Bom dia, Zago (com os melhores lances de São José 1 x 2 Inter)

Tu não parece ser muito inteligente, Zago. Uma pena essa coisa de a luz da inteligência não brilhar para todos. Vamos começar por Nico López? Nico López não entrou em campo ontem, só Roberson, Andrigo, Ferrareis e Valdívia. Todos craques superiores. O uruguaio — melhor atacante nosso após o artilheiro Brenner — não parecia machucado, estava mais para o decepcionado e triste, vendo aquele horror sentadinho no banco.

Pois o Inter jogou malíssimo. Novamente, tivemos uma espetacular penca de passes errados e os the usual suspects confirmaram: William, Anselmo, Eduardo Henrique, Roberson, Andrigo, Ferrareis e Valdívia fizeram péssimas partidas. E por que Paulão jogou no lugar de Léo Ortiz, que é muito superior?

Roberson ia perdendo o gol mais feito da história. Errou o chute, mas o zagueiro foi piedoso e corrigiu o chute do coitado | Foto: Ricardo Duarte

Roberson ia perdendo o gol mais feito da história. Errou o chute, mas o zagueiro foi piedoso e corrigiu o chute do coitado | Foto: Ricardo Duarte

A diretoria parece estar fazendo o máximo. Tanto que colocou os salários e os direitos de imagem de todos em dia, mas parece que isso não faz jogar.  Eu sei que é difícil, Zago, mas erros de passes também são culpa tua. Isso é treinável, meu amigo. Por exemplo, sabemos que o William está uma porcaria e que tu deverias trazer de volta Alemão ou Junio — que não Brastemps –, mas, enfim, como eu dizia, o William recebeu uma bola e os outros jogadores foram se afastando, tornando o passe cada vez mais difícil.  Adivinha o que aconteceu?

E aquele enorme sufoco no final do jogo. Zago, dá uma parte do teu salário pro São Danilo Fernandes. Esse sim é muito bom e te salva!

E… incrível! Estamos classificados matematicamente. Lá na rabada, mas estamos.

Acho que tu cais logo após o Gauchão, Zago. E será merecido.

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Na hora de decidir, o Grêmio… :)

arenaÉ claro que o Grêmio é nossa diversão. Ainda mais que sabemos que eles tinham o melhor time do Picanhão 2016. Só que desaprenderam o caminho das taças. A única coisa de imortal no Grêmio são as piadas (*). Ontem, eu dava risadas assistindo o jogo. Quando o Roger tirou o Douglas, o Grêmio começou a minguar e logo vi que ia mesmo ficar faltando um gol. Lembrei-me de jogos de tênis nos quais tenistas menores batem e batem em Djokovic, Federer e Nadal, mas perdem o jogo. Mantém brilhantemente seus saques e estão sempre quase quebrando o do adversário. Mas, na hora da decisão, ficam nervosos e encolhem o braço, deixando a vitória para… quem está acostumado a vencer. O Grêmio também é assim. Na hora de dar o golpe fatal, encolhe o braço. É a psicologia da Arena e há que respeitá-la.

E o Campeonato Gaúcho será decidido por dois times bem vagabundinhos. Ver o Inter jogar é um suplício. Um pega a bola e ninguém se desmarca para receber. Dois bons jogadores, como Sacha e Andrigo, não conseguem jogar pela falta absoluta de esquema. Nosso técnico — além de de ignorar os plurais e a concordância na entrevistas — não consegue aplicar nenhuma tática. Ênio Andrade também falava muito mal, mas era um baita treinador de boleiros.

E vamos para uma decisão imprevisível. Hoje, o Inter é realmente o quarto melhor time do RS, porém tem camiseta e naturalidade na hora de levantar e guardar taças, mesmo uma pequenininha como essa. A gurizada do Ju é boa e até seria simpático vê-los dar a volta olímpica. Mas são o Juventude. O primeiro jogo, no Jaconi, será domingo que vem. O Inter decide em casa e, sabemos, é só ver um time retrancado que paramos. Não há dinâmica de jogo para abrir uma retranca. Temos só Paulão.

A semana terá Grêmio x Rosario Central quarta-feira. Não vi o RC jogar, mas espero que seja melhor do que a LDU e aquele ridículo time do Papa. O presidente Bolzan disse uma frase verdadeiramente notável após a desclassificação de ontem: Se for como hoje podemos fazer cinco no Rosario Central, como fizemos 4 a 0 na LDU. Ou seja, ele acha que perder gols é uma categoria à parte do jogar bem.

Vou poupar vocês dos melhores lances de Inter 1 x 0 São José, pois quase não houve isso. Fiquem com Grêmio 3 x 1 Juventude. Teve futebol na Arena.

https://youtu.be/24SrNzAo–A
(*) Frase roubada do twitter de Sandro Sotilli (@sandrosotigol).

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Fim da linha para Jorge Fossati

A contratação do técnico Jorge Fossati parece ter sido uma aposta. Esta revelou-se tão arriscada quanto apostar na Megasena em certa lotérica de Novo Hamburgo. Agora que o leite está derramado, é fácil dizer para não deixá-lo aberto sobre a geladeira. Alguém vem, abre a porta com força e deu. Fossati cometeu um dos erros mais comuns entre os treinadores: vir com uma planilha na mão e um esquema na cabeça. Ele queria três zagueiros, mas como fazer para acomodá-los junto a dois bons volantes e a laterais laterais? Não funciona. Além disto, vemos passes errados, dinâmica de jogo miserável, defesa desorganizada e ataque de riso.

O Inter de 2010 é um time que parece jogar razoavelmente bem, pois tem bons jogadores, porém sua consistência e contudência é nenhuma. Fico pensando no motivo que leva um time bem formado a errar tantos passes. Há como fazer um time acertar seu toque de bola? Há. Procurei sites sobre formas de treinamento e encontrei uma montanha de estratégias aplicadas por gente famosa — bá, passei a respeitar ainda mais os argentinos, o Marcelo Bielsa e o… Fabio Capello — para que boleiros aperfeiçoem seus passes, para que acertem a marcação por zona, para fazer o toco y me voy, para não tomar gols em escanteios, para fazê-los; enfim, para todos os fundamentos. Fabio Capello, que não é exatamente um mau treinador, diz que a maioria dos jogos são vencidos por quem domina melhor a galeria de fundamentos e garante que raramente vem um Messi, um Zidane ou a sorte para virar tudo de cabeça para baixo.

OK, ele é um chato de um italiano. Mas o que queria descobrir era se tudo — e principalmente o toque de bola — seria treinável se houvesse material humano. Sim, tudo é treinável. Além destes ensaios, há outros privilegiando as características de jogadores. Se um time conta com Nilmar, às vezes não é má ideia dar um bico para frente, porém, se você conta com uma capivara, nem tente porque a bola vai voltar. Então, chute para as lateriais do campo adversário e começa a marcar por pressão lá mesmo, para que a bola demore mais para voltar… E assim por diante.

O que quero com minha argumentação é acusar Fossati de trabalhar errado — refiro-me a esquema, fundamento E dinâmica — e de desrespeitar o estilo natural de jogo que aquele grupo de jogadores do Inter exige. Não sei se eles podem ir muito longe, mas é um fato bastante corriqueiro que um jogadores de defesa devem ter duas opções de passe para sair jogando e nem isso acontece no Inter, onde Guiñazú e Sandro parecem mais sonhadores e irresponsáveis do que os meiase Bruno Silva espera entrar na própria granbde área antes de dar o bote…

Nem vou entrar na batidíssima questão de discutir a insistência com Taison e Edu, a depressão de Kléber, a reserva de Andrezinho. Estas seriam questões pontuais que poderiam ser levadas de roldão por um coletivo aceitável. Acho que, na bagunça atual, só resta trocar de treinador. Lamento muito. Gosto de Fossati pessoalmente, suas entrevistas são boas, há sinceridade ali; ademais, não vejo um grupo desinteressado (à exceção de Kléber), mas não dá.

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