assim. Devia ter uns 4 anos de idade e era assustador decepcionar o velho. Logo pensei: toda nossa família é colorada, será que é muito errado ser gremista?

— Milton Luiz — eu era Milton Luiz e meu pai, Milton –, sinto-me no dever de fazer-te ver a verdade.

E, cada vez mais sério, seguiu:

— Ser do Inter em Porto Alegre e do Benfica em Lisboa é estar perto da verdade, do absoluto. O Grêmio é uma mentira.

— Mas meus amigos são gremistas fanáticos e o Grêmio ganha tudo!

Estávamos nos anos 60 e, realmente, a superioridade do Grêmio era o que nunca foi depois.

— Saltar do Inter para o Grêmio é como ir de Eça de Queiróz para Cardoso Filho.

Cardoso Filho era um parente nosso que era escritor no Rio de Janeiro. Escrevia uns livros melodramáticos, xaroposos mesmo. Meu pai saiu da padaria, rindo. Não entendi. Como meu avô parecesse cada vez mais contrafeito, eu estava em pânico, confuso, louco para correr atrás do pai, mas não ousava.

— Mas eu gosto…

— OLHA LÁ RAPAZINHO, TU NÃO SABES TER UMA CONVERSA SEM PÔR A PATA NA POÇA? Além do mais, associado ao nome Internacional, há coisas sagradas, coisas da vida, da política! O vermelho é o povo, o vermelho é a cor de quem está do nosso lado!

Era grave mesmo. Melhor recuar. Comecei a chorar. Onde estava o pai? Acontece que no dia anterior, a família do meu melhor amigo, João Batista, tinha me convencido a aderir ao Grêmio. Eram vencedores, triunfantes. Mas não podia viver como um proscrito, detestado pela própria família. E virei a casaca pela segunda vez em dois dias.

***

Com este tipo de pressão, acabei herdando do velho Manuel o amor pelo Inter e pelo Benfica. Alguns dias depois, ele me disse que havia uma coisa que unia os clubes de forma umbilical:

— A tendência à tragicomédia.

Como aquele assunto o deixava brabo e ele parava de brincar, achei melhor fingir que tinha entendido. Repetia para mim mesmo suas últimas expressões: “Somos radicalmente tragicômicos”.

Por favor, que não o sejamos hoje!

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Um estranho Campeonato Gaúcho para a dupla Gre-Nal

Acho cômico o narrador Paulo Britto insistir em chamar o Gauchão 2015 de “charmoso”, mas seu início dá indícios de que esta edição talvez vá se tornar a melhor desde os anos 80. Finalmente a dupla Gre-Nal tem penado. E muito. De resto, meus sete leitores conhecem minhas opiniões sobre os campeonatos regionais.

Não vi Grêmio 0 x 1 Brasil, mas quem assistiu o jogo do tricolor contra o Avenida sabe que o resultado não é surpreendente. O Brasil é um time consolidado, cheio de veteranos que sabem jogar. Já o Grêmio é um grupo jovem, talvez de futuro. O resultado não surpreende a um macaco velho como eu. Entendo o que Grêmio quer fazer. Quer botar a base para jogar a fim de que apareçam os bons jogadores. Depois, antes do Brasileiro, procurará no mercado as reposições para aquelas posições onde não aparecer ninguém. Está pensando de forma lógica e econômica. O problema é que o futebol pode ser mais rápido do que a estratégia e — pelamor — a base parece ser fraca demais. A impressão que tenho é a de que será necessário contratar muita gente. E justo quando a janela estiver fechada. Acho melhor a diretoria abrir o olho. Nós, colorados, adoramos quando o Grêmio vai para a Segundona. E, se o Romildo não se mexer, vai novamente. Seria o Nirvana. Um conselho a Romildo: esqueça os delírios de Campeonato Brasileiro mata-mata e faça um time de futebol.

E Cruzeiro 0 x 0 Inter? O Cruzeiro é um desses times de empresários, ao que tudo indica. Já o Inter leva jeito de time de futebol. Só o jeito, porque não acontece nada. Deixamos de levar gols, mas paramos de fazê-los. Nilmar está prontinho para ser vaiado. Mas ao menos ele, D`Alessandro, Vitinho e Sasha já entenderam uma coisa: Numa equipe de futebol, o goleiro é o primeiro atacante e o atacante, o primeiro defensorOu seja, eles começaram a marcar. Porém, o Inter é um enigma a ser decifrado. Ninguém sabe onde pode chegar, mas seu futebol sabe melhor do que o do Grêmio.

Contrariamente ao que li na imprensa, gostei da estreia de Anderson. Boas viradas de jogo, bons passes. Ele deu nova inteligência ao setor. Poderia treinar mais as cobranças de pênaltis, não?

Meu segundo time no RS é o líder do Gaúcho. Merece.

Nena comemora o Gol do Brasil de Pelotas e a liderança | Foto: Vinícius Costa / Futura Press

Nena comemora o gol do Brasil de Pelotas e a liderança | Foto: Vinícius Costa / Futura Press

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Enquanto o Inter gasta, o Grêmio imita Sartori

distintivo-grenalO Grêmio vai cumprindo o que prometeu ao final de 2014. Sem dinheiro, examina jogadores na base e apenas contratará sem custos. Luiz Felipe, dando uma de manager do clube, já antecipara que o ano seria dureza. A estratégia é boa para um clube meio sem grana: avalia o que tem em casa durante o Gauchão — que não vale nada — e contrata depois, apenas para aquelas posições em que o futebol do campo indicar carências reais. O torcedor vai ter de apelar para a paciência e caldo de galinha.

O time perdeu Pará, Bressan, Riveros, Zé Roberto e Dudu, gente que jogou bastante em 2014. Chegou do Bahia o desconhecido Gallardo, emprestado por um ano.

Não sei o Inter tem dinheiro ou se é louco mesmo. Sei que há uma Libertadores e a pressa para acertar o time é maior do que a do Grêmio. O time dispensou dispensáveis como Gilberto e Wellington Silva e não deixou sair ninguém de peso. Hoje, Jorge Henrique foi colocado no mercado após fazer festa durante a pré-temporada. (O cara não sabe que tem sempre gente com câmeras na mão para qualquer eventualidade?)

Para o lugar de Abel, veio o uruguaio Diego Aguirre, o que não deixa de ser uma aposta, considerando-se o péssimo histórico de treinadores estrangeiros em nosso país. Abel vinha de mal a pior e só chegou a Libertadores em repetidas golfadas de sorte. Foi trazido um lateral-direito também desconhecido, Léo, além do volante Nilton e do zagueiro Réver. A direção acena com a jovem estrela De Arrascaeta e Vitinho, outro jovem que surgiu no Botafogo e sumiu nas estepes russas.

São duas posturas totalmente diferentes, indo em direções diversas em 180º. Mas ambas são muito perigosas. Já ouvi torcedores do Grêmio se exclamarem irritados com a lista de jogadores que subiu para a pré em Gramado e colorados achando que vão ver o Real Madrid deslizando no no Beira-Rio.

Observemos.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Estádio Olímpico: as nossas melhores lembranças

Estádio-Olímpico-MonumentalA implosão do Olímpico está confirmada para janeiro de 2015. Comprarei charutos e espumantes para assistir a demolição. Eu, Mato Grosso e o Joca estaremos lá. Deus dá o estádio conforme o torcedor.

Quando a saudosa maloca for pelos ares, eu e meus amigos lá estaremos brindando. Imagine o filme que faremos. Haverá a explosão e, após o som tonitruante, veremos o pó subir com a trilha sonora da música do Canal 100. Para garantir a seriedade e o respeito aos gremistas, faremos uma homenagem a Hélio Dourado. Somos gente de respeito.

Com a terraplanagem do Olímpico, as conquistas do Grêmio serão resgatadas das fitas VHS e de outros meios mais obsoletos para o digital. Afinal, alguém tem que respeitar a história do chamado imortal. Imortais também são o bullying e as piadas prontas com que o tricolor nos abastece. Obrigado, Grêmio!

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Tempos de negação

É uma saraivada de negações. A menina Patrícia erra novamente ao negar sua atitude. Acho que ela deveria ter dito que boa parte da sociedade GAÚCHA tem sentimentos racistas interiorizados e que, sob frustração ou descontrole, eles afloram. E que ela não deveria ser punida como exemplo. Mas, é claro, seria bonito demais, verdadeiro demais, complexo demais. O que ela fez? Falou dois minutos, usando 15 segundos para pedir desculpas ao Aranha e afirmar que não é racista. Nos 1min45 restantes, pediu desculpas, desculpas, desculpas à torcida do Grêmio, que é o que lhe interessa… Foi tola, melhor se tivesse silenciado. Erra espetacularmente o Koff ao negar o racismo referindo-se às pessoas “de cor”. E erra o Jurídico do Grêmio ao pedir efeito suspensivo. Temo que o Grêmio obtenha o benefício e aí sim teremos uma instituição estigmatizada. Vamos negar e negar. São tempos de maciça negação daquilo que somos.

patricia m

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

A arte de relativizar o racismo

Só cinco

Só cinco, meia dúzia no máximo

Do ponto de vista ético, creio ser muito feia a reação de alguns setores à punição sofrida pelo Grêmio na tarde de ontem. Esta teria sido exagerada e a moça já teria sofrido o bastante. Porém, examinando-se as punições, vê-se que não foram nada demais. O Grêmio foi excluído da Copa do Brasil — punição inócua, pois o time já tinha perdido por 2 x 0 em casa e cairia provavelmente fora –, foi multado em R$ 54 mil — menos de 10% do salário do técnico Felipão — e os envolvidos nos xingamentos proibidos de entrar em estádios por 720 dias. Árbitro e auxiliares foram punidos e suspensos por 45 e 30 dias por não relatarem o ocorrido. Pagarão também uma multinha de manos de R$ 1000. Ou seja, foi uma punição de nada. A moça vai prestar depoimento hoje à polícia, pois racismo é crime. Ou não? Talvez transforme-se em vítima amanhã na imprensa…

Me aboba a reação de Fábio Koff e de alguns envolvidos. Pobre Grêmio, coitadinho do time reincidente específico neste gênero de denúncias. No fundo, estão começando a relativizar o racismo, a compreendê-lo e aceitá-lo. Ontem, ouvi no rádio uma longa arenga na qual um jornalista explicava que foram cinco torcedores proferindo ofensas num universo de 32 mil. Céus, como gritavam, não? Os microfones da ESPN teriam captado os gritos racistas de cinco malucos que faziam uh, uh, uh? Não, gente, menos. Concordo que não era o estádio inteiro, mas era um bom punhado de torcedores da organizada Geral. Faziam barulho pacas, tinham sede no clube e apoio dos dirigentes.

Outros dizem que, pô, é só futebol, é só diversão. Só que o futebol é uma representação de nossa sociedade. O futebol é um palco onde nos vemos e um microcosmo a ser melhorado de modo a atingir a sociedade. Melhorar nosso espelho faz com que mudemos. Já disse que ninguém mais atira objetos em campo em função das punições. Neste caso, a multidão aprendeu a se autorregular. O povo foi educado pela repetição das punições, havendo agora concordância de que não é legal atirar bombas, paus, pilhas e pedras em jogadores e árbitros.

Mas, se, em direção contrária, a sociedade repensa e relativiza os atos de racismo, só posso concluir que ela não os acha graves, que ela não está convencida de que são hediondos nem da dor de ser negro em nosso país. Concluindo, a sociedade quer permanecer do modo como está, agredindo a dignidade de quem é negro.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Algumas maravilhas da língua portuguesa

muçarelaVocê sabia que…

… o correto é MUÇARELA e não mussarela?

… que À-TOA (com hífen) é sem-vergonha, puta, essas coisas, enquanto que À TOA significa sem rumo, como o Chico de A Banda?

… que INCIPIENTE é iniciante, enquanto INSIPIENTE é ignorante?

… que CERRAÇÃO é com C, vem de cerrar, fechar, e não vem de serra?

… que ESTADA é permanência de alguém, enquanto ESTADIA é a permanência paga de um navio no porto?

… que EM PRINCÍPIO é em tese e A PRINCÍPIO é no início?

… que ACERCA DE é a respeito de, A CERCA DE é a alguma distância e HÁ CERCA DE é faz aproximadamente (em sentido de tempo)?

… que soprano e contralto, apesar de cantoras, são substantivos masculinos?

… que o correto é PRETENSIOSO e não as suas variantes tão utilizadas por aí?

… que você deixa seus livros na ESTANTE e os deixa em exposição ou feira num ESTANDE?

… que, segundo a Nova Ortografia, tanto faz escrever GRÊMIO ou GRÉMIO, pois os dois estão corretos, têm a mesma pronúncia e referenciam o mesmo time do bairro Uma e tá?

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Enquanto o PT e o PSDB brigam, o Estado Laico vai pro brejo

Salve-se quem puder

Salve-se quem puder

A dicotomia tipicamente gaúcha foi exportada para a política nacional faz mais de uma década. O Grêmio e o Inter, a noite e o dia, o bem e o mal, o preto e o branco, deus e o diabo, o céu e o inferno, o PT e o PSDB. Isso é empobrecedor demais. A Veja e assemelhados fazem seu discurso de ódio ao PT, enquanto vários pequenos veículos e blogs respondem. Um trata de demonizar o outro em exageros espetaculares, como se o mundo se resumisse a detestar a Dilma ou o Aécio.

No entanto, há mais coisas no ar. Houve uma bancada que conseguiu enorme projeção no primeiro mandato de Dilma: a Bancada Evangélica. Segundo dados da própria Frente Parlamentar Evangélica, nas eleições de 2010 a bancada cresceu de 46 deputados (9% do total da Casa) para 68 deputados (13,2% do total), um crescimento de quase 50%. No Senado, os evangélicos têm 3 representantes: Walter Pinheiro (PT-BA) da Igreja Batista, Magno Malta (PR-ES) da Assembleia de Deus e o bispo Marcelo Crivella (PR-RJ), um ex-bispo da Igreja Universal do Reino de Deus.

Os evangélicos cresceram tanto que o comando da campanha à reeleição de Dilma Rousseff está preocupado com o voto deles, um eleitorado que representa 22,2% da população, ou 42,3 milhões de brasileiros, segundo o último Censo do IBGE. Agora será mais difícil conquistar esse eleitorado, sobretudo diante da candidatura de um de seus representantes, o Pastor Everaldo Pereira, do “Partido” Social Cristão (PSC) e da Assembleia de Deus. Em seu primeiro dia de campanha, Everaldo anunciou que criará o Ministério da Segurança Pública. E disse: “Com a Bíblia e a Constituição Federal nas mãos, inicio aqui, com Fé, minha caminhada para mudar o Brasil de verdade”. Assim vai nosso Estado Laico.

Dei uma passada no Facebook, blog e site do pastor. É de um retrocesso constrangedor. Inverdades vendidas como “verdades” e mais ódio, ódio e ódio à, digamos o termo exato, felicidade. Os evangélicos preveem um maior crescimento nestas eleições. Pensam que aumentarão em 30% sua presença no Congresso. Já há partidos políticos que se colocam frontalmente contrários ao Estado Laico, casos do PR e PSC. As mulheres e os homossexuais que se preparem, ainda mais que as leis de financiamento de campanha nunca são alteradas. Os caras têm grana e Everaldo já teria 4% dos votos, segundo as pesquisas. Isso sem contar com Marina Silva, vice de Eduardo Campos, terceiro colocado nas pesquisas.

Aberrações como o tal Estatuto do Nascituro — com sua consequente proibição do aborto –, cura-gay, homofobia, retirada da diversidade de gênero do Plano Nacional de Educação, o impedimento do kit gay — que foi retirado do MEC por Dilma e que era apenas um kit educacional contra a homofobia — e outros fatos foram os primeiros passos contrários a um Estado Laico onde a religião seja uma escolha íntima, uma necessidade pessoal. O que virá? Olha, me cago de medo dessa gente.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Sobre Abel Braga e o novo avião do Grêmio

Após a repetição da vitória de duas semanas atrás e a consequente conquista do Campeonato Gaúcho, Abel Braga demonstrou surpreendente falta de entusiasmo, mantendo uma lucidez inesperada para aquele momento. Na entrevista após o jogo, ele não fez qualquer alusão ao título, mirando apenas o futuro. Tem toda a razão. O Gauchão não representa nada, sua importância limita-se às duas vitórias consistentes sobre o time do Grêmio e nada mais. OK, a conquista posiciona melhor o ego e altera e sala de troféus, mas é só isso. Pior que ganhar o Gaúcho é perdê-lo, certamente.

Sobre o Gre-Nal: já tinha externado com muita clareza minha opinião sobre nossa superioridade, mas é óbvio que os 4 x 1 devem ter assustado os inquilinos da Arena, ainda mais pela forma como aconteceu. Fizemos uso de certa indulgência, não? O Grêmio até jogou melhor no primeiro tempo, mas volume de jogo não é quase nada quando seu adversário tem jogadores de melhor qualidade. Um time mais ou menos cria quatro oportunidades e faz uma, um melhor cria duas e marca. É da vida. Nos anos 80 e 90, eu via isso acontecer todo dia no Beira-Rio. Quando o Inter massacrou o São Paulo — e perdeu o jogo por 4 x 1 — comecei a pensar que bom mesmo era contra-atacar com Kaká, Júlio Baptista e Luís Fabiano e ser feliz.

Agora, o óbvio: o Brasileiro será disputado em poucas datas. É uma disputa para um grupo grande de jogadores. Haverá lesões e cartões pra todo o lado, além de adversários muito melhores. Então, não sei se temos que contratar — não conheço detalhadamente o banco do meu time –, mas certamente o clube com mais material de reposição sofrerá menos. Mais: acho que não há nenhum paulista ou carioca de assustar. O perigo, como no ano passado, está novamente em BH. E, olha, faz 35 anos que não levantamos o Brasileiro. Já passou da hora. Vamos lá, gente.

Ah, abaixo, o novo avião do Grêmio.

Novo avião tricolor foi entregue ontem no aeroporto de Caxias

Novo avião tricolor foi entregue ontem no aeroporto de Caxias

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Estava 2 x 0 para o Grêmio, mas, estranhamente, acabou 4 x 0… para o Coritiba

Via Fernando Guimarães.

correio1

correio2

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Pena do rival no Dia da Criança

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

A pergunta do café da manhã

— Mamãe, por que meu time nunca ganha nada? — pergunta o menino de 12 anos, ignorando o pai.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!