Por que o PSOL vota contra o impeachment (desenhado e em texto)

Por que o PSOL vota contra o impeachment (desenhado e em texto)

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Nota do partido:

Neste domingo (17), os seis deputados do PSOL – Ivan Valente, Chico Alencar, Jean Wyllys, Glauber Braga, Luiza Erundina e Edmilson Rodrigues – votarão contra a abertura de processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

O PSOL é e sempre foi de oposição, à esquerda, aos governos petistas – desde Lula, passando pelo primeiro e chegando a este segundo mandato da presidenta Dilma. O PSOL surgiu majoritariamente de um racha do próprio PT, durante a votação contra a Reforma da Previdência, em 2003, proposta pelo governo. Lançou candidatos contra as chapas petistas nas eleições de 2006, 2010 e em 2014 e não participou das coligações que elegeram a base parlamentar deste governo.

Os deputados do PSOL votaram apenas 47% das vezes junto com o governo Dilma, enquanto, por exemplo, Paulo Maluf (PP/SP) tem “taxa de governismo” de 80% e Jovair Arantes (PTB/GO), o mesmo que relatou a favor da cassação do mandato de Dilma, de 79% – esses números são do “Basômetro”, feito pelo Estadão Dados, que você pode acessar clicando aqui.

Nossos seis deputados votam na maioria das vezes contra o governo porque o PSOL e a sua bancada na Câmara consideram este governo politicamente indefensável. A aplicação de um duro ajuste fiscal nas costas dos trabalhadores, assumindo as pautas da direita derrotada, é inaceitável. A manutenção desse projeto econômico e de uma base política fundamentada em alianças com partidos dos mais tradicionais excluem qualquer possibilidade deste governo fazer uma política genuína para os trabalhadores e o povo pobre.

Como já dito, o PSOL não tem cargos no governo federal, não irá indicar ministros e não tem interesse em participar das negociatas de emendas parlamentares em troca de votos contra o impeachment. Condenamos essa prática, princípio de diversas práticas corruptas – contra as quais lutamos diariamente.

Leia mais: PSOL vota contra parecer na Comissão Especial do impeachment

Nosso voto será por convicção de que, da forma como está sendo conduzido o impeachment, ele se configura como um golpe institucional, injusto não só contra o governo, mas contra a população do país. O processo tem vícios de origem e pouca ou nenhuma consistência jurídica, além de significar um retrocesso político.

Pedaladas fiscais

Dilma não está sendo julgada por corrupção ou pelos erros de seu governo. Está sendo julgada por ter praticado as chamadas “pedaladas fiscais”, decretos de suplementação orçamentária que adiaram pagamentos a bancos públicos e privados. A argumentação dos advogados que protocolaram o pedido que vem sendo julgado alega que “as manobras fiscais criaram um ambiente ilusório que favoreceu a presidente na sua reeleição”.

Em primeiro lugar, “pedaladas fiscais” não caracterizam crime de responsabilidade – necessidade primeira para destituir um presidente eleito. A insuficiência jurídica aumenta quando o pedido é feito apenas para Dilma, como se seu vice, Michel Temer, não tivesse se “beneficiado” juntamente à presidenta.

A bancada do PSOL apresentou, na comissão do impeachment, um voto em separado argumentando sobre isso. Você pode ler a cobertura aqui e ver a íntegra do voto do PSOL aqui.

Condução

O segundo ponto é a própria condução do processo. Se há um setor da política brasileira sem legitimidade para tirar uma presidenta, em especial quando não há crime de responsabilidade e sobre a qual não pesam denúncias diretas de corrupção, é um Congresso dirigido por Eduardo Cunha e Renan Calheiros, ambos do PMDB.

Cunha faz do impeachment a sua vingança contra quem não quis defendê-lo das diversas denúncias de corrupção que pesam contra si. O presidente da Câmara dos Deputados deve, antes de tudo, explicações sobre suas contas secretas na Suíça, sobre os documentos dos “Panama Papers” que o colocam como dono de empresas offshores usadas para lavar dinheiro oriundo de corrupção e sobre as denúncias provenientes de pelo menos sete delações premiadas, no âmbito da Operação Lava-Jato, que o citam como beneficiário direto do escândalo da Petrobras.

Antes de tudo, para o PSOL, Cunha deve se retirar (ou ser retirado pela Justiça) do comando da maior casa legislativa do país. Um processo tão grave para o país como um impeachment não pode ser conduzido por um político como este.

Articulação golpista e midiática

Em si, impeachment não é golpe. É um instrumento de nossa Constituição. Porém, juntando os elementos já elencados acima (a falta de consistência jurídica, ausência de crime e condução vingativa de Cunha) com a grande articulação de acordos escusos que vem sendo construída para o pós-impeachment, ele se torna um processo de golpe institucional.

Os grandes operadores deste processo, além de Cunha, são a alta plumagem tucana, com Aécio Neves e José Serra à frente; Paulinho da Força (SD/SP) e a grande barca dos que esperam se safar das acusações de corrupção que se amontoam; e Michel Temer, o vice-presidente que espera ser o grande representante da tão falada “união nacional” em um suposto novo e ilegítimo governo – com mais ajuste fiscal, menos direitos trabalhistas e, especialmente, um grande acordão para silenciar os escândalos. Todos os citados acima, frise-se, têm grandes problemas com a Justiça.

Essa forte articulação tem como principal aliada a mídia brasileira, que, junto aos setores financeiros, abandonou a máscara da imparcialidade para se tornar porta-voz da campanha pelo impeachment.

Não é por ser de oposição que o PSOL se somará a este grupo e a essa articulação. Nossa construção política tem base na ética, no programa e, sempre, na democracia.

Nossas saídas

O PSOL é e continuará sendo oposição de esquerda. Nossas diferenças com o governo atual são programáticas: não acreditamos neste modelo de se fazer política. Somos contra o ajuste fiscal e a retirada de direitos dos trabalhadores. Votaremos contra a terceirização, a reforma da previdência e diversos outros projetos que contam com o apoio do governo.

Por isso, dizemos: a saída para a crise é pela esquerda. Além do combate a todos os retrocessos, apresentamos ao Brasil uma plataforma de virada na política econômica, priorizando o crescimento do setor produtivo ao invés da especulação financeira, com redução drástica das taxas de juros e grandes investimentos sociais.

Também acreditamos que um novo ciclo só pode ser iniciado com profundas reformas, como a democratização da mídia, para que a pluralidade de vozes não seja suprimida; a reforma política, para que o povo volte a participar das decisões do país; a tributária, para acabar com o modelo injusto de cobrança atual e taxar as grandes fortunas; entre outras.

Só iremos construir saídas reais com uma nova programação das formas e métodos de se construir a política brasileira, que deve ser feita para e com o povo. O PSOL está desse lado da batalha.

Porque hoje é sábado, algumas mulheres da esquerda gaúcha

Meus queridos sete leitores! Caríssimos! Como militante desde o final dos anos 70, posso asseverar que uma das maiores mentiras da humanidade é dizer que as mulheres da esquerda são todas inequívocos jaburus.

A atual geração de petistas, comunistas e psolentas vêm confirmar décadas de…

… observações realizadas com extrema pertinácia pelo autor deste blog.

Nossas mulheres não são apenas as mais lidas e inteligentes, são também as…

… mais belas. Até quem faz as coberturas é interessante! Vejam abaixo:

Larissa Riquelme é apenas um rascunho da Rachel Duarte do Sul21.

E como são expressivas! O sorriso irônico de Manuela… Não parece a vocês…

… que me avisa para eu me cuidar a fim de não ser processado novamente?

Há um gênero de homens — limitados, limitados — que faz confusão entre as…

… interessantes e as chatas. Eu não. As de forte personalidade; as que pensam, decidem e falam, …

… as que passam longe da mera peruagem; mantêm mais viva a magia feminina.

As homenageadas de hoje: Vereadora Sofia Cavedon – PT/RS;

Deputada Manuela D`Ávila – PC do B/RS;

Vereadora Mariana Carlos – PT/RS – Cachoeira do Sul;

Vereadora Fernanda Melchionna – PSOL/RS – Porto Alegre;

Jornalista Rachel Duarte – Sul21.

~o~

Observação final e lamentável: a direita trata assim as mulheres, tsc, tsc, tsc.

~o~

Créditos: a primeira foto de Sofia Cavedon, assim como as três de Rachel Duarte são do Ramiro Furquim/Sul21. As outras, sabe-lá.

Como ser eleito Deputado Federal com grande votação

A história do diabo é a história do progresso.

Flusser

Se você é de um partido decente, esta é a grande chance de sua vida. Uma aposentadoria vitalícia, benesses, diárias, bom salário, assessores, distância do Grêmio, o ideal. O que é um partido decente? Ora, PT, PSTU e PSol. O resto não. Não me venham com PV e sua candidata freirinha, pois de religião estou cheio e se trata exatamente disso.

Você não vai gastar nada, mas quando lhe derem “aqueles 10 segundos” a coisa tem que render como metro quadrado de shopping.

Você dirá o que segue:

Sou Milton Ribeiro e sou ateu. Sou favorável ao aborto livre coberto pelo INSS e não vejo a maconha como algo pior do que o cigarro. Vote no homem, no mito, no Milton Ribeiro.

Está na hora da gente contrapor aos deputados católicos e evangélicos — que são o mesmo — uma bancada ateia. Mas sou contra as religiões e  inclusive contra o ateísmo militante, tão próximo da religião. A gente precisa ser superior aos grupinhos e só aparecer na hora do bota pra capar. Afinal, a Dilma já disse que aborto é coisa para o Congresso, não para ela. Concordo.

Os ateus são pessoas que são sustentadas por um conceito real que os apoia. Eles são numerosos e transitam normalmente na mesma faixa, não cada um em faixa própria. Existe os grandes filhos da puta, claro — há aquele blogueiro cujas iniciais são “as mesmas de seu blog menos 1” (por exemplo, o blog é BS e o nome AR, entendem?) — mas posso garantir que o número de FDPs religiosos é muito, muito maior.

Por motivos profissionais, tenho assistido a propaganda eleitoral. Insuportável. Nada, ninguém se distingue, nem o Tiririca, que apenas faz humor voluntário. Bem, enquanto você não se candidata com o discurso que cunhei exclusivamente para você, deixo algumas instruções para o ato sagrado (céus, que bobagem) do voto:

Não votar em:

— quem mistura religião com política;
— quem parece ou é pastor;
— quem é conservador ou de direita (não me digam que direita e esquerda não existem mais, por favor);
— quem criminaliza sistematicamente os movimentos sociais (MST, povos indígenas, etc.);
— quem é criacionista;
— quem é homofóbico;
— quem é sexista;
— quem, gratuitamente, fala mal da América Latina;
— quem usa a frase “meu antecessor ou quem está lá não fez nada”, pois certamente fez e pode ter sido péssimo.

Porém, se você for de direita, seja verdadeiro e abrace o PP ou o DEM, OK? Não me venha com sucedâneos.

EXCLUSIVO: PSOL revela a carta-testamento de Marcelo Cavalcante

Revelamos a carta ipsis litteris, logo após recebê-la das mãos de Luciana Genro.

Querida Magda.

Ela era apenas uma mera duma Yeda Rorato quando conheceu a barbicha de Carlos Augusto Crusius. Tu sabes, desde jovenzinha ela não devia ser flor que se cheirasse, mas a coisa só piorou, pois às vezes é atrás do Crusius que o diabo se esconde. O casal ficou junto por 38 anos. Tiveram dois filhos, César e Tarsila, que geraram mais quatro netos. Porém, na parte final de seu casamento, nossa desgovernadora passou a me assediar, digo, a me perseguir sexualmente. Como homem, fiquei entre a Crusius e a espada, digo, entre a Crusius e o barbicha ou entre a Crusius e o Crusius, não sei. Bem que me disseste, Magda: “Cada um carrega sua Crusius, Marcelo; e a tua sou eu”; mas o que fazer contra alguém tão alta, inteligente e bonita quanto a desgovernadora?

Tentei te obedecer e passei a fugir dela. “Foge o diabo da Crusius e o morcego da luz”, mas ela ia à Brasilia atrás de mim. Passou a me chamar de seu embaixador na capital federal. Não gosto dessas coisas, Magda. E ela vinha com decotes profundos e pelancudos, sempre com aquele colar de onde pendia uma cruz. La Crusius en los pechos y el diablo en los hechos. A Crusius nos peitos e o diabo nos feitos. Então, ela me falava sobre o dia em que o Ministério Público me chamaria para depor. Tentava me acalmar, me tranquilizar. Era a Crusius sobre o peito e o diabo no coração. Ela dizia que não ia acontecer nada comigo, mas sei que a credulidade dos tolos é o patrimônio dos velhacos. A Polícia Federal e o MP deviam saber de tudo e para que o mal triunfasse, bastaria que os homens bons crusiusassem os braços… Em outras palavras, eu seria o boi de piranha.

Magda, antes de tomar esta decisão tinha medo. Não me acusarão, insultarão; não me combaterão, caluniarão! E não me darão o direito de defesa. Eu disse a ela:

— Cada um com sua Crusius, desgovernadora. Já carrego a minha e não desejo carregar a dos outros.

— A tua Crusius, benzinho, sou eu.

— A minha Crusius é Magda.

— Podes carregar duas ou mais. E minha Crusius não é pesada, o barbicha não sabia, mas posso ser leve como uma pantalha.

(Intermezzo)


Opa, cadê a pantalha que estava aqui?

(Fim do intermezzo)

— Prefiro fabricar minha Crusius com dois palitos do que com colunas do Piratini.

— Ai, não. Palitos são tão fininhos.

— Desgovernadora!

— Sabes qual é a diferença entre um japonês e cem mil reais, Marcelinho?

— Não, desgovernadora…

— É que os dois são quase 100 pau… E por cem mil eu nem levanto meu traseiro. Nem para ti…

— Des…

— Hahahaha, adoro piada de japonês!

— Sabemos disso, desgovernadora.

— Seja meu companheiro fiel e exemplar, Marcelo. Esqueçamos o barbicha dos churrascos dominicais.

Magda, sabes como é essa gente. Entre a honra e o dinheiro, o segundo é primeiro. Ela não queria que soubessem de nossas tramóias em hipótese alguma e estava disposta a trocar seu corpo pela manutenção de sua casa e vantagens. Ela passou a me perseguir, passou a me oferecer cargos e mais cargos. E sexo. Me queria junto dela. Um dia, anunciou que largara o barbicha DE VERDADE. Anunciaria para a RBS. A pressão aumentou. Era tudo tão difícil, Magda, que passei a refletir sobre as águas revoltas da paranóia, digo, do Paranoiá, putz, digo, do Paranoá.

Contei a ela de minhas intenções aquáticas, revelei a ela a possibilidade de eu sair da vida para entrar na História, e ela me respondeu que nunca deixaria que algas entrassem em meu pulmão. Confesso que não entendi.

Magda, eu tenho suportando tudo em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo e à minhas convicções… Agora chegou a hora de decidir. Falei com os caras do dinheiro, disse a eles que pediria exoneração de meu cargo de chefe da representação do governo gaúcho em Brasília. Seria menos uma Crusius para mim. Quando falei com aquele cara do PP que já andou na Procergs, no Banrisul e agora esconde-se no subúrbio, ele respondeu que pensaria. Por fim, recebi um torpedo:

— De cada dez políticos que conhecemos, cinco é a metade.

Confesso que novamente não entendi. Yeda, PP, PMDB e PSDB me fazem propostas. Porém, eu sei. Na verdade, queriam que eu — um homem acuado, incapaz de mentir — sumisse. Eu dei a eles a minha vida. Agora lhes ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.

P.S.- Magda, meu amor, penso que deliro. É muita pressão. São necessários nervos de aço para suportar. Sim, deliro. Imagine que entrei há pouco na internet e a Nova Corja me pareceu de esquerda. Eu só sei é que quando vejo a desgovernadora me dá um desejo de morte ou de dor. A Yeda tem muito poder. Demais para mim. Ué, tem gente na porta a esta hora tardia?

A apresentadora é lindíssima, os cabelos de Luciana Genro experimentam vaga rebeldia e eu rio muito de tudo isso…

… esperando que seja verdade e que descubram mais um cara do PP-RS… Comprova, PSOL, comprova tudo! Vão nos decepcionar agora?