Perdidos na tradução: as mais incríveis traduções de títulos de filmes no Brasil

Perdidos na tradução: as mais incríveis traduções de títulos de filmes no Brasil

Há uma piada de português que conta que o nome de Psicose, de Alfred Hitchcock, em Portugal, é O filho que também era mãe.

Gente, foi piada, tá?

No Brasil não chegamos a tanto, mas há coisas inacreditáveis. Inspirado e copiando alguma coisa da Revista Bula, procurei por aí e fiz uma seleção das traduções mais absurdas para meus sete leitores. Se quiserem acrescentar mais traduções do gênero, usem os comentários.

— Annie Hall — Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977)

— Lost in Translation — Encontros e Desencontros (2003)

— Rebel Without a Cause — Juventude Transviada (1955)

— Teen Wolf — O Garoto do Futuro (1985)

— The Hangover — Se beber, não case (2009)

— Hidden Figures — Estrelas Além do Tempo (2017)

— Breakfast at Tiffany’s — Bonequinha de Luxo (1961)

— Revolutionary Road — Foi apenas um sonho (2008)

— Persona — Quando duas mulheres pecam (1966)

— Angel’s Heart — Coração Satânico (1987)

— The Sound of Music — A Noviça Rebelde (1965)

— Nowhere Boy — O garoto de Liverpool (2009)

— Jack and Jill — Cada um tem a gêmea que merece (2011)

— Meet the Parents — Entrando numa fria (2000)

— Blue Valentine — Namorados para Sempre (2010)

— The apartment — Se meu apartamento falasse (1960)

— The sweetest thing — Tudo para ficar com ele (2002)

— Parenthood — O tiro que não saiu pela culatra (1989)

— The Godfather — O Poderoso Chefão (1972)

— All about Eve — A Malvada (1951)

— Giant — Assim caminha a humanidade (1956)

— The Cable Guy — O Pentelho (1996)

— Vertigo — Um corpo que cai (1958)

— Brewster McCloud — Voar é com os pássaros (1970)

— McCabe & Mrs. Miller — Onde os homens são homens (1971)

— August Rush — O Som do Coração (2007)

— The Good, the Bad and the Ugly — Três Homens em Conflito (1966)

— The Wild Bunch — Meu Ódio será tua Herança (1969)

McCabe & Mrs. Miller, de Robert Altman (1971)

McCabe & Mrs. Miller, de Robert Altman (1971)

Robert Altman fez dezenas de filmes, alguns muito bons, outros lastimáveis. Como a maioria das pessoas, tenho grande admiração por suas histórias polifônicas como Short Cuts, Nashville, O Jogador, O Casamento, etc., mas meus preferidos são aquelas obras que ficaram perdidas lá nos anos 70, Como McCabe & Mrs. Miller (Onde os homens são homens), Brewster McCloud (Voar é com os pássaros) e Três Mulheres.

McCabe & Mrs. Miller é um falso western. Dentro de uma narrativa melancólica, Warren Beatty é um fanfarrão covarde e sonhador, que chega a um remoto lugarejo do oeste americano com a finalidade de montar o primeiro puteiro da comunidade. Mrs. Miller, vivada por uma lindíssima Julie Christie, é a cafetina que vai recrutar moças e garantir pelo gabarito do salão… Como era de se esperar, o local torna-se um sucesso, chamando a atenção de forasteiros que desejam adquirir a casa. Beatty não se dá conta de que a violência é habitual de naquele povoado onde não se dá muita importância a seu charme e carisma. Quando vi No country for old man (Onde os fracos não têm vez), dos irmãos Coen, logo pensei numa longínqua inspiração neste “western” de Altman. Acredito ter razão.

É o mais úmido e barrento dos filmes. Há uma névoa sobre todas as tomadas externas. É como se aquele não fosse um bom lugar para alguém que tão narcisista, cheio de si e “civilizado” como o personagem de Beatty. A trilha sonora de Leonard Cohen sublinha notavelmente o ambiente.

Deve ter em DVD. Saudades.

McCabe and...
McCabe and…
Mrs. Miller
Mrs. Miller