Hoje, os 10 anos da patética Batalha dos Aflitos

Hoje, os 10 anos da patética Batalha dos Aflitos

Sou colorado, mas sei que neste 26 de novembro de 2015, comemora-se os 10 anos de um dos momentos mais sensacionais, nervosos e patéticos da história do futebol gaúcho. Revendo o jogo, acho que, antes de uma epopeia, foi um inconfundível jogo de Segunda Divisão em um estádio e com jogadores típicos da categoria. Não sei como o Grêmio chegou àquilo. Atualmente, é muito outro. Ver em ação Sandro Goiano, Nunes, Galatto, Escalona, Lipatin, Marcel, Domingos e outros menos votados é uma alegria indizível para qualquer colorado. E, bem, a verdade é que a grande vitória gremista passa muito mais pelo despreparo e ruindade do Náutico do que pela atuação do tricolor gaúcho.

O Grêmio precisava apenas do empate para voltar para a Série A, mas jogava muito mal no primeiro tempo. Lá pelo final desta etapa, Domingos cometeu um pênalti em Paulo Matos. O lateral Bruno Carvalho chutou no canto direito de Galatto, acertando o poste. Até hoje, o goleador Kuki recusa-se a falar no assunto, mas os jornais do dia seguinte disseram que o terceiro maior artilheiro da história do clube pernambucano amarelou e acabou não batendo o pênalti. Bateu o tal Bruno.

No segundo tempo, o time gaúcho voltou melhor. Aos 15 min, entrou o jovem Anderson, de 17 anos, que seria decisivo apenas no rumo da partida, pois o empate era suficiente. Aliás, não dá para explicar as escalações de Marcel e Ricardinho tendo Anderson no banco. Com o menino em campo, o Grêmio logo ganhou velocidade e contra-ataques, diminuindo um pouco a pressão do Náutico. Não obstante, o Náutico seguia perdendo gols, alguns com Kuki, que jogava bem.

Aos 30 min do segundo tempo, Escalona, o lastimável lateral esquerdo do Grêmio, tomou cartão vermelho e, logo depois, houve um pênalti não marcado contra o Grêmio, como pode ser visto aos 14`27 do vídeo abaixo. Para compensar, o árbitro Djalma Beltrami, logo depois, marcou outro numa bola que bateu no cotovelo de Nunes. Hoje, aquilo é pênalti; na época não seria, pois o toque não fora intencional. Os jogadores e a comissão técnica do Grêmio indignou-se e começou uma confusão varzeana. Parecia o campo de futebol do Parque Saint-Hilaire. E é disso que o Grêmio se ufana nesta data. Todo mundo entrou em campo. Patrício, Nunes e Domingos foram expulsos e Odone ameaçou ir embora várias vezes. Estávamos na Segunda Divisão, não esqueçam.

Após 25 minutos de chinelagem, a torcida pedia Kuki, mas ele — ou o técnico, que diz que o artilheiro estava com as pernas pesadas — deixou a tarefa para o lateral-esquerdo Ademar. A cobrança foi no meio do gol e Galatto, que caía para o lado esquerdo, defendeu com a perna.

O Grêmio comemora e Kuki, deitado, desespera-se | Foto: gremio.net
Ademar (6) erra, o Grêmio comemora e Kuki (deitado) desespera-se | Foto: gremio.net

Na continuação do lance, o zagueiro Batata, do Náutico, cometeu falta violenta em Anderson e recebeu cartão vermelho. Na cobrança, Anderson aproveitou a perturbação do Náutico e fez o gol da vitória, que valeu também o título da Série B. Entre o erro de Ademar e o gol de Anderson, passaram-se 71 segundos. O conto diz que foram decisivos, mas repito: o empate bastava.

No momento do gol, eram 10 jogadores do Náutico contra 7 do Grêmio.

Tive a sorte de não ver tudo isso ao vivo. Estava viajando. Lembro apenas que calculei o horário do final da partida e entrei numa lan house romana, louco para confirmar que o Grêmio ficara pelo segundo ano consecutivo na Segundona. Mas o site do Terra estava estranho: dizia que eram 57 minutos do segundo tempo e estava 0 x 0. Devia estar errado. Um bug, com certeza. Fui fazer outra coisa. Quando retornei a Porto Alegre, tudo já era uma grande lenda.

Deputados estaduais do RS têm variação patrimonial de mais de 100% em quatro anos

Deputados estaduais do RS têm variação patrimonial de mais de 100% em quatro anos
Paulo Borges, O Homem do Tempo fez chover
Paulo Borges, o Homem do Tempo fez chover

Entre 2010 e 2014, a inflação acumulada foi de 26,7%, mas nossos deputados tiveram um aumento de 101,7% em seus patrimônios. O valor global de bens declarados à Justiça Eleitoral, subiu de R$ 26,3 milhões em 2010 para R$ 53,1 milhões neste ano. Foi um aumento de 101,7%.

O Homem do Tempo, o deputado Paulo Borges, do DEM, foi o que teve a maior variação percentual: 952,2%, passando de R$ 70,6 mil para 742,6 mil. Sua assessoria informou que o ele financiou uma casa e um veículo de alto valor neste período. O parlamentar que teve o incremento mais expressivo em valores absolutos foi Paulo Odone (PPS), cujo patrimônio saltou de R$ 1,8 milhão para R$ 8,7 milhões — uma alta de 377,6% no período.

Fico feliz por eles. Com subsídio mensal de R$ 20.042,34, sem incluir benefícios como a “ajuda de custo” (duas parcelas no valor do subsídio mensal, uma no início outra no final do mandato), um deputado estadual recebe pouco mais de R$ 962 mil em quatro anos.

Já os deputados federais não pouparam tanto assim. O valor dos bens declarado à Justiça Eleitoral pelos 29 deputados federais gaúchos que concorrerão nestas eleições aumentou, em média, apenas 69,93%, passando de R$ 17,4 milhões em 2010 para R$ 29,6 milhões em 2014. Bah, que vergonha!

Fontes: ZH e TSE.
Dica: Fernando Guimarães.

A$$i$ e Ronaldinho

Perdi bastante tempo na tarde de sábado no twitter, incomodando meus amigos gremistas e lendo piadas de colorados sobre a malograda vinda de Ronaldinho Gaúcho para Olímpico. O objeto das piadas era a negociação — notória demais, chata demais, cara demais — entre o Grêmio, o Flamengo, o Palmeiras e, aparentemente, todos os clubes do mundo que tivessem o celular de Roberto de Assis Moreira, irmão e empresário do objeto do desejo, o dentuço Ronaldinho. Eu tinha algum receio da vinda dele. Apesar de achá-lo um ex-jogador, apesar de saber que ele não faz uma partida decente há 5 anos, tinha medo, pois também achava que ele poderia, sob um rígido controle e aconselhamento, voltar a nos ofuscar com suas indiscutíveis luzes. Ou seja, eu sofria de um temor profilático, um pré-cagaço que me dizia “Vai que esse cara volte a jogar bola?”. E via que a transação estava fechada. O mais gremista dos colunistas da cidade, David Coimbra, dava a barrigada do século ao noticiar o fechamento da negociação; o presidente Paulo Odone mandava buscar caixas de som e convidava a torcida para a festa; conselheiros do clube davam o acordo como selado após o brinde feito na casa do dono da Coca-Cola aqui no sul, Ricardo Vontobel; ou seja, todos anunciavam a contratação.

O que sobrou foi um fiasco e muito mais. Ficou demonstrada a moral torta do jogador e de seus representantes e uma inexplicável ingenuidade de Odone, um dirigente experiente e político conhecedor das jogadinhas e tramoias que envolvem qualquer negociação, mas que tomou espetacular drible dos dois irmãos. O que fez com que ele caísse na esparrela dos Assis Moreira? Ficou burro? Havia uma comissão bonita por trás e ele ofuscou-se? Ou foi a mera vaidade míope, transfigurada na forma de um coercível desejo de iniciar sua nova gestão à frente do Grêmio com um grande lance?

Ninguém sabe. Mas vamos por partes.

Os grandes jogadores argentinos e alguns brasileiros, ao final de suas carreiras, retornam a seus clubes de origem ou àqueles clubes onde foram mais felizes. É a garantia de mais algum dinheiro — normalmente menos do que poderiam auferir se encerrassem suas carreiras no exterior — e a liquidação de uma dívida de gratidão. O caso mais notável é o de Verón, que retornou ao Estudiantes de la Plata para encerrar suas atividades e que segue recebendo propostas e mais propostas, pois a cada dia que passa joga ainda mais e melhor. Verón não as aceita, diz que nem as lê. De certa forma, também é o caso de vários colorados — alguns ainda jovens — que decidiram facilitar seu retorno ao Inter: casos de Nilmar, Renan, Tinga, Rafael Sóbis, Bolívar e vários outros. Foi nisso que Odone acreditou? Pois não deveria.

Ronaldinho saiu daqui há dez anos sem deixar um tostão nos cofres do clube por sua formação. É legal? Sim, mas não faz parte da atitude habitual dos jogadores. Eles não costumam deixar seus contratos expirarem para sairem livres. Eles costumam renová-los e sair do clube deixando uma boa multa rescisória. Ofendido em seus direitos, o Grêmio foi à Fifa para buscar os valores relativos à formação do atleta. Recebeu-os, parece-me que foi uma miséria e nunca mais Ronaldinho chegou próximo de seu clube de origem, nem pediu desculpas. Por que Odone pensou que, nesta negociação, haveria a vontade da família Assis Moreira de “limpar a barra”? Ora, as aparências realmente não apontavam para isso. Assis viajava de um lado para outro e tanto o Grêmio quanto Palmeiras e Flamengo anunciavam o acerto. Claramente Assis ouvia uma proposta aqui e a aceitava, mas ia ouvia a próxima que fosse maior e a aceitava também, realizando um estranho e desonesto leilão, pois deixava o anterior a ver navios. Deixando mais claro o leilão, Assis promovia coletivas com o único sentido de atiçar os compradores. Ao interpretar suas declarações, paracia-me que o craque queria jogar no Grêmio, ganhar salários no Palmeiras e curtir o Rio…

E a festa? Após convidar a torcida, para a apresentação de Ronaldinho, soube-se que o Grêmio já tinha instalado caixas de som e outros que tais para uma festa. Talvez tivesse comprado litros e litros de cerveja… Ora, Odone é um sujeito experiente, foi presidente do clube várias vezes, participou do governo Yeda e era o chefe da secretaria da Copa de 2014 em Porto Alegre. O que o fez falar apenas com Assis é um mistério, já que havia 3 pontas no negócio: o Grêmio, Ronaldinho e ainda a  liberação do Milan, com o qual o dentuço tem contrato até junho. Qualquer manual de negociação manda que falemos com os caras decisivos de TODAS AS PARTES ENVOLVIDAS. Assis disse que falaria com o Milan, que era ele o interlocutor com o clube de Berlusconi, e Odone acreditou… Tolo, não? O que terá rolado na conversa? O que convenceu Odone a ficar quietinho no seu quadrado enquanto Assis viajava?

E há, meus amigos, contra Ronaldinho e seu irmão, a questão moral.

Porra, a gente passa anos dando exemplo aos filhos sobre como agir, sobre o valor da palavra dada, sobre o CARÁTER, firmeza e confiabilidade que uma pessoa deve manter e vem um guri de merda sem a menor consciência ética dar um contraexemplo nacional, internacional. E, pior, que será objeto de festa no Flamengo, Palmeiras ou Blackburn ou em algum time dos Emirados. Vai seguir fazendo propaganda e vendido como exemplo de pessoa talentosa e bem-sucedida. O formato da coisa toda me enojou profundamente, ainda mais numa semana em que tive contato com outras pessoas de atitudes repulsivas. Olha, o padrão moral da família Assis Moreira é rasante e não gostaria se traçassem paralelos com sua origem humilde, de modo algum. É coisa lá deles. A família tem diversos imóveis na zona sul de Porto Alegre, é multimilionária e fica por aí fazendo um leilão de última categoria. Não precisava.

A não-vinda de Ronaldinho, patrocinada pela vexaminosa negociação do “Odono do Grêmio”, acabará por ser benéfica para o time da Medianeira. Não obstante minha paranoia, trata-se de um ex-atleta. A única coisa que o irmão de Assis traria ao seu ex-clube, seria dificuldades para impedir a desagragação do grupo, que conveviria com um festeiro de salário estratosférico. Talvez o Grêmio devesse comemorar o melhor futuro que decorrerá deste fracasso verdadeiro. Livraram-se de uma bomba.

A cerejinha podre que faltava: o deputado Gilmar Sossela (PDT) proporá moção que tornaria o jogador persona non grata no Rio Grande do Sul. De qualquer maneira, acho melhor Ronaldinho não vir ao RS nos próximos meses…

A Foto Perfeita

Publicado em 4 de março de 2006

A governadora Yeda Crusius conseguiu grande vitória sobre o botox ao receber o símbolo maior da arrogância esportiva injustificada. Feliz e imediatamente identificada com o mimo, prometeu apoio ao Grêmio na construção do novo estádio, que deverá chamar-se Via Crusius Arena. O atual recebeu seu nome em homenagem às Olimpíadas de Porto Alegre.

Odone e Yeda

Sou inteiramente a favor de tirar sarro de gremistas e vice-versa, claro. Talvez a maioria de meus amigos seja gremista. Fizeram, coitados, esta triste opção numa idade em que não tinham discernimento… Mas anteontem, o novo presidente do Grêmio apequenou-se de forma muito severa ao fazer um discurso de posse onde falava mais de nós do que da instituição que estava assumindo. E não foram referências elegantes como as que recebi de meus amigos, foram coisas assim: “Vamos voltar ao Mundial e goleiro algum vai debochar da gente arrastando a bunda no chão”, disse,  em referência à estranha dança comemorativa do goleiro Kidiaba. Depois falou em fiasco, uma verdade que fica mal na boca de um presidente, e voltou a falar na superiodade tricolor, etc. Aqui está um pequeno resumo da coisa. Sim, pequeno resumo, porque ouvi o discurso e houve frases como “perder para um clube africano é mais vergonhoso do que um rebaixamento para Série B”… Frase pra lá de duvidosa e em mais de um sentido.

Fico tranquilo apenas por achar que isso não aconteceria no Inter. Ao menos em discurso de posse.

Ontem mesmo, Fernando Carvalho respondeu à Odone, ex-secretário especial da Copa de 2014 nomeado por Yeda, a quem dediquei o post abaixo. Odone e Yeda são semelhantes, não? Carvalho poderia ter respondido melhor, mas ficou aceitável se pensarmos na pessoa a quem era dirigido o discurso. Uma prova de que há fiascos e fiascos.

Enquanto isso, visitantes albaneses chegam a nosso estado…

Abaixo, flagrante de Manuela D`Ávila, a libélula vermelha, junto a Berfran Hoxha, consultor albanês para assuntos ideológicos, e Pável Odonov, consultor financeiro soviético e construtor de estádios de futebol. Como bons comunistas, eles observam deliciados a preparação das vitelas swiftianas que ser-lhe-iam oferecidas a seguir.

Antes, o filho de Enver Hoxha levou seu nariz para conhecer outros representantes da esquerda gaúcha e surpreendeu-se com o estado macilento e acabado de nossa Grande Líder e consultora imobiliária. (Atenção para o modelito maoísta florido).

Voltaremos com mais notícias a qualquer momento.