Dois jogos: o Corinthians finalmente roubado e o Inter com seus impasses

Rotina: Riquelme acertou mais um daqueles chutes malucos que os gremistas conhecem.
Rotina: Riquelme acertou mais um daqueles chutes malucos que os gremistas conhecem.

No dia em que Marina Silva cometeu mais um suicídio político — será ressuscitada novamente, esperem e verão — , o Inter fez um confronto equilibrado com o Santa Cruz e o Corinthians foi finalmente roubado. OK, não foi roubado; na verdade, o juiz errou de forma cabal e contrária aos interesses do todo-poderoso time paulista, algo inédito em terras brasileiras, com juízes brasileiros. E nem Tite reclamou. Beneficiário contumaz da péssima e clientelista arbitragem nacional, o Corinthians tem mais é que ficar quieto e acender velas para a nossa Comissão de Arbitragem. Aliás, nem precisaria disso, tem um timaço e merecia eliminar o Boca, só que o Boca com Bianchi tem outro aplomb, outra autoconfiança. E Amarilla em jornada inusual. Os dois Carlos resolveram o jogo e…

O meio-de-campo Eriviti disse que Bianchi insistiu a semana inteira para que o número 8 do Corinthians fosse bem marcado. Mesmo assim, Paulinho voltou a ser impressionante. É o melhor jogador em atividade no Brasil. Usa como ninguém as facilidades oferecidas por nossos armadores que não sabem marcar. Paulinho os engole lá atrás e os patrola quando vai ao ataque. Sim, quando digo que Paulinho é o melhor em atividade do Brasil, não esqueço de Neymar, nem de…

D`Alessandro, que novamente salvou o Inter.  O amor que tenho aos clubes menores quase me tornou torcedor do Santa Cruz, mas quando começou o segundo tempo e nós estávamos com um jogador a menos, voltei a meu coloradismo delirante e quase incondicional. Vou dizer uma coisa para vocês: o Inter tem laterais, tem um time de sete zagueiros bastante bons  — o louco Moledo, mais Juan, Índio, Jackson, Alan, Romário e Ronaldo Alves, para que tantos? — bons volantes e um grupo absolutamente insuficiente de armadores e atacantes. Do meio pra frente, temos D`Alessandro, Damião e um ex-craque que vive de LAMPEJOS, Forlán. Fred não confirma seu início de carreira e deveria ser repassado a outro clube junto com o loiro uruguaio enquanto têm valor de mercado. Caio é alguém a ser testado, assim como Rafael Moura. Ou seja, apesar de toda a boa comissão técnica do Inter, nosso time só pode fazer gols à fórceps e em times fracos

A chamada D`Ale dependência significa apenas que ele ´é nosso único armador e que nossos atacantes não têm rendido. Sim, desse jeito não vamos longe. E tenho dito.

O Corinthians: dessa vez vai, acho

Liédson, Danilo e Paulinho após o empate corintiano

Pois eu acho que desta vez o Corinthians será finalmente o Campeão da Libertadores. Com um time de implacável pragmatismo, sem ilusões, dedicado à marcação e sem destacados protagonistas, o time mais popular de São Paulo deverá levar não apenas a lenda de mais chato da competição. Apesar do que significa o Boca — se este passar hoje pelo Libertad — , os argentinos estão muito abaixo do que vimos ontem.

Afinal, é o ano dos pragmáticos. O Chelsea já ganhou a Liga dos Campeões vencendo times com melhores jogadores. (Acho que um encontro entre Chelsea e Corinthians deveria ser encaminhado diretamente para os pênaltis, tais suas retrancas.) Mas, ah, há lições a tirar dos enfadonhos.

Se o Chelsea teve sorte contra o Barcelona e principalmente contra o Bayern, o Corinthians demonstrou notável segurança, mantendo distância de quaisquer possibilidades de reversão. Todos, inclusive os atacantes, marcam mesmo. É comum ver Jorge Henrique, Emerson e William atirando-se à marcação com ânimo de volantes de contenção. E o resto do time faz o mesmo. Tanta dedicação aponta para um vestiário fechado e motivado, sem dorivais a impor ordens sem sentido. A marcação é completada por uma excelente organização e sincronia quando com a bola nos pés, prova de que o time não faz apenas os rachões desatentos de dorivais. Se há tanta dedicação e obediência, não há apenas Tite para administrar o grupo , há certamente uma equipe — da qual participa Fabio Maseredjan, dispensado pelo Inter para dar lugar ao preparador da equipe de dorival. OK, apesar de justos, chega de ressentimentos.

Ao ver os torcedores com lágrimas nos olhos e nervosos no final da partida, pensava em quão idiotas somos quando sob grande tensão. Eles deveriam estar tranquilos, tal a serenidade e a segurança do time do Pastor Tite. Apesar da diferença de um gol, o Santos nunca chegou a ameaçar, nem mesmo quando encontrou, sob as camadas da marcação corintiana, aquele gol de Neymar. A coisa estava tão séria e complicada para o Peixe que Neymar comemorou o gol de verdade, sem aquelas dancinhas das suas mais que vulgares músicas.

O gol foi imerecido e acabou sendo corrigido logo no começo do segundo tempo de uma forma bem corintiana — explorando o erro do adversário, no caso, Durval. Pois os times vencedores são assim, punem, estão ligados, prontos para o bote, totalmente instruídos e focados em objetivos, a não ser que sejam formados por Messis e Xavis e não precisem de tanta atenção, só de treino mesmo.

Esqueci de dizer que a objetividade do Tite — tão desapiedada quanto a de um pastor ao retirar o dízimo de seus fiéis — também revela-se quando o Corinthians toma posse da bola. O time vem tocando quase sem dribles e errando poucos passes. Os maestros são o excelente Paulinho e nosso conhecidíssimo Alex. Na reserva, há jogadores do porte de William, Liédson, Douglas, etc. Ou seja, a receita do Corinthians — provável vencedor da Lib 2012 — é foco, organização, dedicação, jogadores experientes e rejeição aos protagonismos.

Quando comparo com aquele meu time do sul… OK, eu paro.

Tô nervoso, porra

Vocês sabem como é, né? Não, vocês não sabem. O fato é que eu estou aqui aguardando a audiência e deveria estar na concentração para o jogo contra o Corinthians. O professor Tite me olhou no olho e me liberou meio que no bom coração. Mas me mandou voltar logo. Já está na hora, passou das 14h e o juiz não chamou. Tudo por causa daquele maldito processo de reconhecimento de paternidade que o gordo ali quis fazer quando todos sabem que a Nanda é minha filha.

Indagorinha mesmo, um débil mental me reconheceu e veio falar comigo. Queria saber se eu ia jogar, o que estava fazendo no Fórum, etc. Me deu vontade de responder que tinha vindo comprar pão. As pessoas acham que mandam na vida da gente. Todos acham isso. Ele me disse que era advogado, sócio do Inter, e, depois de me perguntar e reperguntar se eu estava bem para o jogo, me contou que o nome Corinthians veio da tradução inglesa do título de uma das epístolas (ou algo parecido) do apóstolo Paulo, que assim chamava os habitantes da cidade de Corinto, na Grécia, onde joga o Rivaldo. Ele terminou falando que Corinthians era como Maicosuel ou Uélinton — essa parte eu não entendi. Eu — bah! — estava interessadíssimo, só pensando se o Ronaldinho sabia que o nome de seu time era meio grego e ridículo… Com a graça de Deus o advogado chato sumiu e pude observar meus adversários.

Caralho, por que a Lúcia era tão puta? O primeiro que apareceu depois de mim era um magrão que eu não conhecia. Tinha cara de bom moço endinheirado. Vinha do shopping saber se tinha uma filha ou não. Calça de brim novíssima, tênis de atleta olímpico de alto rendimento, um blusão branco com o nome da loja estampado enorme e uns óculos caros e ridículos. Não era muito másculo, mas impressionava pelo investimento no visual, muito parecido com o da maioria dos jogadores. Acho que só pegaria a Lúcia se a bolinha viesse picando. Ah, Lúcia, meu amor, tão vadia. Abri o processo para descobrir o nome da figura: Juliano Martins. Esse não queria a Nanda, dizia desde o começo que teve “sexo casual” com minha mulher. Ela confirmou, mas fiquei na dúvida quando uma mulher mais velha, certamente sua mãe, chegou ao lado dele olhou para todos os lados e falou meio alto:

– Ué, a Lúcia não veio?

Melhor deixar para lá. O problema é o gordo, chamado Luís Fernando Antunes. Ele diz que a Nandinha é a cara dele e quer a guarda compartilhada. Na boa, é um cara muito mal-humorado e está puto com a situação. Na ação, disse que pagou a prótese de silicone da Lúcia, uma lipoescultura e alguns acertos no nariz que me fazem pensar em acertar o dele. Parece que tem testemunhas. Eu queria era levantar o beiço dele e bater só na gengiva. Ele é tão parecido com a Nanda quanto o Michael Jackson de qualquer fase. Se financiou as loucuras de Lúcia, se a deixou mais tesuda ainda, que fique sabendo que quem come a mulher e cria a filha sou eu. Nosso advogado me explicou a coisa assim: o gordinho seria uma espécie de “corno duplo”. É um fodido mesmo.

E eu estou aqui, nervoso. Amo a Nanda tanto quanto a Lu, vocês não imaginam. Tudo o que eu faço é para elas. Quando vim para o Inter, só pensava no carro absurdo que ia comprar. A primeira coisa que me preocupou no clube foi aquela lombada que tinha lá na Av. Beira-Rio. Como é que eu ia sair de lá na minha nave a toda a velocidade com aquela porra logo ali na saída? Desisti do carro esporte e comprei uma caminhonete que nem a do Guiñazu e mandei um troco para a família. Não sabia ainda o que me rondava.

Vi a Lúcia numa praça de alimentação. Ela estava com uma amiga. Estava linda num vestido rosa decotado. Achei que tinha direito àquilo. A sacana me sorriu de longe e eu, olha, eu nem sorri, acho que gargalhei, tal era o monumento que me dava bola. Para chegar foi fácil, a amiga dela sumiu e ela ficou me esperando. Enrolei uns dois minutos e levantei. Ela logo foi me dando lugar. A primeira coisa que me deixou maluco era que a beldade loira sabia tudo de futebol e era colorada. Tudo a ver comigo. É simplesmente inacreditável que ela tenha dado trela praquele gordo. O magrão, tudo bem, anda na moda, é bonitinho, coisa e tal, mas aquele balofo não tem nada a ver. Deixa eu ver aqui no processo: É “empresário”, o magrão é “estudante”. Vão se foder!

Aí começaram as viagens e eu acho que virei titular só pensando no que estaria fazendo a Lúcia. Nunca paro de ter ciúmes dela. Depois que a conheci, passei a treinar como o Guiña, só de ódio, pensando no que a Lu não aprontaria enquanto eu estivesse quarando na concentração. Ela gosta muito da coisa; se um dia ela enfiasse a língua numa tomada lá de casa, estouraria a rede elétrica do condomínio inteiro; se põe os olhos em alguém, é pau duro na hora. Tem que ter preparo para ela. E me aparece aquela figura roliça para me encher o saco… Como é que ela não desmontou ele? Pois montar é com ela mesmo, e aí a gente fica olhando aquela coisa perfeita em cima da gente e é uma desgraça. E, nos outros momentos, tem a Nanda, a minha queridinha. Ela é quem faz questão de ir aos jogos me ver. Ela é que se apavora quando eu caio. Ela foi a homenageada quando fiz meu primeiro gol depois de mais de trinta partidas como titular. Minha função não é a de fazer gols, mas me pifaram, fiz um e apontei para ela nas cadeiras. Sei onde elas sentam.

Até o mês passado, tudo era maravilhoso. Ganhávamos de todo mundo, aí o professor inventou de “poupar” jogadores. Eu não quero nem saber, gosto e preciso de dinheiro e por mim jogava todas. Mas o negócio de treinar mais e jogar menos acabou desentrosando o time, que hoje perde para todo mundo. Ganhamos domingo, mas eu não estava jogando. Olha, nem sei se a Lu e a Nanda devem ir amanhã. O jogo tem tudo para ser arrastado, com os corintianos fazendo o tempo passar e com a merda do Ronaldinho só esperando uma chance. Tô nervoso com o jogo, claro, e tô nervoso com o processo. Aliás, já pensou se amanhã a Nanda fosse ao jogo com o roliço? Ah, eu dava um soco naquele Elias. E se o cara for gremista e ficasse se empanturrando com ela na frente da TV, dando risada da nossa cara? E a Nanda? Não vai ser ouvida só porque tem 3 anos, caralho? Ela me adora e eu adoro ela!

Putz, eu tenho que voltar para a concentração. O professor vai me matar. Ainda bem que ele viu que isso é importante e sabe como eu sou com a Nandinha. O que a Lu viu naquele saco de gordura? A conta bancária? E a Nanda, o que acharia dele? Criança é volúvel e ela é filha da Lúcia, que parece gostar de todo mundo. Naquele dia do shopping, ela deixou o carro dela no estacionamento e fomos na minha caminhonete para o motel. Ela é louca mesmo. Vi que tinha ficado impressionada com minha BMW preta. Foi uma tarde e tanto. Vi estrelas naquela cama e mais ainda na banheira de hidromassagem. Numa hora, Lúcia ficou em pé para sair e vi seu corpo perfeito e molhado, com todas as curvas aumentadas e refletidas pela luz do quarto. Uma corpo daqueles escraviza o homem. Será que não vão considerar que amo a Nanda e sou tão ciumento dela quanto da mãe? Daria tudo para que ela fosse filha do magrão babaca, o filhinho da mamãe.

Era o destino, já no primeiro dia enquanto a via sair da banheira de hidromassagem, notei uma pequena barriguinha. A Nandinha já estava ali, com os choros e risadas que conheci depois. Conheci as duas juntas no mesmo dia, entende? Ela simplesmente não tem nada a ver com aquele babaca gordo tipo Ronaldinho.

Mas estão nos chamando para dar o resultado do exame.

A curta primavera da tartaruga

Na semana passada, circulou em Porto Alegre uma engraçada metáfora. Talvez ela tenha surgido em hostes coloradas, mas contou com o apoio gremista. Dizia-se que o Grêmio era uma tartaruga em cima de um poste: ninguém sabia como tinha subido até lá, mas sabia-se que cairia… Ouvi a piada ser contada por muita gente, colorados e gremistas. Parecia haver um consenso sobre a queda da tartaruga. E ontem ela caiu feio.

Foi 4 x 1 ao natural, com direito a gol antes dos cinco minutos de jogo e placar construído no primeiro tempo. Tite entrou em campo com aquela escalação cautelosa de três volantes. Estranhamente, este tipo de escalação parece favorecer a liberdade dos meias de ligação adversários. Vejam o golaço de Tcheco! Ele atravessou o campo, fazendo o mais belo gol do jogo, tendo enfrentado em sua arrancada apenas um jogador: Guiñazu. Aliás, Tcheco parecia ser o único com algum élan e categoria no time do Olímpico. O resto era um amontoado de equívocos: Pereira e Perea entraram em campo lesionados, o primeiro foi substituído a dez minutos e o outro no intervalo; Marcel e Perea formavam um ataque de asma; a saída de bola pelo lado direito com os péssimos Paulo Sérgio e Léo não funcionou, claro; e Celso Roth, após a expulsão de Tcheco e perdendo o jogo de 4 x 1, optou por preservar seu emprego abdicando de atacar. Uma tragédia. Uma tragédia maravilhosa para nós.

Enquanto isso, víamos D`Alessandro, Guiñazu e Alex triturarem o meio de campo defensivo do Grêmio. Foram inúmeras as oportunidades em que esses três e mais Nilmar chegaram tabelando aos três zagueiros de Roth. A atuação de D`Alessandro foi tudo e mais do que desejaríamos. Seu chute no primeiro gol foi espetacular e… Bem, foi um chocolate lindo de se ver.

Com efeito, a tartaruga caiu e o vento que a empurrou nem precisou ser muito forte.

Há oito rodadas, estávamos 18 pontos atrás do Grêmio; hoje, a diferença é de oito. OK, o Grêmio encarou a realidade, mas é indiscutível que estamos jogando mais.